Parque Estadual do Marumbi/PR

O Parque Estadual do Marumbi é um complexo de montanhas localizadas na Serra do Mar no estado do Paraná, região sul do Brasil.

A minha aventura começou no dia 31 de Agosto/2018, na cidade de Caxias do Sul/RS, fui convidado pela empresa de Turismo de Aventuras Sol de Indiada a fazer o que é hoje a trilha mais difícil do Brasil, realizada em um dia.

Saímos da cidade de Caxias do Sul por volta de 2:30 horas da manhã de sexta feira com 3 carros, a primeira parada foi para o café da manhã em Lages/SC, nada melhor que tomar aquele café da manhã especial vendo o sol nascer.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Embarcamos nos carros e seguimos viagem, rumo ao Paraná, descemos a Serra da Graciosa e paramos para almoçar no restaurante Casa da Graciosa na cidade de Quatro Barras/PR. Recomendo muito esse local, simples, aconchegante e muito bom.

Dali em diante seguimos para a Estação Ferroviária Engenheiro Lange, a estrada que leva para a estação é um tanto íngreme, não recomendada para veículos sem tração 4×4, essa estrada também faz parte do final do Caminho de Itupava.

Na estação Lange era hora de tirar as mochilas dos veículos 4×4 e colocar nas costas, seguir por uma trilha demarcada em meio a mata até a Estação Marumbi, a trilha tem aproximadamente 1000 metros de distância, um caminho fácil, mas muito bonito.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Já na estação do Marumbi, deixamos as mochilas cargueiras na administração da estação e seguimos com as mochilas de ataque para explorar o primeiro caminho, a trilha do Rochedinho. Essa trilha é nível fácil, sem grandes obstáculos, mas é necessário atenção de quem a percorre, pois em alguns pontos você passa por algumas cristas de montanha um pouco íngremes e vertiginosas.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Do alto do Morro Rochedinho é possível avistar as estações de trem e boa parte do complexo do Marumbi, a paisagem compensa o esforço da caminhada.

Lembre-se sempre de avisar os funcionários da administração do parque o lugar que você vai e quantas pessoas vão com você, isso é primordial para manter a segurança de todos dentro do Parque Nacional do Marumbi.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch
Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch
Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Depois de tirar algumas fotos no alto do Morro do Rochedinho, descemos por uma outra trilha que dá acesso ao famoso Viaduto do Carvalho (Viaduto que liga os túneis 4 e 5 da ferrovia Paranaguá-Curitiba. Assentado sobre 5 pilares de alvenaria e em curva, sua posição faz parecer que o trem flutua no vazio. É um dos cartões postais mais famosos do estado).

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Dali em diante seguimos pela estrada de ferro até a estação Marumbi, montamos as barracas, jantamos e por volta das 9:00 já estávamos todos acomodados para dormir.

Trilha do Pico Marumbi, considerada a trilha mais difícil do Brasil realizada em um dia!

Acordamos por volta de 5:00 horas da manhã, tomamos aquele café especial sem pressa, arrumamos as mochilas de ataque. Dentro da minha, continha cerca de 5 litros de água, 2 batatas doces, 200 gramas de amendoim, barras de cereais, de vestuário continha uma blusa x-power Solo Polartec e um corta vento Fearless Conquista Montanhismo, também levei 2 maquinas fotográficas para registar a aventura e lanterna de cabeça.

Às 7:00 da manhã demos início a caminhada, lembro de o guia Evandro Clunc falar assim “caminhe como um velho, chegue como um novo” tínhamos que caminhar devagar, mas progressivamente.

A trilha que escolhemos fazer foi a Noroeste (vermelha) para subir e alcançar os seguintes pontos: Abrolhos (1200 metros), Ponta do Tigre (1400 metros), Gigante (1497 metros) e Olimpo (1539 metros de altitude). A descida seria realizada pela trilha Frontal (Branca), veja o mapa abaixo para entender as trilhas:

Parque Estadual do Marumbi/PR

A trilha possui inúmeros trechos de escalaminhada, vias ferrata, cordas e correntes de fixação, além de tudo isso a muita vegetação aos arredores das trilhas, em alguns pontos é necessário agarrar-se nas raízes e arvores para subir ou descer algum obstáculo.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Karine Grison

Chegamos no Abrolhos em cerca de 2:30 horas de duração, uma subida um tanto inclinada, passando por cristas de morros e paredões gigantescos, a visão que se tem lá do alto (1200 metros de altitude) é incrivelmente linda, pode se falar que é recompensadora depois de tantos degraus e esforço físico para se chegar até lá.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch
Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Após alguns minutos retornamos a trilha vermelha com sentido a Ponta do Tigre, nessa parte da subida você passa pelo vale das lágrimas e chega na Catedral (tem este nome em função de um conjunto de pedras gigantescas encaixadas uma nas outras, formando uma especie de gruta enorme e imponente, neste local fizemos uma parada estratégica para repor energias.

Depois de muita subida, combatendo o medo de altura, enfrentando todo o terreno acidentado desse trajeto, chegamos a Ponta do Tigre, local onde escolhemos para almoçar.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Evandro Clunc

Sentado em um gigante bloco de pedra, avistamos o Abrolhos, podíamos ver pessoas no alto daquele morro como se fossem “cabeças de percevejo”, isto nos faz pensar, o quanto somos pequenos diante dessa grandiosidade da natureza chamado Marumbi. Devemos preservar ao máximo lugares como este, para que um dia nossos filhos possam se aventurar por lugares de tirar o fôlego como são estas montanhas paranaenses.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Cerca de 30 minutos depois seguíamos para o Gigante e Olimpo, notei que o caminho entre a Ponta do Tigre e o Olimpo era um pouco menos íngreme, mas o corpo já apresentava sintomas de cansaço. Ao chegar no cume de 1539 metros, fiquei aliviado, estava no alto do Marumbi, metade do percurso estava feito, ficamos ali por cerca de 20 minutos, a neblina era intensa, não avistamos nada além de nós mesmos.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Era hora de continuar, agora seria o trajeto todo de descida, aí você se pergunta! “Agora ficou fácil, na descida todo o santo ajuda”. Digo a vocês, descer trilhas é muito mais difícil que subir, pois na descida todo o seu peso + mochila com carga está apoiada em suas pernas, joelhos e pés, é preciso tomar muito cuidado ao transpassar obstáculos, sejam eles de via ferrata, degraus ou pedras lisas, pois é muito fácil ocorrer lesões, descemos tranquilamente pela trilha Frontal (Branca).

O caminho de volta é bem mais curto do que o da ida, mas é mais íngreme, é necessário muito cuidado nas vias ferrata, desci devagar, olhando em cada lugar onde afirmar os pés, mãos e combatendo constantemente o meu medo de altura.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Evandro Clunc

Essa aventura não deve ser realizada por pessoas sem preparo físico, não é indicada para pessoas com problemas de articulações ou sobrepeso. Para aqueles que querem se desafiar e combater seus medos essa é a trilha perfeita para você testar seus limites físicos e psicológicos.

Chegamos no acampamento por volta de 18:30 minutos, foram cerca de 6:30 minutos subindo e 5:00 descendo, isso em 11, 42 quilômetros, posso dizer com todas as convicções que essa trilha pode ser considerada a mais difícil do Brasil realizada em um dia.

Desbravando o Complexo Marumbi/PR


Caso você tenha interesse em fazer essa aventura com a gente, inscreva-se na edição 2019!

Galerias férreas abandonadas

Na Serra Gaúcha, mais precisamente nos municípios de Barão, São Pedro da Serra e Salvador do Sul no vale do Caí, estado do Rio Grande do Sul, existem lugares pouco conhecidos, perdidos em meio a mata e galerias que contam a história de parte das ferrovias que existiam no Sul do Brasil. E que a partir da década de setenta viu a sua maior decadência com o abandono da malha ferroviária e extinção de ramais.

Este foi o caso da linha que antigamente conectava Porto Alegre a Caxias do Sul, quando aberta em 1909, passava de Montenegro a parte alta da Serra pelos municípios de Maratá, Salvador do Sul, São Pedro da Serra e Barão chegando a Carlos Barbosa, onde hoje é a estação da Maria Fumaça. Porém nesta parte os trilhos seguem existentes até Caxias do Sul, no entanto se encontram totalmente abandonados e deteriorados em meio a vegetação.

Com a extinção do ramal Montenegro a Carlos Barbosa, muito se perdeu. Porém aterros e cortes em pedras da antiga ferrovia seguem abandonados em meio a vegetação. Com a criação de grandes aterros para passagem da ferrovia nesta região de serra era necessário uma infraestrutura de drenagem de água e muros para a contenção da base. Diferente de hoje, com o largo uso de concreto, pontes e túneis mais elaborados, se utilizava como matéria-prima principalmente rochas, por sua abundância e custo baixo.

Galerias férreas abandonadas
Acervo Renan C. Mancuso. (Família Mancuso)

Construção de galeria fluvial da ferrovia por volta de 1904 a 1908

O interessante sobre as galerias é que cada uma que se encontra abaixo do caminho da antiga ferrovia apresenta características únicas, todas foram projetadas conforme a necessidade para a ferrovia em diferentes terrenos.

Nós do Trekking RS, mapeamos os principais pontos para se aventurar por trilhas que te levam até estes lugares.

Galerias férreas abandonadas
Principais pontos (Google Earth PRO)

Em vermelho o antigo trajeto da Ferrovia, pin’s verdes (principais pontos para se visitar).

Desta forma pode-se dividir em três principais trajetos que se pode percorrer para seu Hike (Caminhada):

Galerias de São Pedro da Serra e Barão/RS – Brasil

Caminho por estrada de chão a partir da rótula de acesso ao município de São Pedro da Serra na BR-470, esta estrada segue o antigo trajeto da ferrovia onde se encontram várias galerias, pode-se destacar duas de tamanho médio e três de grande porte entre outras de menor relevância.

Primeira galeria considerada de médio porte neste trajeto possui um lado que se encontra fechado por pedras que desceram da parte superior da montanha. Portanto nesta galeria se deve descer um vale íngreme até a parte inferior.

Galerias férreas abandonadas

Esta é a galeria de maior porte neste trajeto, para acessar você deve entrar na parte superior e sairá em um gigante muro de contenção que te deixará realmente impressionado.

Galerias férreas abandonadas

Logo após a grande galeria  existe outra que também é de grande porte, batizada como “galeria da Catedral” possui um sequencia de três arcos internos em diferentes níveis, que dão a impressão de um grande vão devido ao desnível acentuado de um lado a outro desta galeria.

Galerias férreas abandonadas

Mais informação deste caminho no vídeo:

Galerias próximas ao centro de Salvador do Sul/RS – Brasil

Neste trajeto curto você encontrará galerias próximas ao bairro liberdade todas muito próximas uma da outra, uma de grande porte e duas de porte médio.

Galerias férreas abandonadas

Galerias férreas abandonadas

Galerias férreas abandonadas
Aterro

Logo saindo da BR-470 a caminho da fenda, existe um aterro onde abaixo se encontra uma galeria muito seca e limpa.

Galerias férreas abandonadas

Galerias férreas abandonadas
Data de construção 1904

Galeria de médio porte com data de construção 1904 na pedra central. Se encontra a esquerda logo após a fenda talhada em rocha onde passava a ferrovia.

Caminho mapeado deste trajeto:

Desenvolvido por Wikiloc

Para mais informação desta trilha você encontrará no vídeo abaixo:

Galerias de Linha Bonita, próximas ao Túnel Ferroviário.

O Túnel de Linha Bonita em Salvador do Sul/RS – Brasil foi inaugurado no ano de 1909, possui 93 metros de comprimento, 5,70 metros de altura e 4,10 de largura, além do formato curvilíneo, expressão de uma arquitetura especial, única do gênero na América Latina.

Galerias férreas abandonadas

Galerias férreas abandonadas

Em cada lado das saídas deste túnel existem dois grandes aterros onde em um deles até é possível a prática de Rappel.

Já seguindo o caminho da ferrovia sentido sul, pela Rota Stein existe uma trilha em boas condições de 5 km pelo antigo traçado da ferrovia onde pode-se encontrar outras duas galerias de porte médio. Esta trilha está bem marcada pois ali também é utilizada para veículos off-road, assim que não apresenta desníveis elevados sendo uma caminhada de nível fácil.

Galerias férreas abandonadas

Ferrovia do Vinho abandonada

Depois de um bom tempo de planejamento e busca por informação na rede, decidimos fazer uma trilha que nos permitisse conhecer o máximo dos principais túneis e viadutos abandonados da Ferrovia do Vinho em Bento Gonçalves.

Por imagens do Google Maps e OpenRailwayMap marcamos os principais pontos e decidimos nosso trajeto sem ter a certeza de que seria viável ou não em questão das condições de abandono da ferrovia.

Iniciamos nosso trajeto as 6:00 horas da manhã a partir da ponte Ernesto Dornelles, famosa por seus arcos sobre o Rio das Antas, e que conecta os municípios de Bento Gonçalves e Veranópolis no Rio Grande do Sul. Deixamos o carro em frente ao restaurante que se encontra próximo a ponte e seguimos nosso caminho.

Tomando uma estrada de paralelepípedo logo se pode entrar a direita em uma fenda talhada em rocha, aí está um túnel da Ferrovia Tronco Principal Sul (TPS). Tomando a esquerda seguimos pelos trilhos aproximadamente 5 km até chegar ao Túnel Y, neste ponto duas ferrovias se juntam a TPS e a Ferrovia do Vinho, que desde 1992 está desativada desde que o trem turístico Maria Fumaça passou a operar entre as cidades de Carlos Barbosa e Bento Gonçalves.

Ferrovia do Vinho abandonada

Ferrovia do Vinho abandonada

Aproveitamos para seguir até a ponte ferroviária que cruza o Rio das Antas ainda pela TPS, já tinha amanhecido e a visão era espetacular, dos vales e da casa de máquinas da central hidrelétrica.

Ferrovia do Vinho abandonada

Ferrovia do Vinho abandonada

Após tomarmos umas fotos e vídeos, decidimos regressar ao túnel Y, mas agora tomando a saída para a Ferrovia do Vinho. A primeira impressão que tivemos ao sair do túnel era que não seria possível seguir, pois o começo da trilha apresenta muitas quedas de barreira e consequentemente alagamentos em certas partes, porém o lugar demonstrava rastro de que trilheiros com suas motos passavam por aí, então seguimos. O caminho apresentou melhoras e nos deu motivação para seguir adiante.

Ferrovia do Vinho abandonada

Ferrovia do Vinho abandonada

Andamos por vários quilômetros até chegarmos próximo ao primeiro túnel da ferrovia do vinho após o túnel em Y, este possui um comprimento de 514 m, e passa por debaixo do povoado de São Luiz das Antas que no passado era uma vila militar.

Passando o túnel seguimos pelos trilhos perdidos entre a vegetação, barro e pedras até encontrar com a estrada que dá acesso a São Luiz das Antas. Neste ponto decidimos subir pela estrada até o povoado, para seguir pelos trilhos da segunda volta que a ferrovia dá no morro para poder ganhar altitude, até porque seguir pelos trilhos naquele ponto não foi uma opção pelo tempo que teríamos e sua condição, porém é um possível caminho para uma trilha futura, ou um trekking de 2 dias pois existem, pelo menos, outros 2 túneis neste trajeto.

Chegando a São Luiz das Antas avistamos os trilhos da segunda volta da ferrovia e  perguntamos aos locais que vivem na antiga estação de trem como poderíamos seguir até o próximo túnel e os dois viadutos. Nos informaram que deveríamos apenas seguir pelos trilhos e que era possível pois há uma trilha neste trajeto.

Ferrovia do Vinho abandonada

Ainda próximo a vila, caminhamos um trajeto com muito lixo e água que apresentava coloração estranha devido ao povoado que está na parte superior da ferrovia, caminhamos um bom trajeto  até então depararmos com o túnel, o de número 3, que possui 599 m de distância. Logo na saída já está um viaduto, o maior em comprimento de todo o trajeto de Bento Gonçalves a Jabuticaba. Este lugar é incrível para descansar e apreciar os vales e as montanhas talhadas pelos rios daquela região. O local também faz questionar o porque de tanto dinheiro público investido na década de 40 com a ferrovia e o porque de ela estar assim atualmente, sendo que ainda consta na página do governo como uma ferrovia ativa.

Ferrovia do Vinho abandonada

Logo após um descanso e almoço sobre os trilhos do viaduto, decidimos seguir até o próximo viaduto que apresenta menores dimensões, mas que, no entanto, possui uma cascata muito próxima que se encontra escondida entre a vegetação, a visão e o sentimento de estar em contato com a natureza são incríveis.

A seguir visitarmos este último viaduto, decidimos que era hora de voltar para o carro que havíamos deixado perto da ponte, regressamos até o primeiro viaduto que havíamos visitado e tomamos a descida para a cachaçaria Casa Bucco, no entanto é uma propriedade privada, assim que é muito importante ligar com antecedência para a cachaçaria para avisar que vão descer e passar pela propriedade, fazendo isso não há problema, são muito receptivos.

Ferrovia do Vinho abandonada

Ferrovia do Vinho abandonada

Assim, terminando um caminho de 19 km chegamos novamente ao nosso ponto de partida com um enorme sentimento de satisfação em passar por todos estes lugares de tirar o fôlego e que nos fazem perceber que não se precisa de muito para ser feliz, basta sair da zona de conforto e desbravar estes lugares desconhecidos pela maioria das pessoas.

 

Para acompanhar este caminho, veja o vídeo com os principais momentos deste percurso:

Proibição na Ferrovia do Trigo – Rio Grande do Sul

Para muitas pessoas o trecho de ferrovia que liga as cidades de Guaporé e Muçum no interior do Rio Grande do Sul é apenas mais um trecho de aproximadamente 52 quilômetros de uma linha férrea qualquer, igual a todas as outras existentes no território brasileiro,  para outras pessoas esta ferrovia é conhecida como Ferrovia do Trigo/RS, nela podemos encontrar dezenas de túneis e viadutos férreos com mais de 100 metros de altura.

Esse local é muito conhecido pelos praticantes de trekking, onde semanalmente fazem o trecho entre essas duas cidades a pé, uns fazem para se desafiar, outros fazem algumas partes apenas para ter uma foto postada no Instagram, alguns usam a ferrovia com o intuito de adquirir lucro e outros apenas a amam.

Sabemos que uma pequena parte dessa travessia foi interrompida pela empresa Rumo, detentora da concessão ferroviária, impediram a visita pública no atual terceiro maior viaduto do mundo, conhecido como Viaduto 13, o gigante de 143 metros de altura, está sendo vigiado 24 horas por dia, sete dias por semana, impedindo qualquer pessoa de pisar sobre ele.

Aos aventureiros que queriam desafiar seus medos no V13 não é mais permitido, para aqueles que um dia sonharam em fazer a travessia completa, também não é mais possível.Ferrovia

Com a proibição do público no V13 confirmo uma ideia que já tinha há algum tempo atrás, que hoje compartilho com vocês.

“Precisamos explorar o mundo que nos cerca sem medo, se jogar no desconhecido que não compreendemos, desafiar nossos limites físicos e psicológicos e desbravar caminhos que ainda não são conhecidos. Para que um dia possamos olhar para trás e ver que conquistamos um mundo cheio de possibilidades, cheio de história e enigmas. ”

A Ferrovia do Trigo não é o primeiro lugar que foi retirado dos guias de turismo e não será o último, se você quer uma dica interessante:

Não espere aquela folga para conhecer o lugar que gosta, não espere juntar dinheiro para fazer aquela viagem dos sonhos, porque esse dia pode não chegar, o lugar poderá ser proibido antes que você pise nele.

Ferrovia

Como apaixonado pela ferrovia do trigo posso afirmar que há inúmeros lugares ainda pouco conhecidos na  Ferrovia do Trigo, estes vão além do que apenas pisar no trilho e dormentes, neste trecho podemos contemplar inúmeros outros atrativos como: cascatas, cachoeiras, cavernas, antigos dutos de água, vistas panorâmicas dos viadutos, túneis abandonados e muito mais, se você ficou interessado em todos estes locais não deixe de acompanhar nosso site, estamos preparando uma super postagem em homenagem a Ferrovia do Trigo/RS, Aguarde.

Deixe um comentário abaixo se gostou ou não do texto. Compartilhe com a gente os seus pontos de vista em relação a este tema.

Vale Sagrado e seus encantos

Vale sagrado é um dos lugares mais lindos que já visitei, para todos os lados é possível ver paisagens ainda intocadas, grandes cadeias de montanhas e enormes plantações.

Como seu próprio nome já diz, o lugar é sagrado mesmo, pude contemplar esse espetáculo da natureza em dois momentos diferentes, momentos estes que fizeram a minha ida ao Peru ser grandiosa e espetacular.

A primeira ida ao Vale grado foi de ônibus, conheci um dos sítios arqueológicos mais imponentes de todo Império Inca, chamado de Ollantaytambo, este possui uma arquitetura incrivelmente preservada, é a única cidade da era inca ainda habitada.  Situado na parte sul a aproximadamente 90 quilômetros a noroeste da cidade de Cusco.

Vale Sagrado

Vale Sagrado

Vale Sagrado

Melhor que apenas ficar olhando pela janela do ônibus a paisagem é poder contemplar um pôr do sol e um nascer do sol em um dos locais mais incríveis do Peru, o Vale Sagrado sem dúvida alguma é um lugar tranquilo, mistico e completamente enigmático, lembro-me de chegar no hotel um pouco antes do sol baixar no horizonte, este hotel que era muito lindo e harmonioso, tinha um jardim enorme com uns bancos de madeira em meio as árvores, sentei em um deles e fiquei apenas observando atentamente as montanhas mudarem de cor, conforme o sol ia baixando, sem comentários está linda obra da natureza que é o Vale Sagrado dos Incas.

Vale Sagrado

Vale Sagrado

Fiquei ali tirando algumas fotos e aguardando as estrelas aparecerem no céu, e ao poucos elas foram aparecendo e iluminando todo o cenário. Tentei por alguns instantes capturar algumas imagens deste momento, mas sem muito sucesso, estava muito claro no local, então as fotos não ficarão aquelas coisas. kkk

Vale Sagrado

Na manhã seguinte, levantei cedinho pois queria ter a chance de contemplar o sol nascer, mais um vez fiquei admirado com tamanha beleza, o sol nascia devagar, mas radiante, aos poucos a luz amarelada e avermelhada, contrastava com o céu azul, fazendo eu me sentir completamente maravilhado e empolgado para colocar a mochila nas costas e seguir para a estação do trem.

Vale Sagrado

O segundo momento de contemplação deste lugar fascinante, foi o deslocamento de trem até a cidade de Aguas Calientes, porta de entrada para a cidadela de Machupicchu.

O caminho realizado pela empresa responsável pela concessão ferroviária é a PeruRail, a estrada de ferro percorre em meio aos vales, atravessando pontes e margeando o rio Urubamba, a cada curva as paisagens mudam, as montanhas começam a ficar íngremes e estonteantes, com certeza é um lugar único, conforte o sol se move, cria uma coloração intensa nas montanhas que contrasta com o azul do céu.

Vale Sagrado

Vale Sagrado

A vista de dentro do trem é incrivelmente linda, os vagões possuem amplas janelas nas laterais e algumas janelas no teto, em alguns trechos o trem atravessa paredões gigantescos de pedra, os túneis do Peru são um pouco diferente dos túneis que temos aqui no Brasil, as aberturas de ventilação são construídas na parte de cima do teto dos túneis, lembro-me de ficar olhando pelas janelas sob o teto do trem, com certeza uma das viagens mais divertidas que fiz de trem.


O tempo de percurso dentro do trem é de duas horas aproximadamente entre o Vale Sagrado dos Incas até a cidade de Aguas Calientes. Uma viagem que recomendo muito. Veja o mapa do trajeto abaixo:

Vale Sagrado

Se quiser fazer uma viagem emocionante, recomendo muito visitar o Peru, passe alguns dias nesse lugar e aposto todas as minhas fichas que você voltará completamente diferente do que quando começou a viagem! 😉

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Neste pequeno relato, vou contar um pouco do que aconteceu nos caminhos que me aventurei entre as cidades de Bento Gonçalves e Veranópolis/RS – Brasil.

Entre essas duas cidades a dois grandes trechos ferroviários, um deles é conhecido como a Ferrovia do Vinho, está ligava as estações de Jaboticaba e as cidades de Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa, atualmente este trecho está completamente abandonado. O segundo trecho é conhecido como TPS (Tronco Principal Sul) que liga as cidades de Mafra/SC a Roca Sales/RS, este trecho é muito utilizado até hoje, administrado pela empresa Rumo Logística.

Essa aventura começou com uma simples conversa de amigos pelo Whatsapp, definimos o lugar, contatamos o amigo Vagner Tonatto morador da cidade de Veranópolis e membro integrante do Grupo de Aventuras e Pesquisas Ferroviárias – Forastrilho, junto com ele fomos explorar os caminhos ferroviários do TPS, lugares bem pouco conhecidos pela maioria dos aventureiros gaúchos.

Marcamos um ponto de encontro com o Vagner e no sábado pela manhã cada um de nós saímos de nossas casas rumo a cidade de Veranópolis/RS, cada amigo vindo de um lugar diferente, A Elisa saiu de Porto Alegre às 05:00 da manhã, passando na casa da Thaís em Canoas, eu saí de Farroupilha às 06:30 da manhã e o Adriano vinha de Marau.

Quando você encontra pessoas apaixonadas por aventuras que nem você, é muito fácil marcar aventuras e ir, se quiser um conselho faça amizades com pessoas que dizem “vamos” assim você viverá mais feliz a cada dia.

A aventura propriamente dita começou cerca de 10:00 da manhã, primeiro fomos conhecer um pequeno mirante no alto de um dos morros da cidade de Veranópolis, de lá conseguimos avistar a ponte que cruza por cima do Rio das Antas e chega no Túnel em “y”.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Em seguida seguimos de carro por uma estrada de chão chegamos na Usina de Monte Claro, deixamos o carro na beira da estrada de terra e começamos a percorrer a linha férrea por cima daquela ponte que havia avistado do mirante, a visão deste local é incrível, muito linda por sinal.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Depois de tirar algumas fotos seguimos para o famoso Túnel em “y”, com certeza um dos túneis mais bonitos que já tive o prazer de conhecer.

Dentro do túnel a escuridão é enorme, é possível sentir o ar gelado correndo dentro do túnel, o lado ativado deste trecho esta até que em boas condições, mas o lado desativado já não existe nem os trilhos e dormentes mais. Olhando para aquilo tudo, parei e refleti:

“As vezes eu não entendo o porque as empresas que cuidam do trecho parecem não se importar em preservar esses patrimônios regionais, e fico mais irritado em saber que as pessoas que vão ali, roubam as placas, fazem pichações e muitas outras coisas que não vale nem a pena comentar aqui, aos poucos vão acabando com as ferrovias espalhadas pelo Brasil.”

Tiramos algumas fotos ali dentro do túnel, queríamos ir na estação Jaboticaba, mas o Vagner disse que ultimamente estava rolando alguns assaltos ali, que seria melhor não irmos até lá. Entendemos o recado e caminhamos até o outro lado do túnel em y, no trecho desativado, esse túnel ligava os dois trechos ferroviários, o TPS e a Ferrovia do Vinho.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Na parte de fora do túnel a vegetação já tomou conta da antiga linha férrea, o Vagner nos disse que este trecho a alguns viadutos abandonados e uns túneis que estão com muita água dentro, como esse não era o nosso objetivo principal, retornamos aos carros e seguimos viagem rumo a um outro trecho da Ferrovia TPS.

Depois de andar por alguns quilômetros por estradas de asfalto e terra, chegamos novamente na linha férrea, deixamos os carros ao lado da passagem de nível, em um lugar seguro. Pegamos as mochilas de ataque e seguimos para o lado esquerdo, fazendo o trecho de subida pelos trilhos.

Caminhamos cerca de uns 2 quilômetros até chegar na vila abandonada, aqui era onde os trabalhadores da construção da ferrovia moravam, hoje a vila está em ruínas, entrei em algumas das construções que estavam ali, mas novamente me decepcionei com os seres humanos, dentro das casas havia muito lixo, pichações e tudo que você possa imaginar, estou realmente preocupado, pois acredito que daqui uns 50 anos ou menos as pessoas nem vão conhecer mais estes lugares e suas histórias incríveis.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Tiramos algumas fotos, conversamos, rimos e seguimos em frente, depois da vila abandonada não há mais muito para se ver, há apenas alguns pequenos túneis rodeados por mato dos dois lados.

Caminhamos mais uma meia hora neste sentido e retornamos, pois queria conhecer a Cascada do Piscinão, esse local fica perto de um viaduto gigantesco, construído em formato de arco, muito bonito por sinal, com certeza uma grande obra de engenharia para a época.

A Cascata do Piscinão tem esse nome pois entorno de sua queda foi construído pelo batalhão ferroviário uma espécie de piscina de concreto a céu aberto, com aproximadamente dois metros de profundidade. Além disso o lugar trouxe a mim um sentimento de alegria, paz e encantamento. Irei voltar com certeza no verão para poder desfrutar de um banho nessa piscina maravilhosa.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Já era quase fim de tarde, quando chegamos nos carros novamente, ali ajeitamos nossos equipamentos nas mochilas cargueiras e fomos para o lado direito da ferrovia, descendo por ela avistamos a estação abandonada Coronel Salgado.

Era um bom lugar para passar a noite, sendo assim resolvi já começar armar a barraca antes que escurecesse, só tinha um problema, atualmente uso uma barraca Azteq Nepal, esta não é auto-portante (precisa ser especada para se manter armada), o local mais seguro que havia ali era na varanda da estação, então logo providenciei umas pedras e umas cordas para assim conseguir deixar a barraca armada, depois de alguns minutos a barraca estava armada e completamente estável. Depois disso agradeci por ter aprendido técnicas interessantes nos 14 anos que fui membro do Movimento Escoteiro.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Reunimos todos e decidimos que queríamos uma fogueira para a noite, assim estaríamos mais seguros, contra eventuais bichos que pudessem aparecer ali. Tomada a decisão cada um foi atrás de lenhas secas e tudo que fosse possível para ascender uma boa fogueira.

Depois de acumular bastante gravetos e alguns troncos a nossa amiga Thaís tomou as rédias da cozinha, e resolveu fazer o jantar, depois de alguns minutos passados, eu e o Adriano fizemos uns bancos improvisados com dois troncos que iriamos usar na fogueira. Nessa hora o sol estava indo embora, tirei algumas fotos e esperávamos o jantar empolgados.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Após o jantar, abrimos algumas garrafas de vinho e nos sentamos na varana da estação e ficamos todos ali, conversando, rindo e já imaginando qual seria a nossa próxima aventura. Era hora de ascender a fogueira, já estava um pouco escuro. Primeiramente usamos isqueiro para ascender a fogueira, não deu certo, pois as lenhas estavam úmidas por causa do sereno da noite, tentamos então usar os fogareiros para ajudar na tarefa, assim iria secar bem as lenhas e depois pegaria fogo. Adivinhem só, por incrível que pareça também não ascendeu, ficamos chateados, porque todos nós esperávamos que isso iria funcionar. Fiquei pensando como iria fazer para ascende-la, lembrei da época de escoteiro novamente, pedi o desodorante emprestado e usei ele mais o isqueiro fazendo um lança chamas, quando mirei sobre os gravetos e madeiras da fogueira, foi completamente instantâneo, a fogueira ascendeu e ficamos ali rindo sem parar…

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Depois de algumas horas ali, resolvemos que era hora de ir dormir. Após ter ido deitar e pegar no sono, ouvimos o barulho de um trem, saímos das barracas esperando-o passar pela estação, nisso o maquinista parou a locomotiva bem em frente de nós, desceu dela e veio em nossa direção, falou que aqui iria acontecer um cruzamento de trens, ficamos empolgados com a notícia. Melhor que ver um trem é poder ver dois trens juntos…kkkk

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Passou cerca de meia hora e as luzes do outro trem apareceu no horizonte, nessas horas fiquei em estase, parecia que estava vivendo algo único. Para nós aventureiros apaixonados por ferrovias, era o ponto culminante de toda a aventura.

Depois de alguns minutos, os dois trens foram indo embora devagar e nós retornamos as barracas para continuar o nosso sono.

Na manhã do segundo dia, acordamos, tomamos café, desmontamos o acampamento, enquanto caminhávamos de volta aos veículos, ficamos conversando sobre o que iriamos fazer, disse para os amigos que conhecia alguns dos pontos turísticos da cidade de Veranópolis, seria interessante ir visita-los. A galera concordou, pegamos os carros e fomos primeiramente até a casa do Vagner, lá ele nos atendeu, pediu como foi a noite e tudo que tinha acontecido.

O Vagner nos disse que tínhamos que conhecer um outro túnel abandonado da Ferrovia do Vinho, já ficamos felizes com essa ideia, nos disse como seria para chegar nele, agradecemos a sugestão e seu acolhimento e fomos embora, rumo ao centro da cidade de Veranópolis. Ao chegar no centro, deixamos todos os carros em um posto de combustível, embarcamos no carro da Elisa e fomos “turistar” pela Terra da Longevidade.

O primeiro destino era o Parque Cascata dos Três Monges, depois a Cascata da Usina Velha, a ponte dos Arcos e por último o túnel abandonado da Ferrovia do Vinho. Todos estes passeios você pode conferir aqui no site, clicando sobre o nome.

Depois de muito andar de carro, chegamos na trilha que leva a esse viaduto abandonado, a trilha acompanha a linha férrea e é linda, cercada por uma vegetação linda e preservada, andamos cerca de um quilômetro e nos deparamos com um lugar incrivelmente maravilhoso, parecia uma cena de filme.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

São lugares assim que nos enchem de alegria, fazer trilhas pouco exploradas ou inexploradas é o que com certeza nos define. Encontre amigos que topem qualquer aventura assim você viverá momentos únicos.

Se você é mochileiro(a) nutella, então se esforce para ser raiz, caso contrário você só verá o que quiserem te mostrar. As belezas do mundo estão aí e é só você sair e explorar, pare de ser igual a todo mundo, procure aquilo que seja original, viva intensamente cada momento.

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Ferrovia Funicular um sonho realizado!

Um sonho chamado Ferrovia Funicular

Deste os meus primeiros passos entre trilhos e dormentes das ferrovias espalhadas pelo Rio Grande do Sul, fizeram meu coração bater mais forte, caminhar por inúmeras pontes, túneis e em lugares que chegavam dar vertigem só de olhar me instigavam, assim começou a minha paixão pelas ferrovias, trens e afins.

Conforme foi passando o tempo, encontrei pessoas pelo caminho que eram apaixonadas por ferrovias e seus caminhos, trilhamos muitas vezes pelo Tronco principal Sul entre Bento Gonçalves e Veranópolis/RS e na incrível Ferrovia do Trigo, entre as cidades de Muçum e Guaporé/RS, andei de trem pela Serra do Mar no estado do Paraná e também em meio ao Vale Sagrado dos Incas no Peru.

Durante todos estes anos aprendendo a caminhar sobre os trilhos ou viajando na carona em cima deles, superei alguns medos, passei por pontes e viadutos com mais de 100 metros de altura, no meu simples entendimento sobre o fascínio por lugares assim descobri que essa era uma maneira original de se sentir vivo, sempre disposto a encarar mais um grande desafio.

Fazer a Travessia da Ferrovia Funicular era um sonho, um pouco distante ao meu ver, mas não descartado totalmente, só precisava encontrar as pessoas certas, malucas o suficiente para trilhar sem pressa sobre os viadutos deteriorados dessa linda travessia.

Vou lhes contar uma breve história sobre a Ferrovia Funicular: O nome “Funicular” se dá a um sistema para tracionar trens que funcionou em Paranapiacaba/SP. A concessão inicial era da empresa Inglesa São Paulo Railway (SPR). Inicialmente o sistema foi utilizado para o transporte de café das cidades de Jundiaí ao porto de Santos.
A primeira linha do Sistema Funicular entrou em operação em 1867, onde 7,5 Km de serra foram divididos em 4 patamares. Foi descontinuado em 1970 e onde passava o leito original deu lugar ao sistema Cremalheira que entrou em operação em 1974 e funciona até hoje.

Relato deste sonho chamado Ferrovia Funicular:

Em conversas com uma amiga duas semanas antes do fim de semana de Carnaval, queríamos fazer uma aventura especial, mas não tínhamos um lugar certo para ir, existiam inúmeras alternativas de locais, a única coisa que não tínhamos era muito dinheiro depois de pesquisar muitos lugares decidimos que seria interessante fazer a Travessia Funicular, mas para isso precisávamos contratar um guia para nos levar até lá, pois sabíamos que o local era inóspito e proibido trilhar por lá sem guia.

Depois de muitas conversas com moradores da região, foi indicado o guia Douglas Ramos para auxiliar na realização do nosso sonho, só que em duas pessoas era muito caro se deslocar do estado do Rio Grande do Sul até o estado de São Paulo, então convidamos mais dois amigos apaixonados por ferrovias, que com certeza topariam uma viagem deste tipo.

Programamos a viagem em menos de 1 semana, incluindo todas as despesas necessárias para ir e voltar de São Paulo. Seriam 1.160 quilômetros de carro, cruzando meio Brasil em cerca de 18 horas de viagem aproximadamente só de ida. Entre todos os custos dessa aventura separamos R$ 400,00 reais por pessoa para fazer essa viagem tranquilamente, sem gastos supérfluos e sem exageros.

No dia 24/02/2017 estava marcado o começo da nossa viagem, Adriano Vanz saiu da cidade de Marau/RS chegando até a minha casa na Serra Gaúcha, depois pegamos o carro e seguimos até a capital Porto Alegre para encontrar com nossa amiga Elisa Thomaz, nós 3 seguimos viagem e nos encontramos com o Celso Seeger na cidade de Viamão/RS. depois de tudo carregado e organizado dentro do carro era hora de pegar a estrada. Saímos de Viamão por volta das 02:15 horas da madrugada de Sexta Feira, chegando em São Paulo por volta das 20:30 do mesmo dia.

Ferrovia Funicular
Nascer do Sol em Laguna/SC
Ferrovia Funicular
Subindo a Serra do Paraná/PR
Ferrovia Funicular
Mirante na serra de São Paulo/SP

Deixamos o carro na casa de um amigo do guia contratado e seguimos a pé pelas ruas de São Paulo, pegamos o metro e mais um ônibus até chegar a Paranapiacaba, depois de muitas horas dirigindo, andando de metro, ônibus e a pé chegamos a Ferrovia Funicular, isto já era passado das 02:00 da madrugada de Sábado.

O local escolhido para acampar era dentro de um túnel escuro, fechado por mata atlântica dos dois lados, estávamos exaustos em razão a toda essa viagem maluca, optei por não armar a barraca dentro do túnel, apenas estiquei o isolante térmico em meio aos trilhos e dormi.

Ferrovia Funicular
Eu sou o que está vestindo o saco de dormir vermelho. kkk

Na manhã do segundo dia, acordamos por volta das 09:00 horas, tomamos café, organizamos todos os equipamentos na mochila cargueira e começamos a caminhar. Não deu nem tempo de esquentar o corpo e já avistamos o nosso primeiro grande desafio, cruzar o primeiro viaduto (número 16) da travessia, olhando a primeira vista ela não parecia muito deteriorada, mas conforme íamos avançando por cima dela, víamos o perigo dessa travessia, os dormentes estavam podres e um pouco lisos em razão dos musgos que ali cresceram. Lembro do nosso guia dizer, vão com calma, temos o dia inteiro para caminhar. Devagar e a passos curtos fomos avançando, obstáculo por obstáculo até chegar em uma parte em meio a ponte que não havia mais dormentes, só de olhar para aquilo já dava tontura e vertigem. Nessa parte lembro de agachar, segurar no trilho e ir movimentando os pés bem devagar, pois não queria cair naquele buraco. Veja as imagens abaixo:

Ferrovia Funicular

Ferrovia Funicular

Entre os viadutos e túneis a mata atlântica encobre o antigo sistema funicular, nessas horas a apreensão era sempre grande, pois como já havíamos pesquisado, ali é um lugar propício para se deparar com cobras peçonhentas, como Jararacas, Cruzeiras e também com a cobra Caninana (sem veneno). Recomenda-se usar perneira, luvas e roupas compridas, pois no trajeto há urtigão, uma planta que causa irritação na pele e cosseira quando entra em contato com a pele.

O próximo grande desafio da travessia da ferrovia funicular seria o viaduto 15, este estava um pouco mais deteriorado que a primeiro, neste passamos por cima dos trilhos, pois é a única passagem confiável sobre o viaduto, a parte complicada disso é que existem dois trilhos, um ao lado do outro, no lado esquerdo do viaduto, o trilho do meio era mais alto que o da extremidade, isso fazia com que eu me sentisse mais inseguro ainda, os passos eram bem curtos, pois afinal estávamos de mochila cargueira carregada, com isso aumenta-se o risco, pois se houvesse um deslise qualquer, a mochila podia pender e nos levar junto com ela. Caminhamos devagar, sem pressa, com ajuda dos amigos superamos mais um obstáculo.

Ferrovia Funicular

Depois de passar pelo viaduto 15, passamos por um pequeno trecho de mata fechada e chegamos no túnel 11, este é um pouco extenso e possui abertura em seu interior no lado direito três janelas, ali fizemos uma pausa para comer uns lanches, tomar água e contemplar aquela construção maravilhosa.

Ferrovia Funicular
Túnel de N° 11 – Janelado

Após esse túnel vem um dos pontos culminantes da Ferrovia Funicular, a famosa ponte Grota Funda, a ponte mais alta do percurso, com 60 metros de altura aproximadamente, aqui o medo, pavor e outros sentimentos afloraram, conforme vamos descendo a ferrovia e nos aproximamos do mar, as pontes e viadutos vão ficando mais deteriorados, com enormes vãos livres em seu meio, em alguns trechos da Grota Funda, tive que parar, me abaixar, agarrar nos trilhos, passar de quatro pés e seguir. Não tenho ideia do tempo que demorei para cruzar essa ponte, mas acho que demorei uns 30 minutos ou mais. O medo de altura me impediu de tirar boas fotos ou mesmo filmar, fazia tempo que não passava um perrengue tão intenso como aquele.

Depois de finalmente cruzar a ponte, fomos conhecer o quarto patamar do sistema funicular, ali você consegue perceber a engenhosidade e a grandeza dos construtores ingleses, pois as estruturas são gigantescas, montadas perfeitamente, este patamar é um dos mais conservados de todo o percurso, ali é possível contemplar a estrutura metálica da ponte Grota Funda. Neste local é possível tirar a famosa foto sobre a estrutura metálica em um abismo de aproximadamente 60 metros de altura. não foi fácil subir na estrutura, se equilibrar e tirar boas fotos, pois como sempre a altura e o medo de cair falavam mais alto dentro da minha cabeça.

Ferrovia Funicular
Estrutura metálica da Ponte Grota Funda
Ferrovia Funicular
4° patamar – Ferrovia Funicular
Ferrovia Funicular
4° patamar – Ferrovia Funicular

Após fazer inúmeras fotos, conversar, descansar e fazer alguns lanches, seguimos em direção a cidade de Cubatão.

Hoje em dia os trilhos do sistema Funicular está completamente abandonado e em meio a mata atlântica, então onde não há pontes ou viadutos a apenas pequenas trilhas de mato fechado, muitas plantas urtigões e bananeiras gigantes. Caminhar adentrando pela mata tive a sensação de estar em um filme no Vietnã. kkkk,  em alguns trechos a mata é muito densa, ainda bem que o nosso guia tinha um facão, assim ia na frente abrindo caminho.

A travessia funicular já é uma aventura inesquecível para qualquer pessoa que se aventura por aquela região, assim como o nosso guia falou durante a travessia, ” não é necessário transpassar as pontes deterioradas, algumas delas não existem mais nem os dormentes, a pessoa tem que passar apenas por cima dos trilhos, sem nenhuma segurança” depois de conversar com o grupo todo, chegamos a conclusão que iriamos ir pelos desvios, pois a alguns riscos que são desnecessários.

Passado quatro horas de trilhas, chegamos no 2° Patamar da Ferrovia Funicular, ali seria a nossa moradia durante aquela noite, imagine um galpão enorme, construído tudo de ferro, até o chão era de ferro, tínhamos que andar atentamente, tanto durante o dia quanto durante a noite, pois ali o chão foi construído em blocos, e falta alguns deles, então sempre andávamos atentos, para assim não sofrer nenhum arranhão. Para pegar água por exemplo, caminhávamos até um pequeno córrego que havia ao lado do Patamar, água cristalina, livre de poluição.

No dia seguinte acordamos, arrumamos todos os equipamentos nas cargueiras e voltamos a trilha, neste segundo dia o ponto culminante foi a chegar a Ponte Mãe, está é o lugar mais difícil e perigoso de toda a travessia, na parte de cima onde começa a ponte, a mata já encobriu boa parte de sua estrutura metálica, até é possível passar por cima dela, mas não recomenda-se, pois sua estrutura está totalmente comprometida, pensando sobre isso resolvemos ir pelo desvio, este cruza por baixo da Ponte Mãe.

O guia chegou a comentar que é possível caminhar sobre a ponte, mas um de cada vez, conforme você vai dando os pequenos passos sobre os trilhos e dormentes deteriorados, os pedaços da ponte vão caindo, então ainda bem que fomos pelo desvio. “É bom permanecer vivo”.

Após cruzar os obstáculos da ponte Mãe era hora de encarar o Túnel Pai, o maior túnel desse complexo ferroviário, o local é muito úmido, possui inúmeros morcegos, ali foi o lugar onde avistamos a única cobra do trajeto, um filhote de cobra Canina, com cerca de 50 cm que estava em meio a alguns dormentes ali amontoados.

Depois de passar o Túnel Pai a uma outra ponte com a estrutura muito comprometida e o último túnel da Ferrovia Funicular. Certo que desviamos essa também, depois disso chegamos a última ponte do trecho, está já está desmoronada, o desvio é feito pelo lado de cima, passando em meio a uma cachoeira muito perigosa, com pedras lisas.

Assista o vídeo dos melhores momentos da Travessia Funicular:

Depois de cruzar a cachoeira a trilha começa a ficar mais retilínea, a altitude vai baixando e vemos no horizonte que estamos cada vez mais perto da cidade de Cubatão/SP, no fim do trecho passamos por enorme duto de água, este representa de fato as últimas construções do sistema Funicular, depois dali, seguimos em direção a casa da Tia Nésia, último ponto antes do pátio de manobras da empresa MSR Logística, atual proprietária do sistema de cremalheira usado até hoje para transportar cargas entre as cidades de Paranapiacaba e Cubatão/SP.

A casa da Tia Nésia é um lugar muito acolhedor, ali foi possível conhecer outros aventureiros, que vinham para começar a fazer a Travessia Funicular no sentido Cubatão a Paranapiacaba/SP.

Veja o mapa dessa travessia:

 

Cascatas e cachoeiras na Ferrovia do Trigo

Cachoeiras na Ferrovia do Trigo

Você já deve ter ouvido falar da Ferrovia do Trigo, localizada entre as cidades de Guaporé e Muçum/RS – Brasil. Um lugar com dezenas de viadutos gigantescos e túneis imensos, cercado por uma mata nativa completamente exuberante e cheia de vida.

O que venho relatar aqui nesta postagem é algo que talvez você não saiba ou nunca tenha ouvido falar.

Entre os vales e morros dessa ferrovia existem algumas cachoeiras, cascatas e rios que escorrem entre as matas. Mais precisamente junto ao maior viaduto ferroviário das Américas, o famoso Viaduto 13 (Viaduto do Exército).

Se você estiver na parte de baixo deste viaduto, as alternativas de banho de rio, cascatas e cachoeiras são inúmeras, junto ao Camping Paraíso Tropical existem três alternativas de passeio.

Primeira alternativa é banhar-se no rio ao lado do camping, em dias de calor recomendo muito, se caso você estiver com a sua família e amigos é um bom lugar para relaxar sem se desprender da vista maravilhosa do gigante das Américas.

Cachoeiras na Ferrovia

 

A segunda opção também está dentro da área do Camping Paraíso Tropical, mas está um pouco mais ao fundo, ali a uma pequena cascata com aproximadamente 4 metros de altura, um ótimo local para nadar, além disso é possível se jogar do alto da cascata e curtir do melhor jeito que quiser.

Cachoeiras na Ferrovia

 

Já a terceira alternativa é o Salto do Lambari, uma cachoeira com aproximadamente 60 metros de altura, com três quedas, onde que em cada queda forma-se um poço para tomar banho, um lugar simplesmente encantador, relaxante e tranquilo.

Chegamos ali com o a ajuda do instrutor e aventureiro Diego Bagnara, uns dos proprietários da V13 Adventure, empresa operadora de rapel no maior viaduto das Américas.

A trilha que leva até a base dessa cachoeira começa dentro da propriedade do Camping Paraíso Tropical, é uma trilha sem grandes obstáculos, antigamente essa passagem era usada como estrada para levar as pedras que não eram usadas na construção da ferrovia. Seguindo por essa antiga estrada, que hoje já pode ser chamada de trilha, pois a mata ali cresceu novamente e tomou conta do local.

Não recomendo fazer essa trilha sozinho, pois em algumas partes dessa trilha há bifurcações e se não tiver com um bom guia é bem possível se perder. Para melhor aproveitar essa aventura, agende sua visita com a empresa V13 Adventure, ela terá o prazer de levar você conhecer esse lugar ainda intocado, totalmente desconhecido pela maioria das pessoas com segurança e profissionalismo.

Cachoeiras na Ferrovia

 

A pé por cima da Ponte dos Arcos

Percorremos a pé alguns dos principais caminhos turísticos e alguns não tão turísticos assim, para trazer a você leitor as melhores dicas e maneiras de aproveitar o passeio na cidade de Veranópolis, conhecida como a Terra da Longevidade. Vamos mostrar alguns atrativos no entorno da Ponte dos Arcos que com certeza vão fazer você levantar do sofá e colocar o pé na estrada.

O primeiro deles é a Ponte Ernesto Dornelles, conhecida como “Ponte do Rio das Antas ou Ponte dos Arcos” – Divisa entre os municípios de Bento Gonçalves e Veranópolis. Levou 10 anos para ser construída, foi inaugurada em 31 de agosto de 1952.

Ponte dos Arcos

Era considerada a terceira maior ponte do mundo em arcos isolados e a primeira ponte com arcos paralelos do mundo. Não possui pilares apoiados no leito do rio, sua extensão é de 277 metros aproximadamente.

Uma dica para as pessoas que querem aproveitar melhor essa experiência de passar pela ponte é cruza-lá a pé por cima de seus arcos, com certeza é uma experiencia incrível, mas também desafiadora. Caso você tenha algum pavor de altura não recomendo fazer essa travessia.

Ponte dos Arcos

Caso esteja passando a noite também é uma bela oportunidade para parar o seu veículo e contemplar o céu estrelado.

Ponte dos Arcos

Além dessa fantástica obra da engenharia, ao lado direito da ponte no sentido Bento Gonçalves à Veranópolis possui uma estrada pavimentada que leva para a linha férrea e um túnel escuro e extenso, onde passam por ali, trens de carga da empresa América Latina Logística – ALL, caso visite este lugar, esteja ciente que poderá encontrar algum trem passando por ali em todos os horários do dia.

Ponte dos Arcos

Nas proximidades destes dois lugares existem ainda algumas lanchonetes na beira da rodovia e um local bem interessante chamada pelo nome de Casa Bucco, conhecido  por sua linha de bebidas destiladas artesanais, além disso oferece junto a suas estruturas um restaurante, pousada e um roteiro de eco-turismo.

Ponte dos Arcos

 

Está localizada às margens do Rio das Antas, próximo à Ponte dos Arcos na rodovia RSC 470, entre Bento Gonçalves e Veranópolis, na Serra Gaúcha, num ambiente envolto de mata, penhascos e o rio, isto é, num ambiente calmo, tranqüilo, excelente para o descanso e relaxamento das tensões do dia-a-dia.

Caso você busque tranquilidade, lazer e uma boa aventura vá para a cidade de Veranópolis, Rio grande do Sul – Brasil a cidade possui atrativos turísticos para todos os gostos, localizada a 170 quilômetros da capital do Estado, Porto Alegre. De clima subtropical, a 705 metros de altitude.

Noruega, a terra dos Vikings!

Noruega, a terra dos Vikings!

Toda essa magnífica costa da Noruega foi dominada pelos Vikings. Num passado remoto por várias tribos que guerrearam entre si e, do ano 800 ao 1.050 da Era Cristã, por um império unificado.

Ao contrario dos desenhos que se popularizaram, os vikings não usavam capacetes com chifres nem eram brutamontes. No inverno ficavam em casa cuidando das ovelhas. Somente no verão costumavam se afoitar pelos mares nos seus barcos ágeis, porem sem proteção para neve ou frio. E aí se revelaram destemidos guerreiros, de uma audácia quase insana.

No século 9, os vikings atacaram Paris e Constantinopla _ quanto atrevimento! _, e saquearam sem parar de Nantes, na França, a Lisboa, em Portugal, e de Sevilha, na Espanha, ao norte da África. No apogeu de sua era, anexaram o seu reino, que cobria toda a Escandinávia, a Bretanha, a Normandia, a Sicília e a Russia. Descobriram a Groenlândia e a Islândia e estabeleceram um comércio profícuo com Bisâncio, Pérsia e Índia.

De tanto rodar o mundo, os vikings acabaram voltando para casa influenciados pela cultura cristã, que já dominava a Europa. Quando se converteram ao Cristianismo, construíram mais de mil igrejas, todas de madeira, das quais trinta ainda hoje estão preservadas. A maior é de Heddal, com 868 anos. Apesar de Católica, ela é repleta de figuras da mitologia viking, como Odin, o deus supremo da sabedoria e da guerra, e um dragão logo na porta principal, símbolo dos espíritos protetores.

Noruega
Igreja Heddal com 868 anos.

Vídeo de dentro da Igreja Heddal


Hoje a roda da conquista inverteu-se. A terra dos vikings é que vem sendo explorada por gente do mundo inteiro. Não guerreiros interessados em subjugar adversários, mas turistas aficionados por natureza. E mesmo aqueles que já tenham carimbado uma dúzia de passaportes certamente registrarão o Reino dos Fiordes como uma das mais sensacionais paisagens do planeta.

O reino dos fiordes:

Noruega

Uma das paisagens mais jovens da Terra é um assombro. Os fiordes da Noruega, antigos vales glaciais invadidos pelo mar, exibem aquela ousadia própria da juventude. Eles compõem um cenário completamente inusitado, que ainda estava em formação quando a Serra da Mantiqueira, na fronteira de São Paulo com Minas Gerais e Rio de Janeiro, já era o que é hoje. Ainda eram bebês em que os Andes entravam na maturidade. Mal acabavam  de engatinhar quando o Grand Canyon saía da adolescência. Em termos de cronologia geológica, os fiordes, com 12 mil anos de idade, são ainda muito jovens, são ainda muito jovens nesse planeta de quase 5 bilhões de anos.

Talvez isso explique sua extrema audácia. Esses golfos estreitos e profundos, margeados por montanhas de até 1.500 metros de altitude, desafiam a imaginação e provocam perplexidade mesmo nos menos entusiastas da natureza. São mais de 1.000 em todo o reino da Noruega, um naco de terra um pouco menor que o estado do Maranhão. Uma conta bem simples dá a ideia de o quanto interferem no litoral do país: num traçado linear, a costa norueguesa tem 2 mil quilômetros; mas caso sejam contabilizadas todas as entradas que o mar faz no continente, criando assim os fiordes, a extensão costeira vai a 20 mil quilômetros.

O fiorde Sogne é o que maior contribuição faz a essa matemática. Com 204 quilômetros de extensão e 1.300 metros de profundidade, é chamado de Fiorde Rei. Quem segue em sua direção pela rodovia E-16, partindo de Oslo, a capital da Noruega, sente que algo de grandioso se prenuncia. Durante boa parte do percurso, a estrada corre ao lado do Rio Laerdal, que nasce na montanha Fillefjell e deságua a 250 quilômetros depois de um dos braços do Sogne. Para fazer juz ao anfitrião que o aguarda, o Rio Laerdal se esmera.

Enquanto vai avançando, o Laerdal passa por vilarejos de 500 mil habitantes, corta as intermináveis extensões de pinheiros, carvalhos, ébanos e  bétulas, que formam uma floresta mais bosqueada que densa, e mata a sede dos fiording, os cavalos de raça nativa, pequenos e robustos. Num certo momento as montanhas vão ficando mais altas. Aquelas 600 metros dão lugar a outras de 900 a 1.500 metros de altura. Até que aparece o primeiro braço dp Fiorde Rei. O que se vê é um “lago” de papel machê, comprido, índigo, estático, sem ondas, que não tem nada a ver com nossa ideia de mar. Esse “lago” estende-se por um corredor de montanhas até o horizonte. Veja na imagem a seguir. Como está distante das correntes e acomodado em um vale profundo, o mar aqui é calmo. Por isso ganha essa aparecia lacustre.

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Você sabe como nasceram os fiordes?

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Fonte: Revista Terra
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Fonte: Revista Terra

Selecionamos algumas imagens para inspirar você a conhecer este lugar tão majestoso!

Noruega
Foto: Internet
Noruega
Foto: Internet
Noruega
Foto: Internet
Noruega
Foto: Internet
Noruega
Foto: Internet
Noruega
Foto: Internet
Noruega
Foto: Internet
Noruega
Foto: Internet
Noruega
Foto: Internet
Noruega
Foto: Internet

Como mover-se na Noruega, viaje do seu jeito!

A Noruega é um país longo e escarpado e mover-se pelos vários destinos pode não ser tão fácil quanto parece. No entanto, recursos modernos foram viabilizados para facilitar os deslocamentos e viajens. Atualmente, a infra-estrutura do país reúne trens, barcos, estradas e uma rede de pequenos aeroportos, que permitem o acesso a todas as partes do país.

De avião:

A Noruega conta com mais de 50 aeroportos, fazendo com que mesmo as localidades mais setentrionais sejam acessíveis de avião.

Todas as maiores cidades e povoados contam com aeroportos e oferecem vôos domésticos e internacionais. Mais de 50 aeroportos na Noruega operam com serviços de rotas regulares, o que torna mesmo os lugares mais remotos como oarquipélago de Lofoten, ou o Cabo Norte e Spitsbergen (Svalbard) facilmente acessíveis de avião. No entanto, você deve estar preparado para uma troca de aeronaves, antes de chegar ao seu destino final na Noruega.

Os principais aeroportos internacionais estão em Oslo, Bergen, Stavanger, Tromsø,Trondheim, Ålesund, Haugesund e Sandefjord.

A Noruega é o país europeu com maior número de viagens de avião per capita, e as rotas entre Oslo e Trondheim, Bergen, e Stavanger estão entre os dez mais movimentados da Europa.leknesairplanelofotennorway_fe2e5b66-6eb5-4609-b3ec-b791d3ba0519leknes-airplane-lofoten-norway-2-1_c2537678-5779-4ab2-9639-0e31c5a009bb

De trem:

A companhia estatal Ferrovias Nacionais Norueguesas NSB conta com amplas opções de rotas e um conjunto de linhas modernas, que se estendem desde Kristiansand no Sul até Bodø, acima do Círculo Ártico.

A rede de linhas ferroviárias estende-se por mais de 3.000 quilômetros por toda a Noruega, com um total de 775 túneis e mais de 3.000pontes. A maioria das rotas passam por um interior rico em paisagens que se alteram no decorrer do percurso, oferecendo vistas panorâmicas de áreas habitadas, montanhas, lagos e fiordes.

A mais famosa de todas as viagens é a Bergensbanen, eleita a melhor viagem de trem do mundo pela publicação Lonely Planet. O trajeto cobre a rota entre Oslo e Bergen atravessando Hardangervidda, o planalto de montanhas de maior altitude na Europa. Sua via secundária, a espetacular Ferrovia de Flåm, é uma das estradas de ferro mais íngremes do mundo.

Uma outra ferrovia de destaque é a Estrada de Ferro de Dovre, que liga Oslo a Trondheim, com sua via secundária, a ferrovia de Rauma realizando o trajeto entre Dombås e Åndalsnes, a cidade alpina na área do fiorde.

Oslo não é apenas a capital da Noruega, mas também o maior hub ferroviário. A extensa rede ferroviária da Noruega avança a partir de Oslo num formato que lembra um ventilador.

De barco:

No Oeste da Noruega, onde estão localizados os mundialmente famosos fiordes da Noruega, as estradas encontram seu fim e a jornada prossegue de balsa.

Hurtigruten (The Norwegian Coastal Voyage)

A tradicional linha de Hurtigruten navega de Bergen para Kirkenes em Finnmark. A jornada Bergen – Kirkenes – Bergen dura 11 dias. Esta viagem é uma experiência especial para quem quer ver a beleza das áreas costeiras. É comprovadamente “a mais bela de todas as viagens marítimas”. O que mais fascina os turistas são as pequenas comunidades em que param e visitam no decorrer do percurso.

Embarques são diários e as paragens ao longo da costa são frequentes. Estes navios podem acomodar automóveis, tornando viável a combinação de cruzeiro com férias em diferentes portos que se revelam pelo caminho.

Passeios de barco em lagos

Não é apenas a Noruega costeira que oferece passeios de barco. Por exemplo, você pode realizar uma viagem ao maior lago da Noruega, o Lago Mjøsa, com o Skibladner, o mais antigo barco a vapor com roda de pás do mundo ou viaje pelas montanhas Jotunheimen em um barco tradicional do lago Gjende.

Para mais informações sobre horários e rotas de balsas e barcos, entre em contato com as seguintes empresas:

De carro:

Mantenha a calma e siga viagem. Conduzir o seu próprio automóvel é uma das melhores maneiras de conhecer a Noruega seguindo o seu próprio ritmo.

Uma vez que a Noruega é o país mais longo da Europa, é comum aos visitantes  subestimar as distâncias a serem percorridas, bem como a duração das viagens. A partir de Kristiansand no Sul, por exemplo, é preciso encarar uma viagem de 30 horas para alcançar a cidade de Hammerfest na região Norte.

No entanto, as estradas e rodovias na Noruega apresentam boas condições de tráfego, que correspondem aos melhores padrões internacionais de manutenção. A Noruega conta com uma experiência de mais de 70 anos de utilização da renda de pedágios na construção de pontes, túneis e estradas. As principais rodovias são as européias (indicadas com a letra «E» precedendo o número), conectando diversas cidades, regiões e países.

A Noruega oferece uma série de viagens cênicas e quase todas as estradas (sobretudo no Oeste da Noruega e nas montanhas do Norte da Noruega) garantem cenários espetaculares. Algumas das estradas receberam o título de Rotas Turísticas Nacionais e são especialmente recomendadas.

O conjunto das Rotas Turísticas Nacionais reúne dezoito rodovias na Noruega que se destacam pelas paisagens pitorescas, arquitetura premiada e infraestrutura turística, como paradas de descanso e mirantes. As rotas cobrem 1.850 quilômetros e atravessam os domínios da Costa Oeste e a porção ocidental dos fiordes, o Norte da Noruega e as montanhas do Sul da Noruega.

Aluguel de automóveis

Você poderá alugar um automóvel na maioria das cidades e vilarejos da Noruega, bem como em muitas das comunidades e aeroportos pelo país. Você pode reservar o seu carro com a locadora de veículos pela internet, pessoalmente em um de seus escritórios ou por meio de uma agência de viagens. Recomendamos que você reserve com antecedência, em especial durante os meses de verão.

Reserve o aluguel de automóveis com BookNorway. Busque o veículo nas agências de aluguel na Noruega, Suécia ou Dinamarca ou reserve diretamente com AVISHertzEuropcar ou Budget.

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De ônibus:

Todas as cidades e vilarejos na Noruega oferecem serviços locais de ônibus e há uma extensa rede de ônibus expressos por todo o país.

Ônibus expressos e de longa distância

Ônibus diretos são uma forma menos popular de viajar pela Noruega o que não faz muito sentido, uma vez que oferecem uma conveniente e extensa rede de linhas, em especial na Região dos Fiordes e em áreas rurais. Ônibus expressos realizam a ligação entre as principais cidades, aeroportos e terminais de embarcações. Além disso, muitas linhas de ônibus conectam-se entre si e com serviços locais.

A viagem de ônibus é normalmente muito mais econômica quando comparada às opções de avião ou trem. No entanto, as viagens são mais demoradas. A maioria das companhias oferecem descontos para estudantes, crianças, idosos e famílias. Muitas operadoras sugerem a realização de reservas online com antecedência e oferecem tanto descontos quanto garantia de assentos para aqueles que as efetuam.

e você viaja em um grupo grande é recomendável que a reserva seja efetuada com razoável antecedência. Normalmente, não há problemas em trazer sua bicicleta ou esquis na viagem, desde que paga uma taxa adicional.

Ônibus públicos

Nas cidades maiores você encontrará estações de ônibus e centros de informação sobre transporte público. Centros de informação turística também oferecem informações sobre ônibus públicos.

Você pode comprar sua passagem a bordo ao informar o motorista qual o seu destino. Cartões de validade diária ou semanal estão disponíveis em algumas cidades e podem ser adquiridos com o motorista, em quiosques ou estações de ônibus. Entretanto, em Oslo, por exemplo, o preço é mais barato se a passagem é comprada antes de entrar no ônibus.

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As geleiras, montanhas e cachoeiras são provas de um poder sublime e selvagem. Por outro lado, maravilhas naturais como as auroras boreais, os fiordes e os silenciosos planaltos de montanhas revelam as qualidades únicas da Noruega.

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