Expedição Aparados da Serra

Expedição Aparados da Serra

Galera, passo aqui para registrar nossa Expedição Aparados da Serra de 5 dias pela beira dos Peraus. Também aproveito para contar um pouco mais para vocês sobre estas encostas que foram chamadas pelos tropeiros de Aparados da Serra, que aqui passavam desbravando esta região e o Sul do país. Para os antigos moradores da região, os paredões gigantescos foram chamados e conhecidos como Peraus, estas encostas tão verticais da Serra Geral do Sul do Brasil, que parecem ter sido cortadas a faca, “aparados” a facão, e foi assim que os Tropeiros observavam as grandes Gargantas, os grandes Cânions.

Venha você também conhecer e contemplar este incrível lugar.

Trekking na Terra dos Cânions – Expedição Aparados da Serra

De 10 a 14 de dezembro de 2018, com cinco Expedicionários, fizemos o mapeamento e o reconhecimento desta trilha, com passagem por mais de 12 cânions, picos, serras e morros, totalizando 70 km de percurso, com a intenção de voltar a operar esta travessia na região da Serra Geral. Esta importante formação rochosa do Sul do País, localiza-se ao leste na Serra Gaúcha e Catarinense e traz consigo um intrigante registro geológico dos Aparados da Serra. De um imenso platô, subitamente interrompido por abismos verticais, nesta elevada cadeia com mais de 60 cânions e montanhas, boa parte deles de frente para a região litorânea e leste, formou-se assim: há cerca de 200 milhões de anos, onde tivemos sucessivos derrames basálticos, e que deram origem ao Planalto Meridional do Brasil; estes derrames basálticos tiveram uma extensão de mais de um milhão de quilômetros quadrados, sendo o maior derrame de lava da Terra!

A expedição Aparados da Serra também teve o intuito de mapear a trilha para inseri-la no Sistema Nacional de Caminhadas de Longo Curso:Pegadas Amarelas e Pretas, do Oiapoque ao Chuí. Movimento que vem crescendo muito em todos os cantos do mundo, liderado aqui no Brasil, pelo Pedro Menezes, coordenador Geral de Uso Público do ICMBio – Instituto Chico Mendes da Biodiversidade. Nós aqui da serra fazemos parte do “Caminho das Araucárias”, com uma equipe multidisciplinar, que trabalha voluntariamente com afinco neste projeto, que já está bem adiantado e que vem crescendo a cada dia. A trilha já saiu da Floresta Nacional de Canela para Floresta Nacional de São Francisco de Paula e já chegou até aqui nos Parques Nacionais de Cambará do Sul.

Voltando a contar sobre nossa Expedição Aparados da Serra: saímos de Cambará do Sul, eu Josemar Contesini, operador de Ecoturismo e Turismo de Aventura na região da Operadora Aparados da Serra Adventure, e Andrews Mohr, condutor local de Ecoturismo e Turismo de Natureza da Agência Aparados Ecoturismo e administrador das Pousadas: Estagem da Colina e da Pousada Campanário, para o ponto de encontro de toda a equipe, na Pousada Vale das Trutas em São Jose dos Ausentes.

Também estavam o casal: Lucas Jasper e Camila Jasper da Cine Travel que captaram imagens para a produção de um filme “Trekking na Terra dos Cânions” – Expedição São José dos Ausentes.

Para completar o grupo, o condutor local Cleber Pazini da agência receptiva Terra Sul, de S. J. dos Ausentes, e que também conduziu as duas Mulinhas, grandes figuras, Djão e Parenti: bichos incríveis.

Aparados da Serra

Contamos também com o apoio de terra do Douglas Machado, de Cambará e do Leonardo Salib de Ausentes, e diversos amigos que encontramos neste percurso.

Saímos da pousada para o ponto de partida, que foi no começo da descida da Serra da Rocinha. Descarregamos os equipamentos, e nos preparamos para dar início a nossa aventura.

Neste primeiro dia de trekking, a caminhada foi em direção a borda superior do Cânion da Serra Velha. Incrível! Que cânion gigante! Durante o percurso, no horizonte há leste, uma vista dos Morros dos Três Irmãos.

Aparados da Serra
Aparados da Serra

Seguimos no caminho das ruinas de Taipas, antigas sinalizações que dá início a descida de Tropeiros da Serra Velha: estrada que ligava a serra do Rio Grande do Sul à cidade de Timbé do Sul – SC, onde se tinha um movimento grande de tropeiros. Foi assim que estes viajantes foram colonizando toda a serra e região, o que chamamos hoje de identidade cultural do Povo Serrano do Sul do Brasil.

Aparados da Serra

Como o Sol estava muito forte perto do meio dia, achamos um local excelente, com água e sombra para o almoço. Grande almoço, confiram nas fotos.

Seguimos passando pelos campos de altitude dos Aparados da Serra, até chegarmos no Cânion da Rocinha, onde contornamos toda sua borda. Estávamos sempre acompanhados pela Matinha Nebular: cientificamente chamada de mata ombrófila densa, esta formidável vegetação arbustiva, muito particular deste lugar, e que leva este nome pelas altas incidências de neblina na região.

Aparados da Serra
Aparados da Serra

Continuamos até chegarmos no Arroio Rocinha, parada certa para banho, com água corrente e pequenas cachoeiras.

Seguindo em nossa caminhada pelos campos, chegamos em uma antiga fazenda da região, onde montamos nosso acampamento, com uma estrutura de primeira, onde cozinhamos o jantar: uma super refeição Tropeira para repor as energias! E descansar, depois de 20 Km percorrido.

Agora paro e penso neste final de 1ª dia de expedição, como está sendo bom, muita aventura, muitas risadas, trocas de experiência, vistas de tirar o fôlego, quase não consigo dormir, mas segue o baile…

Aparados da Serra

No segundo dia, logo cedo, tomamos um café da manhã com direito a paçoca de pinhão vegana, e um bom mate cevado.

Nosso próximo destino, Cânion do Amola Faca/Encerra. No caminho o relevo é acentuado com montanhas e vales, intercalando coxilhas (morros) suaves e profundas, que recortam a borda desse imenso planalto. Avistamos ao longe, e fomos deixando para traz, o local chamado Pontão do Tabuleiro, e seguimos costeando os dois vértices do Cânion Amola Faca, onde avistamos o Morro da Encerra, invernada importante nos tempos antigos das Tropeadas.

Almoçamos no caminho, em uma sombra com água fresca, sempre pontos fortes desta expedição, até chegarmos na ponta Norte do Cânion do Amola faca/Encerra, onde as ondulações suaves dão lugar a paredões verticais de rochas basálticas, com uma altitude média de 1.300 mts. Com uma ótima visibilidade, observa-se diversas cidades próximas da costa dos cânions, o Oceano Atlântico e toda a faixa do litoral com suas cidades costeiras, com suas lagoas incríveis, como a de Sombrio e de Itapeva, entre outras. Seguimos caminhando, até avistarmos ao leste, o Cânion do Realengo, e acessarmos as costas Sul do Cânion da Boa Vista.

No final deste dia uma surpresa especial: após ter percorridos mais 10 Km de nossa Expedição Aparados da Serra, chegamos para pernoitar na Pousada Ecológica dos Cânions, onde fomos muito bem acolhidos. Um banho revigorante e um jantar feito pela proprietária e Cheff de cozinha Mônica Sávio e pela Dona Maria e dormir aconchegante em camas e lenções limpos.

Em nosso terceiro dia, após um café da manhã típico da fazenda, seguimos a caminhada contornando a borda do Cânion da Boa Vista, que foi de impressionar! Caminhando pelo alto dos morros podemos ver as turfeiras gigantes, outra espécie de flora característica da região e muito encontrada nos locais de preservação; a turfeira, encharco ou banhado, como chamamos, é o local onde se dão os processos de carbonização lenta, pelos depósitos naturais de restos de musgos e plantas e até de animais. Aqui nos Aparados a turfa é formada essencialmente por musgos que chamamos de Sphagnos, típicos de clima frio e de elevada precipitação pluviométrica. Entre tantas plantas que são encontradas nas turfeiras da região, está o Gravatá, o Junco e a Samambaia do Banhado. Em nossa expedição passamos por uma turfeira com muitas flores que até ficou difícil descrever… tinha diversas flores rosas, que até parecia um mar de flores, muito bem registrado nas fotos desta jornada.

Novamente achamos um local abrigado do Sol e com água para o nosso almoço. Almoçados e descansados, demos início a caminhada, com uma vista privilegiada para o Morro da Catedral, mais uma intrigante formação rochosa. Passamos pelos Cânions da Coxilha, até avistarmos as costas sul do Pico do Monte Negro, onde fomos recebidos com surpresa pelo Sr. Mario Velho que veio a cavalo nos indicar o caminho que faltava para chegarmos em sua morada, a “Pousada Aparados da Serra”. Em um super ambiente, fomos acolhidos pela sua família, que são moradores da região do Cânion do Monte Negro a gerações, seguimos para mais uma noite com muito conforto, após 14 km percorrido durante este dia tão especial.

Fomos para um Jantar Serrano, com Churrasco, típico dos gaúchos, com um buffet de guarnições que deixou os vegetarianos e veganos muito satisfeitos e agradecidos, pois a fazenda conta com uma horta orgânica de “tirar o chapéu”.

De manhã com direito a vivenciar a lida campeira da fazenda e o famoso café Camargo, onde o peão de estância tira o leite da vaca direto em nossa caneca com café forte, servido na hora, também nos esperava um lindo banquete de café da manhã na pousada servido pela Bete, esposa do Sr. Mário. Após tudo pronto e de barriguinha cheia para mais um dia de trekking, partimos novamente com o acompanhamento do Sr. Mário, “cortando” matas de araucárias ou Floresta de Araucária, Floresta Ombrófila Mista, como os pesquisadores falam. Normalmente este “Bioma” se encontra em altitudes elevadas ou acima de 800 metros e contém incríveis espécies de fauna e flora, como as ervas típicas destes campos: as Coníferas e diversos angiospermas, sendo um ecossistema com chuvas esparsas durante o ano todo.

A Araucária é encontrada em maior quantidade aqui no Brasil, nos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e de forma esparsa nos estados de São Paulo e Minas Gerais, e Rio de janeiro, que faz parte do bioma mata Atlântica.

A mata Ombrófila Mista imprime um aspecto próprio e único das Florestas de Araucária e é caracterizada pela forte presença do Pinheiro do Paraná, ou a antiga Araucária Angustifólia, que agora chamamos de “Araucária Brasilienses”, único pinheiro genuinamente brasileiro; e, para vocês entenderem melhor sobre esta árvore sagrada, muito cultuada pelos índios que aqui habitavam, registra-se que antes do descobrimento do Brasil, esta vegetação de mata se estendia numa faixa contínua no Planalto Meridional, desde o sul do Estado de São Paulo até o norte do Rio Grande do Sul, chegando até a Província das Missiones na Argentina a oeste. E que hoje, infelizmente só resta 3% de sua mata original.

Seguimos a caminhada pelo Planalto, agora sempre coberto por campos limpos, e por toda a parte numerosas nascentes de rios cristalinos, até chegarmos no Cânion e Pico do Monte Negro, a 1.403 metros do nível do mar, é o ponto mais alto do Rio Grande do Sul, e considerado um dos lugares mais frios do país. É tanta beleza e tanta vida, que ficamos impressionados com este lugar espetacular. Paramos observando os cânions e os seus paredões gigantes, onde observa-se riscos horizontais nas rochas, que sinaliza geologicamente que a lava foi subindo e resfriando, por diversas vezes, e que vieram originar o Planalto Sul brasileiro, formado a partir de sucessivos derrames basálticos na região, com intensas atividades vulcânicas ocorridas há milhões de anos.

A vegetação rupestre que vemos no interior dos Cânions também se destaca e se adensa da borda superior, nas suas encostas, até o fundo do cânion, onde sutilmente se dá lugar a Mata Atlântica.

Seguindo nosso roteiro, fomos de repente surpreendidos por uma forte neblina, ela veio rápida e muito densa dificultando nossa navegação, sorte nossa estar com o Sr. Mario, conhecedor e tropeiro desta região. Ai foi fácil seguir nosso caminho nesta viração. Contornamos o Cânion do Monte Negro até chegarmos no Cânion da Cruzinha, onde fizemos uma parada para almoço em meio ao “nevoeiro”.

Continuamos percorrendo por campos e vales até chegarmos na fazenda do Sr.  Juscelino, que nos recebeu de uma forma incrível e hospitaleira, oferendo sua casa com toda estrutura para pernoitarmos, mas já tínhamos planejado a nossa última noite em acampamento em meio a mata nativa.

 Aparados da Serra

Nos despedimos do seu Mário, após caminharmos mais 14 km durante o dia. Montamos acampamento e fizemos o jantar, um prato de Yakisoba Serrano, ou Sōsu Yakissoba, que é um prato de origem japonesa, muito conhecido internacionalmente, composto por legumes e verduras, mas este nosso, com um toque especial: a lá campos de altitude! com sobremesa mas que diferente, um Crepe-Susete flambado a conhaque e recheado com uma geleia de laranja deliciosa, direto dos Sabores da Querência, da fazenda Macânuda daqui de Cambará do Sul, ufa, quanta aventura, e agora, boa noite!

Logo pela manhã desmontamos acampamento e seguimos para a divisa de estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, local marcado por uma Taipa ou muro de Pedra, ao qual ficamos imaginando o quanto antiga devia ser este “passo”. Ponto de encontro de tropeiros e índios, índios estes que foram os primeiros habitantes e verdadeiros nativos da serra, com uma diversidade muito grande de raças e etnias, como: as tribos Caáguas, Kaigangues, Xokleng, entre outras da etnia “G”, que viviam livres e em harmonia com a natureza, sendo muitos deles, coletores de frutos e sementes, mas que com certeza ajudaram a construir nossa atual estrutura, antes e depois do descobrimento do Brasil.

Tanto que alguns dos costumes mais tradicionais dos gaúchos como o churrasco e de tomar o chimarrão, são heranças destes indígenas que aqui moravam.

Após ser registrado este ponto importante, seguimos para conhecer e comtemplar os Cânions da minha esposa e da minha filha, Carol e Marcela ou os Cânions das Tigras, que eu há mais de 15 anos tinha curiosidade de conhecer e sentir a energia deste local inóspito e intocado dos Aparados da Serra.

Legal, concluímos nosso objetivo! E de repente, entre nós muito Silencio.

E o que percebo agora, entre os Expedicionários e eu, e que após 5 dias percorridos de sucesso é de missão cumprida. Com um sentimento de respeito a toda esta grandeza, e por esta terra tão antiga.

Neste momento onde ficamos sentados em nossas mochilas, só observando toda esta maravilha, me conecto com a mãe terra, com a mãe natureza. Gratidão ao sagrado e a todos por esta oportunidade.

Dentre tantos sentimentos que neste momento nos cercava, um lembrança veio em minha mente: sobre as numerosas espécies da flora e da fauna que são únicas de nossa região e que tenho a oportunidade de falar para vocês, de vive-las e senti-las estando neste lugar.

Assim fico imaginando todos animais que habitavam e habitam a região, as aves, os mamíferos, répteis, anfíbios, as borboletas, (…) que nem consigo descrever tamanha grandeza.

Fauna nos Aparados da Serra

Neste percurso nós conseguimos ver diversos animais e identificar muitas pegadas ao longo da expedição, mas na verdade são quase nada, comparado as inúmeras espécies que aqui vivem. Sabíamos que os animais estavam lá, apesar de não vê-los, muitos deles com hábitos noturnos, e muitos que também só nos observavam ao longe. Os Campos de Altitude, ou os Campos de Cima da Serra é um dos ecossistemas mais ricos em relação à biodiversidade de espécies animais, contando com muitos indivíduos endêmicos ou raros, e vários ameaçados de extinção e diversas espécies migratórias, portanto, acreditamos e confiamos nessa força de integração entre o homem e nessa abundante vida que pulsava e nos cercava.

Já falando da bicharada, falo que aqui é morada certa de diversas aves, como a nossa tradicional Curicaca, algumas rasteiras ou de chão, o Inhanbuguaçu, o Perdiz ou Perdigão, a Seriema, o Jacuaçu, Jacu, a Jacutinga o Macuco e o Quero-quero.

Das aves imponentes no céu, temos o Urubu Rei, o Urubu de Cabeça Vermelha, e o Urubu da Cabeça Preta, o Tradicional  Carcara, o Gavião Pato, o Gavião Pega Macaco, o Gavião Tesoura, a Águia Cinzenta, a Águia Chilena, o Falcão Peregrino e o Gavião Carrapareiro, muitas destas espécies ameaçadas de extinção. Também temos aqui o Tiê Sangue, a Araponga, o Sanhaço, numerosos Beija Flores, os Tucanos do Bico Preto e do Bico Verde, Saíras, Gaturanos, além dos muitos Papagaios: Papagaio da Serra e Papagaio de Peito Roxo, Papagaio Charão, e vivem aqui a Tiriba de Testa Vermelha cuja sobrevivência dessas espécies está diretamente atrelada à sobrevivência da Floresta de Araucária; e a mais imponente e conhecida ave, sendo a símbolo da região, a Gralha Azul.

Entre os mamíferos podemos falar de várias espécies: o Tamanduá Mirim, o Mão Pelada, os diversos tipos de Tatus, como o de Rabo Mole, inclusive espécies que estão ameaçadas de extinção, como os primatas: o Bugio, o Mono Carvoeiro ou Muriqui do Sul, o Macaco Prego, o Guariba, o Mico Leão Dourado, vários Saguis entre outros bichos incríveis de árvores como a Preguiça de Coleira, o Esquilo Caxinguelê.

Temos aqui na região os felinos, tendo eles como o maior predador do planalto das Araucárias: o Puma Concolor, ou Onça Parda ou como chamamos também de Leão Baio. Diversos outros felinos como o Gato do Mato, a Jaguatirica, o Jaguarundi, o Maracaja, Gato Mourisco e até a presença da Onça Pintada.

Dos canídeos, temos o mais famoso: o Lobo-guará, que ainda avistamos mas que não temos noção de quantos indivíduos ainda restam nos campos de Cima da Serra; também o tradicional Guaxinim, muito conhecido por todos que por aqui passam; o Cachorro do Mato de Orelha Curta, a Raposa do Campo, o Cachorro Vinagre e o Cachorro do Mato.

Também temos os cervos, o Veado-campeiro, o Veado Bororo do Sul e o Veado catingueiro, também facilmente avistados na região.

Entre os principais répteis desse ecossistema estão Sapinho da Barriga Vermelha endêmico daqui de nossa região, o Sapo Cururu e o Teiú, nosso Lagarto com mais de 1,5m de comprimento, as inúmeras Jararacas, as Corais verdadeiras e falsas, e a cascavel de altitude, entre tantos outros.

Bom, para finalizar, me resta falar que para a realização da expedição Aparados da Serra, contamos com o incrível apoio da Prefeitura de São Jose dos Ausentes, na pessoa do Prefeito Paulo Guimarães, e da Secretária de Turismo, que não mediu esforços para realizarmos este projeto de Ecoturismo e Turismo de Aventura,  Aline Maria Trindade Ramos, Prefeitura de Cambará do Sul, com nosso prefeito Schamberlaen José Silvestre e nossa Secretária de Turismo Beatriz Trindade, e todas as pessoas incríveis que acreditaram neste trabalho, que nos motivaram e nos apoiaram.

Mas o desejo de voltarmos aqui e de explorarmos novos lugares, é o que fica em nosso interior.

Daqui de onde estamos, na borda dos cânions, já avistávamos nosso próximo desafio, a descida da Serra da Veneza, importante descida de serra na época para o Império e para os tropeiros de todos o sul do País. Quem se aventura em deixar suas pegadas ecológicas nesta jornada do bem e da natureza viva? Contem conosco!

Abraços a todos, e até mais.

Josemar Contesini

Aparados da Serra Adventure

Cambará do Sul – RS

Serra da Veneza x Rio do Rastro

A travessia nada mais é que um percurso que realizamos em parceria com a empresa Sol de Indiada entre às Serras da Veneza e Rio do Rastro/SC.

A travessia foi realizada em 3 dias e duas noites, caminhamos cerca de 45 quilômetros entre campos e bordas dos cânions de Bom jardim da Serra no estado de Santa Catarina – Brasil.

As travessias realizadas pela empresa Sol de Indiada são indicadas para pessoas que estão iniciando no trekking, além das diversos tipos de pacotes oferecidos, o que mais chama a atenção é para o pacote completo, este inclui: translado de ida e volta, acompanhamento de guias experientes em todas as trilhas, apoios com veículos 4×4, alimentação inclusa e ainda a opção de você carregar a mochila cargueira ou de ataque.

Um detalhe interessante sobre a Sol de Indiada é que se você não tem barraca, saco de dormir ou mochilas, você pode contatar a empresa e alugar para a aventura.

Caminhar em lugares assim com uma empresa tão dedicada a seus clientes faz valer a pena a contratação de serviços assim, não é a toa que estávamos em cerca de 70 pessoas incluindo, motoristas especialistas em veículos 4×4, cozinheiros, guias e fotógrafos. Nessa viagem tinha pessoas de inúmeras cidades, sendo dos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e claro aqui do Rio Grande do Sul.

A travessia começou no dia 7 de setembro, em pleno feriado da Independência, nesse primeiro dia caminhamos um pouco por trilhas e algumas estradas em meio aos campos de cima da serra, cruzávamos pequenos córregos e alguns campos de turfeiras até chegar nas bordas dos cânions.

O dia estava completamente ensolarado, temperatura próxima a 25 graus, céu azul e sem nenhuma nuvem, dia perfeito para contemplação de lindas paisagens.

A caminhada era de nível fácil sem grandes dificuldades, na borda dos cânions podíamos avistar uma linda vista dos grandiosos paredões rochosos e cristas que compõem os Aparados da Serra.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Neste primeiro dia de travessia caminhamos cerca de 15 quilômetros, eu levei apenas a mochila de ataque Mountain Hardwear 30L com o lanche de trilha, água, roupas e câmera fotográfica.

Caminhar nas bordas das serras é uma aventura maravilhosa, a cada subida de morro a vista muda, o cenário é outro, são visuais de tirar o fôlego.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Como boa parte das pessoas eram iniciantes em travessias, demoramos o dia todo para percorrer os 15 quilômetros de caminhada, mas chegamos no acampamento base a tempo de curtir o pôr do sol, enquanto montávamos as barracas.

O acampamento base nada mais era que uma fazenda perto do Rio Púlpito, com galpão e banheiros, só não havia luz no local.

Depois de encontrar o melhor lugar para acampar, montei a barraca e comecei a preparar o meu jantar, este foi, massa espaguete com molho bolonhesa e salame. Para as demais pessoas os cozinheiros prepararam um jantar de risoto com pêra e queijo gorgonzola, com suco de caixa de sabor uva e laranja. Para os vegetarianos e veganos tinha a opção de arroz e feijão. Só preparei o meu jantar pois não sou muito fã de queijo e nem de pêra. kkk

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Depois de todos jantar era hora de fazer aquela fogueira especial, com direito a roda de violão. No grupo havia dois violeiros que cantaram por cerca de duas horas musicas animadas de diversos estilos musicais como: gauchescas, reguee, sertanejo e rock n´ roll.

Fomos dormir cerca de 22:00 horas da noite, o frio era intenso, não ventava no local, o céu não continha nenhuma nuvem. Olhando para o céu, estava completamente brilhante, estávamos de fato em um hotel 1 milhão de estrelas.

No segundo dia acordei bem cedo, cerca de 6:00 horas da manhã, o sol ainda não havia nascido, ao sair da barraca lembro de ver pequenos pedaços de gelo no chão e em toda a barraca. Não sei qual era a temperatura naquele horário, mas tinha sensação de estar uns -3 graus. Era impossível deixar os dedos para fora dos bolsos da jaqueta, chegavam a doer de tanto frio.

Peguei a maquina fotográfica e fui capturar umas fotos da barraca e da neblina que se mostrava subindo em meio aos campos, o céu alaranjado e meio magenta contrastava com as belas araucárias no local.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Às 7:00 horas da manhã o café estava servido, nele continha, tapioca feita na hora de inúmeros sabores, também havia pão, geleias de uva, figada e de abobora, café preto, café com leite e achocolatado, frutas, queijos, presuntos e sem falar que tinha um pote gigantesco de Nutella. Olhei para tudo aquilo e pensei, tá melhor que lá em casa..kkkk

Depois de comer um pouco de tudo e tomar umas 3 xícaras de café, fui até a barraca para organizar a mochila, preparar o lanche para trilha, desmontar a barraca e carregar tudo na mochila cargueira. A mochila que usei é uma Osprey Atmos 50 L estava pesando aproximadamente 12 kg, usei ela para testar o modelo e também para treinar o condicionamento físico.

Geralmente os iniciantes não estão muito acostumado a fazer travessias, demoram mais tempo para colocar tudo dentro da mochila, por esse motivo começamos a caminhar por volta de 9:00 horas da manhã.

A caminhada seguiu pelas bordas dos cânions, subíamos e descíamos morros, serpenteando as bordas, em determinados locais, parávamos para contemplar à vista, caminhar próximo as bordas é muito bom, pois em alguns momentos podemos sentir uma brisa gelada, fazia parecer que tinham ligado o ar condicionado, o sol continuava muito forte e o céu sem nuvens.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Ao meio dia paramos para almoçar em meio a um capão de pinos ilhotes, caminhar nessa região é engraçado, pois estamos sempre colocando o casaco e-o tirando, chega a fazer isso mais que 5 vezes ao dia. A temperatura também varia muito dependendo do horário do dia, as manhãs e as noites são congelantes, durante boa parte do dia é quente, mas em algumas vezes é possível que feche na neblina e tenhamos que por jaquetas e gorros.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Paulo Gerstner

Durante a tarde toda caminhamos perto das bordas dos cânions, por muitas vezes avistávamos cidades ao longe, como o dia estava perfeito era garantido a captura de fotos incríveis.

Conforme íamos caminhando começamos a adentrar dentro do Parque Eólico, a vista do lado direito que tínhamos eram das bordas e do lado esquerdo, campos verdejantes com os cata ventos no alto dos morros.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

No fim de tarde chegamos ao acampamento do Jorge, localizado bem perto do Cânion da Ronda em Bom Jardim da Serra/SC, o local conta com uma grande área para camping, um galpão enorme, banheiros divididos por sexo e energia elétrica.

Ali alguns aventureiros já escolhiam o melhor lugar para armar suas barracas, na cozinha os cozinheiros já faziam o jantar, neste dia o cardápio seria strogonoff de carne com arroz e batata palha. Na minha opinião essa é uma das melhores refeições para se fazer no acampamento.

O jantar foi servido cedo, todos nós estávamos com muita fome, após o jantar foi realizada uma surpresa para um dos guias e proprietário da empresa Sol de Indiada, era noite de confraternizar o aniversário do Evandro Clunc. Melhor que fazer aniversário é poder celebrar esse dia em meio a natureza em um local tão especial que é a travessia entre serras.

Depois de muitas felicitações, os violeiros roubaram a cena, e logo começou as musicas animadas, como estava um pouco preguiçoso fui me deitar e não fiquei até o final das cantorias.

Último dia de travessia

O sol ainda não tinha levantado, e eu já estava aposto com a maquina fotográfica capturando as belas imagens antes do sol nascer, nessa manhã o clima estava agradável, não estava muito frio em relação ao dia anterior.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Cada um arrumou suas coisas, acondicionando dentro de suas mochilas cargueiras e de ataque, eu pus tudo dentro da cargueira e separei apenas a maquina fotográfica, o lanche e a água para levar em minha mochila de ataque.

O café começou a ser servido e como sempre tinha inúmeras opções, era como estar em um hotel, estava tudo perfeito.

Após o café era hora de botar as mochilas nas costas e seguir de ônibus até próximo as bordas de onde iria começar a caminhada propriamente dita, nosso destino final seria a famosa Serra do Rio do Rastro/SC, lembro do guia informar que caminharíamos um pouco mais rápido do que nos outros dias, pois ele tinha reservado um almoço no restaurante Mensageiro da Montanha, tínhamos que chegar lá no máximo às 14:00 horas.

Neste último trecho de caminhada a visão que tínhamos era de tirar o fôlego, as montanhas pareciam estarem uma em cima das outras, caminhar por esse trecho é muito belo, a todo tempo essa vista muda e encanta a cada passo dado.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Capturamos muitas fotografias, de muitos ângulos diferentes até que chegamos no Cânion da Ronda, ali podemos avistar os morros que formam a Serra do Rio do Rastro, é uma outra visão de um dos atrativos mais visitados do estado de Santa Catarina.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Do Cânion da Ronda em diante seguimos de ônibus até o mirante e restaurante Mensageiro da Montanha.

Ao chegar no mirante da Serra do Rio do Rastro, vimos que havia inúmeros turistas, então antes de ir lá capturar umas fotos da serra, resolvemos almoçar.

O restaurante serve todo o tipo de comida, o atendimento é muito bom, vale a pena o investimento, além do restaurante, há também uma pequena lojinha com artesanato e lembranças deste lugar incrível.

Depois de nos servirmos inúmeras vezes, era hora de ir contemplar a Serra do Rio do Rastro, enquanto fazíamos a digestão no sol. Assim terminou mais uma travessia de trekking entre as serras.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

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O melhor trekking do sul do Brasil

Travessia do Cânion Laranjeiras ao Cânion do Funil

Cânion Boa Vista um lugar incrível

Tivemos a oportunidade de conhecer todas as faces do Cânion Boa Vista, um ponto turístico tão pouco explorado pela maioria das pessoas, estar lá e caminhar em seu entorno renderam momentos incríveis e fotografias magníficas.

Conhecemos o Cânion Boa Vista através da empresa parceira Sol de Indiada, fazendo um trekking de quatro dias pelas bordas dos cânions mais lindos do sul do Brasil. Na travessia caminhamos aproximadamente 80 km, no terceiro dia da nossa travessia cruzamos do Cânion Amola Faca até o Cânion Boa vista, onde pudemos contemplar todo seu esplendor.

Caminhar nas regiões dos cânions é uma experiência que recomendamos a todos, a cada passo a paisagem muda, uma hora é possível olhar os cânions ao longe, noutra hora já estamos na borda, a paisagem é deslumbrante, uma sensação de liberdade indescritível.

Caminhando pela borda podemos enxergar as enormes fendas, em certos pontos a altimetria chega perto dos 1.000 metros ou mais, ao mesmo tempo que sentimos uma sensação de paz, o medo apimenta ainda mais a nossa experiência, todos esses sentimentos fazem com que tenhamos um olhar mais cauteloso, entendendo assim que precisamos continuar preservando a natureza.

O Cânion Boa Vista é um dos lugares mais lindos que já tivemos a oportunidade de acampar, abaixo você pode ver algumas fotos capturadas nessa aventura inesquecível!

Cânion Boa Vista

Cânion Boa Vista

Depois de caminhar boa parte do dia, estava na hora de escolher um bom lugar para armar as barracas, escolhemos acampar em um platô, ali tínhamos uma vista de quase 360° graus do Cânion Boa Vista, era incrivelmente maravilhoso estar ali curtindo aquele momento único.

Precisamos agradecer todas as vezes que temos a oportunidade de contemplar momentos mágicos, a natureza nos deu um grande presente que vamos nos lembrar todas as vezes que estivermos acampados com nossas barracas.

Cânion Boa Vista

Para festejar todos estes bons momentos abrimos uma garrafa de vinho e brindamos, ficamos ali olhando as estrelas, a magnífica Via Láctea e o grandioso Cânion Boa Vista.

Cânion Boa Vista

Cânion Boa Vista

Como o seu próprio nome diz é uma boa vista, um colírio para os olhos daqueles que se aventuram por essa região.

Para chegar ao atrativo é muito fácil, percorra uma estrada de chão por 40 km até chegar na Pousada Ecológica dos Cannyons,  e caminhe cerca de 300 metros até a borda do cânion Boa Vista, veja no mapa clicando aqui.

O melhor trekking do sul do Brasil

O melhor trekking do sul do Brasil

Tudo começou com o convite do amigo Evandro Clunc, guia e proprietário da empresa Sol de Indiada, fazer a travessia nas bordas dos Cânions no estado de Santa Catarina/SC – Brasil, uma travessia de sessenta quilômetros de trekking, passando pelo Campo dos Padres e o Cânion Espraiado, na cidade de Urubici/SC .

A viagem teve inicio no dia 26 de Maio de 2016, saímos da cidade de Caxias do Sul/RS com destino a cidade de Urubici/SC, cerca de 6 horas de viagem, depois de algumas paradas sofremos um contra-tempo e ficamos parados por cerca de 2 horas na cidade de Lages/SC, pois o frentista do posto completou de gasolina um tanque de combustível diesel, assim atrasando o começo da travessia. Depois de muita espera continuamos a viagem sem mais percalços, chegando no Refúgio Canoas as 9:00 horas da manhã do dia 26 de Maio.

O começo do trekking:

Depois de descarregar os carros, deixamos as mochilas com a maior parte dos equipamentos no refúgio, isso seria despachado até o Campo dos Padres via veiculo 4×4. Nós por outro lado, estávamos com nossas mochilas de ataque prontas para encarar os primeiros 13 km de estrada até o cume do Campo dos Padres. A temperatura e o clima nessa manhã meia nebulosa era relativamente agradável, continha pouco vento e pouca umidade no ar, fazendo um dia perfeito para caminhar.

A primeira parte desse trajeto é incrivelmente linda, não há subidas nem descidas, é como passear em um parque, sem grandes desafios, difícil de acreditar que nesse primeiro dia de trekking iriamos caminhar cerca de 13 km sendo que a altimetria mostrava grande aclive. Para se ter uma ideia, o refúgio Canoas se encontra cerca de 900 metros de altitude em relação ao nível do mar, já o ponto final do trekking seria no Magic Contêiner a cerca de  1.700 metros de altitude aproximadamente.

O melhor trekking do sul do Brasil

De fato, a subida é íngreme e estafante, quando começamos a subir, tinha a sensação de que fosse alguns pequenos morros, mas me enganei terrivelmente, a primeira parte da subida é um conjuntura de curvas fechadas, tão íngremes que ainda bem que eu não estava com minha mochila cargueira, pois acho que cairia para trás, conforme ia subindo a subida parecia que aumentava ainda mais.

Depois de passar por um zigue-zague de curvas íngremes, a estrada continuava para cima, mas de certa forma não tão íngreme, eram pequenos planaltos verdes com algumas araucárias espalhadas, estes campos verdes  pastagens rasas, contrastavam diretamente com o céu nublado, ao chegar nesses planaltos já era meio dia, estava na hora de parar e curtir o almoço.

Meu almoço não foi lá grande coisa, algumas barras de cereais, amendoins e algumas bolachas, era apenas um lanche, levei comigo duas garrafas de água com 600 ml cada para este primeiro percurso, nessa altura estava quase na metade da segunda garrafa, e estávamos praticamente na metade do caminho.

Ficamos ali parados por cerca de 30 min, esse tempo serviu para lancharmos e relaxarmos um pouco olhando as belas paisagens no horizonte.

Os morros possuem relevos curvados, podíamos enxergar várias camadas deles, parecia que estavam um em cima do outro, de certa forma isso parecia muito com uma miragem, fiquei intrigado,  parado  e abismado com essa enorme beleza, estar ali naquele momento, era como estar vivendo um sonho. Este sonho que todos temos dentro de nós, poder caminhar em lugares totalmente inóspitos, quase sem interrupções do homem, estar completamente ali na natureza selvagem.

O melhor trekking do sul do Brasil

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Ao avistar ao longe o Magic Contêiner a felicidade tomou conta de mim, pois isso significava que tinha completado a tarefa do primeiro dia. O passo seguinte era descansar um pouco e depois organizar os equipamentos, montar a barraca e curtir a roda de novos amigos.

Depois de montar a barraca, organizar todos os equipamentos dentro da mochila, subi em um planalto acima  do contêiner para tirar algumas fotografias, ali sentei em uma pedra e estava bastante exausto, agradeci por estar vivo, estar ali naquele lugar fantástico, tirei inúmeras fotos. Notei que lá embaixo junto aos cânions começava a se formar uma grande camada de nuvens e neblina, mais conhecido como fenômeno viração, este fenômeno é uma grande massa de neblina densa, capaz de diminuir a visão em poucos metros. Em regiões muito altas essa viração pode ser bem perigosa, pois perdemos toda a nossa referencia sobre o lugar que estamos, é fácil se perder. Nisso fiquei ali um pouco admirando aquelas nuvens chegando próximo a nossa área de acampamento, em alguns instantes notei que cochilei ali sentado na pedra, acordei meio estranho, levantei e fui para a barraca.

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2° dia de trekking – Cânion Espraiado:

Na manhã desse segundo dia, acordei as 5 h e 30 min da manhã, quando o celular do amigo Edson começou a tocar uma musica incrivelmente irritante, que fazia a gente pular do saco de dormir e sair da barraca. O som dessa musica fazia a gente acordar meio estressado, mas logo isso passava, saímos da barraca louco de vontade de enticar com o Edson sobre o toque, ao sair da barraca nos deparávamos com o próprio Edson, dando bom dia e pedindo um abraço. Aí a vontade de xingar ele ia embora! kkkkk

Olhei para o horizonte e vi boa parte da imensidão de cânions, podia ver até o Morro da Igreja com 1.822 metros, um dos pontos mais alto do sul do Brasil, o dia estava maravilhoso, um pouco frio, mas sem muita umidade, dava a impressão que seria um dia incrível.

O melhor trekking do sul do Brasil

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Começamos a trilha rumo ao sul, descendo por dentro de uma mata nebular, até chegar quase na beirada dos cânions, nessa trilha passamos por xaxins incrivelmente gigantescos, que mediam mais de 5 metros de altura.

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Já nas bordas dos cânions a vista que tínhamos era algo indescritível, parecia que estávamos no céu, andado sob as nuvens, dava para sentir na pele a euforia de todo o grupo vendo toda aquela paisagem.

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Caminhamos por todas as bordas até o Cânion do Espraiado, a cada parte do Cânion a vista era ainda mais fascinante, ao meio dia paramos para almoçar no ponto mais alto do Cânion do Espraiado, o caminho até chegar a Ponta do Canhão como é chamado o lugar é estreito e vertiginoso, naquele momento agradeci por estar em meio a uma grande camada de neblina densa, pois não conseguia ver muito ao redor do caminho que trilhava, no cume desse Cânion a vista era de tirar o fôlego, naquele momento não sabia se almoçava, se tirava fotos, se ficava apenas contemplando aquela grande obra da natureza.

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Ficamos ali por cerca de 40 minutos ou um pouco mais, almocei alimentos altamente calóricos, pois sabíamos que teríamos que subir novamente até o Magic Contêiner.

Enquanto caminhávamos, subindo e descendo os planaltos, atravessando pequenos riachos, sentimos um cheio de churrasco, foi estranho, pois até então não tinha avistado nenhuma outra pessoas além das que estavam comigo, depois de subir uma leve subida, encontramos campistas, fazendo churrasco bem perto das bordas do Cânion Espraiado, dali tínhamos a vista  de algumas torres de pedras, construídas pela própria natureza, também havia uma linda cachoeira onde caia suavemente  água totalmente cristalina.

Ficamos ali parados, conversando com este grupo de campistas, o guia trocava informações sobre as trilhas que percorremos durante esse dia, aí um dos campista sugeriu que voltássemos até o Magic Contêiner através de uma trilha bem pouco explorada, uma subida relativamente exaustiva, mas no entanto, mais curta do que aquela que iriamos fazer conforme o cronograma.

O melhor trekking do sul do Brasil

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Depois de entender as dicas dos campistas, tiramos uma foto todos juntos e seguimos trilhando os caminhos junto ao Cânion do Espraiado até encontrar a trilha que ia nos levar até o Magic Contêiner.

Chegar ao Magic Contêiner , depois de um dia intenso de trekking, era bom sentar, parar relaxar, enquanto fazia isso, aproveitando o calor gerado pela subida do morro, fui a barraca tomei um banho com lenços umedecidos, troquei de roupa e ficamos ali todos dentro do contêiner conversando, rindo e comendo algumas guloseimas.

A temperatura ia caindo do lado de fora do contêiner e a neblina ia escondendo toda a paisagem.

No horário do pôr do sol, as nuvens que tapavam o brilho do sol, foram abrindo devagar, consegui por alguns minutos presenciar o primeiro pôr do sol desde que tinha chegado ali a dois dias.

Aquele momento foi mágico ao menos para mim, pois parecia que a natureza estava nos presenteado com sua maravilhosa beleza, encarei aquilo como um presente, depois de um dia de muitos quilômetros e desafios cumpridos.

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Logo que entrei no contêiner o Jeferson, o cozinheiro oficial da aventura preparava o jantar, strogonoff de carne com creme de leite, só de olhar ele fazendo toda aquela comida já dava água na boca. Me sentei em um dos bancos de madeira envolta da mesa de centro e comecei a pensar e refletir.

“As vezes eu não intendo o porque a maioria das pessoas que conheço, preferem ficar em suas casas, aliadas a suas zonas de conforto, suas televisões e computadores, vivendo a vida dos outros. Ao invés de sair e contemplar um lugar como esse. Estava ali eu e um grupo de 14 pessoas em cima de um planalto gelado, sem acesso a internet ou telefone, a coisa mais perto que chegamos de uma rede social, era todos nós sentados ao redor de uma mesa esperando a janta ficar pronta.”

Depois do jantar maravilhoso, ficamos ali conversando um pouco e logo nos recolhemos, nos desejamos boa noite e cada um foi para a sua barraca.

3° dia- O dia dos corajosos:

Levantamos no horário previsto às 6 horas da manhã, novamente com aquele despertador insuportável, saímos das barracas, quando chegava no contêiner, estava o Jeferson preparando o café da manhã e o Edson querendo te abraçar dizendo bom dia, não tem como não começar o dia feliz da vida.

Após o café o guia Evandro reuniu todos e disse que o tempo estava ruim, que pela densa camada de nuvens iriamos fazer a caminhada sem poder ver nada ao nosso redor, aí botou em votação quem gostaria de ir, e quem gostaria de ficar.

A maioria levantou a mão e eu também, afinal o que eu iria fazer se ficasse no contêiner, iria ser sem graça ficar ali, e ainda sem nada para fazer.

Das 14 pessoas que tinham no grupo apenas  9 pessoas junto com o guia, resolveram fazer as trilhas indiferente da situação climática, estávamos ali para explorar, enfrentar os desafios que viesse com alegria e determinação.

Boa parte do percurso foi de tempo fechado, víamos pouco mais de 15 metros a nossa frente apenas, logo que chegamos em uma das bornas a natureza nos presenteou novamente, nos deu uns 5 ou 10 minutos de abertura, comemoramos, tiramos fotografias e rimos muito.

O melhor trekking do sul do Brasil

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Na volta resolvemos que iriamos fazer sapeco de pinhão, pois onde passávamos haviam muitas araucárias, então uma parte do grupo colheu os pinhões que estavam no chão e outros pegavam as grimpas (galhos das araucárias).

Depois de algumas horas caminhando naquela densa neblina avistamos novamente o Magic Contêiner, abrimos um grande sorriso no rosto, chegando lá os ostros participantes não acreditaram no que viam, um bando de aventureiros carregando inúmeros pedaços de galhos e grimpas.

Logo achamos umas pedras e alguns tijolos e começamos a preparar a fogueira, quando o fogo estava intenso, largamos os pinhões nas brasas e apenas esperamos, após um tempo já começamos a apagar a fogueira, retirando os pinhões e comendo-os, pensa em algo bom!

O melhor trekking do sul do Brasil

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Estávamos tão animados com o nosso dia que resolvemos comemorar, alguns participantes levaram vinhos e alguns chocolates, nos reunimos em volta da mesa dentro do contêiner e ficamos ali rindo sobre as coisas que enfrentamos durante o dia, contado piadas, apreciando o vinho e os chocolates. Enquanto isso o Jéferson já preparava o jantar.

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Depois de todos nós jantarmos, fizemos uma pequena festinha, colocamos umas musicas tocar no 4×4 e ficamos ali dançando por umas 2 horas, depois de muito rir e dançar todos deram boa noite e fomos dormir.

4° dia – O retorno:

O quarto dia amanheceu nublado novamente, acordei e fui para ao contêiner tomar o café da manhã, depois comecei a organizar meus equipamentos, desmontei a barraca. Em cerca de 40 minutos já estávamos todos prontos para fazer a caminhada de retorno até o Refúgio Canoas.

O percurso seria o mesmo que fizemos no primeiro dia, só que dessa vez era diferente, estávamos nos despedindo desse lugar fantástico e também era descida o que dava uma boa dose de motivação.

Descemos rápido, depois de quatro horas caminhando interruptamente chegamos ao Refúgio Canoas, carregamos os carros e começamos a nossa viagem de retorno até a serra gaúcha.

Durante o retorno eu era o motorista da rodada, enquanto meus parceiros de viagem dormiam profundamente no carro eu ficava pensando sobre os 3 dias que passei me aventurando na região do Campo dos Padres e nas Bordas do Cânion Espraiado.

Acredito sem dúvida que este foi um dos trekkings mais incríveis que fiz na região sul do Brasil, um lugar incrivelmente lindo, majestoso e único. Recomendo a todos os trilheiros apaixonados pela natureza a fazer esse percurso.

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