Maratona do Vinho

Muito além de uma competição esportiva, a Maratona do Vinho é um evento que coroa a temporada da colheita da uva, principal produto para a elaboração dos vinhos.

O Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves, a Estrada do Sabor em Garibaldi e Monte Belo do Sul, emolduraram mais uma vez a Maratona do Vinho, que reuniu cerca 1.500 corredores de todo o país no último domingo (dia 11 de Fevereiro).

O percurso misturou diversos tipos de terreno – com pisos de terra, cascalho, asfalto e paralelepípedos, além de subidas e descidas acentuadas – passando em meio aos parreirais e vinícolas, por pequenas igrejas e casas antigas que marcam a forte presença da colonização italiana.

Para alguns, o objetivo era superar seus limites, já outros aproveitavam o visual de tirar o fôlego e chegavam a parar nas subidas ou descidas para admirar os vales e/ou devorar as uvas, sem se preocupar com o seu tempo na prova.

A corrida foi dividida em quatro categorias:

  • Maratona individual: 42.940 metros;
  • Maratona em equipes: 45.670 metros;
  • Meia maratona: 20.970 metros;
  • Pequena corrida: 5.130 metros.

A largada e chegada ocorreram no Morro da Antena/Cruz, na comunidade do Ceará no Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves.

Maratona do Vinho
Foto: Foco Radical

Resolvi abrir o meu calendário de corridas de 2018, estreando em uma das maratonas mais difíceis do estado com seus 42.940 metros de distância e aproximadamente 1.200 metros de altimetria acumulada.

Domingo às 7 h 30 min lá no alto do Morro da Antena, eu e mais centenas de maratonistas de todo o país estávamos na contagem regressiva para a largada da tão famosa Maratona do Vinho.

Nesse momento só conseguia lembrar da mensagem do Dani (amigo com experiência nas edições anteriores da prova) “Larga bem de boa. Mas, bem de boa mesmo! Os primeiros 21 são tranquilos, mas os finais são terríveis […]”. Obedeci às ordens e larguei tranquila.

Felizmente a temperatura estava agradável. Após os primeiros quilômetros em meio aos parreirais ouvia diversos atletas dizendo que a chegada seria por ali e sinceramente pensei: ‘vai ser uma longa corrida até chegar por aqui de novo.’

Tudo estava indo bem, até mais do que eu planejara. Fiz a metade da prova num tempo muito bom. O negócio é que depois da metade as coisas mudam – e mudam bastante.

Maratona do Vinho
Foto: Foco Radical

A temperatura agradável no início da prova deu lugar ao calor insuportável, os morros quase inexistentes na primeira parte se triplicaram (quem já correu a Maratona do Vinho, sabe do que estou falando) o corpo começa a cansar…

Pela primeira vez na prova resolvi dar uma olhadinha para trás e vi a Juli (atleta da BTR, com a qual já corri algumas vezes), se aproximando, o apoio dela durante os quilômetros seguintes fizeram toda a diferença!

Em uma das tantas subidas ela tentou me puxar, mas meu ritmo já havia caído muito. Pedi para ele seguir a prova e lhe desejei boa sorte! E lá se foi ela…sumindo devagarinho do meu ponto de vista.

A partir do Km 30 comecei a sentir o peso de cada trecho aliados ao calor, e os tempos já não estavam como no começo. Era o sinal do desgaste depois de horas correndo.

Lembrei logo da frase do ciclista norte-americano Lance Armstrong: “A dor é passageira. Desistir dura para sempre!” Esqueci toda a dor e segui correndo, caminhando, correndo…

Aproximadamente no Km 38 Janice, essa simpática mulher da foto passou a ser minha companheira. Lutando contra fortes dores nos pés ela disse-me: “Que estreia em menina?! Maratona do Vinho é só para loucos […] Vamos que falta pouco!” e assim seguimos pelos últimos quilômetros. Conversando, trocando experiências, rindo e esquecendo das dores!

Maratona do Vinho
Foto: Foco Radical

Na minha estreia em maratona, esse pórtico foi à visão mais desejada durante o percurso de aproximadamente 42 km com 1.200m de altimetria acumulada, ele é na verdade, a concretização de todo um processo que vai do início da preparação à realização de um sonho. É o registro de um momento cuja lembrança irá transcender por anos a fio.

Voltei para casa com a medalha no peito o troféu e aquele sorriso de satisfação de saber que daquele dia em diante, eu não era apenas uma corredora e, sim, uma maratonista.

Maratona do Vinho
Foto: Foco Radical

Tudo isso, graças ao apoio fundamental da: CURTLO BR, Patos do Sul, Casa Natural Serra e Academia Performance Fitness.