Expedición Guaraní

Expedición Guaraní 2019

A Expedición Guaraní é uma corrida criada por e para corredores de aventura. Portanto, o objetivo principal da organização do evento foi realizar uma prova técnica e exigente para as equipes líderes, mas também dinâmica e acessível para os mais lentos.

As rotas foram cheias de contrastes, pois percorreram terrenos muito variados, como montanhas, matas, rios sinuosos…na região de Itapúa no Paraguai.

“A Expedición Guaraní nasceu em 2014, da ideia de Gustavo Borgognon de fazer uma prova de nível mundial em seu país. Me “associei” a ele e em 2015 foi realizada a primeira edição.” comenta Urtzi Iglesias Mota, diretor técnico da prova.

A prova é uma corrida de aventura em que diferentes modalidades esportivas são combinadas. Mountain biketrekking, natação, caiaque e orientação foram as principais na EG 2019.

Os participantes percorreram cerca de 500 quilômetros em alguns dos locais mais bonitos do Paraguai durante os dias 30 de março e 06 de abril. Navegaram por rios sinuosos; embora o país não tenha montanhas altas, eles chegaram a alguns dos picos mais altos do Paraguai. Pedalaram e correram centenas de quilômetros por trilhas e estradas de areia e lama; e escalaram locais de uma beleza surreal.

Ano passado contei aqui um pouco do que a equipe Columbia Montrail, composta pelo casal brasileiro Camila Nicolau e Guilherme Pahl, pelo inglês Nick Gracie e pelo espanhol Jon Ander Arambalza; enfrentou durante 81 horas para se sagrar a grande campeã naquele ano.

Neste ano conto a história dos grandes amigos Silvana Menegon, Charles Pierre Silva, Douglas Kroetz e Jonas Junckes, que compuseram a equipe Lagartixa Adventure.

Créditos: Ralphie Zotti

Os quatro atletas já haviam participado da Expedición Guaraní, Jonas participou de todas as edições anteriores. Silvana, Charles e Douglas fizeram a sua segunda participação e embora todos sejam da mesma equipe, está foi a primeira competição que correram nesta formação.

O caminho até a Expedición Guaraní…

Após um ano repleto de muitas provas, a equipe Lagartixa Adventure se sagrou campeã no Circuito Brasileiro Spot de Corrida de Aventura 2018 e garantiu vaga para a etapa do mundial no Paraguai, a Expedición Guaraní.

Silvana relata que a prova começa bem antes da corrida em si. “Poucos dias de descanso após a última etapa do Circuito Brasileiro iniciamos os treinos focando o Guaraní. A formação da equipe seria: Jonas, Japa, Alexandre e eu.

Porém, na primeira etapa do Circuito Brasileiro (Kraft Race) o Japa rompeu os ligamentos do tornozelo e o Douglas foi escalado para substituí-lo. Na segunda etapa (Gralha Azul) o Alexandre contraiu leptospirose e o Charles foi escalado para substituí-lo duas semanas antes da prova.”

As duas semanas que antecederam a prova foram de muitos preparativos, estudo de logística e testes. Como a prova teria cerca de 5 quilômetros de natação, o plano da equipe era levar o Packraft jogar tudo dentro, saltar os quatro atletas para dentro e remar com palmares.

“Estávamos muito animados, porém no último informativo descobrimos que nosso plano foi em vão, pois o Packraft foi proibido. Outras logísticas, outros planos…e vamos lá!” relembra Silvana.

Viagem até o Paraguai…

Quarta-feira (27/03/19), Silvana, Jonas e Charles se direcionaram até a casa do Douglas para na madrugada de quinta partirem em direção a Assuncão no Paraguai.

Já nos primeiros quilômetros um pneu cortado. Logo adiante, já na Argentina a equipe seguiu por um caminho errado e perderam algum tempo retornando para o trajeto certo. Mas…após alguns percalços e 18 horas de viagem, às 23h50min finalmente chegaram ao Resort Yacht.

A prova…

A prova teria cerca de 500 quilômetros. Com dois pontos bastante desgastantes segundo a equipe, um trekking de 94 quilômetros e uma canoagem de 120 quilômetros.

Expedición Guaraní
Expedición Guaraní 2019 – Dia 1

Foram incansáveis 110 horas de prova, passando por trilhas, planícies, cerros, cruzando lago a nado, remando…Tivemos uma navegação precisa, conseguimos andar junto por três dias com uma das melhores equipes do mundo (Columbia Vidaraid), lembrando que essa prova era uma etapa do mundial. Jamais, desde a largada abandonamos o posto de segundo colocado e a cada transição a vibração do povo e dos Staffs nos contagiava. […] publicou em suas redes sociais o atleta Charles, da equipe Lagartixa Adventure.

[…]Enfretamos um trekking durríssimo de 94 quilômetros em 52 horas, quase que a metade da prova só nele. Nos machucamos, um espinho atravessou meu dedo de um lado a outro, Silvana teve 6 picadas de vespa na face, Douglas teve uma forte queda (fugindo das vespas); fora outros ferimentos conquistados a cada quilômetro. continua Charles.

A conoagem…

Por volta das 00h30min da sexta-feira a equipe Lagartixa Adventure iniciou o trecho de 120 quilômetros de canoagem. Segundo eles foram intermináveis horas remando e remando…

“Quando veio o final da tarde, algo estranho estava acontecendo…Parecia que já havia terminado a corrida! Eu estava num sonho, somente vendo a cabeça da Sil com o capuz do anorack…

Eu chamei pelo Charles para tentar tocar nele e no Douglas para ver se era real o que estava acontecendo. E logo que toquei neles, começei um choro intenso. Já não sabia mais onde eu estava! Passei a responsabilidade de navegar ao Douglas e ele rumou por mais uns 10 quilômetros, e eu ali quase sem reação, remando por uma hora ou mais.

Em seguida veio um aviso de que iríamos parar na margem do rio, para nos aquecer. Fui retirado da água pelo Charles e pela Sil, Douglas fazia o fogo. O vento batia e eu tremia e me batia também…” relembra emocionado Jonas. Neste ponto da prova o resgate foi acionado e a Expedición Guaraní 2019 acabou para a equipe Lagartixa Adventure.

“Falar de vitórias é muito fácil, ter que abandonar a prova faltando 10km de canoagem dos 110km já percorridos, foi uma decisão mais fácil ainda, pois estava em jogo a vida de um parceiro nosso, um cara que se doou demais nessa prova e talvez tenha pagado o preço. Três míseras horas de sono nesse período inteiro fez nosso colega alucinar, confundir-se mentalmente até uma crise de hipotermia. Procuramos uma margem segura e ali iniciamos os procedimentos de cuidado e resgate. A organização foi impecável a partir do momento que foi acionada e no final deu tudo certo.
Tristes com o resultado? Nada, ter ajudado nosso atleta a sair desse quadro foi a maior conquista, aliado ao reconhecimento de todo público local, corredores, organização, familiares, pessoal que acompanhava on line e uma conversa pós prova com Camila Nicolau e Guilherme Pahl, ídolos das corridas de aventura, nos motivaram ainda mais.” resume o corredor Charles.

Expedición Guaraní no Paraguai foi a segunda etapa do Campeonato Mundial de Corrida de Aventura 2019, e segundo o relato de diversas equipes presentes foi também a mais difícil na história de 5 anos desta corrida.

Os lugares do pódio foram tomados por atletas do Brasil, Uruguai e Paraguai. Outras nacionalidades que tomaram parte foram Espanha, EUA, México, Reino Unido, Equador, Colômbia e Argentina.

Expedição Aparados da Serra

Expedição Aparados da Serra

Galera, passo aqui para registrar nossa Expedição Aparados da Serra de 5 dias pela beira dos Peraus. Também aproveito para contar um pouco mais para vocês sobre estas encostas que foram chamadas pelos tropeiros de Aparados da Serra, que aqui passavam desbravando esta região e o Sul do país. Para os antigos moradores da região, os paredões gigantescos foram chamados e conhecidos como Peraus, estas encostas tão verticais da Serra Geral do Sul do Brasil, que parecem ter sido cortadas a faca, “aparados” a facão, e foi assim que os Tropeiros observavam as grandes Gargantas, os grandes Cânions.

Venha você também conhecer e contemplar este incrível lugar.

Trekking na Terra dos Cânions – Expedição Aparados da Serra

De 10 a 14 de dezembro de 2018, com cinco Expedicionários, fizemos o mapeamento e o reconhecimento desta trilha, com passagem por mais de 12 cânions, picos, serras e morros, totalizando 70 km de percurso, com a intenção de voltar a operar esta travessia na região da Serra Geral. Esta importante formação rochosa do Sul do País, localiza-se ao leste na Serra Gaúcha e Catarinense e traz consigo um intrigante registro geológico dos Aparados da Serra. De um imenso platô, subitamente interrompido por abismos verticais, nesta elevada cadeia com mais de 60 cânions e montanhas, boa parte deles de frente para a região litorânea e leste, formou-se assim: há cerca de 200 milhões de anos, onde tivemos sucessivos derrames basálticos, e que deram origem ao Planalto Meridional do Brasil; estes derrames basálticos tiveram uma extensão de mais de um milhão de quilômetros quadrados, sendo o maior derrame de lava da Terra!

A expedição Aparados da Serra também teve o intuito de mapear a trilha para inseri-la no Sistema Nacional de Caminhadas de Longo Curso:Pegadas Amarelas e Pretas, do Oiapoque ao Chuí. Movimento que vem crescendo muito em todos os cantos do mundo, liderado aqui no Brasil, pelo Pedro Menezes, coordenador Geral de Uso Público do ICMBio – Instituto Chico Mendes da Biodiversidade. Nós aqui da serra fazemos parte do “Caminho das Araucárias”, com uma equipe multidisciplinar, que trabalha voluntariamente com afinco neste projeto, que já está bem adiantado e que vem crescendo a cada dia. A trilha já saiu da Floresta Nacional de Canela para Floresta Nacional de São Francisco de Paula e já chegou até aqui nos Parques Nacionais de Cambará do Sul.

Voltando a contar sobre nossa Expedição Aparados da Serra: saímos de Cambará do Sul, eu Josemar Contesini, operador de Ecoturismo e Turismo de Aventura na região da Operadora Aparados da Serra Adventure, e Andrews Mohr, condutor local de Ecoturismo e Turismo de Natureza da Agência Aparados Ecoturismo e administrador das Pousadas: Estagem da Colina e da Pousada Campanário, para o ponto de encontro de toda a equipe, na Pousada Vale das Trutas em São Jose dos Ausentes.

Também estavam o casal: Lucas Jasper e Camila Jasper da Cine Travel que captaram imagens para a produção de um filme “Trekking na Terra dos Cânions” – Expedição São José dos Ausentes.

Para completar o grupo, o condutor local Cleber Pazini da agência receptiva Terra Sul, de S. J. dos Ausentes, e que também conduziu as duas Mulinhas, grandes figuras, Djão e Parenti: bichos incríveis.

Aparados da Serra

Contamos também com o apoio de terra do Douglas Machado, de Cambará e do Leonardo Salib de Ausentes, e diversos amigos que encontramos neste percurso.

Saímos da pousada para o ponto de partida, que foi no começo da descida da Serra da Rocinha. Descarregamos os equipamentos, e nos preparamos para dar início a nossa aventura.

Neste primeiro dia de trekking, a caminhada foi em direção a borda superior do Cânion da Serra Velha. Incrível! Que cânion gigante! Durante o percurso, no horizonte há leste, uma vista dos Morros dos Três Irmãos.

Aparados da Serra
Aparados da Serra

Seguimos no caminho das ruinas de Taipas, antigas sinalizações que dá início a descida de Tropeiros da Serra Velha: estrada que ligava a serra do Rio Grande do Sul à cidade de Timbé do Sul – SC, onde se tinha um movimento grande de tropeiros. Foi assim que estes viajantes foram colonizando toda a serra e região, o que chamamos hoje de identidade cultural do Povo Serrano do Sul do Brasil.

Aparados da Serra

Como o Sol estava muito forte perto do meio dia, achamos um local excelente, com água e sombra para o almoço. Grande almoço, confiram nas fotos.

Seguimos passando pelos campos de altitude dos Aparados da Serra, até chegarmos no Cânion da Rocinha, onde contornamos toda sua borda. Estávamos sempre acompanhados pela Matinha Nebular: cientificamente chamada de mata ombrófila densa, esta formidável vegetação arbustiva, muito particular deste lugar, e que leva este nome pelas altas incidências de neblina na região.

Aparados da Serra
Aparados da Serra

Continuamos até chegarmos no Arroio Rocinha, parada certa para banho, com água corrente e pequenas cachoeiras.

Seguindo em nossa caminhada pelos campos, chegamos em uma antiga fazenda da região, onde montamos nosso acampamento, com uma estrutura de primeira, onde cozinhamos o jantar: uma super refeição Tropeira para repor as energias! E descansar, depois de 20 Km percorrido.

Agora paro e penso neste final de 1ª dia de expedição, como está sendo bom, muita aventura, muitas risadas, trocas de experiência, vistas de tirar o fôlego, quase não consigo dormir, mas segue o baile…

Aparados da Serra

No segundo dia, logo cedo, tomamos um café da manhã com direito a paçoca de pinhão vegana, e um bom mate cevado.

Nosso próximo destino, Cânion do Amola Faca/Encerra. No caminho o relevo é acentuado com montanhas e vales, intercalando coxilhas (morros) suaves e profundas, que recortam a borda desse imenso planalto. Avistamos ao longe, e fomos deixando para traz, o local chamado Pontão do Tabuleiro, e seguimos costeando os dois vértices do Cânion Amola Faca, onde avistamos o Morro da Encerra, invernada importante nos tempos antigos das Tropeadas.

Almoçamos no caminho, em uma sombra com água fresca, sempre pontos fortes desta expedição, até chegarmos na ponta Norte do Cânion do Amola faca/Encerra, onde as ondulações suaves dão lugar a paredões verticais de rochas basálticas, com uma altitude média de 1.300 mts. Com uma ótima visibilidade, observa-se diversas cidades próximas da costa dos cânions, o Oceano Atlântico e toda a faixa do litoral com suas cidades costeiras, com suas lagoas incríveis, como a de Sombrio e de Itapeva, entre outras. Seguimos caminhando, até avistarmos ao leste, o Cânion do Realengo, e acessarmos as costas Sul do Cânion da Boa Vista.

No final deste dia uma surpresa especial: após ter percorridos mais 10 Km de nossa Expedição Aparados da Serra, chegamos para pernoitar na Pousada Ecológica dos Cânions, onde fomos muito bem acolhidos. Um banho revigorante e um jantar feito pela proprietária e Cheff de cozinha Mônica Sávio e pela Dona Maria e dormir aconchegante em camas e lenções limpos.

Em nosso terceiro dia, após um café da manhã típico da fazenda, seguimos a caminhada contornando a borda do Cânion da Boa Vista, que foi de impressionar! Caminhando pelo alto dos morros podemos ver as turfeiras gigantes, outra espécie de flora característica da região e muito encontrada nos locais de preservação; a turfeira, encharco ou banhado, como chamamos, é o local onde se dão os processos de carbonização lenta, pelos depósitos naturais de restos de musgos e plantas e até de animais. Aqui nos Aparados a turfa é formada essencialmente por musgos que chamamos de Sphagnos, típicos de clima frio e de elevada precipitação pluviométrica. Entre tantas plantas que são encontradas nas turfeiras da região, está o Gravatá, o Junco e a Samambaia do Banhado. Em nossa expedição passamos por uma turfeira com muitas flores que até ficou difícil descrever… tinha diversas flores rosas, que até parecia um mar de flores, muito bem registrado nas fotos desta jornada.

Novamente achamos um local abrigado do Sol e com água para o nosso almoço. Almoçados e descansados, demos início a caminhada, com uma vista privilegiada para o Morro da Catedral, mais uma intrigante formação rochosa. Passamos pelos Cânions da Coxilha, até avistarmos as costas sul do Pico do Monte Negro, onde fomos recebidos com surpresa pelo Sr. Mario Velho que veio a cavalo nos indicar o caminho que faltava para chegarmos em sua morada, a “Pousada Aparados da Serra”. Em um super ambiente, fomos acolhidos pela sua família, que são moradores da região do Cânion do Monte Negro a gerações, seguimos para mais uma noite com muito conforto, após 14 km percorrido durante este dia tão especial.

Fomos para um Jantar Serrano, com Churrasco, típico dos gaúchos, com um buffet de guarnições que deixou os vegetarianos e veganos muito satisfeitos e agradecidos, pois a fazenda conta com uma horta orgânica de “tirar o chapéu”.

De manhã com direito a vivenciar a lida campeira da fazenda e o famoso café Camargo, onde o peão de estância tira o leite da vaca direto em nossa caneca com café forte, servido na hora, também nos esperava um lindo banquete de café da manhã na pousada servido pela Bete, esposa do Sr. Mário. Após tudo pronto e de barriguinha cheia para mais um dia de trekking, partimos novamente com o acompanhamento do Sr. Mário, “cortando” matas de araucárias ou Floresta de Araucária, Floresta Ombrófila Mista, como os pesquisadores falam. Normalmente este “Bioma” se encontra em altitudes elevadas ou acima de 800 metros e contém incríveis espécies de fauna e flora, como as ervas típicas destes campos: as Coníferas e diversos angiospermas, sendo um ecossistema com chuvas esparsas durante o ano todo.

A Araucária é encontrada em maior quantidade aqui no Brasil, nos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e de forma esparsa nos estados de São Paulo e Minas Gerais, e Rio de janeiro, que faz parte do bioma mata Atlântica.

A mata Ombrófila Mista imprime um aspecto próprio e único das Florestas de Araucária e é caracterizada pela forte presença do Pinheiro do Paraná, ou a antiga Araucária Angustifólia, que agora chamamos de “Araucária Brasilienses”, único pinheiro genuinamente brasileiro; e, para vocês entenderem melhor sobre esta árvore sagrada, muito cultuada pelos índios que aqui habitavam, registra-se que antes do descobrimento do Brasil, esta vegetação de mata se estendia numa faixa contínua no Planalto Meridional, desde o sul do Estado de São Paulo até o norte do Rio Grande do Sul, chegando até a Província das Missiones na Argentina a oeste. E que hoje, infelizmente só resta 3% de sua mata original.

Seguimos a caminhada pelo Planalto, agora sempre coberto por campos limpos, e por toda a parte numerosas nascentes de rios cristalinos, até chegarmos no Cânion e Pico do Monte Negro, a 1.403 metros do nível do mar, é o ponto mais alto do Rio Grande do Sul, e considerado um dos lugares mais frios do país. É tanta beleza e tanta vida, que ficamos impressionados com este lugar espetacular. Paramos observando os cânions e os seus paredões gigantes, onde observa-se riscos horizontais nas rochas, que sinaliza geologicamente que a lava foi subindo e resfriando, por diversas vezes, e que vieram originar o Planalto Sul brasileiro, formado a partir de sucessivos derrames basálticos na região, com intensas atividades vulcânicas ocorridas há milhões de anos.

A vegetação rupestre que vemos no interior dos Cânions também se destaca e se adensa da borda superior, nas suas encostas, até o fundo do cânion, onde sutilmente se dá lugar a Mata Atlântica.

Seguindo nosso roteiro, fomos de repente surpreendidos por uma forte neblina, ela veio rápida e muito densa dificultando nossa navegação, sorte nossa estar com o Sr. Mario, conhecedor e tropeiro desta região. Ai foi fácil seguir nosso caminho nesta viração. Contornamos o Cânion do Monte Negro até chegarmos no Cânion da Cruzinha, onde fizemos uma parada para almoço em meio ao “nevoeiro”.

Continuamos percorrendo por campos e vales até chegarmos na fazenda do Sr.  Juscelino, que nos recebeu de uma forma incrível e hospitaleira, oferendo sua casa com toda estrutura para pernoitarmos, mas já tínhamos planejado a nossa última noite em acampamento em meio a mata nativa.

 Aparados da Serra

Nos despedimos do seu Mário, após caminharmos mais 14 km durante o dia. Montamos acampamento e fizemos o jantar, um prato de Yakisoba Serrano, ou Sōsu Yakissoba, que é um prato de origem japonesa, muito conhecido internacionalmente, composto por legumes e verduras, mas este nosso, com um toque especial: a lá campos de altitude! com sobremesa mas que diferente, um Crepe-Susete flambado a conhaque e recheado com uma geleia de laranja deliciosa, direto dos Sabores da Querência, da fazenda Macânuda daqui de Cambará do Sul, ufa, quanta aventura, e agora, boa noite!

Logo pela manhã desmontamos acampamento e seguimos para a divisa de estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, local marcado por uma Taipa ou muro de Pedra, ao qual ficamos imaginando o quanto antiga devia ser este “passo”. Ponto de encontro de tropeiros e índios, índios estes que foram os primeiros habitantes e verdadeiros nativos da serra, com uma diversidade muito grande de raças e etnias, como: as tribos Caáguas, Kaigangues, Xokleng, entre outras da etnia “G”, que viviam livres e em harmonia com a natureza, sendo muitos deles, coletores de frutos e sementes, mas que com certeza ajudaram a construir nossa atual estrutura, antes e depois do descobrimento do Brasil.

Tanto que alguns dos costumes mais tradicionais dos gaúchos como o churrasco e de tomar o chimarrão, são heranças destes indígenas que aqui moravam.

Após ser registrado este ponto importante, seguimos para conhecer e comtemplar os Cânions da minha esposa e da minha filha, Carol e Marcela ou os Cânions das Tigras, que eu há mais de 15 anos tinha curiosidade de conhecer e sentir a energia deste local inóspito e intocado dos Aparados da Serra.

Legal, concluímos nosso objetivo! E de repente, entre nós muito Silencio.

E o que percebo agora, entre os Expedicionários e eu, e que após 5 dias percorridos de sucesso é de missão cumprida. Com um sentimento de respeito a toda esta grandeza, e por esta terra tão antiga.

Neste momento onde ficamos sentados em nossas mochilas, só observando toda esta maravilha, me conecto com a mãe terra, com a mãe natureza. Gratidão ao sagrado e a todos por esta oportunidade.

Dentre tantos sentimentos que neste momento nos cercava, um lembrança veio em minha mente: sobre as numerosas espécies da flora e da fauna que são únicas de nossa região e que tenho a oportunidade de falar para vocês, de vive-las e senti-las estando neste lugar.

Assim fico imaginando todos animais que habitavam e habitam a região, as aves, os mamíferos, répteis, anfíbios, as borboletas, (…) que nem consigo descrever tamanha grandeza.

Fauna nos Aparados da Serra

Neste percurso nós conseguimos ver diversos animais e identificar muitas pegadas ao longo da expedição, mas na verdade são quase nada, comparado as inúmeras espécies que aqui vivem. Sabíamos que os animais estavam lá, apesar de não vê-los, muitos deles com hábitos noturnos, e muitos que também só nos observavam ao longe. Os Campos de Altitude, ou os Campos de Cima da Serra é um dos ecossistemas mais ricos em relação à biodiversidade de espécies animais, contando com muitos indivíduos endêmicos ou raros, e vários ameaçados de extinção e diversas espécies migratórias, portanto, acreditamos e confiamos nessa força de integração entre o homem e nessa abundante vida que pulsava e nos cercava.

Já falando da bicharada, falo que aqui é morada certa de diversas aves, como a nossa tradicional Curicaca, algumas rasteiras ou de chão, o Inhanbuguaçu, o Perdiz ou Perdigão, a Seriema, o Jacuaçu, Jacu, a Jacutinga o Macuco e o Quero-quero.

Das aves imponentes no céu, temos o Urubu Rei, o Urubu de Cabeça Vermelha, e o Urubu da Cabeça Preta, o Tradicional  Carcara, o Gavião Pato, o Gavião Pega Macaco, o Gavião Tesoura, a Águia Cinzenta, a Águia Chilena, o Falcão Peregrino e o Gavião Carrapareiro, muitas destas espécies ameaçadas de extinção. Também temos aqui o Tiê Sangue, a Araponga, o Sanhaço, numerosos Beija Flores, os Tucanos do Bico Preto e do Bico Verde, Saíras, Gaturanos, além dos muitos Papagaios: Papagaio da Serra e Papagaio de Peito Roxo, Papagaio Charão, e vivem aqui a Tiriba de Testa Vermelha cuja sobrevivência dessas espécies está diretamente atrelada à sobrevivência da Floresta de Araucária; e a mais imponente e conhecida ave, sendo a símbolo da região, a Gralha Azul.

Entre os mamíferos podemos falar de várias espécies: o Tamanduá Mirim, o Mão Pelada, os diversos tipos de Tatus, como o de Rabo Mole, inclusive espécies que estão ameaçadas de extinção, como os primatas: o Bugio, o Mono Carvoeiro ou Muriqui do Sul, o Macaco Prego, o Guariba, o Mico Leão Dourado, vários Saguis entre outros bichos incríveis de árvores como a Preguiça de Coleira, o Esquilo Caxinguelê.

Temos aqui na região os felinos, tendo eles como o maior predador do planalto das Araucárias: o Puma Concolor, ou Onça Parda ou como chamamos também de Leão Baio. Diversos outros felinos como o Gato do Mato, a Jaguatirica, o Jaguarundi, o Maracaja, Gato Mourisco e até a presença da Onça Pintada.

Dos canídeos, temos o mais famoso: o Lobo-guará, que ainda avistamos mas que não temos noção de quantos indivíduos ainda restam nos campos de Cima da Serra; também o tradicional Guaxinim, muito conhecido por todos que por aqui passam; o Cachorro do Mato de Orelha Curta, a Raposa do Campo, o Cachorro Vinagre e o Cachorro do Mato.

Também temos os cervos, o Veado-campeiro, o Veado Bororo do Sul e o Veado catingueiro, também facilmente avistados na região.

Entre os principais répteis desse ecossistema estão Sapinho da Barriga Vermelha endêmico daqui de nossa região, o Sapo Cururu e o Teiú, nosso Lagarto com mais de 1,5m de comprimento, as inúmeras Jararacas, as Corais verdadeiras e falsas, e a cascavel de altitude, entre tantos outros.

Bom, para finalizar, me resta falar que para a realização da expedição Aparados da Serra, contamos com o incrível apoio da Prefeitura de São Jose dos Ausentes, na pessoa do Prefeito Paulo Guimarães, e da Secretária de Turismo, que não mediu esforços para realizarmos este projeto de Ecoturismo e Turismo de Aventura,  Aline Maria Trindade Ramos, Prefeitura de Cambará do Sul, com nosso prefeito Schamberlaen José Silvestre e nossa Secretária de Turismo Beatriz Trindade, e todas as pessoas incríveis que acreditaram neste trabalho, que nos motivaram e nos apoiaram.

Mas o desejo de voltarmos aqui e de explorarmos novos lugares, é o que fica em nosso interior.

Daqui de onde estamos, na borda dos cânions, já avistávamos nosso próximo desafio, a descida da Serra da Veneza, importante descida de serra na época para o Império e para os tropeiros de todos o sul do País. Quem se aventura em deixar suas pegadas ecológicas nesta jornada do bem e da natureza viva? Contem conosco!

Abraços a todos, e até mais.

Josemar Contesini

Aparados da Serra Adventure

Cambará do Sul – RS

Expedição Guaraní 2018

A Expedição Guaraní é uma corrida criada por e para corredores de aventura. Portanto, o objetivo principal da organização do evento foi realizar uma prova técnica e exigente para as equipes líderes, mas também dinâmica e acessível para os mais lentos.

As rotas foram cheias de contrastes, pois percorreram terrenos muito variados, como montanhas, matas, rios sinuosos…na região de Itapúa no Paraguai.

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Wladimir Togumi / Adventuremag

“A Expedição Guaraní nasceu em 2014, da ideia de Gustavo Borgognon de fazer uma prova de nível mundial em seu país. Me “associei” a ele e em 2015 foi realizada a primeira edição.” comenta Urtzi Iglesias Mota, diretor técnico da prova.

A Expedição Guaraní é uma corrida de aventura em que diferentes modalidades esportivas são combinadas. Mountain bike, trekking, caiaque e orientação foram as principais na EG 2018.

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Wladimir Togumi / Adventuremag

Os participantes percorreram cerca de 450 quilômetros em alguns dos locais mais bonitos do Paraguai durante os dias 9 e 15 de abril. Navegaram por rios sinuosos; embora o país não tenha montanhas altas, eles chegaram a alguns dos picos mais altos do Paraguai. Pedalaram e correram centenas de quilômetros por trilhas e estradas de areia e lama; e escalaram locais de uma beleza surreal.

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Agatha Bodeva Aguirre

A competição se iniciou na segunda-feira pela manhã e as equipes tiveram até a sexta à noite para cruzar a linha de chegada. Não houve parada obrigatória durante o percurso, as próprias equipes que gerenciaram os momentos de descanso.

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Agatha Bodeva Aguirre

Após cerca de 81 horas a equipe Columbia Montrail cruzou a linha de chegada se sagrando campeões na categoria Expedição. A mesma foi composta pelo casal brasileiro Camila Nicolau (32) e Guilherme Pahl (37), pelo inglês Nick Gracie e pelo espanhol Jon Ander Arambalza (40).

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Wladimir Togumi / Adeventuremag

Há 15 anos participando de corridas de aventura a diretora da Oficina Multisport Assesoria Esportiva, Camila Nicolau comenta “Sempre pratiquei esportes ao ar livre e a corrida de aventura me cativou, pois é um esporte que vai muito além do preparo físico, exige trabalho em equipe e estratégias muito complexas.”

O dia a dia do casal Camila e Guilherme é bastante corrido, mas como não possuem horários e rotinas fixas, trabalham online na maior parte do tempo e treinam de acordo com a rotina do bebê Kilian.

Mamãe recentemente do pequeno Kilian de apenas 8 meses, Camila define a maternidade como uma verdadeira corrida de aventura. “Tem privação de sono, convívio intenso, alimentação, hidratação…são novos aprendizados a cada dia. É uma relação que com o passar do tempo fica mais gostosa e cheia de amor. Por um tempo me questionei quando conseguiria emocionalmente voltar às corridas de aventura e para essa prova achei que não estaria preparada.”

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Wladimir Togumi / Adeventuremag

Antes da largada Camila estava bem triste e pensando em como seriam os próximos dias longe do Kilian, mas após a largada a atleta focou em ser o mais veloz possível para chegar logos nos pontos em que iria revê-lo. “Aqueles 10 minutos com ele nas áreas de transição eram como um pratão de comida, me enchia de energia novamente para continuar!” relembra emocionada a mamãe.

Camila e Guilerme são parceiros em tudo: no amor, nos sonhos, no trabalho, no lazer. “Me sinto afortunado por não precisar tentar traduzir em palavras minhas experiências para a Cami; apenas vivemos juntos e compartilhamos a mesma visão do mundo. Ainda assim me emocionei ao vê-la de volta ao jogo depois da maternidade. Kilian chegou para cuidar da mamãe e do papai, colocou a competitividade sob nova perspectiva e nos motivou a chegar mais rápido na linha de chegada para encontra-lo!” comenta Guilherme emocionado.

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Agatha Bodeva Aguirre

Correndo pela primeira vez com essa formação de atletas, a sintonia da equipe Columbia Montreal foi incrível, o trabalho de equipe foi impecável e essencial para que Camila pudesse ficar um pouco mais com o Kilian. “A prova fluiu muito bem com o Gui e o Nick dividindo a navegação, eles foram impecáveis transmitindo segurança o tempo todo e muita precisão. Os trechos também foram bem equilibrados e dinâmicos então curtimos a prova do início ao fim.” relembra Camila.

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Agatha Bodeva Aguirre

“A Expedição Guaraní 2018 se destacou por sua rota técnica, belas paisagens e seu povo amigável/feliz – os corredores também destacaram a qualidade dos mapas. Como nos anos anteriores, os melhores serviços foram oferecidos em uma das corridas mais econômicas do calendário do Circuito Mundial de Corridas de Aventura.” Finaliza Urtzi Iglesias Mota, diretor técnico da prova.

Expedição Sentido Litoral 2016

A Expedição de bicicleta Sentido Litoral 2016, aconteceu nos dias 27, 28 e 29 de dezembro, iniciando na localidade de Lajeado Grande/RS com destino final em Torres/RS. Os ciclistas percorreram trechos de estradas de chão, asfalto e algumas áreas de campo no interior de fazendas particulares. Durante toda a expedição previa percorrer cerca de 180 quilômetros de bicicleta.

No evento participaram 36 ciclistas, acompanhados de uma equipe de dez membros, divididos em dois pequenos grupos, organização e apoio. Dentre os ciclistas, dois possuíam Deficiência Visual Degenerativa, Samuel e Carol.

A Empresa Guenoa, juntamente com a Equipe Akatu, uniram forças para realizar a Expedição Sentido Litoral 2016, incluindo também a fabricação de uma bicicleta dupla, adaptada para os participantes Samuel e Carol. A bicicleta conta com suspensão dianteira e traseira, ideal para os trechos e estradas da expedição.

Eu participei da expedição ao lado da equipe organizadora e integrei a equipe de apoio, com o intuito de auxiliar no que era necessário, capturando as imagens e  vídeos para possibilitar aos ciclistas pedalar com cautela e segurança, ao mesmo tempo que podiam curtir e desfrutar das lindas paisagens, sem se preocupar com a cobertura de imagens.

Primeiro dia, Expedição Sentido Litoral:

Partimos de carro em comboio da cidade de Caxias do Sul até a cidade de Lajeado Grande, onde todos os participantes começaram ajeitar suas bicicletas e apetrechos para a aventura. Os equipamentos destinados para pernoitar foram colocados dentro de um caminhão, disponibilizado pela equipe organizadora. O caminhão seguia até os locais de hospedagem e permanecia aguardando a chegada dos participantes. Estes locais foram previamente definidos conforme escolha feita na inscrição pelo participante, com a opção de hotel, pousada ou camping.

Neste primeiro dia, a programação previa o percurso de aproximadamente 60 km de estrada de chão, passando pelo interior de propriedades particulares localizadas entre as cidades de Lajeado Grande e Jaquirana/RS – Brasil.

A dupla de ciclistas Samuel e Carol  possuíam uma desvantagem significativa em relação aos demais participantes em função da deficiência visual degenerativa, entretanto  encararam o desafio com garra e persistência demonstrando muito espirito de equipe, companheirismo, autoconfiança. Desta forma a dupla  se destacou do restante do grupo, e acima de tudo, provou que não se pode pensar que  sonhos são inatingíveis ou impossíveis. Que é preciso  enfrentar as dificuldades e seguir em frente, com pensamento positivo e fé na sua realização, pois o universo se encarregará do exito.

Em alguns trechos do primeiro dia dessa expedição, Samuel e Carol brigaram interruptamente com a bicicleta, em alguns momentos caia a correia da bicicleta, em outros os aros entortavam, faltando aproximadamente 20 quilômetros para terminar o percurso, a bicicleta por eles utilizada teve a suspensão rachada, o que forçou os dois jovens ciclistas a abandonar o primeiro dia da expedição. A equipe de apoio ajudou, levando a bike e os participantes até o hotel.

Na parte da noite, inúmeros participantes uniram suas forças, pensamentos e ferramentas para ajudar no conserto da bicicleta dupla. A ideia foi usar uma nova suspensão e  o aro de uma bicicleta da marca Kona, que foi levada até o local por familiares de Samuel. Após algumas horas, a bicicleta dupla novamente estava montada e ajustada, ou seja pronta para o segundo dia de expedição.

Segundo dia, Expedição Sentido Litoral:

A atividade do segundo dia iniciou cedo pela manhã, por volta das 8 horas os participantes estavam  à postos, com seus equipamentos organizados, bicicletas prontas, café da manhã tomado. Momento propício para capturar a foto oficial do segundo dia e em seguida partir para o percurso mais longo da expedição,  72 quilômetros de muitas subidas e descidas pelos campos e estradas da cidade de Jaquirana/RS até o destino de Praia Grande/SC.

Em todas as expedições, sejam competitivas ou não, sempre se formam pequenos grupos de participantes durante os trajetos, nessa não foi diferente. Havia claramente três  grupos de ciclistas com desempenho distintos. O primeiro grupo, sempre à frente, era formado, ao meu ver, por participantes profissionais de alta performasse. Estes, em alguns trechos mantinham cerca de 6 a 7 quilômetros de vantagem em relação ao último grupo de ciclistas. O segundo grupo, matinha uma velocidade mediana e rítmica, mantendo-se todo percurso entre o primeiro e último grupo. Já o último grupo conhecido como “Pedal Sincero” formado por cerca 10 participantes.

Equipe Pedal Sincero:

Essa equipe é voltada para dar o apoio e a assistência necessária para que  os ciclistas com alguma deficiência possam participar do evento, incentivando desta forma  a prática dessa atividade e visando a integração entre os demais participantes, bem como  ajudando-os a superar suas limitações e dificuldades.

No caso específico da dupla Samuel e Carol, levando em consideração que embora os mesmos possuam deficiência visual degenerativa, a falta de visão não é total,  pois enxergam algumas coisas apenas de forma superficial,  alguns vultos e cores específicas,  a equipe organizou-se da seguinte forma: um ciclista ia à frente tocando um pequeno sino de metal e vestindo uma mochila com capa na cor amarela fosforescente, outros dois ciclistas dispostos um ao lado direito e o outro no lado esquerdo da dupla, e  um ciclista mais atrás mantendo a formação.  Os demais  membros da equipe percorriam o trajeto mais atrás e  se revesavam com o quarteto que acompanhava Samuel e Carol conforme iam avançando na expedição.

Durante boa parte do segundo dia visualizamos as lindas paisagens dos campos de cima da serra, uma visão linda e majestosa, muito verde com o contraste azul do céu mesclado com nuvens brancas que proporcionavam profundidade nas imagens capturadas.

Na tarde do segundo dia a expedição prosseguia coroada de exito, a cada quilômetro percorrido a paisagem ia se transformando, deixando para trás as lindas áreas de campos verdejantes e se aproximando das áreas dos cânions, demonstrando que nos aproximávamos do estado de Santa Catarina/Brasil, Conforme íamos nos aproximando da Serra do Faxinal/RS, a temperatura começou a baixar e o fenômeno viração tomou conta da paisagem, impedindo a contemplação do Cânion Índios Coroados.

O trajeto da Serra do Faxinal é muito sinuoso, com inúmeras curvas acentuadas e muitas pedras soltas.  Em razão da neblina fechada, era quase impossível enxergar  10 metros à frente, por isso todo cuidado era necessário. Após alguns minutos de percurso em declive começou a chover, tornando o percurso ainda mais perigoso, pois além da estrada tornar-se escorregadia o trafego de veículos era intenso.

Após enfrentar todas as dificuldades do percurso, vencer o cansaço suportando todas as viradas repentinas no clima, como heróis os participantes chegaram ao destino final foram recebidos no Hostel Nativo dos Cânions, local de beleza rara, no pé dos Cânions Molha-coco e Índios Coroados.

Terceiro dia, Expedição Sentido Litoral:

O terceiro dia começou nublado e cinzento, caia uma chuva fina, mas isso não impediu os participantes de continuar a pedalada até o litoral. Neste dia seriam realizados aproximadamente 49 quilômetros, aparentemente era o dia mais fácil, pois os trechos seriam por estradas de chão batido e alguns trechos de asfalto, quase todo o percurso não existiam subidas e nem descidas.

Entretanto, como nem tudo são flores em uma expedição, a parte mais difícil desse dia foi passar em meio a grandes plantações de arroz,  havia muito barro, lama e poças de água. Assim,todo cuidado era necessário para não deslizar, sofrer quedas até  alcançar o objetivo de chegar a cidade de Torres/RS, marco final da expedição.

Após completar todos os desafios nos aproximávamos da cidade de Torres, bastava apenas passar pela Lagoa do Jacaré, cruzar a BR 101 e chegar ao destino. Os participantes demonstravam cansaço, porém com a sensação de alívio, a cada pedalada a ansiedade para avistar o mar tomava conta de todos.

A chegada triunfal à Praia da Cal em Torres/RS, emocionou  a todos, pois foram 3 dias de muitas pedaladas, de desafios superados e de luta constante com o clima temperado do Rio Grande do Sul. Ali ficamos por alguns minutos em êxtase, comemorando e tirando fotos, alguns até arriscaram um banho de mar, outros preferiram os chuveiros públicos da praça.

Todas as ocorrências, dificuldades e a própria convivência com o grupo deram um sentido de dever cumprido ao final desta grande aventura a todos os ciclistas, organizadores e apoiadores da Expedição Sentido Litoral 2016.

Certamente essa aventura permanecerá guardada na memória de cada participante e, com certeza deixa um gostinho de “quero mais”.

2017 já está ai,  e mais uma edição desta grande aventura, já está sendo projetada. Sabemos que a Loja Guenoa e a Equipe Akatu estão preparando novas aventuras para este ano. Entre em contato e programe-se para desbravar esse mundo enorme que nos cerca.

Acesse nosso álbum no Flickr para ver todas as fotos dessa aventura, clicando aqui.

Marcelo Nava – Minha primeira aventura em Alta Montanha

Marcelo Nava, relata como foi sua primeira aventura em alta montanha em Cordón del Plata – Argentina.

Após quatro meses de intenso preparo físico e busca por informações, parti, no dia 14 de janeiro, para uma aventura até então inédita para mim, em ambiente de alta montanha. Integrando a expedição da Associação Caxiense de Montanhismo (ACM).

Pude presenciar todas as etapas de um típico planejamento desse porte, compreendendo sua complexidade com maior profundidade. Foram 15 dias de conquistas, contratempos e muitas descobertas. Momentos que nunca esquecerei… uma verdadeira escola ao ar livre.

Esse depoimento, resumido, apresenta as principais situações que vivenciei, enriquecido com fotos tiradas na montanha e textos curtos extraídos diretamente de meu diário de campo. Tendo sido minha primeira aventura em alta montanha, eles poderão servir como um guia geral para futuros montanhistas interessados.

Agradeço ao Lucas, Thomas e Camila pelo convite e auxílio prestado em minha primeira expedição em alta montanha, e a todos os demais amigos e membros que fazem da ACM uma associação do mais alto nível.

Crédito de imagem: Marcelo Nava – arquivo pessoal

META: na Rota 7, já na Argentina, o autor indica o alvo principal da expedição: o Cerro Plata, com seus 6.100  m.s.n.m, a montanha mais alta do maciço do Cordón del Plata.

Marcelo Nava

LAR DOCE LAR: à esquerda, o autor e seus diferentes pernoites ao longo da longa viagem; à direita, já hospedado na montanha, durante os dias de aclimatação inicial antes de partir para os acampamentos de altitude; na foto, o destaque indica o Refúgio da Universidade de Cuyo.

Marcelo Nava

CIDADE DE MENDOZA: Membros da expedição comemoram a chegada à Mendoza. À partir da esquerda: Lucas, Thomas, Camila, o autor Marcelo e Cauê.

Marcelo Nava

Marcelo Nava
o GPS Garmin Etrex Vista HCx

INSTRUMENTAÇÃO: Equipamentos eletrônicos de medição foram importantes para a coleta de dados e registro de diversas informações: O GPS Garmin Etrex Vista HCx forneceu medidas de altitudes, distâncias e coordenadas, além de possibilitar a marcação de rotas, tracks e waypoints. O oxímetro, por sua vez, teve sua relevância comprovada para monitoramento de importantes condições fisiológicas, informando o nível de aclimatação em cada etapa da expedição.

Marcelo Nava

CONJUNTO COMPLETO: todo o equipamento reunido durante a primeira caminhada de aproximação. Consegui reduzir a carga total para confortáveis 19 kg.

Marcelo Nava

PANORAMA GERAL: Em imagem gerada pelo Google Earth, é possível observar toda a extensão de montanhas englobada pela expedição. A flecha verde, no centro do mapa, indica a posição exata do Refúgio da Universidade de Cuyo (2432 m), onde ficamos hospedados para a aclimatação inicial. Os demais pontos de interesse são:

(1) Vale das Morenas Coloradas, formado pela passagem de uma grande geleira há milhares de anos;

(2) La Cadenita, uma “rede” de pequenas montanhas em sequência, atingindo até 4100 m, ideal para aclimatar;

(3) O “Vale de Pedras” (3812 m), local de minha primeira caminhada em altitude;

(4) Acampamento I – Las Veguitas (3200 m);

(5) Acampamento II – Las Veguitas Superior (3350 m);

(6) Acampamento III – Piedra Grande (3517 m);

(7) Acampamento-base – El Salto d´água, passando pelo Infernillo na aproximação (4284 m);

(8) Acampamento avançado – La Hoyada (4681 m);

(9) Cerro Adolfo Calle (4300 m);

(10) Cerro Colorado (4500 m);

(11) Cerro Rincón (5300 m);

(12) Cerro Vallecitos (5500 m);

(13) Cerro Plata (6100 m).

Marcelo Nava

PRIMEIRA EXPERIÊNCIA EM ALTITUDE: minha saída do Refúgio de Cuyo, às 9h45 de uma manhã muito encoberta por uma grossa névoa, tornando a visibilidade não maior que 15 metros. Aproveito a oportunidade para “estrear” a vestimenta impermeável, as botas, os bastões e os óculos. Ao longo do caminho, fui percebendo os equívocos, que valerem como importantes aprendizados. Mantive um passo lento e contante, permitindo que meu organismo se acostumasse gradativamente com cada incremento vertical. No final, fiquei bastante satisfeito. Não apresentei sintomas de mal de altitude, apesar do cansaço desse primeiro dia.

Marcelo Nava

NOVOS AMIGOS: com os argentinos Matias e Kevin. Os cachorros do Refúgio de Cuyo me acompanharam durante cada passo. Donos de um vigor físico invejável, esses animais não são afetados pela altitude (conta-se que já atingiram o cume do Plata diversas vezes, brincando o caminho inteiro). Ao fundo, o maravilhoso acampamento verdejante, logo acima da zona de refúgios, guarda paisagens deslumbrantes. Assim como os demais acampamentos, Las Veguitas é alimentada com farta água cristalina. Nesse local, já havíamos cruzado todo o acampamento e seguiríamos pelo caminho “errado” até a descoberta do surpreendente “Vale de Pedras”.

Marcelo Nava

NO TOPO DO VALE: paisagem do ponto mais alto atingido (3812 m). Lá embaixo, corre o pequeno córrego, há uma distância de cerca de 400 metros verticais. Mais alguns metros à frente, o vale faz uma curva para a esquerda, possivelmente conduzindo aos acampamentos mais avançados. Sem querer, descobrimos um caminho nada convencional, uma espécie de “atalho” em uma região muito pouco (ou quase nada) frequentada.

Marcelo Nava

ALMOÇO: após o meio-dia, o sol apareceu com força total, aumentando a temperatura em mais de 15 graus em cerca de 10 minutos. Esse fenômeno, como pude perceber durante toda a expedição, é muito comum na montanha, provocado pelas massas de ar fria que sobem rapidamente. Estas, ao ocupar as zonas de baixa pressão das altitudes mais elevadas, baixam consideravelmente a temperatura e tornam o ar muito úmido; ao passarem, porém, a transformação no tempo é radical. Na foto, ao fundo, o argentino Kevin preparando a fogueira a 3812 m.

Marcelo Nava

A FUSÃO DE TRÊS AMBIENTES: a fotografia acima mostra uma rara visão: três ambientes distintos reunidos numa mesma cena. Estou bem na transição entre a zona de vegetação (pré-cordilheira) e a zona de pedras (cordilheira central); ao fundo, a zona nevada da montanha (cordilheira principal) compõe o último elemento.

Marcelo Nava

MOZART CATÃO: como continuação de meu processo de aclimatação, segui com Thomas e Camila para uma viagem turística à região de Las Cuevas. Pouco antes do Parque Provincial do Aconcágua, pela Rota 7, há um cemitério dedicado a homenagear alpinistas falecidos no gigante das Américas. Na foto acima, uma placa de homenagem ao brasileiro Mozart Catão, falecido em 1998 durante tentativa de escalada pela face sul.

Marcelo Nava

GIGANTE: descanso em frente à face sul do Aconcágua. Com seus 6962 metros, ele é a maior montanha do mundo fora dos limites do Himalaia.

Marcelo Nava

Marcelo Nava

CERRO LOMAS BLANCAS (Ponto 7): meu primeiro cume, na Cadenita. O Lomas Blancas guardará para a posteridade uma bandeira de homenagem ao meu pai, Enildo Nava, que faleceu em junho de 2011 e foi um grande esportista (mostrada no detalhe).

Marcelo Nava

Marcelo Nava

CAMINHADA: dois momentos distintos: à esquerda, buscando a maior auto-suficiência possível, durante a caminhada de aproximação à zona dos acampamentos; ao lado, preparação final para a segunda fase em alta montanha, em que montanhista e equipamentos unem-se para enfrentar uma natureza mais exigente.

Marcelo Nava

EXPEDIÇÃO: na cena acima, estão Guilherme (de touca preta) e o médico da expedição, Mauro Bertelli (touca azul). Dentro das barracas estão Éverton e Lucas. A partir desse momento, nós 5 partiríamos juntos para o acampamento –base, seguindo uma forma semelhante de aclimatação, em estilo tradicional (Alpino). Esse estilo prega a aclimatação em “degraus”, onde atinge-se uma altitude mais elevada, pernoitando e passando mais 1 ou 2 dias no próprio local antes de realizar um novo avanço. Particularmente, achei a aclimatação em estilo russo mais eficiente, mas o estilo alpino  torna a logística mais simples durante o período nos acampamentos.

Marcelo Nava

“VALE DE PEDRAS”: em um local próximo ao acampamento, descobri esse lindo panorama do Vale de Pedras, local de minha caminhada do primeiro dia. Os traços pontilhados mostram o percurso que realizei juntamente com os três argentinos. Bem ao final do traço, o local onde paramos para fazer a fogueira e almoçar. É possível observar, também, o riacho de degelo. Apenas pela foto, não é possível concluir o quanto esse lugar é imenso.

Marcelo Nava

Recado gravado na rocha para meus amigos, em um trecho do Infernillo.

Marcelo Nava

Acampamento internacional: a presença de europeus, americanos e latinos torna o acampamento-base um valoroso centro cultural outdoor. Muitos vêem no Plata uma boa alternativa (e barata) para a aclimatação visando, dias mais tarde, a conquista do Aconcágua.

Marcelo Nava

“Nada pode me separar do amor de Deus” – após a homenagem ao meu pai no cume do Cerro Lomas Blancas, tentei repetir a ação em uma das três grandes do Cordón Del Plata.

Marcelo Nava

TREINAMENTO: visando o ataque ao Plata, realizamos um interessante treinamento em um inclinado neveiro, encontrado próximo ao acampamento-base. Bertelli, experiente andinista com curso avançado em escalada em gelo, nos ensinou as 4 formas distintas de deslocamento em paredes de gelo. Na imagem acima, à partir da esquerda, Bertelli, Éverton e eu estamos aplicando a primeira técnica, onde o explorador avança coordenando movimentos de pernas e braços, mantendo-os flexionados. Assim, pude avançar mesmo sem o uso de piolets, uma vez que os bastões de caminhada se fizeram suficientes. Foi meu primeiro treinamento nesse tipo de terreno e a satisfação por usar os grampões pela primeira vez foi imensa. Outra opção de treinamento próximo é no Glaciar dos polacos, uma parede de 60 graus localizada no alto de um rochedo e cortado por um riacho cristalino, logo em frente ao Cerro Rincón.

Marcelo Nava

No caminho para La Hoyada. Na madrugada seguinte, condições climáticas desfavoráveis desmancharam minha barraca e meus planos de fazer o cume do Plata. Exausto após passar uma noite inteira segurando a estrutura da barraca, por questão de segurança resolvi descer na manhã seguinte, abordando aquela que seria a segunda tentativa de ataque.

Marcelo Nava

PORTEZUELO: Na região do acampamento avançado de La Hoyada é possível observar claramente o Portezuelo. Seguindo para a esquerda, é feito o ataque ao cume do Plata; à direita, ao Vallecitos.

Marcelo Nava

RAFTING NO RIO MENDOZA: para compensar, no último dia de expedição, concluí meu primeiro rafting de altitude, com a operadora Argentina Rafting Expediciones, levando na bagagem ótimas amizades.

Marcelo Nava

Ao ler uma interessante reportagem sobre os Mistérios e encantos da Cordilheira dos Andes em uma revista local de turismo, me deparei com a sugestiva frase: “the jagged Andean peaks flanking Mendoza’s western side remain one of the most sublime and impenetrable regions known to man”, ou seja, os fabulosos picos andinos localizados ao leste da província de Mendoza, permanecem como uma das mais sublimes e impenetráveis regiões conhecidas pelo homem. Essa constatação serviu de consolo e auxílio a aprofundar nosso respeito pela montanha.

Marcelo Nava

ACM: todos reunidos para a foto oficial da expedição, em momento de descontração no refúgio de Cuyo.

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Dados coletados em campo

DIAGRAMA DE ASCENSÃO: após monitorar e registrar as informações de altitude com o GPS, montei esse interessante gráfico, que apresenta a evolução altimétrica de meu planejamento.  O eixo vertical mostra a atitude, em metros, e o eixo horizontal, o tempo em horas, ao longo dos 14 dias de expedição. Nos 5 primeiros dias, é possível verificar o padrão de aclimatação, seguindo a tendência de se tentar atingir grandes altitudes durante o dia e regressar para altitudes bem inferiores durante a noite (refúgio), para uma boa recuperação. A partir do sexto dia, em estilo alpino, começaram as caminhadas de aproximação e montagem de acampamentos. Nesse caso, a evolução seguiu um modelo de “escadas”, atingindo-se altitudes maiores gradativamente e dormindo pelo menos um dia no local. A região pontilhada em vermelho no gráfico indica a previsão inicial do meu planejamento, ou seja, a conquista do cume do Plata e o retorno ao refúgio. Porém, em função das duras condições climáticas, esse plano foi abortado, a descida ocorreu um dia antes e incluí um rafting no Rio Mendoza.

Marcelo Nava

SISTEMA DE RASTREAMENTO PESSOAL: nessa expedição, testei o recém adquirido SPOT, um aparelho que permite enviar sinais via satélite em locais onde não há cobertura celular. Na imagem acima, retirada do Google Earth, os pontos azuis indicam as coordenadas geográficas nos principais momentos da expedição, recebidos por meus amigos e familiares através de seus correios eletrônicos ou mensagens SMS.

Os grupos de pontos acima indicam:

(1) La Cadenita

(2) Zona de Refúgios

(3) Caminhadas de Aproximação

(4) Acampamento El Salto e La Hoyada

(5) Portezuelo

(6) Cerro Plata

(7) Cerros Vallecitos e Rincón

Marcelo Nava

Autor: Marcelo Nava

Multiatleta de esportes de aventura e atividades outdoor. Praticante de ultramaratona, corrida em trilha, mountain bike, trekking, camping e montanhismo. Dentre as principais competições destaca-se a participação na BR Ultramarathon (217 km na Serra da Mantiqueira), Gramado Adventure Running (61 km) e Supermaratona Cidade de Rio Grande (50 Km).Possui graduação e mestrado em Engenharia Biomédica e atualmente trabalha como engenheiro de projetos no Centro de Microgravidade da PUCRS (centro de pesquisa dedicado ao estudo da adaptação humana ao espaço e a ambientes extremos).