Cânion Josafaz um lugar inóspito!

Tudo começou por convite de um velho amigo, integrante do Grupo de Escoteiros Almirante José de Araujo Filho – Garibaldi/RS, para fazer um trekking de aproximadamente 25 quilômetros pelo maior cânion da região dos Aparados da Serra, conhecido pelo nome Cânion Josafaz, possui 16 quilômetros de extensão e está além dos limites do Parque Nacional dos Aparados, localizado à cerca de 68 quilômetros da cidade de Cambará do Sul, pertencendo ao município de São Francisco de Paula/RS – Brasil.

A aventura foi realizada em conjunto com outros grupos escoteiros, assim promovendo maior integração entre os jovens da faixa etária de 15 a 18 anos, estes pertencentes ao Ramo: Sênior/Guia.

Saímos da cidade de Garibaldi/RS, por volta de 1:00 hora da manhã do dia 29/10/2016, com destino a São Francisco de Paula/RS e chegamos ao destino por volta das 6:00 horas da manhã. Nessa aventura estavam presentes 38 pessoas no total, incluindo o guia que foi contratado para acompanhar o trekking.

Cânion Josafaz um lugar inóspito

Cânion Josafaz um lugar inóspito

Após tomar um café da manhã especial no pé do cânion, era hora de começar a caminhada. Seriam aproximadamente 1.000 metros de altimetria acumulada, trilhando os caminhos por estradas antigas e trilhas construídas pelos antigos povos tropeiros. Estava eu com minha mochila cargueira pesando aproximadamente 13,6 kg, carregando tudo que era necessário para uma boa aventura. Na mochila havia colocado todos os equipamentos de camping, tais como: barraca, saco de dormir, isolante térmico, roupas extras, roupas para frio e ainda alguns alimentos.

Conforme subíamos avançando pela estrada, o cenário fazia nossos olhos brilharem. Muita vezes, em ocasiões como essa, podemos caminhar longos caminhos, mas é preciso seguir com calma para apreciar tudo que existe a nossa volta.

Cânion Josafaz um lugar inóspito

Cânion Josafaz um lugar inóspito

Na metade do trajeto, passamos por lindas cachoeiras totalmente despoluídas, isso é raro hoje em dia. Nelas sempre completávamos nossos cantis de água, seguindo uma das grandes lições que aprendi no Movimento Escoteiro durante os 14 anos que participei ativamente, de que nunca devemos tomar toda a água que carregamos até que encontremos uma fonte segura para reabastecer de água. Nessas cachoeiras e rios que corriam pelo caminho onde passávamos não tínhamos certeza se a água era potável ou não, na dúvida colocávamos pastilhas de cloro, que tem a função de matar as bactérias que possam existir na água.

Depois de aproximadamente 5 horas de caminhada morro a cima, chegamos ao topo do Cânion Josafaz. Efetuamos o reconhecimento do local a procura do melhor local para armar o acampamento. O clima nessa região é muito instável, uma hora tem um sol escaldante e em poucos momentos já está nublado. Na parte de cima do cânion existem alguns locais de banhados cobertos por vegetação do tipo Turfeiras, em outras existem longos campos de capim e alguns trechos de mata nativa. Para evitar maus bocados durante a noite, escolhemos uma clareira em meio a dois pedaços de mata nativa, assim caso ventasse durante a noite, estaríamos protegidos.

Depois de montado todo o acampamento e preparado o almoço, já alimentados e refeitos do cansaço, era hora  explorar a parte de cima deste cânion. A ideia era ir até o vértice do Josafaz, uma caminhada estafante, subindo e descendo morro através das estradas e trilhas que ali se formaram com as explorações dos veículos 4×4. O cenário é de tirar o folego, uma mistura única de campos e matas, cercado por rios totalmente despoluídos. A caminhada com aproximadamente 6 quilômetros de extensão tornava-se um pouco cansativa em razão do sol forte, porém em muitos momentos da caminhada era necessário colocar os casacos, daí passava-se uns 15 min e  nos obrigávamos a tirar os casacos, pois como disse anteriormente, o clima na região é muito instável.

Cânion Josafaz um lugar inóspito

Cânion Josafaz um lugar inóspito

Cânion Josafaz um lugar inóspito

Cânion Josafaz um lugar inóspito

Após algumas horas caminhando chegamos ao ponto culminante do nosso trekking no Vértice do Cânion Josafaz, ali a visão é incrivelmente linda, possui uma cachoeira que acredito ter mais de 200 metros e é dividida em duas partes. O Cânion Josafaz é ainda pouco explorado, um lugar inóspito, mas de extrema beleza e grandiosidade, com vasta mata atlântica em seu interior. Este local é perfeito para descansar, meditar e refrescar os pés na água cristalina que corre pelo rio.

Cânion Josafaz um lugar inóspito

Cânion Josafaz um lugar inóspito

Cânion Josafaz um lugar inóspito

Permanecemos ali durante algum tempo apreciando aquela beleza incrível, conversando e tirando algumas fotos. Momentos após, era hora de voltar para o acampamento e descansar um pouco. Durante a volta escolhemos cortar caminho, pois olhando de longe víamos uma linha reta, parecia ser fácil se não fosse pelos banhados! Encaramos o desafio e seguimos em frente, e por incrível que pareça, não encharquei as botas e o caminho de volta foi bem mais rápido em relação ao da ida, o que garantiu a nossa chegada antes do entardecer.

Já no acampamento preparamos uma fogueira para assar alguns quilos de carne, fizemos um belo churrasco à moda antiga e batatas doces enroladas em papel alumínio jogadas na brasa. Não sei se era a fome que tínhamos ou o que, mas o gosto daquele churrasco, para mim, era o melhor que já havia comido. Depois do belo jantar realizou-se a cerimônia de Fogo de Conselho, cerimônia muito conhecida e praticada pelo  Movimento Escoteiro, pois ali é o lugar onde podemos sentar para ouvir histórias, relatos incríveis das pessoas  presentes sobre suas aventuras durante o dia. Esta cerimônia é realizada sempre na última noite de acampamento e é encerrada com a Canção da Despedida. Após a cerimônia de Fogo de Conselho, fomos todos deitar, precisávamos descansar e recompor as energias para o dia seguinte.

Na manhã seguinte depois do café da manhã, chegou a hora de desmanchar o acampamento, organizar os equipamentos e aprontar as mochilas, e retornar até o pé do cânion.

Na descida, senti muito mais o peso da minha mochila, pois ao descer além do nosso próprio peso corporal, temos ainda a mochila cargueira nas costas, todo esse peso fica apoiado sobre os joelhos, tornozelos e pés. Por isso, toda a descida foi realizada devagar, com o devido cuidado para não cair, pois nas trilhas dos antigos tropeiros tem inúmeras pedras soltas e é muito íngreme também, então todo o cuidado é necessário para voltar bem para casa.

Veja todas as fotos dessa incrível aventura, clique aqui.

Cânion Josafaz um lugar inóspito

Cânion Josafaz um lugar inóspito

Cânion Josafaz um lugar inóspito

Se você gostou do relato do trekking no Cânion Josafaz, deixe um comentário abaixo. Veja também o relato da Trilha no Cânion da Pedra clicando aqui.

Mochila Futura Vário 45+10 SL – Avaliação

Mochila Futura Vário 45+10 SL – Avaliação

Vamos apresentar neste post uma avaliação completa da mochila  Deuter – Futura Vário, equipamento versátil, destinado para pessoas que buscam melhor conforto, praticidade e baixo peso em suas aventuras.

Normalmente, os aventureiros quando desejam comprar a primeira mochila, o questionamento feito é qual o tipo e o tamanho ideal a ser comprado. Neste caso, minha recomendação é para  comprar a mochila conforme as atividades que o aventureiro pretende desenvolver. Caso seja fazer trekking ou uma viagem pelo mundo, o ideal é optar por um equipamento que seja confortável, leve, compacto e possível de carregar, é claro.

Podemos notar que algumas pessoas, na maioria das vezes por falta de informações e conhecimento no assunto, compram mochilas realmente enormes, pois seguem a lógica, que quanto maior for a mochila mais coisas pode-se levar dentro, entretanto esquecem que elas terão que carregar este peso todo nas costas, muitas vezes por inúmeros dias.

Para que isso não aconteça, vamos apresentar todas as características sobre a mochila Futura Vário, bem como curiosidades, pontos positivos e negativos possibilitando a você conhecer este modelo antes mesmo de ir à loja comprar.

Construção e tecnologias:

A mochila Deuter Futura Vário apresenta em sua construção materiais leves e duráveis como os tecidos Deuter – Ripstop 210 / Deuter – Super-Polytex apresentados na parte externa, e na parte interna, é revestida com material Poliuretano (PU) atribuindo maior resistência à água.

Futura Vário

O equipamento conta ainda com inúmeras tecnologias que aumentam o conforto de seus usuários.

Veja abaixo o que cada uma delas proporciona:

tecnologia
Fonte: Deuter

Curiosidades:

SL Womens Fit System
O sistema SL (SLim Fit) foi desenvolvido para que mulheres e pessoas de até 1,70 m possam usar a mochila da forma adequada, uma vez que todas as regulagens se ajustarão de forma adequada e eficiente. Fonte: Deuter

Características:

Diferentemente de outras mochilas encontradas no mercado nacional, esta possui dois compartimentos para colocação do reservatório de água, estando um no compartimento interno, com capacidade de 3 litros, e o outro, na parte externa no lado direito da mochila, com capacidade para 2 litros. Assim, possibilita em caso de travessias muito longas, levar até 5 litros de água ou optar pelo uso de um o outro compartimento, conforme a necessidade.

Futura Vário

O ajuste das alças é de fácil manuseio, atrás no painel telado no costado da mochila, contém informações de ajustes dado pelas letras L, M, S e XS, sendo que a letra L é para usuários mais altos e as letras XS, para pessoas de estatura mais baixas, deste modo pode-se regular a mochila da melhor forma possível em torno do nosso corpo. Esta nomenclatura é dada pelo padrão da marca Deuter e o sistema Vari-Quick de ajuste da altura das alças.

Futura Vário

Para fazer o ajuste é muito simples, afrouxe a tira vermelha atrás do costado da mochila, subindo ou descendo as alças até encontrar a letra desejada, depois certifique-se que a tira vermelha esteja apertada.

Vídeo explicativo de como ajustar a mochila cargueira

As alças e a barrigueira dessa mochila são completamente anatômicas. As alças são construídas com material conhecido como 3D AirMesh que facilita a eliminação do suor gerado pelo nosso corpo.

Futura Vário

A barrigueira móvel acompanha todos os movimentos do corpo dando mais estabilidade à mochila. Duas hastes centrais de alumínio são o coração do sistema, e transferem todo o peso para a barrigueira fazendo com que a mochila seja extremamente confortável, mesmo com muito peso.

Futura Vário

Além disso, o ajuste da barrigueira é feito para frente, facilitando seu uso.

Junto à barrigueira possui um bolso fechado por zíper em cada lado, isso facilita bastante em uma viagem ou até mesmo em um trekking de fim de semana, pois ali é possível guardar pequenos objetos, tais como: celular, documentos, dinheiro e até mesmo barras de cereais.

Futura Vário

Também conta com fitas de compressão nas duas laterais para possibilitar maior estabilidade da carga dentro da mochila, assim tornando-a muito mais segura ao transpassar obstáculos.

Futura Vário

Olhando para a imagem acima, podemos ver que possui também um local para colocar objetos pequenos, como lanterna, bússola ou até mesmo um cantil reserva de água. Tais itens, ficam muito bem presos pela fita de compressão impedindo assim a perda de objetos.

A mochila é dividida em 2 compartimentos:

O primeiro, é onde colocamos a maior parte de nossas roupas e equipamentos, com abertura normal pela parte de cima da mochila. Para aumentar ainda mais este espaço a mochila conta com um avanço, chamado de tampa telescópica, bastante útil e com ajuste fácil  e rápido.

Futura Vário

O segundo compartimento, fica localizado na base da mochila, local que é indicado para colocar itens pesados, como saco de dormir, panelas e alimentos. No teste, colocamos o Saco de dormir Trek Lite +3 Deuter e ainda sobrou  um bom espaço, podendo colocar mais alguns itens dentro.

Futura Vário

Os dois compartimentos são separados por uma tampa que pode ser fechada por zíper. A vantagem de usar sempre dois compartimentos, ao invés de  apenas um é que podemos organizar melhor os itens que colocamos dentro da mochila facilitando a localização de determinado item em caso de urgência.

Futura Vário

O que torna a linha de Mochilas Futura Vário especial é, que além de contar com todos os itens de uma mochila tradicional, ela ainda contém uma segunda abertura na parte externa, pois caso você guarde algum item no fundo da mochila, com este sistema de abertura, é só abrir a tampa frontal e pegar o item que precisa sem que seja necessário retirar todos os seus equipamentos de dentro dela.

Futura Vário
Foto: Internet

A mochila Futura Vario 45+10 L, possui mais dois bolsos localizados no capuz da mochila, um do lado de fora, que serve para guardar pequenos objetos de fácil acesso. Já o outro bolso, fica na parte interna do capuz, os dois são fechados por zíperes.

No capuz também possui uma etiqueta SOS, a marca Deuter, segue esse padrão em suas mochilas, todas elas contém essa especificação para situações de emergência, veja nas fotos a seguir:

Futura Vário Futura Vário

Futura Vário

Características:

Peso: 2030 g
Capacidade: 45 litros
Material: Deuter-Ripstop 210 / Deuter-Super-Polytex
Dimensões: 74 / 34 / 28 cm

Onde comprar:

Com certeza essa mochila é perfeita para quem busca praticidade, conforto, tecnologia e baixo peso. Todavia, tudo isso também tem um custo, neste caso essa mochila se encontra com preço na faixa média de R$ 1.000 reais. É possível encontrá-la nas principais lojas de aventura espalhadas pelo Brasil, sugerimos antes de comprar qualquer modelo de mochila cargueira, ir a uma loja e experimentar.

Avaliação – Rede Adventure Kampa

Avaliação – Rede Adventure Kampa

Sempre que pensamos em acampar, uma das maiores preocupações é a de onde dormir, o modo tradicional de acampamentos é com barracas, mas geralmente são pesadas e muito volumosas.

Com o passar dos anos, com grandes tecnologias aplicadas, reduziu-se o volume e o peso das barracas, hoje em dia as barracas mais leves do mercado apresentam em média um peso entre 1,5 kg a 3 kg, dependendo do modelo e sua aplicabilidade. Alguns modelos bem leves você encontra aqui no blog, tais como a Bivak I – Trilhas e Rumos e a Nepal II – Azteq, essas barracas geralmente são utilizadas para cicloturismo, trekking, travessias e acampamentos selvagens.

Mas sempre surge aquela pergunta, será que existe algo mais leve no mercado, que atenda a mesma exigências das barracas e que de fato melhore nosso conforto na hora de dormir?

Essa pergunta é fácil de responder, hoje em dia podemos ter barracas com peso menor de 1 kg, mas como sempre, nos equipamentos de práticas aventureiras, os equipamentos mais leves e eficazes do mercado, possuem valores elevados, não compensando a obtenção dos mesmos.

Uma boa opção é optar por uma rede de dormir, diferentemente das antigas redes que conhecemos, aquelas usadas na praia, geralmente eram enormes e pesavam cerca de dois a cinco quilos, inviabilizando seu uso em trilhas e aventuras.

Hoje em dia com novos materiais e tecnologias bem aplicadas o peso das redes tem diminuindo consideravelmente, em relação às antigas redes que conhecemos. Podemos encontrar no mercado brasileiro redes de 300 à 500 gramas, dependendo do modelo que optarmos.

Apresento a vocês leitores a Rede Adventure, da marca brasileira Kampa, mostrando suas principais características e expressando nossa opinião sobre esse equipamento.

Rede Adventure Kampa
Rede Adventure Kampa

Características conforme o fabricante:

  • Dimensões aberta: 250 cm x 150 cm
  • Dimensões fechada: 18 cm x 20 cm x 5 cm
  • Comprimento total incluindo as cordas: 410 cm
  • Peso: 410 g
  • Capacidade máx. carga: 150 kg
  • Material: cordas em polipropileno com alma e tecido em 100% poliamida (nylon) nacional com amaciante para proporcionar um toque suave.
  • Cores: Verde Oliva, Azul Royal, Cinza e Laranja

Fabricada em tecido poliamida, torna-a totalmente respirável e impede o acúmulo de suor expelido pelo corpo durante as noites de sono. Este tecido, também possui um toque macio, o que gera muito conforto.

Rede Adventure Kampa
Rede Adventure Kampa

Possui cerca de 32 cordas de cada lado, permitindo que, ao se deitar e apoiar todo o peso nela, essas cordas apenas sofrerão tensão nos pontos onde seu corpo estiver apoiado, isso melhora ainda mais o conforto na hora de dormir.

Rede Adventure Kampa
Rede Adventure Kampa

A rede Kampa é muito fácil de ser armazenada, possui um bolso inserido nela, assim, quando a rede está em uso, o compartimento é usado como bolço para guardar pequenos objetos, como celular, lanterna e outros, já na hora de guardar a rede, o bolço se transforma em sacola de transporte. Isso é bom, pois você nunca perderá o saco de armazenamento.

Geralmente, a primeira vista, com a rede montada, a tendencia é deitar no próprio sentido da rede, entretanto, isso não está correto, pois para ter uma boa noite de sono é primordial que a  coluna esteja o mais reta possível, caso contrário, o corpo cansa mais do que realmente descansa.

Para entender o que estou falando, vou mostrar com uma foto ilustrativa.

Rede Adventure Kampa

A maneira mais confortável de se deitar na Rede Adventure Kampa é em ângulo de 45°. Nesta posição, a coluna permanecerá reta, evitando dores musculares.

Outro detalhe que merece destaque é o quanto de carga(peso) essa rede suporta, cerca de 150 kg. Com certeza é uma das redes mais leves e resistentes do mercado. Por pesar apenas 410 gramas, é uma boa escolha para quem quer carregar pouco peso em sua mochila.

Avaliação:

Depois de passar dois dias usufruindo da rede, chegamos a algumas conclusões que listamos logo abaixo:

  • Muito leve, compacta e de fácil montagem/desmontagem;
  • Confortável , desde que o deitar, seja feito da maneira correta;
  • Bom acabamento, com costuras duplas em todas as extremidades;
  • O tecido apresenta boa respirabilidade.

Você pode dizer que não troca o conforto de uma barraca, pela simplicidade de uma rede, pois a barraca possui mosquiteiro e lona impermeável o que garante uma boa noite de sono, livre de mosquitos e livre de chuva, entretanto alguns acessórios podem suprir essas dificuldades.

A própria marca Kampa, já pensou e desenvolveu acessórios para aumentar ainda mais seu conforto nas aventuras, estes acessórios permitem agregar um mosquiteiro e um toldo junto a rede, tornando-a tão incrível quanto uma barraca e ainda livre de alagamentos durante a noite, veja mais a seguir.

Assessórios:

Mosquiteiro BugStop

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Foto: Kampa

Garante conforto e proteção contra todo tipo de insetos durante seu sono ou descanso. Projetado com material ultra leve, respirável e resistente, pesa apenas 230 gramas e pode ser usado em conjunto com vários tipos de redes de descanso ou diretamente sobre o isolante no solo. Possui zíper para facilitar a entrada e saída, bolsa acoplada, é compacto e muito fácil de instalar.

Mosquiteiro BugStop baixa
Foto: Kampa

Oferece proteção contra mosquitos transmissores de doenças como malária e dengue, mantendo o ambiente ventilado e arejado. BugStop é a garantia de uma noite de sono tranquila.

Características conforme o fabricante:

  • Dimensões aberto: 290 cm x 140 cm
  • Dimensões fechado: 25 cm x 10 cm x 10 cm
  • Peso: 230 g
  • Material: Poliéster
  • Cor: Verde Oliva

Cobertura – Tarp Oca 

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Foto: Kampa

O Tarp Oca oferece proteção contra chuva e vento para acampamentos em bivaque (acampamentos ao relento) com redes.
Desenvolvido com poliamida impregnada de silicone e resina especial, o Tarp Oca é impermeável, e sua área de cobertura possibilita que você e seus equipamentos fiquem sempre secos e protegidos. Com apenas 490g ele foi concebido para atender o conceito “light e fast” (leveza e rapidez), e é indicado para aqueles que gostam de ir mais longe carregando menos peso.
Tarp Oca ocupa pouco espaço na mochila, e sua bolsa acoplada, aumenta a rapidez e a praticidade na hora de montar e desmontar. Também pode ser usado como uma área de descanso ou uma cozinha em acampamentos, pois oferece proteção extra contra a chuva e o vento.

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Fotos: Kampa

Características conforme fabricante:

  • Dimensões aberto: 370 cm x 220 cm
  • Dimensões fechado: 25 cm x 15 cm x 10cm
  • Peso: 490g
  • Material: Poliamida com tratamento interno de resina a base d´água e repelente d´água a base de silicone na parte externa.
  • Cor: Verde Oliva

Esta rede e todos os seus acessórios você encontra no site da marca Kampa no Brasil e na loja Guenoa Bikes e Apetrechos para Aventura.

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Contato:

Fone: +55 (54) 3213.5131

vendas@guenoa.com.br

https://www.guenoa.com.br/

Texto: Luís H. Fritsch
Fotos: Marcio Basso

Seja voluntário e viaje quase de graça

Seja voluntário e viaje quase de graça

Você é aquele tipo de pessoa que adora viajar, tem vontade de conhecer outros países, mas não quer gastar quase nada? Seja voluntário em organizações ao redor do mundo, e de quebra conheça lugares incríveis.

O voluntarismo é uma maneira diferente e barata de viajar, e ao mesmo tempo fazer o bem ao próximo. Abaixo listamos oito maneiras de conseguir hospedagem e alimentação, trabalhando como voluntário nesses projetos.

1-  Turtle Teams – várias partes do mundo
São grupos que ajudam tartarugas marinhas em praias ao redor o mundo onde ocorrem desovas dos bichos. O custo varia muito, mas algumas organizações oferecem acomodações de baixo custo. Dessa forma você conhece praias paradisíacas ao redor do mundo e ao mesmo tempo ajuda a preservar as espécies.

Seja voluntário

Você pode ter mais informações sobre esse trabalho nos sites: Campamento Torutgero, Sea Turtles e Sea Turtle Conservancy

2- Voluntariado de conservação – Austrália e Nova Zelândia
São projetos de curta duração para conservação de habitats e promoção de ecoturismo. Os valores também variam bastante, e podem chegar a AUS$ 208 por uma semana de estadia, entre acampamentos ou chalés. Algumas organizações disponibilizam viagens de graça, mas por pouco tempo.

Seja voluntário

Você pode ter mais informações sobre esse trabalho nos sites: Conservation Volunteers, The Conservation Volunteering

3- Voluntariado do Sudão – Sudão, África
Este tem como objetivo ensinar inglês em escolas e universidades no país que é considerado o mais por do mundo. O voluntário  normalmente paga a passagem até o país, porém, todos os outros custos são cobertos e algumas organizações ainda dão ajuda de custo.

Seja voluntário

Você pode ter mais informações sobre esse trabalho nos sites: Sudan Volunteer Programme

4- Conservação da Trilha Apalache – Estados Unidos
A Trilha Apalache é uma trilha clássica de mais de 3 mil quilômetros de extensão, que cruza o o leste dos Estados Unidos. Lá também é o lar de mais de duas mil espécies, muitas em risco de extinção.

Seja voluntário

Você pode ter mais informações sobre esse trabalho nos sites: Appalachian Trail Conservancy

5- Trip Leader da HF Holidays – Toda a Europa
A HF Holidays é uma das mais populares companhias europeias de pacotes de viagens e feriados. O voluntário tem a oportunidade de explorar o continente europeu acompanhando os grupos de excursão. Uma uma maneira diferente de conhecer novos lugares e conhecer novas pessoas.

Seja voluntário

Você pode ter mais informações sobre esse trabalho nos sites: HF Holidays

6- Peace Corps – várias partes do mundo
A Peace Corps consiste em projetos de saúde, desenvolvimento de negócios e conservação do meio ambiente. Este é aberto apenas para residentes nos Estados Unidos e tem o compromisso de 27 meses de trabalho.

Seja voluntário

Você pode ter mais informações sobre esse trabalho nos sites: Peace Corps e Voluntary Service Overseas.

7- Voluntário das Nações Unidas – várias partes do mundo
A Organização das Nações Unidas (ONU), oferece oportunidades de voluntariado nas áreas de ajuda médica, desenvolvimento econômico e ajuda emergencial em países afetados por desastres naturais.

Seja voluntário

Você pode ter mais informações sobre esse trabalho nos sites: UN Volunteers

8- Voluntariado em um Kibbutz – Israel
Um kibutz é uma forma de coletividade comunitária israelita, uma espécie de cooperativa, que mistura um pouco de ideologia socialista e o sionismo no sionismo trabalhista. É o trabalho mais arriscado da lista em uma das regiões com grandes conflitos, porém com uma ande oportunidade de enxergar a realidade de Israel fora da TV.

Seja voluntário

Você pode ter mais informações sobre esse trabalho nos sites: Kibbutz Volunteer

Outros Céus – Ricardo D’Addio

As viagens de D’Addio são literalmente aventuras, porque ele prefere deixar espaço para o desconhecimento, sem ser irresponsável nem se colocar em situações de risco desnecessárias. Ele utiliza muito da sua capacidade de interação com pessoas, adquirida em anos de sala de aula com jovens, para descobrir as opções que possam transformar aquela jornada numa experiência interessante.

Então se você procura lições de planejamento é melhor se preparar para encontrar neste livro exemplos de como reagir diante do imprevisto. Se busca um roteiro para as próximas férias, deixe-se levar pela descoberta da diversidade e inspire-se nas paisagens e descrições que o autor faz dos lugares e das pessoas.

Este Livro é principalmente sobre as pessoas dos lugares, um achado para aprender que a espécie humana é muito rica e que intende-la é sempre desafiador.

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Sobre o autor

Ricardo D’Addio é paulistano, formado em veterinária pela USP, desenvolveu sua carreira como professor de Biologia, um mestre querido e lembrado pelos alunos. Parte desse sucesso certamente se deve ao repertório que ele acumula há mais de três décadas nas viagens que empreende mundo afora.

Edição: Luís H. Fritsch

Topografia Google Maps

Para entendermos o que significa a opção terreno no Google Maps, temos que compreender um pouco sobre as antigas cartas topográficas.

Carta topográfica:

É a representação sobre um plano, em escala, dos acidentes naturais e artificiais da superfície terrestre de forma mensurável, mostrando suas posições planimétricas e altimétricas. A posição altimétrica ou relevo é normalmente determinada por curvas de nível, com as cotas referidas ao nível do mar.

Topografia Google Maps

Antigamente, quando planejávamos atividades e aventuras, usávamos cartas deste tipo, assim podíamos ter a noção de elevações do terreno, conseguindo traçar uma boa rota, sem nunca ter passado pelo local.

O maior problema era adquirir esse tipo de carta, pois os valores de cada carta eram inviáveis e as áreas mapeadas eram gigantescas, o que muitas vezes atrapalhava a organização da aventura. Quem normalmente fazia essas cartas era o Exército Brasileiro, usando fotografias aéreas e depois colocando cálculos de altimetria, assim mensurando todo o mapa.

Hoje em dia, a ferramenta “Terreno”, inserida no programa Google Maps gratuitamente, faz praticamente a mesma coisa, você consegue ver o local sua altitude, pontos de maior aclive/declive e assim, programar suas aventuras sem ter que pagar por elas.

As imagens do Google Maps mostram a elevação física, como um relevo sombreado, e linhas de elevação. Também inclui nomes de ruas e outras informações.

Topografia Google Maps
Vista do Cânion Fortaleza – Ferramenta Terreno – Google Maps

Para entender melhor essas linhas (curvas de nível) e números mostrados no mapa, saiba que as linhas mais fortes são as que possuem a numeração inteira de altitude, já as linhas mais fracas, são a continuação do cálculo de altitude, podendo ser de 10 a 50 metros ou mais, cada uma delas. dependendo da  escala de altura do mapa, quanto mais “zoon” você der no mapa, menor é a diferença de altura de cada linha.

Nota-se também, que em algumas partes do mapa, as linhas ficam mais juntas, isso significa que quanto mais perto uma linha estiver da outra, mais íngreme é o terreno, e quanto mais afastadas menor é sua inclinação.

Essa nova ferramenta,  contribui para ajudar todos os aventureiros a programar suas rotas e novos caminhos, e o mais legal,  que é dada gratuitamente. Pode ser  usada em celulares e computadores, facilitando a  programação de uma aventura sem ter nunca ido ao lugar. Com um pouco de conhecimento sobre topografia essa ferramenta vai lhe ajudar muito em suas próximas aventuras.

Como reduzir espaços vazios em sua mochila!

Todo aventureiro, sempre leva vários equipamentos para manter-se confortavelmente, seja em uma pequena trilha, trekking ou viagens longas, normalmente  se faz uma lista com todas as coisas que vai levar e na hora de por na mala/mochila, isso não acontece com a mesma facilidade que planeja.

Para evitar problemas como estes, vamos apresentar algumas dicas úteis!

  • Leve apenas equipamentos essenciais, que possuam mais do que uma utilidade;
  • Ao invés de dobrar sua roupas enrole-as fazendo para cada dia um rolo (roupas intimas, calça/bermuda, camiseta e meias), isso facilita na hora de colocar na mochila, e evitando que as roupas amassem tanto, ainda, a grande diferença de fazer dessa maneira é que você tem suas roupas diárias em um único lugar;

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  • Panelas são equipamentos que normalmente consomem muito espaço físico dentro de nossas mochilas, você pode acoplá-las por tamanhos e no espaço que sobrar coloque alimentos dentro, (café, açúcar, e barras de cereais);

 

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  • O saco de dormir, igualmente, também ocupa bastante espaço, neste caso você pode optar por sacos de dormir mais compactos ou usar sacos de compressão para deixa-lo menos volumosos;

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  • A barraca é um equipamento necessário para trekkers e aventureiros, aqui a dica é retirá-la da bolça original, enrolar cada parte separadamente, assim você consegue um condicionamento muito melhor dentro da mochila, isso também evita alguns problemas como rasgos e enrosco durante caminhadas em mata fechada;

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  • Outra dica interessante é usar ferramentas em um único lugar, ao invés de levar separadamente um canivete, serra de mão, lanterna, tesoura, pinça, um bom exemplo para evitar perder seus equipamentos é  usar ferramentas como alicates com multifunções, estes equipamentos possuem muitas ferramentas que talvez você nem precise, porém fica tudo preso em um só lugar;

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  • Alimentos também dão algumas dores de cabeça na hora de acomodar na mochila, opte por comidas leves e com grande capacidade energética, uma boa dica é levar comidas liofilizadas, são leves e de fácil preparo.

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  • A água é um item essencial dentro de nossas mochilas, neste caso, recomendo levar dois litros, um para você se hidratar e outro para cozinhar, uma boa dica é levar filtros purificadores, isso ajuda muito em situações onde não se tem certeza da qualidade da água, e diminui a quantidade de água dentro da mochila, mas cuidado, isso não se aplica a todos os casos, existem lugares que você terá que levar muito mais que 2 litros de água.
Texto: Luís H. Fritsch

Ausangate e o Circuito de Trekking Acima dos 4.000 Metros de Altitude

Ausangate e o Circuito de Trekking Acima dos 4.000 Metros de Altitude

Em algum lugar, alguma coisa incrível está esperando para ser conhecida. Carl Sagan

O Nevado Ausangate é um pico da Cordilheira Vilcanota, subcordilheira dos Andes, localizado no Distrito de Ocongate, Província de Quispichanchi, região de Cusco. Quarta maior montanha do Peru, com 6.384 metros de altitude, seu nome em quechua significa “cobre” e é considerada sagrada pelos locais, sendo um dos centros de peregrinação mais procurado pelos descendentes Incas. O trekking de 80km que circunda Ausangate é um dos principais atrativos, passando por campos rupestres de altitude e pastoreio de llamas, alpacas e ovelhas, pacatos vilarejos, belíssimas lagunas e distintas formações rochosas, gelo e “passos” de montanha com mais de 5.000 metros de altitude.

Minha história com Ausangate começou em agosto de 2014, quando recebi o convite de meu grande amigo Peter Tofte (editor do site, morador de Salvador) para me juntar ao grupo composto por Renato (de Goiás), Adriano, Fábio e Andrea (de Brasília) e Luciano (de São Paulo). A altitude foi um fator preocupante – visto que o trekking ocorre entre 4.300 e 5.200 metros sobre o nível do mar – pois até então não saberia como meu corpo reagiria; enfim, topei de momento o convite, já que as montanhas do Peru permeavam meus sonhos há tempos! Comprei alguns equipamentos para suportar o frio e aguardei ansiosamente a aventura! Altitude exige uma boa aclimatação, portanto precisaria de alguns dias livres em Cusco e, por que não conhecer Machu Picchu? Chegamos em Cusco no dia 25 de maio e Daiane, minha dona onça, me acompanhou por 7 dias pelas misteriosas ruínas e destinos históricos do que fora a civilização Inca. Visitamos sítios arqueológicos, museus, artesanias, mercados, centros tradicionalistas e claro, Machu Picchu, que já estava há tempos em nossos planos! Quanta magia! E Cusco? Que cidade! Foi uma experiência magnífica, ao lado de uma pessoa maravilhosa!

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Peter, Luciano, Fábio e Andrea aclimataram num pequeno roteiro de trekking em Lares. Renato e Adriano aclimataram pelos arredores de Cusco e Machu Picchu e nos fizeram uma visita pra lá de divertida no hotel em Aguas Calientes. Peter ficou responsável pela contratação do guia. Cirilo Gonzalo Huaman, um dos mais bem cotados no Best Hike é guia independente e providenciou arrieros, cavalos, tenda para a cozinha e transporte para o início / final do trekking, assim sairíamos todos juntos e teríamos mais privacidade e conforto durante os traslados. O valor cobrado para 6 dias / 5 noites foi de USD210 por pessoa – algumas agências em Cusco cobram três vezes mais! – Cirilo era guia / cozinheiro de agências, porém explorado em demasia, decidiu tornar-se independente. Seu e-mail:cigohotrek@hotmail.com. Optamos por levar e cozinhar nosso próprio alimento já que Peter e Renato não tiveram uma boa experiência no trekking que fizeram em Huayhuash, devido à péssima higiene dos guias no preparo dos alimentos.

Era chegada a hora! Daiane conheceu Peter e parte do pessoal e em meio à emoção e euforia, nos despedimos na manhã do dia 30 de maio. Por coincidência, seu voo para o Brasil sairia há poucas horas. A saudade bateu forte! Peter, Fábio e Andrea já estavam na van, juntamente com o guia Cirilo e Yatir, um israelense super gente boa que se juntou ao grupo em última hora. Pegamos Renato, Adriano e Luciano e partimos para Tinqui, pequeno vilarejo há 150km sentido sudeste de Cusco. No caminho paramos para comprar brinquedos para as crianças locais, uma pequena recordação para aqueles que mal conhecem as necessidades básicas da vida. Estrada sinuosa! Na metade do caminho, paramos para contemplar a cadeia de montanhas de Vilcanota. Chegamos em Tinqui e aproveitamos para almoçar um saboroso e gigantesco prato de massa misturado com pedaços de carne, cebola e tomate. Caminhamos pelas ruelas, visitamos os mercadinhos locais e acertamos os últimos detalhes para a pernada. Tinqui é excelente para aclimatação, pois está nos 4.100 metros de altitude. Dividi o quarto com Luciano e até que dormi bem para os padrões do hostel. Noite barulhenta! Na manhã seguinte, Cirilo nos apresentou à equipe que nos guiaria pelos próximos dias: seu irmão Alejandro, seu tio Pascoal e seu sobrinho Elvis.

TINQUI – UPIS

Tinqui estava em polvorosa devido ao Festival do Señor de Qoyllur Riti que antecede Corpus Christi. O mercado de abastos instalado na praça central estava agitado. Compramos algumas folhas de coca, nos registramos no posto de controle – pagamos a taxa de 10 soles para adentar ao parque – e seguimos rumo à Upis por estrada de terra, geralmente ladeira acima. Foi colocar o pé na estrada para perceber o quanto a altitude castiga o corpo! Simplesmente não há oxigênio! O coração sobe à boca, aumentam as palpitações e a fadiga começa a tomar conta, ainda mais com mochila pesada nas costas! Depois de encontrar um bom ritmo, você consegue lidar bem com a redução de oxigênio, mas dificilmente vai se acostumar com isso! Regra básica: não forçar nos primeiros dias! Adriano e Yatir estavam em boa forma e conseguiam acompanhar o guia Cirilo sem maiores problemas. Andrea distribuiu alguns regalos para as criancinhas e durante o trajeto, o imponente Ausangate já dominava a paisagem. Caminhamos por umas 3 horas, deixando para trás uns 10km de chão, passamos por casas nativas, campinas de criação de llamas e ovelhas, plantações de batatas e chegamos na casa de Cirilo para a primeira pernoite.

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UPIS – JANPAUCACOCHA

O sol nos aquecia naquela fria manhã, estendi o saco de dormir e a barraca, tomei um delicioso café e depois de organizar as tralhas, partimos do quintal de Cirilo. Quanto mais andávamos, mais nos afastávamos dos vilarejos, as casas iam ficando para trás dando espaço à paisagens bucólicas e campos rupestres de altitude para a contemplação. A cada passo, Apu (Deus) Ausangate descortinava mais sua magnitude. Com aproximadamente duas horas de caminhada, chegamos nas termas de Upis, camping oficial do circuito, local bem estruturado para receber os trekkers. Paramos para um breve lanche, algumas fotos e demos início à subida do primeiro passo do circuito: o Arapa Abra com 4.850 metros de altitude. Meu ritmo estava bom, mas lento. Não senti muita dificuldade na subida e aproximadamente três horas depois das termas, estávamos no topo do passo. Que visual! Paisagens de tirar o fôlego! Montanhas, cachoeiras, lagunas, rochas de diversas tonalidades, picos nevados e até vicunhas pastando em altitude! Peter comentou que viu um casaco de lã de vicunha sendo vendido em Cusco por R$5.000! Havia até esquecido o vento frio que castigava. Vesti o anorak e demos início à descida para a Laguna Janpaucacocha para a segunda pernoite.

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Cercada de montanhas nevadas e de um azul profundo, foi um dos campings mais bonitos do circuito. Cirilo nos levou ao mirante da laguna. Podia observar a sucessão de três lagoas e suas cachoeiras encravadas na paisagem e ao longe avistava a estrutura armada pelos arrieros. Subimos por algumas pedras e poucos minutos depois estávamos com as barracas prontas. Confesso que pensei em tomar banho na lagoa, porém o frio falou mais alto! Impossível naquelas condições! Digamos que o “banho de gato” com lencinhos umedecidos foi a escolha para todos os dias. O bom é que eu dormia sozinho na barraca! Pascoal e Alejandro pescaram trutas para o dia seguinte. Preparei uma sopa com torradas como entrada e depois de uma rica e liofilizada janta de arroz, feijão e bacon ficamos papeando na tenda cozinha enquanto chovia lá fora. Naquela noite precisei ir ao banheiro embaixo de chuva! Lembrei de ter deixado os bastões e as botas no avance da barraca e depois da arrumação, dormi bem agasalhado e descansei muito, mesmo naquele frio! Vale lembrar que nos trekkings pela Bolívia, Peru, Chile, etc., é bom guardar todo seu equipamento para evitar imprevistos. Peter já teve um bastão roubado na Quebrada de Santa Cruz, no Parque Nacional de Huascarán.

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JANPAUCACOCHA – PAMPACANCHA

Acordei cedo e o sol novamente nos brindava com seu resplendor dando alento àquela fria manhã. Depois do café reforçado, ajudei Elvis a ensacar minha duffel bag para facilitar o transporte no cavalo. O bom da contratação de arrieros e cavalos é que seu equipamento mais pesado – barraca, saco de dormir, roupas e comida – vai no lombo dos animais. Uma mochila de ataque com água, lanche e agasalho é suficiente para o circuito. Imagine como seria andar naquela altitude com mochila cargueira pesando mais de 20kg! Este seria o dia mais puxado do circuito, com aproximados 12km e dois passos para transposição, porém o mais espetacular! Não precisou andar muito para ver o que nos esperava à frente! Caminhamos por charcos de musgos ao lado de uma fantástica laguna e adentramos num prado coberto por uma gramínea verde acizentada, repleta de alpacas. À direita, protuberâncias rochosas pareciam tocar o céu enquanto que à esquerda, as geleiras insistiam em derreter nas lagunas multicolores. E no meio disso tudo? Eu e meus companheiros de trekking! Singelos casebres de camponeses davam um toque especial à paisagem. Quando percebi, havíamos atingido o topo do Apaneta Abra e seus 4.850 metros de altitude sem muita dificuldade. De cima, conseguia observar o azul celeste de Ausangatecocha, laguna à 4.650 metros de altitude e ponto oficial de acampamento com boa infraestrutura. Desci atrás de todos, esperando Elvis (confesso que também precisei usar o banheiro) e logo depois almocei na companhia de Peter à beira da laguna.

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Hora de encarar a “pior” subida do circuito, o Passo Palomani e seus 5.200 metros de altitude! Mochila nas costas e pé na trilha! Ascensão difícil, íngreme e extremamente cansativa! Se lá no início parecia não haver oxigênio, aqui ele realmente não existia! Enquanto subia, podia ver lá no alto as pircas de pedra que demarcavam o passo. Como estavam distantes! Cirilo deu algumas folhas de coca para mascarmos; não sei se foi efeito placebo, mas senti uma relativa melhora na respiração enquanto mascava a coca e quase duas horas depois encontrava-me no topo do Palomani Abra, ponto culminante do circuito! Não sabia ao certo que palavra melhor definia meu sentimento naquele momento, foi um mistifório de sensações boas, de alegria e emoção! Senti orgulho de tal façanha! Batemos muitas fotos, brincamos na neve igual criança e com a respiração ofegante, fizemos uma oferenda aos Apus agradecendo por estarmos ali em segurança e pedindo proteção para os dias vindouros. O vento desmedido em conjunto com o impetuoso frio, nos obrigou a descender rapidamente para o vale protegido. Em poucos passos nos deparamos com a magnitude da Laguna Colorada, localizada na base do Nevado Mariposa. Sua cor avermelhada a destaca do restante da paisagem! Na descida observei uma imensa criação de alpacas pastando nas pradarias enquanto avistava ao fundo o local da terceira pernoite: Pampacancha. Montamos barraca no quintal de uma casa de pastores. Saboreamos as deliciosas trutas pescadas no dia anterior e depois de outra apetitosa janta, contemplei a montanha sob o lusco-fusco do luar e cai em sono profundo. Outra noite fria!

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PAMPACANCHA – OTORONGO

Acordamos cedo. Café reforçado, tralhas embrulhadas, cavalos carregados e pé no sendero. Teríamos aproximadamente 15km pela frente e o segundo passo mais alto. Com poucos minutos de caminhada, baixamos para o fundo do vale, atravessamos um riacho de degelo e seguimos por entre as montanhas da Cordilheira Vilcanota. Procurava me concentrar na trilha para não afundar nos charcos de musgos. Andamos um bom tempo com o visual do Nevado Tres Picos à nossa frente e poucos quilômetros depois nos deparamos com outro acampamento oficial do circuito. Deve ser esplêndido acordar naquele camping com a vista dos Tres Picos! Com certeza teria valido a pena caminhar um pouco mais no dia anterior. Viscachas saltitavam freneticamente por entre as pedras na tentativa de esconder-se de nós invasores. Aos poucos, aqueles pampas davam lugar à longa subida, suave porém, até o passo e, a cada metro galgado, mais a paisagem revelava-se arrebatadora. Paramos para agrupar o pessoal e continuarmos juntos, num ritmo mais lento em função da indisposição de Fábio, provavelmente decorrente das trutas preparadas pelos guias na noite anterior.

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À frente, pircas delineavam o passo e após estafante subida, alcançamos os 5.000 metros de altitude do Campa Abra. Bonitas vistas do Cayangates, pico defronte ao passo. Depois de algumas fotos, descemos por uma trilha tranquila até a parada para o almoço no acampamento base para ascensão ao Campa. Dali, fomos diretos para o mirante da Laguna Ticllacocha. Que lugar! A lagoa de tom esverdeado aos pés da montanha e aquela paisagem eram de tomar o fôlego! No caminho comprei um cachecol de uma nativa camponesa para presentear minha mãe. Da lagoa, baixamos para o local da quarta pernoite em meio à uma chuva fraca de granizo. O cúmulo-nimbo nos rodeava e anunciava a chegada de algo maior. Logo chegamos ao acampamento Q’omercocha e fomos obrigados a entrar na tenda cozinha em virtude do forte granizo que caia. Impossibilitados de armar as barracas, a solução foi esperar até a tempestade amenizar. Assim que possível, instalei meu abrigo bem alinhado ao vento predominante e voltei à tenda cozinha para preparar a janta. Fazia um frio terrível! O granizo deu espaço à uma forte nevasca e a noite caiu rapidamente. O vento soprava forte e, sem muitas opções, bati o excesso de neve do sobreteto da barraca, me recolhi ao conforto do saco de dormir e cai em sono, confiando na montagem que havia feito. Com certeza, a noite mais fria do roteiro!

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OTORONGO – PACCHANTA

Branco! Foi o que vi quando sai da barraca ao amanhecer. Aquele gelo todo lembrava as paisagens de inverno da Serra Gaúcha. O sol integrou-se à paisagem daquela álgida manhã de quinta-feira. Andei pelo acampamento, caminhei pela borda das lagoas que flanqueavam Otorongo, tirei fotos e até usei um banheiro decente com vista para as montanhas. Não tínhamos muito para andar naquele dia, por isso relaxamos um pouco mais na saída. Depois de organizar as mochilas, ficamos deitados por um bom tempo sob o sol. Lembro que Elvis, menino de 12 anos, reclamou de dor de ouvido e Adriano o medicou. Num trekking desse porte, sempre é muito bom contar com a presença de um médico! Lagunas sarapintadas foram o ponto alto daquele dia: azuis, verdes, turquesas, enfim, eram aos montes e nas mais diversas tonalidades! Um dos trechos mais expressivos da jornada! Sagradas para os locais, que frequentemente fazem oferendas jogando flores e objetos pessoais. Próximo à Pacchanta margeamos um bonito córrego que, em conjunto com as montanhas ao fundo e a trilha, formava, na minha opinião, a paisagem ideal deste trekking!

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Aquele sossegado vilarejo dispunha de quartos para locação e como seria a última noite do circuito, a maioria optou por dividirmos os cômodos, pois já estávamos cansados de montar / desmontar as barracas. Cirilo entrou em contato com o motorista da van e pediu para que nos pegasse em Pacchanta na manhã seguinte, assim economizaríamos um trecho de aproximados 10km por estrada de chão. Naquela tarde novamente o granizo caiu, seguido de outra forte nevasca. Embaixo do quarto que alugamos, ficava nossa cozinha comunitária, que nos abrigou daquele clima sombrio. Tão logo o tempo abriu, caímos nas piscinas termais e curtimos o resto da tarde naquelas águas tórridas. Alguns até encararam uma Cusqueña! Sai correndo das águas para não esfriar e adormeci no calorzinho do saco de dormir. Que cochilo bom! A altitude dá um sono desgraçado! Outra janta boa, com direito à refrigerante comprado na vendinha de Pacchanta e outra maravilhosa noite de sono!

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Na manhã seguinte acordei cedo e organizei todo o equipamento. Ofereci aos arrieros a comida sobrada. Agradecemos Cirilo, Alejandro, Pascoal e Elvis presenteando-os com algumas lembranças pessoais. Notei a gratidão estampada no rosto do pequeno Elvis ao lhe dar um pequeno canivete. Tiramos uma foto coletiva, mas Adriano ficou de fora em virtude de sua indisposição; uma pena! A van logo chegou para nos recolher e duas horas depois já estava na porta do hotel em Cusco. Antes da volta para casa, pude aproveitar a companhia dos novos amigos nas jantas e caminhadas por Cusco. Hoje, escrevendo este relato e revendo as fotos, confesso que a saudade bateu. Seria um lapso de minha parte deixar de agradecer os grandiosos momentos que passei com os amigos Peter, Renato, Adriano, Luciano, Fábio, Andrea e Yatir. Que vontade de trilhar novamente por aquele pequeno paraíso, de contemplar aquela imensidão dos pampas andinos salpicados por llamas e alpacas, de tentar entender o misterioso chamado que emana das montanhas e ecoa pelos vales, de desfrutar mais daquele solitário cantinho do Mundo, afinal estamos aqui só de passagem; o que vale é curtir cada momento, como se fosse o último e o meu momento? Curti demais!

Bons ventos!

Data do relato: 25 de Agosto de 2015
Texto e fotos: Edver Carraro
Site: Edver Carraro

Bota Salomon Explorer GTX

Bota Salomon Explorer GTX

Vamos apresentar nesse post uma a bota Salomon para trekking já em uso a mais de 1 ano, mostrando suas características construtivas, pontos positivos e negativos.

História da marca Salomon:

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A empresa francesa, especializada na fabricação de equipamento para esquis e esportes na montanha, foi fundada em 1947 na pequena cidade de Annecy, região de Côte St. Maurice berço do surgimento do alpinismo moderno, por uma família francesa oriunda do coração dos Alpes, formada por François Salomon, sua mulher Jeanne e seu filho George. A empresa inicialmente surgiu como fabricante de produtos esportivos para a prática de esportes nas montanhas e lâminas para esqui, especializada em suprir as necessidades dos atletas de atividade outdoor, como trilha, corrida, esqui, escalada ou montanhismo.

A Bota Salomon Explorer GTX foi desenvolvida para o trekking (caminhada em trilhas com os mais variados tipos de terreno, os pedregosos, os úmidos, os escorregadios). A bota Salomon é impermeável e respirável, pois possui a mais conceituada tecnologia para tal característica, a membrana GORE-TEX. Graças à construção Advanced Chassis, o pé fica mais estável e melhor protegido.
Construída com três tipos de materiais: couro, couro-camurça e tecido, juntamente com a membrana Gore-Tex que faz com que ela se torne impermeável e respirável ao mesmo tempo.
O que isso quer dizer?
– As botas impermeáveis e respiráveis, possuem tecnologias que impedem a água de entrar, deixando os seus pés secos, e são respiráveis por possuírem membranas que retiram o suor dos pés, pois não adianta ser somente impermeável se o suor não for retirado dos seus pés, você ainda ficará com os pés molhados.
Um ponto bem interessante, é que as costuras dessa bota são totalmente seladas, garantindo assim melhor impermeabilidade.
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O ajuste dos cadarços são perfeitos, os passadores tem uma característica construtiva interessante, pois ao amarrar a bota, eles ajustam todos os pontos do cadarço uniformemente e em um único aperto, facilitando assim a amarração, possuí também trava de segurança para maior conforto e segurança ao pisar.
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 A biqueira tem construção reforçada, assim protegendo os seus dedos de danos causados por eventuais contatos com pedras pelo caminho, este mesmo reforço existe na parte de traz, no calcanhar, assim evitando torções.
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 Essa bota conta com uma tecnologia bem inovadora chamada Advanced Chassis™, é um composto robusto entre a sola e a entressola que maximiza o controle de movimentos, dando mais conforto e protegendo seus pés de elementos pontiagudos que possam ser encontrados nas trilhas.Bota Salomon O solado tem a tecnologia Contagrip, que garante melhor absorção de impactos, durabilidade e tração em pisos secos.
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 A Salomon, desenvolveu Contagrip porque queria estar 100% certo de que seus calçados iria oferecer um desempenho impecável, faça chuva ou faça sol, asfalto ou rocha. É uma mistura cuidadosamente equilibrada de densidade, o composto e da geometria.
Solas Contagrip são uma mistura de compostos diferentes, com diferentes densidades. Isto significa que diferentes zonas da sola são mais suaves ou mais duras, dependendo de onde elas são colocadas. Áreas que são propensas a desgaste mais rápido têm compostos mais duros de alta densidade, por exemplo, nas bordas da sola. Outras áreas usa compostos de baixa densidade, que oferece um pouco mais de flexibilidade e aderência por exemplo, a coluna central da sola. Fonte: Guides
O Solado ainda conta com áreas de propulsão e de frenagem, dando mais segurança ao caminhar.
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Uma característica construtiva das botas de trekking é o fato de ser construída inteiramente, não deixando a língua ficar separado do resto do calçado, isso permite maior segurança e auxílio quanto a impermeabilidade.
Outro destaque é a palmilha com tecnologia Ortholite, o que é isso?
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Construída em poliuretano (PU) e borracha reciclada, criando um produto com uma excelente resistência, sendo leve e respirável, tem ainda proteção contra a transpiração e os odores desagradáveis ​​provocados pela umidade, permitindo que o ar passe através da bota e o excesso de calor e umidade seja extraído para fora do calçado, ainda é anti-microbial, propiciando um meio ambiente mais saudável a seus pés.
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 Assista o Vídeo:

 Avaliação final

Como se pode ver no vídeo, testamos a impermeabilidade e a tração dessa bota, em terreno úmido e com muita lama, lembrando que esse calçado tem mais de um ano de uso. No terreno com lama, tentamos correr com ela para forçar as áreas de tração e frenagem e ver como o solado se comportava em relação ao solo escorregadio, e o solado contagrip teve boa aderência e boa absorção de impactos. A bota provou sua eficácia também no quesito de impermeabilidade e respirabilidade, para isso mergulhamos a bota até a metade do cano, atravessamos um córrego com ela, e não entrou uma gota sequer de água.

Pontos Positivos: A bota é muito confortável, impermeável e respirável e possuí boa tração em solos secos e lamacentos, a trava de segurança do cadarço funciona muito bem, a palmilha proporciona o máximo conforto.
Pontos negativos: O solado é pouco eficaz em terrenos com pedras molhadas e úmidas.
Esta bota você encontra na loja de nossos parceiros!
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Contato:

Fone: +55 (54) 3213.5131

vendas@guenoa.com.br

https://www.guenoa.com.br/

Edição e texto: Luís H. Fritsch
Fotos: Marcio e Luís H. Fritsch

11º Dia 25/03 – Sendero a Laguna de Los Três

Para não perder o costume, acordamos cedo novamente e partimos até o Mirante de Los Condores para ver o nascer do sol. A expectativa era grande para ver os primeiros raios de sol do dia batendo no maciço Fitz Roy, no entanto, aquele dia amanheceu bastante nublado e não conseguimos ter a esperada visão, mesmo assim, o amanhecer lá no mirante foi muito bonito e conseguimos fazer várias fotos. O mais legal deste amanhecer foi à visão da pequena Chaltén ainda iluminada e o Cerro Fitz Roy ao fundo. Logo após o amanhecer, descermos de volta para a cidade e fomos tomar nosso café na estação rodoviária. Voltamos para o Hostel, pegamos nossas coisas que já estavam prontas para a partida e seguimos rumo ao primeiro dia completo de aventuras em Chaltén. Para iniciar a trilha até a Laguna de Los Três é necessário atravessar a cidade e assim o fizemos. São 10 km da cidade até o acampamento Poincenot, em seguida mais 2,5 km por uma terrível subida até a Laguna.

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Visão do Cerro Fitz Roy da trilha.

Na subida da trilha, em torno das 9 da manhã, encontramos um grupo de Brasileiros do Recife, estavam subindo sem mochilas cargueiras apenas para ir até a laguna e retornar. As trilhas até a Laguna são simplesmente espetaculares, um caminho muito bonito atravessando bosques e mirantes do Cerro Fitz Roy sempre ao fundo. Fiz vários pequenos filmes no trajeto até a Laguna. O dia estava espetacular, algumas nuvens no céu, mas não fazia muito frio e o vento estava bastante tranquilo. Chegamos ao acampamento Poincenot em torno das 14 horas, montamos nossas barracas e partimos para a subida até a Laguna de Los Três. O começo da trilha após o acampamento é fácil e plano, mas logo depois começa uma subida interminável com muitas pedras, o tempo todo dava pra ver a nossa frente às pessoas minúsculas como formigas subindo vagarosamente a montanha.

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Laguna de Los Três.

A Laguna de Los Três é um lugar incrível, surreal, inacreditável, um imenso lago formado pelo desgelo na base das montanhas, a visão e a sensação que temos ao chegar lá é praticamente indescritível. Ali ficamos por horas, o lugar é grande e merece ser bem explorado, no vale à esquerda vimos também à Laguna Súcia, outro lugar incrível e surpreendente. Em alguns momentos, blocos de gelo se desprendiam do alto das montanhas e caiam vale adentro fazendo um estrondo que mais parecia trovões. Uma pena que durante todo tempo que estávamos neste lugar, nuvens cobriam o topo do Cerro Fitz Roy e não conseguimos fazer uma foto sequer pegando toda montanha.

Fizemos várias fotos pulando sobre algumas pedras no topo da montanha que davam a impressão de estamos pulando num abismo, alguns aventureiros que estavam lá ficavam nos olhando perplexos, eles devem estar pensando: – O que esses loucos estão fazendo? Neste lugar aconteceu outra situação muito engraçada da viagem. Quando estávamos indo embora, chegou um rapaz ofegante pedindo para nós fazermos uma foto dele, prontamente peguei a câmera dele e tentei me colocar pela melhor posição solar para fazer uma boa foto do vivente naquele lugar, porém, à medida que eu descia pelas pedras para me posicionar, ele descia também, e como ele falava apenas inglês eu não conseguia dizer para ele ficar parado ali, até que o Paulo exclamou: – “Stay Here!”, e mais uma palavra do nosso vocabulário que não posso citar aqui. Depois que nos acertamos na comunicação fiz a foto para o Israelense que foi embora feliz. Aí chegou a nossa vez de nos divertir com o fato, descemos praticamente até o acampamento rindo muito do ocorrido, da forma como ele corria nas pedras para se posicionar pra foto.

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Acampamento Poincenot.

Vimos o por do sol deste dia lá debaixo do acampamento, enquanto contemplava bateu aquela saudade de alguém especial a qual escrevi seu nome com pequenas pedras.

Transcrição do diário da viagem por: Cristiano da Cruz e Paulo Adair Manjabosco

Data do Relato: 15 a 30/03/2014

Texto e Fotos: Cristiano Da Cruz

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Contato: www.indiadabuena.com.br