Morro Gaúcho a prova mais bruta

Arroio do Meio foi a sede da 4ª Etapa do Campeonato Gaúcho Corrida Trilhas e Montanhas – Trilhas do Morro Gaúcho/RS, que ocorreu no último sábado (dia 28). A prova teve percursos de 5.5, 17, 32 (2 pontos ITRA)* e 50 quilômetros (3 pontos ITRA)* de corrida em trilhas e montanhas.

*Trilhas do Morro Gaúcho, foi uma das primeiras provas do Rio Grande do Sul a pontuar pelo ITRA.

O evento contou com a participação de mais de 800 atletas, vindos de diversas cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e até Uruguai.

Quando comecei a correr, sempre achei fascinantes as longas distâncias. Na época, achava que o máximo que eu conseguiria chegar era uma meia maratona. Bobinha eu…

Um ano de corrida fiz minha primeira prova de montanha, e foi amor à primeira vista. Me apaixonei pela dificuldade do percurso e pelo visual, que transformavam a corrida em algo muito mais significativo pra mim do que simplesmente bater um tempo específico.

Estudando sobre, comecei a me familiarizar com as ultramaratonas e vi que era ali que meu desafio estava. Na época, o máximo que eu tinha corrido era a Maratona do Vinho 2018, cinco meses depois da minha primeira maratona, fui para os 50 km do Trilhas do Morro Gaúcho.

Morro Gaúcho a prova mais bruta
Morro Gaúcho – Créditos: ClicRun

O treinamento foi puxado! Longos que eu nunca tinha feito na vida, percursos, trilhas e montanhas que eu fazia pedalando passei a fazer correndo. Restrições alimentares, musculação, pilates…

A largada da ultramaratona mais “bruta” (difícil) do Rio Grande do Sul, foi às 7 horas da manhã, a prova tinha mais de 2.600 metros de altimetria acumulada. No Km 45 haveria um ponto de corte para os atletas que passassem por ali após às 16h30min. O tempo limite para completar o percurso eram 10 horas.

Minha estratégia: subir tranquila, descer forte e correr/trotar no plano.

Minha meta: completar a prova do Morro Gaúcho

A prova:

A maioria das subidas eram em caminho para apenas uma pessoa (single track, como dizem), muito difíceis. Sofri! Aliás, todo mundo sofreu! E as descidas íngremes, com muito barro, como se fosse sabão em um piso molhado. Ainda bem que corri com os bastões e pude descer várias delas “esquiando”!

Ahh…e as partes planas eram assim, mais barro, água e trilhas!

Morro Gaúcho a prova mais bruta
Morro Gaúcho – Créditos: ClicRun

Nos quilômetros iniciais estava correndo junto com a Saionara e a Edinéia (campeã e terceira colocada geral, respectivamente). Mas aí lembrei que era minha primeira ultramaratona e não queria “quebrar”.

Baixei o ritmo e fui seguindo…

Fui tranquila até o Km 22, onde encontrei a Magda Chagas e o Duda Piras no (segundo) ponto de hidratação. Parei alguns minutinhos para comer algo e dar umas risadas com a dupla.

Quando estava saindo a Magda disse:

– Daqui até o próximo ponto de hidratação (Km 35) vai ser puxado também!

Analisei rapidamente o gráfico de altimetria e certamente não seria nada fácil os próximos quilômetros. Por sorte fiz um amigo uruguaio, que foi comigo até o Km 29 (aproximadamente), me apoiando e incentivando, sem ele seria muito mais difícil.

No Km 35 reencontrei a Magda e o Duda no então, terceiro ponto de abastecimento. Ali eu já não estava mais tão “feliz” o sono e uma leve dor nas panturrilhas estavam começando a me castigar. Mas aquela altura não poderia desistir da prova.

Lembrei dos últimos meses, do quanto foi árduo conciliar o trabalho, faculdade…casa e muitos treinos. Levantei e comecei novamente, animada, mas cansada, as pernas já não eram mais as mesmas, a cabeça parecia uma locadora de vídeos, a cada trilha um filme diferente, isso quando não rodava uns dois ou três filmes ao mesmo tempo. Segui firme, subindo forte as montanhas, e algumas poucas vezes, um trote nas descidas.

Lá pelo Km 36 encontrei a curitibana Christiane, ela estava um pouco enjoada e fraca, ofereci a minha Coca-Cola à ela, conversamos um pouco e seguimos as escaladas. Mas tinha uma coisa que não saia da minha cabeça: a Trilha do Beiço! Ouvi horrores sobre ela, em que quilômetro ela estaria?!

Hora eu puxava a Christiane, hora ela me puxava…não lembro ao certo em que Km eu acabei me afastando dela e cheguei na temida Trilha do Beiço. Tive o privilégio de fazer o seu percurso na parceria do Nédson do Canal 100 Fôlego e lá no finalzinho saber o porquê de “Trilha do Beiço”!

Após caminhadas, escaladas e pequenas pausas para ao menos respirar, vencemos a Trilha do Beiço…Que alívio! Segui com o Nédson por mais alguns trechos até a trilha da descida da cachoeira (não lembro o nome dela, rs) ali a Christiane conseguiu nos alcançar. Fiquei aliviada quando a vi, pois sabia que não estava bem.

Novamente seguimos juntas, era incrível nossa sintonia. Parecia que éramos amigas de longa data!

Achei que a Trilha da Lona Preta era difícil, depois vi que a do Beiço era muito pior…Mas o que era aquela escalada com cordas na cachoeira?! Rs Aquilo me lembrou o tempo em que fazia corrida de aventura.

Não sei como, de que forma…saímos correndo – ou melhor tentando correr – após a escalada, com receio de levar o corte no Km 45. Dessa vez a Christiane puxava. Em certos pontos ouvíamos música lá longe…no local da largada/chegada e aquilo era muito motivador.

Para minha surpresa, chegando no Km 44 encontrei a Analucia, naquele momento o cansaço foi embora e uma alegria imensa tomou conta de mim. Conheci Ana a alguns meses atrás na primeira etapa do CGCTM em Farroupilha e desde então sempre nos ajudamos nas provas. E ali, não podia ser diferente…

Paramos no km 45 que era o último ponto de abastecimento e também ponto de corte, o staff Leonardo nos informou que os últimos 5 km da prova haviam sido cancelados para a segurança dos atletas. Então nos restavam somente mais uns 700 metros até a tão sonhada linha de chegada.

Morro Gaúcho a prova mais bruta
Morro Gaúcho – Créditos: ClicRun

Seguimos juntas eu e Ana, esses últimos metros que na verdade pareciam quilômetros. E cruzamos quase juntas a linha de chegada, que na verdade é um marco que vai muito além da medida de tempo registrada entre a sirene da largada e a última passada. Suor, esforço, sacrifício, dor, renúncias, dedicação, comprometimento, amor e paixão são alguns de seus sinônimos.

Christiane a curitibana que correu comigo alguns quilômetros e conclui a prova alguns minutinhos na minha frente, me aguardava após a linha de chegada. Sorridente e “ultrafeliz” com nossas conquistas. Lá também estavam tantos outros amigos que fiz durante o percurso.

Na minha estreia em ultramaratona, o pórtico de chegada foi a visão mais desejada durante o percurso de aproximadamente 50 Km com mais de 2.600m de altimetria acumulada, ele é na verdade, a concretização de todo um processo que vai do início da preparação à realização de um sonho. É o registro de um momento cuja lembrança irá transcender por anos a fio.

Mas não estive sozinha nesta recente trajetória de corredora. Desde muito antes do Trilhas do Morro Gaúcho, tive ao meu lado grandes apoiadores: CURTLO BR, Patos do Sul, Casa Natural Serra, Academia Performance Fitness e Vera Bike. Que sempre me incentivaram a ser exatamente quem eu sou, fazer o que me faz feliz e não ter medo de sonhar.

Trilhas do Morro Gaúcho, foi mais uma grande etapa do Campeonato Gaúcho Corrida Trilhas e Montanhas, graças ao profissionalismo das equipes da L&E Eventos, Brutus do Gaúcho, ClicRun, 3cTiming e Youmovin que fizeram um evento impecável em todos os sentidos.

Pico Paraná

O Pico Paraná, localizado no município de Antonina, pertencente ao conjunto de serra chamado Ibitiraquire, que na língua tupi significa “serra verde”. Imponente e desafiador, destaca-se do alto dos seus 1.877 metros de altura, como a montanha mais alta da Região Sul do Brasil. É assim, um convite irresistível à aventura para todos que curtem montanhismo.

trekking Pico Paraná
O gigante

Já fazia um bom tempo em que o PP (Pico Paraná) era mencionado nas conversar casuais da trupe, como uma trilha indispensável para o nosso álbum de recordações, sendo que ao menos duas vezes no ano passado, tentamos organizar a missão e em ambas, as previsões climáticas fazia com que fossemos obrigados a cancelar a missão quase encima da hora.

Só agora, em 2018, após uma conversa com meus  brothers de perrengues, Bruno e Filipe, decidimos novamente escolher uma data para subir o Pico Paraná.  Com o cuidado de não pegar um final de semana,  nosso plano era ter a trilha o mais vazia de gente possível, para assim termos uma experiência mais intensa com a montanha. Foi então que Filipe comentou que no dia 23 de março, uma sexta-feira, seria feriado por conta do aniversário de Floripa. De pronto batemos o martelo e definimos que nossa investida ao Pico Paraná iniciaria na sexta-feira, dia 23 e terminaria no sábado, dia 24, evitando assim, o movimento intenso que é normal na trilha durante os finais de semana.  Plano perfeito!  Bastava apenas monitorar o clima na montanha para termos o sinal verde.

Quinta-feira, dia 22, previsão de tempo firme para a sexta e alguma chuva fraca no fim de tarde de sábado, era este o nosso sinal verde. Tratei de jogar os equipamentos todos na cargueira e com uma carona providencial de uma amiga, rumei para pernoitar na casa do Filipe em Floripa, de onde, às 05 h 30 min da madruga,  a trupe pegaria estrada rumo ao Pico Paraná, distante aproximadamente 350 km para serem percorridos em pouco mais de 4 horas de viagem.

Primeiro dia:

Conforme programado, antes do sol nascer, já estávamos na estrada, levando café na térmica para evitar o sono e também aquelas paradas desnecessárias que sempre consomem tempo, pois todos estavam cientes que precisávamos estar no cume ou perto dele antes do sol ir embora.  Com muita conversa e risadas, quase nem vimos o tempo passar e com tranquilidade, antes das 10 h da manhã, já nos encontrávamos dentro da Fazenda Pico Paraná, ponto zero de nossa pequena aventura.

A previsão de tempo para completar a trilha até o acampamento A2, carregando cargueiras, fica por volta de 6 horas de pernada morro acima, e para chegar ao cume é necessário mais uma hora.

A trilha, já de inicio, começa numa subida boa para aquecer as panturrilhas, o que dava uma pista que ali não era o “Beto Carrero”… kkk No começo, o que se vê é uma trilha normal, bem aberta e sem obstáculos, mas na medida em que fomos subindo, aos poucos começam a aparecer degraus de pedras e raízes de tamanhos variados. Gradativamente os obstáculos se multiplicam e se tornam cada vez maiores. Uma diversão para quem está bem preparado e, obviamente, um perrengue para quem não está.  Já fizeram le parkour com uma cargueira nas costas?

trekking Pico Paraná
Trecho de trilha fechada.

A trilha segue sempre bem marcada e com bastante sinalização de fitas brancas, com pouquíssimos pontos que exijam maior atenção ä navegação. De qualquer maneira, é sempre recomendável ir com alguém que tenha experiência e/ou conheça bem a região.

Água não é um problema, com um bom estudo de relatos da trilha, e uma programação simples, chega-se ao topo sem a preocupação de ficar com o bico seco.

Nosso plano inicial era subir direto, alcançar o cume e acampar por lá se o tempo estivesse firme e antes do escurecer. No entanto, a turma sentiu o desgaste causado pela noite de sono curta, as horas de estrada, e somado a estas coisas, a subida forte… Após os paredões que possuem grampos e cordas, já bem próximos do acampamento A2, Filipe começou a sentir câimbras fortes nas pernas. Com isso, diminuímos um pouco o ritmo e ao chegamos no A2, Filipe, já bem cansando e sentindo  câimbras, informou que ali era o fim da linha para ele neste primeiro dia. Numa conversa rápida, definimos montar o acampamento ali mesmo, no esquema “ninguém fica para trás”. Ainda durante a conversa, eu e Bruno, inicialmente, estávamos decididos a continuar a trilha num ataque até o cume, pois eram apenas 17 horas, aproximadamente, e o sol só iria embora lá pelas 18h20min. Daria tempo de subir, assistir ao pôr do sol e descer no escuro até o acampamento. Mas se assim fosse, o Filipe ficaria de fora, então mudamos o plano e decidimos acordar na madrugada do dia seguinte e fazer o ataque ao cume ainda no escuro para pegar o sol nascendo lá no alto.

Colocamos em prática o nosso plano B. Com tranquilidade tratamos de escolher um lugar bom para montar o acampamento, e enquanto a turma armava as barracas, fui buscar água para preparamos o jantar, na única e última nascente, que fica numa pequena trilha de uns 80 metros (bem chatinha), ao lado das ruínas da casa de pedra.

trekking Pico Paraná
Acampamento A2

O clima estava perfeito, embora abaixo de nós, o que se via era um enorme mar de nuvens cobrindo tudo, deixando visíveis, apenas os demais picos próximos. Nada de vento.

Fizemos nosso jantar, jogamos conversa fora, e sem muita enrolação, nos entocamos dentro das barracas para descansar os esqueletos castigados pela subida e colocar o sono em dia.

Durante a madrugada, que não foi fria, lembro que acordei com duas pancadas leves de chuva, que me fizeram lembra que a previsão para o dia seguinte era de chuva na tarde… Fiquei um pouco preocupado com a possibilidade de o clima estar mudando antes das previsões, mas não perdi o sono não… Kkkk Voltei dormir rapidinho.

Dados do primeiro dia:

Distância percorrida: 7,6 kms

Tempo na trilha: 7 horas

Acúmulo de subida: 1011m

Acúmulo de descida: 348m

Altimetria Pico Paraná

 

Segundo dia:

Cinco e meia da madrugada, toca o despertador e de pronto, tratei de me mexer. Abri a porta da barraca para dar uma olhada no céu e vi estrelas. Era um bom sinal, depois da chuva que rolou durante a noite.

Chamei a turma e apenas o Bruno se prontificou em fazer o ataque até o pico. Vesti meu anorak, bebi um pouco de água, coloquei uma maçã na boca, a headlamp na cabeça e, junto com o Bruno, começamos a trilha. Ainda que visualmente, o pico estivesse bem próximo, leva por volta de uma hora para alcançar o cume. Com a primeira claridade no horizonte rompendo a escuridão da madrugada, tocamos morro acima.  A trilha estava bem molhada, e como o trecho inicial é repleto de mato alto, inevitavelmente acabamos tão molhados que parecia que tínhamos tomado uma chuva na tampa… kkk

trekking Pico Paraná

trekking Pico Paraná

Após uma hora de subida com vários obstáculos, e também como não poderiam faltar, algumas escalaminhadas, o sol nos dava boas-vindas no cume do Pico Paraná. Olhando em 360 graus, não havia nada acima de nós além do sol e o céu azul. Abaixo, os picos próximos se destacavam parcialmente dentro de um mar branco de nuvens baixas. Nosso acampamento, um tanto distante, era apenas um pequeno ponto cor de laranja no meio do verde, bem abaixo de onde nos encontrávamos. Um visual alucinante!

trekking Pico Paraná
No ponto mais alto do sul do Brasil: Pico Paraná.

trekking Pico Paraná

Depois de curtir aquele momento mágico e registrar a passagem da trupe no livro de cume, começamos a descida até o acampamento para tomar café e desmontar o circo.

Não demorou muito e os primeiros trilheiros, passarem por nosso acampamento, munidos apenas de mochila de ataque, rumo ao cume.

Quando chegamos ao acampamento, Filipe nos aguardava com um fabuloso café da manhã… #sqn Diante desta falta lamentável, tratamos de fazer o café da manhã reforçado para recarregar as calorias, e assim, de barriguinha cheia, começar a longa descida até a Fazenda Pico Paraná.

Assim que terminamos de desmontar o acampamento e carregar as cargueiras, lembrei do momento em que, ainda em casa, deixei meu par de bastões de caminhada, por preguiça e crendo não serem necessários… Ainda bem que arrependimento não mata. Não é verdade?

Trekking Pico Paraná
Trupe Suricatos Hiperativos

Divagações e murmurações à parte, começamos nossa descida pouco depois das 10 horas da manhã, com sol e temperatura amena. Sem pressa, para poder aproveitar o visual e também tendo o cuidado que certos trechos da descida, seguíamos bem, anda que a descida, a meu ver, é sempre mais difícil que a subida.

Depois que descemos os dois lances de paredões com vias ferratas, começaram a aparecer grupos de trilheiros com suas cargueiras rumo ao alto da montanha.  Enquanto cruzávamos com a turma em sentido contrário, comentei com Bruno e Filipe, o quanto fomos felizes em ter feito a escolha da data da forma como se deu. Afinal, tudo indicava que o A2 e possivelmente o cume, ficariam lotados de barracas naquela noite de sábado. Certamente mais de vinte pessoas, em grupos diferentes.

A descida seguia tranquila e devagar no eterno superar de subir e descer pedras, raízes e troncos, até que num dos pontos de água, num pequeno córrego que cruza a trilha, algo aconteceu…

Como cheguei na frente da turma ao ponto de água, sentei num tronco com o córrego bem aos meus pés, para assim descansar um pouco, beber água tranquilamente e curtir a vibe daquele lugar bonito. Eu nem tinha terminado de tomar a primeira caneca de água, quando Filipe, se aproximou de mim para pegar água e arrumar um lugar para sentar, escorrega na laje molhada e caindo sem controle, bate forte com um dos braços na minha cabeça. Nada demais, uma pancada apenas, não fosse pelo fato de eu estar com os óculos na cabeça. A pancada forte fez com que a armação dos óculos fizesse um corte razoável em minha “linda careca” e rolasse uma sangueira no mesmo instante.  Uma pequena correria para avaliar o tamanho do corte e fazer um curativo para proteger o ferimento e tudo voltava a normalidade do que estava acontecendo até então. São bons esses óculos da Julbo não quebram e se precisar improvisar um canivete, pode contar com eles… kkk

Trekking Pico Paraná
Acidentes acontecem.

Após andar mais uma hora e pouco, a trilha começou a abrir, mostrando que já estávamos próximo do fim. Com sol forte na tampa, já cansados da descida de cinco horas, o trecho final parecia infinito, mas logo apareceu no visual a Fazenda e nos reanimamos para descer mais rápido.

Ao chegar à fazenda, tratamos rapidamente de tirar as botas e meias, e ficar descalços naquele gramado impecável.

Alguns rápidos minutos de relax na grama, organizamos a fila do banho e encomendamos alguns pastéis, que por sinal são muito bons, para fazer uma rápida confraternização, dar algumas risadas das coisas que aconteceram e por fim, pegar a estrada de volta para casa.

Trekking Pico Paraná
“A felicidade só é real quando compartilhada” by Alex Supertramp.

Dados do segundo dia:

Tempo na trilha (ataque cume): 1 hora, 12 minutos

Acúmulo de subida: 269 m

Acúmulo de descida: 25 m

Tempo total (ataque cume e descida até Fazenda PP): 9 horas, 44 minutos

Distância total percorrida: 8,9 kms

Acúmulo de subida: 599m

Acúmulo de descida: 1253m

Altimetria Pico Paraná

Dicas e recomendações:

– Fazenda Pico Paraná:

Gostamos e recomendamos, apesar de ter apenas um banheiro, o lugar é bastante bonito, bem cuidado e seguro para deixar o carro.

A dica aqui é deixar uma muda de roupa limpa, toalha e demais equipos de banho no carro, para na volta da montanha, resolver a questão da higiene pessoal e voltar para casa bonitos e cheirosos. 😉

A fazenda possui uma pequena cantina que serve deliciosos pasteis com refri e cerveja bem gelada.

Custo da entrada na fazenda em março de 2018: R$10,00

Mais informações: acesse aqui.

– Levar bastões de caminhada! Kkkk

– Faça uma boa previsão do tempo antes de subir para o PP, pois se pegar chuva lá no alto, a descida pode se tornar bastante perigosa.

O pôr do sol visto do Pico Paraná

Vale Sagrado e seus encantos

Vale sagrado é um dos lugares mais lindos que já visitei, para todos os lados é possível ver paisagens ainda intocadas, grandes cadeias de montanhas e enormes plantações.

Como seu próprio nome já diz, o lugar é sagrado mesmo, pude contemplar esse espetáculo da natureza em dois momentos diferentes, momentos estes que fizeram a minha ida ao Peru ser grandiosa e espetacular.

A primeira ida ao Vale grado foi de ônibus, conheci um dos sítios arqueológicos mais imponentes de todo Império Inca, chamado de Ollantaytambo, este possui uma arquitetura incrivelmente preservada, é a única cidade da era inca ainda habitada.  Situado na parte sul a aproximadamente 90 quilômetros a noroeste da cidade de Cusco.

Vale Sagrado

Vale Sagrado

Vale Sagrado

Melhor que apenas ficar olhando pela janela do ônibus a paisagem é poder contemplar um pôr do sol e um nascer do sol em um dos locais mais incríveis do Peru, o Vale Sagrado sem dúvida alguma é um lugar tranquilo, mistico e completamente enigmático, lembro-me de chegar no hotel um pouco antes do sol baixar no horizonte, este hotel que era muito lindo e harmonioso, tinha um jardim enorme com uns bancos de madeira em meio as árvores, sentei em um deles e fiquei apenas observando atentamente as montanhas mudarem de cor, conforme o sol ia baixando, sem comentários está linda obra da natureza que é o Vale Sagrado dos Incas.

Vale Sagrado

Vale Sagrado

Fiquei ali tirando algumas fotos e aguardando as estrelas aparecerem no céu, e ao poucos elas foram aparecendo e iluminando todo o cenário. Tentei por alguns instantes capturar algumas imagens deste momento, mas sem muito sucesso, estava muito claro no local, então as fotos não ficarão aquelas coisas. kkk

Vale Sagrado

Na manhã seguinte, levantei cedinho pois queria ter a chance de contemplar o sol nascer, mais um vez fiquei admirado com tamanha beleza, o sol nascia devagar, mas radiante, aos poucos a luz amarelada e avermelhada, contrastava com o céu azul, fazendo eu me sentir completamente maravilhado e empolgado para colocar a mochila nas costas e seguir para a estação do trem.

Vale Sagrado

O segundo momento de contemplação deste lugar fascinante, foi o deslocamento de trem até a cidade de Aguas Calientes, porta de entrada para a cidadela de Machupicchu.

O caminho realizado pela empresa responsável pela concessão ferroviária é a PeruRail, a estrada de ferro percorre em meio aos vales, atravessando pontes e margeando o rio Urubamba, a cada curva as paisagens mudam, as montanhas começam a ficar íngremes e estonteantes, com certeza é um lugar único, conforte o sol se move, cria uma coloração intensa nas montanhas que contrasta com o azul do céu.

Vale Sagrado

Vale Sagrado

A vista de dentro do trem é incrivelmente linda, os vagões possuem amplas janelas nas laterais e algumas janelas no teto, em alguns trechos o trem atravessa paredões gigantescos de pedra, os túneis do Peru são um pouco diferente dos túneis que temos aqui no Brasil, as aberturas de ventilação são construídas na parte de cima do teto dos túneis, lembro-me de ficar olhando pelas janelas sob o teto do trem, com certeza uma das viagens mais divertidas que fiz de trem.


O tempo de percurso dentro do trem é de duas horas aproximadamente entre o Vale Sagrado dos Incas até a cidade de Aguas Calientes. Uma viagem que recomendo muito. Veja o mapa do trajeto abaixo:

Vale Sagrado

Se quiser fazer uma viagem emocionante, recomendo muito visitar o Peru, passe alguns dias nesse lugar e aposto todas as minhas fichas que você voltará completamente diferente do que quando começou a viagem! 😉

Bivaque Twilight Bivy Black Diamond

Apresento a vocês leitores a barraca bivaque Twilight Bivy da marca Black Diamond, vou mostrar suas principais características construtivas, tecnologias empregadas e curiosidades sobre este produto.

Sobre a marca:

A empresa Black Diamond começou seus trabalhos no ano de 1957 projetando engrenagens avançadas, tornou-se especialista em equipamentos para as práticas de escalada e esqui. Atualmente possui escritórios em 3 continentes, sendo eles, América do Norte(sede), Europa e Ásia.

Bivaque Twilight Bivy

 

Site da marca: blackdiamondequipment.com

Bivaque Twilight Bivy Black Diamond

Este equipamento foi comprado nos Estados Unidos pelo nosso amigo e parceiro Evandro Clunc, proprietário da empresa Sol de Indiada onde este nos convidou para fazer uma breve avaliação deste produto, sem mais delongas, vamos para apresentação:

A Barraca Bivaque Twilight Bivy é um equipamento muito usado fora do Brasil, mas bem pouco conhecido por aqui, é destinado para pessoas que fazem longas travessias de trekking ou iniciação em Alta montanha. Para que você entenda melhor, imagine uma capa impermeável de saco de dormir, imaginou? Parece brincadeira né, mas não é, este modelo é muito simples e funcional.

Características e materiais:

Desenvolvido com materiais de primeira linha, este modelo é construído com tecido leve e altamente resistente conhecido como NanoShield. Essa tecnologia é patenteada pela própria empresa Black Diamond, consiste em um tecido de camada única, respirável e extremamente resistente a água, pois além disso conta ainda com um revestimento em Silicone Nanocell, permitindo que o tecido continue sendo leve, suave e de fácil acondicionamento.

Bivaque Twilight Bivy

Construído para suportar os climas mais difíceis é uma ótima barraca bivaque quatro estações, contando com as medidas aberto: 208 centímetros de comprimento e 84 centímetros de largura, quando fechado, conta com as medidas de 8 cm de largura por 13 cm de comprimento, é tão pequeno que podemos comparar com o tamanho da palma de uma mão, veja a imagem abaixo:

Bivaque Twilight Bivy

A bivaque Twilight Bivy possui um peso invejável de 302 gramas embalado e 290 gramas sem a embalagem.

Detalhes:

Quando está aberto se parece muito com um saco de dormir, mas ao olharmos mais de perto notamos algumas detalhes interessantes, este modelo não deixa a desejar em nenhum aspecto, desenhado de maneira minimalista conta com um grande zíper na altura dos ombros, acompanhado de proteção de tecido acima do zíper impedindo assim que por ocorrência de chuva ou ventos fortes entre água em seu interior. Caso você queira deixar ele aberto é possível enrolar a porta de abertura e prender nas cordas de fixação.

Bivaque Twilight Bivy

O modelo conta também com uma tela mosquiteiro, com buracos minúsculos, nem mesmo a menor formiga consegue entrar ali. Também é possível enrolar a tela mosquiteiro e prender com as cordas de fixação.

Bivaque Twilight Bivy

Depois de todo ele aberto, é só colocar o isolante térmico, mais o saco de dormir dentro dele, deitar-se em seu interior e aproveitar uma maravilhosa noite de sono.

Bivaque Twilight Bivy

Bivaque Twilight Bivy

OBS: Nunca esqueça de colocar o isolante térmico embaixo do saco de dormir, isso garantirá a você uma noite confortável, evitando que seu corpo resfrie durante a madrugada.

Bivaque Twilight Bivy

Onde comprar:

Caso você queira adquirir o Bivaque Twilight Bivy Black Diamond, recomendo comprar na loja online REI ou pelo site da marca Black Diamond.

Uma terra de segredos

Hoje venho aqui falar sobre a minha experiência ao desfrutar de toda a beleza de uma das 7 maravilhas do mundo moderno, conhecida como Machupicchu, a cidade perdida do Império Inca.

A cidade de Machupicchu está localizada em meio a Cordilheira dos Andes, no alto de uma montanha a cerca de 2.400 metros de altitude, cercada por inúmeras montanhas a sua volta, umas maiores e outras menores.

Quando estava adentrando nesta cidade perdida senti que estava pisando em um lugar sagrado, a paz e a tranquilidade misturada com um sentimento de euforia tomaram conta de mim, conforme ia admirando a beleza de cada pedaço construído ficava mais encantado.

Sempre imaginei pelas fotos que via na internet, que o lugar parecia ser pequeno. Mas como diz o ditado você nunca pode confiar totalmente naquilo que vê através de uma imagem. Era preciso ver essa maravilha do mundo com meus próprios olhos.

Estar ali olhando para tudo aquilo, me fazia não querer sair mais, o lugar é simplesmente gigantesco, andei por quase todos os locais por umas cinco horas, fotografando e tentando entender o que toda aquela beleza majestosa queria me dizer. Dentre inúmeras fotos tiradas quis fazer a clássica foto pulando em Machupicchu, mas não deu tão certo quanto imaginava, pois é proibido fotografar desta maneira. A cada tentativa os guias locais me chamavam a atenção e eu ficava apreensivo, pois subir até lá e não fazer uma foto assim seria uma das coisas para se arrepender depois.

Machupicchu
Não ficou aquela foto que eu tinha imaginado, mas ao menos consegui, o que importa é realizar nossos sonhos!

As construções de Machupicchu tem todas elas um grande significado, dentre as histórias e lendas do lugar, algumas delas me chamaram muita atenção, pois o povo que construiu tinha uma inteligência admirável. A astronomia e as coordenadas geográficas estavam ligadas diretamente nas construções, veja abaixo algumas das construções que mais me chamaram a atenção:

Machupicchu

Na foto acima, podemos ver a maneira que a pedra foi esculpida retratando a geografia da montanha ao fundo, este era uma das tantas construções importantes da cidade de Machupicchu, tinha como principal função, servir como base de orientação dos pontos cardeais, funcionando como uma espécie de bussola, em dias nublados onde não era possível avistar as montanhas ao fundo, essa construção tornava-se efetiva para o povo Inca se localizar.

Machupicchu

Machupicchu

Ao contrário do que muitas pessoas pensam sobre a maneira de como a cidade foi erguida diante da montanha, pelas fotos podemos notar que a cidade de Machupicchu foi praticamente toda lapidada com as próprias pedras da montanha, todas elas são do mesmo local, só foram esculpidas e modeladas até chegarem a perfeição.

Uma das coisas que me chamou muita atenção foi a maneira como esse povo criou o seu próprio calendário anual, chamado de calendário solar.

Na frente da cidadela de Machupicchu possui uma série de picos gigantescos que fazem parte da enorme Cordilheira dos Andes. Na foto abaixo podemos ver esses inúmeros picos, e também a Porta do Sol localizada no lado direito da foto.

MachupicchuEntendendo o calendário solar:

Na foto acima note que a diversos picos de montanhas, estes em forma de “V” é a marcação dos meses do ano, terminando na Porta do sol localizada na parte direita da fotografia. A Porta do sol tem esse nome pois ali entra os primeiros raios de sol na época do solstício de verão, no dia 22 de dezembro, podemos dizer que era uma data especial para o povo Inca e à medida que o tempo passa, o sol vai se deslocando para a esquerda nas montanhas, assim os grandes mestres incas sabiam dizer qual mês do ano eles estavam.

A Porta do sol é também a porta de entrada da maioria das trilhas a pé que levam a Machupicchu, inclusive a famosa Inka Trail (Trilha Inca).

Valores do ingresso:

A compra dos ingressos para Machupicchu podem ser encontrados no site:

Veja também aqui no nosso site, o relato da subida da Montanha de Waynapicchu, clique aqui.

Waynapicchu a montanha jovem!

Hoje falarei um pouco sobre a minha experiencia e o privilégio de ter subido no topo da montanha de Waynapicchu, que traduzido do Quechua significa Montanha Jovem. Localizada a 2.667 metros acima do nível do mar, é com certeza um dos locais mais procurados pelos visitantes da cidadela de Machupicchu.

Para ter ideia da exclusividade que é dada a essa montanha, apenas 400 pessoas/dia, divididas em dois grupos de 200 pessoas cada, podem subir ao topo, com horários pré-estabelecidos. Para tanto, o bilhete deve ser adquirido com pelo menos um mês de antecedência, caso seja um aventureiro como eu e esteja sempre buscando novos desafios, essa trilha é para você!

Waynapicchu a montanha jovem!

Waynapicchu a montanha jovem!

Cheguei na  guarita que dá acesso a Montanha Waynapicchu por volta de 06 h 50 min, o bilhete de entrada que comprei era com o primeiro horário, pois logo no começo da tarde precisava pegar o trem de volta a Cusco. Com a guarita fechada ficava imaginando como seria a trilha, os perrengues que iria passar (pois tenho um certo medo de altura) acredito que combater nossos medos é a maneira que mais contribui para nossa evolução como pessoa.

A guarita abriu, o guarda do parque carimbou o bilhete e pediu para assinar um livro enorme, onde nele precisava preencher com o nome da pessoa, país, idade e o horário de entrada. Somente após tudo preenchido era possível realizar a trilha.

Na primeira parte da trilha, tive a impressão de estar passeando em um parque, as trilhas são largas, bem sinalizadas e com pequenos degraus em divididos em lances, a vista é incrível. Apos a subida de certa altitude, inicia uma descida um pouco íngreme e sinuosa, neste ponto, é possível avistar boa parte das trilhas (vídeo 1) que levam até o cume da montanha.

Waynapicchu landscape

Ao iniciar a trilha, uma das coisas que mais me chamou a atenção foi que também é possível fazer uma segunda trilha, na montanha de Huchupicchu, que é uma montanha bem mais baixa e localizada na frente da montanha Waynapicchu.

Video 1

O vídeo acima retrata a transição entre as montanhas de Huchupicchu para a Waynapicchu. A partir desse ponto, a subida se torna cada vez  mais íngreme e estreita, conforme ia caminhando tinha a sensação de estar subindo para as nuvens, durante todo o trajeto é possível visualizar pessoas acima  e outras abaixo, todas em direção ao cume, essa possibilidade de ver pessoas acima e abaixo de você é algo fascinante e ao mesmo tempo um pouco insano. A parte interessante da subida e das longas escadarias é que na maioria delas existe um corrimão feito de cabos de aço, estes são encrustados nas pedras, o que possibilita agarrar-se a ele o que causa segurança na subida. Os degraus possuem um bom espaçamento e há inúmeros pontos de paradas para descanso, para ter ideia do quanto cansa subir os inúmeros lances da escadaria, a cada dois lances, por dois motivos, obrigava-me a parar alguns minutos, um deles, certamente era para pegar fôlego, e o outro, para admirar a beleza do lugar e eternizar a vista através de imagens fotográficas.

Waynapicchu - caminhos pelo mundo

subindo a montanha de Waynapicchu

“O caminho é o que importa, não o seu fim. Se viajar depressa demais, vai perder aquilo que o fez viajar.” Louis L’Amour

Após inúmeras paradas e muitos  lances de escadaria atingi o primeiro mirante. Do local é possível avistar a cidadela de Machupicchu e as montanhas ao seu redor, estas que tem tons avermelhados o que deixa a vista muito mais incrível. Neste momento, agradeci por poder estar ali naquele lugar e poder desfrutar de toda aquela beleza natural. No mirante inicia uma sessão de escadaria totalmente vertical, só de olhar para cima já dava arrepios, neste trecho os degraus são pequenos e estreitos, logo que comecei a subir a sensação de medo  somada com a imensa vontade de chegar ao topo, me fez subir degrau por degrau sem olhar para baixo, alguns trechos desta subida contém corrimão, porém em outras partes, foi necessário se agarrar nas pedras da parte de cima. A escadaria é tão vertical que algumas vezes precisei subir de quatro pés, só para constar, calço número 38 e em relação aos degraus, o meu pé ficava apoiado somente pela metade, então na maioria das vezes subi de lado.

Vídeo 2

As escadas verticais de Waynapicchu

Atingir o cume é algo incrível, do alto temos uma visão 360° graus e um vista panorâmica de Machupicchu. O esforço empreendido para subir e a respiração ofegante na maioria do trajeto é compensada pela paisagem única do lugar. E foi neste ponto, exatamente no cume, que sentei em uma pedra  e fiquei apenas observando e agradecendo a oportunidade de poder estar ali.

No topo da montanha encontram-se algumas construções andinas que serviram como observatório astronômico, e também o Templo da Lua, construído em uma caverna natural.  Aproveitei para fazer algumas fotos, veja abaixo:

Primeiro mirante de Waynapicchu

Construções Andinas de Waynapicchu

Cume da montanha de Waynapicchu

Topo da montanha de Waynapicchu

Permanecemos cerca de 30 minutos no cume e é chegada a hora de iniciar a descida de retorno. Não sou o tipo de pessoa que gosta de descer montanhas, todo o tempo ficava imaginando, e de certa forma preocupado em como faria para descer aquela escadaria vertical, mas como a descida era obrigatória, com muito cuidado e atenção fui descendo degrau por degrau, com olhar fixo e atento a cada passo, pois não queria sofrer algum deslize. Entre subir e descer, foram aproximadamente 1 h e 45 min. No retorno à guarita, antes da saída, novamente se faz necessário assinar o livro e preencher a hora de retorno.

Guarita-Waynapicchu

Recomendações e conclusões importantes:

A trilha que leva à Montanha Waynapicchu é bastante estreita, íngreme e cansativa, caso você tenha algum problema nas articulações, sobre-peso, pânico de altura ou problemas cardíacos, não recomendo fazer essa aventura.

A caminhada, por sua vez, posso dizer que não é tão difícil como eu imaginava. Acredito que seja  de nível moderado, tornando-se assim, recomendada para pessoas que já praticam algum tipo de exercício físico.

Use calçados confortáveis e já pré amaciados, chapéu ou boné, protetor solar e repelente.

Ingresso Montanha Waynapicchu:

  • Altura: 2,693 m.s.n.m.
  • Localização: Norte da montanha de Machu Picchu.
  • Acesso: Da Cidade Inca de Machu Picchu, no Setor de Huayranas (Rocha Sagrada). Ingresso a partir do Casa Controle.
  • Bilhete de Ingresso: Ingresso Machu Picchu + Waynappichu.
  • Horários: Primeiro Grupo: 07:00 hrs. 08:00 hrs. – Segundo Grupo: 10:00 hrs. – 11:00 hrs.
  • Número de visitantes: 400 por dia, divididos em dois grupos de 200. Mostrar disponibilidade Waynappichu.
  • O tempo de caminhada: 1 hora e 30 minutos subida e da mesma forma para descida.
  • Grau de dificuldade: Media, penhascos, íngremes das montanhas, muitos passos (não recomendado para aqueles que sofrem de vertigem).
  • O que levar?: Sapatos antiderrapantes, protetor solar, repelente de insetos, capa de chuva (dependendo da época).
  • Atrações arqueológicas: Andinas, o Templo da Lua em uma caverna com amostras de nichos, vergas e fina cantaria.
  • Flora e fauna: Paisagem de selva, cercado por uma vegetação exuberante, um habitat importante para aves, borboletas, insetos, todos pertencentes à paisagem tropical.
  • Clima: Quente e úmido durante o dia, esfriando à noite. Estação seca: Maio-Outubro / Estação das chuvas: Novembro-Março.
  • Vantagens: Vista panorâmica do Cidade Inca, estradas, ruas, praças e delegacias.
  • Desvantagens: Precipícios, coberto por vegetação, caminho estreito.

Blusa X-Power® Zip Preta SOLO

Blusa X-Power® Zip Preta SOLO

Hoje irei apresentar a vocês leitores, a blusa X-Power Zip da marca Solo, testei toda a sua funcionalidade e capacidade de isolamento térmico em pleno inverno na cidade de Urubici/SC, lembrando que esta é uma das cidades mais frias do Brasil. Há alguns anos, o local registrou a temperatura mais baixa do território Brasileiro, -17° graus no inverno.

Essa blusa faz parte da primeira parte do sistema de camadas, conhecida como Base Layer ou segunda pele. É uma blusa térmica usada em clima muito frio, onde o aventureiro pratica muitas atividades e movimentos. A primeira função é manter o calor gerado pelo corpo, a segunda função é retirar o suor gerado pelos movimentos, mantendo assim toda a capacidade de isolamento.

O tecido Polartec® Power Stretch® Pro ™ é composto por duas camadas: uma interna, que elimina o suor, e outra externa, que barra o vento. Juntas, garantem extrema retenção do calor produzido pelo seu corpo.

Tecidos e tecnologias:

Tecido Polartec®

Blusa X - Polartec

Conhecidos por ser a primeira camada de isolamento entre entusiastas de atividades externas durante duas décadas, os tecidos Polartec® estão disponíveis em uma variedade de texturas e volumes, pensados especialmente para melhorar sua performance em uma grande diversidade de lugares e ambientes.

Também chamado de CCF, “Climate Control Fabrics”, o principal atributo do Polartec é manter o corpo seco e aquecido, propiciando conforto em qualquer situação. A alta capacidade de exportar o suor aliada à resistência a penetração de água, evita que o corpo fique úmido e sofra com o frio e uma eventual hipotermia. Por isso é considerado mais que uma vestimenta, um equipamento de termo-regulação.

Polartec® Poder Stretch® Pro ™

Blusa X - Polartec® Poder Stretch® Pro ™

O tecido é elástico possuindo propriedades de resistência confiáveis para recuperar de forma consistente a sua forma original mesmo após  ser empurrado e puxado durante a atividade, ao contrário de outros tecidos elásticos, que dependendo da estrutura  quando for esticado demais, torna-se permanentemente danificado e perde a capacidade de recuperar suas qualidades de forma e de desempenho originais.

É por isso que Polartec® Power Stretch® Pro ™ é projetada com maior capacidade de resistência à tração como um elemento chave de sua construção. O tecido tem a função de uso junto a pele, assim mantém você quente e seco. Através dos pontos de contato que se difundem e evaporam a umidade gerada pelo corpo o vapor é direcionado para as camadas externas.

Como funciona:

Polartec® Power Stretch® Pro ™ tem a capacidade de retenção do calor sem restringir o movimento e agilidade durante as atividades. A superfície exterior tem um revestimento de baixa fricção para reduzir a irritação quando usado com outros tecidos o que aumenta a resistência total à abrasão. Esta camada conhecida como segunda pele ou base layer, fica seca, respirável e confortável, transferindo continuamente vapor de água para fora.

Proteção solar:

proteção solar

O Fator de Proteção Solar, ou simplesmente FPS, é a medida de quanta luz ultravioleta pode ser bloqueada com determinada substância, ou seja representa quanto tempo a  a pele fica protegida. Já a nomenclatura UVA e UVB são as denominações de dois espectros (comprimento de onda longo e curto, respectivamente) da luz ultravioleta, presente na luz solar e responsáveis pelo bronzeamento, queimaduras ou até o surgimento de câncer de pele em seres humanos.

Sendo assim a marca Solo fez testes pela Agência Australiana de Segurança Nuclear e Proteção Contra a Radiação (Arpansa) e constatou que: o FPS 20 bloqueia 93%, FPS 30 bloqueia 96% e FPS 50 bloqueia 97% dos raios ultravioleta. Por isso, o modelo de blusa X-Power® Zip possui Fator de Proteção Solar FPS 50.

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Detalhes e curiosidades:

Toda a construção da blusa X-Power® Zip foi pensada para o usuário usufruir de todo o isolamento possível, o sistema de costuras são especiais do tipo (flat seam), evitando assim dobras de arremate e diminuindo o atrito da peça com a pele.

Blusa X

Um detalhe interessante, o símbolo da marca Solo e a escrita X-Power na parte de baixo na linha da cintura, são reflexivos, isso ajuda muito no quesito segurança, caso você estiver caminhando a noite, juntamente a um grupo de pessoas.

Em todas as roupas da marca, são usados zíperes da marca YKK, pois são ultra-leves, fácil manuseio, não emperram durante a abertura e fechamento e não quebram, pois são construídos com material metálico. Um detalhe interessante junto ao zíper é uma fita presa junto ao zíper com a função de ajudar no manuseio com luvas.

Blusa X

Na parte final do fechamento do zíper, podemos ver uma pequena proteção interna, que impede que o zíper toque a pele quando está completamente fechado. Veja na foto a baixo:

Blusa X

Testes:

Testei a Blusa X-Power® Zip Preta SOLO em condições com vento e muita umidade relativa do ar, juntamente com frio. Durante os 4 dias de testes, ela se mostrou boa nos quesitos de isolamento de calor e evaporação do suor gerado pelo corpo. Entretanto, no quesito de barrar o vento achei que poderia ser melhor, pois com algumas rajadas e eu necessitei colocar um casaco corta vento sobre a mesma.

Outra coisa que notei, mesmo ela estando um pouco molhada em razão de chuva passageira durante as trilhas o tecido controla a temperatura corporal mantendo o calor.

Usei a a Blusa X-Power® Zip por inúmeros dias interruptos, principalmente a noite para dormir e durante o dia em todas as trilhas que fiz, foram cerca de 60 quilômetros nos quatro dias. Acredito que um ponto forte dessa blusa é o fato de não gerar mau odor, ela se manteve igual, com o mesmo cheiro de como estivesse nova.

Qual é a melhor maneira de usa-la?

Fiz dois testes, primeiro usando a blusa  sobre uma camiseta e o segundo teste usando apenas a blusa em contato com a pele. A diferença de isolamento térmico é surpreendente, usando a camiseta direto na pele e colocando a blusa sobre a mesma a perda de calor é com certeza uns 50% maior do que se usada  apenas a blusa diretamente sobre a pele.

Características conforme fabricante:

Camada: base layer (segunda pele)

Tamanhos: P | M | G | GG | XGG

Cor: Preta 002

Peso médio: 300 gramas

Tecido: Polartec® Power Stretch® Pro

Composição: 53% poliéster | 38% poliamida | 9% elastano

Detalhes de construção: zíper frontal | costura flat

Onde comprar:

Essa blusa você encontra em quase todas as lojas online espalhadas pelo Brasil, indicamos a loja Guenoa Bikes e Apetrechos para Aventura, localizada na cidade de Caxias do Sul/RS Brasil.

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Rua: Flora Magnabosco, N° 351 – Caxias do Sul/RS – Contato: (54) 3213-5131

UltraLight Regular Sea To Summit

Apresento a vocês o mais novo isolante inflável UltraLight Regular da empresa Australiana Sea To Summit. Vou mostrar aqui todas as suas características construtivas, detalhes e curiosidades.

Construção:

Seu processo de fabricação é o mesmo utilizado nas indústrias médicas e aeronáuticas, muito superior aos sistemas utilizados nos concorrentes, e que praticamente elimina o problema de laminação, que pode causar bolhas nos isolantes.

Seu formato é construído em células, estas células armazenam o ar dentro delas permitindo que você coloque todo o peso do seu corpo em cima sem que o ar de dentro das células escapem para as bordas do isolante, deixando seu corpo não entrar em contato com o solo. Além de ser muito confortável, garante melhor isolamento térmico ao usuário.

UltraLight Regular Sea To Summit

Confeccionado em Nylon Ripstop 40 D oferecendo o equilíbrio perfeito entre peso e durabilidade.

Detalhes, curiosidades e testes:

O isolante possui muitos detalhes importantes que oferecem segurança e agilidade ao manuseá-lo, baixo peso e uma excelente compactação para transporte, isso em relação aos outros modelos de isolantes encontrados aqui no Brasil. Possui medidas interessantes quando aberto fora da embalagem e também quando fechado. Aberto conferimos as medidas de 1,83 metros de comprimento X 55 cm de largura e 5 centímetros de espessura.

UltraLight Regular Sea To Summit

Já,  fechado as medidas são 17,5 centímetros de altura por 7,5 centímetros de largura, é tão pequeno e compacto que se formos comparar em relação a uma garrafa de refrigerante 600 ml, o isolante ainda assim é menor. A fabricante Sea ato Summit, compactou tanto que o deixou com o peso de 355 gramas, tornando-o um dos mais leves do mundo.

UltraLight Regular Sea To Summit

Mas aí você se pergunta, qual é a vantagem de trocar os isolantes de EVA que pesam aproximadamente 180 gramas ou até menos que isso? A resposta é fácil de ser respondida. Com cerca de 200 e poucas gramas a mais você consegue dormir confortavelmente como se estivesse em um colchão de ar e ainda mantem seu corpo seco e isolado do frio quem vem do solo.

Acredito que a coisa mais incrível que tem neste isolante térmico é sua válvula de entrada e saída de ar. Para ficar mais fácil de entender vou explicar como ela funciona de maneira simples.

É construída de material plástico, selada eletronicamente junto ao tecido do isolante, isso proporciona maior segurança, evitando que a válvula quebre ou rasgue o tecido durante os vários procedimentos de enchimento e esvaziamento do mesmo.

UltraLight Regular Sea To Summit

A válvula possui 2 estágios assim, para abrir é muito simples e prático, basta  puxar a “orelha” para cima onde está escrito Inflate (inflar), este primeiro estágio serve para levar o ar para dentro do isolante, até aí sem grandes novidades. Geralmente não conseguimos jogar a quantidade certa de ar para dentro do isolante de uma vez só, precisamos de inúmeros assopros para infla-lo. Pensando nisso o fabricante criou essa válvula tecnológica, pois quando você joga o ar para dentro e espera para pegar mais fôlego, a válvula impede que o ar que está lá dentro saia, isso é incrível.

UltraLight Regular Sea To Summit

Testei seu enchimento usando o ar de meus pulmões, fiz uns 5 assopros e o isolante inflou de maneira rápida e eficiente. Para ter ideia da velocidade de enchimento, cronometrei e tive um belo resultado. A foto abaixo mostra 50 segundos de enchimento, mas posso dizer que demorou um pouco menos que isso, cerca de aproximadamente 40 a 45 segundos.

Foto com cronometro:

UltraLight Regular Sea To Summit

Para acionar o segundo estágio, segure a “orelha” onde está escrito Deflate (desinflar) puxando para cima, isso fará o ar que está lá dentro sair em poucos segundos, para ser mais exato cerca de 3 a 5 segundos para desinflar completamente.

UltraLight Regular Sea To Summit

Vídeo de apresentação do Isolante inflável UltraLight Regular – Sea To Summit

Uma curiosidade que me chamou bastante atenção é o fato do fabricante ter se preocupado com a durabilidade deste equipamento. Na parte interna possui um tratamento antimicrobiano, o qual evita que o ar e a umidade aprisionados dentro do isolante possam causar sua deterioração.

Indicações de uso:

O isolante inflável UltraLight da Sea to Summit é indicado para utilização tanto para o montanhismo quanto para os entusiastas de camping, uma vez que além de possuir extremo conforto, possui também bom isolamento do frio.

Características conforme fabricante:

Material: Nylon Ripstop 40D

Peso: 355g

Dimensões: Aberto: 1,84m X 55cm X 5cm e Fechado: 17 x 7,5 cm

Nº de Células: 181

Acessórios vendidos separadamente:

A Sea To Summit criou duas opções para auxiliar e facilitar o enchimento deste isolante, a primeira opção é o Saco organizador 2 em 1 Jet Stream Pumpbasicamente é um saco organizador ultrafino e leve que permite a saída de ar, fazendo que ele ocupe menos espaço na mochila e por outro, ele se torna uma bomba para inflar os isolantes.

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Com o saco organizador é possível acomodar itens  sem medo de perder e até facilitando a organização em sua mochila.

O segundo equipamento é chamado de  Saco Estanque 2 em 1 Air Stream que  é um saco estanque ultrafino e leve. Pode ser usado como saco estanque propriamente dito, ou como uma bomba para inflar os isolantes através do efeito Venturi. Os 20 litros do saco estanque são inflados facilmente sem esforço e através do saco cheio de ar é possível encher um isolante inflável repetindo o procedimento cerca de três vezes.

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Veja o vídeo abaixo, mostrando os dois equipamentos e toda as suas funcionalidades:

Este modelo de isolante foi adquirido fora do Brasil, pela empresa Sol de Indiada, o proprietário nos permitiu fazer a primeira avaliação sobre o produto, em algumas lojas nacionais já é possível adquiri-lo. Veja abaixo.

Onde comprar:

Você encontra o isolante inflável UltraLight Regular – Sea To Summit nas principais lojas online espalhadas pelo Brasil, cito aqui algumas, tais como: Loja Clube Trekking, Loja Alta Montanha, Mundo Terra, Território Mountain Shop.

Veja todas as fotos do isolante inflável UltraLight Regular – Sea To Summit

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REVIEW – Fogareiro Monatauk Gnat Titanium

REVIEW – Fogareiro Monatauk Gnat Titanium

Redução de peso! Esse é o conceito principal do “lightweight backpacking”, assunto já tratado na seção Artigos. Todos os equipamentos que compõem nossa wishlist merecem atenção especial quando o assunto é peso e o fogareiro também entra na lista de essenciais do trekker. O mercado atual oferece boas opções para a“cozinha de trilha” e dentre os modelos, os fogareiros à gás são os que mais atendem as diversas necessidades, pelo seu excelente custo-benefício, baixa manutenção, confiabilidade e eficiência.

Com o passar do tempo, adquirimos mais experiência no assunto e a evolução de conceitos e materiais acaba sendo automática. Meu primeiro fogareiro foi um nacional que pesava 230g, meio desajeitado e grande demais para sua real utilidade. Bem, na minha opinião todos os materiais de fabricação nacional são duvidosos. Já fazia algum tempo que procurava um modelo que fosse adequado ao meu uso e, assim que a empresa Monatauk (situada no Missouri  – EUA), lançou segundo ela o “modelo mais leve do mundo”, abri mão do equipamento atual e o upgrade foi a escolha sensata.Fogareiro Monatauk Gnat Titanium

O modelo Gnat pesa apenas 48g, por isso o título “Lightest in the World” vem estampado no estojo de transporte, especialmente desenhado para acompanhar suas linhas. Tem o corpo todo construído em titânio e caixa de válvulas em alumínio. Dobrado, cabe na palma da mão. O titânio é muito conhecido por sua excelente resistência à corrosão (quase tão resistente quanto a platina), ataque químico e por sua grande resistência mecânica. Possui baixa condutividade térmica e elétrica. É um metal leve, forte e com baixa densidade (40% da densidade do aço). Ele é tão forte quanto o aço, mas 45% mais leve. É 60% mais pesado que o alumínio, porém a depender da liga, é dez vezes mais forte. Com essa característica, pode-se fabricar itens com menor quantidade de material, tornando-os muito mais resistentes e muito mais leves (a depender da aplicação). Se analisarmos a aplicação do titânio em fogareiros, uma das vantagens é que não há gás que o corroa, nem o de pior qualidade.

Fogareiro Monatauk Gnat Titanium

No primeiro teste feito na Travessia Jaboticaba à Monte Claro, já pude comprovar a eficiência do produto. Leve e prático, com excelente distribuição da chama que cobre boa parte do fundo da panela, evitando os “hot spots” (este é um dos fatores importantes a se analisar na compra de um fogareiro). Muito fácil desmontá-lo para limpeza e eventual troca de componentes. A ausência da auto-ignição deixa o equipamento com design mais limpo e muito mais confiável. Desconfio de fogareiros com acendimento automático. No teste, o Gnat levou cerca de 3min para ferver 1l de água. O tempo foi menor do que o indicado pelo fabricante que é de 3.5min, pois em nossa altitude, a água ferve a uma temperatura e tempo menores do que ferveria à nível do mar; referência padronizada para testes dos fabricantes.

Fogareiro Monatauk Gnat Titanium

  • Peso: 48g
  • Preço: R$160,00
  • Materiais: Titânio e Alumínio
  • Tamanho em cm: 6,35 x 5,72 x 5,72
  • Potência: 11.000BTU ou 3.300W/h (ferve 1l de água em 3.5min)

Apenas por informação, a panela da foto também é de titânio, pesa apenas 160g e tem capacidade para 1.3l. Cabe na palma da mão e importei por míseros R$105,00. O spork, mistura de garfo e colher, pesa 17.6g, custa R$25,00 e também é fabricado em titânio.

Sem título

Texto e fotos: Edver Carraro
Site: Edver Carraro

Huayna Potosí, a jovem montanha de 6 mil metros

Huayna Potosí, a jovem montanha de 6 mil metros

A cidade de La Paz fica no fundo de um vale em forma de abóboda, a 3.660 metros de altitude no oeste da Bolívia. Lá, onde nas encostas dos morros, nuas, sobre a terra com brilho de aço, serena e esgotada debaixo do suave pranto do sol, os moradores imprimem uma congregação desordenada de construções despidas de reboco.

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O centro da cidade é apertado, barulhento e movimentado. Tudo se passa nas ruas, que são tomadas pelo caos. Transitam automóveis, pessoas, animais e carrinhos abarrotados de frutas; todos se deslocam, misturados, pelas pistas de rolamento. Ao lado, por detrás das sarjetas e ao longo das avenidas, a vida comercial de La Paz. As mulheres espremem laranjas, cozinham pratos exóticos, negociam chás, ingredientes para rituais, roupas e moedas. Além disso, ao passar o dia na rua, podem-se observar discussões, gargalhadas, turistas e moradores de rua.

Entre as ruelas, esses moradores – qual dentre os dois milhões de habitantes dessa cidade não importa, quase sempre é uma mulher, vestida para o frio seco, miúda e escura em seus trapos, com um pequeno chapéu raso, coroado por uma cúpula ondulada, nivelado exatamente no topo da cabeça. Uma mulher agudamente velha, com um olhar apertado, como se estivesse olhando para uma fonte de luz, pode ser vista com a mão estendida, pedindo esmola para os transeuntes.

As montanhas também podem ser vistas de muito longe. E há muitas para ver – longe das sombras volantes do vale de pedra, incrustado a sudoeste do país, fica o Monte Illimani, com 6.462 metros de altitude. A sacralidade das nuvens que cobre seu cume frágil e enraizado de neve é tão perfeita que, visto contra o céu, parece uma fragílima membrana de vidro, faminta da mais fria noite, quando as primeiras estrelas começam a brotar no espaço. Sua delicadeza é tão radical que nem mesmo a desordem da cidade é capaz de perturbar seu silêncio.

A uns 30 quilômetros a noroeste de La Paz, a paisagem, com seu sol de raios candentes, brilhando de maneira tal que dois terços dos olhos ficam apertados e dolorosos se fixados por muito tempo contra o céu, dá lugar ao altiplano boliviano. Os habitantes locais trazem as farpas da pronúncia milenar da língua aimará, a nasalidade dos homens camponeses, e as mulheres, muitas delas, usam saias plissadas, chapéu-coco e awayo – uma espécie de manta que complementa o traje da tradicional chola.

A terra é árida, e os panoramas são incrivelmente extensos. Lhamas, rebanhos de carneiros e casas de adobe que se elevam graças a paredes cobertas de fuligem e telhados de palha são visíveis muito tempo antes que os viajantes as alcance. Pelas pradarias do altiplano, no meio das amplas lacunas do mapa boliviano, onde não há nada senão silêncio, quando a neve descongela, ou depois que chove, os carros erguem um longo babado de poeira laranja e espessa que é levada pela corrente de ar e se infiltra nas narinas, cabelos e pele com uma facilidade desprezível.

Subimos o barro frouxo até o nordeste da cidade, em uma espécie de caminhão com carroceria de ônibus, da cor laranja e com-muitos-anos-de-vida. Meus companheiros de viagem são Felipe, Willians e Tiago, além de um grupo de aventureiros que estão, assim como nós, nesta expedição para fazer um curso de escalada em gelo com os guias Maximo Kausch e Pedro Hauck. E, se tivermos força, se formos aceitos pelas montanhas, subir o Huayna Potosí, que ocupa a octogésima posição entre os picos mais altos da Cordilheira dos Andes, com 6.088 metros de altitude.

O calor e o prazer de viajar me amaciaram e me deixaram sonolento, então me estendi no ato de observar a paisagem, prestando pouca atenção a qualquer coisa, a não ser a estrada que corre por baixo de mim. Gradualmente, ao longo desses 30 quilômetros de terra, bem próximo da estreita margem do perigo, o sol se inclina a 50 graus à minha esquerda, queimando minha face e meu ombro.

É preciso ser um especialista em geografia para entender esse lugar. A toda hora o viajante se afunda em um longo e exíguo silêncio, tentando decifrar através das janelas borradas do ônibus, onde uma mosca se debate contra o vidro reluzente, os flashes da paisagem fria e enigmática das montanhas enquanto o rugido metálico do motor do ônibus levanta as mansas cabeças de lhamas a meio quilômetro de distância.

De vez em quando, paramos na beira da estrada sempre que alguém deseja descer para urinar. Isso por causa dos quatros litros de água que tomamos diariamente para nos aclimatar à altitude. Menos de dois quilômetros atrás, em um campo plano, a terra se afundava calmamente em um lago, o Milluni, totalmente nu ao sol. Mais além, onde nossos crânios estreitos começam a ser arruinados pela altitude, aproximamo-nos suave e estranhamente até as margens de um cemitério sombrio e submerso na solidão do altiplano. Paramos lentamente o veículo, desci até onde Felipe, Willians e Tiago estavam, observando-o cuidadosamente.

Pendem nas sepulturas folhas metálicas de crucifixos, tortos, enrugados de ferrugem e absurdamente comestíveis ao tempo. Essas sepulturas têm todos os tamanhos possíveis, desde adultos a recém-nascidos. Algumas das maiores, por outro lado, atingem a dimensão heroica de 1,5 metro de comprimento, aglomeradas em um espaço tão apertado que parecem uma colmeia, com menos de um metro umas das outras.

Em 1962 explodiu na comunidade do Alto Milluni uma revolução dos mineradores filiados à Central Obrera Boliviana (COB), que declararam greve de fome para denunciar as condições de cárcere dos trabalhadores das minas e pedir melhorias socioeconômicas no país. A Bolívia passava pela ditadura militar, um governo de direita, comandado pelo general René Barrientos Ortuño.

Em meados de 1964, teve início um conflito dramático entre trabalhadores e o governo. Soldados e aviões da Força Aérea Boliviana receberam ordens para bombardear os acampamentos nas regiões de Trapiche e Viudani, locais onde os mineradores fizeram barricadas e montaram suas trincheiras para enfrentar as tropas do exército. O resultado foi uma carnificina que praticamente dizimou o pequeno povoado. Os que não sobreviveram ao massacre de Milluni – os primeiros como vítimas do governo e os segundos pelas enfermidades e mal de todos os mineiros: a silicose, doença provocada pela inalação da sílica – estão enterrados nesse cemitério.

Huayna Potosí
Foto: Jonatar Evaristo

O LUGAR – Jogados longe o bastante para perdermos a noção de espaço e tempo, aproximamo-nos de uma casa posta solitária a 4.700 metros de altitude no interior do país, a primeira que avistamos em muitos quilômetros. Numa extremidade da casa fica o segundo andar, em cuja parede externa se ergue uma faixa amarela em que se lê “Refúgio Huayna Potosí”. À nossa volta, até onde a vista pode alcançar, tudo se resume em rocha, gelo e montanhas permeadas de neve. Uma delas, de tamanho considerável, com 5.300 metros de altitude, é o Charquinini – e, mais além, como um santuário islâmico de Meca, ouvia o Huyana Potosí me chamando. Elevando-se como um monumento sobre a Cordilheira Real, ele pode ser visto a milhas de distância como um chamado para algo misterioso e sagrado.

Saímos do ônibus. Maximo anunciou: “É aqui, galera, o refúgio!”, enquanto sobre seu ombro direito jogou um longo saco de equipamentos de escalada. Maximo nasceu na Argentina, mas parece brasileiro. Não só pelo domínio da língua, que aprendeu enquanto morou com os pais no Brasil, mas também pelo humor sarcástico. O guia, aos 33 anos, é um homem dotado de uma energia excessiva, usa uma jaqueta vermelho-cereja, de meia idade, desbotada e com logomarcas de equipamentos de montanhismo bordadas no peito; sua pele é de um ouro amargo, rosto confiante, retangular, de aparência saudável.

Seu amigo e sócio, Pedro, tem uma boa dose de barba escura e rasa, queixo quadrado, usa um lenço que se acomoda em torno da cabeça e sobre a testa baixa e brilhante, tem cabelo liso, mãos grandes e braços que vão até o meio das coxas. Há três anos, eles formaram a empresa Gente de Montanha, que nasceu como um modo de espelhar a forma metódica dos guias de encarar o alpinismo e mais ainda como um reflexo mais preciso do estilo de Maximo. Por 24 horas, agora, nos dias seguintes, estaríamos na companhia deles até o fim do curso.

Assim que abro a porta do casarão, sai ao meu encontro o odor amargo do fogo morto da lareira, um aroma seco de mausoléu. No lado direto da parede dos fundos da sala há uma janela; há outra no lado esquerdo, do mesmo tamanho. Essas janelas têm vidros finos, marcados e borrados, de cuja parte superior pende um comprido pedaço de cortina velha e cinzenta, estendidas perpendicularmente, de modo a deixar que uma luz fresca e calma estabeleça algum tipo de brilho no ventre da casa. A lareira, alinhada sobre o túnel embutido da chaminé de pedra, encara de frente a cozinha escura e duas longas mesas de madeira que preenchem metade do ambiente.

Atravessei a porta do aposento e fui para o quarto deixar a mochila. O cômodo é pequeno e escuro, mas grande o bastante para que nele se empilhem três beliches de madeira. A pouca luz que existe entra por uma janela de um metro por um metro e meio, enfiada no lado direito, entre uma parede e outra. Essa disposição faz com que o sol jamais toque o lado esquerdo do pequeno espaço. Num outro quarto, igualmente solitário e frio, ficaram Willians, Tiago e Felipe.

Saí e fui muito silenciosamente pelo corredor aberto, passando pelo paulista Tiago, e segui para fora, subindo um pequeno morro, entre a casa e a estrada, para examinar os glaciares das montanhas à procura de algo vivo, de alguma coisa que se movesse. A primeira impressão é de que a região é destituída de vida, mas, ainda que restrita e frágil, todo o fulgor se afoga na quietude dos montes pálidos da Cordilheira Real. À medida que a noite avança, vejo sumir aos poucos a paisagem rochosa e pálida do Huayna Potosí. Portanto, chega a hora de procurar proteção do calor débil do casarão e algo para comer.

A JANTA – Comemos em pratos sortidos a comida da noite, simples, tradicional, que se estende a uma demanda do dia: sopa de frango. Ela é servida em pratos de cerâmica, fundos, na cor creme e com um fio de desenhos impressos em toda sua cintura. A mesa está sempre cheia de garrafas de água, xícaras e copos translúcidos, alguns são de vidros de geleia vazios.

A sala e a lareira são como que um cômodo, consideravelmente usados à noite, antes do jantar ou por alguns momentos logo depois dele. Os guias Maximo e Pedro se sentam em frente à lareira durante horas vazias da manhã ou durante as instruções teóricas do curso, pois só junto ao fogo há chance de conseguir qualquer brisa de calor.

Os bancos são em número suficiente para que abriguem todos os hóspedes da casa, mas normalmente sobram espaços em dois sofás no fundo da sala, que é estreita demais para proporcionar qualquer conforto para os que ficam grudados em volta da mesa durante as refeições. De qualquer maneira, essas delicadezas estruturais impõem ao ambiente uma fragrância própria, áspera e velha, mas suportável.

Enquanto Willians modela a comida entre os molares e a bochecha, toca em um pequeno rádio um repertório que vai de Eddie Vedder a várias canções de Silverchair. No balcão próximo à cozinha tinha alguns saquinhos de chá de coca. Consumimos quase todos até o fim da noite. Sobraram ainda dois.

O CURSO – Finalmente, sentíamos terra e rocha nos pés – na certa estávamos na trilha para iniciar as aulas práticas de escalada em gelo. Fomos subindo, um atrás do outro: os paulistas Willians, Tiago e Felipe, os guias Pedro e Maximo, mais o grupo de montanhistas e eu. Cada um tateava o chão com os pés, tentando descobrir as variadas formas de se equilibrar no terreno escorregadio para só depois seguir confortavelmente nas áreas menos expostas ao declínio físico. Em todo o caminho o vento crescia, erguendo espirais de poeira como uma fumaça mágica sobre uma trilha arruinada de que haveria de aprender todos os segredos.

É um esforço enorme, uma tarefa de Sísifo, pois a terra desmorona sob seus pés e faz com que a toda hora escorregue e volte ao ponto de partida. Pisar, erguer a perna, compactar o que está embaixo. Repetir, repetir, repetir. Em alguns momentos ela é plena em pó fino e lascas de rocha, de modo que os joelhos são o tempo todo bombardeados com pequenas agudezas rápidas. Até que afundamos em uma encosta e chegamos ao glaciar.

E seria assim que, durante os dias seguintes, as tardes seguintes, nós nos veríamos voltando e voltando de uma consoladora rotina. Claro, essas coisas são divertidas: tão divertidas, Deus me livre, que parecem simples exercícios. São, no entanto, atividades perigosas. A falta de atenção a elas pode pôr sua vida em risco, por exemplo, não saber cair corretamente em uma rampa de gelo de 40 graus. Entender sua aplicação em alta montanha deveria ser tão básico e relevante quanto a respiração.

Certamente não é fácil. Em duas horas seus joelhos e cotovelos estão praticamente cobertos por hematomas do tamanho de uma cebola. No fim de uma semana você estará escolhendo que lado do corpo usar. O truque é cair, girar o corpo, pôr a piqueta na posição transversal ao peito e travar a queda. Ainda outro truque é, entre as vigorosas formas de frear uma queda em terrenos congelados, cair com a cabeça para baixo, girar o corpo 180 graus e travar a piqueta no gelo. Em ambas as manobras nunca se esqueçam de manter os pés voltados para cima, ou você teria que se esforçar muito para não rasgar a carne no gelo durante a descida.

Depois de idas e voltas até a geleira, arrumamos as mochilas para definitivamente partir para o acampamento base, passar uma noite penosa, espremidos em uma barraca para 10 pessoas e, no dia seguinte, superar as seções mais difíceis da expedição e chegar ao topo do Huayna Potosí. A previsão ouvida por telefone via satélite que Maximo obtivera era de que o dia do ataque ao cume seria como tantos outros anteriores: céu azul sem uma nuvem sequer. Partiríamos de madrugada.

REFÚGIO PIEDRAS BLANCAS – Toda estrutura é construída de folhas verticais de lata, dividida em duas câmaras – a cozinha e o quarto; tem pouco menos de quatro metros de comprimento e não mais do que dois de altura. Seu material galvanizado é fosco, da cor laranja. Dentro da estrutura, o piso, a não ser pelo carpete, é de madeira. Em um canto fica a cozinha, confinada e aquecida basicamente por um único fogão a gás. Do lado de fora há outras duas armações, em forma de iglu, em que não cheguei a entrar. Os três refúgios se elevam suavemente sobre a neve, a 5.200 metros de altitude.

Huayna Potosí
Foto: Ângela Santos

Ninguém desses três alojamentos demorará muito para dormir. Hei de me mover com excessivo silêncio e lentidão dentro do saco de dormir para não acordar seus hóspedes. Antes, alimento-me e tomo chá quente, sem desejo, e ele traz um violento e repentino calor extenuante na boca do estômago. É difícil e repulsiva uma refeição antes de dormir, mas é necessário, pois com essa comida deve-se escalar a montanha gelada e íngreme da madrugada. É tarde de uma noite de inverno e o último fôlego contido da luz do dia vai embora, que de tão final parece reminiscência da chama de uma vela acesa. Boa noite!

ENFIM, O GRANDE DIA – Semi-acordei, antes de o Maximo perguntar: “Acordado?”. Na verdade, eu mal havia dormido. Durante a noite, lidei com uma sensação peculiar e diabólica de mal-estar, uma especulação áspera e desesperançosa, um beco sem saída. Olhei para Maximo contra a luz e disse: “Estou com um pouco de dor no estômago e acho que não irei com vocês”. Mas ele sequer confiou nos meus argumentos, contestando-os: “É psicológico. Levante!”.

Mas não era só eu que estava sob influência do desconforto da altitude. Billy, um dos clientes do Gente de Montanha, parecia um menino febril e assustado, acordara várias vezes durante a noite, tomado por uma terrível dor de cabeça. Maximo se aproximou dele e perguntou: “Ei, Billy”, disse, “Está doente?”. A resposta é que ver Billy se levantar foi como injeção de algum narcótico invadindo minhas veias, produzindo um efeito devastador: de alívio e tensão. Ele calçou as botas duplas, ajeitou a cadeirinha no quadril, vestiu a jaqueta de plumas de ganso, tomou chá quente e saiu.

E agora aqui estou eu, como disse, dentro do saco de dormir. Tão doente de sono que mal consigo suportar as lanternas de cabeça encharcando meus olhos de luz. Mas quando o teto e as pessoas dentro do acampamento se tornam visíveis, e elas começam a falar ininterruptamente, não há mais como evitar o desejo agudo de seguir com eles.

“Estão todos aclimatados”, disse Pedro. “Será?”, refleti, desolado, sobre o efeito que produzia aquele incentivo. E completou, enfático – nunca vi um homem mais determinado: “Não há desculpa para não ir!”. Cada palavra dele soava acentuada, clara, anunciada com tamanha determinação que havia entre uma letra e outra um tom rígido, mas vigoroso, que dava para sentir da garganta de quem o emitia. Nessa situação perturbadora, eu concluí que não tinha outro jeito: estaria entre os montanhistas que subiriam durante a madrugada para o Huayna Potosí.

Demorei bastante para me vestir, calçar as botas duplas, pôr os grampons, o capacete e as luvas. Saí do acampamento quase me arrastando de sono, bem atrás de Billy e do guia boliviano, iluminando o caminho com a lanterna frontal. Paramos muitas vezes para descansar, mas Billy mantinha um compasso progressivo e constante sobre a neve. Eu caminhava agora um pouco mais veloz, mas o estava alcançando um pouco lento para minha paciência, enquanto ele olhava para mim breve e impessoalmente, como um cavalo no campo.

Huayna Potosí
Foto: Bruno Norarini

Durante as duas horas seguintes, fomos num ritmo determinado, cruzando fendas ocultas sobre nossos pés e escalando paredes de gelo de 70 graus de inclinação. Além disso, minhas mãos começavam a congelar, em uma ação que afetava as pontas dos dedos que seguravam a piqueta de neve. Percebi que não importava o quanto fosse forte, a mente tentaria tragar cada grau de força que me restava.

Em certos trechos, o caminho sobre a neve estava sólido a ponto de ficar escorregadio; o resto do tempo ela aceitava nossos pés profundamente como se fosse a própria terra e nós os erguíamos a cada passo com três centímetros de gelo dependurados nas botas duplas. Continuei em silêncio, atrás do Billy e do guia, meditando sobre a neve, cuja necessidade falava para seguir em frente.

O sol ainda não se levantara, mas o céu sobre as montanhas estava todo decorado com uma luz laranja, como a de um velho lampião a querosene. Parecia que eu e Billy não estávamos de maneira alguma à vontade um com o outro, mas agora eu sentia que podia confiar nele. Enquanto caminhávamos, ele lançava lentamente um olhar cândido para trás. Era apenas um olhar cuidadoso, e não hostil.

Essa região era nova para mim, ainda totalmente solitária e sem sentido. O nascimento da aniquiladora da luz do dia, virgem e rigorosa, trancada entre montanhas, pode ter sido responsável por essa impressão. A luz do sol no começo da manhã, transparente e quase cegamente clara, acabava de ultrapassar o topo das colinas.

Olhei reto para cima, para o céu, e com um lento olhar pela paisagem submersa percebi que estava apenas alguns metros do cume. Depois de alguns minutos, durante os quais ouvia meus pulmões sorver sofregamente o ar frio da manhã e um fatigado arrastar dos pés, vi-me no topo do Huayna Potosí.

Huayna Potosí

 

Havia tanta coisa acontecendo, de maneira tão rica, que não percebi a precariedade do meu equilíbrio emocional naquele momento. Então, uma lágrima fria irrompeu e vagamente aferroou em padrões geométricos o meu rosto. Tudo isso, todas essas coisas estavam cercadas de tantos significados que era incapaz de manter os olhos e a escrita em direção às montanhas sem agradecer a Deus. Obrigado!

Texto: Jonatar Evaristo
Imagens: Jonatar Evaristo, Felipe Giongo, Maximo Kausch, Bruno Norarini e Ângela Santos.