Mountain Series

Projeto Mountain Series não é apenas um evento de trilhas, mas sim uma experiência única, possibilitando aos nossos clientes vivenciar, alcançar e superar desafios.

Entretanto como já diz o nome, vamos trilhar inúmeras montanhas em sequência, caminhos que levam até os cumes mais altos do país, em alguns dias.

Unindo diversas atividades como: trekking, caminhada, escalada, rapel, acampamentos, hospedagem em refúgios de montanha, viagens de carro (road trip), fazem do Mountain Series um projeto grandioso.

Cumes Mountain Series

Cumes Mountain Series

O que mais chama a atenção no Mountain Series é o fato de você poder vir juntamente conosco em todos esses destinos, ou apenas participar de um evento ou outro. A escolha é sua!

Primeiramente faremos uma Road Trip – Viagem de carro, saindo do Rio Grande do Sul até a região sudeste do Brasil, onde se concentram a maioria dos cumes. Alguns deles são isolados, outros fazem parte de travessias de 1 a 4 dias.

Desafio Mountain Series

A nossa primeira travessia começara pela Serra da Mantiqueira, mais precisamente na Serra Fina, depois iremos ao Parque Nacional de Itatiaia, Escalavrado, Pico da Bandeira, Serra dos Órgãos, Pedra do Baú e por fim ao Parque Estadual Turístico Alto da Ribeira – Petar.

Todas esses destinos em um curto período de tempo fazem com que os participantes tenham um ótimo preparo físico e mental, por isso organizamos uma série de treinos específicos de força e resistência, para que você treine seu condicionamento físico. Veja aqui como funciona estes treinos.

Como posso me inscrever no Mountain Series

Há duas maneiras de você se inscrever no Mountain Series, a primeira delas é clicando nos eventos logo abaixo ou entrando em contato direto via Whatsapp 54 99117-9771, falar com Evandro Clunc.

A travessia mais difícil do Brasil
Serra Fina
31/ago à 7/set de 2019

A travessia mais difícil do Brasil

É aventura de verdade! Serão 4 dias de trekking com um nível de dificuldade que não é para iniciantes. São 3 pernoites na Montanha (selvagem mesmo) e 2 outros pernoites em um Hostel de Montanhistas… As grandes dificuldades, de fato, são a navegação, o terreno extremamente acidentado e a escassez de água ao longo do caminho, o que obriga os trekkers a levar peso extra na mochila depois de cada ponto de abastecimento.

Vem com a gente
O primeiro Parque Nacional do Brasil
Travessia Itatiaia
09 à 13/SET/2019

O primeiro Parque Nacional do Brasil

Vamos fazer a Travessia da Parte Alta do Itatiaia e mais uma descida de Serra chamada de: Travessia Ruy Braga como também é conhecida! O Parque Nacional do Itatiaia (PNI) é o Primeiro Parque Nacional do Brasil, criado em 14 de junho de 1937 (82 anos). O nome Itatiaia é de origem Tupi e significa: penhasco cheio de pontas, pedra pontuda. No interior do Parque encontram-se alguns dos picos mais altos do Brasil, beirando os 2800 metros de altitude.

Vem com a gente
Parque Nacional do Itatiaia
Travessia Ruy Braga
14/SET/2019

Parque Nacional do Itatiaia

Vamos fazer a Travessia da Parte Alta do Itatiaia e mais uma descida de Serra chamada de: Travessia Ruy Braga como também é conhecida! O Parque Nacional do Itatiaia (PNI) é o Primeiro Parque Nacional do Brasil, criado em 14 de junho de 1937 (82 anos). O nome Itatiaia é de origem Tupi e significa: penhasco cheio de pontas, pedra pontuda. No interior do Parque encontram-se alguns dos picos mais altos do Brasil, beirando os 2800 metros de altitude.

Vem com a gente
Parque Nacional da Serra dos Órgãos
Escalavrado
15/set/2019

Parque Nacional da Serra dos Órgãos

Está localizada no PARNASO (Parque Nacional da Serra dos Órgãos). O Parnaso é o terceiro Parque Nacional mais antigo do País, criado em 30 de novembro de 1939 (79 anos). O Escalavrado é considerado uma caminhada semipesada com duração que pode variar de 2,5 a 3,5 horas. O cuidado neste local deve ser redobrado, pois grande parte da trilha é exposta. Um caminho na Rocha, onde vamos utilizar equipamentos de vertical por segurança e basicamente é só subida! Porém com uma distância de aproximadamente 4000 metros entre Ida e Volta.

Vem com a gente
Terceiro mais alto do Brasil
Pico da Bandeira
17/set à 18/set/2019

Terceiro mais alto do Brasil

Localizado na Serra do Caparaó, na divisa dos estados de Minas Gerais e Espírito Santo, o Parque Nacional do Caparaó é um dos ícones do montanhismo no Brasil e abriga o terceiro ponto mais alto do País. O Pico da Bandeira, que tem 2.891 metros de altitude, mas vem seguido de perto do Pico 2 ou Pico do Cruzeiro, com 2.852 metros, o Pico do Calçado com 2.849 metros e o Pico do Calçado Mirim com 2.818 metros. Logo mais abaixo fica o Pico do Cristal, com 2.770 metros que fica exclusivamente em território mineiro. Serão 3 dias de trekking com um nível de dificuldade que não é para iniciantes.

Vem com a gente
Parque Nacional Serra dos Órgãos
Travessia Petro x Tere
20 à 22/set/2019

Parque Nacional Serra dos Órgãos

A Travessia Petrópolis Teresópolis ou Petro x Tere como também é conhecida! É considerada a travessia mais bonita do Brasil. Está localizada no PARNASO (Parque Nacional da Serra dos Órgãos) em meio a exuberância da Mata Atlântica entre as cidades serranas de Petrópolis, Guapimirim e Teresópolis. Com muitas subidas e descidas íngremes é considerada uma caminhada difícil e possui cerca de 30 km ligando os municípios de Petrópolis e Teresópolis. Geralmente é realizada em três dias.

Vem com a Gente
Bauzinho, baú e Ana Chata
Travessia Pedra do Baú
23 e 24/set/2019

Bauzinho, baú e Ana Chata

O Roteiro foi chamado carinhosamente por nós de Volta da Pedra do Baú, passa em meio de Trilhas pela mata, subindo e descendo Vias Ferratas fixadas na Rocha Gnaissicas da Serra da Mantiqueira exatamente por: Bauzinho, Pedra do Baú e Ana Chata. Localiza-se no município de São Bento do Sapucaí, estado de São Paulo, Brasil. O ponto culminante é a Pedra do Baú (altitude de 1964 metros), conhecido por abrigar algumas rotas de escalada esportiva.

Vem com a gente
Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira
Petar
25 e 26/set/2019

Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira

O Parque Estadual Turístico do Alto Ribeira (PETAR) é considerado uma das Unidades de Conservação mais importantes do mundo. É considerado hoje um patrimônio da humanidade, reconhecido pela UNESCO. Vamos explorar o Núcleo Santana! Lá vamos conhecer: – A Caverna de Santana, -A Trilha do Betari (Caverna Água Suja, Caverna do Cafezal e cachoeiras das Andorinhas e do Beija-flor) – E a trilha do Morro-Preto Couto (Caverna do Morro-Preto, cachoeira do Couto e Caverna do Couto).

Vem com a Gente

Investimento

 Aqui vai uma dica muito interessante! Como estaremos organizando os eventos em sequência isto é, um após o outro, vale muito a pena você se inscrever em mais de um evento, pois isso diminui gastos de deslocamento, fazendo você poupar um bom dinheiro e conhecer mais destinos.

Por participar do Mountain Series, você ganha descontos especiais na compra de qualquer equipamento outdoor na loja Patos do Sul/RS – Entregas para todo o país.

Curtlo BR

Nossa equipe

Nosso time é formado por 4 (quatro) pessoas, sendo 2 (dois) guias de montanha, 1 (um) fotógrafo e 1 (um) especialista em Marketing Digital/Suporte.

Faremos uma cobertura online do Mountain Series aqui no site, comunicando também nas mídias sociais onde somos atuantes;

Teremos uma equipe profissional de fotografia e filmagem com drone, com edições diárias no evento e publicações ao vivo nas  mídias sociais;

Postagens semanais aqui no site e na Sol de Indiada, com o intuito de relatar a experiência obtida pelos participantes durante cada evento.

Se você gostou do nosso projeto, então comente aqui embaixo, compartilhe com seus amigos e venha encarar esse desafio com a gente!

Expedição Aparados da Serra

Expedição Aparados da Serra

Galera, passo aqui para registrar nossa Expedição Aparados da Serra de 5 dias pela beira dos Peraus. Também aproveito para contar um pouco mais para vocês sobre estas encostas que foram chamadas pelos tropeiros de Aparados da Serra, que aqui passavam desbravando esta região e o Sul do país. Para os antigos moradores da região, os paredões gigantescos foram chamados e conhecidos como Peraus, estas encostas tão verticais da Serra Geral do Sul do Brasil, que parecem ter sido cortadas a faca, “aparados” a facão, e foi assim que os Tropeiros observavam as grandes Gargantas, os grandes Cânions.

Venha você também conhecer e contemplar este incrível lugar.

Trekking na Terra dos Cânions – Expedição Aparados da Serra

De 10 a 14 de dezembro de 2018, com cinco Expedicionários, fizemos o mapeamento e o reconhecimento desta trilha, com passagem por mais de 12 cânions, picos, serras e morros, totalizando 70 km de percurso, com a intenção de voltar a operar esta travessia na região da Serra Geral. Esta importante formação rochosa do Sul do País, localiza-se ao leste na Serra Gaúcha e Catarinense e traz consigo um intrigante registro geológico dos Aparados da Serra. De um imenso platô, subitamente interrompido por abismos verticais, nesta elevada cadeia com mais de 60 cânions e montanhas, boa parte deles de frente para a região litorânea e leste, formou-se assim: há cerca de 200 milhões de anos, onde tivemos sucessivos derrames basálticos, e que deram origem ao Planalto Meridional do Brasil; estes derrames basálticos tiveram uma extensão de mais de um milhão de quilômetros quadrados, sendo o maior derrame de lava da Terra!

A expedição Aparados da Serra também teve o intuito de mapear a trilha para inseri-la no Sistema Nacional de Caminhadas de Longo Curso:Pegadas Amarelas e Pretas, do Oiapoque ao Chuí. Movimento que vem crescendo muito em todos os cantos do mundo, liderado aqui no Brasil, pelo Pedro Menezes, coordenador Geral de Uso Público do ICMBio – Instituto Chico Mendes da Biodiversidade. Nós aqui da serra fazemos parte do “Caminho das Araucárias”, com uma equipe multidisciplinar, que trabalha voluntariamente com afinco neste projeto, que já está bem adiantado e que vem crescendo a cada dia. A trilha já saiu da Floresta Nacional de Canela para Floresta Nacional de São Francisco de Paula e já chegou até aqui nos Parques Nacionais de Cambará do Sul.

Voltando a contar sobre nossa Expedição Aparados da Serra: saímos de Cambará do Sul, eu Josemar Contesini, operador de Ecoturismo e Turismo de Aventura na região da Operadora Aparados da Serra Adventure, e Andrews Mohr, condutor local de Ecoturismo e Turismo de Natureza da Agência Aparados Ecoturismo e administrador das Pousadas: Estagem da Colina e da Pousada Campanário, para o ponto de encontro de toda a equipe, na Pousada Vale das Trutas em São Jose dos Ausentes.

Também estavam o casal: Lucas Jasper e Camila Jasper da Cine Travel que captaram imagens para a produção de um filme “Trekking na Terra dos Cânions” – Expedição São José dos Ausentes.

Para completar o grupo, o condutor local Cleber Pazini da agência receptiva Terra Sul, de S. J. dos Ausentes, e que também conduziu as duas Mulinhas, grandes figuras, Djão e Parenti: bichos incríveis.

Aparados da Serra

Contamos também com o apoio de terra do Douglas Machado, de Cambará e do Leonardo Salib de Ausentes, e diversos amigos que encontramos neste percurso.

Saímos da pousada para o ponto de partida, que foi no começo da descida da Serra da Rocinha. Descarregamos os equipamentos, e nos preparamos para dar início a nossa aventura.

Neste primeiro dia de trekking, a caminhada foi em direção a borda superior do Cânion da Serra Velha. Incrível! Que cânion gigante! Durante o percurso, no horizonte há leste, uma vista dos Morros dos Três Irmãos.

Aparados da Serra
Aparados da Serra

Seguimos no caminho das ruinas de Taipas, antigas sinalizações que dá início a descida de Tropeiros da Serra Velha: estrada que ligava a serra do Rio Grande do Sul à cidade de Timbé do Sul – SC, onde se tinha um movimento grande de tropeiros. Foi assim que estes viajantes foram colonizando toda a serra e região, o que chamamos hoje de identidade cultural do Povo Serrano do Sul do Brasil.

Aparados da Serra

Como o Sol estava muito forte perto do meio dia, achamos um local excelente, com água e sombra para o almoço. Grande almoço, confiram nas fotos.

Seguimos passando pelos campos de altitude dos Aparados da Serra, até chegarmos no Cânion da Rocinha, onde contornamos toda sua borda. Estávamos sempre acompanhados pela Matinha Nebular: cientificamente chamada de mata ombrófila densa, esta formidável vegetação arbustiva, muito particular deste lugar, e que leva este nome pelas altas incidências de neblina na região.

Aparados da Serra
Aparados da Serra

Continuamos até chegarmos no Arroio Rocinha, parada certa para banho, com água corrente e pequenas cachoeiras.

Seguindo em nossa caminhada pelos campos, chegamos em uma antiga fazenda da região, onde montamos nosso acampamento, com uma estrutura de primeira, onde cozinhamos o jantar: uma super refeição Tropeira para repor as energias! E descansar, depois de 20 Km percorrido.

Agora paro e penso neste final de 1ª dia de expedição, como está sendo bom, muita aventura, muitas risadas, trocas de experiência, vistas de tirar o fôlego, quase não consigo dormir, mas segue o baile…

Aparados da Serra

No segundo dia, logo cedo, tomamos um café da manhã com direito a paçoca de pinhão vegana, e um bom mate cevado.

Nosso próximo destino, Cânion do Amola Faca/Encerra. No caminho o relevo é acentuado com montanhas e vales, intercalando coxilhas (morros) suaves e profundas, que recortam a borda desse imenso planalto. Avistamos ao longe, e fomos deixando para traz, o local chamado Pontão do Tabuleiro, e seguimos costeando os dois vértices do Cânion Amola Faca, onde avistamos o Morro da Encerra, invernada importante nos tempos antigos das Tropeadas.

Almoçamos no caminho, em uma sombra com água fresca, sempre pontos fortes desta expedição, até chegarmos na ponta Norte do Cânion do Amola faca/Encerra, onde as ondulações suaves dão lugar a paredões verticais de rochas basálticas, com uma altitude média de 1.300 mts. Com uma ótima visibilidade, observa-se diversas cidades próximas da costa dos cânions, o Oceano Atlântico e toda a faixa do litoral com suas cidades costeiras, com suas lagoas incríveis, como a de Sombrio e de Itapeva, entre outras. Seguimos caminhando, até avistarmos ao leste, o Cânion do Realengo, e acessarmos as costas Sul do Cânion da Boa Vista.

No final deste dia uma surpresa especial: após ter percorridos mais 10 Km de nossa Expedição Aparados da Serra, chegamos para pernoitar na Pousada Ecológica dos Cânions, onde fomos muito bem acolhidos. Um banho revigorante e um jantar feito pela proprietária e Cheff de cozinha Mônica Sávio e pela Dona Maria e dormir aconchegante em camas e lenções limpos.

Em nosso terceiro dia, após um café da manhã típico da fazenda, seguimos a caminhada contornando a borda do Cânion da Boa Vista, que foi de impressionar! Caminhando pelo alto dos morros podemos ver as turfeiras gigantes, outra espécie de flora característica da região e muito encontrada nos locais de preservação; a turfeira, encharco ou banhado, como chamamos, é o local onde se dão os processos de carbonização lenta, pelos depósitos naturais de restos de musgos e plantas e até de animais. Aqui nos Aparados a turfa é formada essencialmente por musgos que chamamos de Sphagnos, típicos de clima frio e de elevada precipitação pluviométrica. Entre tantas plantas que são encontradas nas turfeiras da região, está o Gravatá, o Junco e a Samambaia do Banhado. Em nossa expedição passamos por uma turfeira com muitas flores que até ficou difícil descrever… tinha diversas flores rosas, que até parecia um mar de flores, muito bem registrado nas fotos desta jornada.

Novamente achamos um local abrigado do Sol e com água para o nosso almoço. Almoçados e descansados, demos início a caminhada, com uma vista privilegiada para o Morro da Catedral, mais uma intrigante formação rochosa. Passamos pelos Cânions da Coxilha, até avistarmos as costas sul do Pico do Monte Negro, onde fomos recebidos com surpresa pelo Sr. Mario Velho que veio a cavalo nos indicar o caminho que faltava para chegarmos em sua morada, a “Pousada Aparados da Serra”. Em um super ambiente, fomos acolhidos pela sua família, que são moradores da região do Cânion do Monte Negro a gerações, seguimos para mais uma noite com muito conforto, após 14 km percorrido durante este dia tão especial.

Fomos para um Jantar Serrano, com Churrasco, típico dos gaúchos, com um buffet de guarnições que deixou os vegetarianos e veganos muito satisfeitos e agradecidos, pois a fazenda conta com uma horta orgânica de “tirar o chapéu”.

De manhã com direito a vivenciar a lida campeira da fazenda e o famoso café Camargo, onde o peão de estância tira o leite da vaca direto em nossa caneca com café forte, servido na hora, também nos esperava um lindo banquete de café da manhã na pousada servido pela Bete, esposa do Sr. Mário. Após tudo pronto e de barriguinha cheia para mais um dia de trekking, partimos novamente com o acompanhamento do Sr. Mário, “cortando” matas de araucárias ou Floresta de Araucária, Floresta Ombrófila Mista, como os pesquisadores falam. Normalmente este “Bioma” se encontra em altitudes elevadas ou acima de 800 metros e contém incríveis espécies de fauna e flora, como as ervas típicas destes campos: as Coníferas e diversos angiospermas, sendo um ecossistema com chuvas esparsas durante o ano todo.

A Araucária é encontrada em maior quantidade aqui no Brasil, nos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e de forma esparsa nos estados de São Paulo e Minas Gerais, e Rio de janeiro, que faz parte do bioma mata Atlântica.

A mata Ombrófila Mista imprime um aspecto próprio e único das Florestas de Araucária e é caracterizada pela forte presença do Pinheiro do Paraná, ou a antiga Araucária Angustifólia, que agora chamamos de “Araucária Brasilienses”, único pinheiro genuinamente brasileiro; e, para vocês entenderem melhor sobre esta árvore sagrada, muito cultuada pelos índios que aqui habitavam, registra-se que antes do descobrimento do Brasil, esta vegetação de mata se estendia numa faixa contínua no Planalto Meridional, desde o sul do Estado de São Paulo até o norte do Rio Grande do Sul, chegando até a Província das Missiones na Argentina a oeste. E que hoje, infelizmente só resta 3% de sua mata original.

Seguimos a caminhada pelo Planalto, agora sempre coberto por campos limpos, e por toda a parte numerosas nascentes de rios cristalinos, até chegarmos no Cânion e Pico do Monte Negro, a 1.403 metros do nível do mar, é o ponto mais alto do Rio Grande do Sul, e considerado um dos lugares mais frios do país. É tanta beleza e tanta vida, que ficamos impressionados com este lugar espetacular. Paramos observando os cânions e os seus paredões gigantes, onde observa-se riscos horizontais nas rochas, que sinaliza geologicamente que a lava foi subindo e resfriando, por diversas vezes, e que vieram originar o Planalto Sul brasileiro, formado a partir de sucessivos derrames basálticos na região, com intensas atividades vulcânicas ocorridas há milhões de anos.

A vegetação rupestre que vemos no interior dos Cânions também se destaca e se adensa da borda superior, nas suas encostas, até o fundo do cânion, onde sutilmente se dá lugar a Mata Atlântica.

Seguindo nosso roteiro, fomos de repente surpreendidos por uma forte neblina, ela veio rápida e muito densa dificultando nossa navegação, sorte nossa estar com o Sr. Mario, conhecedor e tropeiro desta região. Ai foi fácil seguir nosso caminho nesta viração. Contornamos o Cânion do Monte Negro até chegarmos no Cânion da Cruzinha, onde fizemos uma parada para almoço em meio ao “nevoeiro”.

Continuamos percorrendo por campos e vales até chegarmos na fazenda do Sr.  Juscelino, que nos recebeu de uma forma incrível e hospitaleira, oferendo sua casa com toda estrutura para pernoitarmos, mas já tínhamos planejado a nossa última noite em acampamento em meio a mata nativa.

 Aparados da Serra

Nos despedimos do seu Mário, após caminharmos mais 14 km durante o dia. Montamos acampamento e fizemos o jantar, um prato de Yakisoba Serrano, ou Sōsu Yakissoba, que é um prato de origem japonesa, muito conhecido internacionalmente, composto por legumes e verduras, mas este nosso, com um toque especial: a lá campos de altitude! com sobremesa mas que diferente, um Crepe-Susete flambado a conhaque e recheado com uma geleia de laranja deliciosa, direto dos Sabores da Querência, da fazenda Macânuda daqui de Cambará do Sul, ufa, quanta aventura, e agora, boa noite!

Logo pela manhã desmontamos acampamento e seguimos para a divisa de estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, local marcado por uma Taipa ou muro de Pedra, ao qual ficamos imaginando o quanto antiga devia ser este “passo”. Ponto de encontro de tropeiros e índios, índios estes que foram os primeiros habitantes e verdadeiros nativos da serra, com uma diversidade muito grande de raças e etnias, como: as tribos Caáguas, Kaigangues, Xokleng, entre outras da etnia “G”, que viviam livres e em harmonia com a natureza, sendo muitos deles, coletores de frutos e sementes, mas que com certeza ajudaram a construir nossa atual estrutura, antes e depois do descobrimento do Brasil.

Tanto que alguns dos costumes mais tradicionais dos gaúchos como o churrasco e de tomar o chimarrão, são heranças destes indígenas que aqui moravam.

Após ser registrado este ponto importante, seguimos para conhecer e comtemplar os Cânions da minha esposa e da minha filha, Carol e Marcela ou os Cânions das Tigras, que eu há mais de 15 anos tinha curiosidade de conhecer e sentir a energia deste local inóspito e intocado dos Aparados da Serra.

Legal, concluímos nosso objetivo! E de repente, entre nós muito Silencio.

E o que percebo agora, entre os Expedicionários e eu, e que após 5 dias percorridos de sucesso é de missão cumprida. Com um sentimento de respeito a toda esta grandeza, e por esta terra tão antiga.

Neste momento onde ficamos sentados em nossas mochilas, só observando toda esta maravilha, me conecto com a mãe terra, com a mãe natureza. Gratidão ao sagrado e a todos por esta oportunidade.

Dentre tantos sentimentos que neste momento nos cercava, um lembrança veio em minha mente: sobre as numerosas espécies da flora e da fauna que são únicas de nossa região e que tenho a oportunidade de falar para vocês, de vive-las e senti-las estando neste lugar.

Assim fico imaginando todos animais que habitavam e habitam a região, as aves, os mamíferos, répteis, anfíbios, as borboletas, (…) que nem consigo descrever tamanha grandeza.

Fauna nos Aparados da Serra

Neste percurso nós conseguimos ver diversos animais e identificar muitas pegadas ao longo da expedição, mas na verdade são quase nada, comparado as inúmeras espécies que aqui vivem. Sabíamos que os animais estavam lá, apesar de não vê-los, muitos deles com hábitos noturnos, e muitos que também só nos observavam ao longe. Os Campos de Altitude, ou os Campos de Cima da Serra é um dos ecossistemas mais ricos em relação à biodiversidade de espécies animais, contando com muitos indivíduos endêmicos ou raros, e vários ameaçados de extinção e diversas espécies migratórias, portanto, acreditamos e confiamos nessa força de integração entre o homem e nessa abundante vida que pulsava e nos cercava.

Já falando da bicharada, falo que aqui é morada certa de diversas aves, como a nossa tradicional Curicaca, algumas rasteiras ou de chão, o Inhanbuguaçu, o Perdiz ou Perdigão, a Seriema, o Jacuaçu, Jacu, a Jacutinga o Macuco e o Quero-quero.

Das aves imponentes no céu, temos o Urubu Rei, o Urubu de Cabeça Vermelha, e o Urubu da Cabeça Preta, o Tradicional  Carcara, o Gavião Pato, o Gavião Pega Macaco, o Gavião Tesoura, a Águia Cinzenta, a Águia Chilena, o Falcão Peregrino e o Gavião Carrapareiro, muitas destas espécies ameaçadas de extinção. Também temos aqui o Tiê Sangue, a Araponga, o Sanhaço, numerosos Beija Flores, os Tucanos do Bico Preto e do Bico Verde, Saíras, Gaturanos, além dos muitos Papagaios: Papagaio da Serra e Papagaio de Peito Roxo, Papagaio Charão, e vivem aqui a Tiriba de Testa Vermelha cuja sobrevivência dessas espécies está diretamente atrelada à sobrevivência da Floresta de Araucária; e a mais imponente e conhecida ave, sendo a símbolo da região, a Gralha Azul.

Entre os mamíferos podemos falar de várias espécies: o Tamanduá Mirim, o Mão Pelada, os diversos tipos de Tatus, como o de Rabo Mole, inclusive espécies que estão ameaçadas de extinção, como os primatas: o Bugio, o Mono Carvoeiro ou Muriqui do Sul, o Macaco Prego, o Guariba, o Mico Leão Dourado, vários Saguis entre outros bichos incríveis de árvores como a Preguiça de Coleira, o Esquilo Caxinguelê.

Temos aqui na região os felinos, tendo eles como o maior predador do planalto das Araucárias: o Puma Concolor, ou Onça Parda ou como chamamos também de Leão Baio. Diversos outros felinos como o Gato do Mato, a Jaguatirica, o Jaguarundi, o Maracaja, Gato Mourisco e até a presença da Onça Pintada.

Dos canídeos, temos o mais famoso: o Lobo-guará, que ainda avistamos mas que não temos noção de quantos indivíduos ainda restam nos campos de Cima da Serra; também o tradicional Guaxinim, muito conhecido por todos que por aqui passam; o Cachorro do Mato de Orelha Curta, a Raposa do Campo, o Cachorro Vinagre e o Cachorro do Mato.

Também temos os cervos, o Veado-campeiro, o Veado Bororo do Sul e o Veado catingueiro, também facilmente avistados na região.

Entre os principais répteis desse ecossistema estão Sapinho da Barriga Vermelha endêmico daqui de nossa região, o Sapo Cururu e o Teiú, nosso Lagarto com mais de 1,5m de comprimento, as inúmeras Jararacas, as Corais verdadeiras e falsas, e a cascavel de altitude, entre tantos outros.

Bom, para finalizar, me resta falar que para a realização da expedição Aparados da Serra, contamos com o incrível apoio da Prefeitura de São Jose dos Ausentes, na pessoa do Prefeito Paulo Guimarães, e da Secretária de Turismo, que não mediu esforços para realizarmos este projeto de Ecoturismo e Turismo de Aventura,  Aline Maria Trindade Ramos, Prefeitura de Cambará do Sul, com nosso prefeito Schamberlaen José Silvestre e nossa Secretária de Turismo Beatriz Trindade, e todas as pessoas incríveis que acreditaram neste trabalho, que nos motivaram e nos apoiaram.

Mas o desejo de voltarmos aqui e de explorarmos novos lugares, é o que fica em nosso interior.

Daqui de onde estamos, na borda dos cânions, já avistávamos nosso próximo desafio, a descida da Serra da Veneza, importante descida de serra na época para o Império e para os tropeiros de todos o sul do País. Quem se aventura em deixar suas pegadas ecológicas nesta jornada do bem e da natureza viva? Contem conosco!

Abraços a todos, e até mais.

Josemar Contesini

Aparados da Serra Adventure

Cambará do Sul – RS

Serra da Veneza x Rio do Rastro

A travessia nada mais é que um percurso que realizamos em parceria com a empresa Sol de Indiada entre às Serras da Veneza e Rio do Rastro/SC.

A travessia foi realizada em 3 dias e duas noites, caminhamos cerca de 45 quilômetros entre campos e bordas dos cânions de Bom jardim da Serra no estado de Santa Catarina – Brasil.

As travessias realizadas pela empresa Sol de Indiada são indicadas para pessoas que estão iniciando no trekking, além das diversos tipos de pacotes oferecidos, o que mais chama a atenção é para o pacote completo, este inclui: translado de ida e volta, acompanhamento de guias experientes em todas as trilhas, apoios com veículos 4×4, alimentação inclusa e ainda a opção de você carregar a mochila cargueira ou de ataque.

Um detalhe interessante sobre a Sol de Indiada é que se você não tem barraca, saco de dormir ou mochilas, você pode contatar a empresa e alugar para a aventura.

Caminhar em lugares assim com uma empresa tão dedicada a seus clientes faz valer a pena a contratação de serviços assim, não é a toa que estávamos em cerca de 70 pessoas incluindo, motoristas especialistas em veículos 4×4, cozinheiros, guias e fotógrafos. Nessa viagem tinha pessoas de inúmeras cidades, sendo dos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e claro aqui do Rio Grande do Sul.

A travessia começou no dia 7 de setembro, em pleno feriado da Independência, nesse primeiro dia caminhamos um pouco por trilhas e algumas estradas em meio aos campos de cima da serra, cruzávamos pequenos córregos e alguns campos de turfeiras até chegar nas bordas dos cânions.

O dia estava completamente ensolarado, temperatura próxima a 25 graus, céu azul e sem nenhuma nuvem, dia perfeito para contemplação de lindas paisagens.

A caminhada era de nível fácil sem grandes dificuldades, na borda dos cânions podíamos avistar uma linda vista dos grandiosos paredões rochosos e cristas que compõem os Aparados da Serra.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Neste primeiro dia de travessia caminhamos cerca de 15 quilômetros, eu levei apenas a mochila de ataque Mountain Hardwear 30L com o lanche de trilha, água, roupas e câmera fotográfica.

Caminhar nas bordas das serras é uma aventura maravilhosa, a cada subida de morro a vista muda, o cenário é outro, são visuais de tirar o fôlego.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Como boa parte das pessoas eram iniciantes em travessias, demoramos o dia todo para percorrer os 15 quilômetros de caminhada, mas chegamos no acampamento base a tempo de curtir o pôr do sol, enquanto montávamos as barracas.

O acampamento base nada mais era que uma fazenda perto do Rio Púlpito, com galpão e banheiros, só não havia luz no local.

Depois de encontrar o melhor lugar para acampar, montei a barraca e comecei a preparar o meu jantar, este foi, massa espaguete com molho bolonhesa e salame. Para as demais pessoas os cozinheiros prepararam um jantar de risoto com pêra e queijo gorgonzola, com suco de caixa de sabor uva e laranja. Para os vegetarianos e veganos tinha a opção de arroz e feijão. Só preparei o meu jantar pois não sou muito fã de queijo e nem de pêra. kkk

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Depois de todos jantar era hora de fazer aquela fogueira especial, com direito a roda de violão. No grupo havia dois violeiros que cantaram por cerca de duas horas musicas animadas de diversos estilos musicais como: gauchescas, reguee, sertanejo e rock n´ roll.

Fomos dormir cerca de 22:00 horas da noite, o frio era intenso, não ventava no local, o céu não continha nenhuma nuvem. Olhando para o céu, estava completamente brilhante, estávamos de fato em um hotel 1 milhão de estrelas.

No segundo dia acordei bem cedo, cerca de 6:00 horas da manhã, o sol ainda não havia nascido, ao sair da barraca lembro de ver pequenos pedaços de gelo no chão e em toda a barraca. Não sei qual era a temperatura naquele horário, mas tinha sensação de estar uns -3 graus. Era impossível deixar os dedos para fora dos bolsos da jaqueta, chegavam a doer de tanto frio.

Peguei a maquina fotográfica e fui capturar umas fotos da barraca e da neblina que se mostrava subindo em meio aos campos, o céu alaranjado e meio magenta contrastava com as belas araucárias no local.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Às 7:00 horas da manhã o café estava servido, nele continha, tapioca feita na hora de inúmeros sabores, também havia pão, geleias de uva, figada e de abobora, café preto, café com leite e achocolatado, frutas, queijos, presuntos e sem falar que tinha um pote gigantesco de Nutella. Olhei para tudo aquilo e pensei, tá melhor que lá em casa..kkkk

Depois de comer um pouco de tudo e tomar umas 3 xícaras de café, fui até a barraca para organizar a mochila, preparar o lanche para trilha, desmontar a barraca e carregar tudo na mochila cargueira. A mochila que usei é uma Osprey Atmos 50 L estava pesando aproximadamente 12 kg, usei ela para testar o modelo e também para treinar o condicionamento físico.

Geralmente os iniciantes não estão muito acostumado a fazer travessias, demoram mais tempo para colocar tudo dentro da mochila, por esse motivo começamos a caminhar por volta de 9:00 horas da manhã.

A caminhada seguiu pelas bordas dos cânions, subíamos e descíamos morros, serpenteando as bordas, em determinados locais, parávamos para contemplar à vista, caminhar próximo as bordas é muito bom, pois em alguns momentos podemos sentir uma brisa gelada, fazia parecer que tinham ligado o ar condicionado, o sol continuava muito forte e o céu sem nuvens.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Ao meio dia paramos para almoçar em meio a um capão de pinos ilhotes, caminhar nessa região é engraçado, pois estamos sempre colocando o casaco e-o tirando, chega a fazer isso mais que 5 vezes ao dia. A temperatura também varia muito dependendo do horário do dia, as manhãs e as noites são congelantes, durante boa parte do dia é quente, mas em algumas vezes é possível que feche na neblina e tenhamos que por jaquetas e gorros.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Paulo Gerstner

Durante a tarde toda caminhamos perto das bordas dos cânions, por muitas vezes avistávamos cidades ao longe, como o dia estava perfeito era garantido a captura de fotos incríveis.

Conforme íamos caminhando começamos a adentrar dentro do Parque Eólico, a vista do lado direito que tínhamos eram das bordas e do lado esquerdo, campos verdejantes com os cata ventos no alto dos morros.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

No fim de tarde chegamos ao acampamento do Jorge, localizado bem perto do Cânion da Ronda em Bom Jardim da Serra/SC, o local conta com uma grande área para camping, um galpão enorme, banheiros divididos por sexo e energia elétrica.

Ali alguns aventureiros já escolhiam o melhor lugar para armar suas barracas, na cozinha os cozinheiros já faziam o jantar, neste dia o cardápio seria strogonoff de carne com arroz e batata palha. Na minha opinião essa é uma das melhores refeições para se fazer no acampamento.

O jantar foi servido cedo, todos nós estávamos com muita fome, após o jantar foi realizada uma surpresa para um dos guias e proprietário da empresa Sol de Indiada, era noite de confraternizar o aniversário do Evandro Clunc. Melhor que fazer aniversário é poder celebrar esse dia em meio a natureza em um local tão especial que é a travessia entre serras.

Depois de muitas felicitações, os violeiros roubaram a cena, e logo começou as musicas animadas, como estava um pouco preguiçoso fui me deitar e não fiquei até o final das cantorias.

Último dia de travessia

O sol ainda não tinha levantado, e eu já estava aposto com a maquina fotográfica capturando as belas imagens antes do sol nascer, nessa manhã o clima estava agradável, não estava muito frio em relação ao dia anterior.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Cada um arrumou suas coisas, acondicionando dentro de suas mochilas cargueiras e de ataque, eu pus tudo dentro da cargueira e separei apenas a maquina fotográfica, o lanche e a água para levar em minha mochila de ataque.

O café começou a ser servido e como sempre tinha inúmeras opções, era como estar em um hotel, estava tudo perfeito.

Após o café era hora de botar as mochilas nas costas e seguir de ônibus até próximo as bordas de onde iria começar a caminhada propriamente dita, nosso destino final seria a famosa Serra do Rio do Rastro/SC, lembro do guia informar que caminharíamos um pouco mais rápido do que nos outros dias, pois ele tinha reservado um almoço no restaurante Mensageiro da Montanha, tínhamos que chegar lá no máximo às 14:00 horas.

Neste último trecho de caminhada a visão que tínhamos era de tirar o fôlego, as montanhas pareciam estarem uma em cima das outras, caminhar por esse trecho é muito belo, a todo tempo essa vista muda e encanta a cada passo dado.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Capturamos muitas fotografias, de muitos ângulos diferentes até que chegamos no Cânion da Ronda, ali podemos avistar os morros que formam a Serra do Rio do Rastro, é uma outra visão de um dos atrativos mais visitados do estado de Santa Catarina.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Do Cânion da Ronda em diante seguimos de ônibus até o mirante e restaurante Mensageiro da Montanha.

Ao chegar no mirante da Serra do Rio do Rastro, vimos que havia inúmeros turistas, então antes de ir lá capturar umas fotos da serra, resolvemos almoçar.

O restaurante serve todo o tipo de comida, o atendimento é muito bom, vale a pena o investimento, além do restaurante, há também uma pequena lojinha com artesanato e lembranças deste lugar incrível.

Depois de nos servirmos inúmeras vezes, era hora de ir contemplar a Serra do Rio do Rastro, enquanto fazíamos a digestão no sol. Assim terminou mais uma travessia de trekking entre as serras.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

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O melhor trekking do sul do Brasil

Travessia do Cânion Laranjeiras ao Cânion do Funil

Praia de Naufragados

Há um bom tempo essa travessia de trekking na Praia de Naufragados estava em meus planos,  por falta de meios, de companhia ou tempo ficava adiando a exploração dessa praia, localizada no extremo sul da Ilha de Florianópolis/SC.

Em conversas com alguns amigos decidimos que iríamos fazer essa aventura nos dias 3 e 4 de Março de 2018, mas tínhamos alguns empecílios em relação a trilha.

A grande maioria das pessoas fazem essa trilha começando pela costa oste da ilha de Florianópolis, saindo de Caieira até a Praia de Naufragados, este é um caminho de trilhas abertas, bem sinalizadas, com aproximadamente 50 minutos de duração. Ao meu ver essa caminhada seria muito fácil, nosso grupo de amigos queria algo mais desafiador. Pensando assim, sabíamos que havia uma trilha antiga que começava na Praia da Solidão, passava pela Praia do Saquinho e chegava na Praia de Naufragados, com aproximadamente 10 quilômetros de extensão.

Então resolvemos buscar mais informações sobre essa trilha, conversamos com moradores locais, amigos/conhecidos do mundo virtual e todos diziam que essa trilha existia de fato, mas não sabiam se ela se encontrava aberta/transitável.

O segundo passo da busca de informações era procurar mapas, trilhas que pudessem ser anexadas no GPS de trilha, para que assim conseguíssemos seguir, sem que ficássemos perdidos pelo caminho.

Encontramos um mapa muito bom no site Wikiloc, que mostrava o início da trilha em Açores até Naufragados, e retornava pelo lado oeste da ilha passando pela Caieira e cruzando do oeste para o leste até o fim do caminho na Praia da Solidão. Abaixo o mapa dessa trilha:

Praia de Naufragados

Altimetria de Naufragados
Distância percorrida: 13 km; Acúmulo de subida: 841 m; Acúmulo de descida: 870 m.

No dia 3 de Março as 10 h 10 min  da manhã iniciamos a trilha, seguindo usando um aparelho GPS Garmim eTrax 20, o início da trilha é tranquila, construída de concreto sem obstáculos, algumas subidas e descidas, seguindo assim até a praia do Saquinho, dali em diante seguimos a trilha propriamente dita, essa estava em boas condições, em alguns pontos a mata fechava quase por completa, mas sem grandes dificuldades, não precisamos nem ao menos retirar o facão da mochila. A trilha segue praticamente toda por dentro da mata nativa e em pequenas partes é possível visualizar a costa e o mar.

Praia de Naufragados

Praia de Naufragados

Praia de Naufragados

Durante a trilha, conversávamos sobre essa praia. Como seria incrível acampar por ali, praia deserta, apenas nós e a natureza. Enfim depois de algumas horas de trilhas, cruzando córregos, subindo e descendo morros chegamos na orla de Naufragados.

A primeira impressão não foi das melhores

A praia estava tomada por banhistas, pessoas que chegavam ali de todos os lados, uns vinham através de embarcações, outros pela trilha que começa na Caieira, uma praia que tinha tudo para ser linda e preservada, estava tomada por pessoas, ouvindo músicas em alto som, bebendo, fazendo algazarras e deixando lixo em tudo que é canto da praia. Chegar e ver tudo aquilo acontecendo na frente de meus olhos foi muito triste.

Conforme caminhávamos pela areia, chegando no rio que desaguá na Praia de Naufragados, mais pessoas estavam a banhar-se no rio, nas margens mais lixos jogados ali. Acredito que estavam na praia/rio aproximadamente mais de 200 pessoas.

Isso gera uma degradação do local muito intensa, os órgãos públicos deveriam tomar precauções para combater esse tipo de atrocidades feitas na natureza.

Olhávamos para as nuvens que vinham a nosso encontro e parecia que estava prestes a ter um temporal, logo seguimos pelas margens do rio, procurando um lugar seguro para montar o acampamento, o local escolhido foi em meio a vegetação de árvores perto do rio, em um pequeno espaço que cabiam não mais que 4 barracas.

Praia de Naufragados

Praia de Naufragados

Conforme as nuvens se aproximavam, os banhistas iam embora, deixando a praia cada vez menos ocupada, lá pelas 18 h já não havia mais que 20 pessoas na praia, armamos nosso acampamento e fomos tomar aquele banho de rio maravilhoso, a água estava morna e apenas ouvíamos o barulho do vento e alguns pássaros cantando.

Junto as nuvens de chuva o sol caia no horizonte lentamente, deixando apenas algumas cores refletidas nas águas do rio.

Praia de Naufragados

Depois do pôr do sol começou a cair uma chuva fraca, conforme ia passando o tempo a chuva ficou mais intensa, resolvemos então dar uma cochilada dentro da barraca. Passado cerca de uma hora, era hora de fazer o jantar. Após nos alimentarmos bem, a chuva começou novamente e fomos dormir.

Dia 4 de Março de 2018, levantamos cedo, por volta de 6:30 da manhã, preparamos o café da manhã, desmontamos o acampamento, organizamos as nossas mochilas e começamos a nossa trilha de volta à civilização.

O caminho que iríamos percorrer seriam de aproximadamente de 10 quilômetros, a trilha indicava para o lado direito da Praia de Naufragados. Este caminho leva até o farol e ao porto.

Praia de Naufragados

À primeira vista, o farol de Naufragados se encontra totalmente abandonado, a placa que contém informações sobre o farol encontra-se inteiramente degradada. Fiquei chateado ao encontrar todo esse descaso com um ponto turístico tão importante do estado de Santa Catarina/Brasil.

Praia de Naufragados

Seguimos em direção à Praia da Caieira, onde de lá iríamos procurar uma antiga trilha que faz a travessia do lado oste para o leste, assim terminando o trekking na Praia do Saquinho.

Ao chegarmos na Caieira, o clima estava chuvoso, aos poucos a chuva ia aumentando cada vez mais, tentamos encontrar a trilha, mas sem sucesso, resolvemos então conversar com os moradores locais, para saber se alguém sabia a respeito dessa trilha. Conversando com um ou outro morador, encontramos o proprietário das terras que dava acesso ao começo dessa trilha antiga, ele nos disse que a trilha existia mesmo, mas há muito tempo ninguém passava por lá, certamente estaria totalmente fechada pelo mato.

Nos reunimos e resolvemos abortar o restante da caminhada, logo encontramos uma parada de ônibus, pegamos o ônibus urbano com sentido ao Terminal Rodoviário TIRIO Tavares e depois pegamos outro ônibus até a praia de Açores, que fica ao lado da Praia da Solidão. A passagem custou R$ 4,20 por pessoa, sendo que pagamos 1 passagem apenas por pessoa para ir até o terminal e de lá pegamos outro ônibus até Açores sem pagar nada a mais, isto é. Caso você não saia do terminal rodoviário, é possível ir do norte até o sul da ilha de Florianópolis pagando apenas uma passagem de ônibus.

Praia de Naufragados

Praia do Cassino

A Praia do Cassino, considerada a maior do mundo em extensão, é um convite à aventura, para todos que possuem o ímpeto de colocar seus limites psicológicos e físicos à prova em um dos lugares mais inóspitos e isolados do litoral brasileiro.

Minha história com essa travessia da Praia do Cassino começou em 2015, quando após muito meditar para encontrar alguma travessia desafiadora e selvagem, me deparei com a Praia do Cassino. De lá para cá, durante pelo menos umas 3 ou 4 vezes, tentei colocar o meu plano em prática, não fazendo o tradicional trekking de 7 ou 8 dias, como é de praxe para a galera trilheira, mas em 4 dias de pedal auto-suficiente. Porém, sempre que separava uma data e me organizava para executar a travessia, os indicativos climáticos me diziam não, fosse por conta do vento ou da chuva. A coisa não andava. Não sei se é só comigo que acontece, mas às vezes, tem coisas que quanto mais quero fazer, as circunstâncias tanto mais me dizem que não! Eu realmente já estava meio injuriado com a situação de ter abortado ao menos três vezes ao longo de dois anos, e por conta disto, tinha definido que neste verão (2018-2019), eu faria a travessia com qualquer condição de clima, sozinho ou acompanhado, pois a coisa já estava virando uma lenda que assombrava meus pensamentos… kkkk

Praia do Cassino
“Eu sempre amei o deserto. A gente senta numa duna de areia. Não se vê nada. Não se sente nada. E no silêncio alguma coisa irradia.” O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry

Como é de costume, organizei o roteiro, a logística necessária e após, lancei nas redes sociais um dos meus famosos “editais hiperativos” (cuidado se ler algum por aí, geralmente é convidando para entrar em alguma roubada). Não demorou muito, e logo arrumei a parceira do Marcelo e da Bruna que toparam, por conta e risco, a travessia de bike. Estava assim formada a trupe para o desafio.

O plano, como disse anteriormente, era percorrer toda a extensão da Praia do Cassino em quatro dias, iniciando a travessia nos molhes de Rio Grande, seguir no primeiro dia até o Farol Sarita, no segundo dia alcançar o Farol Albardão, no terceiro dia atravessar o Concheiro pernoitando no hotel abandonado e por fim, no quarto dia, chegar ao final da jornada nos molhes da barra do Chuí. Dividindo assim, os mais de 230 kms em quatro pernas para não ficar tão pesada a pedalada, mas como mostrarei a seguir, quase nada aconteceu como planejado.

O Primeiro Dia na Praia do Cassino:

Depois de viajar praticamente a noite toda, pois embarcamos na Rodoviária de Porto Alegre às 2:00 horas da madrugada, chegamos por volta das 7 horas da manhã na Rodoviária de Rio Grande.

Tão logo desembarcamos,  tratamos de iniciar a montagem das bikes e dos alforjes com todo equipamento, para poder então, tomar o rumo dos molhes de Rio Grande, o nosso ponto de partida. Ainda no caminho pra os molhes, fizemos uma rápida parada numa padaria para tomar um café para acordar de verdade antes de encarar o desafio.

Por volta das 9:30 horas, com o sol já querendo mostrar suas garras, e após um rápido passeio nos mais de 4 kms dos molhes de Rio Grande, colocamos as magrelas na areia e começamos nosso pedal do dia.

Praia do Cassino
Molhes de Rio Grande/RS – Brasil

Na medida em que pedalávamos para o sul, começamos a nos aproximar do Balneário Cassino, que no dia 3 de janeiro, com tempo bom, estava lotado de gente e carros na areia. Foi bastante chato e complicado sair daquele mar de gente, pois a areia estava solta, e não conseguimos dar um ritmo adequado já nos primeiros 15 kms. Mas na medida em que pedalávamos sob o olhar curioso dos banhistas, aos poucos a multidão foi ficando para trás, a quantidade de carros diminuindo e o sol subindo com força.

Embora o vento estivesse ao nosso favor, a areia da Praia do Cassino não estava muito convidativa para pedalar com as bikes carregadas, todavia não tínhamos outra escolha, era seguir em frente rumo ao sul, ainda que isso exigisse um esforço extra, que de certa forma, já era previsto.

Por volta do meio-dia, com o sol realmente muito forte, chegamos ao naufrágio do Navio Altair. Sem nenhuma sombra, e depois de uma noite quase sem dormir, o cansaço começou a dar as caras na turma e, enquanto bebíamos água, decidimos mudar o plano original, desistimos de chegar ao Farol Sarita. A ideia agora era procurar um local com alguma sombra para poder montar o nosso acampamento, almoçar, esfriar a cabeça do sol e descansar. Dos 65 kms, aproximados que deveríamos percorrer, rodamos apenas 28 kms, e no momento em que avistamos um pequeno bosque de pinheiros junto a um rancho de pesca, resolvemos ficar ali. Após pedirmos autorização para o dono do local, tratamos de montar nosso circo e relaxar, com direito a um bom banho de água doce numa pequena lagoa junto ao rancho de pesca. Foi um alivio e tanto.

A Praia do Cassino nos dava boas-vindas com muito sol, calor, vento empurrando e areia pesada.

Praia do Cassino
Navio Altair

Depois de jantar, fizemos mais uma reunião de cúpula onde ficou decidido que no segundo dia, levantaríamos antes do sol para poder render o máximo enquanto não estivesse tão quente, pois teríamos que compensar os quilômetros que faltaram do primeiro dia e chegar de qualquer maneira ao final do dia, no Farol Albardão, onde existe uma base permanente da Marinha do Brasil, na esperança de conseguir um pouso e nos reabastecer de água potável.

Praia do Cassino
Acampamento no rancho de pesca

Dados do dia:

Início do pedal: 9:30 horas

Final do pedal: 15:30 horas

Distância computada: 28 kms

Segundo Dia na Praia do Cassino:

Ainda escuro, o despertador tocou e de imediato, após uma boa noite de sono, tratamos de tomar um café da manhã bem reforçado, desmontar o acampamento e aproveitar a condição de vento N/NE que nos dava uma força.

Começamos a pedalar com um visual alucinante do sol nascendo na linha do mar. O astral da trupe estava muito bom, seguíamos pedalando na direção da imensidão que parecia não ter fim com a Praia do Cassino praticamente deserta, apenas jeepeiros  e caminhonetes 4×4 com pescadores, vez ou outra, quebravam a nossa solidão naquele deserto à beira mar.

Nosso ritmo inicialmente estava bom, e antes das nove horas da manhã, avistamos o Farol Sarita. Feita uma rápida parada para fotos e tomar um fôlego, seguimos em frente, com o sol começando a nos castigar e tendo que ter o cuidado de controlar o consumo de água que já estava começando preocupar.

Praia do Cassino
Refrescando o corpo durante uma das muitas paradas.

Seguindo em frente, sofrendo muito com a areia pesada e o calor, dando pequenas paradas a cada 50 minutos mais ou menos.  Por volta das 11:30, paramos num arroio para nos refrescar pois o calor estava muito forte. Meus lábios começaram a rachar por conta do sal e do sol, e a sede era infinita. Com pouco mais de duas horas e meia de pedal, avistamos no horizonte a estrutura do Farol Verga, desativado a algum tempo… com o sol nos torrando inclemente, a sede e a fome batendo, decidimos parar no Verga, e aproveitar a pequena sombra que ele fazia para descansar, comer algo, se reidratar com a pouca água que nos restava e por fim, esperar o sol dar uma baixada para só então retomar o pedal.

Ficamos cerca de 3 horas parados, onde deu para dar uma cochilada na modesta sombra do Verga e comer algo para reabastecer de energia para dar a tocada final. Faltavam ainda 30 kms aproximadamente para chegarmos no Albardão.

Praia do Cassino
Farol Verga

Com o cair da tarde e o sol mais ameno, seguimos em frente, na fé e na determinação de chegar no Albardão antes do pôr do sol, embora tivéssemos combinado que o importante era chegar lá, independente da hora que fosse, mesmo que para tanto, tivéssemos que pedalar na escuridão da noite.

Com pouco mais de uma hora, avistamos a estrutura imponente do Albardão no horizonte, ainda distante cerca de 10 kms. Avistar o farol nos renovou o ânimo, apesar do cansaço e da sede e, com mais uma hora pedalando, para nossa alegria, chegamos ao destino junto com o sol indo embora.

Fomos muito bem recebidos pelo sargento Moreno, que gentilmente, nos acolheu disponibilizando as instalações da cozinha, banheiro com ducha e um quarto para nossa trupe, ou seja, um verdadeiro Oasis no deserto para viajantes cansados e castigados pela dura jornada de mais de 12 horas de pedalada.

Praia do Cassino
Farol Albardão

Dados do dia:

Início do pedal: 6:45 horas

Final do pedal: 21:00 horas

Distância computada: 107 kms

Terceiro Dia na Praia do Cassino:

Era sabido por todos que este seria o dia mais difícil, pois deveríamos atravessar o famoso e temido Concheiro, que nada mais é do que um imenso trecho de praia onde a areia mistura-se com restos de conchas, formando assim, um terreno fofo e de difícil locomoção que pode variar entre 15 e 50 kms, dependendo das ações da maré e do vento que alteram o terreno.

Assim sendo, fizemos uso da mesma estratégia do dia anterior: acordar antes do sol, tomar um bom café da manhã e começar a pedalar antes do sol nascer. Além disto, ficou decidido que tentaríamos completar a travessia neste mesmo dia, sem parar no hotel abandonado para acampar pois, os indicativos climáticos apontavam que para o dia seguinte, entraria uma frente de vento Sul, e certamente isso seria um grande problema.

Por volta das 6:30 horas, com o dia amanhecendo e nos presenteando com um espetáculo de cores, e antes do sol começar a querer fazer churrasco da gente, começamos nossa jornada.

Praia do Cassino
Sol nascendo, um espetáculo diário.

Inicialmente conseguimos evoluir bem, mais uma vez com o vento favorável, mas após 20 kms a coisa começou a ficar bem complicada: O Concheiro apresentava suas armas.

Pedalar no Concheiro é algo muito complicado e desgastante. O esforço físico beirava o extremo. É uma sensação de se estar subindo uma montanha o tempo todo.

Na medida em que pedalávamos e que o tempo passava, com a temperatura aumentando e o cansaço acumulado dos dias anteriores se fazendo sentir de uma maneira absurda, não conseguíamos manter uma velocidade média normal para cicloturismo. Estávamos rodando com pouco mais de 8 kms/h, ou seja,  o dia se desenhava como uma verdadeira tortura.

A dificuldade extrema de pedalar nestas condições, fez com que aumentasse muito nosso consumo de água, e isto logo se tornou um problema que só não foi maior, por conta de estarmos na temporada de veraneio, e após rodar mais de 30 quilômetros, começamos a encontrar pescadores que na maioria das vezes nos davam água gelada para beber.

Avançávamos lentos e de certa forma, desanimados, pois o trecho do Concheiro, ao que pudemos observar, passava facilmente de 40 quilômetros, ou seja, muito mais do que os 15 ou 20 quilômetros que pretendíamos inocentemente encontrar.

Numa destas paradas para pedir água, já exaustos de tanto pedalar lentos e empurrar as bicicletas, encontramos a família da Rosana que estava ali pescando e curtindo a praia deserta. Pedimos água e começamos a conversar com a turma, explicando de onde estávamos vindo e onde deveríamos chegar… papo vem, papo vai, lá pelas tantas, fomos presenteados com a melhor coca-cola das nossas vidas, e não só isso, servida em taças! Não tive dúvida nenhuma, aquilo ali era um milagre! Imagine você, no deserto, já sem água, debaixo de um sol fortíssimo, e de repente, aparecem anjos com a coca-cola mais gelada e deliciosa que você já bebeu na sua vida… É ou não um pequeno milagre? Ficamos extremamente emocionados e agradecidos com aquele gesto da Rosana e sua família.

Praia do Cassino
A coca-cola do deserto.

Após uma despedida emocionada dos nossos anjos do deserto, seguimos em frente, ligeiramente renovados pela coca e pelo milagre.

Num misto de sobe e desce da bike, empurra e pedala, fomos seguindo lentos e cansados, sem conseguir melhorar a velocidade média. Eu fazia as contas nas minha cabeça, e vendo que faltavam apenas 40 quilômetros, distância facilmente superável em condições normais, mas ali, naquele terreno, demoraria pelo menos 6 ou 7 horas… duríssimo conduzir uma bike carregada naquelas condições. Com certeza, esse foi o momento mais difícil para todos na Praia do Cassino. Mais se empurrava  do que pedalava, mas mesmo assim, seguíamos em frente pois não existia um plano B naquela situação.

Depois de horas, de sofrimento, começamos a ver as primeiras casas e ranchos de pesca nas proximidades do Balneário Hermenegildo, e após conversar com a Bruna, decidimos que na primeira sombra que aparecesse, iríamos parar para descansar e esfriar o corpo, pois nossa moral e nossa dignidade tinham sumido…kkkk Creio que faltando uns 15 quilômetros para chegarmos no Hermenegildo, encontrei um casebre junto de uma duna que fazia uma pequena sombra. Sinalizei para a Bruna e tratamos de fugir do sol, já deveriam ser por volta das 16 horas. Ficamos prostrados ali, bebendo a pouca água e comendo balas de banana, na esperança de reunir energias para tocar em frente. Neste momento, fomos novamente ajudados, desta vez, por outro ciclista que estava fazendo o pedal na praia, mas sem carga e com sua esposa no carro de apoio. Infelizmente esqueci o nome deles, mas o fato é que ofereceram uma carona para nossos alforjes e nos deram frutas para comer! Assim, com essa força, conseguimos seguir em frente e alcançar, finalmente o Hermenegildo, onde tratamos logo de ir para um barzinho e tomar uma cerveja bem gelada para tentar restabelecer a nossa moral que caíra por terra, ou melhor, pela areia…kkk

Faltavam cerca de 12 kms até a barra do Chuí no entanto, nós já não tínhamos forças para seguir e além disto, o balneário estava lotado, dificultando pedalar na faixa de areia. Fim de linha.

Tratamos de encontrar uma casa para alugar por uma noite, para assim, poder tomar um bom banho, fazer um jantar reforçado e dormir numa cama. Sem muita demora, tudo estava resolvido e aquele sofrimento todo de mais de 12 horas de pedal, já fazia parte da história.

Seguindo para os molhes do Chuí – Dados do dia:

Início do pedal: 6:30 horas

Final do pedal: 18:45 horas

Distância computada: 72 kms

Quarto dia na Praia do Cassino:

Sem muita preocupação, aproveitamos para descansar depois do suplício que foi o pedal do dia anterior. Tomamos café em slow motion, lavamos roupas, revisamos e lubrificamos as bikes para finalizar os 12 kms restantes… Afinal quem poderia nos impedir de completar esse misero trecho, depois de tudo aquilo que passamos até então? Resposta: O vento sul, que jogou o mar direto na areia e fez a praia sumir de vez, tornando assim, impossível para qualquer veículo de rodas seguir por aquele caminho.

Praia do Cassino
Tomando o asfalto para chegar aos molhes do Chuí.

A decisão de chegar o mais perto possível do final, foi a nossa salvação pois se por algum motivo tivéssemos parado para acampar, certamente teríamos que ficar um dia parado por conta da maré e do vento. A praia estava fechada.

Num misto de decepção e alivio, decidimos seguir até a barra pelo asfalto e assim, completar a travessia, ainda que não 100% pela areia.

Praia do Cassino
Fim da linha: molhes do Chuí.

Cicloturismo selvagem Praia do Cassino – Missão cumprida

Recordando agora, tudo que passei, posso garantir que a Praia do Cassino, até aqui, foi a travessia mais difícil que eu já tive a oportunidade de fazer.

Por mais que se esteja preparado, as condições da praia são sempre uma incógnita, podendo ajudar ou dificultar muito as intenções daqueles que pretendem se arriscar por lá, mas sendo como for, é uma experiência única, extrema e necessária para aqueles que querem descobrir seus próprios limites físicos e psicológicos.

Praia do Cassino

Para finalizar quero agradecer de todo meu coração aos meus parceiros de pedal Bruna Fávaro e Marcelo Rudini, companhia que fez toda a diferença no perrengue e também à todos que nos ajudaram durante a jornada, com o pouso para descanso, uma fruta e as muitas garrafas d’água. Certamente sem essa turma toda, a coisa teria sido muito mais difícil.

“Se vai tentar, vá até o fim.” Charles Bukowski.

Redução de peso em travessias de trekking

Trekking para inciantes, dicas sobre redução de peso em equipamentos.

Um dos maiores obstáculos do estilo de caminhada conhecido como Trekking na maioria das vezes não é apenas o terreno difícil, passar inúmeros dias acampando, mas sim, os equipamentos utilizados para a prática desse tipo de aventura.

A maioria das pessoas que começam a praticar trekking acham que isso se trata de um esporte elitizado, tendendo que os equipamentos sejam de alto valor monetário, pois não são encontrados facilmente no Brasil.

Isso não é verdade, vou explicar aqui nesse texto como você pode poupar um bom dinheiro e fazer um trekking de aproximadamente 5 dias, usando apenas uma mochila de 32L e mais alguns equipamentos indispensáveis.

Equipamentos

Na hora de escolher seus equipamentos, escolha por suas especificações técnicas primeiramente e não pelo seu preço, quando analisamos as especificações de cada produto podemos definir se o produto em questão é barato ou caro, sem isso é difícil fazer alguma comparação.

Outro detalhe interessante é estar atento as normas EN de cada equipamento, nesse caso escolha equipamentos com essa nomenclatura, porque são equipamentos fabricados para usos na Europa e testados em laboratório para que realmente possam atender as exigências, em outras palavras podemos dizer que, o produto irá entregar tudo o que promete, diferentemente do restante dos produtos similares não testados no mercado.

Você pode estar se perguntando! Os equipamentos com normas EN não são mais caros?

Sim, os equipamentos são mais caros, mas isso é subjetivo, pois são fabricados para realmente atender as exigências. Cito um exemplo para melhor entendimento:

Você pode optar por comprar um saco de dormir Deuter ou The North Face com norma (EN) com temperatura que variam entre +5° e -9°, este modelo será melhor e mais barato que se comprar um saco de dormir com faixas de temperatura entre 0 a -5° para usos aqui no Brasil. Caso a temperatura baixar durante a noite é só vestir um conjunto de roupas térmicas e resolvemos o problema.

Mochila de 32L

Existe no mercado nacional uma infinidade de marcas/modelos de mochilas, procure uma que tenha boas especificações técnicas e que seja muito confortável, pois você terá que carrega-la aproximadamente cinco dias consecutivos.

Mochila Guide 32L Lite Deuter

Redução de peso em travessias de trekking

Valor aproximado: R$ 833,00

Peso: 1,2kg

Comprar

Isolante Inflável

Os isolantes térmicos são muito importantes para termos uma boa noite de sono, este isola a temperatura corporal e mantém seu corpo seco, para assim ter uma noite sem desconfortos.

Isolante Ultra Light – Sea To Summit

Redução de peso em travessias de trekking

Valor aproximado:  R$ 533,00

Peso: 395g

Comprar

Saco de dormir

A dica aqui é se possível, usar um saco de dormir fabricado com plumas de ganso, pois possui melhor isolamento contra baixas temperaturas e é muito leve, mas geralmente estes são um pouco mais caros, mas posso dizer que compensa o investimento. Uso em minhas viagens o saco de dormir Deuter Trek Lite +3, este possui temperatura de conforto +7° e extrema -12°.

Temperaturas em sacos de dormir:

  • Temperatura de conforto é um dado para comparar uma boa noite de sono igual aquela que temos em nossas casas.
  • Temperatura limite, é aquela que você dorme usando poucas roupas.
  • Temperatura extrema é aquela que você dorme usando muitas roupas.

Por isso sempre compre o saco de dormir olhando a temperatura de conforto no máximo a de limite, nunca olhando para a extrema, olhar e entender os pontos importantes de cada equipamento é fundamental, poderá ser a diferença para poupar seu dinheiro.

Saco de dormir Trek Lite +3

Redução de peso em travessias de trekking

Valor aproximado:  R$ 929,00

Peso: 800g

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Barraca

As barracas são um dos pontos mais importantes que devemos prestar a atenção na hora da compra, pois ela será nosso abrigo durante todos os dias do trekking, use barracas (auto-portante) pois você poderá armar ela em qualquer terreno. Lembre-se que em um trekking a maioria dos acampamentos são selvagens, procure uma com uma boa coluna de água e resistente a ventos fortes.

As barracas para serem consideradas leves devem estar na faixa de 1 a 2 kg.

Barraca Cirus 2 NatureHike

Redução de peso em travessias de trekking

Valor aproximado: R$ 1.399,00

Peso: 1,84 kg

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Fogareiro/gás

O fogareiro será seu fogão durante os dias de travessias de trekking, é nele que você aquecerá todos seus alimentos e bebidas.

A dica é usar o fogareiro Azteq Spark, pois é leve, compacto e muito fácil de manusea-lo, além disso podemos condicionar ele dentro do estojo de transporte e guardar embaixo do cartucho de gás.

Fogareiro Spark Azteq

Redução de peso em travessias de trekking

Valor aproximado:  R$ 195,00

Peso: 87g

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 Kit de panelas

Recomendo usar o conjunto de panelas Azteq Trip, pois é muito leve, compacto, antiaderente e oferece um bom custo/benefício.

Conjunto de panelas Trip Azteq

Redução de peso em travessias de trekking

Valor aproximado: R$ 124,00

Peso: 260g

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Roupas

Em um trekking de muitos dias não é necessário levar uma muda de roupa por dia, pois isso aumentará o volume dentro de sua mochila e o seu peso final, se você respeitar o sistema de camadas, levará apenas o necessário para a sua aventura.

Hoje em dia as roupas técnicas são fabricadas para suportar até 5 dias em uso, isso quer dizer que você não precisará trocar de roupa todos os dias pois, possuem tecnologias avançadas anti-odor que permite que você use inúmeras vezes antes de lavar.

Equipamentos junto ao corpo:

Os equipamentos que estamos vestindo, calçando e usando também devem se juntar a essa conta, geralmente levamos um conjunto de roupas térmicas e mais um conjunto de anoraque (impermeável, respirável e corta-vento), ainda tem a bota de caminhada, meias, GPS de trilha, tudo isso gera um peso aproximado de 2 kg.

Se formos calcular o valor investido nessa breve lista de equipamentos vamos chegar a um total de R$ 4.013 reais sem contar aquilo que está em nosso corpo, isso não é um valor monstruoso, mas com tudo isso você consegue realmente aproveitar seus dias na natureza muito mais tranquilo e sem muito esforço, pois se somarmos todas as gramas dessa lista chegamos ao peso de 6,58 kg aproximadamente, isso é apenas dos equipamentos. Digamos que acrescentamos mais 1 litros de água e 1 kg de comida, dessa maneira temos boas condições de fazer qualquer travessia de trekking usando uma mochila leve e compacta pesando aproximadamente 10 kg.

Pontos importantes para se levar em consideração:

Geralmente a maioria dos aventureiros pensam que fazer trekking é levar uma mochila enorme, pesando cerca de 20 a 30 kg, mas não é bem assim, um erro comum aos praticantes iniciantes é comprar de cara uma mochila enorme e equipamentos muito baratos, de má qualidade e que você certamente irá trocar após um ano de uso, se contar todas essas trocas de equipamentos é vantagem sem dúvidas planejar suas comprar e comprar algo bom logo de cara, assim você evita surpresas desagradáveis durante suas aventuras de trekking.

Esse peso a mais que carregamos somente será sentido em subidas íngremes ou em inúmeros dias de caminhada, em um dia de travessia podemos dar aproximadamente 30.000 passos, então para que isso aconteça de forma tranquila, precisamos carregar o menor peso possível em nossas mochilas. Entenda que um caminhão de carga leva muito mais tempo para subir uma serra que um carro de passeio, isto é lógico, nas travessias de trekking isso acontece da mesma forma.

Quanto você for analisar todos os equipamentos que está levando em uma travessia, tenha o critério para definir quais equipamentos você tem e quantas utilidades ele tem, se este ter apenas uma utilidade, ele não deverá estar dentro da sua mochila.

Este texto tem o objetivo de ajudar você na escolha do equipamento certo, dando dicas e apontando as principais dificuldades nesse meio esportivo.

Esse artigo foi construído em trocas de conversar com o Tiago Korb, fundador do Clube Trekking Santa Maria/RS. Essa empresa possui larga experiencia em travessias de longa distância, dentre elas se destacam a maior travessia de montanhas do Brasil – Travessia Transmantiqueira, é realizada em 18 dias a pé e percorre a distância de 630 km.

Calendário de travessias 2017

Redução de peso em travessias de trekking
Foto: Clube Trekking Santa Maria

Cachoeirão destaca-se por sua imponência

Em meio aos vales da Serra Gaúcha encontramos uma das corredeiras mais alucinantes do Vale do Rio das Antas, conhecido como Cachoeirão, este ponto turístico é um dos mais belos da região serrana, localizado a cerca de 160 quilômetros da Capital Porto Alegre e cerca de 50 quilômetros de Caxias do Sul/RS.

O que fazer:

O local é aberto ao público, lá é possível fazer um churrasco com os amigos, família ou até mesmo pequenas trilhas, conforme for o nível do Rio das Antas é possível chegar bem próximo das corredeiras.

Cachoeirão destaca-se por sua imponência
Parte de cima do Cachoeirão

Cachoeirão destaca-se por sua imponência
Parte de baixo do Cachoeirão

Importante

O Rio das Antas é um dos rios mais belos da região serrana, mas não se engane, ele também é um dos mais perigosos também. Próximo ao Cachoeirão a uma Usina Hidrelétrica de Castro Alves, que conforme a sua necessidade abre suas comportas e libera milhões de litros de água, isso pode fazer o leito do rio subir inúmeros metros em poucos minutos, então antes de se aventurar em torno do Cachoeirão, certifique-se que o nível do rio esteja bem baixo, assim evitando ser surpreendido com o aumento repentino de água. 

Cachoeirão destaca-se por sua imponência
Usina Hidrelétrica Castro Alves

Além da visita de carro no local, ainda é possível descer essas corredeiras usando botes infláveis, esse esporte é conhecido como Rafting, a empresa que opera esse esporte no local é a Cia Aventura, possuem experiencia de mais de 10 anos na prática desse esporte, sendo referência no Brasil.

Para praticar esse esporte é necessário ter no mínimo oito anos de idade, os passeios duram em média 2 h e 30 minutos e percorrem o Rio das Antas por 8,5 km, passando pelo belo e imponente Cachoeirão. O esporte é praticado por no mínimo seis pessoas e no máximo 55 pessoas. Caso você se interessou pela prática acesse o site do Cia Aventura – Eco Parque.

Além disso é possível fazer algumas pequenas trilhas no entorno do Cachoeirão, deixe o carro no pequeno estacionamento perto do atrativo e siga a direita, margeando o rio, este caminho levará você para o meio das corredeiras, esteja sempre munido de calçados confortáveis, roupas compridas, água, repelente e protetor solar.

Como chegar:

Para chegar ao Cachoeirão é muito fácil, existem duas formas, a primeira delas é pela RS – 448, está é uma estrada asfaltada, bastante sinuosa, mas bela, durante o trajeto podemos contemplar algumas belas cachoeiras e a linda geografia da região da Serra Gaúcha. São aproximadamente 30 km do centro de Farroupilha/RS até a Ponte de Ferro que faz divisa com a cidade de Nova Roma do Sul/RS.

Cachoeirão destaca-se por sua imponência
Belas paisagens na RS 448

Ao chegar na ponte de ferro dobre a direita, passando por um barzinho e siga por aproximadamente 7,5 km, a estrada que leva até o Cachoeirão é de terra, possui inúmeras pedras soltas, mas com cuidado e devagar chega-se lá com segurança. Esteja atento, geralmente em dias de chuva a estrada fica muito embarrada e escorregadia, a também dois obstáculos significativos em dias de muita chuva, pois entre os Vales e o Rio das Antas, forma-se alguns córregos, então em alguns trechos e possível nos deparar com um pequeno rio atravessando a estrada. Não recomendo ir em dias chuvosos.

A outra forma de chegar ao Cachoeirão é pelo Município de Nova Pádua/RS, o trajeto é de aproximadamente 10 km e termina no Rio das Antas, ali tem a Balsa que disponibiliza um serviço de passagem para o outro lado do rio. Depois siga por aproximadamente 4 km margeando o rio (neste caso o rio estará a esquerda).

Dica:

Se você gosta de pedalar, recomendo muito este passeio. Saia da cidade de Caxias do Sul/RS em direção a Nova Pádua/RS, siga até a Balsa, atravesse, passe pelo Cachoeirão e suba até a cidade de Farroupilha, ou vice-versa, com certeza é uma bela e encantadora travessia.

Além desse atrativo a cidade de Nova Roma do Sul possui outras belezas naturais como: Gruta Fiorese e Cascata Salto Escondido, essas você confere aqui no site.

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A Clássica Travessia da Serra Fina – MG

A Clássica Travessia da Serra Fina

Já fazia um bom tempo em que eu e meus camaradinhas de hiperatividades, perrengues e afins, conversávamos sobre fazer a famosa e desafiadora travessia da Serra Fina, porém, a conversa sempre acabava se dissipando em nada. Foi então que, numa tarde qualquer de junho de 2016, o Filipe me chamou no chat com uma perguntinha: “E a Serra Fina?”.

Naquele mesmo instante senti que era o momento e imediatamente começamos a correr atrás da data, que deveria ser fora de feriados ou finais de semana, para evitar a travessia “crowdiada”, pois o plano era acampar os três dias nos três picos mais altos da travessia. Além disto, tínhamos que conciliar horários de vôos, pois estando eu em Porto Alegre e o Filipe em Floripa, havia mais este desafio de encaixar as peças do quebra-cabeça da logística de maneira tal que não houvesse perda de tempo, pois o esquema seria um “bate e volta”.

Quanto tudo já estava acertado e encaixado, os horários dos vôos, do ônibus de Guarulhos para a rodoviária de São José dos Campos, de SP para Passa Quatro e o traslado local para o início da trilha, reservas no hostel e etc. e tal, eis que o nosso camarada Hyzzo, resolveu dar o ar da graça de ir faltando poucos dias. Novo quebra-cabeça, mas depois de muita correria, conseguimos fazer as coisas se ajustarem. Agora já não seria apenas uma dupla, mas um trio da trupe realizando a travessia.

“Atualmente todos vivemos em um mundo dominado pelas máquinas. Quase não restam em nosso deteriorado planeta espaços livres, onde possamos esquecer nossa sociedade industrial e testar, sem sermos incomodados, nossas faculdades e energias primitivas. Em todos nós se esconde uma saudade do estado primogênito, com o qual podíamos calibrar-nos com a natureza e enfrentá-la, descobrindo a nós mesmos. Aqui está basicamente a razão de não haver para mim uma meta mais fascinante que esta: Um homem e uma montanha.” Reinhold Messner

O ponto de encontro foi o aeroporto de Guarulhos, onde, o primeiro a chegar foi o Hyzzo, bem depois (6 horas), meu voo aterrissou e com menos de uma hora, finalmente a trupe estava completa com o Filipe, vindo de Floripa. Tratamos de jantar por ali mesmo e sem perder tempo, pegar o ônibus para São José dos Campos e aí sim, embarcar para Passa Quatro/MG, no último horário, às 00 h 45 min.

Depois de vencida esta primeira etapa, chegamos à rodoviária de Passa Quatro, antes das 4 horas da madrugada, cansados e com sono. Não demorou muito e logo, uns 15 minutos depois, nosso transporte para a Toca do Lobo, chegava com uma louvável pontualidade. Contratamos o Antonio José (35 991191373), que foi indicação do Hostel Harpia, transporte de primeira! Recomendo.

A Clássica Travessia
Conexão Guarulhos x São José dos Campos x Passa Quatro.

Primeiro dia – 03/08/2016 – Toca do Lobo ao Pico do Capim Amarelo

Embarcamos na Kombi e seguimos pela cidade deserta durante a madrugada e logo entramos na estradinha de chão que nos levaria ao ponto zero da travessia. Devido à escuridão, não deu para curtir o visual, mas estava tudo dentro do cronograma planejado e uma hora depois, já estávamos com as cargueiras nas costas e as lanternas de cabeça ligadas, no breu da madrugada, rumando para o início da trilha, onde paramos para comer algo e tomar um café para despertar enquanto não clareava o dia.

Passando alguns poucos minutos das 06:00 horas, raiando o dia, atravessamos o córrego de fronte para a Toca do Lobo e entramos finalmente na trilha, tendo como objetivo para o dia o alto do Capim Amarelo e seus 2.570 metros.

Praticamente “virados” de um dia para o outro, sem dormir e cansados do tranco da viagem, mas ainda assim, com uma vontade muito grande de estar ali e encarar o desafio. Comentei com a trupe naquele momento que, por começar bem cedo e também pelo fato de não termos dormido, nossa estratégia seria ir bem devagar, aproveitando o clima agradável daquela manhã de tempo bom, fazendo as paradas para pegar água e descansar, sem correria, pois tudo ali era novo para todos nós e como diz o ditado: “devagar se vai ao longe”, tocamos assim, morro acima no ritmo do cágado hiperativo.

A previsão do tempo estava ao nosso favor, apesar disto, começamos a trilha com muita neblina, um motivo a mais para ficar atento na navegação. Era um olho na trilha e outro no GPS para não ter surpresas… kkk Com pouco mais de uma hora e meia, chegamos ao último ponto de água, onde tratei de pegar 4 litros para garantir o consumo durante a subida, e também o jantar, café da manhã e uma reserva para chegar até o próximo ponto de água somente no dia seguinte.

Embora não seja nenhuma novidade para muitos que estão lendo, cabe pontuar a questão da água, ou melhor, a escassez dela na travessia. É preciso ter muita atenção para pegar a quantidade certa e ter bem mapeados os pontos de água. Além disto, a escolha de um cardápio que exija uma quantidade pequena ou nenhuma de água para o preparo também é igualmente importante. Dito isto, vamos em frente.

Seguimos num ritmo lento e fazendo paradas rápidas a cada hora, pois o primeiro dia não perdoa, é só subida o tempo todo.

Na medida em que o dia avançou, a neblina se desfez e por volta de umas 9 horas já estávamos andando com céu aberto, poucas nuvens e o sol não chegava a torturar tanto, pois a temperatura estava agradável… A medida em que se ganha altitude é bem fácil perceber a mudança da vegetação também, a mata desaparece numa transição com taquarinhas e depois é basicamente capim alto e vegetação rasteira.

A Clássica Travessia

Com 7 horas e meia de caminhada, um certo esforço e muito cansados, chegamos por volta de meio-dia e meia no topo do Capim Amarelo e como se tratava de um dia de semana, o pico estava completamente deserto. Eram apenas nós três no alto da montanha, o que para mim, foi uma alegria a mais. Meu lado antissocial agradeceu pois tinha pesquisado bastante e lido em alguns relatos que durante feriados a coisa fica complicada no que diz respeito a conseguir lugar para montar o acampamento e que também às vezes rolava algumas crises entre a galera… Melhor assim, nosso planejamento tinha dado muito certo nesta questão e a montanha era só nossa.

Fizemos um almoço simples e depois de uma boa lagarteada (tirar uma soneca no dialeto gaúcho) ao sol, montamos nossas barracas e ficamos por ali curtindo o momento e conversando até o cair do sol, que foi um espetáculo à parte.

Tratamos de jantar cedo e entrar nas barracas pois a temperatura que estava agradável durante o dia, simplesmente despencou com o sol indo embora. Bem alimentado, dormi que nem uma pedra.

Resumo do dia:

Distância percorrida: 6.5 km

Tempo de caminhada: 9 h

Acumulo de subida: 1250 m

Acumulo de descida: 305 m

A Clássica Travessia

Segundo dia – 04/08/2016 – Pico do Capim Amarelo ao Pico Pedra da Mina


Acordamos com um dia lindo de céu limpo e sem vento. Estávamos acima das nuvens, no altímetro marcando 2.495 metros.

Preparamos um café reforçado, sem pressa desmontamos o acampamento e organizamos tudo nas cargueiras. Depois de dar uma repassada no “briefing” da missão para o segundo dia, colocamos o pé na trilha às 9 horas da manhã, mais descansados e mantendo o mesmo ritmo do dia anterior, sabíamos que em se tratando de Serra Fina, nenhum dia é moleza e a altimetria deste dia mostrava uma verdadeira montanha russa, cheia de desce e sobe… kkkk

Por volta das 15 h 30 min chegamos ao Rio Claro, nosso ponto de coleta de água, na base da Pedra da Mina.

Por ali ficamos uma hora, descansando, comendo e bebendo muito suco Tang para seguir em frente mais animados e atacar o cume da Pedra da Mina. Nesse momento, fomos alcançados por um grupo, onde para minha surpresa, era o Tiago Korb e o Clube de Trekking de Santa Maria, que num grupo de quatro pessoas, estavam fazendo a travessia em dois dias.

Conversamos um pouco ali, e logo em seguida, o grupo do Tiago seguiu para o cume, enquanto a trupe, um pouco depois e num ritmo mais lento, tomou o mesmo rumo: Pedra da Mina.

A Clássica Travessia

O ataque ao cume é bastante cansativo e demorado, uma hora e meia para percorrer esse trajeto. Na parte final da subida, o tempo começou a mudar, muitas nuvens cobrindo a montanha e com a tarde caindo, começou a ficar escuro. Como estávamos distantes uns 30 metros uns dos outros, recomendei para o pessoal sacar as lanternas de cabeça e manter na luz vermelha, para não perder ninguém de vista na neblina que estava tomando conta do caminho.

Desta vez não teve pôr do sol, e, por conta das nuvens e do vento que soprava com força, fomos obrigados a fazer o jantar no avanço da barraca e encerrar assim o dia.

Resumo do dia:

Distância percorrida: 7.9 km

Tempo de caminhada: 9 h 30 min

Acumulo de subida: 984 m

Acumulo de descida: 671 m

A Clássica Travessia

Terceiro dia – 05/08/2016 – Pico da Pedra da Mina ao Pico dos Três Estados

O dia amanheceu lindo e sem aquele vento que nos recebera na noite anterior. Como de praxe, tomamos café, desmontamos o circo e com as cargueiras prontas, assinamos o livro do cume e nos despedimos da Pedra da Mina.

O início deste trecho da travessia é uma descida forte, com muita pedra solta, que exige bastante atenção e cuidado, pois em menos de 1 km se desce mais de 300 metros! Qualquer descuido pode resultar em queda. Nessa hora os bastões de caminhada ajudam muito.

Depois de menos de uma hora, já estávamos no meio do Vale do Ruah, que por sinal é bem bonito, com seu labirinto de capim alto e charcos repletos de turfeiras. Atravessamos o vale sem muita dificuldade. No último ponto de água, antes de sair do Ruah, paramos e resolvemos fazer uma bela macarronada para antecipar o almoço e também aproveitar para lavar a louça e abastecer de água, pois o próximo ponto de água é só no dia seguinte e praticamente no final da trilha.

Pouco antes do meio-dia retomamos nossa jornada, passamos pelo cume do Brecha, de onde já era possível ver nosso destino para o final do dia.

Seguimos em frente, passando pelo segundo trecho onde se caminha bem na linha da cumeeira da serra, com um visual alucinante e abençoados por um clima excelente pois não havia vento algum. Ao chegarmos ao cume do Cupim, pouco antes das 15 horas, fizemos uma parada para descansar e apreciar a vista. Naquele momento o que mais me marcou foi o silêncio absoluto no local. Chamei a atenção do Filipe que quando ao prestar atenção nesse fato, também ficou impressionado.

A Clássica Travessia

Meia-hora depois, já seguíamos descendo o Cupim, rumo à mata do Bambuzal, que é um ótimo lugar para acampar no caso de quem vai fazer a travessia em dias de muito movimento ou ainda, numa situação de pegar um clima ruim. A mata de bambus é um local bastante protegido dos ventos na base do Pico dos Três Estados.

Sem parar, seguimos agora para a reta final do dia, faltava percorrer pouco mais de 1 km e subir pouco mais de 200 metros de caminhada e algumas escalaminhadas, e dentro do tempo previsto, chegamos ao cume da montanha. Novamente o ritual de escolher o melhor lugar, montar o acampamento e curtir a última noite da travessia.

Nessa noite, enquanto preparávamos o jantar, tivemos a companhia de vários ratos que pelo visto contavam com a nossa comida… kkk Enquanto o Hyzzo fazia a janta, eu e o Filipe, fazíamos uso do bastão de caminhada para dissuadir a gang de camundongos que estavam de olho na nossa comida.

Resumo do dia:

Distância percorrida: 6.6 km

Tempo de caminhada: 8 h 20 min

Acumulo de subida: 551 m

Acumulo de descida: 691 m

A Clássica Travessia

Quarto dia – 06/08/2016 – Pico dos Três Estados ou Sítio do Pierre

Nosso último dia começou com um friozinho e tempo bom e depois do ritual matinal, começamos sem pressa a longa descida até o Pierre.

O inicio da caminhada é uma descida forte até o acampamento Bandeirante, de onde, logo em seqüência chegamos ao Cume do Bandeirante, e depois mais uma descida para então, iniciamos a subida complicada do Alto dos Ivos, que exige bastante atenção. Neste trecho temos também muitas taquarinhas pelo caminho, que contribuem muito para deixar a descida lenta.

Ao meio-dia, saímos do Alto dos Ivos, e na medida em que fomos descendo, a vegetação foi mudando. As taquarinhas, para nossa alegria, sumiram, e dando lugar a elas, primeiro muitas bromélias e depois uma mata já com árvores grandes e bastante sombra.

A Clássica Travessia

No início deste trecho, a água da trupe já estava no fim, sendo que o ao chegar ao último ponto de coleta, já próximo do Pierre, somente eu ainda tinha uns 300 ml sobrando. O resto já estava de bico seco há algum tempo. Kkk

Após beber água e descansar alguns minutos, seguimos pela estradinha abandonada que vai descendo até o sítio, e dentro do horário previsto, chegamos no nosso ponto de resgate, onde, para nossa felicidade, o Sr. José Antonio já nos aguardava para retornar para Passa Quatro e nos deixar no Hostel Harpia.

Missão cumprida!

Resumo do dia:

Distância percorrida: 10.5 km

Tempo de caminhada: 6 h 50 min

Acumulo de subida: 480 m

Acumulo de descida: 1578 m

A Clássica Travessia

Considerações finais:

A Serra Fina é linda, mas é duríssima também, e se o clima não estiver favorável, as coisas podem se complicar bastante por lá. É preciso muito preparo físico, um planejamento minucioso na questão da água, equipamento adequado e perícia na navegação, pois do contrário, as coisas podem ficar bastante difíceis.

A Clássica Travessia da Serra Fina não é para iniciantes, mas aqueles que se prepararem com foco e humildade terão plenas condições de conclui-la.

Ao final, não existe nenhum pódio, nem medalha pelo feito, mas garanto que a euforia da conquista irá inundar o íntimo de tal maneira que o prêmio será justamente essa alegria, que eu garanto, ficará gravada na memória para sempre.

A Clássica Travessia
Hostel Harpia em Passa Quatro – MG

Ferrovia Funicular um sonho realizado!

Um sonho chamado Ferrovia Funicular

Deste os meus primeiros passos entre trilhos e dormentes das ferrovias espalhadas pelo Rio Grande do Sul, fizeram meu coração bater mais forte, caminhar por inúmeras pontes, túneis e em lugares que chegavam dar vertigem só de olhar me instigavam, assim começou a minha paixão pelas ferrovias, trens e afins.

Conforme foi passando o tempo, encontrei pessoas pelo caminho que eram apaixonadas por ferrovias e seus caminhos, trilhamos muitas vezes pelo Tronco principal Sul entre Bento Gonçalves e Veranópolis/RS e na incrível Ferrovia do Trigo, entre as cidades de Muçum e Guaporé/RS, andei de trem pela Serra do Mar no estado do Paraná e também em meio ao Vale Sagrado dos Incas no Peru.

Durante todos estes anos aprendendo a caminhar sobre os trilhos ou viajando na carona em cima deles, superei alguns medos, passei por pontes e viadutos com mais de 100 metros de altura, no meu simples entendimento sobre o fascínio por lugares assim descobri que essa era uma maneira original de se sentir vivo, sempre disposto a encarar mais um grande desafio.

Fazer a Travessia da Ferrovia Funicular era um sonho, um pouco distante ao meu ver, mas não descartado totalmente, só precisava encontrar as pessoas certas, malucas o suficiente para trilhar sem pressa sobre os viadutos deteriorados dessa linda travessia.

Vou lhes contar uma breve história sobre a Ferrovia Funicular: O nome “Funicular” se dá a um sistema para tracionar trens que funcionou em Paranapiacaba/SP. A concessão inicial era da empresa Inglesa São Paulo Railway (SPR). Inicialmente o sistema foi utilizado para o transporte de café das cidades de Jundiaí ao porto de Santos.
A primeira linha do Sistema Funicular entrou em operação em 1867, onde 7,5 Km de serra foram divididos em 4 patamares. Foi descontinuado em 1970 e onde passava o leito original deu lugar ao sistema Cremalheira que entrou em operação em 1974 e funciona até hoje.

Relato deste sonho chamado Ferrovia Funicular:

Em conversas com uma amiga duas semanas antes do fim de semana de Carnaval, queríamos fazer uma aventura especial, mas não tínhamos um lugar certo para ir, existiam inúmeras alternativas de locais, a única coisa que não tínhamos era muito dinheiro depois de pesquisar muitos lugares decidimos que seria interessante fazer a Travessia Funicular, mas para isso precisávamos contratar um guia para nos levar até lá, pois sabíamos que o local era inóspito e proibido trilhar por lá sem guia.

Depois de muitas conversas com moradores da região, foi indicado o guia Douglas Ramos para auxiliar na realização do nosso sonho, só que em duas pessoas era muito caro se deslocar do estado do Rio Grande do Sul até o estado de São Paulo, então convidamos mais dois amigos apaixonados por ferrovias, que com certeza topariam uma viagem deste tipo.

Programamos a viagem em menos de 1 semana, incluindo todas as despesas necessárias para ir e voltar de São Paulo. Seriam 1.160 quilômetros de carro, cruzando meio Brasil em cerca de 18 horas de viagem aproximadamente só de ida. Entre todos os custos dessa aventura separamos R$ 400,00 reais por pessoa para fazer essa viagem tranquilamente, sem gastos supérfluos e sem exageros.

No dia 24/02/2017 estava marcado o começo da nossa viagem, Adriano Vanz saiu da cidade de Marau/RS chegando até a minha casa na Serra Gaúcha, depois pegamos o carro e seguimos até a capital Porto Alegre para encontrar com nossa amiga Elisa Thomaz, nós 3 seguimos viagem e nos encontramos com o Celso Seeger na cidade de Viamão/RS. depois de tudo carregado e organizado dentro do carro era hora de pegar a estrada. Saímos de Viamão por volta das 02:15 horas da madrugada de Sexta Feira, chegando em São Paulo por volta das 20:30 do mesmo dia.

Ferrovia Funicular
Nascer do Sol em Laguna/SC

Ferrovia Funicular
Subindo a Serra do Paraná/PR

Ferrovia Funicular
Mirante na serra de São Paulo/SP

Deixamos o carro na casa de um amigo do guia contratado e seguimos a pé pelas ruas de São Paulo, pegamos o metro e mais um ônibus até chegar a Paranapiacaba, depois de muitas horas dirigindo, andando de metro, ônibus e a pé chegamos a Ferrovia Funicular, isto já era passado das 02:00 da madrugada de Sábado.

O local escolhido para acampar era dentro de um túnel escuro, fechado por mata atlântica dos dois lados, estávamos exaustos em razão a toda essa viagem maluca, optei por não armar a barraca dentro do túnel, apenas estiquei o isolante térmico em meio aos trilhos e dormi.

Ferrovia Funicular
Eu sou o que está vestindo o saco de dormir vermelho. kkk

Na manhã do segundo dia, acordamos por volta das 09:00 horas, tomamos café, organizamos todos os equipamentos na mochila cargueira e começamos a caminhar. Não deu nem tempo de esquentar o corpo e já avistamos o nosso primeiro grande desafio, cruzar o primeiro viaduto (número 16) da travessia, olhando a primeira vista ela não parecia muito deteriorada, mas conforme íamos avançando por cima dela, víamos o perigo dessa travessia, os dormentes estavam podres e um pouco lisos em razão dos musgos que ali cresceram. Lembro do nosso guia dizer, vão com calma, temos o dia inteiro para caminhar. Devagar e a passos curtos fomos avançando, obstáculo por obstáculo até chegar em uma parte em meio a ponte que não havia mais dormentes, só de olhar para aquilo já dava tontura e vertigem. Nessa parte lembro de agachar, segurar no trilho e ir movimentando os pés bem devagar, pois não queria cair naquele buraco. Veja as imagens abaixo:

Ferrovia Funicular

Ferrovia Funicular

Entre os viadutos e túneis a mata atlântica encobre o antigo sistema funicular, nessas horas a apreensão era sempre grande, pois como já havíamos pesquisado, ali é um lugar propício para se deparar com cobras peçonhentas, como Jararacas, Cruzeiras e também com a cobra Caninana (sem veneno). Recomenda-se usar perneira, luvas e roupas compridas, pois no trajeto há urtigão, uma planta que causa irritação na pele e cosseira quando entra em contato com a pele.

O próximo grande desafio da travessia da ferrovia funicular seria o viaduto 15, este estava um pouco mais deteriorado que a primeiro, neste passamos por cima dos trilhos, pois é a única passagem confiável sobre o viaduto, a parte complicada disso é que existem dois trilhos, um ao lado do outro, no lado esquerdo do viaduto, o trilho do meio era mais alto que o da extremidade, isso fazia com que eu me sentisse mais inseguro ainda, os passos eram bem curtos, pois afinal estávamos de mochila cargueira carregada, com isso aumenta-se o risco, pois se houvesse um deslise qualquer, a mochila podia pender e nos levar junto com ela. Caminhamos devagar, sem pressa, com ajuda dos amigos superamos mais um obstáculo.

Ferrovia Funicular

Depois de passar pelo viaduto 15, passamos por um pequeno trecho de mata fechada e chegamos no túnel 11, este é um pouco extenso e possui abertura em seu interior no lado direito três janelas, ali fizemos uma pausa para comer uns lanches, tomar água e contemplar aquela construção maravilhosa.

Ferrovia Funicular
Túnel de N° 11 – Janelado

Após esse túnel vem um dos pontos culminantes da Ferrovia Funicular, a famosa ponte Grota Funda, a ponte mais alta do percurso, com 60 metros de altura aproximadamente, aqui o medo, pavor e outros sentimentos afloraram, conforme vamos descendo a ferrovia e nos aproximamos do mar, as pontes e viadutos vão ficando mais deteriorados, com enormes vãos livres em seu meio, em alguns trechos da Grota Funda, tive que parar, me abaixar, agarrar nos trilhos, passar de quatro pés e seguir. Não tenho ideia do tempo que demorei para cruzar essa ponte, mas acho que demorei uns 30 minutos ou mais. O medo de altura me impediu de tirar boas fotos ou mesmo filmar, fazia tempo que não passava um perrengue tão intenso como aquele.

Depois de finalmente cruzar a ponte, fomos conhecer o quarto patamar do sistema funicular, ali você consegue perceber a engenhosidade e a grandeza dos construtores ingleses, pois as estruturas são gigantescas, montadas perfeitamente, este patamar é um dos mais conservados de todo o percurso, ali é possível contemplar a estrutura metálica da ponte Grota Funda. Neste local é possível tirar a famosa foto sobre a estrutura metálica em um abismo de aproximadamente 60 metros de altura. não foi fácil subir na estrutura, se equilibrar e tirar boas fotos, pois como sempre a altura e o medo de cair falavam mais alto dentro da minha cabeça.

Ferrovia Funicular
Estrutura metálica da Ponte Grota Funda

Ferrovia Funicular
4° patamar – Ferrovia Funicular

Ferrovia Funicular
4° patamar – Ferrovia Funicular

Após fazer inúmeras fotos, conversar, descansar e fazer alguns lanches, seguimos em direção a cidade de Cubatão.

Hoje em dia os trilhos do sistema Funicular está completamente abandonado e em meio a mata atlântica, então onde não há pontes ou viadutos a apenas pequenas trilhas de mato fechado, muitas plantas urtigões e bananeiras gigantes. Caminhar adentrando pela mata tive a sensação de estar em um filme no Vietnã. kkkk,  em alguns trechos a mata é muito densa, ainda bem que o nosso guia tinha um facão, assim ia na frente abrindo caminho.

A travessia funicular já é uma aventura inesquecível para qualquer pessoa que se aventura por aquela região, assim como o nosso guia falou durante a travessia, ” não é necessário transpassar as pontes deterioradas, algumas delas não existem mais nem os dormentes, a pessoa tem que passar apenas por cima dos trilhos, sem nenhuma segurança” depois de conversar com o grupo todo, chegamos a conclusão que iriamos ir pelos desvios, pois a alguns riscos que são desnecessários.

Passado quatro horas de trilhas, chegamos no 2° Patamar da Ferrovia Funicular, ali seria a nossa moradia durante aquela noite, imagine um galpão enorme, construído tudo de ferro, até o chão era de ferro, tínhamos que andar atentamente, tanto durante o dia quanto durante a noite, pois ali o chão foi construído em blocos, e falta alguns deles, então sempre andávamos atentos, para assim não sofrer nenhum arranhão. Para pegar água por exemplo, caminhávamos até um pequeno córrego que havia ao lado do Patamar, água cristalina, livre de poluição.

No dia seguinte acordamos, arrumamos todos os equipamentos nas cargueiras e voltamos a trilha, neste segundo dia o ponto culminante foi a chegar a Ponte Mãe, está é o lugar mais difícil e perigoso de toda a travessia, na parte de cima onde começa a ponte, a mata já encobriu boa parte de sua estrutura metálica, até é possível passar por cima dela, mas não recomenda-se, pois sua estrutura está totalmente comprometida, pensando sobre isso resolvemos ir pelo desvio, este cruza por baixo da Ponte Mãe.

O guia chegou a comentar que é possível caminhar sobre a ponte, mas um de cada vez, conforme você vai dando os pequenos passos sobre os trilhos e dormentes deteriorados, os pedaços da ponte vão caindo, então ainda bem que fomos pelo desvio. “É bom permanecer vivo”.

Após cruzar os obstáculos da ponte Mãe era hora de encarar o Túnel Pai, o maior túnel desse complexo ferroviário, o local é muito úmido, possui inúmeros morcegos, ali foi o lugar onde avistamos a única cobra do trajeto, um filhote de cobra Canina, com cerca de 50 cm que estava em meio a alguns dormentes ali amontoados.

Depois de passar o Túnel Pai a uma outra ponte com a estrutura muito comprometida e o último túnel da Ferrovia Funicular. Certo que desviamos essa também, depois disso chegamos a última ponte do trecho, está já está desmoronada, o desvio é feito pelo lado de cima, passando em meio a uma cachoeira muito perigosa, com pedras lisas.

Assista o vídeo dos melhores momentos da Travessia Funicular:

Depois de cruzar a cachoeira a trilha começa a ficar mais retilínea, a altitude vai baixando e vemos no horizonte que estamos cada vez mais perto da cidade de Cubatão/SP, no fim do trecho passamos por enorme duto de água, este representa de fato as últimas construções do sistema Funicular, depois dali, seguimos em direção a casa da Tia Nésia, último ponto antes do pátio de manobras da empresa MSR Logística, atual proprietária do sistema de cremalheira usado até hoje para transportar cargas entre as cidades de Paranapiacaba e Cubatão/SP.

A casa da Tia Nésia é um lugar muito acolhedor, ali foi possível conhecer outros aventureiros, que vinham para começar a fazer a Travessia Funicular no sentido Cubatão a Paranapiacaba/SP.

Veja o mapa dessa travessia:

 

O melhor trekking do sul do Brasil

O melhor trekking do sul do Brasil

Tudo começou com o convite do amigo Evandro Clunc, guia e proprietário da empresa Sol de Indiada, fazer a travessia nas bordas dos Cânions no estado de Santa Catarina/SC – Brasil, uma travessia de sessenta quilômetros de trekking, passando pelo Campo dos Padres e o Cânion Espraiado, na cidade de Urubici/SC .

A viagem teve inicio no dia 26 de Maio de 2016, saímos da cidade de Caxias do Sul/RS com destino a cidade de Urubici/SC, cerca de 6 horas de viagem, depois de algumas paradas sofremos um contra-tempo e ficamos parados por cerca de 2 horas na cidade de Lages/SC, pois o frentista do posto completou de gasolina um tanque de combustível diesel, assim atrasando o começo da travessia. Depois de muita espera continuamos a viagem sem mais percalços, chegando no Refúgio Canoas as 9:00 horas da manhã do dia 26 de Maio.

O começo do trekking:

Depois de descarregar os carros, deixamos as mochilas com a maior parte dos equipamentos no refúgio, isso seria despachado até o Campo dos Padres via veiculo 4×4. Nós por outro lado, estávamos com nossas mochilas de ataque prontas para encarar os primeiros 13 km de estrada até o cume do Campo dos Padres. A temperatura e o clima nessa manhã meia nebulosa era relativamente agradável, continha pouco vento e pouca umidade no ar, fazendo um dia perfeito para caminhar.

A primeira parte desse trajeto é incrivelmente linda, não há subidas nem descidas, é como passear em um parque, sem grandes desafios, difícil de acreditar que nesse primeiro dia de trekking iriamos caminhar cerca de 13 km sendo que a altimetria mostrava grande aclive. Para se ter uma ideia, o refúgio Canoas se encontra cerca de 900 metros de altitude em relação ao nível do mar, já o ponto final do trekking seria no Magic Contêiner a cerca de  1.700 metros de altitude aproximadamente.

O melhor trekking do sul do Brasil

De fato, a subida é íngreme e estafante, quando começamos a subir, tinha a sensação de que fosse alguns pequenos morros, mas me enganei terrivelmente, a primeira parte da subida é um conjuntura de curvas fechadas, tão íngremes que ainda bem que eu não estava com minha mochila cargueira, pois acho que cairia para trás, conforme ia subindo a subida parecia que aumentava ainda mais.

Depois de passar por um zigue-zague de curvas íngremes, a estrada continuava para cima, mas de certa forma não tão íngreme, eram pequenos planaltos verdes com algumas araucárias espalhadas, estes campos verdes  pastagens rasas, contrastavam diretamente com o céu nublado, ao chegar nesses planaltos já era meio dia, estava na hora de parar e curtir o almoço.

Meu almoço não foi lá grande coisa, algumas barras de cereais, amendoins e algumas bolachas, era apenas um lanche, levei comigo duas garrafas de água com 600 ml cada para este primeiro percurso, nessa altura estava quase na metade da segunda garrafa, e estávamos praticamente na metade do caminho.

Ficamos ali parados por cerca de 30 min, esse tempo serviu para lancharmos e relaxarmos um pouco olhando as belas paisagens no horizonte.

Os morros possuem relevos curvados, podíamos enxergar várias camadas deles, parecia que estavam um em cima do outro, de certa forma isso parecia muito com uma miragem, fiquei intrigado,  parado  e abismado com essa enorme beleza, estar ali naquele momento, era como estar vivendo um sonho. Este sonho que todos temos dentro de nós, poder caminhar em lugares totalmente inóspitos, quase sem interrupções do homem, estar completamente ali na natureza selvagem.

O melhor trekking do sul do Brasil

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Ao avistar ao longe o Magic Contêiner a felicidade tomou conta de mim, pois isso significava que tinha completado a tarefa do primeiro dia. O passo seguinte era descansar um pouco e depois organizar os equipamentos, montar a barraca e curtir a roda de novos amigos.

Depois de montar a barraca, organizar todos os equipamentos dentro da mochila, subi em um planalto acima  do contêiner para tirar algumas fotografias, ali sentei em uma pedra e estava bastante exausto, agradeci por estar vivo, estar ali naquele lugar fantástico, tirei inúmeras fotos. Notei que lá embaixo junto aos cânions começava a se formar uma grande camada de nuvens e neblina, mais conhecido como fenômeno viração, este fenômeno é uma grande massa de neblina densa, capaz de diminuir a visão em poucos metros. Em regiões muito altas essa viração pode ser bem perigosa, pois perdemos toda a nossa referencia sobre o lugar que estamos, é fácil se perder. Nisso fiquei ali um pouco admirando aquelas nuvens chegando próximo a nossa área de acampamento, em alguns instantes notei que cochilei ali sentado na pedra, acordei meio estranho, levantei e fui para a barraca.

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2° dia de trekking – Cânion Espraiado:

Na manhã desse segundo dia, acordei as 5 h e 30 min da manhã, quando o celular do amigo Edson começou a tocar uma musica incrivelmente irritante, que fazia a gente pular do saco de dormir e sair da barraca. O som dessa musica fazia a gente acordar meio estressado, mas logo isso passava, saímos da barraca louco de vontade de enticar com o Edson sobre o toque, ao sair da barraca nos deparávamos com o próprio Edson, dando bom dia e pedindo um abraço. Aí a vontade de xingar ele ia embora! kkkkk

Olhei para o horizonte e vi boa parte da imensidão de cânions, podia ver até o Morro da Igreja com 1.822 metros, um dos pontos mais alto do sul do Brasil, o dia estava maravilhoso, um pouco frio, mas sem muita umidade, dava a impressão que seria um dia incrível.

O melhor trekking do sul do Brasil

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Começamos a trilha rumo ao sul, descendo por dentro de uma mata nebular, até chegar quase na beirada dos cânions, nessa trilha passamos por xaxins incrivelmente gigantescos, que mediam mais de 5 metros de altura.

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Já nas bordas dos cânions a vista que tínhamos era algo indescritível, parecia que estávamos no céu, andado sob as nuvens, dava para sentir na pele a euforia de todo o grupo vendo toda aquela paisagem.

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Caminhamos por todas as bordas até o Cânion do Espraiado, a cada parte do Cânion a vista era ainda mais fascinante, ao meio dia paramos para almoçar no ponto mais alto do Cânion do Espraiado, o caminho até chegar a Ponta do Canhão como é chamado o lugar é estreito e vertiginoso, naquele momento agradeci por estar em meio a uma grande camada de neblina densa, pois não conseguia ver muito ao redor do caminho que trilhava, no cume desse Cânion a vista era de tirar o fôlego, naquele momento não sabia se almoçava, se tirava fotos, se ficava apenas contemplando aquela grande obra da natureza.

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Ficamos ali por cerca de 40 minutos ou um pouco mais, almocei alimentos altamente calóricos, pois sabíamos que teríamos que subir novamente até o Magic Contêiner.

Enquanto caminhávamos, subindo e descendo os planaltos, atravessando pequenos riachos, sentimos um cheio de churrasco, foi estranho, pois até então não tinha avistado nenhuma outra pessoas além das que estavam comigo, depois de subir uma leve subida, encontramos campistas, fazendo churrasco bem perto das bordas do Cânion Espraiado, dali tínhamos a vista  de algumas torres de pedras, construídas pela própria natureza, também havia uma linda cachoeira onde caia suavemente  água totalmente cristalina.

Ficamos ali parados, conversando com este grupo de campistas, o guia trocava informações sobre as trilhas que percorremos durante esse dia, aí um dos campista sugeriu que voltássemos até o Magic Contêiner através de uma trilha bem pouco explorada, uma subida relativamente exaustiva, mas no entanto, mais curta do que aquela que iriamos fazer conforme o cronograma.

O melhor trekking do sul do Brasil

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Depois de entender as dicas dos campistas, tiramos uma foto todos juntos e seguimos trilhando os caminhos junto ao Cânion do Espraiado até encontrar a trilha que ia nos levar até o Magic Contêiner.

Chegar ao Magic Contêiner , depois de um dia intenso de trekking, era bom sentar, parar relaxar, enquanto fazia isso, aproveitando o calor gerado pela subida do morro, fui a barraca tomei um banho com lenços umedecidos, troquei de roupa e ficamos ali todos dentro do contêiner conversando, rindo e comendo algumas guloseimas.

A temperatura ia caindo do lado de fora do contêiner e a neblina ia escondendo toda a paisagem.

No horário do pôr do sol, as nuvens que tapavam o brilho do sol, foram abrindo devagar, consegui por alguns minutos presenciar o primeiro pôr do sol desde que tinha chegado ali a dois dias.

Aquele momento foi mágico ao menos para mim, pois parecia que a natureza estava nos presenteado com sua maravilhosa beleza, encarei aquilo como um presente, depois de um dia de muitos quilômetros e desafios cumpridos.

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Logo que entrei no contêiner o Jeferson, o cozinheiro oficial da aventura preparava o jantar, strogonoff de carne com creme de leite, só de olhar ele fazendo toda aquela comida já dava água na boca. Me sentei em um dos bancos de madeira envolta da mesa de centro e comecei a pensar e refletir.

“As vezes eu não intendo o porque a maioria das pessoas que conheço, preferem ficar em suas casas, aliadas a suas zonas de conforto, suas televisões e computadores, vivendo a vida dos outros. Ao invés de sair e contemplar um lugar como esse. Estava ali eu e um grupo de 14 pessoas em cima de um planalto gelado, sem acesso a internet ou telefone, a coisa mais perto que chegamos de uma rede social, era todos nós sentados ao redor de uma mesa esperando a janta ficar pronta.”

Depois do jantar maravilhoso, ficamos ali conversando um pouco e logo nos recolhemos, nos desejamos boa noite e cada um foi para a sua barraca.

3° dia- O dia dos corajosos:

Levantamos no horário previsto às 6 horas da manhã, novamente com aquele despertador insuportável, saímos das barracas, quando chegava no contêiner, estava o Jeferson preparando o café da manhã e o Edson querendo te abraçar dizendo bom dia, não tem como não começar o dia feliz da vida.

Após o café o guia Evandro reuniu todos e disse que o tempo estava ruim, que pela densa camada de nuvens iriamos fazer a caminhada sem poder ver nada ao nosso redor, aí botou em votação quem gostaria de ir, e quem gostaria de ficar.

A maioria levantou a mão e eu também, afinal o que eu iria fazer se ficasse no contêiner, iria ser sem graça ficar ali, e ainda sem nada para fazer.

Das 14 pessoas que tinham no grupo apenas  9 pessoas junto com o guia, resolveram fazer as trilhas indiferente da situação climática, estávamos ali para explorar, enfrentar os desafios que viesse com alegria e determinação.

Boa parte do percurso foi de tempo fechado, víamos pouco mais de 15 metros a nossa frente apenas, logo que chegamos em uma das bornas a natureza nos presenteou novamente, nos deu uns 5 ou 10 minutos de abertura, comemoramos, tiramos fotografias e rimos muito.

O melhor trekking do sul do Brasil

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Na volta resolvemos que iriamos fazer sapeco de pinhão, pois onde passávamos haviam muitas araucárias, então uma parte do grupo colheu os pinhões que estavam no chão e outros pegavam as grimpas (galhos das araucárias).

Depois de algumas horas caminhando naquela densa neblina avistamos novamente o Magic Contêiner, abrimos um grande sorriso no rosto, chegando lá os ostros participantes não acreditaram no que viam, um bando de aventureiros carregando inúmeros pedaços de galhos e grimpas.

Logo achamos umas pedras e alguns tijolos e começamos a preparar a fogueira, quando o fogo estava intenso, largamos os pinhões nas brasas e apenas esperamos, após um tempo já começamos a apagar a fogueira, retirando os pinhões e comendo-os, pensa em algo bom!

O melhor trekking do sul do Brasil

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Estávamos tão animados com o nosso dia que resolvemos comemorar, alguns participantes levaram vinhos e alguns chocolates, nos reunimos em volta da mesa dentro do contêiner e ficamos ali rindo sobre as coisas que enfrentamos durante o dia, contado piadas, apreciando o vinho e os chocolates. Enquanto isso o Jéferson já preparava o jantar.

O melhor trekking do sul do Brasil

Depois de todos nós jantarmos, fizemos uma pequena festinha, colocamos umas musicas tocar no 4×4 e ficamos ali dançando por umas 2 horas, depois de muito rir e dançar todos deram boa noite e fomos dormir.

4° dia – O retorno:

O quarto dia amanheceu nublado novamente, acordei e fui para ao contêiner tomar o café da manhã, depois comecei a organizar meus equipamentos, desmontei a barraca. Em cerca de 40 minutos já estávamos todos prontos para fazer a caminhada de retorno até o Refúgio Canoas.

O percurso seria o mesmo que fizemos no primeiro dia, só que dessa vez era diferente, estávamos nos despedindo desse lugar fantástico e também era descida o que dava uma boa dose de motivação.

Descemos rápido, depois de quatro horas caminhando interruptamente chegamos ao Refúgio Canoas, carregamos os carros e começamos a nossa viagem de retorno até a serra gaúcha.

Durante o retorno eu era o motorista da rodada, enquanto meus parceiros de viagem dormiam profundamente no carro eu ficava pensando sobre os 3 dias que passei me aventurando na região do Campo dos Padres e nas Bordas do Cânion Espraiado.

Acredito sem dúvida que este foi um dos trekkings mais incríveis que fiz na região sul do Brasil, um lugar incrivelmente lindo, majestoso e único. Recomendo a todos os trilheiros apaixonados pela natureza a fazer esse percurso.

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