Trilhas de Nova Roma – CGCTM 2018

A pequena cidade de Nova Roma do Sul foi sede da 5ª Etapa do Campeonato Gaúcho Corrida Trilhas e Montanhas – Trilhas de Nova Roma, que ocorreu no último sábado (dia 15). A prova teve percursos de 7, 12 e 29 quilômetros de corrida em trilhas e montanhas.

O evento contou com a participação de mais de 600 atletas das mais variadas cidades do Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Escolhi (novamente) a distância longa nesta etapa e seus respectivos 29 quilômetros com 1.550 metros de altimetria acumulada.

Na época em que participava das Corridas de Aventura e Mountain Bike, treinei diversas vezes no interior da cidade de Nova Roma do Sul. Já havia passado de bicicleta por alguns pontos do percurso e sabia que o mesmo não seria nada fácil!

Na sexta-feira à noite resolvi postar esta foto nas redes sociais,

Trilhas de Nova Roma - CGCTM 2018

 

revelando alguns dos equipamentos que eu iria utilizar na prova. Dentre diversos comentários de boa prova, fiquei “assustada” quando li o comentário do amigo Odair Paravisi dizendo, “Esses bastões…acho que serão muito utilizados rsrs”. Vale lembrar que ele era um dos responsáveis pelo percurso desta quinta etapa.

Pensei que nada poderia ser pior do que a trilha da Lona Preta, a trilha do Beiço…nos 50 quilômetros do Trilhas do Morro Gaúcho (4ª Etapa do CGCTM). Ingênua eu…

Pontualmente às 13h30min foi dada a largada da distância longa. A previsão do tempo indicava muita chuva, mas o sol e calor era quem estava marcando presença do início ao fim da prova!

Trilhas de Nova Roma - CGCTM 2018
Créditos: Clic Run

 

Os primeiros quilômetros foram de declive, a famosa estrada que liga Nova Roma do Sul à Nova Pádua (via balsa), ali corri alguns metros com as amigas Angela Nunes, Leonice, Rosana…foi por aí também que uma corredora ficou chateada comigo. Pisei em uma poça de lama e respingou barro nela! (risos)

Em seguida, saimos do estradão e adentramos na minha parte favorita, as trilhas e subidas! Dali em diante foi um eterno sobe e desce pelas montanhas e trilhas do interior de Nova Roma do Sul, percurso desafiador até para os atletas mais experientes.

Na infinita subida do Cachoeirão, confesso que senti saudade do Morro Gaúcho – risos! E entendi o porque do Odair, ter comentado que os “bastões seriam muito utlizados”!

Diferente do I Trilhas Nova Roma que ocorreu em outubro do ano passado, e teve muito estradão – em minha opinião. Sabádo o que não faltou foi trilhas, passamos em meio à plantação de cana, pequenos riachos, trechos de single-tracks, além é claro de pontos turísticos da cidade como a Gruta Fiorense.

Trilhas de Nova Roma - CGCTM 2018
Créditos: Clic Run

Unanimidade entre os participantes as belezas naturais de Nova Roma do Sul, como o Mirante Zanella (foto), cascatas, grutas e a rica flora e fauna, foram destaques da 5ª Etapa do CGCTM 2018 – Trilhas de Nova Roma, além da perfeita organização do evento através da L & E Eventos Marketing Esportivo, Circuito Trilhas & Montanhas e Prefeitura de Nova Roma do Sul.

Trilhas de Nova Roma - CGCTM 2018
Créditos: Clic Run

 

Classificação da prova disponível em: 3ctiming

Cobertura fotográfica disponível em: Clicrun

Ainda esse ano mais duas etapas do Campeonato Gaúcho Corrida Trilhas e Montanhas estão com as inscrições abertas:

6ª Etapa – 20 de outubro – Trilhas Serra Grande – Igrejinha/RS

7ª Etapa – 24 de novembro – Cascatas e Montanhas – Rolante/RS

Maiores informações em: Youmovin

Galerias férreas abandonadas

Na Serra Gaúcha, mais precisamente nos municípios de Barão, São Pedro da Serra e Salvador do Sul no vale do Caí, estado do Rio Grande do Sul, existem lugares pouco conhecidos, perdidos em meio a mata e galerias que contam a história de parte das ferrovias que existiam no Sul do Brasil. E que a partir da década de setenta viu a sua maior decadência com o abandono da malha ferroviária e extinção de ramais.

Este foi o caso da linha que antigamente conectava Porto Alegre a Caxias do Sul, quando aberta em 1909, passava de Montenegro a parte alta da Serra pelos municípios de Maratá, Salvador do Sul, São Pedro da Serra e Barão chegando a Carlos Barbosa, onde hoje é a estação da Maria Fumaça. Porém nesta parte os trilhos seguem existentes até Caxias do Sul, no entanto se encontram totalmente abandonados e deteriorados em meio a vegetação.

Com a extinção do ramal Montenegro a Carlos Barbosa, muito se perdeu. Porém aterros e cortes em pedras da antiga ferrovia seguem abandonados em meio a vegetação. Com a criação de grandes aterros para passagem da ferrovia nesta região de serra era necessário uma infraestrutura de drenagem de água e muros para a contenção da base. Diferente de hoje, com o largo uso de concreto, pontes e túneis mais elaborados, se utilizava como matéria-prima principalmente rochas, por sua abundância e custo baixo.

Galerias férreas abandonadas
Acervo Renan C. Mancuso. (Família Mancuso)

Construção de galeria fluvial da ferrovia por volta de 1904 a 1908

O interessante sobre as galerias é que cada uma que se encontra abaixo do caminho da antiga ferrovia apresenta características únicas, todas foram projetadas conforme a necessidade para a ferrovia em diferentes terrenos.

Nós do Trekking RS, mapeamos os principais pontos para se aventurar por trilhas que te levam até estes lugares.

Galerias férreas abandonadas
Principais pontos (Google Earth PRO)

Em vermelho o antigo trajeto da Ferrovia, pin’s verdes (principais pontos para se visitar).

Desta forma pode-se dividir em três principais trajetos que se pode percorrer para seu Hike (Caminhada):

Galerias de São Pedro da Serra e Barão/RS – Brasil

Caminho por estrada de chão a partir da rótula de acesso ao município de São Pedro da Serra na BR-470, esta estrada segue o antigo trajeto da ferrovia onde se encontram várias galerias, pode-se destacar duas de tamanho médio e três de grande porte entre outras de menor relevância.

Primeira galeria considerada de médio porte neste trajeto possui um lado que se encontra fechado por pedras que desceram da parte superior da montanha. Portanto nesta galeria se deve descer um vale íngreme até a parte inferior.

Galerias férreas abandonadas

Esta é a galeria de maior porte neste trajeto, para acessar você deve entrar na parte superior e sairá em um gigante muro de contenção que te deixará realmente impressionado.

Galerias férreas abandonadas

Logo após a grande galeria  existe outra que também é de grande porte, batizada como “galeria da Catedral” possui um sequencia de três arcos internos em diferentes níveis, que dão a impressão de um grande vão devido ao desnível acentuado de um lado a outro desta galeria.

Galerias férreas abandonadas

Mais informação deste caminho no vídeo:

Galerias próximas ao centro de Salvador do Sul/RS – Brasil

Neste trajeto curto você encontrará galerias próximas ao bairro liberdade todas muito próximas uma da outra, uma de grande porte e duas de porte médio.

Galerias férreas abandonadas

Galerias férreas abandonadas

Galerias férreas abandonadas
Aterro

Logo saindo da BR-470 a caminho da fenda, existe um aterro onde abaixo se encontra uma galeria muito seca e limpa.

Galerias férreas abandonadas

Galerias férreas abandonadas
Data de construção 1904

Galeria de médio porte com data de construção 1904 na pedra central. Se encontra a esquerda logo após a fenda talhada em rocha onde passava a ferrovia.

Caminho mapeado deste trajeto:

Desenvolvido por Wikiloc

Para mais informação desta trilha você encontrará no vídeo abaixo:

Galerias de Linha Bonita, próximas ao Túnel Ferroviário.

O Túnel de Linha Bonita em Salvador do Sul/RS – Brasil foi inaugurado no ano de 1909, possui 93 metros de comprimento, 5,70 metros de altura e 4,10 de largura, além do formato curvilíneo, expressão de uma arquitetura especial, única do gênero na América Latina.

Galerias férreas abandonadas

Galerias férreas abandonadas

Em cada lado das saídas deste túnel existem dois grandes aterros onde em um deles até é possível a prática de Rappel.

Já seguindo o caminho da ferrovia sentido sul, pela Rota Stein existe uma trilha em boas condições de 5 km pelo antigo traçado da ferrovia onde pode-se encontrar outras duas galerias de porte médio. Esta trilha está bem marcada pois ali também é utilizada para veículos off-road, assim que não apresenta desníveis elevados sendo uma caminhada de nível fácil.

Galerias férreas abandonadas

Morro Gaúcho a prova mais bruta

Arroio do Meio foi a sede da 4ª Etapa do Campeonato Gaúcho Corrida Trilhas e Montanhas – Trilhas do Morro Gaúcho/RS, que ocorreu no último sábado (dia 28). A prova teve percursos de 5.5, 17, 32 (2 pontos ITRA)* e 50 quilômetros (3 pontos ITRA)* de corrida em trilhas e montanhas.

*Trilhas do Morro Gaúcho, foi uma das primeiras provas do Rio Grande do Sul a pontuar pelo ITRA.

O evento contou com a participação de mais de 800 atletas, vindos de diversas cidades do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro, São Paulo e até Uruguai.

Quando comecei a correr, sempre achei fascinantes as longas distâncias. Na época, achava que o máximo que eu conseguiria chegar era uma meia maratona. Bobinha eu…

Um ano de corrida fiz minha primeira prova de montanha, e foi amor à primeira vista. Me apaixonei pela dificuldade do percurso e pelo visual, que transformavam a corrida em algo muito mais significativo pra mim do que simplesmente bater um tempo específico.

Estudando sobre, comecei a me familiarizar com as ultramaratonas e vi que era ali que meu desafio estava. Na época, o máximo que eu tinha corrido era a Maratona do Vinho 2018, cinco meses depois da minha primeira maratona, fui para os 50 km do Trilhas do Morro Gaúcho.

Morro Gaúcho a prova mais bruta
Morro Gaúcho – Créditos: ClicRun

O treinamento foi puxado! Longos que eu nunca tinha feito na vida, percursos, trilhas e montanhas que eu fazia pedalando passei a fazer correndo. Restrições alimentares, musculação, pilates…

A largada da ultramaratona mais “bruta” (difícil) do Rio Grande do Sul, foi às 7 horas da manhã, a prova tinha mais de 2.600 metros de altimetria acumulada. No Km 45 haveria um ponto de corte para os atletas que passassem por ali após às 16h30min. O tempo limite para completar o percurso eram 10 horas.

Minha estratégia: subir tranquila, descer forte e correr/trotar no plano.

Minha meta: completar a prova do Morro Gaúcho

A prova:

A maioria das subidas eram em caminho para apenas uma pessoa (single track, como dizem), muito difíceis. Sofri! Aliás, todo mundo sofreu! E as descidas íngremes, com muito barro, como se fosse sabão em um piso molhado. Ainda bem que corri com os bastões e pude descer várias delas “esquiando”!

Ahh…e as partes planas eram assim, mais barro, água e trilhas!

Morro Gaúcho a prova mais bruta
Morro Gaúcho – Créditos: ClicRun

Nos quilômetros iniciais estava correndo junto com a Saionara e a Edinéia (campeã e terceira colocada geral, respectivamente). Mas aí lembrei que era minha primeira ultramaratona e não queria “quebrar”.

Baixei o ritmo e fui seguindo…

Fui tranquila até o Km 22, onde encontrei a Magda Chagas e o Duda Piras no (segundo) ponto de hidratação. Parei alguns minutinhos para comer algo e dar umas risadas com a dupla.

Quando estava saindo a Magda disse:

– Daqui até o próximo ponto de hidratação (Km 35) vai ser puxado também!

Analisei rapidamente o gráfico de altimetria e certamente não seria nada fácil os próximos quilômetros. Por sorte fiz um amigo uruguaio, que foi comigo até o Km 29 (aproximadamente), me apoiando e incentivando, sem ele seria muito mais difícil.

No Km 35 reencontrei a Magda e o Duda no então, terceiro ponto de abastecimento. Ali eu já não estava mais tão “feliz” o sono e uma leve dor nas panturrilhas estavam começando a me castigar. Mas aquela altura não poderia desistir da prova.

Lembrei dos últimos meses, do quanto foi árduo conciliar o trabalho, faculdade…casa e muitos treinos. Levantei e comecei novamente, animada, mas cansada, as pernas já não eram mais as mesmas, a cabeça parecia uma locadora de vídeos, a cada trilha um filme diferente, isso quando não rodava uns dois ou três filmes ao mesmo tempo. Segui firme, subindo forte as montanhas, e algumas poucas vezes, um trote nas descidas.

Lá pelo Km 36 encontrei a curitibana Christiane, ela estava um pouco enjoada e fraca, ofereci a minha Coca-Cola à ela, conversamos um pouco e seguimos as escaladas. Mas tinha uma coisa que não saia da minha cabeça: a Trilha do Beiço! Ouvi horrores sobre ela, em que quilômetro ela estaria?!

Hora eu puxava a Christiane, hora ela me puxava…não lembro ao certo em que Km eu acabei me afastando dela e cheguei na temida Trilha do Beiço. Tive o privilégio de fazer o seu percurso na parceria do Nédson do Canal 100 Fôlego e lá no finalzinho saber o porquê de “Trilha do Beiço”!

Após caminhadas, escaladas e pequenas pausas para ao menos respirar, vencemos a Trilha do Beiço…Que alívio! Segui com o Nédson por mais alguns trechos até a trilha da descida da cachoeira (não lembro o nome dela, rs) ali a Christiane conseguiu nos alcançar. Fiquei aliviada quando a vi, pois sabia que não estava bem.

Novamente seguimos juntas, era incrível nossa sintonia. Parecia que éramos amigas de longa data!

Achei que a Trilha da Lona Preta era difícil, depois vi que a do Beiço era muito pior…Mas o que era aquela escalada com cordas na cachoeira?! Rs Aquilo me lembrou o tempo em que fazia corrida de aventura.

Não sei como, de que forma…saímos correndo – ou melhor tentando correr – após a escalada, com receio de levar o corte no Km 45. Dessa vez a Christiane puxava. Em certos pontos ouvíamos música lá longe…no local da largada/chegada e aquilo era muito motivador.

Para minha surpresa, chegando no Km 44 encontrei a Analucia, naquele momento o cansaço foi embora e uma alegria imensa tomou conta de mim. Conheci Ana a alguns meses atrás na primeira etapa do CGCTM em Farroupilha e desde então sempre nos ajudamos nas provas. E ali, não podia ser diferente…

Paramos no km 45 que era o último ponto de abastecimento e também ponto de corte, o staff Leonardo nos informou que os últimos 5 km da prova haviam sido cancelados para a segurança dos atletas. Então nos restavam somente mais uns 700 metros até a tão sonhada linha de chegada.

Morro Gaúcho a prova mais bruta
Morro Gaúcho – Créditos: ClicRun

Seguimos juntas eu e Ana, esses últimos metros que na verdade pareciam quilômetros. E cruzamos quase juntas a linha de chegada, que na verdade é um marco que vai muito além da medida de tempo registrada entre a sirene da largada e a última passada. Suor, esforço, sacrifício, dor, renúncias, dedicação, comprometimento, amor e paixão são alguns de seus sinônimos.

Christiane a curitibana que correu comigo alguns quilômetros e conclui a prova alguns minutinhos na minha frente, me aguardava após a linha de chegada. Sorridente e “ultrafeliz” com nossas conquistas. Lá também estavam tantos outros amigos que fiz durante o percurso.

Na minha estreia em ultramaratona, o pórtico de chegada foi a visão mais desejada durante o percurso de aproximadamente 50 Km com mais de 2.600m de altimetria acumulada, ele é na verdade, a concretização de todo um processo que vai do início da preparação à realização de um sonho. É o registro de um momento cuja lembrança irá transcender por anos a fio.

Mas não estive sozinha nesta recente trajetória de corredora. Desde muito antes do Trilhas do Morro Gaúcho, tive ao meu lado grandes apoiadores: CURTLO BR, Patos do Sul, Casa Natural Serra, Academia Performance Fitness e Vera Bike. Que sempre me incentivaram a ser exatamente quem eu sou, fazer o que me faz feliz e não ter medo de sonhar.

Trilhas do Morro Gaúcho, foi mais uma grande etapa do Campeonato Gaúcho Corrida Trilhas e Montanhas, graças ao profissionalismo das equipes da L&E Eventos, Brutus do Gaúcho, ClicRun, 3cTiming e Youmovin que fizeram um evento impecável em todos os sentidos.

A paixão por ultramaratona

O que leva uma pessoa a se apaixonar por ultramaratona?

Eu comecei a correr na vida lá por 2015 e foi naquele ano que conheci (virtualmente) a Andréa Vidal, e me encantei com aquela mineirinha sempre simpática e sorridente. Suas descrições das provas, as sensações, tudo que sentiu e viu…era simplesmente incrível e incentivador.

A paixão por ultramaratona Andréa Vidal
Foto: Rita Oliveira

Sempre foi linda e mágica, sua felicidade sempre estampada na cara, sorriso de orelha a orelha, a medalha no pescoço e orgulhosa de si mesma a cada conquista. Isso era radiante!

Andréa Vidal é advogada e mineira de Belo Horizonte, corre há 22 anos. Começou a correr em 1996, por causa do seu namorado (hoje marido) Francisco Ottoni.

“Encontrei com ele correndo com uma moça bonita e pensei ‘ se ele quer companhia vou correr também. ’ Depois descobri que a moça era prima! Mas gostei e continuei correr desde então.” relembra Andréa.

Quando iniciou no mundo das corridas, jamais almejou participar das maiores e mais difíceis ultramaratonas do mundo.

“Quando comecei só queria correr 6 Km (risos), achava ótimo. Depois aumentei para 10 Km, 16 Km e finalmente 21 Km, no qual fiquei durante um bom tempo. Somente em 2012, resolvi fazer a minha primeira maratona. Em 2014 fiz minha primeira Ultramaratona, a Comrades. Depois dessa não parei mais!”

A paixão por ultramaratona Andréa Vidal
Foto: acervo pessoal

Recentemente Andréa participou da Western States Endurance Run 100 Miles, que ocorreu no dia 23 de junho na Califórnia nos Estados Unidos. Essa prova é a ultramaratona de 100 milhas mais antiga do mundo e atrai atletas do mundo inteiro para correr seus 160 Km com 6 mil metros de ascensão e 8 mil de descidas.

“A Western States é sonho do meu marido, ouvi ele conversando com um amigo sobre a prova e falei que ia me inscrever e que seria sorteada. E aconteceu, fui de primeira, tinha 2,5% de chance. Só depois de ser sorteada comecei a ver vídeos sobre a corrida e tive noção da grandeza dessa prova.”

A paixão por ultramaratona Andréa Vidal
Foto: acervo pessoal

Vale lembrar que Andréa é oficialmente a primeira brasileira a completar a prova. A Western States também foi a maior prova dela, até então a sua maior tinha sido os 120 Km do UTMB.

Além da distância e grande altimetria, a corredora afirma que a Western é uma prova muito dura pelo calor.

“Muita gente passa mal, e esse ano bateu recorde de temperatura, é um calor de deserto, muito seco. A largada foi às 5 horas da manhã em Squaw Valley, uma cidade no alto das montanhas, bem fresca. Mas a partir das 10 horas, começa a esquentar. O pior pedaço são os Canyons, um calor terrível. Começa a melhorar quando anoitece que é somente às 20 h 30 min da noite.”

A paixão por ultramaratona Andréa Vidal

A partir do Km 89, podia ter pacer. Desse ponto em diante Francisco Ottoni, correu com Andréa até o final. “Foram cerca de 70 Km juntos, ele me puxando, me dando forças…foi incrível!”

A paixão por ultramaratona Andréa Vidal

Veja aqui um vídeo emocionante sobre a participação de Andréa na Western States.

Com um extenso currículo de provas, a corredora elencou as três mais especiais para ela.

Primeira – Maratona de New York.

A paixão por ultramaratona Andréa Vidal
Foto: acervo pessoal

“Sempre fui apaixonada por aquela cidade, era meu sonho correr lá e foi sensacional!”

Segunda – Comrades (África do Sul)

A paixão por ultramaratona Andréa Vidal
Foto: acervo pessoal

“Minha primeira ultramaratona (89 Km). É uma prova com uma energia inexplicável!”

Terceira – Western States

A paixão por ultramaratona Andréa Vidal
Foto: acervo pessoal

“Minhas primeiras 100 milhas. Vai ficar marcada para sempre!”

Andréa não pretende parar tão cedo, ainda este ano tem mais duas importantes provas. A CCC prova de 100 Km do UTMB e os 65 Km da Ultra Trail Cape Town!

“Agradeço ao meu marido Francisco Ottoni, que me coloca nas maiores furadas de corrida, mas que eu adoro. Não poderia ter companheiro melhor!”

A paixão por ultramaratona Andréa Vidal

Com o passar do tempo à corrida se torna realmente um vício, queremos correr mais, mais rápido, e, conforme vamos ganhando maturidade na quilometragem escolhida, achamos que o desafio pode ser ainda maior.

Por um tempo, você se desafia a correr mais rápido, a melhorar seu pace médio e a sempre bater o recorde pessoal ou o tempo de um amigo próximo. Correr é viciante, libera endorfina, serotonina, alegria, mexe com a sensibilidade da pele, do olfato, do paladar, com sua circulação sanguínea. A corrida te embeleza por dentro e por fora.

Bota Salomon X Ultra Trek GTX W

Hoje venho apresentar a vocês um dos calçados mais robustos da marca francesa Salomon, a Bota X Ultra Trek GTX W é um calçado destinado para atividades de hiking (caminhas leves), Trekking (caminhas longas por vários dias na natureza), podendo ser usada na neve ou não.

O modelo avaliado aqui é feminino, pois a aqui no Brasil os representantes da marca, não estão mais fornecendo a numeração 38 para o público masculino.

A bota X Ultra Trek GTX W  é composta por 45,9 % em couro, 38,4% em couro sintético e 15,7 de tecido isso garante a ela ser uma das botas mais leves do mercado outdoor com 1060 gramas o par aproximadamente.

Bota Salomon X Ultra Trek GTX W

Tecnologias empregadas

Goretex é uma das melhores membranas impermeáveis e respiráveis do mundo, ela faz o trabalho mais difícil dentro do calçado impedindo a água de entrar no interior da bota e retira o suor gerado pelo aquecimento dos seus pés.

Entenda melhor:

Imagine a membrana Goretex como uma peneira, com inúmeros orifícios, estes são menores que uma gotícula de água, dessa maneira a água não entra para o interior do calçado e possibilita a retirada do suor.

Bota Salomon X Ultra Trek GTX W
Trilha do Canto da Lagoa/SC

Ortholite está presente nas palmilhas, esta é fabricada em espuma específica com EVA, tem a função de proporcionar um ambiente seco e saudável para seus pés. Além disso a palmilha se mantem resistente com o passar dos anos, sem ao menos se deformar.

Advanced Chassis está presente entre a sola e a palmilha da bota X Ultra Trek GTX W, tem como principal função de maximizar o controle de movimentos e ajudar na tomada de impulsos durante as trilhas, além disso ainda aumenta a estabilidade e eficiência em cada pisada. Em outras palavras este chassis faz com que seu pé se comporte de maneira correta e evita que você pise de maneira errada, aumentando a vida útil do solado e fazendo com que o desgaste seja de forma padrão.

O Solado Contagrip, produzido pela Michelin, é um dos mais duráveis disponíveis hoje no mercado. Com no mínimo 800km de vida útil, o Contagrip foi projetado à partir de várias combinações diferentes de dureza, oferecendo a perfeita aderência e durabilidade para cobrir terrenos mistos. Projetado especificamente para terrenos desnivelados estes solados são testados em campo e os resultados satisfazem até o mais exigente dos aventureiros.

Bota Salomon X Ultra Trek GTX W

Essa bota possui o cano mais alto do que a maioria dos modelos da Salomon.

Avaliação completa:

Já se foram seis meses aproximadamente de testes com a bota X Ultra Trek GTX W Salomon, testamos ela na areia, praias e por muitas trilhas na grande Florianópolis/SC, usamos também em inúmeras trilhas aqui na serra gaúcha e algumas travessias de trekking pelo Cânion Espraiado. Já percorremos desde então uns 300 km aproximadamente.

Geralmente caminhar em regiões de cânions é um misto de aventuras, pois na grande maioria dos cânions do sul do brasil possui uma vegetação rasteira conhecida como “turfeiras” estas são sempre encharcadas. Durante a nossa travessia de 4 dias no Campo dos Padres e Cânion Espraiado a bota se manteve seca na parte interna, atravessamos mais de 20 km sobre turfeiras, poças de lama e riachos, e nenhuma gota de água entrou.

Bota Salomon X Ultra Trek GTX W
Cânion Espraiado/SC

O que geralmente acontece quando usamos botas com membrana impermeável/respirável Goretex, conforme for a temperatura no local, somando a quantidade de horas de caminhada, os pés incham e suam um pouco, mas nada em exagero.

Bota Salomon X Ultra Trek GTX W
Morro do Lampião/SC

Quando for adquirir um calçado para trilhas, lembre-se de sempre usar um número maior que o habitual, dessa maneira você sentirá mais conforto nas trilhas, principalmente nas subidas e descidas íngremes.

Um dos inúmeros pontos positivos dessa bota, é o amortecimento de impactos, quando estamos usando mochilas cargueira, ela distribui muito bem o peso do corpo, os passadores dos cadarços são de metal, o que garantem melhor amarração, evitando assim que se soltem ou quebrem com o passar dos anos.

Bota Salomon X Ultra Trek GTX W

A bota X Ultra Trek GTX W Salomon é muito leve, confortável e robusta, possui boa estrutura no calcanhar, nas laterais e na biqueira que impedem que você venha torcer o calcanhar durante alguma atividade esportiva.

Bota Salomon X Ultra Trek GTX W

Bota Salomon X Ultra Trek GTX W

Bota Salomon X Ultra Trek GTX W

O único ponto negativo que encontramos nesse modelo, é o seu alto valor de mercado, cerca de R$ 1.399,00 isso conforme for a variação do dólar, pois sabemos que o modelo é importado da França.

Caso você queira adquirir este modelo de bota, entre em contato com a nossa loja parceira Patos do Sul, localizada na cidade de Caxias do Sul/RS – Brasil. Nosso querido público leitor tem descontos especiais na loja, para ganhar este desconto, você só precisa nos encaminhar um e-mail para luis@trekkingrs.com .

Bota Salomon X Ultra Trek GTX W

Desafio dos Rochas 2018

Pomerode conhecida como a cidade mais alemã do Brasil foi palco (mais uma vez) do Desafio dos Rochas que ocorreu nos dias 21 e 22 de abril e reuniu 1.150 ciclistas de 10 estados brasileiros e de 3 países Uruguai, Portugal e Canadá.

Desafio dos Rochas 2018
Foto: Monique Renne

A prova foi dividida em 3 circuitos:

  • Pró – 98,6 Km com 3.000 m de altimetria (aproximadamente) e 6 trilhas;
  • Sport – 64 Km com 1.400 m de altimetria (aproximadamente) e 5 trilhas; e
  • Amador – 31,8 Km com 560 m de altimetria (aproximadamente) e 1 trilha.

No Desafio dos Rochas, são testados todos os teus limites físicos e psicológicos. Os atletas enfrentaram trilhas técnicas, descidas e subidas íngremes, sol escaldante, empurra bike – variando conforme o preparo físico do ciclista…entre outros obstáculos. O evento é considerado uma das provas de Mountain Bike mais difíceis do Brasil.

Desafio dos Rochas 2018
Foto: Cesar Delong I Pedal

A prova é planejada com muita atenção e carinho por toda família Rocha e comunidade de Pomerode. “Muitos amigos adotaram o evento como seu, algo incrível. Todos se uniram em prol de fazer um grande evento que já não é mais só da família Rocha, mas sim feito por uma comunidade apaixonada em receber a todos em sua grande casa chamada Pomerode.” destaca José Carlos, membro da família Rocha.

Desafio dos Rochas 2018
Foto: Cesar Delong I Pedal

Ao final de cada edição do Desafio dos Rochas a organização se atem a ouvir as sugestões/dicas dos ciclistas para as próximas edições. Ano passado, infelizmente o clima (chuva) deixou algumas trilhas muito técnicas e diversos trechos viraram empurra bike. Independentemente do clima algumas trilhas estavam difíceis até para os atletas da elite.

Nesse ano os circuitos foram remodelados e novas trilhas surgiram. Diferente da edição anterior as trilhas estavam muito mais limpas e fluídas, deixando a prova mais rápida segundo o feedback  de diversos atletas.

Desafio dos Rochas 2018
Foto: Cesar Delong I Pedal

Outra grande modificação foi trazer à prova de volta para o Teatro Municipal de Pomerode no centro da cidade. Isso agradou muito os atletas e seus familiares que puderam curtir muito mais a cidade mais alemã do Brasil.

Além de todos os atrativos da cidade e do evento, ao longo do final de semana o público pode participar de diversos bate-papos e whorkshops com grandes atletas como Lucio Otávio (Audax Team), Francisco Rotta Muller, Luana Machado, entre outros.

Desafio dos Rochas 2018
Foto: Cesar Delong I Pedal

“É recompensador ver a quantidade de novos amigos que criamos nesta jornada, ver como a cidade e comunidade tem aceitado o evento e os ciclistas, ver as famílias unidas no evento. Levar um pouco da nossa tradição alemã para os vários cantos do Brasil e poder mostrar as belezas escondidas da nossa cidade para o Brasil e o mundo.” Porém, José Carlos Rocha ressalta que tudo isso só é possível graças a ajuda de parceiros que acreditam no evento, a família e amigos que se unirão para fazer deste um grande evento.

No link abaixo um pouco do que rolou no 6º Desafio dos Rochas, produção de Root Rider TV.

Pico Paraná

O Pico Paraná, localizado no município de Antonina, pertencente ao conjunto de serra chamado Ibitiraquire, que na língua tupi significa “serra verde”. Imponente e desafiador, destaca-se do alto dos seus 1.877 metros de altura, como a montanha mais alta da Região Sul do Brasil. É assim, um convite irresistível à aventura para todos que curtem montanhismo.

trekking Pico Paraná
O gigante

Já fazia um bom tempo em que o PP (Pico Paraná) era mencionado nas conversar casuais da trupe, como uma trilha indispensável para o nosso álbum de recordações, sendo que ao menos duas vezes no ano passado, tentamos organizar a missão e em ambas, as previsões climáticas fazia com que fossemos obrigados a cancelar a missão quase encima da hora.

Só agora, em 2018, após uma conversa com meus  brothers de perrengues, Bruno e Filipe, decidimos novamente escolher uma data para subir o Pico Paraná.  Com o cuidado de não pegar um final de semana,  nosso plano era ter a trilha o mais vazia de gente possível, para assim termos uma experiência mais intensa com a montanha. Foi então que Filipe comentou que no dia 23 de março, uma sexta-feira, seria feriado por conta do aniversário de Floripa. De pronto batemos o martelo e definimos que nossa investida ao Pico Paraná iniciaria na sexta-feira, dia 23 e terminaria no sábado, dia 24, evitando assim, o movimento intenso que é normal na trilha durante os finais de semana.  Plano perfeito!  Bastava apenas monitorar o clima na montanha para termos o sinal verde.

Quinta-feira, dia 22, previsão de tempo firme para a sexta e alguma chuva fraca no fim de tarde de sábado, era este o nosso sinal verde. Tratei de jogar os equipamentos todos na cargueira e com uma carona providencial de uma amiga, rumei para pernoitar na casa do Filipe em Floripa, de onde, às 05 h 30 min da madruga,  a trupe pegaria estrada rumo ao Pico Paraná, distante aproximadamente 350 km para serem percorridos em pouco mais de 4 horas de viagem.

Primeiro dia:

Conforme programado, antes do sol nascer, já estávamos na estrada, levando café na térmica para evitar o sono e também aquelas paradas desnecessárias que sempre consomem tempo, pois todos estavam cientes que precisávamos estar no cume ou perto dele antes do sol ir embora.  Com muita conversa e risadas, quase nem vimos o tempo passar e com tranquilidade, antes das 10 h da manhã, já nos encontrávamos dentro da Fazenda Pico Paraná, ponto zero de nossa pequena aventura.

A previsão de tempo para completar a trilha até o acampamento A2, carregando cargueiras, fica por volta de 6 horas de pernada morro acima, e para chegar ao cume é necessário mais uma hora.

A trilha, já de inicio, começa numa subida boa para aquecer as panturrilhas, o que dava uma pista que ali não era o “Beto Carrero”… kkk No começo, o que se vê é uma trilha normal, bem aberta e sem obstáculos, mas na medida em que fomos subindo, aos poucos começam a aparecer degraus de pedras e raízes de tamanhos variados. Gradativamente os obstáculos se multiplicam e se tornam cada vez maiores. Uma diversão para quem está bem preparado e, obviamente, um perrengue para quem não está.  Já fizeram le parkour com uma cargueira nas costas?

trekking Pico Paraná
Trecho de trilha fechada.

A trilha segue sempre bem marcada e com bastante sinalização de fitas brancas, com pouquíssimos pontos que exijam maior atenção ä navegação. De qualquer maneira, é sempre recomendável ir com alguém que tenha experiência e/ou conheça bem a região.

Água não é um problema, com um bom estudo de relatos da trilha, e uma programação simples, chega-se ao topo sem a preocupação de ficar com o bico seco.

Nosso plano inicial era subir direto, alcançar o cume e acampar por lá se o tempo estivesse firme e antes do escurecer. No entanto, a turma sentiu o desgaste causado pela noite de sono curta, as horas de estrada, e somado a estas coisas, a subida forte… Após os paredões que possuem grampos e cordas, já bem próximos do acampamento A2, Filipe começou a sentir câimbras fortes nas pernas. Com isso, diminuímos um pouco o ritmo e ao chegamos no A2, Filipe, já bem cansando e sentindo  câimbras, informou que ali era o fim da linha para ele neste primeiro dia. Numa conversa rápida, definimos montar o acampamento ali mesmo, no esquema “ninguém fica para trás”. Ainda durante a conversa, eu e Bruno, inicialmente, estávamos decididos a continuar a trilha num ataque até o cume, pois eram apenas 17 horas, aproximadamente, e o sol só iria embora lá pelas 18h20min. Daria tempo de subir, assistir ao pôr do sol e descer no escuro até o acampamento. Mas se assim fosse, o Filipe ficaria de fora, então mudamos o plano e decidimos acordar na madrugada do dia seguinte e fazer o ataque ao cume ainda no escuro para pegar o sol nascendo lá no alto.

Colocamos em prática o nosso plano B. Com tranquilidade tratamos de escolher um lugar bom para montar o acampamento, e enquanto a turma armava as barracas, fui buscar água para preparamos o jantar, na única e última nascente, que fica numa pequena trilha de uns 80 metros (bem chatinha), ao lado das ruínas da casa de pedra.

trekking Pico Paraná
Acampamento A2

O clima estava perfeito, embora abaixo de nós, o que se via era um enorme mar de nuvens cobrindo tudo, deixando visíveis, apenas os demais picos próximos. Nada de vento.

Fizemos nosso jantar, jogamos conversa fora, e sem muita enrolação, nos entocamos dentro das barracas para descansar os esqueletos castigados pela subida e colocar o sono em dia.

Durante a madrugada, que não foi fria, lembro que acordei com duas pancadas leves de chuva, que me fizeram lembra que a previsão para o dia seguinte era de chuva na tarde… Fiquei um pouco preocupado com a possibilidade de o clima estar mudando antes das previsões, mas não perdi o sono não… Kkkk Voltei dormir rapidinho.

Dados do primeiro dia:

Distância percorrida: 7,6 kms

Tempo na trilha: 7 horas

Acúmulo de subida: 1011m

Acúmulo de descida: 348m

Altimetria Pico Paraná

 

Segundo dia:

Cinco e meia da madrugada, toca o despertador e de pronto, tratei de me mexer. Abri a porta da barraca para dar uma olhada no céu e vi estrelas. Era um bom sinal, depois da chuva que rolou durante a noite.

Chamei a turma e apenas o Bruno se prontificou em fazer o ataque até o pico. Vesti meu anorak, bebi um pouco de água, coloquei uma maçã na boca, a headlamp na cabeça e, junto com o Bruno, começamos a trilha. Ainda que visualmente, o pico estivesse bem próximo, leva por volta de uma hora para alcançar o cume. Com a primeira claridade no horizonte rompendo a escuridão da madrugada, tocamos morro acima.  A trilha estava bem molhada, e como o trecho inicial é repleto de mato alto, inevitavelmente acabamos tão molhados que parecia que tínhamos tomado uma chuva na tampa… kkk

trekking Pico Paraná

trekking Pico Paraná

Após uma hora de subida com vários obstáculos, e também como não poderiam faltar, algumas escalaminhadas, o sol nos dava boas-vindas no cume do Pico Paraná. Olhando em 360 graus, não havia nada acima de nós além do sol e o céu azul. Abaixo, os picos próximos se destacavam parcialmente dentro de um mar branco de nuvens baixas. Nosso acampamento, um tanto distante, era apenas um pequeno ponto cor de laranja no meio do verde, bem abaixo de onde nos encontrávamos. Um visual alucinante!

trekking Pico Paraná
No ponto mais alto do sul do Brasil: Pico Paraná.

trekking Pico Paraná

Depois de curtir aquele momento mágico e registrar a passagem da trupe no livro de cume, começamos a descida até o acampamento para tomar café e desmontar o circo.

Não demorou muito e os primeiros trilheiros, passarem por nosso acampamento, munidos apenas de mochila de ataque, rumo ao cume.

Quando chegamos ao acampamento, Filipe nos aguardava com um fabuloso café da manhã… #sqn Diante desta falta lamentável, tratamos de fazer o café da manhã reforçado para recarregar as calorias, e assim, de barriguinha cheia, começar a longa descida até a Fazenda Pico Paraná.

Assim que terminamos de desmontar o acampamento e carregar as cargueiras, lembrei do momento em que, ainda em casa, deixei meu par de bastões de caminhada, por preguiça e crendo não serem necessários… Ainda bem que arrependimento não mata. Não é verdade?

Trekking Pico Paraná
Trupe Suricatos Hiperativos

Divagações e murmurações à parte, começamos nossa descida pouco depois das 10 horas da manhã, com sol e temperatura amena. Sem pressa, para poder aproveitar o visual e também tendo o cuidado que certos trechos da descida, seguíamos bem, anda que a descida, a meu ver, é sempre mais difícil que a subida.

Depois que descemos os dois lances de paredões com vias ferratas, começaram a aparecer grupos de trilheiros com suas cargueiras rumo ao alto da montanha.  Enquanto cruzávamos com a turma em sentido contrário, comentei com Bruno e Filipe, o quanto fomos felizes em ter feito a escolha da data da forma como se deu. Afinal, tudo indicava que o A2 e possivelmente o cume, ficariam lotados de barracas naquela noite de sábado. Certamente mais de vinte pessoas, em grupos diferentes.

A descida seguia tranquila e devagar no eterno superar de subir e descer pedras, raízes e troncos, até que num dos pontos de água, num pequeno córrego que cruza a trilha, algo aconteceu…

Como cheguei na frente da turma ao ponto de água, sentei num tronco com o córrego bem aos meus pés, para assim descansar um pouco, beber água tranquilamente e curtir a vibe daquele lugar bonito. Eu nem tinha terminado de tomar a primeira caneca de água, quando Filipe, se aproximou de mim para pegar água e arrumar um lugar para sentar, escorrega na laje molhada e caindo sem controle, bate forte com um dos braços na minha cabeça. Nada demais, uma pancada apenas, não fosse pelo fato de eu estar com os óculos na cabeça. A pancada forte fez com que a armação dos óculos fizesse um corte razoável em minha “linda careca” e rolasse uma sangueira no mesmo instante.  Uma pequena correria para avaliar o tamanho do corte e fazer um curativo para proteger o ferimento e tudo voltava a normalidade do que estava acontecendo até então. São bons esses óculos da Julbo não quebram e se precisar improvisar um canivete, pode contar com eles… kkk

Trekking Pico Paraná
Acidentes acontecem.

Após andar mais uma hora e pouco, a trilha começou a abrir, mostrando que já estávamos próximo do fim. Com sol forte na tampa, já cansados da descida de cinco horas, o trecho final parecia infinito, mas logo apareceu no visual a Fazenda e nos reanimamos para descer mais rápido.

Ao chegar à fazenda, tratamos rapidamente de tirar as botas e meias, e ficar descalços naquele gramado impecável.

Alguns rápidos minutos de relax na grama, organizamos a fila do banho e encomendamos alguns pastéis, que por sinal são muito bons, para fazer uma rápida confraternização, dar algumas risadas das coisas que aconteceram e por fim, pegar a estrada de volta para casa.

Trekking Pico Paraná
“A felicidade só é real quando compartilhada” by Alex Supertramp.

Dados do segundo dia:

Tempo na trilha (ataque cume): 1 hora, 12 minutos

Acúmulo de subida: 269 m

Acúmulo de descida: 25 m

Tempo total (ataque cume e descida até Fazenda PP): 9 horas, 44 minutos

Distância total percorrida: 8,9 kms

Acúmulo de subida: 599m

Acúmulo de descida: 1253m

Altimetria Pico Paraná

Dicas e recomendações:

– Fazenda Pico Paraná:

Gostamos e recomendamos, apesar de ter apenas um banheiro, o lugar é bastante bonito, bem cuidado e seguro para deixar o carro.

A dica aqui é deixar uma muda de roupa limpa, toalha e demais equipos de banho no carro, para na volta da montanha, resolver a questão da higiene pessoal e voltar para casa bonitos e cheirosos. 😉

A fazenda possui uma pequena cantina que serve deliciosos pasteis com refri e cerveja bem gelada.

Custo da entrada na fazenda em março de 2018: R$10,00

Mais informações: acesse aqui.

– Levar bastões de caminhada! Kkkk

– Faça uma boa previsão do tempo antes de subir para o PP, pois se pegar chuva lá no alto, a descida pode se tornar bastante perigosa.

O pôr do sol visto do Pico Paraná

Monte Roraima

O Monte Roraima atrai aventureiros, antropólogos, cientistas, biólogos, místicos e viajantes do mundo inteiro.

É um dos tepuis que formam o grande escudo das Guianas, ou Planalto das Guianas, localizado na tríplice fronteira entre Venezuela, Guiana e Brasil, com idade estimada em mais de 2 bilhões de anos.

Tepui é o nome dado às formações de topo plano e escarpas verticais e profundas que abundam nessa região.

Acredita-se que os tepuis tenham sido unidos a bilhões de anos atrás e a cisão deles tenha dado origem à bacia amazônica.

A expedição

Posso dizer que estive em outra dimensão nessa virada de ano… foram 10 dias de muita vivência, aprendizado, gratidão, reflexão, contemplação, conexão, emoção, energia, transformação… compartilhando e vivendo cada experiência!

Monte Roraima

1.º dia Monte Roraima – Brasil-Venezuela

A subida do Monte Roraima se dá pela Venezuela. Assim, antes de começar a caminhada, nos deslocamos de carro de Boa Vista até à Comunidade Pataitepuy.

Nosso grupo era formado por seis aventureiros: Kalhi, de Manaus, Juliana e Graci, de Boa Vista, Alex e Henry, de Curitiba, e eu, de Blumenau. Foi ótimo nosso entrosamento, tanto entre nós, quanto com nosso guia, Leo Tarolla, da Tarolla Tours e Brasil Norte Expedições e a equipe dele. Sensacional dividir esses dias com pessoas com as quais multiplicamos energia e conhecimento!

Depois de atravessar a fronteira, em Pacaraima, a primeira parada é em Santa Elena de Uairén, onde compramos moeda local – bolívar – e demos uma voltinha rápida pela cidade.

Monte Roraima

De lá, seguimos para nosso destino. A estrada até lá não deixa escolha para “sem emoção”… de terra, com muitos buracos e perais… a aventura é garantida! Como estava chovendo muito, a terra virou lama e nosso carro não conseguiu vencer a última subida antes de chegarmos. Tivemos que descer e seguir a pé até o local do nosso último pouso antes dos acampamentos.

Monte Roraima

A pousada estava sem energia e, assim, as lanternas e o banho gelado já entraram em cena um dia antes do previsto.

2.º dia Monte Roraima – Início da caminhada

Monte Roraima

Depois de um café da manhã com essa vista sensacional para os tepuis, fizemos o registro na entrada do Parque Nacional Canaima e começamos nossa caminhada. Seguimos por 15 quilômetros até o Rio Tek, onde fizemos a primeira travessia e seguimos por mais uns 2 quilômetros até o Rio Kukenan.

Quando avistei o Rio Kukenan com o Monte Roraima ao fundo fiquei de boca aberta, literalmente! Lindo demais!!!

Monte Roraima

Monte Roraima

Atravessamos e deixamos nossas coisas no acampamento pra tomar um banho no rio. Foi maravilhoso!!! O Leo (nosso guia) e eu descemos o rio um pouco nadando e um pouco como se fosse um bóia cross, mas sem bóia, claro… kkķkkk… piscinas fantásticas com vista para o Matawi e para o Roraima! Alguns ralados e machucados depois (hehe), voltamos para o acampamento para almoçar. Já eram umas 16h mais ou menos.

Mais tarde, o Alex, a Kalhi e eu saímos para um ataque na trilha em direção ao Monte Roraima. Ainda estava claro, mas a lua já estava linda! Curtimos o entardecer e voltamos para o acampamento. Acabei não resistindo a um banho noturno no rio Kukenan… maravilhoso! Depois nos reunimos todos, ficamos conversando e jantamos uma sopa de abóbora com orégano silvestre que colhemos na trilha.

3.º dia Monte Roraima – Rio Kukenan ao Acampamento Base

Arrumamos nossas coisas e saímos em direção ao pé do Monte Roraima. Foram 9 km com algumas subidas, mas ainda de trilha bem aberta.

11h da manhã já estávamos no acampamento base. Ficamos conversando um pouco e aí fui tomar banho de rio… água geladíssima da montanha: delícia!!! Depois almoçamos e estiquei um pouco as pernas na rede (obrigada pelo empréstimo @leotarolla hehe).

Monte Roraima

O tempo estava bem limpo anunciando que veríamos um pôr-do-sol arrasador… saímos caminhando procurando um bom lugar para contemplá-lo. Subimos um pequeno monte com pedras mais altas e decidimos que seria o melhor lugar. Mas, eis que no horizonte se formaram nuvens enormes e só vimos a chuva caindo mais ao longe, o que foi tão lindo quanto o pôr-do-sol que imaginamos… senão mais! De volta ao acampamento nosso guia nos esperava com um chocolate quente! Foi um dia bem tranquilo para nos prepararmos para o dia seguinte: dia de finalmente subir ao topo.

Monte Roraima

4.° dia Monte Roraima –  A subida

5h da manhã e o acampamento já estava movimentado… grupos fazendo café, desmontando acampamento, arrumando equipamentos. Chegou o tão esperado dia da subida ao topo!!! Logo de cara a subida é quase vertical, mas os degraus formados naturalmente tornam a subida menos árdua.

Monte Roraima

A trilha é lindíssima e cheia de energia! Quando chegamos no ponto tão próximo do paredão que é possível toca-lo, a emoção é inevitável!

Seguindo por mais algumas subidas chegamos ao mirante de onde se avista o “passo de lágrimas”, uma trilha estreita colada nos paredões do tepui, onde a água que cai do topo nos molha suavemente conforme o vento a faz dançar… A conexão nessa passagem foi absurda! O sentimento foi: “só de ter vindo até aqui já valeu tudo!”

Monte Roraima

Mas, ainda tínhamos mais subida pela frente. Mais um pouco de escalaminhada e chegamos ao topo! Nos abraçamos emocionados pela conquista… a impressão é de que entramos em outra dimensão… é diferente de tudo!!! Não tenho palavras pra descrever…

Monte Roraima

Paramos um pouco, mas logo a chuva e o frio nos fez voltar a caminhar até nosso refúgio, chamado “Filhos do Sol”, lugar deslumbrante e mágico!!! A chuva não parou mais. Ficamos no refúgio cuidando das bolhas, unhas, dores e machucados uns dos outros…hehe… No meu caso foi de um tombo na subida quando tentei subir numa pedra mais alta e acabei escorregando. Machuquei um pouco os braços, a perna direita e o rosto, mas só a mão direita que doía demais (ainda dói, aliás, hehe). Passei uma pomada anti-inflamatória, outra pra dor e por fim uma pomada pra cavalo… mas continuava doendo… Não me importei muito com a dor, mas com o fato de não ter força na mão… até pra abrir o zíper da barraca estava difícil. Só pensei: que seja só dor e que eu acorde bem amanhã!!!

5.° dia Monte Roraima – Começando a desbravar o Monte

Já saímos com as cargueiras porque depois seguiríamos para outro refúgio. Passamos por lugares lindíssimos… paisagens de tirar o fôlego!!!

Depois de mais algum tempo caminhando, chegamos ao nosso refúgio para a noite da virada. Incrustado num dos paredões do Roraima e próximo ao Vale dos Cristais e a um poço de água cristalina e gelada… simplesmente magnífico! Deixamos as cargueiras e saímos para conhecer o Vale dos Cristais e o Ponto da Tríplice Fronteira entre Venezuela, Guiana e Brasil.

Monte Roraima
Vale dos Cristais

Monte Roraima

Na volta, já tomei aquele banho no poço próximo ao acampamento e colocamos as espumantes lá pra gelar (sim, eu levei uma espumante na mochila desde Blumenau ;P).

Mais tarde saímos para ver um mirante com vista para o Roraiminha e para a floresta da parte baixa. Sensacional!!!

Monte Roraima

Voltando para o refúgio, quase na chegada, começou a chover. Já cheguei ensopada e corri pra colocar uma roupa seca. Pra minha alegria, o Leo nos serviu chá quente!!! Infelizmente a chuva não parou. Meu plano de ver estrelas cadentes na noite de réveillon foi adiado. Mas nada tirou a alegria da nossa noite … jantamos, brindamos e celebramos a virada com muita energia compartilhada!!! GRATIDÃO!!!

Monte Roraima

Monte Roraima

6.° dia Monte Roraima – A tão sonhada Proa?

Estava ansiosa por hoje… dia de ir para o Lago Gladys e para a Proa!!! Enfrentamos muita chuva e frio até chegar ao Lago Gladys, mas as paisagens, rios, plantas, pântanos, pedras e tudo mais que vimos no caminho valeu cada passo.

Monte Roraima

Monte Roraima

Chegamos ao lago, que estava totalmente encoberto. Mas, em menos de um minuto, o nevoeiro se dissipou e pudemos contemplar sua beleza. Mas ele é tímido… logo se cobriu novamente… foi o tempo de contemplar e tirar algumas fotos!

Monte Roraima
Lago Gladys

O frio era intenso naquela manhã. Seguimos em direção à Proa com muito vento e tempo bem fechado. Chegamos na descida do Vale. Montadas as cordas, o @leotarolla e o @alexandro.kenordasilva desceram. Ficamos na expectativa (tremendo de frio… Hehe). Voltaram com a triste notícia de que não conseguiríamos ir até à Proa… além de estar faltando uma chapeleta do outro lado do Vale, as condições climáticas eram péssimas. Infelizmente só nos restava pegar o caminho de volta para o refúgio. Paramos pra ver os destroços de um helicóptero da globo que caiu no Monte faz alguns anos. Na volta um bom banho bem gelado e uma surpresa deliciosa no acampamento: pipoca!

Monte Roraima

7.° dia Monte Roraima – Explorando o desconhecido

Mais um amanhecer com chuva no Monte Roraima… Nosso café da manhã teve a famosa arepa, uma espécie de pão de farinha de milho feito no fogareiro. Adorei!

Arrumamos nossas coisas e partimos de volta em direção ao refúgio “Filhos do Sol”. No caminho passamos novamente pelo Vale dos Cristais e pelo ponto tríplice. Depois avançamos para conhecer “el fosso”, um poço lindíssimo com uma cachoeira magnífica!

Monte Roraima
El Fosso

Pegamos chuva por todo o caminho. Chegamos ensopados e eu tremendo de frio… hehe. De repente, eis que apareceu o sol. Ainda molhada, arrumei minhas coisas e fui pro rio mais próximo tomar banho e lavar minha calça, meias e bota. Voltei para o refúgio e coloquei tudo no sol, inclusive eu, hehe…

Com o céu finalmente aberto, eu estava querendo muito ir pra alguma borda. Falei com o Enzo e ele disse que estávamos muito longe. Então, ele me levou para subir na formação que era o “teto” do nosso refúgio… a vista lá de cima é sensacional! Até passou a tristeza de não ir para as bordas.

Monte Roraima

Depois descemos para ir até um lago próximo e no caminho tivemos o privilégio de ver algumas flores raras e o sapinho negro endêmico do Monte Roraima (Oreophrynella quelchii).

Monte Roraima

De lá subimos em outra formação bem mais alta ainda não explorada, com direito à uma escalada sensacional !!! Como fomos os primeiros a conquistar aquele lugar incrível, fizemos um totem no topo e o batizamos. Dava até pra ver o Maverick (ponto mais alto do Monte Roraima) de lá, e também o nosso acampamento.

Monte Roraima

Descemos para ver o pôr-do-sol lá do refúgio, mas as nuvens voltaram a fechar o céu. Desci até o rio para buscar água pra mim e para as meninas. já estava bem frio nessa hora. Entrei na barraca pra escrever um pouco. Depois nos reunimos para jantar e conversar. E a chuva voltou!

8.° dia Monte Roraima – Energia Vital

Mais um amanhecer com chuva…

Saímos um pouco mais tarde na esperança de que a chuva parasse, mas, chovia e parava, chovia e parava o tempo todo… e o frio estava mais intenso! Passamos por outra área do Roraima com cristais espalhados por toda parte… conhecemos um grupo que estava acampado num refúgio próximo, conversamos um pouco e seguimos para um local de especial energia… quando estávamos bem próximos, as lágrimas brotaram… a energia transbordava… de dentro pra fora e de fora pra dentro. Que maravilhamento compartilhar dessa energia! Segundo nosso guia, estávamos num dos pontos de intersecção de energia do Universo.

Monte Roraima

Não queria mais sair dali, mas tínhamos que seguir…

Nosso objetivo: as jacuzzis e as ventanas! Fomos primeiro até às Ventanas. Queria muito ver as bordas, mas estava tudo encoberto… podíamos ver o vento trazendo a umidade pra cima. Estava muito frio!

Monte Roraima

Saímos em direção às jacuzzis e tivemos a graça do sol por alguns instantes. Eram as piscinas mais lindas que já vi… o banho foi irresistível! Por mais frio que esteja, não perca esse banho por nada!

Monte Roraima

Monte Roraima

Monte Roraima

De lá seguimos para o Maverick, o ponto mais alto do Monte Roraima (2.875m). A parte baixa estava encoberta, mas o topo estava aberto e pudemos ver quase todo o Roraima lá de cima… belíssimo!

Monte Roraima

Descemos em direção a uma das cavernas do Monte Roraima… é uma gruta incrível com muitos líquens de várias cores! Avançamos até uma galeria imensa onde apagamos as lanternas e ficamos alguns minutos na escuridão e no silêncio do lugar!

Monte Roraima

Monte Roraima

Quando saímos da gruta já estava bem mais frio. Seguimos até o acampamento contemplando o entardecer…

Monte Roraima

Coloquei uma roupa seca e sai pra ver as estrelas. Finalmente uma noite de céu limpo! Mas, como sempre, no Roraima o tempo muda o tempo todo e logo o céu se fechou novamente. Energizada pelo dia magnífico, nem senti fome e acabei não jantando aquela noite… antes de dormir dei mais uma espiadinha no céu, mas ele continuava escondido.

9.° dia Monte Roraima – Início da descida

Acordei umas 5h e pude sentir uma claridade vindo de fora da barraca. Abri rapidamente para espiar e lá estava ela… a lua… plena! Tirei algumas fotos da barraca mesmo, mas logo me troquei para sair e contemplar a lua e o nascer do sol. Foi espetacular!

Monte Roraima

Monte Roraima

Pena que era o dia de começar a descida. Tomamos café e saímos do nosso refúgio. Paramos em um mirante lindo onde pudemos contemplar um pouco das bordas antes das nuvens cobrirem tudo novamente. Começamos a descida. Fomos até o acampamento base onde paramos pra almoçar. O calor estava absurdo! Hora de seguir… Quando chegamos na travessia do Rio Kukenan, escorreguei numa das pedras e caí no rio, o que naquele calor foi ótimo, mas seguir toda molhada nem tanto… hehe… Depois de mais alguns quilômetros, chegamos no acampamento do Rio Tek para nossa última noite antes da caminhada final. Já estava anoitecendo, mas ainda fui pro rio tomar aquele banho! Até nadei um pouco. Voltei para o acampamento no escuro já. A noite estava linda demais! Nada de nuvens… só estrelas!

Pude finalmente ver uma estrela cadente! Ficamos admirando o céu por um tempo sem fim… até que começaram a diminuir seu brilho para dar lugar à luz da lua que se pré-anunciava por detrás do Monte Roraima. E ali ficamos esperando por ela. Nasceu linda, cheia, enorme e brilhante! Foi espetacular!

Jantamos e até tomamos cerveja que vendiam ali no acampamento. Cerveja quente, claro, mas lá isso não importa muito. A noite estava tão linda que não dava vontade de dormir, mas, no dia seguinte ainda teríamos um bom trecho pela frente.

10.º dia Monte Roraima – Hora de voltar

Estava muito difícil pra mim escrever sobre o 10.º dia. E agora sei o porquê. É como se escrever sobre o último dia fizesse encerrar o que eu não queria que acabasse… que foi a mesma sensação que tive durante todo o último dia da caminhada.

Amanheceu um dia lindo e bem quente desde cedo. Arrumamos nossas coisas, tomamos o café da manhã e partimos.

O Monte Roraima estava totalmente limpo… nada de nuvens, nem nevoeiro… juro que deu vontade de subi-lo novamente.

Monte Roraima

Com o calor intenso, pude ver vários calangos pelo caminho.

A cada passo o Monte Roraima ficava um pouco mais distante.

Chegamos na Comunidade Paraitepuy e logo nos reunimos com outros grupos… alguns chegando, outros indo embora como nós. Tanto a compartilhar!

Bebemos algumas merecidas cervejas venezuelanas (dessa vez geladas :D) enquanto esperávamos a Graci e a Kalhi chegarem.

Monte Roraima

Muita conversa depois, hora da despedida. De lá fomos para outra comunidade para almoçar e comprar artesanato local antes de regressarmos à Boa Vista.

180.000 bolívars = salada, arroz, frango e banana frita.

+ 3.000 bolívars = 1 cerveja venezuelana.

Monte Roraima

Monte Roraima

Mas, se você não tiver bolívars, não se preocupe. Todos os lugares aceitavam reais também.

De lá fomos até Santa Helena, onde nos despedimos do Henry e do Alex, que ficaram na Venezuela para uma trip até Salto Ángel.

Nós, as meninas, fomos com o Leo até Pacaraima, atravessamos a fronteira para o Brasil e ali pegamos um táxi até Boa Vista.

O pôr-do-sol estava espetacular!

Monte Roraima

Chegamos em Boa Vista por volta de 19h30. Tomei um banho quente tão feliz (depois de 10 dias de banho gelado) na casa da Graci (MUITO OBRIGADA, Graci!). Arrumei o mochilão para a viagem e logo a Ju e a Kalhi chegaram para darmos uma última volta na cidade e comer alguma coisa num barzinho de karaokê famoso da cidade, o Pit Stop. Lugar muito gostoso com mesas ao ar livre e comida muito boa! Obrigada por tudo, meninas! 

De lá, as meninas me deixaram no aeroporto, onde esperei meu vôo com saída 1h da manhã para Brasília. No caso, já estava no 11.º dia (rsrs…) Depois Brasília – São Paulo. E, por fim, São Paulo – Joinville, onde minha mãe e meu irmão me buscaram para retornar a Blumenau.

Foi uma experiência única! Como já disse, desejo que cada um possa realizar algum dia!

Check-list Monte Roraima

Vou deixar aqui algumas sugestões de itens que considerei indispensáveis nessa trip.

Na hora de preparar seu mochilão, lembre de levar:

  • alguns pares de meia extra porque elas vão molhar! E pé molhado por muito tempo dá bolha e pode fazer cair suas unhas se for um dia de caminhada intensa em descidas, por exemplo;
  • uma corda para fazer varal e alguns grampos de roupa;
  • protetor solar;
  • repelente;
  • desodorante;
  • embalagem pequena de shampoo e condicionador e sabonete (você consegue comprar todos sem nenhum aditivo químico em farmácias – lembre que você está indo para um lugar de preservação);
  • declive;
  • lenços umedecidos;
  • papel higiênico (a equipe do guia fornecia, mas é bom ter alguma reserva);
  • boné ou viseira;
  • gorro para frio;
  • óculos de sol;
  • anorak (ou anoraque) – jaqueta com capuz impermeável para os momentos de chuva e frio;
  • roupa quente para dormir;
  • um par de luvas;
  • toalha de secagem rápida;
  • isolante térmico e colchonete (ou, melhor ainda, se você tiver o isolante térmico de ar fininho inflável, que já serve de isolante e colchonete e ocupa pouco espaço);
  • saco de dormir;
  • roupas leves para as caminhadas;
  • roupas íntimas;
  • roupas de banho;
  • um casaco tipo fleece (é bem quentinho e não pesa);
  • bandana (é um ótimo coringa que você pode usar no pescoço se estiver muito frio ou na cabeça pra proteger do sol. Ou ainda para prender o cabelo);
  • amarradores de cabelo, se você tiver cabelo comprido, claro;
  • sobre calçados, é algo pessoal, mas o ideal é ir só com a sua bota ou tênis de caminhada já no pé e levar só um chinelo para usar no acampamento. E isso é fundamental, não esqueça: sempre que puder, deixe os pés ao ar livre;
  • garrafa de água (2L é o ideal);
  • clorin (purificador de água);
  • kit com algodão, esparadrapo, curativos, agulha, cortador de unha;
  • eventuais remédios se você está acostumado a tomar (para dor, vômito, febre, algum anti-alérgico) – eu sempre levo própolis em spray pra eventual dor de garganta e a pomada de própolis para eventual corte ou ferimento (é um cicatrizante natural);
  • vaselina sólida ou creme para assaduras para passar nos pés ou em alguma outra região do corpo se você tiver problema com assaduras;
  • lanterna de cabeça e lanterna de mão pequena (leve pilhas extras);
  • carregador portátil para as baterias do celular, máquina fotográfica e outros eletrônicos se você levar;
  • lanches de trilha (as refeições principais são fornecidas pela equipe contratada);
  • se você gosta como eu, indico levar vitamina C efervescente. Além de fazer bem pra saúde, é uma delícia. Pode tomar uma por dia;
  • sacolas para roupa suja;
  • se você estiver vindo de longe como eu, lembre de deixar uma muda de roupa limpa para a volta.

Lembre de levar suas roupas e o saco de dormir dentro de sacos impermeáveis. Isso além da capa que protege a mochila. É mais seguro se cair alguma chuva mais intensa.

Lembre também que o comprovante da vacina da febre amarela deve ser internacionalizado em qualquer posto da ANVISA antes de entrar na Venezuela.

Acho que é isso! Lembrando que qualquer dúvida ou sugestão estou sempre a disposição. Podem me chamar no Instagram ou no Facebook.

Aproveite cada passo dessa viagem!

Urubici/SC

Quem visitar Urubici/SC não pode deixar de conhecer os principais pontos turísticos da cidade: Morro da Igreja, Pedra Furada e Cascata Véu de Noiva.

O Morro da Igreja localiza-se na divisa entre os municípios de Urubici/SC e Bom Jardim da Serra e pertence ao Parque Nacional de São Joaquim. O Parque está inserido no bioma da Mata Atlântica e tem como objetivo conservar os ecossistemas e promover a educação ambiental, pesquisa e visitação pública.

O acesso ao Morro pode ser feito das 8 às 17 horas, porém, antes de se deslocar até lá o visitante deve obter uma autorização que é fornecida na sede do ICMBio, situado na Rua Felicíssimo R. Sobrinho, 1542, em Urubici/SC. Não há cobrança de tarifa para obter a autorização.

Do centro da cidade percorre-se 12 km até a estrada de acesso ao Morro, de onde se segue por mais 20 km. Embora a estrada seja asfaltada, os motoristas devem transitar com cuidado, visto que em determinados pontos há buracos e desníveis da pavimentação asfáltica. Os trechos mais precários estão devidamente sinalizados, informando sobre os problemas da pista.

A estrada de acesso ao Morro é de propriedade da Força Aérea Brasileira – FAB. É permitido chegar até o cume de automóvel, motocicleta, bicicletas e vans com capacidade de até 18 passageiros, porém está proibido o trânsito de ônibus, micro ônibus, caminhões e vans com capacidade maior que 18 passageiros, devido ao risco de queda da estrada.

O cume do Morro da Igreja possui 1.822 metros e é o segundo mais alto de Santa Catarina, sendo considerado o ponto habitável mais alto da região sul do Brasil.

Urubici/SC

O local possui um vista espetacular, de onde se pode vislumbrar a pedra furada, um dos principais cartões-postais de Urubici/SC. Essa formação rochosa parece uma escultura natural em forma de janela e possui aproximadamente 30 metros de circunferência.

Urubici/SC

Tem-se a possibilidade de caminhar pelo Morro e apreciar a vista dos cânions e de um meio ambiente magnífico que completa a paisagem. O lugar traz uma sensação de liberdade, paz e felicidade.

Aconselha-se que as visitas ao Morro sejam feitas em dias de sol, entre as 9 h e 16 h, para evitar a neblina e conseguir uma visão melhor de toda a natureza maravilhosa presente na região. Geralmente venta muito no local, sendo prudente levar agasalhos corta-vento, luvas e touca.

No dia de nossa visita chegamos no topo do Morro por volta das 11 h e o tempo estava ensolarado, havia uma neblina que logo se dispersou, mostrando toda a beleza ali existente.

Urubici/SC

Urubici/SC

A autorização fornecida pela ICMBio permite somente a subida no Morro. As atividades de trilhas e travessias somente poderão ser realizadas com guia credenciado.

A trilha para a pedra furada poderá ser agendada com o guia Sérgio Graxaim, que fornecerá as devidas orientações para essa aventura. Visando a segurança e aproveitamento pleno da trilha, o guia sugere que ela seja feita somente em dias de clima favorável, sem chuva ou excesso de nuvens.

No trajeto ao Morro da Igreja encontra-se o acesso à Cascata Véu de Noiva, que merece uma visita. Essa cascata tem 62 metros de queda e se destaca entre as mais de 80 encontradas em Urubici.

A formação rochosa em basalto tem uma inclinação semelhante a um véu branco, o que deu origem ao nome da cascata. Em sua base existe uma pequena lagoa de água fria e cristalina. Presente no local circundante uma vegetação nativa e fauna diversificada.

Urubici/SC

A Cascata Véu de Noiva situa-se em propriedade particular, que dispõe de hospedagem, restaurante e tirolesa. Há cobrança de R$5,00 por pessoa para ter acesso à cascata.

Urubici/SC, com certeza, tem muitos atrativos para os amantes da natureza.

Virada Mágica

Tá com vontade de curtir o Reveillon de maneira diferente, então essas dicas são para você!

Hoje em dia a grande maioria das pessoas apenas quer que chegue o fim do ano para aproveitar o Reveillon a beira mar, com os amigos e familiares, caso você esteja procurando maneiras alternativas para aproveitar esse momento único, então continue lendo este texto.

Caso você esteja procurando lugares que são badalados e calmos ao mesmo tempo, temos o lugar perfeito para você! Você já deve ter ouvido falar das praias do estado de Santa Catarina – Brasil, elas são belas, com visual de tirar o fôlego, possui inúmeras opções de lazer, acomodações e alimentação.

Renove suas energias na Praia do Rosa, Praia Vermelha e Praia do Ouvidor, essas três em específico, tem tudo que você precisa para viver uma grande aventura de fim de ano.

Se você é o tipo de pessoa que adora curtir uma boa balada e quer conhecer muita gente nova, então você precisa conhecer a Virada Mágica, para entender do que estou falando, nada melhor que assistir tudo que rolou em 2017.

Virada Mágica 2017

Caso não seja bem isso que esteja procurando, temos outras opções muito divertidas para que você viva experiências incríveis e comece 2018 com muita energia.

Trilhe os caminhos da Praia do Rosa e Ouvidor e apaixone-se por este lugar, a trilha é de fácil acesso, qualquer pessoa pode realiza-lá, a trilha contempla paisagens únicas, na Praia Vermelha que se encontra entre a Praia do Rosa e Ouvidor o mar é azul esverdeado, contrasta com o verde da mata e as cores das flores, transformando essa aventura em uma viagem inesquecível. Achou interessante, então veja tudo que você precisa saber para trilhar esse caminho.

Além de fazer essa aventura incrível, separamos outras tantas que é possível fazer:

Antes do Reveillon, arrisque fazer coisas que nunca teve coragem de fazer até então! Que tal aprender a surfar com o capitão David? Segundo David, você aprenderá ou terá seu dinheiro de volta. Além do mais ele possui mais de 15 anos de experiência nessa atividade.

Contato: capitaodavidsurf@hotmail.com

Mar, lagoa e natureza intocada fazem parte das belezas da Praia do Rosa, além dessas duas atividades citadas acima, tem a possibilidade de praticar BodyBoard; Stand UP Paddle; Kitesurf; Paraglaider; Asa Delta; Mountain Bike; Trekking, Motocross; Jetsky; Mergulho; Cavalgadas.

Não podemos esquecer que não é só de balada e aventuras que vivem as pessoas, é preciso se hospedar de maneira confortável e alimentar-se bem. Para isso separamos um lugar muito especial chamado Fazenda do Rosa, para que você possa realmente passar uma virada de ano surpreendente.

Na Fazenda do Rosa você se sente como se estivesse em casa, é possível escolher o tipo de acomodação que irá ficar, podendo escolher entre três tipos de hospedagem, sendo as eco suítes, cabanas top e cabanas de praia. A vista desse lugar é incrivelmente linda, você merece contemplar momentos únicos.

Reveillon
Fonte: Fazenda do Rosa
Reveillon
Fonte: Fazenda do Rosa

Além de tudo isso você pode desfrutar de uma gastronomia saudável e preparada com muito amor e carinho pela equipe da Fazenda do Rosa.

Reveillon
Fonte: Fazenda do Rosa

A Praia do Rosa possui uma gastronomia variada, é possível encontrar tudo que você deseja lá. O que está esperando? Bora fazer as malas? E passar uma virada de ano mágica em uma das praias mais encantadoras do litoral sul do Brasil!

Desejamos a você um excelente fim de ano, que o Reveillon lhe traga muitas experiências incríveis e que o começo de 2018 venha com muita alegria e paz no seu coração.