Trip Montanha – Sul do Brasil

O Trip Montanha nasceu em 2011, quando o fundador, Cristian Stassun, iniciou uma rede de contatos no Facebook com o objetivo de desbravar Santa Catarina. Segundo ele, o grupo cresceu e muitos interessados em trilhar Santa Catarina eram de fora do estado. Criou-se uma rede muito forte, maior do que as associações e federações do estado, agregando pessoas e destinos do Rio Grande do Sul e do Paraná.

Trip Montanha - Sul do Brasil
Foto: Cristian Stassun
Trip Montanha - Sul do Brasil
Foto: Cristian Stassun

Esse grande grupo chamado Trip Montanha reúne os melhores homens e mulheres das atividades de trekking, hiking, bike, corrida, escalada, canoagem, espeleologia, canionismo e guias de turismo de aventura,  juntos descobrem técnicas, segredos de lugares, promoções de produtos, convites de eventos, novidades em tecnologia de fotografia e montanhismo e, principalmente, fortalecem a amizade entre essa galera toda.

Tenho a honra e o privilégio de fazer parte desse grupo de mais de 700 membros, com grandes feras, alguns engajados inclusive na diretoria das principais entidades de montanhismo do Sul do Brasil: FEMESC, ACEM, AJM, ASGEM e CPM.

Trip Montanha - Sul do Brasil
2° Encontrão Trip Montanha – Alfredo Wagner/SC – Foto: Luís H. Fritsch

O Encontrão Trip Montanha acontece todos os anos e reúne os membros do maior grupo de montanhistas do Sul do Brasil para trocar experiências, compartilhar o amor pela montanha, pelos trekkings e pelos esportes de aventura. São dois dias com atividades, palestras, cursos, acampamento, música ao vivo, boa comida e muita amizade.

 

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Realizado esse ano no Cânion Espraiado – Urubici/SC, contou com atividades de rapel com Carlos Eduardo Madona, o Kadu, grande fera do canionismo, da empresa EcoXperiences na incrível Cachoeira do Adão com 90 metros de altura, trilhas pelos cânions, cavalgada, pêndulo com a Natural Extremo  e quadriciclos do Rancho Montanha Urubici. Esse ano o Trekking RS esteve presente no evento, comigo, com o Luis H. Fritsch e o Marcio Masso. Foi simplesmente sensacional!

Os quadriciclos garantiram ainda mais diversão no Encontrão 2018

Trip Montanha - Sul do Brasil

O salto no pêndulo de maior altitude do Brasil, foi realizado pela primeira vez pela empresa Natural Extremo durante o Terceiro Encontrão Trip Montanha realizado nos dias 7 e 8 de julho desse ano.

Veja o vídeo do rapel na Cachoeira do Adão 

O Encontrão Trip Montanha já tem inclusive local e data para a sua 4.ª edição. Será nos dias 6 e 7 de julho de 2019, nos cânions Boa Vista e Amola Faca em São José dos Ausentes, no Rio Grande do Sul.

Trip Montanha - Sul do Brasil
Cânion Boa Vista/RS – Foto: Luís H. Fritsch

Parque Estadual do Marumbi/PR

O Parque Estadual do Marumbi é um complexo de montanhas localizadas na Serra do Mar no estado do Paraná, região sul do Brasil.

A minha aventura começou no dia 31 de Agosto/2018, na cidade de Caxias do Sul/RS, fui convidado pela empresa de Turismo de Aventuras Sol de Indiada a fazer o que é hoje a trilha mais difícil do Brasil, realizada em um dia.

Saímos da cidade de Caxias do Sul por volta de 2:30 horas da manhã de sexta feira com 3 carros, a primeira parada foi para o café da manhã em Lages/SC, nada melhor que tomar aquele café da manhã especial vendo o sol nascer.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Embarcamos nos carros e seguimos viagem, rumo ao Paraná, descemos a Serra da Graciosa e paramos para almoçar no restaurante Casa da Graciosa na cidade de Quatro Barras/PR. Recomendo muito esse local, simples, aconchegante e muito bom.

Dali em diante seguimos para a Estação Ferroviária Engenheiro Lange, a estrada que leva para a estação é um tanto íngreme, não recomendada para veículos sem tração 4×4, essa estrada também faz parte do final do Caminho de Itupava.

Na estação Lange era hora de tirar as mochilas dos veículos 4×4 e colocar nas costas, seguir por uma trilha demarcada em meio a mata até a Estação Marumbi, a trilha tem aproximadamente 1000 metros de distância, um caminho fácil, mas muito bonito.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Já na estação do Marumbi, deixamos as mochilas cargueiras na administração da estação e seguimos com as mochilas de ataque para explorar o primeiro caminho, a trilha do Rochedinho. Essa trilha é nível fácil, sem grandes obstáculos, mas é necessário atenção de quem a percorre, pois em alguns pontos você passa por algumas cristas de montanha um pouco íngremes e vertiginosas.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Do alto do Morro Rochedinho é possível avistar as estações de trem e boa parte do complexo do Marumbi, a paisagem compensa o esforço da caminhada.

Lembre-se sempre de avisar os funcionários da administração do parque o lugar que você vai e quantas pessoas vão com você, isso é primordial para manter a segurança de todos dentro do Parque Nacional do Marumbi.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch
Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch
Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Depois de tirar algumas fotos no alto do Morro do Rochedinho, descemos por uma outra trilha que dá acesso ao famoso Viaduto do Carvalho (Viaduto que liga os túneis 4 e 5 da ferrovia Paranaguá-Curitiba. Assentado sobre 5 pilares de alvenaria e em curva, sua posição faz parecer que o trem flutua no vazio. É um dos cartões postais mais famosos do estado).

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Dali em diante seguimos pela estrada de ferro até a estação Marumbi, montamos as barracas, jantamos e por volta das 9:00 já estávamos todos acomodados para dormir.

Trilha do Pico Marumbi, considerada a trilha mais difícil do Brasil realizada em um dia!

Acordamos por volta de 5:00 horas da manhã, tomamos aquele café especial sem pressa, arrumamos as mochilas de ataque. Dentro da minha, continha cerca de 5 litros de água, 2 batatas doces, 200 gramas de amendoim, barras de cereais, de vestuário continha uma blusa x-power Solo Polartec e um corta vento Fearless Conquista Montanhismo, também levei 2 maquinas fotográficas para registar a aventura e lanterna de cabeça.

Às 7:00 da manhã demos início a caminhada, lembro de o guia Evandro Clunc falar assim “caminhe como um velho, chegue como um novo” tínhamos que caminhar devagar, mas progressivamente.

A trilha que escolhemos fazer foi a Noroeste (vermelha) para subir e alcançar os seguintes pontos: Abrolhos (1200 metros), Ponta do Tigre (1400 metros), Gigante (1497 metros) e Olimpo (1539 metros de altitude). A descida seria realizada pela trilha Frontal (Branca), veja o mapa abaixo para entender as trilhas:

Parque Estadual do Marumbi/PR

A trilha possui inúmeros trechos de escalaminhada, vias ferrata, cordas e correntes de fixação, além de tudo isso a muita vegetação aos arredores das trilhas, em alguns pontos é necessário agarrar-se nas raízes e arvores para subir ou descer algum obstáculo.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Karine Grison

Chegamos no Abrolhos em cerca de 2:30 horas de duração, uma subida um tanto inclinada, passando por cristas de morros e paredões gigantescos, a visão que se tem lá do alto (1200 metros de altitude) é incrivelmente linda, pode se falar que é recompensadora depois de tantos degraus e esforço físico para se chegar até lá.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch
Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Após alguns minutos retornamos a trilha vermelha com sentido a Ponta do Tigre, nessa parte da subida você passa pelo vale das lágrimas e chega na Catedral (tem este nome em função de um conjunto de pedras gigantescas encaixadas uma nas outras, formando uma especie de gruta enorme e imponente, neste local fizemos uma parada estratégica para repor energias.

Depois de muita subida, combatendo o medo de altura, enfrentando todo o terreno acidentado desse trajeto, chegamos a Ponta do Tigre, local onde escolhemos para almoçar.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Evandro Clunc

Sentado em um gigante bloco de pedra, avistamos o Abrolhos, podíamos ver pessoas no alto daquele morro como se fossem “cabeças de percevejo”, isto nos faz pensar, o quanto somos pequenos diante dessa grandiosidade da natureza chamado Marumbi. Devemos preservar ao máximo lugares como este, para que um dia nossos filhos possam se aventurar por lugares de tirar o fôlego como são estas montanhas paranaenses.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Cerca de 30 minutos depois seguíamos para o Gigante e Olimpo, notei que o caminho entre a Ponta do Tigre e o Olimpo era um pouco menos íngreme, mas o corpo já apresentava sintomas de cansaço. Ao chegar no cume de 1539 metros, fiquei aliviado, estava no alto do Marumbi, metade do percurso estava feito, ficamos ali por cerca de 20 minutos, a neblina era intensa, não avistamos nada além de nós mesmos.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Era hora de continuar, agora seria o trajeto todo de descida, aí você se pergunta! “Agora ficou fácil, na descida todo o santo ajuda”. Digo a vocês, descer trilhas é muito mais difícil que subir, pois na descida todo o seu peso + mochila com carga está apoiada em suas pernas, joelhos e pés, é preciso tomar muito cuidado ao transpassar obstáculos, sejam eles de via ferrata, degraus ou pedras lisas, pois é muito fácil ocorrer lesões, descemos tranquilamente pela trilha Frontal (Branca).

O caminho de volta é bem mais curto do que o da ida, mas é mais íngreme, é necessário muito cuidado nas vias ferrata, desci devagar, olhando em cada lugar onde afirmar os pés, mãos e combatendo constantemente o meu medo de altura.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Evandro Clunc

Essa aventura não deve ser realizada por pessoas sem preparo físico, não é indicada para pessoas com problemas de articulações ou sobrepeso. Para aqueles que querem se desafiar e combater seus medos essa é a trilha perfeita para você testar seus limites físicos e psicológicos.

Chegamos no acampamento por volta de 18:30 minutos, foram cerca de 6:30 minutos subindo e 5:00 descendo, isso em 11, 42 quilômetros, posso dizer com todas as convicções que essa trilha pode ser considerada a mais difícil do Brasil realizada em um dia.

Desbravando o Complexo Marumbi/PR


Caso você tenha interesse em fazer essa aventura com a gente, inscreva-se na edição 2019!

Pico Paraná

O Pico Paraná, localizado no município de Antonina, pertencente ao conjunto de serra chamado Ibitiraquire, que na língua tupi significa “serra verde”. Imponente e desafiador, destaca-se do alto dos seus 1.877 metros de altura, como a montanha mais alta da Região Sul do Brasil. É assim, um convite irresistível à aventura para todos que curtem montanhismo.

trekking Pico Paraná
O gigante

Já fazia um bom tempo em que o PP (Pico Paraná) era mencionado nas conversar casuais da trupe, como uma trilha indispensável para o nosso álbum de recordações, sendo que ao menos duas vezes no ano passado, tentamos organizar a missão e em ambas, as previsões climáticas fazia com que fossemos obrigados a cancelar a missão quase encima da hora.

Só agora, em 2018, após uma conversa com meus  brothers de perrengues, Bruno e Filipe, decidimos novamente escolher uma data para subir o Pico Paraná.  Com o cuidado de não pegar um final de semana,  nosso plano era ter a trilha o mais vazia de gente possível, para assim termos uma experiência mais intensa com a montanha. Foi então que Filipe comentou que no dia 23 de março, uma sexta-feira, seria feriado por conta do aniversário de Floripa. De pronto batemos o martelo e definimos que nossa investida ao Pico Paraná iniciaria na sexta-feira, dia 23 e terminaria no sábado, dia 24, evitando assim, o movimento intenso que é normal na trilha durante os finais de semana.  Plano perfeito!  Bastava apenas monitorar o clima na montanha para termos o sinal verde.

Quinta-feira, dia 22, previsão de tempo firme para a sexta e alguma chuva fraca no fim de tarde de sábado, era este o nosso sinal verde. Tratei de jogar os equipamentos todos na cargueira e com uma carona providencial de uma amiga, rumei para pernoitar na casa do Filipe em Floripa, de onde, às 05 h 30 min da madruga,  a trupe pegaria estrada rumo ao Pico Paraná, distante aproximadamente 350 km para serem percorridos em pouco mais de 4 horas de viagem.

Primeiro dia:

Conforme programado, antes do sol nascer, já estávamos na estrada, levando café na térmica para evitar o sono e também aquelas paradas desnecessárias que sempre consomem tempo, pois todos estavam cientes que precisávamos estar no cume ou perto dele antes do sol ir embora.  Com muita conversa e risadas, quase nem vimos o tempo passar e com tranquilidade, antes das 10 h da manhã, já nos encontrávamos dentro da Fazenda Pico Paraná, ponto zero de nossa pequena aventura.

A previsão de tempo para completar a trilha até o acampamento A2, carregando cargueiras, fica por volta de 6 horas de pernada morro acima, e para chegar ao cume é necessário mais uma hora.

A trilha, já de inicio, começa numa subida boa para aquecer as panturrilhas, o que dava uma pista que ali não era o “Beto Carrero”… kkk No começo, o que se vê é uma trilha normal, bem aberta e sem obstáculos, mas na medida em que fomos subindo, aos poucos começam a aparecer degraus de pedras e raízes de tamanhos variados. Gradativamente os obstáculos se multiplicam e se tornam cada vez maiores. Uma diversão para quem está bem preparado e, obviamente, um perrengue para quem não está.  Já fizeram le parkour com uma cargueira nas costas?

trekking Pico Paraná
Trecho de trilha fechada.

A trilha segue sempre bem marcada e com bastante sinalização de fitas brancas, com pouquíssimos pontos que exijam maior atenção ä navegação. De qualquer maneira, é sempre recomendável ir com alguém que tenha experiência e/ou conheça bem a região.

Água não é um problema, com um bom estudo de relatos da trilha, e uma programação simples, chega-se ao topo sem a preocupação de ficar com o bico seco.

Nosso plano inicial era subir direto, alcançar o cume e acampar por lá se o tempo estivesse firme e antes do escurecer. No entanto, a turma sentiu o desgaste causado pela noite de sono curta, as horas de estrada, e somado a estas coisas, a subida forte… Após os paredões que possuem grampos e cordas, já bem próximos do acampamento A2, Filipe começou a sentir câimbras fortes nas pernas. Com isso, diminuímos um pouco o ritmo e ao chegamos no A2, Filipe, já bem cansando e sentindo  câimbras, informou que ali era o fim da linha para ele neste primeiro dia. Numa conversa rápida, definimos montar o acampamento ali mesmo, no esquema “ninguém fica para trás”. Ainda durante a conversa, eu e Bruno, inicialmente, estávamos decididos a continuar a trilha num ataque até o cume, pois eram apenas 17 horas, aproximadamente, e o sol só iria embora lá pelas 18h20min. Daria tempo de subir, assistir ao pôr do sol e descer no escuro até o acampamento. Mas se assim fosse, o Filipe ficaria de fora, então mudamos o plano e decidimos acordar na madrugada do dia seguinte e fazer o ataque ao cume ainda no escuro para pegar o sol nascendo lá no alto.

Colocamos em prática o nosso plano B. Com tranquilidade tratamos de escolher um lugar bom para montar o acampamento, e enquanto a turma armava as barracas, fui buscar água para preparamos o jantar, na única e última nascente, que fica numa pequena trilha de uns 80 metros (bem chatinha), ao lado das ruínas da casa de pedra.

trekking Pico Paraná
Acampamento A2

O clima estava perfeito, embora abaixo de nós, o que se via era um enorme mar de nuvens cobrindo tudo, deixando visíveis, apenas os demais picos próximos. Nada de vento.

Fizemos nosso jantar, jogamos conversa fora, e sem muita enrolação, nos entocamos dentro das barracas para descansar os esqueletos castigados pela subida e colocar o sono em dia.

Durante a madrugada, que não foi fria, lembro que acordei com duas pancadas leves de chuva, que me fizeram lembra que a previsão para o dia seguinte era de chuva na tarde… Fiquei um pouco preocupado com a possibilidade de o clima estar mudando antes das previsões, mas não perdi o sono não… Kkkk Voltei dormir rapidinho.

Dados do primeiro dia:

Distância percorrida: 7,6 kms

Tempo na trilha: 7 horas

Acúmulo de subida: 1011m

Acúmulo de descida: 348m

Altimetria Pico Paraná

 

Segundo dia:

Cinco e meia da madrugada, toca o despertador e de pronto, tratei de me mexer. Abri a porta da barraca para dar uma olhada no céu e vi estrelas. Era um bom sinal, depois da chuva que rolou durante a noite.

Chamei a turma e apenas o Bruno se prontificou em fazer o ataque até o pico. Vesti meu anorak, bebi um pouco de água, coloquei uma maçã na boca, a headlamp na cabeça e, junto com o Bruno, começamos a trilha. Ainda que visualmente, o pico estivesse bem próximo, leva por volta de uma hora para alcançar o cume. Com a primeira claridade no horizonte rompendo a escuridão da madrugada, tocamos morro acima.  A trilha estava bem molhada, e como o trecho inicial é repleto de mato alto, inevitavelmente acabamos tão molhados que parecia que tínhamos tomado uma chuva na tampa… kkk

trekking Pico Paraná

trekking Pico Paraná

Após uma hora de subida com vários obstáculos, e também como não poderiam faltar, algumas escalaminhadas, o sol nos dava boas-vindas no cume do Pico Paraná. Olhando em 360 graus, não havia nada acima de nós além do sol e o céu azul. Abaixo, os picos próximos se destacavam parcialmente dentro de um mar branco de nuvens baixas. Nosso acampamento, um tanto distante, era apenas um pequeno ponto cor de laranja no meio do verde, bem abaixo de onde nos encontrávamos. Um visual alucinante!

trekking Pico Paraná
No ponto mais alto do sul do Brasil: Pico Paraná.

trekking Pico Paraná

Depois de curtir aquele momento mágico e registrar a passagem da trupe no livro de cume, começamos a descida até o acampamento para tomar café e desmontar o circo.

Não demorou muito e os primeiros trilheiros, passarem por nosso acampamento, munidos apenas de mochila de ataque, rumo ao cume.

Quando chegamos ao acampamento, Filipe nos aguardava com um fabuloso café da manhã… #sqn Diante desta falta lamentável, tratamos de fazer o café da manhã reforçado para recarregar as calorias, e assim, de barriguinha cheia, começar a longa descida até a Fazenda Pico Paraná.

Assim que terminamos de desmontar o acampamento e carregar as cargueiras, lembrei do momento em que, ainda em casa, deixei meu par de bastões de caminhada, por preguiça e crendo não serem necessários… Ainda bem que arrependimento não mata. Não é verdade?

Trekking Pico Paraná
Trupe Suricatos Hiperativos

Divagações e murmurações à parte, começamos nossa descida pouco depois das 10 horas da manhã, com sol e temperatura amena. Sem pressa, para poder aproveitar o visual e também tendo o cuidado que certos trechos da descida, seguíamos bem, anda que a descida, a meu ver, é sempre mais difícil que a subida.

Depois que descemos os dois lances de paredões com vias ferratas, começaram a aparecer grupos de trilheiros com suas cargueiras rumo ao alto da montanha.  Enquanto cruzávamos com a turma em sentido contrário, comentei com Bruno e Filipe, o quanto fomos felizes em ter feito a escolha da data da forma como se deu. Afinal, tudo indicava que o A2 e possivelmente o cume, ficariam lotados de barracas naquela noite de sábado. Certamente mais de vinte pessoas, em grupos diferentes.

A descida seguia tranquila e devagar no eterno superar de subir e descer pedras, raízes e troncos, até que num dos pontos de água, num pequeno córrego que cruza a trilha, algo aconteceu…

Como cheguei na frente da turma ao ponto de água, sentei num tronco com o córrego bem aos meus pés, para assim descansar um pouco, beber água tranquilamente e curtir a vibe daquele lugar bonito. Eu nem tinha terminado de tomar a primeira caneca de água, quando Filipe, se aproximou de mim para pegar água e arrumar um lugar para sentar, escorrega na laje molhada e caindo sem controle, bate forte com um dos braços na minha cabeça. Nada demais, uma pancada apenas, não fosse pelo fato de eu estar com os óculos na cabeça. A pancada forte fez com que a armação dos óculos fizesse um corte razoável em minha “linda careca” e rolasse uma sangueira no mesmo instante.  Uma pequena correria para avaliar o tamanho do corte e fazer um curativo para proteger o ferimento e tudo voltava a normalidade do que estava acontecendo até então. São bons esses óculos da Julbo não quebram e se precisar improvisar um canivete, pode contar com eles… kkk

Trekking Pico Paraná
Acidentes acontecem.

Após andar mais uma hora e pouco, a trilha começou a abrir, mostrando que já estávamos próximo do fim. Com sol forte na tampa, já cansados da descida de cinco horas, o trecho final parecia infinito, mas logo apareceu no visual a Fazenda e nos reanimamos para descer mais rápido.

Ao chegar à fazenda, tratamos rapidamente de tirar as botas e meias, e ficar descalços naquele gramado impecável.

Alguns rápidos minutos de relax na grama, organizamos a fila do banho e encomendamos alguns pastéis, que por sinal são muito bons, para fazer uma rápida confraternização, dar algumas risadas das coisas que aconteceram e por fim, pegar a estrada de volta para casa.

Trekking Pico Paraná
“A felicidade só é real quando compartilhada” by Alex Supertramp.

Dados do segundo dia:

Tempo na trilha (ataque cume): 1 hora, 12 minutos

Acúmulo de subida: 269 m

Acúmulo de descida: 25 m

Tempo total (ataque cume e descida até Fazenda PP): 9 horas, 44 minutos

Distância total percorrida: 8,9 kms

Acúmulo de subida: 599m

Acúmulo de descida: 1253m

Altimetria Pico Paraná

Dicas e recomendações:

– Fazenda Pico Paraná:

Gostamos e recomendamos, apesar de ter apenas um banheiro, o lugar é bastante bonito, bem cuidado e seguro para deixar o carro.

A dica aqui é deixar uma muda de roupa limpa, toalha e demais equipos de banho no carro, para na volta da montanha, resolver a questão da higiene pessoal e voltar para casa bonitos e cheirosos. 😉

A fazenda possui uma pequena cantina que serve deliciosos pasteis com refri e cerveja bem gelada.

Custo da entrada na fazenda em março de 2018: R$10,00

Mais informações: acesse aqui.

– Levar bastões de caminhada! Kkkk

– Faça uma boa previsão do tempo antes de subir para o PP, pois se pegar chuva lá no alto, a descida pode se tornar bastante perigosa.

O pôr do sol visto do Pico Paraná

Morretes/PR, cidade no litoral Paranaense

Morretes/PR, cidade no litoral Paranaense

Algumas das estradas mais bonitas do país são as que levam a Morretes/PR, cidadezinha do litoral Paranaense famosa pelas construções históricas e pelo Barreado, um prato típico regional. Partindo de Curitiba, pode-se ir de carro ou de trem. A primeira opção é via Estrada da Graciosa – e o nome já diz tudo!
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São 33 quilômetros de curvas, paralelepípedos e paisagens panorâmicas que descortinam encostas floridas, mata Atlântica, picos e cachoeiras. De tão encantadora, a estrada inaugurada em 1873 é pontilhada por mirantes para que os viajantes possam apreciar o visual e tirar fotografias. Vale aproveitar as paradas também para comprar deliciosas balas de banana, além de cachaça e mel.
18-04-07- Quatro Barras - Vistas da PR 410 conhecida como Estrada da Graciosa terá o trafego de ônibus de turismo proibido.
Vistas da PR 410 conhecida como Estrada da Graciosa
Quem optar pelo trem faz uma belíssima viagem de três horas. São 110 quilômetros em meio à serra do Mar, cortando a mata Atlântica e passando por 13 túneis e pontes. Inaugurada em 1890, a estrada de ferro é uma das mais antigas em funcionamento no país. Os passeios acontecem nos finais de semana e há três classes de vagões: econômico, turístico (guia e lanche) e litorina (guia, lanche e luxo). Leia mais…
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trem
Uma vez em Morretes, conheça os muitos atrativos da cidade fundada pelos jesuítas em 1733, às margens da baía de Paranaguá. No centro, os destaques são as construções históricas bem-preservadas e que hoje abrigam museus e espaços culturais. Já nos arredores, a natureza oferece uma gama de atividades radicais, como as caminhadas pela serra do Mar que levam aos saltos dos Macacos e da Fortuna; os trekkings no Parque Estadual do Marumbi; e o bóia-cross pelas águas geladas do rio Nhundiaquara.
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Morretes/PR – Brasil
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Hotel e Restaurante Nhundiaquara – Morretes/PR – Brasil
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Morretes/PR – Brasil
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Morretes/PR – Brasil
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Rio Nhundiaquara – Morretes/PR – Brasil
Para repor as energias, experimente o Barreado. A iguaria é preparada em panela de barro e feita com pedaços de carne e farinha de mandioca. O cozimento dura entre três e 12 horas e o prato, de dar água na boca, é servido acompanhado por banana da terra e laranja.
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Barreado – Prato típico da região

Viajando de trem pela Serra do Mar – Paraná/PR – Brasil

O passeio de trem entre Curitiba, Morretes e Paranaguá (vai até Paranaguá aos domingos) é para quem busca um passeio de ecoturismo e de aventura, próximo da natureza e com paisagens de tirar o fôlego. Antes de Morretes, o trem faz uma parada na estação do Parque Estadual do Marumbi, onde é possível acampar. Para isso, é necessário preencher um formulário de visitação na administração do Parque que fica na estação. Formulário que tem como objetivo controlar a quantidade de visitantes e a segurança dos mesmos. Para mais informações, ligue no telefone comunitário que fica na administração (41) 3432-2072). A opção de Camping fica situada na parte baixa ao lado da administração.

História:

A Ferrovia Curitiba Paranaguá começou a ser construída em 1880. Mesmo sendo considerada por muitos engenheiros da época de ser impossível de ser construída, foi concluída e 1885. Devidos aos desafios da sua construção, desafios em grande parte por seu trajeto sinuoso pela Serra do Mar, esta ferrovia é considerada uma obra de arte. Com 110 km de extensão que passam pela área mais preservada da Mata Atlântica,com mais de 13 túneis, 30 pontes e vários viadutos. Diariamente há trens partindo de Curitiba para Morretes e, aos domingos vai até Paranaguá. A viagem dura aproximadamente 3 horas na ferrovia de 127 anos de história.

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Túnel Roça Nova – PR
Túnel do Diabo – PR
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Cachoeira Véu de Noiva – PR
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Santuário do Cadeado – PR
A Cervejaria Badebrown de Curitiba Pr, promovel uma passeio diferente Beer Train a onde os convidados foram levados para fazer um passeio de trem saindo de Curitiba a cidade histórica de Morretes no litoral paranaense, uma viagem de 110 Km pela mata atântica na famosa estrada de ferro de 125 anos. Durante o percurso os cervejeiros poderam apreciar varios tipos de cerveja. Curitiba 16/02/2013.//Na foto paisagem vista do trem.//foto Denis Ferreira Netto.
Ponte São João – PR – Foto: Denis Ferreira Netto.
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Viaduto Carvalho – PR

Morretes:

Fundada em 1721 Morretes fica na Serra do Mar Paranaense, entre Curitiba e o litoral. Tem um clima agradável e variadas opções para ecoturismo devido a sua localização privilegiada. Atrações gastronômicas é outro ponto forte desta pequena e antiga cidade de construções históricas que atraem centenas de turistas de todo Brasil. Descer a serra e passar o domingo em Morretes já é uma opção natural dos curitibanos nos finais de semana.
O que tem: Culinária Típica, Estrada da Graciosa, Trilhas da Serra do Mar, Centro Histórico, Parque Marumbi, Porto de Cima, Rio Nhundiaquara.
Eventos mais conhecidos : Festa da Cachaça, Passeio Ciclístico, Festa Feira Agrícola e Artesanal, Festival de Inverno, Festa do Barreado.

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Vista da Linha Férrea – PR
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Estação Morumbi – PR
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Vista da Linha Férrea – PR

Paranaguá:

Paranaguá, como Morretes e Antonina também é uma cidade histórica do litoral do Paraná. A cidade foi fundada em 1648 e mantém grande parte de suas construções históricas. A construção da ferrovia ligando Curitiba à Paranaguá deu grande impulso ao desenvolvimento da cidade e hoje, o porto de Paranaguá e o segundo porto em volume de carga do Brasil.

Para mais informações sobre tarifas, horários, pacotes e convênios: consulte a operadora Serra Verde Express pelo telefone (41) 3888-3488 ou pelo site Serra Verde Express.

Assista o vídeo:

Mapa do trajeto:

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A desafiadora Travessia Bairro Alto x Marco 22 PR, quarto dia

4º DIA: Sexta-feira 22/08/2014.

Acordamos assim que começou a clarear o dia. Tomamos o café e arrumamos as coisas na mochila rapidamente. O fato de ter bivacado ajudou muito na questão da agilidade para guardar o equipamento.

Com pressa, saímos a procura da continuação da trilha, que encontramos a uns 90º de desvio de onde estávamos indo na noite anterior.

Descemos mais em direção ao vale do Siri. O mato era bem fechado e começaram a surgir várias fendas bem profundas.

Se tivéssemos percorrido essa trilha no escuro, possivelmente alguém cairia em alguma delas, e um resgate ali é bem complicado. No fim, foi uma benção não achar a continuidade da trilha no dia anterior.

Assim prosseguíamos com cuidado. O Tiago estava mais a frente abrindo a trilha, e nós três logo atrás, se desvencilhando das taquarinhas e cuidando as gretas ao mesmo tempo. Começamos a brincar com a situação, encarando a dificuldade da travessia com bom humor, pois quem não é habituado à atividade ou aqueles que não conhecem aquela Serra, não imaginam o que passamos. Então ficávamos ironizando, imaginando os comentários inocentes daqueles que depois só veriam as fotos: que lindo o “passeio” de vocês! Ou então: que “caminhada” linda; faço caminhadas nos finais das tardes, tenho condições de fazer uma dessas? Dá para levar o meu filho de 7 anos? E a listagem de frases continuava. O Marcelo ainda criou a classificação de trilha não recomendada para madames.

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Haviam trechos em que o mato estava tão cerrado, que não era mais possível enxergava mais o Tiago, nem mesmo descobrir por onde ele havia passado. Então chamava por ele para identificar o lado que ele estava. Quando ainda a dúvida perpetuava, perguntava:
– Direita ou esquerda?

Em uma parte ele dobrou a esquerda e fui seguindo seu rastro. De repente, deparei com uma “rede” de raízes finas que cobriam uma greta. O rasto dele passava por ali, mas será mesmo que passou por cima daquela greta? A rede talvez aguentasse meu peso, mas e os guris que além de serem mais pesados, estavam de cargueira?

Sentei e em uma pedra e fui passando cuidadosamente até que meu pé tocou uma pedra embaixo da rede de raízes.

Achando que nós estávamos demorando para passar o Tiago incentivava:
– Vamos lá pessoal! É travessia pesada!
E a resposta era uniforme:
– Capaz, nem percebemos…

Ao passo que saímos do vale vimos o Conjunto Marumbi.

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Em seguida encontramos a ligação da trilha “por baixo” do Ciririca. Fiquei super feliz, pois subir o Ciririca era um sonho antigo.

Começamos a subir o K2 paranaense e num trecho o Tiago foi verificar o GPS e falou que faltavam cerca de 200 metros para o cume. Então logo chegaria a temível rampa.

Atingimos um ponto em que havia bastante pedra exposta. O Tiago consultou novamente o GPS e olhou pra mim:
– Lu, isso aqui é a rampa!
– Essa barbada aqui?
Respondi surpresa.

O bicho papão estava desmascarado. A tal rampa que tinha lido em vários que era um terror, era na verdade uma barbada. Subi a rampa rindo e em determinadas partes em pé.

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Logo chegamos ao cume do Ciririca (1705 metros), e depois seguimos para as placas, onde a vista estava o caderno do cume e a vista era mais bela.

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Muitas pessoas fazem a “caveira” do Ciririca, dizem que é muito difícil, que a rampa é muito perigosa, que é o K2 paranaense. Mas não concordo com nada disso. A trilha, além de não ser tão difícil, é muito bonita. A subida da face leste do Ferraria é mais difícil, merecendo o título de K2 paranaense.

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Veja nesta foto aérea por onde estávamos andando neste dia.

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Começamos a descer o Ciririca no sentido dos Agudos e Colina Verde.

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A descidinha era bem lisa, mas bastante divertida. Nada como os arbustos e taquarinhas para dar um apoio. Apesar de bastante lisos, os trechos com corda foram bem tranquilos de descer.

Durante a descida dá para ver o avião do antigo Banco Bamerindus que se chocou na serra em 1989.

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Chegamos no Colina Verde perto das 12:00 e o Tiago decidiu atacar os Agudos Lontra (1416 metros), e Cotia (1464 metros). Eu e os outros dois guris decidimos espera-lo, pois o ritmo dele de caminhada era mais rápido e tínhamos pressa de chegar ainda na Garganta 235 até o fim do dia. Marcamos o ponto de encontro para o almoço na água mais próxima.

Eu, o Fábio e o Marcelo seguimos na direção da água e o Tiago rumou para o Agudo Lontra.

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Esperamos por ele no ponto combinado por quase uma hora. Enquanto isso, aproveitando a água corrente e limpa, recarregamos os refis de água, passamos água no rosto e ficamos tagarelando.

De repente retorna o Tiago e pergunto como foi de Trilha ao Agudo Lontra.
– Uma…
Ele responde com cara de poucos amigos. Caímos na risada.
– Não tinha trilha. Só mato, espinho e um calor terrível para pouca vista.

Almoçamos ali mesmo e logo continuamos a descer para atingir o rio Forquilha ainda no início da tarde, passando por uma transição entre os campos de altitude e a mata Atlântica.

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O rio era muito bonito, com pedras gigantescas tapadas por musgos. Parecia cena de filme.

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Logo que começamos a pisar nas pedras inteiriças, eu andava com cautela, pois nas trilhas em leito de arroio daqui da região Central do Rio Grande do Sul, se aprende que não se deve pisar nas pedras inteiras. O basalto, a rocha daqui da região, é liso e quando molha é praticamente impossível ficam em pé nele. Na travessia que estávamos fazendo na Serra do Ibitiraquire, a rocha predominante é o granito, que possui grande aderência.

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Ganhando confiança no granito, saltava de pedra em pedra, sempre cuidando para não molhar a bota. Havia mais um dia de travessia e o estado dela não era dos melhores, então não estava muito confiante em deixa-la molhada.

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Saindo do rio Forquilha, seguimos uma trilha subindo até a Garganta 235, que fica entre os Morros Tangará e Cotoxós. Agora um pouco mais aberto que aqueles que passamos nos últimos dois dias.

Primeiro descemos mais um pouco, chegando a uma parte em que teríamos que saltar sobre uma fenda que havia no meio do Caminho. Era uma fenda de mais ou menos um metro de largura e para chegar ao outro lado era necessário saltar para uma pedra que estava no outro lado da fenda, em um plano mais baixo em relação ao outro. O detalhe era que a pedra de aterrizagem era inclinada, então teria que acertar o seu ponto mais alto. Os guris pularam primeiro. Eu fiquei duvidando da minha capacidade, com medo de saltar menos que o necessário e acabar caindo na fenda.

Então o Tiago se posicionou na beira da pedra para me segurar caso desse alguma zebra. Saltei e da beira da pedra de onde estava e cheguei a extremidade daquela do outro lado. Estava duvidando da minha capacidade à toa. Minha impulsão vai muito bem, obrigada. O problema é que o Tiago me segurou mesmo estando tudo sob controle. E segurou justamente o braço esquerdo, aquele lesionado. No momento em que coloquei os pés no chão, senti uma dor muito forte no ombro. Por reflexo, me agachei e levei a mão ao ombro esquerdo. Ele saiu do lugar novamente, se deslocando um pouco para frente.

Fiquei curvada esperando que aliviasse a dor e lentamente empurrava o ombro para o lugar. E ele voltou! Que alívio. A dor diminuiu, mas continuou intensa, limitando um pouco os movimentos do braço esquerdo.

Assim começamos a subir para chegar até a Garganta. Eu ia mais para trás, caminhando lentamente e cuidando como me apoiava nas árvores para subir. Acredito que levamos no máximo 20 minutos até a caixa da Garganta 235.

Sentei no tronco em frente à caixa e peguei o caderno, no qual fiz um breve relato de nossa jornada. Havia a assinatura do nosso amigo Sérgio Sampaio. Provavelmente ele tenha passado ali uma hora antes do que nós.

O Tiago e o Fábio foram pra a outra ponta da Garganta para tentar algum sinal de celular, e o Marcelo sentou ao meu lado para também assinar o caderno.
– Já são 17:40 e lá para baixo o mato está bem fechado além de ser bem inclinado. Acho melhor acamparmos aqui. Anunciou o Tiago.

Para mim foi um alívio, pois a dor no meu ombro não deu trégua e descer tentando usar um braço com movimentos limitados seria bem complicados. Como não tinha levado anti-inflamatório, peguei dois comprimidos com o Marcelo, deixando o segundo para tomar antes de dormir.

Começamos a ajeitar outro bivaque. Isso até virou piada! Levamos as barracas para deitar em cima delas. Parecia coisa de quem não sabia armar uma.

Me aconcheguei sentando em cima da barraca, com as costas em uma pedra. Logo preparamos uma panelada de chá para se aquecer antes da janta.

Aquela noite foi longa. O local que acampamos não era muito confortável e por diversas vezes acordei com sons de animais. Um inclusive um chegou bem próximo à minha cabeça. Fiquei imaginando se fosse outra cuíca… Espero que sim.

Dados do 4º dia da travessia:
Distância: 10,45 Km a pé.
Altimetria: 1064 metros de aclive acumulado e 1349 metros de declive acumulado.

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Google Earth:

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Texto: Luciana Gomes Moro
Fotos e dados: Tiago de Pellegrini Korb
Site: www.clubetrekking.com.br

A desafiadora Travessia Bairro Alto x Marco 22 PR, terceiro dia.

3º DIA: Quinta-feira 21/08/2014.

Acordamos assim que começou a clarear o dia. Tínhamos pressa, pois nosso objetivo era acampar na placa 2 do Ciririca, onde deveríamos encontrar o Sérgio Sampaio de SC, que estava fazendo a Travessia Fazenda do Bolinha x Graciosa.

Fizemos o café de dentro da barraca com uma bela vista do amanhecer.

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Assim que terminamos, peguei as minhas botas para calça-las e aproveitei para dar mais uma verificada no acampamento ao lado. Caí na risada com o que vi: a iglu desmontou com o vento. Fiquei imaginando os quatro socados naquela barraca capenga.

Mochilas arrumadas, partimos para o União e depois o Ibitirati. Estávamos com pouca água, somente o suficiente para molhar a boca.

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Pegamos a trilha perto da caixa do cume do PP para o União. Era uma descida um pouco íngreme e chatinha, ainda mais que de manhã fico completamente descoordenada para caminhar.

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Marcamos no GPS o cume do União e rumamos para o Ibitirati.

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A subida era bem tranquila, mas com mato bem fechado com arbusto com galhos finos que rasgavam a pele. Na real, nós já estávamos com a pele bem cortada devido especialmente às taquarinhas. Mas ali no Ibitirati foi um plus. Marcamos também o cume do Ibitirati (1850 metros), e tiramos fotos.

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Para entender o que são as escalaminhadas desta travessia!

Logo já estávamos de volta ao PP para assinar novamente o Livro do cume e registrar nossa ida aos outros picos do Maciço do Ibiteruçu, bem como a nossa meta de chegar ao Ciririca até o fim do dia.

Começamos a descer a trilha do PP para encontram o Fábio e o Marcelo.

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Ali perto deveríamos pegar a entrada da trilha até o Pico Camelos. Os nossos amigos optaram por não nos seguir e combinamos que eles iriam seguir o resto do roteiro do dia, partindo para o Itapiroca e mais adiante nos encontraríamos novamente.

Para “variar” o trajeto do GPS que o Tiago recebeu estava errado e foi muito difícil de encontrar a entrada da trilha. Deduzindo o local, entramos mato a dentro para achar a trilha para o Camelos. Por diversas vezes fiquei enroscada no meio da vegetação, isso que estava com a mochila menor. Imagina se fosse a grande!

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Novamente, depois de muito sobe e desce, encontramos a trilha bem batida que ia para o Camelos (1555 metros). Novamente, chegamos ao cume, tiramos fotos e registramos no GPS.

Não deixo de registrar a nossa decepção com o Camelos: pouca vista, ainda mais que perdemos um bom tempo tentando achar a sua trilha, além de ter conseguido mais uns ferimentos com o mato fechado da “trilha errada”.

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Para voltar à trilha do PP, pegamos a trilha batida certinha. Ela saía um pouco mais para cima de onde entramos, bem próxima à Casa de Pedra.

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Pelo visto, a entrada dessa trilha “oficial” do Camelos serve também de banheiro pela quantidade de papel higiênico que havia por ali.
De fato, o PP estava tapado por pedaços de papel higiênico até mesmo no cume. Isso foi algo que me deixou bastante chateada: a falta de educação das pessoas com a montanha.

Quando começamos a descer no sentido do Itapiroca, eu e o Tiago combinamos de não almoçar e fazer um rápido lanche para não perder tempo e conseguir cumprir nossa meta do dia. Como os guris foram na frente, provavelmente eles iriam almoçar antes de nos encontrar.

Seguimos descendo rapidamente o PP. No último lance de via ferrata, apoiei a mão direita em um dos grampos, abri o braço esquerdo e apoiei a mão em uma outra que estava ao lado e… Lembra do ombro machucado? Pois é, senti uma forte fisgada nele. Daquele tipo de dor que reflete para o resto do braço. Soltei espontaneamente um “ai”. Em seguida a dor passou, foi só um “choque”.

Pegamos água no início da trilha para o Itapiroca. Que alívio! Com o clima seco e quase sem beber água desde a noite do dia seguinte, já estava sentindo muita falta deste liquido precioso.

A subida para o Itapiroca foi um “passeio”: bem aberta e fácil.

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Ficamos tagarelando e combinamos de chegar ao Ciririca ainda naquele dia nem que fosse à noite! E imaginamos onde estariam os guris. Naquelas alturas eles já deveriam estar bem longe devido a nossa demora para chegar ao Camelos.

Chegando na área de acampamento do Itapiroca encontramos o bastão de caminhada do Fábio atirado no chão. Pronto, o Fábio abandonou o bastão para diminuir o peso.

Que nada, assim que tivemos maior amplitude de visão pudemos ver o Fábio e o Marcelo sentados apoiados numa pedra, começando a abrir as mochilas. Eles ficaram nos olhando boquiabertos e exclamaram:
– Já? Mas nós recém chegamos! Achamos que vocês fossem demorar mais.

Decidimos em fazer um lanche ali mesmo para não perder mais tempo. Em seguida continuamos o nosso trajeto.

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Dali do topo do Itapiroca (1780 metros) já era possível enxergar os cumes do Tucum e Camapuã, meus dois primeiros cumes na Serra do Ibitiraquire.

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Não passaríamos por eles nessa travessia, mas guardo com carinho as lembranças daquela trilha, especialmente na companhia dos amigos, Daniela Faria, José Geraldo, Diele e Dalla Trekker.

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O cume seguinte seria o do Cerro Verde.

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No fundo do vale, para a subida ao cume, havia uma marcação com a fita da travessia “Alpha Crucis” realizada em 2012 por Élcio Douglas e Jurandir, considerada a travessia mais difícil do Brasil.

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No lugar chamado de Ombro Verde que antecede o cume do Cerro Verde é possível de ver a tarde a “face” no Pico Paraná.

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O cume do Cerro Verde (1618 metros), possui a melhor vista do maciço do Ibiteruçu e especialmente do Ciririca.

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O Ciririca é conhecido como o K2 paranaense e antes da travessia havia lido diversos relatos de ataques e travessias que passavam por ali. Diversas pessoas falavam das terríveis cordas e da rampa. Meu Deus!

Eu e o Fábio estávamos imaginando como seria a terrível rampa do K2 paranaense. Na nossa ideia deveria ser algo pior que a face leste do Ferraria pelos relatos. Bom, naquela altura da travessia já estávamos preparados para tudo. Mas a curiosidade sobre o K2 paranaense aguçava muito.

Depois do Cerro Verde, os próximos cumes seriam Meia Lua, Pico do Luar e Sirizinho.

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Eu, na minha expectativa infantil, estava louca para chegar nesses cumes. Os nomes me agradavam e imaginava uma vista maravilhosa da serra dos seus cumes. Que nada! Virado em mato espinhento.

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Quando estávamos chegamos ao Pico do Luar, o sol já estava se pondo.

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Quando começamos a descer o Sirizinho, pegamos nossas lanternas de cabeça. Pois estávamos dispostos a acampar nas placas do Ciririca ainda naquela noite, ainda mais que marcamos de encontrar o Sérgio naquela data.

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Próximo a base do Sirizinho, o mato estava bem fechado. E como já estava escuro, seguimos em ritmo mais lento, entre ataques de mosquitos e mais taquarinhas. Cuidando onde estávamos pisando para não cair em nenhuma greta.

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A trilha alternava entre pedras de rio e mato. O Fábio e o Marcelo que estavam com mochilas maiores, penavam para se desvencilhar das taquarinhas e dos galhos das plantas. Se de dia já era complicado, de noite era pior ainda! Então a todo momento virava para trás para ver se eles estavam vindo junto. Numa dessas “olhadas”, quando fui virar novamente o rosto para frente, um galho espinhento entrou no meu olho e um espinho ficou cravado no olho direito. Consegui tirar e em seguida passou a dor.

Para evitar que alguém se perdesse, quem ia na frente esperava o de trás aparecer e iluminava em direção do colega para que ele enxergasse a localização. Esse método também adotamos nos trechos de mato mais fechado.

Mas em um determinado trecho as fitas começaram a ficar escassas e íamos e voltávamos tentando encontrar a continuação da trilha. Mesmo navegando no GPS, o Tiago não encontrava o caminho já que o trajeto que tinha não era muito preciso. Andar no mato no escuro é algo bem complicado, ainda mais quando não se conhece o local. Não é uma prática muito recomendável.

Então chegamos em um determinado ponto e o mato se fechou novamente, o Tiago falou para voltar e pediu para que nós três tentássemos visualizar alguma trilha ou avisar uma fita.

Fiquei iluminando para as árvores até que enxerguei uma fita vermelha.
– Ali tem uma marcação de fita!
Exclamei apontando para uma árvore.
– Uhu! Achamos!
Eu e o Fábio comemoramos o meu “achado” batendo as mãos.
Mas o meu “achado” era na verdade uma clareira, provavelmente de um acampamento de alguém.

Como estava bem difícil encontrar a trilha naquela escuridão e seria desgastante continuar procurando sem resultados. Decidimos acampar ali mesmo naquela clareira. Local limpinho e com água por perto: perfeito! O espaço acomodava tranquilamente uma barraca e outras duas bem apertadas. Então nós decidimos bivacar já que o tempo estava bom.

Estendemos o footprint no chão e o sobreteto da barraca por cima dele para depois só colocamos o isolante. O Marcelo foi o único que preferiu montar a barraca, conseguindo um pequeno espaço irregular. O Fábio fez seu bivaque ao nosso lado. Fomos dormir logo depois que jantamos pelas 21:00.

Deitei de barriga para cima e fiquei olhando o céu estrelado entre as árvores. E assim adormeci. Foi a melhor noite de toda a travessia!

Dados do 3º dia da travessia:
Distância: 9,65 Km a pé.
Altimetria: 1727 metros de aclive acumulado e 2178 metros de declive acumulado.

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Google Earth:

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Texto: Luciana Gomes Moro
Fotos e dados: Tiago de Pellegrini Korb
Site: www.clubetrekking.com.br

Relatos: 1°dia, 2°dia.

A desafiadora Travessia Bairro Alto x Marco 22 PR, segundo dia.

Acordamos em torno das 6:30, fazia um amanhecer muito bonito. Logo o Tiago saiu para fotografar o belo evento da natureza e a linda vista.

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Tomamos o café da manhã e partimos para o cume principal para assinar o livro. Depois seguimos para o Taipabuçu.

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Para você entender o nosso trajeto do dia anterior e dos próximos dias.

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Subindo o Taipa, encontramos um casal indo para o Ferraria:
– Mais uns desocupados fugindo para a montanha no meio da semana?
Brincou o homem.
– O trabalho permite, né!
Respondeu prontamente o Tiago. Paramos por pouco tempo para conversar e contamos sobre a nossa travessia, de onde viemos e para onde estávamos indo. Eles nos desejaram boa sorte e cada grupo seguiu para seu rumo.

Eu e o Tiago chegamos primeiro ao cume do Taipabuçu I, ficamos aguardando os guris chegarem. Enquanto isso, muitas fotos.

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Assim que chegaram, fomos assinar o caderno do cume no Taipabuçu II (1733 metros), por volta das 11:00, relatando sobre a nossa travessia. Para a minha surpresa, havia uma historinha do Tom e Ana.

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Depois seguimos para o Caratuva. Páramos para almoçar antes de chegar ao cume para aproveitar a agradável sombra do mato.

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Enquanto isso, ficava admirando a vegetação. Tinham bromélias lindíssimas que eu não cansava de olhar.

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Assim que almoçamos, continuamos a subida ao Caratuva, passando pela “Pedra da Faca”, que era uma pedra de formato diferente que obriga o montanhista a tirar a mochila, mesmo ela sendo pequena.

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Um trecho um pouco mais técnico é a canaleta no final da subida para o Caratuva.

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Tínhamos uma bela vista da parte que fizemos da travessia.

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Chegamos ao cume do Caratuva (1862 metros), em torno das 14:00, assinando novamente o caderno com o relato do nosso trajeto.

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Dali havia uma belíssima vista para o PP, onde deveríamos chegar ainda no mesmo dia.

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Na verdade, o ideal seria chegar ainda no Itapiroca naquele dia, mas a coisa não estava rendendo até lá. Era muito mato fechado, e os guris foram com cargueiras enormes, o que fez com que eles virassem vítimas constantes das terríveis taquarinhas.

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Saindo do Caratuva, deveríamos pegar a “Trilha da Conquista” para chegar ao Pico Paraná.

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Na verdade entramos ela, mas não conseguimos seguir na trilha já que estava quase fechada. O arquivo de GPS que o Tiago recebeu tinha erro de 80 metros da trilha original. Como pouca gente passa por lá, o mato tomou conta e foi uma “novela” para encontrar a trilha verdadeira. Subimos e descemos várias vezes, andamos de um lado para outro se embretando em mato cada vez mais fechado para tentar achá-la e nada.

Resolvemos então seguir a escassa marcação por fita e chegamos em outra trilha. Não era a Trilha da Conquista, mas nos levava onde queríamos, até a água próxima do A1 (Acampamento 1).

Chegando na água próxima ao A1, que preenchi os 3L do meu Streamer, fui seguindo rumo ao cume do PP (Pico Paraná), esperando que os demais me acompanhassem. Em seguida vieram.

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Nessa parte da travessia, não “desgrudava” os olhos do PP, ficava admirando o gigante em todos os seus ângulos. Estava realizando um sonho, pois sempre nas minhas idas a Curitiba, quando planejava ir ao Pico Paraná a previsão do tempo marcava chuva. Mas naquele dia não tinha sinal de chuva. O sol ardia e o tempo estava muito seco.

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O Tiago e eu fomos seguindo a trilha de modo empolgado, pois era a minha primeira vez no PP e a primeira dele com tempo bom. E assim fomos subindo pela trilha bem batida e admirando a vista, especialmente por onde já havíamos andado.

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O Fábio e o Marcelo estavam mais para trás. Quando atingimos a primeira via ferrata, eles estavam recém descendo para a via ferrata.

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O Marcelo estava no meio do trajeto entre o Fábio e nós dois. Quando avistamos o Marcelo, perguntamos o paradeiro do Fábio e ele nos avisou que ele decidiu acampar no A2 (Acampamento 2), devido à câimbra e iria fazer companhia ao amigo por ter pouquíssima água (lá tem uma bica d’água fraca).

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Então nós continuamos a subir ao cume racionando água. Como o ar estava seco demais, me descuidei e bebi água demais. Cada um de nós dois tinha um pouco mais de 1L para a janta e café da manhã. Além disso, na manhã do dia seguinte, faríamos ainda os cumes União e Ibitirati.

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Em meio ao caminho, encontramos mais 4 pessoas de Santa Catarina. Eles também iriam acampar no cume. Como estavam em ritmo mais lento, ultrapassamos eles e chegamos primeiro ao cume para escolher um local bem protegido para o nosso acampamento, visto que não levamos o dormitório da barraca, apenas o sobreteto e o footprint (em função da diminuição de peso e volume na mochila).

Quando chegamos ao cume, ainda pudemos aproveitar o pôr-do-sol.

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Escolhemos o canto para o nosso acampamento e fomos tirar fotos do entardecer de cima do ponto mais alto do sul do país.

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A sensação de estar ali no topo e ver o sol se pondo, as luzes das cidades lá longe são belíssimas.

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Depois da sessão de fotos, voltamos ao nosso cantinho para montar o acampamento. Logo que terminamos, chegou o grupo catarinense.
Muito prestativo, o Tiago foi ajudar o pessoal a encontrar espaço confortável para suas barracas:
– Aqui é um bom lugar, ali também tem…
– Mas é só uma barraca! Respondeu um dos catarinenses.

Eu, que estava na porta da barraca, espichei a cabeça para fora para dar uma olhada na barraca que serviria de abrigo para os quatro marmanjos. Era uma pequena iglu de tamanho máximo de 3/4 pessoas! Tive que fazer um esforço extra para não largar uma sonora gargalhada.

O Tiago voltou e fomos assinar o caderno do cume e tirar mais umas fotos. Naquela noite ventava bastante e a temperatura baixou para 4 ºC. Fiquei insistindo para voltar para a barraca devido ao frio.

Voltamos ao nosso acampamento e ficamos fechados dentro da barraca para nos proteger do vento. Ficamos batendo papo, lendo o planejamento da pernada do dia seguinte e contabilizando o que ainda havia de água. Além da janta e café da manhã, “sobrou” uma justa quantia para fazer chá para os dois. Tirei as botas, que já apresentava um rasgo na biqueira do pé esquerdo, mas nada para se preocupar, pois a estrutura interna se encontrava boa. O direito ainda estava intacto, por enquanto…

Enquanto isso, lá fora, nossos vizinhos faziam a maior festa, com muita conversação, álcool e até maconha. Quatro marmanjos bêbados em uma pequena barraca era a legitima festa do sagu, só bola!

Assim que começaram a organizar a janta, eles receberam uma “visita” e ouvimos um deles:
– Olha, um “rato da montanha” mexendo na nossa comida!
– Não, é um gambá!

Ouvindo isso, tratamos de proteger nossa comida. De repente ouvi um barulho de animal se movimentando e da barraca se movimentando.
– Tiago, cuidado! Tem um bicho ali fora. Espanta ele, senão ele vai na nossa comida.

O Tiago levantou-se para tentar afastar o bichinho e acabou derrubando a panela com o chá quente. Foi uma confusão! Era o Tiago abanando nas frestas da barraca e eu tentando levantar a panela Virou um pouco de água no footprint e o saco de dormir. Molhou um pouco na parte externa, mas foi apenas em um canto. Logo ele secou por completo por conta da baixa umidade do ar.

O animalzinho voltou a perturbar nossos vizinhos, que passaram a dar comida para ele. Comida e pão com uísque para ele inclusive. O que além de prejudicar o animal ainda acostuma a fauna local a ir em busca de mais comida nas barracas.

Colocamos tudo dentro dos sacos estanques, até o lixo, para impedir que o cheiro atraísse a desagradável visita. Deixamos para fora somente o material do preparo da janta.

Assim que começamos a fritar a calabresa, apareceu pela fresta da barraca uma carinha marrom muito bonitinha. Era o gambá, que depois fomos descobrir que, na verdade, era uma Cuíca. O Tiago voltou a afastá-la. Terminada a janta, viramos a panela para baixo e guardamos o resto do alimento.

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Durante o sono, qualquer barulho acordava achando que fosse a Cuíca fuçando nas nossas coisas, mas não, era o vento. Acho que o animalzinho foi dormir, graças ao trago que nossos vizinhos deram. Imagina a ressaca que o bicho teve depois!

Aquela foi uma noite longa, os vizinhos fazendo festa, o vento forte. Sonhei até com a Cuíca foi dormir conosco no saco de dormir.

Dados do 2º dia da travessia:
Distância: 11,24 Km a pé.
Altimetria: 1343 metros de aclive acumulado e 1210 metros de declive acumulado.

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Google Earth:

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Texto: Luciana Gomes Moro
Fotos e dados: Tiago de Pellegrini Korb
Site: www.clubetrekking.com.br

Relato do primeiro dia:

A desafiadora Travessia Bairro Alto x Marco 22 PR, 1° dia.

A desafiadora Travessia Bairro Alto x Marco 22: 1º Dia

Fazia um bom tempo que queria fazer uma travessia na Serra do Ibitiraquire. Sugeri ao Tiago Korb de programar um trajeto saindo da Fazenda do Bolinha, que compreenderia 10 cumes. Mas ele nem deu muita atenção. Disse que seria complicado pela logística de transporte, clima e outros fatores.

Não desisti, pois queria realizar esse sonho e de preferência no mesmo ano ainda! Então recorri ao nosso amigo Fábio Carminati, que também tinha interesse em fazer alguma travessia nessa Serra. Combinamos de os dois ficar pilhando o Tiago em montar o trajeto e fazer a travessia.

Passamos semanas juntando informações e lendo relatos, os mais interessantes mandávamos para o Tiago tanto via Facebook quanto por e-mail. Isso sem contar das vezes em que eu tocava nas palavras “travessia” e “Serra do Ibitiraquire”.

Mas a insistência valeu a pena! O relato dos perrengues despertou o interesse no Tiago. Próximo passo seria conseguir os dados de GPS da região com amigos montanhistas dele para montar o roteiro, uma vez que ninguém conhecia a Serra do Ibitiraquire muito bem. Eu tinha ido uma única vez fazer a trilha até o Pico Tucum. Já o Tiago havia ido ao Pico do Paraná anos atrás em um dia de chuva, ou seja, não conseguiu ver nada.

Com ajuda de vários amigos montanhistas (entre eles Elcio Douglas e Mildo Junior), o Tiago foi conseguindo os trajetos para GPS que passavam por diversos cumes. Na minha ideia, o Pico do Paraná e o Ciririca não poderiam ficar de fora do planejamento. O primeiro por ser o cume mais alto da região Sul do país. O segundo por levar a fama de “K2 paranaense”, o que despertava minha curiosidade.

Mas onde começar e terminar a travessia? Os ajustes foram sendo feitos com o passar dos dias. De repente vem à tona o conhecimento da existência da Travessia Bolinha x Marco 22. A ideia original da travessia era fazer 10 cumes da Serra do Ibitiraquire e se desse tempo ou se não chovesse, poderíamos fazer esse trecho da Serra da Graciosa até o Marco 22 da Estrada da Graciosa.

Surgiu então o Getulio Vogetta com outra opção de roteiro via trilha da Face Leste do Ferraria. Conseguimos o trajeto de GPS dela e desta forma se consolidou como opção de início da nossa travessia, acrescentados ainda, mais alguns cumes. E por fim, o trajeto final seria até a Estrada da Graciosa, terminando no Marco 22.

Diante do desafio, da elevada altimetria, da promessa de encontrar mato bem fechado, o Tiago propôs de adotar o sistema de travessia ultralight. Ou seja, usar as mochilas de 30L em vez das cargueiras. Para isso, levamos o mínimo necessário e itens bem técnicos que ocupam pouquíssimo espaço. Deixamos o dormitório da barraca, levando apenas o sobre teto e o foot print por exemplo. E assim foi: total desapego do conforto para levar somente o que era absolutamente necessário.

A equipe foi formada com base em outras travessias pesadas que fizemos (Fábio Carminati, Luciana Moro, Marcelo Nava e Tiago Korb). Apenas faltava conseguir uma janela de pelo menos 5 dias de tempo bom. O que naquela região já é difícil, pois chove em mais de 270 dias no ano. Em ano de El Niño é ainda mais difícil! Mas o São Pedro colaborou. A previsão do tempo estendida marcava 10 dias de sol na segunda quinzena de agosto.

Íamos nos preparando, deixando equipamento e comida em separado na medida em que a previsão do tempo se confirmava.

Viajar da região central do Rio Grande do Sul para Curitiba não é nada agradável. São pelo menos 14 horas sentada dentro de um ônibus. Mas o sacrifício vale a pena se o tempo ajudar. E assim eu e o Tiago partimos de Santa Maria RS na tarde do dia 18 de agosto rumo à capital paranaense, onde a amiga Sandra Elize nos receberia para fazer a logística até Antonina.

1º DIA: Terça-feira 19/08/2014.

Nosso ônibus chegou na rodoviária com mais de uma hora de atraso. O Marcelo e Fábio já nos esperavam na rodoviária. Assim que chegamos, encontramos eles no local marcado e partimos para a casa de minha mãe, onde deixaríamos nossas roupas de “civis” de viagem para trocar pelas roupas de trekking.

Em seguida, fomos ao encontro de Sandra, quase vizinha, para partir para Antonina. Durante o trajeto fomos conversando sobre nosso planejamento de travessia e demais assuntos sobre montanhismo.

A Sandra, em um determinado momento, me alcançou um pacote e pediu para que escolhesse uma bandana de presente. Escolhi uma de temática florida com verde, que poderia usar o lado estampado ou o de cor única para combinar com minha calça da travessia. Assim, já coloquei o presente na cabeça para usá-lo durante a travessia para dar sorte (sim, eu acredito nessas coisas).

Descemos pela Estrada da Graciosa com tempo bom. Essa foi a terceira vez que passei pela estrada e a primeira com tempo bom! A medida que descíamos, ia se revelando a belíssima mata Atlântica que cobria as imponentes montanhas. Ah, as montanhas! Várias delas eram visíveis durante o percurso, e uma boa parte delas não faziam parte da nossa travessia.

Tentamos avistar o Marco 22, o ponto final da travessia, mas não enxergamos. Então combinamos o resgate de volta no primeiro Recanto da Graciosa. Depois de 1:40 de estrada, chegamos a Antonina e, em seguida, no Bairro Alto e finalmente na Fazenda Lírio do Vale de onde começaríamos nossa longa pernada. Descemos do carro e nos despedimos de nossa amiga Sandra.

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Iniciamos a Travessia em torno das 11:40, começando pela trilha da Conceição. O dia estava bastante ensolarado com algumas nuvens encobrindo os cumes das montanhas.

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Logo se revelou o primeiro cume em meio as nuvens, o Ibitirati.

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Nós estávamos a 190 metros de altitude e teríamos que atingir o cume que tinha 1745 metros de altitude até o final da tarde. Parecia ser uma missão quase impossível!

Passamos pela ponte Indiana Jones por volta das 12:40 e descemos até o Rio Cotia para almoçar. Fizemos um lanche rápido e retomamos a caminhada.

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A trilha da Conceição é muito bonita. Durante o seu trajeto íamos admirando a beleza de sua vegetação e brincando que em seguida a “barbada” iria terminar, afinal, tínhamos que subir mais de 1700 metros até o primeiro acampamento.

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 15182315025_22b167d3e4_oA trilha de subida era sinalizada com um pneu. Em um determinado ponto ficamos procurando o tal pneu à esquerda da trilha. Achamos meio escondido pelo mato.
Subimos o degrau e a parte divertida começou. Muito mato fechado durante a subida.

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Em seguida começaram as cordas, opa, a primeira não era corda, era mangueira de bombeiros.

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Mais adiante o mato fechado diminuiu e a trilha começou a ficar mais íngreme e mais bonita, e começando a ter vista dos demais cumes.

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Ao lado esquerdo se via o paredão do Ibitirati, mas o cume ainda estava coberto por nuvens. Mas depois o céu ficou mais limpo e podíamos ver também o Pico Paraná.

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Chegou o primeiro trecho de corda. O pessoal subiu sem maiores dificuldades. Eu me agarrei na corda e me puxei para cima.

Mas não via a hora de chegar no “degrau” da face leste do Ferraria. Quando estávamos montando o roteiro da travessia, fomos informados desse trecho de maior dificuldade. Então eu e os demais ficamos imaginando como seria.

Enfim, chegou o degrau. E realmente era merecedor da fama de ser um “bicho papão”. Um trecho da subida com inclinação média de 80 graus e em alguns pontos de 90 graus.

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Entre a pedra e o abismo havia um trecho de chão um pouco maior que meu pé. A pedra do degrau era quase da minha altura (1,60 m). Haviam dois lances de corda: o da primeira subida, que descia até a metade do degrau; o segundo ficava preso nas duas pontas. O Tiago e o Marcelo foram os primeiros a subir. Nesse momento eu fiquei observando o modo de como eles subiam e pensava como eu com minhas pernas curtas ia alcançar aquela pedra. O Marcelo escorregou o pé na primeira tentativa, depois se agarrou na corda e usou bastante força para subir. Se os homens penaram para subir pela corda, imagina o que seria para mim!

Chegou a minha vez. Envolvi bem a mão direita em um dos nós da corda e a esquerda no corpo da corda.

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Apoiei o pé na pedra, embalei para puxar na subida, mas deslizei o pé, voltando à base. O Tiago falava:
– Apoia os pés na pedra e firma bem com as mãos. Tenha no mínimo 3 pontos de apoio sempre.

Mas não adiantava muito, além da pedra lisa o meu ombro esquerdo também não estava ajudando, visto que o havia lesionado ele umas semanas antes em Santa Maria. Além de ele estar fraco, machucá-lo de novo e logo no início da travessia seria algo péssimo, ainda mais sabendo que teríamos diversas escalaminhadas, cordas e trechos de via ferrata pela frente. E para completar, havia um abismo logo atrás de mim. Um erro poderia ser fatal!

Fiquei um olhando a pedra procurando onde apoiar melhor o pé. Mas para todo o problema tem uma solução. Chamei o Fábio e pedi para ele firmar a perna bem na frente do degrau e pedi para o Marcelo ficar supervisionando a minha subida. Firmei bem as mãos na corda, peguei impulso na perna do meu amigo e subi. No fim do primeiro lance de corda, o Marcelo me deu a mão e assim e alcancei o segundo lance de corda, superando o famoso degrau do Ferraria.

O próximo trecho de corda foi tranquilo de passar. Mas teve corda porque o Tiago levou a dele. A corda da trilha estava cheia de limo e para completar sem a capa.

A tarde avançava e a alteração da posição do sol projetava a sombra das montanhas ao longo do vale. Ou a luz solar passava entre as frestas entre os imponentes paredões, formando um efeito incrível.

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Estávamos determinados em chegar ao local do acampamento planejado, mesmo que seguíssemos a trilha durante a noite. A subida final até o local do acampamento, no ante cume do Ferraria, foi bastante íngreme, com uma escalaminhada interminável. Era um barranco bem liso, e subimos ele quando já escuro, agarrando a vegetação.

Eu estava com a cabeça latejando da enxaqueca provocada, possivelmente, pela noite mal dormida durante a viagem. Na verdade, enxaqueca é uma certeza toda vez que viajo de ônibus até Curitiba. Dessa vez teve o plus da noite mal dormida. Isso fez com que eu fizesse o último trecho da subida com mais vontade.

Chegamos ao local do acampamento em torno das 18:40. Ali tinha um espaço justinho para três barracas. Começamos a ajeitar o camping. Deixei minha mochila com o Tiago e avisei que ia para um canto mais escuro do cume fechar um pouco os olhos, pois a dor de cabeça estava muito forte. Achei uma moita e deitei ali e fiquei observando as luzes de Paranaguá e Morretes por trás do Pico Paraná e de Curitiba mais para o sudoeste.

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Fechei os olhos que estavam doendo e acabei cochilando um pouco. Acordei com as vozes dos guris e encontrei o acampamento pronto. Meus olhos doíam muito e anunciei que ficaria com os olhos fechados um pouco. Não quis tomar remédio, sou meio teimosa para essas coisas. Descansando naquela noite estaria 100% no próximo dia.

O Tiago aprontou uma ótima polenta com calabresa e queijo provolone para a janta. Assim que jantei, me ajeitei para dormir pelas 20:30.

No meio da madrugada acordamos com roncos bem altos. Eu e o Tiago ficamos rindo e sem jeito de acordar o nosso amigo. De repente o Fábio pergunta da barraca:
– Vocês estão acordados? Eu não consigo dormir com esse ronco.

O jeito foi acordar o Marcelo. Depois de muita insistência, chamar pelo nome e sacudidas na barraca, ele acordou.

Fora a sinfonia de ronco, a noite foi maravilhosa!

Devido à dificuldade da trilha da face leste do Ferraria, apelidei carinhosamente a montanha de “Ferraria com tua vida”.

Dados do 1º dia da travessia:
Distância: 10,11 Km a pé.
Altimetria: 1742 metros de aclive acumulado e 186 metros de declive acumulado.

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Trilha da Face Leste do Ferraria:

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Google Earth:

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 Trajeto do primeiro dia (Face Leste do Ferraria), para download:

Download da trilha

Texto: Luciana Gomes Moro
Fotos e dados: Tiago de Pellegrini Korb
Site: www.clubetrekking.com.br

Relato do segundo dia:

– A desafiadora Travessia Bairro Alto x Marco 22 PR, segundo dia.