Expedição Guaraní 2018

A Expedição Guaraní é uma corrida criada por e para corredores de aventura. Portanto, o objetivo principal da organização do evento foi realizar uma prova técnica e exigente para as equipes líderes, mas também dinâmica e acessível para os mais lentos.

As rotas foram cheias de contrastes, pois percorreram terrenos muito variados, como montanhas, matas, rios sinuosos…na região de Itapúa no Paraguai.

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Wladimir Togumi / Adventuremag

“A Expedição Guaraní nasceu em 2014, da ideia de Gustavo Borgognon de fazer uma prova de nível mundial em seu país. Me “associei” a ele e em 2015 foi realizada a primeira edição.” comenta Urtzi Iglesias Mota, diretor técnico da prova.

A Expedição Guaraní é uma corrida de aventura em que diferentes modalidades esportivas são combinadas. Mountain bike, trekking, caiaque e orientação foram as principais na EG 2018.

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Wladimir Togumi / Adventuremag

Os participantes percorreram cerca de 450 quilômetros em alguns dos locais mais bonitos do Paraguai durante os dias 9 e 15 de abril. Navegaram por rios sinuosos; embora o país não tenha montanhas altas, eles chegaram a alguns dos picos mais altos do Paraguai. Pedalaram e correram centenas de quilômetros por trilhas e estradas de areia e lama; e escalaram locais de uma beleza surreal.

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Agatha Bodeva Aguirre

A competição se iniciou na segunda-feira pela manhã e as equipes tiveram até a sexta à noite para cruzar a linha de chegada. Não houve parada obrigatória durante o percurso, as próprias equipes que gerenciaram os momentos de descanso.

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Agatha Bodeva Aguirre

Após cerca de 81 horas a equipe Columbia Montrail cruzou a linha de chegada se sagrando campeões na categoria Expedição. A mesma foi composta pelo casal brasileiro Camila Nicolau (32) e Guilherme Pahl (37), pelo inglês Nick Gracie e pelo espanhol Jon Ander Arambalza (40).

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Wladimir Togumi / Adeventuremag

Há 15 anos participando de corridas de aventura a diretora da Oficina Multisport Assesoria Esportiva, Camila Nicolau comenta “Sempre pratiquei esportes ao ar livre e a corrida de aventura me cativou, pois é um esporte que vai muito além do preparo físico, exige trabalho em equipe e estratégias muito complexas.”

O dia a dia do casal Camila e Guilherme é bastante corrido, mas como não possuem horários e rotinas fixas, trabalham online na maior parte do tempo e treinam de acordo com a rotina do bebê Kilian.

Mamãe recentemente do pequeno Kilian de apenas 8 meses, Camila define a maternidade como uma verdadeira corrida de aventura. “Tem privação de sono, convívio intenso, alimentação, hidratação…são novos aprendizados a cada dia. É uma relação que com o passar do tempo fica mais gostosa e cheia de amor. Por um tempo me questionei quando conseguiria emocionalmente voltar às corridas de aventura e para essa prova achei que não estaria preparada.”

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Wladimir Togumi / Adeventuremag

Antes da largada Camila estava bem triste e pensando em como seriam os próximos dias longe do Kilian, mas após a largada a atleta focou em ser o mais veloz possível para chegar logos nos pontos em que iria revê-lo. “Aqueles 10 minutos com ele nas áreas de transição eram como um pratão de comida, me enchia de energia novamente para continuar!” relembra emocionada a mamãe.

Camila e Guilerme são parceiros em tudo: no amor, nos sonhos, no trabalho, no lazer. “Me sinto afortunado por não precisar tentar traduzir em palavras minhas experiências para a Cami; apenas vivemos juntos e compartilhamos a mesma visão do mundo. Ainda assim me emocionei ao vê-la de volta ao jogo depois da maternidade. Kilian chegou para cuidar da mamãe e do papai, colocou a competitividade sob nova perspectiva e nos motivou a chegar mais rápido na linha de chegada para encontra-lo!” comenta Guilherme emocionado.

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Agatha Bodeva Aguirre

Correndo pela primeira vez com essa formação de atletas, a sintonia da equipe Columbia Montreal foi incrível, o trabalho de equipe foi impecável e essencial para que Camila pudesse ficar um pouco mais com o Kilian. “A prova fluiu muito bem com o Gui e o Nick dividindo a navegação, eles foram impecáveis transmitindo segurança o tempo todo e muita precisão. Os trechos também foram bem equilibrados e dinâmicos então curtimos a prova do início ao fim.” relembra Camila.

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Agatha Bodeva Aguirre

“A Expedição Guaraní 2018 se destacou por sua rota técnica, belas paisagens e seu povo amigável/feliz – os corredores também destacaram a qualidade dos mapas. Como nos anos anteriores, os melhores serviços foram oferecidos em uma das corridas mais econômicas do calendário do Circuito Mundial de Corridas de Aventura.” Finaliza Urtzi Iglesias Mota, diretor técnico da prova.

Expedição Sentido Litoral 2016

A Expedição de bicicleta Sentido Litoral 2016, aconteceu nos dias 27, 28 e 29 de dezembro, iniciando na localidade de Lajeado Grande/RS com destino final em Torres/RS. Os ciclistas percorreram trechos de estradas de chão, asfalto e algumas áreas de campo no interior de fazendas particulares. Durante toda a expedição previa percorrer cerca de 180 quilômetros de bicicleta.

No evento participaram 36 ciclistas, acompanhados de uma equipe de dez membros, divididos em dois pequenos grupos, organização e apoio. Dentre os ciclistas, dois possuíam Deficiência Visual Degenerativa, Samuel e Carol.

A Empresa Guenoa, juntamente com a Equipe Akatu, uniram forças para realizar a Expedição Sentido Litoral 2016, incluindo também a fabricação de uma bicicleta dupla, adaptada para os participantes Samuel e Carol. A bicicleta conta com suspensão dianteira e traseira, ideal para os trechos e estradas da expedição.

Eu participei da expedição ao lado da equipe organizadora e integrei a equipe de apoio, com o intuito de auxiliar no que era necessário, capturando as imagens e  vídeos para possibilitar aos ciclistas pedalar com cautela e segurança, ao mesmo tempo que podiam curtir e desfrutar das lindas paisagens, sem se preocupar com a cobertura de imagens.

Primeiro dia, Expedição Sentido Litoral:

Partimos de carro em comboio da cidade de Caxias do Sul até a cidade de Lajeado Grande, onde todos os participantes começaram ajeitar suas bicicletas e apetrechos para a aventura. Os equipamentos destinados para pernoitar foram colocados dentro de um caminhão, disponibilizado pela equipe organizadora. O caminhão seguia até os locais de hospedagem e permanecia aguardando a chegada dos participantes. Estes locais foram previamente definidos conforme escolha feita na inscrição pelo participante, com a opção de hotel, pousada ou camping.

Neste primeiro dia, a programação previa o percurso de aproximadamente 60 km de estrada de chão, passando pelo interior de propriedades particulares localizadas entre as cidades de Lajeado Grande e Jaquirana/RS – Brasil.

A dupla de ciclistas Samuel e Carol  possuíam uma desvantagem significativa em relação aos demais participantes em função da deficiência visual degenerativa, entretanto  encararam o desafio com garra e persistência demonstrando muito espirito de equipe, companheirismo, autoconfiança. Desta forma a dupla  se destacou do restante do grupo, e acima de tudo, provou que não se pode pensar que  sonhos são inatingíveis ou impossíveis. Que é preciso  enfrentar as dificuldades e seguir em frente, com pensamento positivo e fé na sua realização, pois o universo se encarregará do exito.

Em alguns trechos do primeiro dia dessa expedição, Samuel e Carol brigaram interruptamente com a bicicleta, em alguns momentos caia a correia da bicicleta, em outros os aros entortavam, faltando aproximadamente 20 quilômetros para terminar o percurso, a bicicleta por eles utilizada teve a suspensão rachada, o que forçou os dois jovens ciclistas a abandonar o primeiro dia da expedição. A equipe de apoio ajudou, levando a bike e os participantes até o hotel.

Na parte da noite, inúmeros participantes uniram suas forças, pensamentos e ferramentas para ajudar no conserto da bicicleta dupla. A ideia foi usar uma nova suspensão e  o aro de uma bicicleta da marca Kona, que foi levada até o local por familiares de Samuel. Após algumas horas, a bicicleta dupla novamente estava montada e ajustada, ou seja pronta para o segundo dia de expedição.

Segundo dia, Expedição Sentido Litoral:

A atividade do segundo dia iniciou cedo pela manhã, por volta das 8 horas os participantes estavam  à postos, com seus equipamentos organizados, bicicletas prontas, café da manhã tomado. Momento propício para capturar a foto oficial do segundo dia e em seguida partir para o percurso mais longo da expedição,  72 quilômetros de muitas subidas e descidas pelos campos e estradas da cidade de Jaquirana/RS até o destino de Praia Grande/SC.

Em todas as expedições, sejam competitivas ou não, sempre se formam pequenos grupos de participantes durante os trajetos, nessa não foi diferente. Havia claramente três  grupos de ciclistas com desempenho distintos. O primeiro grupo, sempre à frente, era formado, ao meu ver, por participantes profissionais de alta performasse. Estes, em alguns trechos mantinham cerca de 6 a 7 quilômetros de vantagem em relação ao último grupo de ciclistas. O segundo grupo, matinha uma velocidade mediana e rítmica, mantendo-se todo percurso entre o primeiro e último grupo. Já o último grupo conhecido como “Pedal Sincero” formado por cerca 10 participantes.

Equipe Pedal Sincero:

Essa equipe é voltada para dar o apoio e a assistência necessária para que  os ciclistas com alguma deficiência possam participar do evento, incentivando desta forma  a prática dessa atividade e visando a integração entre os demais participantes, bem como  ajudando-os a superar suas limitações e dificuldades.

No caso específico da dupla Samuel e Carol, levando em consideração que embora os mesmos possuam deficiência visual degenerativa, a falta de visão não é total,  pois enxergam algumas coisas apenas de forma superficial,  alguns vultos e cores específicas,  a equipe organizou-se da seguinte forma: um ciclista ia à frente tocando um pequeno sino de metal e vestindo uma mochila com capa na cor amarela fosforescente, outros dois ciclistas dispostos um ao lado direito e o outro no lado esquerdo da dupla, e  um ciclista mais atrás mantendo a formação.  Os demais  membros da equipe percorriam o trajeto mais atrás e  se revesavam com o quarteto que acompanhava Samuel e Carol conforme iam avançando na expedição.

Durante boa parte do segundo dia visualizamos as lindas paisagens dos campos de cima da serra, uma visão linda e majestosa, muito verde com o contraste azul do céu mesclado com nuvens brancas que proporcionavam profundidade nas imagens capturadas.

Na tarde do segundo dia a expedição prosseguia coroada de exito, a cada quilômetro percorrido a paisagem ia se transformando, deixando para trás as lindas áreas de campos verdejantes e se aproximando das áreas dos cânions, demonstrando que nos aproximávamos do estado de Santa Catarina/Brasil, Conforme íamos nos aproximando da Serra do Faxinal/RS, a temperatura começou a baixar e o fenômeno viração tomou conta da paisagem, impedindo a contemplação do Cânion Índios Coroados.

O trajeto da Serra do Faxinal é muito sinuoso, com inúmeras curvas acentuadas e muitas pedras soltas.  Em razão da neblina fechada, era quase impossível enxergar  10 metros à frente, por isso todo cuidado era necessário. Após alguns minutos de percurso em declive começou a chover, tornando o percurso ainda mais perigoso, pois além da estrada tornar-se escorregadia o trafego de veículos era intenso.

Após enfrentar todas as dificuldades do percurso, vencer o cansaço suportando todas as viradas repentinas no clima, como heróis os participantes chegaram ao destino final foram recebidos no Hostel Nativo dos Cânions, local de beleza rara, no pé dos Cânions Molha-coco e Índios Coroados.

Terceiro dia, Expedição Sentido Litoral:

O terceiro dia começou nublado e cinzento, caia uma chuva fina, mas isso não impediu os participantes de continuar a pedalada até o litoral. Neste dia seriam realizados aproximadamente 49 quilômetros, aparentemente era o dia mais fácil, pois os trechos seriam por estradas de chão batido e alguns trechos de asfalto, quase todo o percurso não existiam subidas e nem descidas.

Entretanto, como nem tudo são flores em uma expedição, a parte mais difícil desse dia foi passar em meio a grandes plantações de arroz,  havia muito barro, lama e poças de água. Assim,todo cuidado era necessário para não deslizar, sofrer quedas até  alcançar o objetivo de chegar a cidade de Torres/RS, marco final da expedição.

Após completar todos os desafios nos aproximávamos da cidade de Torres, bastava apenas passar pela Lagoa do Jacaré, cruzar a BR 101 e chegar ao destino. Os participantes demonstravam cansaço, porém com a sensação de alívio, a cada pedalada a ansiedade para avistar o mar tomava conta de todos.

A chegada triunfal à Praia da Cal em Torres/RS, emocionou  a todos, pois foram 3 dias de muitas pedaladas, de desafios superados e de luta constante com o clima temperado do Rio Grande do Sul. Ali ficamos por alguns minutos em êxtase, comemorando e tirando fotos, alguns até arriscaram um banho de mar, outros preferiram os chuveiros públicos da praça.

Todas as ocorrências, dificuldades e a própria convivência com o grupo deram um sentido de dever cumprido ao final desta grande aventura a todos os ciclistas, organizadores e apoiadores da Expedição Sentido Litoral 2016.

Certamente essa aventura permanecerá guardada na memória de cada participante e, com certeza deixa um gostinho de “quero mais”.

2017 já está ai,  e mais uma edição desta grande aventura, já está sendo projetada. Sabemos que a Loja Guenoa e a Equipe Akatu estão preparando novas aventuras para este ano. Entre em contato e programe-se para desbravar esse mundo enorme que nos cerca.

Acesse nosso álbum no Flickr para ver todas as fotos dessa aventura, clicando aqui.

Marcelo Nava – Minha primeira aventura em Alta Montanha

Marcelo Nava, relata como foi sua primeira aventura em alta montanha em Cordón del Plata – Argentina.

Após quatro meses de intenso preparo físico e busca por informações, parti, no dia 14 de janeiro, para uma aventura até então inédita para mim, em ambiente de alta montanha. Integrando a expedição da Associação Caxiense de Montanhismo (ACM).

Pude presenciar todas as etapas de um típico planejamento desse porte, compreendendo sua complexidade com maior profundidade. Foram 15 dias de conquistas, contratempos e muitas descobertas. Momentos que nunca esquecerei… uma verdadeira escola ao ar livre.

Esse depoimento, resumido, apresenta as principais situações que vivenciei, enriquecido com fotos tiradas na montanha e textos curtos extraídos diretamente de meu diário de campo. Tendo sido minha primeira aventura em alta montanha, eles poderão servir como um guia geral para futuros montanhistas interessados.

Agradeço ao Lucas, Thomas e Camila pelo convite e auxílio prestado em minha primeira expedição em alta montanha, e a todos os demais amigos e membros que fazem da ACM uma associação do mais alto nível.

Crédito de imagem: Marcelo Nava – arquivo pessoal

META: na Rota 7, já na Argentina, o autor indica o alvo principal da expedição: o Cerro Plata, com seus 6.100  m.s.n.m, a montanha mais alta do maciço do Cordón del Plata.

Marcelo Nava

LAR DOCE LAR: à esquerda, o autor e seus diferentes pernoites ao longo da longa viagem; à direita, já hospedado na montanha, durante os dias de aclimatação inicial antes de partir para os acampamentos de altitude; na foto, o destaque indica o Refúgio da Universidade de Cuyo.

Marcelo Nava

CIDADE DE MENDOZA: Membros da expedição comemoram a chegada à Mendoza. À partir da esquerda: Lucas, Thomas, Camila, o autor Marcelo e Cauê.

Marcelo Nava

Marcelo Nava
o GPS Garmin Etrex Vista HCx

INSTRUMENTAÇÃO: Equipamentos eletrônicos de medição foram importantes para a coleta de dados e registro de diversas informações: O GPS Garmin Etrex Vista HCx forneceu medidas de altitudes, distâncias e coordenadas, além de possibilitar a marcação de rotas, tracks e waypoints. O oxímetro, por sua vez, teve sua relevância comprovada para monitoramento de importantes condições fisiológicas, informando o nível de aclimatação em cada etapa da expedição.

Marcelo Nava

CONJUNTO COMPLETO: todo o equipamento reunido durante a primeira caminhada de aproximação. Consegui reduzir a carga total para confortáveis 19 kg.

Marcelo Nava

PANORAMA GERAL: Em imagem gerada pelo Google Earth, é possível observar toda a extensão de montanhas englobada pela expedição. A flecha verde, no centro do mapa, indica a posição exata do Refúgio da Universidade de Cuyo (2432 m), onde ficamos hospedados para a aclimatação inicial. Os demais pontos de interesse são:

(1) Vale das Morenas Coloradas, formado pela passagem de uma grande geleira há milhares de anos;

(2) La Cadenita, uma “rede” de pequenas montanhas em sequência, atingindo até 4100 m, ideal para aclimatar;

(3) O “Vale de Pedras” (3812 m), local de minha primeira caminhada em altitude;

(4) Acampamento I – Las Veguitas (3200 m);

(5) Acampamento II – Las Veguitas Superior (3350 m);

(6) Acampamento III – Piedra Grande (3517 m);

(7) Acampamento-base – El Salto d´água, passando pelo Infernillo na aproximação (4284 m);

(8) Acampamento avançado – La Hoyada (4681 m);

(9) Cerro Adolfo Calle (4300 m);

(10) Cerro Colorado (4500 m);

(11) Cerro Rincón (5300 m);

(12) Cerro Vallecitos (5500 m);

(13) Cerro Plata (6100 m).

Marcelo Nava

PRIMEIRA EXPERIÊNCIA EM ALTITUDE: minha saída do Refúgio de Cuyo, às 9h45 de uma manhã muito encoberta por uma grossa névoa, tornando a visibilidade não maior que 15 metros. Aproveito a oportunidade para “estrear” a vestimenta impermeável, as botas, os bastões e os óculos. Ao longo do caminho, fui percebendo os equívocos, que valerem como importantes aprendizados. Mantive um passo lento e contante, permitindo que meu organismo se acostumasse gradativamente com cada incremento vertical. No final, fiquei bastante satisfeito. Não apresentei sintomas de mal de altitude, apesar do cansaço desse primeiro dia.

Marcelo Nava

NOVOS AMIGOS: com os argentinos Matias e Kevin. Os cachorros do Refúgio de Cuyo me acompanharam durante cada passo. Donos de um vigor físico invejável, esses animais não são afetados pela altitude (conta-se que já atingiram o cume do Plata diversas vezes, brincando o caminho inteiro). Ao fundo, o maravilhoso acampamento verdejante, logo acima da zona de refúgios, guarda paisagens deslumbrantes. Assim como os demais acampamentos, Las Veguitas é alimentada com farta água cristalina. Nesse local, já havíamos cruzado todo o acampamento e seguiríamos pelo caminho “errado” até a descoberta do surpreendente “Vale de Pedras”.

Marcelo Nava

NO TOPO DO VALE: paisagem do ponto mais alto atingido (3812 m). Lá embaixo, corre o pequeno córrego, há uma distância de cerca de 400 metros verticais. Mais alguns metros à frente, o vale faz uma curva para a esquerda, possivelmente conduzindo aos acampamentos mais avançados. Sem querer, descobrimos um caminho nada convencional, uma espécie de “atalho” em uma região muito pouco (ou quase nada) frequentada.

Marcelo Nava

ALMOÇO: após o meio-dia, o sol apareceu com força total, aumentando a temperatura em mais de 15 graus em cerca de 10 minutos. Esse fenômeno, como pude perceber durante toda a expedição, é muito comum na montanha, provocado pelas massas de ar fria que sobem rapidamente. Estas, ao ocupar as zonas de baixa pressão das altitudes mais elevadas, baixam consideravelmente a temperatura e tornam o ar muito úmido; ao passarem, porém, a transformação no tempo é radical. Na foto, ao fundo, o argentino Kevin preparando a fogueira a 3812 m.

Marcelo Nava

A FUSÃO DE TRÊS AMBIENTES: a fotografia acima mostra uma rara visão: três ambientes distintos reunidos numa mesma cena. Estou bem na transição entre a zona de vegetação (pré-cordilheira) e a zona de pedras (cordilheira central); ao fundo, a zona nevada da montanha (cordilheira principal) compõe o último elemento.

Marcelo Nava

MOZART CATÃO: como continuação de meu processo de aclimatação, segui com Thomas e Camila para uma viagem turística à região de Las Cuevas. Pouco antes do Parque Provincial do Aconcágua, pela Rota 7, há um cemitério dedicado a homenagear alpinistas falecidos no gigante das Américas. Na foto acima, uma placa de homenagem ao brasileiro Mozart Catão, falecido em 1998 durante tentativa de escalada pela face sul.

Marcelo Nava

GIGANTE: descanso em frente à face sul do Aconcágua. Com seus 6962 metros, ele é a maior montanha do mundo fora dos limites do Himalaia.

Marcelo Nava

Marcelo Nava

CERRO LOMAS BLANCAS (Ponto 7): meu primeiro cume, na Cadenita. O Lomas Blancas guardará para a posteridade uma bandeira de homenagem ao meu pai, Enildo Nava, que faleceu em junho de 2011 e foi um grande esportista (mostrada no detalhe).

Marcelo Nava

Marcelo Nava

CAMINHADA: dois momentos distintos: à esquerda, buscando a maior auto-suficiência possível, durante a caminhada de aproximação à zona dos acampamentos; ao lado, preparação final para a segunda fase em alta montanha, em que montanhista e equipamentos unem-se para enfrentar uma natureza mais exigente.

Marcelo Nava

EXPEDIÇÃO: na cena acima, estão Guilherme (de touca preta) e o médico da expedição, Mauro Bertelli (touca azul). Dentro das barracas estão Éverton e Lucas. A partir desse momento, nós 5 partiríamos juntos para o acampamento –base, seguindo uma forma semelhante de aclimatação, em estilo tradicional (Alpino). Esse estilo prega a aclimatação em “degraus”, onde atinge-se uma altitude mais elevada, pernoitando e passando mais 1 ou 2 dias no próprio local antes de realizar um novo avanço. Particularmente, achei a aclimatação em estilo russo mais eficiente, mas o estilo alpino  torna a logística mais simples durante o período nos acampamentos.

Marcelo Nava

“VALE DE PEDRAS”: em um local próximo ao acampamento, descobri esse lindo panorama do Vale de Pedras, local de minha caminhada do primeiro dia. Os traços pontilhados mostram o percurso que realizei juntamente com os três argentinos. Bem ao final do traço, o local onde paramos para fazer a fogueira e almoçar. É possível observar, também, o riacho de degelo. Apenas pela foto, não é possível concluir o quanto esse lugar é imenso.

Marcelo Nava

Recado gravado na rocha para meus amigos, em um trecho do Infernillo.

Marcelo Nava

Acampamento internacional: a presença de europeus, americanos e latinos torna o acampamento-base um valoroso centro cultural outdoor. Muitos vêem no Plata uma boa alternativa (e barata) para a aclimatação visando, dias mais tarde, a conquista do Aconcágua.

Marcelo Nava

“Nada pode me separar do amor de Deus” – após a homenagem ao meu pai no cume do Cerro Lomas Blancas, tentei repetir a ação em uma das três grandes do Cordón Del Plata.

Marcelo Nava

TREINAMENTO: visando o ataque ao Plata, realizamos um interessante treinamento em um inclinado neveiro, encontrado próximo ao acampamento-base. Bertelli, experiente andinista com curso avançado em escalada em gelo, nos ensinou as 4 formas distintas de deslocamento em paredes de gelo. Na imagem acima, à partir da esquerda, Bertelli, Éverton e eu estamos aplicando a primeira técnica, onde o explorador avança coordenando movimentos de pernas e braços, mantendo-os flexionados. Assim, pude avançar mesmo sem o uso de piolets, uma vez que os bastões de caminhada se fizeram suficientes. Foi meu primeiro treinamento nesse tipo de terreno e a satisfação por usar os grampões pela primeira vez foi imensa. Outra opção de treinamento próximo é no Glaciar dos polacos, uma parede de 60 graus localizada no alto de um rochedo e cortado por um riacho cristalino, logo em frente ao Cerro Rincón.

Marcelo Nava

No caminho para La Hoyada. Na madrugada seguinte, condições climáticas desfavoráveis desmancharam minha barraca e meus planos de fazer o cume do Plata. Exausto após passar uma noite inteira segurando a estrutura da barraca, por questão de segurança resolvi descer na manhã seguinte, abordando aquela que seria a segunda tentativa de ataque.

Marcelo Nava

PORTEZUELO: Na região do acampamento avançado de La Hoyada é possível observar claramente o Portezuelo. Seguindo para a esquerda, é feito o ataque ao cume do Plata; à direita, ao Vallecitos.

Marcelo Nava

RAFTING NO RIO MENDOZA: para compensar, no último dia de expedição, concluí meu primeiro rafting de altitude, com a operadora Argentina Rafting Expediciones, levando na bagagem ótimas amizades.

Marcelo Nava

Ao ler uma interessante reportagem sobre os Mistérios e encantos da Cordilheira dos Andes em uma revista local de turismo, me deparei com a sugestiva frase: “the jagged Andean peaks flanking Mendoza’s western side remain one of the most sublime and impenetrable regions known to man”, ou seja, os fabulosos picos andinos localizados ao leste da província de Mendoza, permanecem como uma das mais sublimes e impenetráveis regiões conhecidas pelo homem. Essa constatação serviu de consolo e auxílio a aprofundar nosso respeito pela montanha.

Marcelo Nava

ACM: todos reunidos para a foto oficial da expedição, em momento de descontração no refúgio de Cuyo.

2012_platanava30
Dados coletados em campo

DIAGRAMA DE ASCENSÃO: após monitorar e registrar as informações de altitude com o GPS, montei esse interessante gráfico, que apresenta a evolução altimétrica de meu planejamento.  O eixo vertical mostra a atitude, em metros, e o eixo horizontal, o tempo em horas, ao longo dos 14 dias de expedição. Nos 5 primeiros dias, é possível verificar o padrão de aclimatação, seguindo a tendência de se tentar atingir grandes altitudes durante o dia e regressar para altitudes bem inferiores durante a noite (refúgio), para uma boa recuperação. A partir do sexto dia, em estilo alpino, começaram as caminhadas de aproximação e montagem de acampamentos. Nesse caso, a evolução seguiu um modelo de “escadas”, atingindo-se altitudes maiores gradativamente e dormindo pelo menos um dia no local. A região pontilhada em vermelho no gráfico indica a previsão inicial do meu planejamento, ou seja, a conquista do cume do Plata e o retorno ao refúgio. Porém, em função das duras condições climáticas, esse plano foi abortado, a descida ocorreu um dia antes e incluí um rafting no Rio Mendoza.

Marcelo Nava

SISTEMA DE RASTREAMENTO PESSOAL: nessa expedição, testei o recém adquirido SPOT, um aparelho que permite enviar sinais via satélite em locais onde não há cobertura celular. Na imagem acima, retirada do Google Earth, os pontos azuis indicam as coordenadas geográficas nos principais momentos da expedição, recebidos por meus amigos e familiares através de seus correios eletrônicos ou mensagens SMS.

Os grupos de pontos acima indicam:

(1) La Cadenita

(2) Zona de Refúgios

(3) Caminhadas de Aproximação

(4) Acampamento El Salto e La Hoyada

(5) Portezuelo

(6) Cerro Plata

(7) Cerros Vallecitos e Rincón

Marcelo Nava

Autor: Marcelo Nava

Multiatleta de esportes de aventura e atividades outdoor. Praticante de ultramaratona, corrida em trilha, mountain bike, trekking, camping e montanhismo. Dentre as principais competições destaca-se a participação na BR Ultramarathon (217 km na Serra da Mantiqueira), Gramado Adventure Running (61 km) e Supermaratona Cidade de Rio Grande (50 Km).Possui graduação e mestrado em Engenharia Biomédica e atualmente trabalha como engenheiro de projetos no Centro de Microgravidade da PUCRS (centro de pesquisa dedicado ao estudo da adaptação humana ao espaço e a ambientes extremos).