Trekking no Parque Nacional Torres del Paine – Circuito Completo (W+O)

Primeiro dia:

Portaria Laguna Amarga até Camping Seron.

O dia começou cedo com uma trip de ônibus de pouco mais de 4 horas, partindo de Puerto Natales até a portaria do parque na Laguna Amarga. Fizemos nosso registro, pagamos as taxas, assistimos uma rápida palestra, que nos informou de tudo o que poderíamos e não poderíamos fazer no parque. Cabe um alerta aqui: a fiscalização é extremamente rigorosa com quem vacilar. São restrições quanto a locais de acampamento e mais importante que isto, quanto ao uso do fogo.

Cumprindo o rito necessário, estávamos liberados, eu e o Filipe, para começar nossa jornada de 8 dias pelo circuito completo.

Andamos uns 500 metros, se não estou errado e chegamos em uma ponte que eu apelidei de “a ponte mágica” pois é nela que aparentemente a coisa começa verdadeiramente.

Primeiro dia começamos com todo o gás e com as mochilas igualmente com todo o gás, ou melhor, com todo o peso..kkk… O tempo ajudou bastante, tinha um sol e a temperatura estava agradável.

Neste dia a trilha é bem tranquila com poucas subidas e um visual alucinante do Rio Paine sempre nos acompanhando ao lado.

Com pouco mais de 6 horas de trekking, algumas paradas para lanche e para curtir o visual, chegamos ao Camping Seron que estava bem vazio. Montamos acampamento e tratamos de jantar e  por volta das 22 h e 30 min com luz ainda, caímos para dentro da barraca.

Os dias na Patagônia durante o verão são muito longos e isto é um fator favorável para o trekkking. Pode-se estender o dia e ficar despreocupado com problemas relativos tais como o trekking noturno. Neste dia andamos  17 quilômetros.

Segundo dia:

Camping Seron até Refúgio Dickson

Começamos a caminhada por volta das 9 h e 30 min, após uma noite de ventos fortes que atrapalharam um pouco o sono. Por volta das 12 h e 30 min chegamos em um refúgio de Guarda Parques, onde fomos autorizados a cozinhar (é proibido fazer qualquer tipo de fogo na trilha e isto inclui fogareiros). Depois de ter cozinhado os alimentos, ficamos ali descansando e trocando algumas ideias com o guarda parque, gente finíssima e por volta das 14 horas, colocamos os pés na trilha novamente e mantivemos até às 17 h e 30 min, quando chegamos no Dickson.

Neste dia andamos 19 quilômetros.

Terceiro dia:

Refúgio Dickson até Camping Los Perros

Depois de uma noite mais tranquila por conta de estarmos melhores abrigados do vento,  sem pressa, começamos o trekking por volta das 10 h e 30 min, pois sabíamos que a distância era menor, tendo apenas uma subida constante que no final do dia, um aclive de 150 até 550 metros acima do nível do mar. Bem tranquilo, chegamos a Los Peros um pouco depois das 16 horas. Neste dia não paramos para almoço, apenas fomos beliscando algumas guloseimas e dando pequenas pausas de descanso.

Neste dia andamos 13 quilômetros.

Quarto dia:

O quarto dia! Esse sim, considerado o mais difícil e de fato foi assim.

Estávamos cientes que este seria o dia mais cascudo e por conta disto começamos mais cedo,  pouco depois das 8:30 já estávamos a caminho do topo do Paso John Gardner que fica a uma altitude de 1200 metros. Foram quase 5 quilômetros só de subida, primeiro num bosque e logo em seguida a paisagem foi mudando. Começou a aparecer neve entre as árvores e depois somem as árvores e o que se tem é apenas uma montanha com muita pedra solta, neve e vento forte. Demoramos cerca de quatro horas para alcanças o topo e avistar pela primeira vez o fantástico Glaciar Grey.

Quando você pensa que o pior já passou, vem a interminável descida, sempre acompanhada de ventos impetuosos que nem sempre sopram na mesma direção, fato este, que exige sempre muita atenção para não ser arremessado para algum lugar perigoso.

Por volta das 14 horas, chegamos finalmente no Camping Paso, que não era nosso destino final. Paramos ali apenas para almoçar e um descanso de pouco mais de uma hora. Neste ponto, por conta da falta de bastões de caminhada, meu joelho direito já estava detonado e só foi piorando até o final da trilha que neste dia só terminou às 19 h e 30 min. É como se diz aqui no Rio Grande do Sul: cheguei na “capa da gaita”, mas cheguei. Kkkk Ver o Refúgio Grey foi uma felicidade só, depois de tudo que passamos.

Tirando o perrengue, este é um dos dias de visuais mais alucinantes por conta do Paso John Gardner e do Glaciar Grey, sempre nos acompanhando do lado direito. No Refúgio Grey, começamos  o caminho W do circuito, já conseguimos ver bem mais pessoas nas trilhas e nos pontos de parada.

Distância percorrida:  16 quilômetros, com um acumulo de subida de 1.450 metros e um acumulo de descida de 1.920 metros.

Quinto dia:

Refúgio Grey até Acampamento Italiano

Já refeitos, graças ao bom Deus, desmontamos o acampamento, tomamos um café reforçado e colocamos os pés na trilha novamente. Passava das 8 h e 30 min quando começamos a caminhada e andamos tranquilamente até o Refúgio Paine Grande, onde paramos para almoçar e descansar um pouco.

Seguindo em frente, devagar e bem tranquilos, pois a trilha tem poucas variações de aclive e declive, embora ela seja longa. Chegamos ao nosso destino quase 20 h e 30 min ainda com o céu claro.

Distância percorrida:  19 quilômetros.

Sexto dia:

Acampamento Italiano até Refúgio Los Cuernos

O sexto dia começa com um ataque até o mirante Britânico, passando pelo Vale Del francês.  Cerca de 3 horas de caminhada para subir, é um bate e volta. Por isso, deixamos todo nossos equipamentos no Camping Italiano e subimos apenas com uma pequena mochila com lanche e água. Nesta brincadeira subimos e descemos  800 metros em pouco mais de 11 quilômetros no total. Tanto a trilha do vale como do mirante são muito lindas e valem as 6 horas deste bate e volta.

Chegando de volta ao Camping Italiano, tratamos de almoçar e colocar os pés na trilha para completar o dia, chegarmos ao nosso destino final: o Refúgio Los Cuernos, distante 5.5 quilômetros do Italiano.

Este dia, ou melhor, esta noite,  quando chegamos no Los Cuernos, devido a lotação com acampamento, nós tivemos muita dificuldade de encontrar um local legal para acampar. Depois de muita procura, encontramos um lugar aparentemente ruim, numa baixada dentro de um pequeno bosque e bem ao lado de uma montanha de galhos de árvores que foram podados. Coisa do destino ou a mão de Deus, como gosto de dizer, foi a nossa sorte, pois nessa noite rolou um vento monstruoso e quase que o tempo todo. Quando foi pela manhã, ao irmos fazer o nosso café no refúgio,  ficamos sabendo que a galera que estava acampada no lugar “bom” tinha passado pelo maior perrengue. Era barraca voando, vareta quebrando e muitos tiveram que correr para o refúgio no meio da noite e ficar por ali amontoados no chão. Ainda bem que não choveu e nem rolou neve.

Distância percorrida:  16.5 quilômetros.

Sétimo dia:

Refúgio Los Cuernos até Acampamento Torres

Neste dia, lembro de ter acordado com uma dor no coração por saber que a nossa aventura estava se encaminhando para o seu final. Enrolamos um monte para sair e começamos nossa jornada às 11 horas da manhã.

A trilha é longa e como de costume, tudo é muito lindo e selvagem, uma subida constante que começa suave e vai ficando mais complicada, a medida que vamos nos aproximando do Acampamento Chileno, onde paramos para almoçar e depois seguimos em frente até o objetivo final: Acampamento Torres, onde chegamos por volta das 20 h e 30 min.

Esse camping é, para mim, o mais “roots” numa atmosfera meio hippie. Pouca estrutura e os guarda parques tinham outra “vibe”, se é que dá para entender, não que fosse um acampamento de doidão, nada disto. Era o astral da galera mesmo. Foi o lugar que mais curti neste sentido.

A distância percorrida neste dia foi 17.3 quilômetros e um acumulo de subida de 1.350 metros aproximadamente.

Oitavo dia:

Acampamento Torres até Hotel Las Torres

O último dia começou com tempo fechado e uma chuvinha fina, fato que me desmotivou de subir até o mirante das Torres.  Fiquei pelo acampamento, algo me dizia que não valeria a pena ir até lá. O meu brother de indiada Filipe, resolveu arriscar e deu com os burros na água. De fato, estava fechado e não deu para ver nada das torres.

Desmontamos o acampamento, tomamos um café reforçado e demos início a nossa derradeira ladeira abaixo, e em pouco mais de 3 horas completamos o trilha até nosso destino final que era a luxuosa Hosteria las Torres, local de onde pegaríamos um ônibus de volta para Puerto Natales.

Distância percorrida: 8 quilômetros.

Considerações finais:

O circuito completo (W+O) é realmente algo fantástico em todos os sentidos. Foram cerca de 110 quilômetros com vistas únicas. Sem sombra de dúvidas o circuito Torres del Paine é a Meca do trekking na América do Sul, tinha gente de todos os lugares do mundo, e isto também é uma experiência interessante.

O clima é uma incógnita sempre. Num mesmo dia pode rolar de tudo mesmo. A única constante mesmo é o vento, sempre forte a muito forte…kkkk

Vou ter que voltar lá um dia qualquer, pois não consegui ver as Torres em virtude do tempo ruim. Alguém topa? Hahaha

Dicas:

Indispensável levar bastões de caminhada. Passei perrengue por falta deles.

Dentro do parque tudo que você for comprar é muito caro, portanto, é recomendado um bom planejamento do que diz respeito às refeições.  Levamos alimentos liofilizados, frutas desidratadas, castanhas do Pará, aveia em flocos, leite em pó, café e suco Tang. Essa foi a base de nossa alimentação. Tudo pensado para diminuir o máximo o peso da mochila cargueira.

Fizemos em oito dias, mas vou dizer que é bom ter mais um ou dois dias para poder aproveitar melhor a viagem, fazendo mais paradas, ou ainda, no caso da trilha estar fechada por mau tempo, não correr o risco de perder voo e assim por diante.

Veja todas as fotos desse trekking em Torres del Paine nos circuitos W+O:

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10 Comments

  • Alexandre Janner,

    Edson, tudo bem? Belo relato. Me diz uma coisa, que datas você fez O+W? Sugere um período mais apropriado? Não quer dividir conosco teu checklits de equipes? Parabéns pela aventura. Abraço.

    • Edson Maia,

      Olá Alexandre, Tudo certinho!
      Esse trekking foi realizado no início de dezembro de 2014. A melhor época é o verão mesmo, até porque até onde sei, o circuito completo só é liberado nesse período do ano.
      Equipamentos:
      Barraca Azteq Nepal 2,
      Isolante Térmico Eva Isomat Reflex 10mm Azteq,
      Saco de dormir Orbit -5º da Deuter,
      Mochila Quantum 70+10 da Deuter,
      Fogareiro a gás da Nautika,
      Marmita de alumínio, talheres e pegador de panela.
      Lanterna de cabeça Black Diamond Cosmo IPX 4 ( Não recomendo pois morreu, hj em dia uso uma Silva Ninox Camo, IPX7, muito melhor)

      Roupas:
      Conjunto de segunda pele da Quechua,
      Meias de Trekking da Quechua, da Curtlo e da Selene,
      Bota Salomon Conquest Gtx,
      Fleece Quechua,
      Parkha Andes da Trilhas & Rumos,
      Calça Upsala Air – Conquista (impermeável e respirável)
      Óculos JULBO Nomad 125,
      Gorro SOLO Expedition,
      Camisetas TechFRESH 50 da Quechua,
      Calça bermuda Solo TrekKing.

      Diversos:
      Kit primeiros socorros,
      Travesseiro inflável,
      kit higiene pessoal,

      Acho que o mais importante está aí. 😉

      Espero poder ter ajudado.

      Abraço,
      Edson

      • ALEXANDRE RAFAEL JANNER,

        Ajudou muito. Abraço.

        • Edson Maia,

          Abraço!

  • oakley kings camo fast jacket xl,

    My friend
    This post is so helpful,it give me much help,thanks!

  • Talita Oliveira,

    Olá Edson! Parabéns pelo post, muito bom!
    Irei fazer Torres em dezembro, e o que está me deixando bastante preocupada é a mochila. Comprei a futura vario 45+10 SL da Deuter e percebi que seria pequena, já que além do circuito O, irei para outras cidades. Então estou em dúvida se troco pela Quantum 60+10 que vem também com a mochila de ataque ou se pego a Air Contact. Vi que você utilizou a Quantum, foi tranquilo? Ela foi boa para a trilha? Fiquei meio confusa pois vi no site da Deuter que é para ser utilizada em trekking e viagem, mas tenho alguns conhecidos dizendo que é para viagem, só que se o próprio fabricante diz que ela tem duas funções, como duvidar? rsrs.
    Obrigada pela atenção!

    • Edson Maia,

      Olá Talita,
      Obrigado pelo comentário.
      Quanto a tua dúvida em relação a mochila, creio que a Futura é pequena mesmo. Estou bem satisfeito com minha Quantum. Já fiz algumas travessias bem nervosas com ela, como por exemplo a Serra Fina em MG, e não tenho nada para reclamar.Mochila muito robusta e cabe muita coisa dentro, além é claro, de vir com a mochila de ataque (que foi o fator que me fez escolher a Quantum). O único porém é que ela não tem saída para sistema de hidratação, mas isso não é problema, dá pra adaptar facilmente com um pouco de criatividade. É uma mochila mais versátil e tem os mesmos ajustes ergonômicos que da Air Contact.
      Resumindo: estou feliz com minha Quantum. 🙂
      Tenha uma ótima aventura no TDP e qualquer outra dúvida, manda aí!

  • Amanda Azevedo,

    Olá Edson! Parabéns pelo post, foi muito útil no nosso planejamento de viagem!
    Iremos no final de fevereiro para TDP e estamos com um pouco de dúvida com a barraca. Temos uma barraca iglu 2p, que possui uma coluna d’água muito boa, mas não é muito estável em ventos fortes. Como ela já é uma barraca antiguinha, queremos comprar uma outra, mas estamos com dificuldades nas escolhas. Você acha que a Nepal 2 aguentou bem o vento nos campings mais abertos? Você recomendaria algum outro modelo? Obrigada!

    • Edson Maia,

      Olá Amanda! Que bom que gostou do post, fico feliz em poder estimular e/ou ajudar a turma que curte a vida outdoor.
      Quanto a barraca, a Nepal se comportou bem, embora em pelo menos duas noites, os ventos sopraram sem clemência sobre nós. Ela dá conta para duas pessoas e o equipo. Creio que é uma boa alternativa, depois desta, creio que a azteq mykra também pode ser uma boa opção, por ser autoportante e ter a qualidade semelhante ao modelo Nepal.
      Para qualquer outra dúvida, é só perguntar.
      Ótima trilha para vc!

  • Torres del Paine/Chile - O que fazer, qual trilha percorrer? Veja tudo aqui!,

    […] por planícies, margens de lagos, montanhas e geleiras. As duas caminhadas mais famosas são os circuitos W e O, que permitem chegar à base das […]

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