Decidi escrever como tudo começou, antes de dar início ao diário do trekking em si, para contar um pouco das aventuras e desventuras que antecederam esses 10 mágicos dias no Monte Roraima e para agradecer algumas pessoas muito especiais.

Antes de decidir onde estaria nessa virada de ano, muitas dúvidas surgiram.

A ideia inicial, fazer o trekking no Monte Roraima, parecia que não daria certo… O grupo formado aqui na cidade onde moro com a coordenação de um profissional que admiro e tive a oportunidade de conhecer em 2017, Juliano Santana, da Target Aventura, iria numa data que eu não conseguiria férias.

Tentei outro grupo, por uma empresa do Rio de Janeiro, mas, para os dias que eu tinha disponibilidade, não tinham mais vagas.

Comecei a pensar em mudar de rota. Surgiu a possibilidade maravilhosa de fazer o curso de canionismo na serra da Canastra com meu amigo e profissional extraordinário do rapel Kadu, da Eco Xperience. Queria ir, mas meu coração ainda balançava pelo Monte Roraima (mas ainda vou fazer).

Outra viagem que comecei a planejar seria para o Caparaó, na divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo, onde poderia unir a paixão pelas cachoeiras com o amor pelas montanhas, pois queria muito subir o Pico da Bandeira. Conversei com meus amigos Breno e João, de Minas Gerais e estaria tudo certo pra ir, mas seriam poucos dias (Obrigada, meninos, pelas dicas e ajuda com o contato do parque. Esse ano ainda estarei por aí!).

E foi num final de semana de acampamento no Vale da Utopia, na Guarda do Embaú, com amigos incríveis que o trekking me deu de presente, que, comentando sobre a minha vontade de fazer o Monte Roraima, uma das minhas amigas, a Tere me falou do guia com quem ela e outros amigos fizeram: Leo Tarolla. (Tere, obrigada pelas dicas e pelo empréstimo do saco estanque pro meu saco de dormir ficar sequinho!).

Ela não tinha mais o contato dele e comecei a busca. Deixei mensagem no face e nada. Até que achei a página da empresa, chamada Brasil Norte Expedições e o e-mail. Logo recebi resposta de que havia um grupo montado para as datas que eu queria, com o tempo que eu queria ficar, com o melhor preço de todos que pesquisei e que eu ainda poderia entrar no grupo. Perfeito! Decisão tomada, passo para a etapa das passagens. Quem já foi pra Boa Vista – Roraima, sabe que não é lá muito barato… Ainda mais em cima da hora. Tinha que ver se conseguiria um valor possível.

Comecei as pesquisas! A melhor opção de logística de voos e menos tempo de espera seria pela AZUL. Mas, eu buscava melhor preço e não comodidade. Encontrei pela LATAM um preço um pouco melhor, mas ainda muito caro pra mim. A GOL estava quase o mesmo preço da AZUL. Consultava as saídas por Navegantes ou Florianópolis, já que moro em Blumenau. Foi quando lembrei de Joinville e consegui uma ótima diferença de preço, mas teria várias horas de aeroporto entre um voo e outro. Isso não era problema, tudo certo! Comprei! Joinville – São Paulo – Brasília – Boa Vista para 25-12-2017; e Boa Vista – Brasília – São Paulo – Joinville para 06-01-2018.

Procurei também um hostel em Boa Vista. O Leo, nosso guia, me passou indicação, mas estava lotado para as duas noites que estaria por lá. Achei então um hotel mais simples, com preço bom e relativamente próximo do aeroporto e do centro de Boa Vista, Hotel Mecejana. Foi ótimo custo-benefício! Mas, se você não gosta de água fria, recomendo que procure outro (rsrs…). Não existe água aquecida ou chuveiro elétrico. Mas a cama é boa e tem ar-condicionado.

Outra coisa importante pra quem vai fazer essa viagem ao Monte Roraima é o comprovante de vacinação pra febre amarela. E tem que ser internacionalizado. É muito fácil de fazer e não tem custo. É só levar sua carteirinha de vacinação ou comprovante da vacina da febre amarela no posto da ANVISA do seu município. Não chegaram a nos pedir, mas para entrar na Venezuela podem exigir!

Depois de alguns dias separando e organizando tudo, vi que não caberia na minha mochila. Minha amiga Iara que viajaria, excepcionalmente, de mala de rodinhas nesse fim de ano, me emprestou a mochila (Muito obrigada, amiga!).

Chegado o dia da véspera da viagem, 24-12-2017. Feliz porque pude passar o dia com meu pai e a família e a noite de Natal com a minha mãe e meu irmão.

Enfim tudo arrumado para pegar o voo no dia seguinte!

Nossa viagem começaria dia 27-12 e eu chegaria em Boa Vista na madrugada do dia 26-12. Então, teria um dia para conhecer Boa Vista.

25-12-2017 – Dia de embarcar! Minha mãe e meu irmão me levaram até o aeroporto de Joinville (obrigada, meus amores).

E começava a aventura ao Monte Roraima

Chegando em São Paulo, essa era a única conexão que eu não esperaria. Foi só correr para pegar o próximo voo pra Brasília, onde então esperei por algumas horas para pegar o voo para Boa Vista. Enquanto esperava, recebi algumas mensagens carinhosas de “boa aventura”, “boa sorte” e uma de um grande amigo que fiz nos trekkings do Rio Grande do Sul, o Alfredo, grande parceiro de trekking da melhor qualidade, que já morou em Boa Vista e me passou o contato de um amigo dele, também gaúcho, que já mora em Boa Vista com a família a muitos anos, o George. Entrei em contato e combinamos de nos falarmos no dia seguinte para fazermos alguma coisa.

26-12-2017 – Chegada em Boa Vista 1 h 00 da manhã. Esperando a bagagem, já conheci um casal que também faria o Monte Roraima, a Dani e o Paolo de São Paulo. Já dividimos o UBER para chegar cada um no seu hotel com mais um morador de Boa Vista que estava voltando pra casa. Cheguei no hotel passava um pouco da 1 h e 30 minutos e eis que não localizaram a minha reserva. Frio na barriga. Entrei no meu e-mail pelo celular e mostrei a confirmação da reserva. Ainda bem que tinha vaga. Pude ficar! Não sei o que houve no sistema deles, mas no dia seguinte estava tudo solucionado. Ufa!

O Leo, nosso guia, entrou em contato comigo logo cedo que passaria lá no hotel pra me dar um oi, mas que teria compromisso o dia todo. Eu já querendo sair por aí pra aproveitar o dia, mas esperei. Logo que chegou, pude sentir o ser humano iluminado que ele é, daqueles que podemos conversar por horas… Combinamos a saída do dia seguinte e ele me deu uma carona até à orla, onde eu queria ir pra andar de caiaque.

Cheguei no Porto do Babazinho, um lugar que oferece passeios de barco, aluguel de pranchas de stand up e caiaques. Nesse meio tempo, troquei mensagens com o George e combinamos que eles me buscariam ali lá pelas 10 horas. Aluguei um caiaque e atravessei o Rio Branco até chegar na Praia Grande, na outra margem. Natureza linda! E só tinha eu naquela faixa de areia enorme.

Foi delicioso ficar por ali um pouco. Voltando pra devolver o caiaque, um senhor, o Ralph, veio me ajudar a tirá-lo da água. Perguntei alguma coisa e ele respondeu em inglês que não entendia. Conversamos um pouco até descobrir que ele era alemão, apaixonado por remar e velejar nos rios do Brasil e que vem todo ano até Boa Vista e dali sai para suas expedições de barco pelos rios afluentes do Amazonas.

Monte Roraima
Remando no Rio Branco – Boa Vista – Roraima

Logo em seguida o George e a esposa dele, a Janaína, chegaram. Nem nos conhecíamos e eles foram uns amores comigo. Me levaram para conhecer outras praias lindas nas proximidades e depois em deixaram bem perto de vários pontos turísticos da cidade, onde pude conhecer tudo a pé. Combinamos de nos reencontrarmos mais tarde. Conheci o centro antigo, as feiras de artesanato, a Igreja Matriz e o Monumento aos pioneiros. Dali segui a pé até o centro cívico, conheci o Monumento aos garimpeiros, o Monumento do Milênio, a Praça das Águas e de lá segui até o hotel.

Monte Roraima
Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo – Boa Vista – Roraima

Tomei um banho e logo depois o George e a Janaína chegaram para me buscar. Fomos comer um açaí e dar mais umas voltas pela cidade. Depois fomos buscar a filha deles, a Bianca, e a mãe da Janaína, dona Denize, duas queridas, para vermos a decoração de natal. Voltei à Praça das Águas, agora com eles, e à noite. Toda iluminada e decorada, estava linda demais! A praça tem várias fontes de águas dançantes com música tocando o tempo todo. Muito legal!

Monte Roraima
Praça das Águas – Boa Vista – Roraima

Acabaram ainda me levando pra jantar porque me falaram que eu não poderia sair de Boa Vista sem provar o “peixe-delícia”. E digo o mesmo pra vocês! O nome já diz tudo! Além dessa iguaria de Boa Vista, pedimos ainda um tucunaré grelhado e iscas de dourado. Sensacional! Preço bom e pratos bem servidos. O nome do restaurante é Recanto da Peixada. Conversamos mais um pouco e depois me deixaram no hotel. Que família amorosa e abençoada. Obrigada por tudo!

Tomei mais um banho (gelado, rsrs…), organizei a mochila e deixei tudo preparado. Celular para despertar 4h30. Horário combinado para me buscarem 5h da manhã. Ansiosa pelo início da grande aventura no Monte Roraima.

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