Dianne Schaldach Trail Runner

Apaixonada pela vida, trilheira, Ultramaratonista de rua e Trail. Curiosa. Em busca de novos desafios.

Nascida e criada no interior de Blumenau/SC, na Vila Itoupava, onde desde criança já gostava de aventuras…

Sempre moleca, corria pra cima e pra baixo, gostava de entrar no rio perto da casa da minha mãe, de subir em árvores, muros e em tudo mais que conseguisse… hehe…

Esportes que já pratiquei:

Já pratiquei basquete, handebol e atletismo na época do colégio e depois até futsal feminino com as meninas do trabalho. Mas o que sempre gostei mesmo foi de trilha no mato, na praia, não importava qual tipo fosse.

Em 2006 conheci um cânion pela primeira vez, um não, já foram logo três! Foi amor à primeira vista! Itaimbezinho, Fortaleza e Malacara.

No ano seguinte conheci Urubici/SC e nem sei mais quantas vezes já voltei de tanto que me apaixonei por essa cidade. Tenho muitas histórias de lá pra contar!

A corrida entrou bem mais tarde na minha vida, mas acabou virando uma grande paixão.

Comecei em 2008 com uma corrida de 5km sem treino algum, cheguei no inesquecível penúltimo lugar… rsrs… E dali em diante comecei a treinar!

Mas, nunca deixando as trilhas e outras aventuras de lado, além disso pratiquei parapente, balão, rafting, tirolesa, pêndulo, rapel, arvorismo e outros.

E quando me perguntam “mas você não pára?”, eu digo “parar? por que, se estamos vivos?!?!!” Parar é morrer! Ainda tenho um mundo inteiro para desbravar, tudo pra aprender e compartilhar.

Em 2013 fiz minha primeira corrida Trail e me apaixonei mais uma vez! kkk

Continuo fazendo algumas corridas de asfalto também, mas gosto mesmo das trilhas.

Em 2017 fiz meu primeiro trekking longo. Foram 3 dias percorrendo os Cânions Boa Vista, Realengo e Amola Faca. Foi simplesmente extraordinário. Conheci pessoas espetaculares, vários se tornaram grandes amigos com os quais já tive o privilégio de fazer outros trekkings.

Depois fizemos a travessia dos Cânions Funil – Laranjeiras, e também o trekking na Serra da Rocinha e Serra Velha.

Trail

Foi em 2017 que também fiz minha primeira Maratona e minha primeira UltraMaratona de pista e de trilha (UltraTrail).

Trail

Sabe o ditado…”A primeira maratona agente nunca esquece…”. Decidi escolher o lugar que mais queria conhecer (Noruega) e com a magia de algo que tinha ouvido falar um dia, e que me instigava o fenômeno (sol da meia noite). E foi assim que me inscrevi na Maratona do Sol da Meia Noite – 42 quilômetros inesquecíveis, em Tromso, na Noruega.

Trail

E quem corre sabe que nós, corredores, sempre queremos mais! Na volta, já planejava a próxima corrida. Queria me tornar UltraMaratonista. E foi assim que me inscrevi na corrida 24 horas de Lensahn, na Alemanha. Muito treino, lesão, mas não desisti! Corri com dor, mas feliz demais!

Em setembro deste mesmo ano, tive o privilégio de conhecer a Serra da Gurita e da Canastra, em Minas Gerais – Brasil. Foi outra travessia espetacular!

Em novembro, participei do Desafio Ultra Trail Celebration em Blumenau – SC – prova de 75km, divididos em 25km noturnos e 50km diurnos. Essa corrida extraordinária merece um capítulo só dela! Em breve!

E nesse reveillon pude realizar o sonho de fazer o Monte Roraima, experiência sem igual que vou compartilhar com vocês nos próximos dias.

Muito obrigada!

Mestres da Resistência

Mestres da Resistência

Como multi-atleta e pesquisador biomédico, interessa-me saber como podemos expandir nossos limites através de treinamentos, suplementos ou mesmo por meio de uma postura mental mais adequada.

Talvez minha curiosidade tenha surgido simplesmente por considerar esse atributo o mais prático e de maior aplicação no cotidiano. No dia-a-dia, a resistência é primordial ao sucesso, pois nos permite ser capazes de não desistir frente a qualquer barreira – física ou psicológica. A força explosiva, apesar de ter seus méritos, geralmente não é aplicável com a mesma intensidade na vida comum.

Para reforçar a prioridade da resistência sobre a força, apresento um exemplo extraído do cinema. Quem não se lembra da famosa frase de Rock Balboa: “A vida não é uma questão de quanto você bate, mas o quanto você apanha e consegue seguir em frente”. Perfeito! Em minha vida, tenho esse pensamento como um mantra. Mostra o poder da resistência física e mental para vencermos em praticamente qualquer ramo de atuação.

No mundo outdoor, Lance Armstrong é dono de uma das mais espetaculares capacidades cardiopulmonares. No auge de seu treinamento de resistência, o ciclista apresentava o invejável VO2 Máximo (volume de oxigênio máximo inspirado – um parâmetro para avaliar a capacidade pulmonar) de 85 ml/kg.min, habilidade que o ajudou a conquistar sete títulos do Tour de France. Essa capacidade é três vezes maior que o de um cidadão comum.

Além disso, durante um teste de pedalada, Lance foi capaz de sustentar uma potência média de 380 Watts durante uma hora, sem parar. Na prática, isso equivale a percorrer uma distância de 55 km!
Esses números são o resultado de uma rara combinação de treinamento duríssimo, genética privilegiada, hábitos saudáveis e uma mente afiada. Para os padrões humanos, esse desempenho faz dele uma máquina, consagrando-o como uma lenda viva e um exemplo do que o ser humano é capaz.

Outra lenda viva, o ultramaratonista Dean Karnazes foi capaz de correr, de forma quase ininterrupta, impressionantes 560 km em 3 dias, 8 horas e 44 minutos! Porém o mais surpreendente é que, se a performance de Lance e Dean for comparada ao dos maiores atletas de resistência do planeta, eles passariam vergonha.  Por uma questão de justiça, dentre todos os seres vivos conhecidos e estudados, os campeões de resistência física no planeta Terra são os cães.

Especificamente uma raça híbrida entre Husky Siberianos e vira-latas do Ártico, famosos por puxarem trenós nas regiões polares (os melhores participam da Iditarod, corrida épica de trenós de quase 2.000 km pelo gelo do Alasca).  Vou explicar porque essa raça é tão especial.

Totalmente obcecado pelo assunto, o principal investigador científico, um americano doutor em medicina veterinária, vendeu a maioria de seus bens e hipotecou sua casa para angariar fundos para realizar uma série de pesquisas e viagens ao Ártico.

A revolução das descobertas pode ser tão impactante, que sua importância vai muito além das aplicações esportivas Até mesmo o DARPA – agência militar americana que realiza pesquisa avançada para o aperfeiçoamento biológico dos futuros soldados – resolveu contribuir.  Ao encontrar o obstinado cientista, a DARPA ofereceu 1,5 milhões de dólares para acelerar a busca por respostas.

O entendimento dos mecanismos metabólicos desses animais é tão complexo que desafia tudo o que se sabe sobre fisiologia. Uma das primeiras medidas foi determinar o VO2 Máximo dos canídeos.

A maioria dos indivíduos avaliados alcançou, facilmente, valores acima de 200 (quanto era mesmo o de Lance Armstrong?). Mas o mais impressionante foi a constatação de um limiar ao lactato altíssimo, ou seja, os cães raramente sofrem cãibras. Eles possuem um sofisticado mecanismo de regeneração muscular que os permite reparar rapidamente as microlesões nas fibras, provocadas pelo exercício.

E como se essas espantosas habilidades não fossem o bastante, os danados ainda encontraram uma maneira de inibir a ação dos radicais livres, gerados em resposta ao estresse produzido pelo exercício e pelas condições ambientais severas. Tudo através de mecanismos naturais de adaptação, sem precisarem – como fazem seus pares humanos – recorrer a toneladas de suplementos e compostos antioxidantes.

Eles conseguem se adaptar tão rapidamente aos “estresses” orgânicos provocados pela atividade física que seu metabolismo adquire um sincronismo perfeito entre as exigências fisiológicas internas e os fatores externos.

Estudos demonstraram que a recuperação física desses animais também é espantosa. Durante a Iditarod, após 200 km de corrida, tudo o que precisam é de algumas poucas horas de sono e uma alimentação simples para estarem totalmente renovados e repetirem o ciclo indefinidas vezes.

É como se os cães atingissem uma situação de equilíbrio que lhes conferiria movimento “perpétuo”. Ou seja, por serem capazes de modificar tão radicalmente o metabolismo para a atividade prolongada, acabam funcionando melhor justamente durante aquilo que entendemos como esforço físico. Esse novo paradigma está colocando em xeque os consagrados conhecimentos sobre o endurance.

Muito já tem sido decifrado, mas as questões fundamentais são: como eles conseguem fazer toda essa transformação de forma tão rápida e eficaz? Como fazem seu gerenciamento energético? Até que ponto sua dieta, genética e ambiente influem nessa capacidade física? Seu desempenho é treinável em outras espécies?

Pesquisas à parte, há tempo muito aprecio o vigor e a saúde desses animais. Se um dia as pesquisas trarão algum benefício para o esportista outdoor ainda é difícil saber. Mesmo que seja possível incorporar um gene deles ao nosso genoma ou que seja inventada uma pílula mágica, ainda assim nosso organismo continuará agindo de forma diferenciada.

Receio pelos inevitáveis efeitos colaterais, mas tudo indica que colheremos aprendizados relevantes, seja pela criação de novos métodos de treinamentos, novas dietas esquisitas ou simples mudança de conceitos. Enquanto as respostas não chegam, só nos resta admirar as maravilhas com as quais a natureza, de graça, os presenteou. E admitir que cada criatura possui uma valiosa lição interior a nos ensinar. Uma lição de beleza, respeito e sabedoria, que foi construída ao longo de milhares de anos de evolução e equilíbrio entre seus organismos e os habitats que lhes deram vida.

Para finalizar, informo que a equipe de 10 cães vencedora da Iditarod 2011 percorreu os 1.850 km em 8 dias, 18 horas e 48 minutos (qual era mesmo o limite de Dean Karnases ?). Com pouco sono, pouco alimento e disposição de sobra. Mesmo após cruzarem a linha de chegada, os cachorros queriam continuar correndo, em sua eterna perseguição ao sol que já se punha no horizonte…

Texto: Marcelo Nava