Vale Europeu

Circuito de Cicloturismo do Vale Europeu/SC

Conhecendo o Vale Europeu de Cicloturismo

Vale Europeu é o primeiro circuito brasileiro, pensado e organizado para o cicloturismo, hoje uma realidade consolidada cuja fama atrai pessoas de todas as partes do país e até do exterior. Dependendo no roteiro escolhido, percorre-se seus mais de 300 km’s em aproximadamente uma semana, através de uma das regiões mais belas do estado de Santa Catarina – Brasil

Situado no Vale do rio Itajaí, o circuito inicia em Timbó e segue para Pomerode, e em sequência o roteiro clássico orienta na direção de Indaial, Ascurra, Apiúna, Rodeio, Benedito Novo, Dr. Pedrinho, Rio dos Cedros(Alto Cedros e Palmeiras).

O circuito Vale Europeu sempre priorizando o percurso por estradas secundárias, de baixa movimentação de veículos, e cuja beleza cênicas  naturais presenteiam o tempo todo com belas imagens quem se propõem a realizar esta jornada.

São pequenos rios, cachoeiras, a fauna e flora típicas da mata atlântica e dos campos de araucárias. Em cada povoado ou cidade é fácil apreciar a arquitetura típica com algumas construções centenárias muito bem conservadas, além disso, conhecer aspectos culturais e ser muito bem recebido pela hospitalidade da nossa gente tranquila do interior, e é claro, como não poderia deixar de ser,  provar da sensacional gastronomia local.

O circuito Vale Europeu inicia no centro de Timbó, exatamente junto ao restaurante Thapyoka, onde é feita também a inscrição no circuito por um pequeno valor que dá direito a receber um mapa da região, um guia do roteiro, com planilhas de orientação e altimetria, e ao final do circuito, um belo certificado de conclusão do circuito para ter como recordação.

A viagem

Por meados de maio do ano passado comecei a procurar um roteiro de viagem de bicicleta para fazer no inverno pois queria muito testar alguns equipamentos novos e também ter a experiência de pedalar com a bicicleta carregada no frio. Já tinha ouvido falar do Vale Europeu, através do meu amigo Ricardo Tavares, que havia realizado o circuito na primeira edição, isto a mais de dez anos atrás. Por conta desta conversa com meu amigo e também pela facilidade da logística, abracei a ideia de realizar a viagem.

Entrei em contato com meus parceiros de aventuras e apenas o Bruno Guimarães, que mora em Floripa, se interessou em fazer o Vale Europeu. Após uma rápida conversa por telefone, organizamos o pequeno desafio no mês de junho. Ajustamos a logística de transporte, as bicicletas, a lista de equipamentos e definimos o dia 8 de junho para pegar a estrada.

No nosso plano a ideia era, além de conhecer a região fazendo o circuito do Vale Europeu da maneira mais “roots” possível, acampando selvagem/camping’s estruturados e também fazendo todas as refeições com nossos equipamentos de cozinha.

Primeiro dia – Vale Europeu

Acordamos bem cedo, ainda escuro e às 6 horas da manhã, iniciamos a viagem de carro, saindo de minha casa em Imbituba, com destino ao ponto zero do circuito, na cidade de Timbó.

Vale Europeu

Por ser um dia de semana, perdemos muito tempo na região da grande Florianópolis/SC onde o trânsito é sempre muito complicado. Isto nos atrasou em mais de duas horas, fazendo com que chegássemos em Timbó quase ao meio-dia.

Sabendo que teríamos poucas horas de luz solar, tratamos de acelerar as coisas. Localizamos um lugar seguro para deixar o carro, corremos para o Thapyoka para formalizar nossas inscrições e feito isso, subimos nas bicicletas e seguimos a rota que estava carregada no GPS com destino a cidade de Pomerode.

Por conta da preocupação com o horário, não paramos para almoçar, tocamos direto e não demorou muito para darmos de cara com a primeira subida forte do circuito. Um bom teste para saber como estava meu preparo físico e também para ver em ação os equipamentos novos da bicicleta.

Foi neste momento em que o Bruno me alertou que o cambio traseiro da minha bicicleta estava muito próximo dos raios da roda. Ao parar para verificar, constatei que a gancheira (peça que fixa o câmbio traseiro) estava empenada para o lado de dentro, problema complicado que certamente aconteceu durante o transporte no carro. Não tendo como remediar ali, decidi seguir em frente tendo todo o cuidado de não usar as marchas mais leves, para não correr o risco de ver o câmbio traseiro se enroscar com os raios da roda e aí sim, ter uma grande dor de cabeça. Com esta situação, a solução foi rodar com 15 marchas apenas. Dureza!

Seguimos em frente sem mais surpresas e sempre por um belo caminho em meio ao Vale Europeu, e ao passo que nos aproximávamos de Pomerode, começamos a procurar algum lugar para acampar selvagem, mas sendo a região bastante povoada, não encontramos nenhum lugar legal e seguro.

Chegamos na cidade com o cair da tarde, e sem enrolar, fomos num posto de combustível para perguntar onde poderíamos encontrar uma pousada boa, bonita e barata para pernoitarmos, pois sabendo que o Circuito é para todos os bolsos, não era o nosso plano gastar muito numa diária de pousada. Recebemos a recomendação da Pousada Luiza, que ficava do outro lado da cidade e para lá tocamos sem parar, já no início da noite.

Ao chegar, fizemos nosso check in, descobrimos que não tinha café da manhã, mas até aí tudo bem, pois estávamos equipados e com alimento para as refeições. Após um banho demorado, fomos para a pequena cozinha da pousada e preparamos nosso jantar, conversamos um pouco e com o cansaço batendo, sem demorar fomos dormir.

Dados do dia:

  • Distância: 48.8 km
  • Ganho de Elevação: 570 m
  • Perda de Elevação: 565 m
  • Custos de hospedagem: R$ 50,00, sem café da manhã;

Segundo dia – Vale Europeu

Acordamos por volta das 7 horas, o dia estava bom e a temperatura agradável, preparamos o nosso café, montamos as tralhas nas bikes e seguimos para o pórtico de informações turísticas na estrada da cidade, para carimbar nossos passaportes do circuito do Vale Europeu pois no dia anterior, quando chegamos, o pórtico já estava fechado. Aproveitamos também para pegar algumas dicas e fazer uma foto para recordação e “bola pra frente”! Próxima parada: Indaial.

Efetivamente começamos nosso pedal deste dia quase às 11 horas, porém tranquilos pois nosso próximo destino estava próximo, algo em torno de 40 km’s.

Logo que sai da cidade, o caminho fica muito tranquilo. São pequenos sítios, casas, alguns pequenos povoados com igrejas, tudo no estilo alemão. Muito verde e ar puro.

Depois de mais de 23 km’s rodando nessas condições, chegamos novamente no asfalto. É a movimentadíssima SC 421, onde é preciso pedalar no acostamento cerca de 1 km para cruzar para o outro lado e aí então voltar para a tranquilidade.

Como já era praticamente meio-dia, decidimos parar no posto de combustível que fica localizado neste trecho da SC 421. Pedimos para os frentistas se poderíamos usar um cantinho numa sombra que tinha um murinho que servia perfeitamente como banco e fomos autorizados.

Vale Europeu

Agilizamos rapidamente uma super polenta com linguiça calabresa e dois litros de tang para hidratar.

Ficamos parados quase duas horas. Afinal, depois do almoço sempre cai bem uma “siesta” na sombra,

Por volta das 13:45 retomamos nossa jornada rumo a Indaial, que pelos nossos cálculos, chegaríamos em mais duas horas, rodando bem devagar para apreciar o visual e não se cansar.

Ao chegar na movimentada Indaial, fomos procurar uma bicicletaria pois o Bruno estava sem câmara de ar de reserva.

Resolvida essa questão técnica da bike do Bruno, demos uma voltinha pela cidade, seguindo adiante procurando um lugar para parar para um lanche da tarde e seguir em frente pois a nossa ideia era sair um pouco da cidade e localizar um lugarzinho tranquilo para acampar.

Rodamos, rodamos e nada. A região é muito habitada e não conseguimos encontrar um lugar bom. Neste momento, por volta das 17 horas, decidimos tocar para Rodeio, percorrendo uma distância de vinte e poucos quilômetros. Era tentar a sorte de encontrar um lugar bom para acampar por lá, um pouco antes da entrada da cidade.

Vale Europeu

O fim da tarde chegava rápido e como era quase inverno, escurece cedo e, por volta das seis e meia da tarde, bem na hora do rush, alcançamos movimentadíssima BR 470, onde teríamos que pedalar por quase 2 kms para chegar na cidade de Ascurra.

Neste trecho procuramos andar o mais rápido possível para sair daquele agito de trânsito pesado e entrar logo na cidade.

Como já estava escuro, passamos batido por Ascurra, seguindo nosso plano de tentar encontrar um local de acampamento neste trecho entre Ascurra e Rodeio. Sem sucesso.

Não demoramos para chegar em Rodeio que fica por volta de 5 kms de Ascurra e vendo nosso plano infalível falhar, fomos novamente num posto de combustível perguntar sobre pousadas na cidade. Os frentistas nos indicaram ao menos duas, sendo que na primeira que tentamos, como era dia de semana, estava fechada. Voltamos todo o caminho que tínhamos percorrido e após confirmar a localização da outra alternativa, tocamos para lá correndo pois a temperatura estava bem baixa e o cansaço começara a bater. Na segunda tentativa deu certo, estávamos salvos! Kkk

Chegamos na excelente Hospedaria Cama Café Stolf, onde pegamos um ótimo quarto e após um merecido banho quente, numa rápida conversa com a dona da pousada pedimos para usar a cozinha, e tendo o sinal verde, tratamos de fazer o nosso jantar e conversar um pouco antes de capotar na cama.

Dados do dia:

  • Distância: 75.5 km
  • Ganho de Elevação: 759 m
  • Perda de Elevação: 737 m
  • Custos de hospedagem: R$ 70,00, com ótimo café da manhã

Terceiro dia – Vale Europeu

Acordamos no horário de sempre, por volta das 7 horas, estava frio, no termômetro marcava 6 graus.

Arrumamos nossas coisas e só depois de deixar as bicicletas prontas, fomos tomar café.

Ao sairmos do nosso quarto, demos de cara com outras bicicletas, que eram de um pequeno grupo que estava fazendo o circuito porém com apoio. Na hora que o grupo apareceu, ficaram espantados, nem tanto pela carga nas nossas bicicletas, mas pelo fato de naquela friaca, tanto eu quanto o Bruno, estarmos de bermuda de ciclismo. Sim, estava frio, mas nós aqui do sul, estamos um pouco acostumados com isso e também sabíamos que com o decorrer das horas, a temperatura iria subir. Ainda assim, foi muito engraçado ver a cara da turma, principalmente as caras de espanto de um casal que era do Recife…kkk

Depois de tomar um generoso café e comer ao estilo “como se não houvesse amanhã”, resolvemos encarar a friaca que vinha junto com uma neblina densa e úmida.

Após sair da cidade, começa uma longa e quase constante subida em estrada de terra, que naquele momento e com aquela temperatura, vinha bem a calhar para aquecer o corpo.

Não demorou muito e alcançamos o famoso Caminho dos Anjos. Um conjunto de esculturas que como o nome sugere, representa anjos celestiais, e que naquele instante com a bruma densa da neblina, dava um ar de misterioso e mágico para aquele lugar singular e muito bonito.

Vale Europeu

Paramos alguns instantes na praça central do Caminho dos Anjos para tomar água, recuperar o fôlego e conversar com alguns jipeiros que estavam por ali e que ficaram curiosos ao nos verem com as bicicletas carregadas.

Por conta do frio, e a neblina seguir escondendo o sol, não demoramos muito tempo parados, pois não seria uma boa esfriar o corpo naquele momento. Tocamos em frente, morro acima. Para o alto e avante!!! Kkk

Como já dizia um antigo ditado da nação aborígene mountain biker:  “tudo que sobe, desce”, por volta das 11 horas, as coisas mudaram. Aquilo que antes era subida e neblina, se tornou uma longa descida e com um sol bastante agradável.

Passamos batidos pelo caminho que leva para a Tirolesa K2mil (a maior das Américas), pois não era nosso objetivo visitar este tipo de atrativo nesta nossa primeira incursão por aquelas bandas. Nós queríamos mesmo era rodar no estradão de terra, parar só para comer, descansar e se a sorte nos abençoasse, encontrar um lugar bacana para acampar selvagem.

Por volta das 13 horas, chegamos numa pequena localidade no município de Benedito Novo, onde aproveitamos para nos reabastecer de água apenas, decididos não parar naquele momento para almoçar.

Após um descidão bacana para testar suspensão, freios e a fixação da bagagem… kkk, chegamos na bifurcação que leva para a Pousada Campo do Zinco. Aproveitamos aquele momento para uma rápida parada e mastigar alguma coisa e seguir na outra direção, rumando para o centro de Benedito Novo.

Não demoramos muito para encontrar com o belíssimo Ribeirão Liberdade  que segue paralelo com a estradinha de terra. Esse foi um dos pontos altos para mim. A cada instante a estradinha nos presenteava com vistas muito bonitas do rio e do verde em seu redor.

Embora fosse cedo para parar, ativei meu radar para tentar localizar um lugar bacana para acampar antes da cidade, pois meus instintos diziam que era alí ou nunca..kkkk

Seguíamos bem devagar, curtindo o visual quando percebi uma pequena prainha no meio do ribeiro, com um enorme bambuzal. Imediatamente parei e fui investigar. Era como uma pequena ilha de pedras, bambus e com algumas clareiras.

Bingo! Após rodar apenas 31 kms e às 15 horas finalmente um lugar perfeito para acampar. Sem cerca, longe de casas e escondido de quem passa na estrada. Bastava apenas descer um barranco, atravessar as bicicletas empurrando com cuidado pois, embora raso, o fundo do ribeiro era muito irregular por ter muitas pedras soltas.

Escolhemos o lugar para montar as barracas e logo em seguida, fomos tratar de coletar e tratar a água para nos reabastecer e cozinhar nosso almoço/jantar.

Ao cair da noite, fizemos uma segunda refeição ao redor do fogão à lenha do Bruno e ficamos curtindo o momento com uma conversa divertida iluminada apenas pelo fogo e ao som dos grilos, sapos e outros moradores do lugar.

Vale Europeu

Esse era o grande momento que procurávamos. Ficar numa pousada com todo o conforto que se tem em casa é muito bom depois de um dia de pedal, mas abrir mão destas comodidades e em troca ganhar uma noite tranquila, com um fogo iluminar e aquecer no friozinho, céu estrelado, tendo a trilha sonora dos sons das águas e da bicharada ao redor, é uma coisa que pouca gente compreende,  mas para nós, sempre faz todo o sentido. Não e verdade?

Dados do dia:

  • Distância: 31.3 km
  • Ganho de Elevação: 934 m
  • Perda de Elevação: 600 m
  • Custos de hospedagem: R$ 0,00, Hotel um milhão de estrelas.

Quarto dia – Vale Europeu

O dia amanheceu nublado, sendo que durante a noite até caiu uma chuva fraca que não nos afetou pois montamos o acampamento em meio ao bambuzal.

Preparamos nosso café da manhã reforçado e sem muita pressa desmontamos o acampamento, deixando para montar as bagagens nas bicicletas só depois de atravessar o ribeiro e subir o barranco para voltar à estrada.

Retomamos nosso pedal pouco antes das nove horas da manhã e não demorou muito para perceber que a decisão do lugar de acampamento da noite anterior estava correta. Começaram a aparecer cercas, casas, sítios, cachorros e o belo ribeiro desapareceu.

Com uma hora de pedal, e após percorrer aproximadamente 12 kms, chegamos ao centro do município de Doutor Pedrinho e fomos logo procurar um mercado para reabastecer nossas provisões e cair com tudo no meio das gordices e porcarias açucaradas, pois sabíamos que dali para frente, na parte alta do circuito, praticamente não existe comércio nenhum.

Como era domingo, estava tendo uma prova de MTB, tipo cross country e foi engraçado, pois num dado momento aparecemos no meio do pelotão, ou melhor, o pelotão nos alcançou e foi muito divertido a galera cumprimentando e fazendo brincadeiras com a gente.

Aproveitamos também, já que havia um posto de controle da prova na cidade, para nos informar do caminho para o nosso próximo destino: Alto Cedros. Existem duas alternativas, a primeira que é via Gruta de Santo Antônio, que está ok e sinalizada e a segunda, via Cachoeira Véu de Noiva, um pouco mais longa e que por conta de uma obra na estrada não está sinalizada e momentaneamente fora do roteiro oficial. Após sabermos das condições da estrada em obras, e também por estarmos com o circuito carregado no nosso GPS, decidimos explorar o percurso da estrada em obras por ser mais roots e desafiador. Kkkk

Por volta das 11 horas, depois de carimbar nossos passaportes na Pousada e Hotel Dona Hilda, onde fomos muito bem recebidos com um delicioso café quente totalmente grátis, tomamos o nosso rumo num ritmo moderado pois sabíamos que esse seria um dia com muitas subidas.

A estrada não estava tão ruim, pois a obra já estava na fase de compactação do rípio com algumas poucas partes necessitando de mais atenção com a brita solta.

Logo que começa a subida, avistamos a placa que indica o mirante da cachoeira que dá nome a este trecho do circuito. Tentamos acessar a mesma, mas como havia uma porteira fechada, desistimos pois não tinha como chegar até a queda d’água com as bicicletas e deixar as mesmas na porteira não pareceu naquele momento uma boa ideia. Tocamos em frente.

A subida forte exigia bastante, e no meu caso, um esforço um pouco maior por conta do problema da gancheira empenada, que fazia ter de usar apenas cinco das oito marchas do cassete.

Este é o trecho menos povoado do circuito, e o que se tem pelo caminho são fazendas de gado e muitas plantações de pinus e eucaliptos. Não é um visual dos mais bacanas inicialmente, mas na medida em que se anda, a coisa melhora com as primeiras descidas que dão um pouco de adrenalina na brincadeira.

Ainda neste trecho, podemos dizer que é aqui a região mais fácil de acampar selvagem em meio aos pinos e eucaliptos ou até mesmo dormir numa casa abandonada com ar de filme de terror. Alguém curte essa última opção? Kkk

Depois de rodar mais um bom bocado no meio deste trecho, lá pelas tantas percebo que o Bruno ficou para trás… parei e como ele não apareceu, voltei um pouco e logo encontrei ele, com o pneu furado. Era a segunda vez que aconteceu, a primeira vez foi comigo no primeiro ou segundo dia da trip, não recordo bem.

Para tudo, desmonta a bicicleta, troca a câmara de ar e bola para frente!

Vale Europeu

Depois de umas duas horas de muito sobe e desce, finalmente avistamos a placa que informa que estamos chegando em Rio dos Cedros e logo em seguida, num descidão, reencontramos com o grupo de ciclistas que conhecemos em Rodeio, que estavam chegando também quase juntos, porém via Gruta de Santo Antônio.

Cumprimentamos o pessoal e como ali estava complicado acampar selvagem pois para todo lado que se olha só se vê propriedades particulares. Então fomos em frente com eles até a beira do lago, onde eles ficaram de encontrar o Sr. Raulino, proprietário da Pousada da Família Duwe.

Não demorou muito e avistamos um barquinho cruzando o lago, e no remo, o Sr. Raulino. Como o pessoal já tinha reserva, eles foram primeiro, enquanto eu e o Bruno, pensávamos em alguma opção de camping.

Quando o Sr Raulino retornou para falar conosco, perguntamos para ele se havia algum camping pago aí nas proximidades e junto com uma negativa, ele já foi oferecendo o jardim da pousada para acampar e dizendo que podíamos usar um banheiro para tomar banho. No mesmo instante concordamos e de pronto Sr. Raulino já foi organizando nossas coisas no barco e enquanto fazia a travessia, ele comentou que iria chover na noite e se a gente quisesse, podíamos montar as barracas na garagem de um dos chalés. Nossa! Perfeito. Mas não parou aí, de imediato ele nos autorizou a usar a cozinha do chalé para fazer nossa janta. Nossa! Parte dois – Me belisca que eu estou sonhando! Em outras palavras, acampamos na garagem de um chalé só para nós.

Mas vocês pensam que a as surpresas acabaram aí? Nada! Já na noite, quando estávamos à mesa, jantando, conversando e olhando o mapa, aparece na porta o Sr. Raulino com duas tigelas com uma sobremesa de encher os olhos e como o Bruno estava impedido de comer doce, fiquei com as duas tigelas para mim. Pense numa criança que foi dormir feliz.

Vale Europeu

Dados do dia:

  • Distância: 50,9 km
  • Ganho de Elevação: 973 m
  • Perda de Elevação: 715 m
  • Custos de hospedagem: R$ 25,00, camping indoor na garagem e com sobremesa.

Quinto dia – Vale Europeu

Acordamos no mesmo horário de sempre e a chuva que estava sendo aguardada para a noite, não aconteceu. Tomamos nosso café reforçado, e aceleramos em desmontar as coisas e guardar tudo nos alforges para sermos os primeiros na travessia de barco.

Com um sol tímido e temperatura agradável, após tirar algumas fotos do Sr. Raulino fazendo a travessia com a galera, começamos nosso quinto dia de pedal, num ritmo moderado pois seria mais um dia com bastante subidas, sendo que neste dia existe duas opções de caminho: Via Mergulhão ou via Pedra Preta.

Perguntei para Sr. Raulino qual caminho ele achava mais bonito e seguindo a sua dica, tomamos o rumo mais longo, via Pedra Preta.

O dia bonito e a paisagem local eram uma combinação que animava bastante apesar do cansaço acumudalo de quatro dias de muitas subidas, mas a receita para não “quebrar” nesta hora é tocar num ritmo despacito, curtindo o momento e apreciando a paisagem repleta de araucárias.

Por volta do meio-dia, ao avistarmos um banco debaixo de uma árvore junto de um lago, decidimos parar para preparar nosso almoço e descansar um pouco. Ficamos parados uma hora.

Retomando nosso plano de voo seguimos em frente e após rodar 9 kms, avistamos a placa da Cachoeira Formosa e no mesmo instante lembrei das dicas que a Franciele Tais, ciclo viajante do Projeto Válvula, tinha me dado alguns dias antes da viagem. Ele recomendou muito conhecer a cachoeira e assim o fizemos.

Entramos na estradinha da fazenda que leva direto para o camping da Cachoeira Formosa.

Vale Europeu

O local estava completamente vazio, mas ao chegar na área de estacionamento, avistamos as bicicletas do grupo de ciclistas que seguiam no mesmo trecho que nós.

Fomos conhecer os dois mirantes, apreciar a beleza do lugar e fizemos algumas fotos e antes de seguir, tomamos um refrigerante para dar uma refrescada. Sem muita demora retomamos o pedal.

Após uma última subida, a coisa finalmente melhorou e começamos a descer direto quase o tempo todo até chegarmos ao belíssimo e muito bem cuidado Camping Península Palmeiras, nosso destino final para aquele dia.

Enquanto ninguém do camping aparecia, aproveitamos para tomar mais um refrigerante na lanchonete que tem ao lado da portaria do camping e não tardou muito para o dono nos receber, abrindo a porteira e dizendo que podíamos acampar em qualquer lugar, e como o camping estava vazio, excepcionalmente nos autorizou a organizar nossas barracas numa área coberta com churrasqueiras, mesa, pia e luz elétrica. Tudo nosso! Que beleza!!!!

Com o acampamento devidamente montado e de banho tomado, fomos apreciar o cair da tarde na beira do lago da barragem do Rio Bonito.

Vale Europeu

Foi um belo final de tarde de temperatura agradável, sem vento e nenhum barulho.

Um sentimento de paz e gratidão é a maior recordação que tenho agora ao descrever aquele momento que sem exagero, foi maravilhoso.

Ao escurecer, voltamos para nosso acampamento, fizemos o jantar e após uma rápida revisão nas bicicletas, fomos dormir.

Dados do dia:

  • Distância: 45.8 km
  • Ganho de Elevação: 811 m
  • Perda de Elevação: 840 m
  • Custos de hospedagem: R$ 20,00 – Camping.

Último dia no Vale Europeu

Mesma rotina dos dias anteriores porém neste manhã, demoramos mais que o normal para sair. Creio que um pouco pelo cansaço acumulado e também por ser o último dia da nossa viagem.

O céu nublado e a previsão de chuva nos deixavam em estado de alerta, mas como até aqui todas as previsões de chuva deram erradas, não estávamos colocando fé que iriamos nos molhar justo no último dia. Ledo engano.

Enquanto seguíamos nosso caminho praticamente plano por cerca de 20 kms, a chuva começou a se manifestar na forma de chuvisqueiros rápidos que iam e vinham, porém aumentando de intensidade a cada momento que passava.

Depois de uma pancadinha mais forte, numa descida, avistamos uma ponte coberta e corremos para lá pois o céu escuro mostrava que não tardaria para chegar uma pancada de chuva forte. Foi apenas o tempo de chegar na cobertura e desabou uma chuvarada bonita.

Como eram mais de 11 horas, e já tendo rodado quase a metade da distância para o dia, decidimos aproveitar a proteção da cobertura da ponte, que está interditada para carros, para fazer um almoço e esperar o tempo melhorar.

Vale Europeu

Uma hora e meia depois o tempo melhorou e voltou o sol, e estando nós alimentados, retomamos nosso pedal pelos últimos trinta e poucos quilómetros finais.

Ainda tinha a última subida, que na minha opinão, ainda que não fosse a maior, foi sem dúvidas a mais difícil e íngreme, em um intervalo de 5 kms, aproximadamente.

Vencida a última montanha, parecia que agora as coisas seriam tranquilas, no entanto, ao olharmos do alto na direção do vale onde fica a cidade de Timbó, a coisa não estava nada animadora. Céu escuro, totalmente fechado e com nuvens despejando água.

Preparamos o psicológico e começamos a descida de mais de 20 kms na certeza de que cedo ou tarde seríamos agraciados com aquela ducha grátis. Não deu outra.

No meio da descida a chuva nos pegou com tudo, e isso fez com que, por cautela, reduzíssemos nossa velocidade no meio daquela estrada que agora era barro e lama, com alguns trecho de descidas bastante fortes… era o tempo todo com as mãos “nos alicates” para não deixar o trem sair dos trilhos.kkk

Chegamos na área urbana de Timbó debaixo de muita chuva e lama, mas graças aos últimos quilômetros com calçamento, a água removeu toda a lama das bicicletas e das roupas. Estávamos totalmente ensopados, da cabeça aos pés e só não estávamos com frio por conta de estarmos em movimento.

Quando chegamos no ponto final, no restaurante Thapyoka, por volta das 15 horas, chovia muito mesmo e achamos melhor não entrar lá dentro para pegar nossos certificados de conclusão do circuito dado o nosso estado lastimável que lembrava cachorros de rua encharcados.

Vale Europeu

Chamamos a moça da recepção que gentilmente levou nossos passaportes para dentro e em alguns minutos voltou com nossos certificados personalizados. Uma bela recordação para guardar do Circuito do Vale Europeu.

P.s.: agora que mapeei os pontos mais “roots”, qualquer dia voltarei para fazer no esquema 100% acampando. Bora?

Considerações finais

O circuito do Vale  Europeu é em sua essência, pensado para o turismo. A estrutura muito bem organizada e toda voltada para o conforto e a comodidade onde, o cicloturista ao seguir o roteiro, pode sem grandes preocupações apreciar belos passeios e ainda, ao final de cada dia, desfrutar de toda a mordomia que achar conveniente.

Por outro lado, ainda que não seja uma aventura desafiadora, não se engane, o circuito exige sim um preparo físico mínimo para ser concluído. Além disto, as estradas de terra e a altimetria combinadas com uma condição climática ruim, podem tornar aquilo que deveria ser um tranquilo passeio de bicicleta, num perrenguezinho para levar de recordação e contar para os netos.

O mais legal do Circuito é que ele tem todos os atributos que eu considero interessantes para quem quer ter a sua primeira experiência com o cicloturismo: um roteiro organizado com mapa, pontos de apoio e rotas bem sinalizadas. Fatores que facilitam muito para quem quer começar e não tem a prática ou não quer se envolver em organizar questões complexas de logística.

Aos mais experientes, também é uma ótima e divertida opção, principalmente se estiver autossuficiente, ainda que seja um pouco complicado encontrar áreas para acampar, as rotas e a altimetria de cada dia, se apresentam como pequenos desafios. E é claro, com um pouco de atenção, desprendimento e o faro para encontrar lugares, é possível sim fazer praticamente todo o roteiro acampando.

Para ter mais informações sobre o Circuito do Vale Europeu, clique aqui.

Comparativo de Barracas Naturehike

Hoje venho apresentar um comparativo detalhado entre as barracas Star River 2 X Mongar Ultralight 2 da marca Naturehike.

Aqui no nosso site já escrevemos sobre os dois modelos em destaque, caso você tenha alguma dúvida na hora de escolher entre um modelo ou outro, esse comparativo irá lhe ajudar.

Barraca Star River Ultralight 2

  • Dimensões:
  • Externa: 2,15 x 2,61 metros
  • Interna (quarto): 1,31 x 1,10 x 2,15 metros
  • Embalagem: 45 x 15 cm
  • Avanço: 65 cm
  • Janela: 1
  • Varetas: Alumínio 7001
  • Sobre teto e quarto: Nylon 210 T
  • Piso: Polyester oxford 150 D
  • Capacidade Coluna D’água: 3000 mm
  • Impressão de Pé – 120 g
  • Cordeletes e Varetas – 200 g
  • Máximo (Barraca, sobreteto, Varetas, Espeques, Cordeletes e FootPrint) – aprox. 2.373 kg

Barraca Mongar Ultralight 2

  • Capacidade: 2 pessoas
  • Peso aproximado com footprint: 2.020 g
  • Barraca: 1.700 g
  • Espeques e cordeletes: 200 g
  • Footprint: 120 g
  • Dimensões: 210 x 135 x 100 C x L x A
  • Avance: 60 cm x 2
  • Janelas: 2
  • Pack: 50 x 15 cm
  • Coluna d’água piso: 4.000mm
  • Coluna d´água teto: 4.000mm
  • Varetas: Alumínio 7001
  • Sobreteto e quarto: Nylon 20D

Opinião

Nossa

Barraca Star River Ultralight 2

Pontos positivos

  • Tecido Nylon 210 T
  • Coluna de água 3.000 mm
  • Costuras seladas eletronicamente
  • Engates de rápido ajuste
  • Estabilizadores laterais
  • Amplo espaço interno para duas pessoas
  • Duas portas grandes com abertura em “U”
  • É possível sentar na barraca sem encostar a cabeça no teto
  • Suporte para lanterna
  • Varetas em alumínio 7001
  • Espeques em alumínio
  • independente
  • Possui footprint (piso extra)
  • É possível comprar no Brasil
  • Amplo avanços laterais

Barraca Mongar Ultralight 2

Pontos positivos

  • Tecido Nylon 20 D
  • Coluna de água 4.000 mm
  • Costuras seladas eletronicamente
  • Presilhas em alumínio para maior durabilidade
  • Estabilizadores laterais
  • Possui presilha/ilhós para prender nas pontas da vareta central
  • Amplo espaço interno para duas pessoas
  • É possível sentar na barraca sem encostar a cabeça no teto
  • Suporte para lanterna
  • 3 porta objetos amplos
  • Varetas em alumínio 7001
  • Espeques em alumínio
  • independente
  • Possui footprint (piso extra)
  • É possível adicionar avanço extra (vendido separadamente)

Pontos Negativos

  • Não possui presilha/ilhós para prender nas pontas da vareta central
  • As pontas das varetas não são roscadas nas varetas
  • Não é possível adicionar avanços extras
  • Bolsos internos pequenos
  • Peso 2.373 kg (completa)
  • Valor R$ 1.379,00

 

Pontos Negativos

  • As pontas da vareta não são roscadas nas varetas
  • Não pode ser comprada no Brasil (importação oficial)
  • Portas pequenas com abertura em “D”
  • Peso 2.020 kg (completa)
  • Valor R$ 1.499,00

Diferenças na montagem

A barraca Star River Ultralight 2 pode ser montada de duas formas apenas, sendo a primeira com sobre teto e footprint (piso extra – vendido separadamente) e a segunda de maneira completa.

A barraca Mongar Ultralight 2 pode ser montada de três formas, sendo a primeira apenas com o sobre teto, a segunda com sobre teto e footprint  (piso extra – vendido separadamente) e a terceira de maneira completa.

Assista o vídeo completo de montagem dos dois modelos de barraca

Abaixo você pode conferir uma galeria com as melhores fotos capturadas por nossas lentes, mostrando alguns detalhes interessantes de cada modelo em diferentes locais.

Conclusão

O comparativo tem como principal função ajudar você na escolha da sua próxima casa de montanha, mas isso dependerá de você escolher qual dessas duas barracas é melhor para a atividade que você vai realizar.

A Mongar tem 373 gramas a menos, mas nem por isso o modelo Star River pode ser considerada ruim, pois a uma grande diferença de materiais entre elas e medidas.

O que podemos dizer sobre os dois modelos comparados é que a barraca Star River Ultralight 2 é mais adequada para climas frios e a Mongar Ultralight 2 para climas quentes.

Ainda estamos avaliando os dois modelos, no feriado de carnaval levaremos as duas barracas para uma travessia de trekking de três dias pela borda dos cânions Laranjeiras e Funil no estado de Santa Catarina/Brasil, lá poderemos analisar e comprovar todas as suas características de aerodinâmica, impermeabilidade, qualidade dos materiais e muitos outros aspectos.

Se você gostou desse comparativo, deixe um comentário logo abaixo! Caso você queira ver outros comparativos iguais a estes, compartilhe com a gente os produtos que você gostaria de ver aqui no site.

Bermuda ou Bretelle

Bermuda ou Bretelle?


Bermuda ou Bretelle? Em algum momento da sua vida de ciclista você fará esta pergunta! Independentemente do seu nível, amador, competitivo ou recreativo, esta questão será levantada. Ao discutir com seus amigos, várias opiniões surgirão.

Bermuda ou Bretelle
Bermuda 3D Compress TD Fem. 2018 – Créditos: CURTLO BR
Bermuda ou Bretelle
Bretelle 3D Compress Fem. 2018 – Créditos: CURTLO BR

Para produzir esta matéria contei com a ajuda da empresa CURTLO BR que me cedeu dois modelos dos melhores vestuários nacionais: Bermuda 3D Compress Fem. e Bretelle 3D Compress Fem. O objetivo desta ação foi ter disponível os dois tipos de vestimentas em questão, ambas com excelente qualidade, e testá-las nas mais exigentes condições para verificar os prós e contras de cada uma.

Atualmente, a CURTLO é detentora de um portfólio de,aproximadamente, 230 itens, sem contar as variações de cores e tamanhos. São produtos que variam de bolsa de selim, até mochila cargueira, passando pelo desenvolvimento de peças técnicas de vestuário que privilegiam amantes das atividades ao ar livre, montanhistas e bikers. Além de ser uma das principais marcas do mercado outdoor no Brasil.

Inicialmente é muito importante saber escolher o produto certo. Infelizmente é impossível ter bermudas ou bretelles de qualidade com preços baixos. Mas, pode confiar…estes itens são muito duráveis e o investimento em marcas de qualidade vale à pena.

As duas características principais que devem ser levadas em consideração na hora que escolher seu modelo são as tecnologias empregadas no tecido e no forro, e a modelagem da peça…sim, a modelagem! Ou você acha que um atleta do Brasil Rideou do Tour de France, usam qualquer lycra com forro?

O Bretelle 3D Compress da Curtlo BR, por exemplo, é produzido com tecido Compress®, construção que permite elasticidade de 360º para acompanhar os movimentos dos músculos. E possui costuras planas (flat) que evitam o incômodo no contato com a pele.

Bermuda ou Bretelle
Créditos: CURTLO BR

Eu testei este modelo justamente por esta característica e o que chamou a atenção foi em que momento algum fica tecido “sobrando”. O que acontece é que de acordo com os movimentos, as áreas onde há maior exigência da elasticidade (por exemplo, a região das costas numa posição race) compensam e esticam a parte frontal, que numa bermuda comum apresentaria dobras.

A textura e sistema de entrelaçamento das fibras que compõem o tecido garantem esta característica, além de uma perfeita compressão e passagem de ar. Tudo isso é proporcionado pela modelagem, que acompanha exatamente o formato do corpo do ciclista. Diferente de bermudas comuns que são retilíneas desconsiderando as curvas.

MULHERES! Este fator merece atenção especial…assim como não é possível utilizar um jeans masculino, também não é aconselhável vestir equipamentos que não sejam produzidos exclusivamente para nós. A Curtlo produz modelos específicos para o “body” feminino.

Além disso, os bretelles femininos possuem forro especial para nós e um sistema de “feiche” na parte traseira, o que facilita sua retirada mesmo com a camisa.

Bermuda Ou Bretelle
Créditos: CURTLO BR

A tecnologia mais importante na hora de escolher bermuda ou o bretelle é a empregada no forro. Afinal é ele que suportará toda a pressão que o corpo fará sobre o selim.

Um modelo adequado de forro deve, além de cobrir com folga todas as áreas de contato, possuir variações de densidades de acordo com as partes de maior atrito. Numa pedalada de 1 ou 1 hora e meia este fator pode passar despercebido. Mas experimente passar 3, 4 horas em cima da bike com uma bermuda “baratinha”! Você vai se arrepender.

Forros muito duros ou grossos sem variações de densidades podem interferir na vascularização, ou seja, na circulação sanguínea. Além de, em casos extremos, provocar dormência nos membros inferiores e região do quadril, a má circulação irá dificultar o transporte de oxigênio para as pernas afetando drasticamente no seu desempenho.

Fiz diversos treinos entre estradas e trilhas da região de Veranópolis na Serra Gaúcha e dei muita atenção para a forração do meu bretelle.

Este forro foi projetado para pedaladas de longa duração, tanto para ciclismo quanto MTB. Revestido em tecido poliamida que proporciona conforto, durabilidade e liberdade de movimento; além de ótima respirabilidade e gerenciamento da umidade. Sua construção ergonômica em tridensidade permite amortecimento nas áreas de maior pressão e conforto anatômico nas demais partes.

Bermuda ou Bretelle
Créditos: CURTLO BR

Por exemplo, na região das nádegas a espessura do forro é maior (região onde ficamos mais tempo em contato) e entre as pernas é menor (região onde há mais atrito devido ao movimento das pedaladas). Isto reduz a fadiga e dores na parte traseira e impede assaduras entre as pernas, fundamental para o desempenho em condições extremas.

Independente de usar bermuda ou bretelle, duas coisas irão maximizar ainda mais seus benefícios:não utilizar roupas de baixo para evitar atritos, e utilizar algum produto contra assaduras. Uso e recomendo os produtos da empresa Solifes!

Agora que detalhei as duas características mais importantes na escolha da bermuda e/ou bretelle, vou falar sobre as diferenças entre um e outro.

BERMUDAS:

As bermudas são sim mais baratas e é muito bom ter alguma disponível. Afinal nem todo pedal é treinamento ou competição! Você não precisa usar bretelle quando for dar um giro recreativo com amigos por exemplo. Por serem mais baratas, possuir algumas garante economias já que você não precisará utilizar bretelles (bem mais caros) em todos os treinos. Você poderá deixar para usar eles somente em treinos mais duros ou competições.

BRETELLES:

Quem usa um bretelle não quer usar outra coisa! Apesar de um pouco mais caros que as bermudas, as boas marcações tão duráveis que o investimento acaba compensando. O ajuste deles ao corpo e a sensação de conforto justificam.

As alças garantem que o equipamento ficará ajustado ao corpo e não se movimentará, ou seja, o forro ficará sempre no lugar certo.

Bermuda ou Bretelle
Crédito: Device Filmes

Além disso, vale lembrar que…

A construção helicoidal (formato de uma mola) do tecido envolve a perna do ciclista e garante uma compressão confortável,flexível e preventiva; pois o sangue flui mais rápido aumentando sua circulação. Atenuando assim, as dores musculares provenientes dos microtrauma se reduzindo a fadiga muscular durante e após o uso.

Realmente a resistência às fadigas melhora bastante. Testei esta tecnologia em diversos treinos, onde também percebi que a compressão e estabilização muscular proporcionada por ela mantem a energia por mais tempo.

Em provas e treinos longos, não é possível repor o protetor solar de 2 em 2 horas conforme orientação. Portanto escolher equipamentos com proteção UV é fundamental. Tecidos anti-bactericidas e repelentes de umidade inibem a formação de fungos e consequentes lesões.

Pensando nisso a Curtlo produz bermudas e bretelles que propiciam a troca térmica; e a textura interna do tecido favorece o microclima interno estável e a redução do efeito úmido colante em contato com a pele.

Portanto, qual usar?

Não há uma opinião formada sobre só este ou aquele. Eu mesma possuo diversas bermudas e bretelles. Quando busco máxima performance utilizo bretelles sem dúvida. Quando vou fazer uma pedalada mais recreativa, realizar um treinamento curto…utilizo as bermudas que são mais práticas.

Mantenho uma linha premium de bretelles da Curtlo que só utilizo em treinos longos e técnicos (e futuramente em competições). Bermudas possuo algumas do modelo 3D Compress mais avançadas e várias outras mais simples para “bater no dia a dia”.

A principal dica, portanto não é sobre usar bretelles ou bermudas, e sim saber escolher a marca e modelo que lhe proporcionará maior conforto e principalmente desempenho.

Lembrando que a bermuda ou o bretelle não são o único fator que deve ser avaliado para evitar as dores, que também podem estar relacionadas com altura, formato e posição do selim. Mas mesmo com o selim mais apropriado para seu corpo, uma bermuda ou bretelle ruim pode colocar tudo a perder.

Desafio dos Rochas 2018

Pomerode conhecida como a cidade mais alemã do Brasil foi palco (mais uma vez) do Desafio dos Rochas que ocorreu nos dias 21 e 22 de abril e reuniu 1.150 ciclistas de 10 estados brasileiros e de 3 países Uruguai, Portugal e Canadá.

Desafio dos Rochas 2018
Foto: Monique Renne

A prova foi dividida em 3 circuitos:

  • Pró – 98,6 Km com 3.000 m de altimetria (aproximadamente) e 6 trilhas;
  • Sport – 64 Km com 1.400 m de altimetria (aproximadamente) e 5 trilhas; e
  • Amador – 31,8 Km com 560 m de altimetria (aproximadamente) e 1 trilha.

No Desafio dos Rochas, são testados todos os teus limites físicos e psicológicos. Os atletas enfrentaram trilhas técnicas, descidas e subidas íngremes, sol escaldante, empurra bike – variando conforme o preparo físico do ciclista…entre outros obstáculos. O evento é considerado uma das provas de Mountain Bike mais difíceis do Brasil.

Desafio dos Rochas 2018
Foto: Cesar Delong I Pedal

A prova é planejada com muita atenção e carinho por toda família Rocha e comunidade de Pomerode. “Muitos amigos adotaram o evento como seu, algo incrível. Todos se uniram em prol de fazer um grande evento que já não é mais só da família Rocha, mas sim feito por uma comunidade apaixonada em receber a todos em sua grande casa chamada Pomerode.” destaca José Carlos, membro da família Rocha.

Desafio dos Rochas 2018
Foto: Cesar Delong I Pedal

Ao final de cada edição do Desafio dos Rochas a organização se atem a ouvir as sugestões/dicas dos ciclistas para as próximas edições. Ano passado, infelizmente o clima (chuva) deixou algumas trilhas muito técnicas e diversos trechos viraram empurra bike. Independentemente do clima algumas trilhas estavam difíceis até para os atletas da elite.

Nesse ano os circuitos foram remodelados e novas trilhas surgiram. Diferente da edição anterior as trilhas estavam muito mais limpas e fluídas, deixando a prova mais rápida segundo o feedback  de diversos atletas.

Desafio dos Rochas 2018
Foto: Cesar Delong I Pedal

Outra grande modificação foi trazer à prova de volta para o Teatro Municipal de Pomerode no centro da cidade. Isso agradou muito os atletas e seus familiares que puderam curtir muito mais a cidade mais alemã do Brasil.

Além de todos os atrativos da cidade e do evento, ao longo do final de semana o público pode participar de diversos bate-papos e whorkshops com grandes atletas como Lucio Otávio (Audax Team), Francisco Rotta Muller, Luana Machado, entre outros.

Desafio dos Rochas 2018
Foto: Cesar Delong I Pedal

“É recompensador ver a quantidade de novos amigos que criamos nesta jornada, ver como a cidade e comunidade tem aceitado o evento e os ciclistas, ver as famílias unidas no evento. Levar um pouco da nossa tradição alemã para os vários cantos do Brasil e poder mostrar as belezas escondidas da nossa cidade para o Brasil e o mundo.” Porém, José Carlos Rocha ressalta que tudo isso só é possível graças a ajuda de parceiros que acreditam no evento, a família e amigos que se unirão para fazer deste um grande evento.

No link abaixo um pouco do que rolou no 6º Desafio dos Rochas, produção de Root Rider TV.

Cape Epic 2018

Fundada em 2004, a Cape Epic que atualmente tem o patrocínio Absa, é uma corrida anual de cross-country stage race (XCS), e é considerada o maior evento do mundo nesta modalidade, sob a chancela da União Internacional de Ciclismo (UCI).

A Absa Cape Epic 2018 ocorreu durante os dias 18 a 25 de março na região de Western Cape, na África do Sul. O evento contou com a participação de 1.300 atletas de mais de 50 nacionalidades.

Cape Epic 2018

Em oito dias de prova, os atletas percorreram 653 quilômetros com 13.530 metros de altimetria acumulada, em condições extremas de terreno e temperatura.

Os competidores largaram em duplas e tiveram que pedalar juntos durante todo o percurso da prova – em etapas diárias. Dentre as 17 duplas com integrantes brasileiros que participaram desta edição da competição, 15 completaram a ultramaratona, e um atleta brasileiro terminou sozinho (individual finisher).

Uma das duplas brasileiras foi composta pelo Administrador de Infraestrura de TI Francisco Rotta Muller(38), natural de Novo Hamburgo/RS e pelo Empresário Mateus Merlo Zandoná(39), natural de Casca/RS.

Cape Epic 2018

“A vontade de um dia na vida poder competir uma Cape Epic é algo que vai surgindo na medida em que se vai conhecendo provas com características semelhantes e tendo a oportunidade de competir em algumas.” comenta Francisco.

A ideia inicial de competir a Cape Epic, surgiu há anos atrás, quando a dupla (Francisco Rotta Muller e Henrique Schoenardie) estavam participando do Desafio dos Rochas, que serviu como preparação para o Brasil Ride 2015. A partir dali, Chico começou a investigar as provas de mesmo porte pelo Brasil e mundo e começou a sonhar.

“No final do ano passado, eu e o Mateus competimos a Three Race Bike Ultramarathon, em São Chico/RS, e na sequência correríamos a Brasil Ride, porém devido a uma lesão durante a primeira competição, meu parceiro não pode recuperar-se em tempo e então nossa participação será em outubro deste ano (2018).” relembra o atleta.

A partir dali, foi surgindo à ideia de irem para a África do Sul, para competirem na Cape Epic. “E pra gente, tendo a vontade de ir, corre-se atrás do que é necessário para viabilizar os objetivos.”

Há alguns anos Chico e Mateus, vivem uma rotina muito bem planejada para dar conta dos treinos, família e trabalho. Sempre haverá alguns sacrifícios em algumas áreas e o equilíbrio demora um pouco para ser encontrado, mas para tudo se dá um jeito.

Hoje o trabalho do Chico possibilita certa flexibilidade nos horários, o que lhe permite trabalhar nos turnos da tarde e noite em alguns dias e em outros iniciar a jornada de trabalho mais tarde na manhã. “Assim consigo treinar cedo, antes do trabalho e voltar alguns dias mais cedo pra casa, podendo ficar um tempo com a família.”

Extremamente disciplinados nos treinos e com vasta experiência no mountain bike, Francisco estreou na Cape Epic e Mateus esteve pela segunda vez na prova. A prova é composta por 8 etapas, a primeira é o prologo e na sequência vem os estágios 1 ao 7, somando 653 quilômetros no total com 13.530 metros de altimetria.

“Os terrenos enfrentados foram principalmente formados por pedregulhos, em certas partes lembrava pedra lascada. Muita poeira, devido ao clima super seco, quase desértico. A partir do estágio 5 foi onde as trilhas mais legais e fluídas apareceram, o que tornou o desafio um pouco menos maçante” relembra a dupla, que viveu uma grande experiência na Cape Epic.

A prova foi dividida da seguinte forma:

Prologo – 20 km, transcorreu tudo muito bem. A dupla colou um bom ritmo e rodaram com segurança para não arriscarem demais.

Estágio 1 – 110 Km, precisaram parar três vezes para reparar um pneu, devido a furos e rasgos sofridos em função do terreno pedregoso. Estavam muito bem fisicamente, mas perderam cerca de 30 minutos na função.

Estágio 2 – 106 Km, neste estágio apenas 1 furo, mas em poucos minutos foi resolvido.

Estágio 3 – 122 Km, o dia mais longo e aniversário do Chico também. Conseguiram colocar um ritmo muito forte e constante durante todo o tempo.

Estágio 4 – 111 Km (etapa rainha), segundo a dupla foi o estágio mais duro, terreno pesado, com muita areia e bem pedregoso. Exigiu bastante preparo, foi fundamental prestar atenção ao ritmo para não passar do ponto e quebrar.

Estágio 5 – 39 Km (contra relógio), ocorreu uma queda. Em uma descida veloz, Chico acabou caindo, apesar de velocidade apenas algumas escoriações pelo corpo.

Estágio 6 – 76 Km, um track repleto de trilhas. “Lá pelo quilômetro 34 as mulheres líderes da categoria ‘mulheresUCI’ do time Specialized nos passaram. Impressionante o ritmo delas. Conseguimos acompanha-las por cerca de um minuto” brinca a dupla.

Estágio 7 – 70 Km, o último dia foi extremamente duro. “Pedalamos na ponta das sapatilhas, evitando riscos desnecessários. Foi o dia de concluir o maior desafio da vida no mountain bike. Sensação indescritível!”

Cape Epic 2018

Cape Epic 2018

Cape Epic 2018

Cape Epic 2018

Cape Epic 2018

“Poder competir em um evento deste porte, vivenciar a rotina das equipes e atletas profissionais – melhores do mundo, conhecer pessoas de diversas nacionalidades e ainda a cultura local, é algo que só nos enriquece como seres humanos. É algo que não se perde jamais.

A prova é duríssima e são inúmeros cuidados e planejamento necessário para ser feito, buscando chegar em uma condição física excelente, bem de saúde, com equipamento 100% em condições, para minimizar problemas.

Cape Epic 2018

Cape Epic 2018

Recomendamos demais, para quem tem um sonho no esporte, buscar este, com muita dedicação e disciplina. Vale muito a pena!”

Desafio dos Rochas

O Desafio dos Rochas é um evento de mountain bike que alia o prazer de competir, de vivenciar a cultura e as tradições alemãs, unir a família ao esporte e apreciar a gastronomia típica local.

O Desafio surgiu em 2013, quando a família Rocha teve a ideia de realizar um passeio ciclístico um pouco mais “aventureiro” na data de aniversário da loja Twins Bike Shop. “Ao colocarmos no facebook umas fotos e uma enquete do que o pessoal achava em realizar esse pedal, começamos a nos surpreender com as diversas perguntas de onde seria esta prova, quando seria e assim por diante.” relembra José Carlos, gerente da Twins Bike Shop.

A partir daquele momento tiveram a certeza que poderiam criar algo maior, se reuniram para ter a opinião dos 6 membros da família Rocha e dali decidiram realizar uma tentativa que acabou dando certo. Em 2018 partem para sexta edição do Desafio dos Rochas.

Desafio dos Rochas

O evento é planejado com muita atenção e carinho por toda família Rocha e comunidade de Pomerode. “Muitos amigos adotaram o evento como seu, algo incrível. Todos se uniram em prol de fazer um grande evento que já não é mais só da família Rocha, mas sim feito por uma comunidade apaixonada em receber a todos em sua grande casa chamada Pomerode.” destaca José Carlos.

Ao longo desses 5 anos de desafio a família Rocha, encarou alguns problemas. Entre eles a busca de parceiros para idealizar o evento, autorizações de passagem em propriedades particulares, entre outros.

O processo de organizar e planejar um evento esportivo requer cuidado e atenção em vários aspectos, desde a ideia inicial, o projeto real, evento e pós- evento. E é natural ao longo desse processo surgirem alguns problemas.

Mas, em contrapartida ao longo desses anos de desafio muitas foram as alegrias para a família Rocha. “É recompensador ver a quantidade de novos amigos que criamos nesta jornada, ver como a cidade e comunidade tem aceitado o evento e os ciclistas, ver as famílias unidas no evento. Levar um pouco da nossa tradição alemã para os vários cantos do Brasil e poder mostrar as belezas escondidas da nossa cidade para o Brasil e o mundo.” Porém, José ressalta que tudo isso só é possível graças a ajuda de parceiros que acreditam no evento, a família e amigos que se unirão para fazer deste um grande evento.

Desafio dos Rochas

Para 2018 a família Rocha está preparando um evento ainda mais festivo, novos circuitos, novas trilhas, novos visuais da cidade, um final de semana repleto de atrações para ciclistas, familiares e amigos e uma estrutura mais aprimorada para atender a todos com o máximo de conforto e segurança.

Desafio dos Rochas

Mochila de Hidratação, fatores importantes na hora da escolha!

Mochila de Hidratação, dicas essenciais para escolher a mochila certa!

Frequentemente, vejo corredores e ciclistas receosos e até mesmo resistentes em correr e pedalar com mochila de hidratação. As dificuldades citadas são muitas: o peso da mochila, o chacoalhar, o fato da mochila “esquentar” as costas, o desconforto, entre outras.

A primeira coisa que você precisa saber é para qual atividade você usará a mochila. Será apenas para os treinos longos de corrida? Você faz treinos apenas no asfalto ou faz também na montanha? Usará na bike? Dependendo da sua resposta, você terá modelos que serão perfeitos para cada atividade.

No momento da escolha da mochila de hidratação, também fique atento a:

Compartimento de água

Observar o tamanho do compartimento de água. Se você treina no asfalto ou fará trilhas curtas, um a dois litros serão suficientes. Se você fará Trail Run médio ou longo é melhor pegar uma mochila com compartimento maior e dependendo do tipo de prova/treino que você fará, é legal pensar em levar dois tipos de líquidos (água e isotônico, por exemplo) e ai serão necessários além do compartimento para água, que você também tenha a opção de carregar squeezes (garrafas de água) na mochila. Há alguns modelos que você pode adicionar dois squeezes nas alças para balancear o peso (item muito importante para você não sofrer com o peso da mochila enquanto corre). Quem vai pedalar, não precisa de uma mochila com suporte para o squeeze, se quiser transportar mais de um líquido é só colocar na própria bike.

Bolsos

Bolsos frontais, laterais e nas costas. Verifique se a mochila tem boa quantidade de pequenos bolsos frontais e não apenas bolsos grandes. Isso porque na mochila pode caber todo o alimento que você precisa em um único bolso, mas durante sua prova ou treino você não poderá parar para ficar procurando o sal, o BCAA ou o gel. Use bolsos frontais pequenos para separar as comidas na parte da frente da mochila. Nas laterais, coloque estoques de gel, por exemplo. E nos bolsos de traz leve os itens obrigatórios da prova: corta vento, celular, kit primeiros socorros, etc.

Ajustes

Quanto mais ajustes melhor, é claro! Você pode arrumar o tamanho da alça, pode prender a mochila bem ao corpo, ajuda no conforto durante a corrida/pedalada. Quanto mais próxima do corpo e mais balanceado o peso, melhor o conforto.

Nos meus treinos e provas de Mountain Bike utilizo a mochila de hidratação CYCLONE 14L da CURTLO. Que possui: propriedade térmica, mantendo a temperatura inicial do líquido por mais tempo; costado com canal de ventilação estruturado até os ombros com E.V.A; alças anatômicas moldadas; dreno no fundo da mochila para escoamento de água; fita abdominal e peitoral com fecho de 20 mm e barrigueiras com bolsos; puxadores do cursor com cordão de cor cítrica que auxilia a visualização em locais escuros.

Mochila de Hidratação

Já no Trail Run uso o COLETE X-SKIN 10L da CURTLO. É uma mochila no formato de colete, desenvolvido para praticantes de corrida de montanha/trail run e de esportes que exigem desempenho, pois oferece peso mínimo com desempenho máximo. Ajustável para diferentes usuários e com diversos bolsos de fácil acesso.

Também possui fecho apito de segurança, encaixe para luz de sinalização, bolso porta-garrafa e compartimento para hidratação com duas opções de saída superior e duas inferior da mangueira.

Mochila de Hidratação

DICA: treine com sua mochila de hidratação. Não importa se seu treino é curto ou longo. Treinos com mochila é importante porque além de testá-la, você irá adaptar seu corpo ao peso, volume e aprender a ajustá-la de acordo com o seu corpo, evitando que chacoalhe muito durante as provas.

Com os devidos cuidados sua mochila vai proporcionar muita praticidade e, é claro, hidratação!

Onde comprar: você pode comprar esses produtos na Patos do Sul, localizada na cidade de Caxias do Sul/RS.

Jasmine faz ótima colocação no Wine Run 2017

Mochila de Hidratação
Foto: Foco Radical

Jasmine Benato

O espírito aventureiro sempre fez parte da rotina de Jasmine, carinhosamente chamada de Mine. Passou sua infância acompanhando os avós na roça, e por isso, desde criança admirava a natureza e os costumes simples da vida no campo.

Jasmine Benato é gaúcha de Veranópolis, com modos delicados e aquele jeitinho tímido. À primeira vista, mal se imagina o que a jovem de 24 anos gosta de fazer para viver.

Secretária executiva à quase 10 anos;

Futura Contadora pela Universidade de Caxias do Sul (UCS);

Embaixadora/Atleta da Curtlo BR;

Ela concilia o trabalho, a faculdade, a família e muitos treinos de: Mountain Bike, Corrida de Montanha, Trail Run e academia.

No esporte, a paixão pela “magrela” vem desde criança. E foi em meio ao relevo montanhoso e as trilhas de Veranópolis, que a Mine se apaixonou também pelo Trail Run/Corrida de Montanha.

Tanta paixão ao esporte aliados a tantos treinos já lhe renderam participações em diversas provas de Mountain Bike, Corrida de Aventura, corrida…nas quais obteve excelentes resultados. “Meu técnico diz que sou coringa. Estamos aí para qualquer aventura.”, brinca Jasmine.

Colunista Trekking RS

As adversidades enfrentadas ao pedalar/correr por muitos quilômetros por lamas e trilhas, ao atravessar rios e entrar na mata podem não ser muito bem vistas por algumas pessoas. Mine tenta transpor essa visão: “Toda pessoa que monta em uma bike pela primeira vez ou começa a correr não larga nunca mais. É realmente prazeroso, porque o obstáculo passa a não ser apenas o ambiente, mas você mesma.”, afirma.

Ciclotour Uruguay: Chuy até Punta del Este, Parte 1

Ciclotour Chuy até Punta del Este parte 1

Prelúdio

Desde que fiz a minha primeira viagem solo de bike pelo Uruguay, lá no carnaval de 2015, acabei ficando com uma ideia fixa na cabeça e um sentimento forte que era necessário voltar para mergulhar mais fundo e conhecer mais daquele lugar que arrebatou por completo meu coração aventureiro.

Comecei a planejar a viagem logo depois que voltei da travessia da Serra Fina – MG, em meados de agosto de 2016. Já tinha um roteiro mais ou menos montado na cabeça que seria ir da cidade de Chuy que fica junto da sua irmã brasileira Chuí (irmãs siamesas, diga-se de passagem) e tomando sempre o caminho mais próximo do litoral, passando por Montevidéu terminando o pedal em Colonia del Sacramento, de onde voltaria para Porto Alegre de ônibus.

No primeiro momento, pensei em fazer a viagem solo como na vez anterior, mas pensando daqui e dali, achei melhor convocar o pessoal da trupe de indiadas que participo, os Suricatos Hiperativos, onde de imediato apareceram mais três pessoas interessadas. Fiquei mais animado ainda,  sabia que seria muito mais divertido tendo a participação de alguns amigos do nosso pequeno grupo de hiperatividades. Mas com o passar do tempo e a aproximação da data limite para fechar a viagem, tivemos duas baixas no grupo, restando assim apenas eu e meu brother de perrengues, indiadas e afins, Mr. Ricardo Tavares.

Sem muito mistério ou complicação, organizamos os equipamentos de camping, as bikes, e combinamos nosso encontro no dia 2 de dezembro na rodoviária de Porto Alegre, onde pegamos o ônibus às 23 horas para o Chuí.

A viagem Porto Alegre x Chuí tem uma duração de cerca de 8 horas, onde, pegando o horário noturno, dá para ir dormindo tranquilamente, pois o ônibus praticamente não pára e o caminho é quase que uma reta sem fim, fator este que favorece o sono das crianças.

“O nômade conserva um segredo de felicidade que o cidadão perdeu, e por este segredo sacrifica a comodidade e a segurança. Múltiplos são os êxitos, os álibis e as sensações da viagem, mas um só é o profundo e verdadeiro motivo interior que a determina: perseguir o segredo daquela remota felicidade.”

Domenico De Masi

A máquina!

Primeiro dia: Chuy x Punta Del Diablo

Chegamos bem cedinho, por volta das 7:30 da manhã, horário de Brasília, com tempo chuvoso. Logo começamos a organizar as bikes que estavam desmontadas e embaladas nos mala bikes. Foi neste momento que percebi um pequeno problema na minha bike: o cubo da roda dianteira estava com uma folga no eixo que exigia um pequeno aperto, porém não tínhamos a chave 17 para fazer o ajuste e poder dar início a nossa viajem. A solução era aguardar o comércio abrir e ir numa oficina de bicicletas para resolver a questão. Como no Uruguay não tem horário de verão e era sábado, resolvemos procurar uma padaria para tomar um café , comer alguma coisa para enganar a torcida e matar o tempo. Além disto, precisávamos também, fazer cambio de moeda e comprar alguma coisa de comida para os dois primeiros dias. Pergunta aqui, ali e logo encontramos uma oficina de bicicleta e uma casa de cambio praticamente na frente uma da outra. Resolvidas todas as questões, era hora de tocar para a Aduana Uruguaia e fazer os procedimentos para dar entrada oficialmente no Uruguay.

Agora sim! A Ruta 9 pela frente.

Começamos o pedal por volta das 11 h 30 min, com céu nublado, sem vento e temperatura amena, ou seja, uma maravilha para começar a brincadeira e poder ir se acostumando com o peso na bike. O ritmo inicial era o famoso passinho do calango sonolento, 15 km/h.

Não tínhamos um destino certo para este dia, a ideia era rodar algo por volta de 40 ou 50 quilômetros no máximo e encontrar um camping. A primeira opção era o parque do Forte Santa Teresa ou, se estivéssemos dispostos, tocar um pouco mais adiante, até Punta Del Diablo.

Quando cheguei na frente da entrada principal do parque, me deparei com a entrada para a Laguna Negra, que ao contrário do Forte, eu não conhecia ainda. Fiquei ali aguardando o Ricardo que vinha um pouco atrás para decidir para qual lugar seguiríamos. Rapidamente decidimos tocar para a Laguna Negra, um desvio de 4 quilômetros para fora da Ruta 9, pegando uma estrada de terra em boas condições.

Chegando lá, por volta das 14:30, de cara encontrei um quiosque fechado bem na beira da água e não pensei duas vezes, parei a bike e tratei logo de montar a cozinha e começar a “operação fome zero”. Ficamos por ali mais uma hora e pouco, dando aquela tradicional “jiboiada” com um nababesco café passado na hora. Só então, depois do ritual do café e com os neurônios funcionando adequadamente, tomamos a decisão do que fazer. Se acampar ali mesmo, ir para o Forte ou tocar mais uns 15 quilômetros até Punta Del Diablo. Optamos por seguir até Punta Del Diablo.

A Laguna Negra é linda e além disto, perfeita para um acampamento selvagem, mas a nossa escolha já tinha sido feita. Juntamos as tralhas, as forças e voltamos a pedalar. Tínhamos 4 quilômetros de terra com uma boa subidinha até alcançar o asfalto da Ruta 9 e então ir até Punta Del Diablo.

Chegamos por volta das 18 h 30 min, fomos até a beira da praia para dar uma conferida no visual e atento também para localizar um camping para nosso pouso.  Como era baixa temporada, somente um camping estava aberto, partimos para lá com o sol indo embora e a noitinha chegando mansa. Ao chegar ao ótimo Camping La Viuda, tratamos de montar nosso circo, tomar um bom banho e jantar com um céu estrelado que nos dava as boas vindas para as nossas noites no Uruguay.

Resumo do primeiro dia:

Distância percorrida: 60 quilômetros

Custo camping: 200 pesos

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Segundo e terceiro dia: Punta Del Diablo x Valizas & Cabo Polônio

Acordamos junto com o sol e lentamente, após o café da manhã, desmontamos o acampamento e por volta das 8 horas iniciamos nosso percurso do dia pela Ruta 9. O dia estava bonito e até umas 10 horas a temperatura seguia amena, seguimos num ritmo bastante tranqüilo e conversando durante a pedalada. Na medida que o sol subiu, a temperatura começou a complicar um pouco as coisas e ao chegar em Castillos, já passando do meio-dia, resolvemos dar uma parada de uma hora na sombra, fazer um lanche e ficar atirado na relva curtindo o calorão já na Ruta 16.

Depois de mais de uma hora curtindo o ócio criativo na relva, resolvemos seguir viagem, ainda com o sol escaldante. Apesar da temperatura alta, eu em especial, estava muito empolgado pois sabia que já estava bem perto da mítica Ruta 10, que é um pequeno paraíso para quem curte cicloturismo, tanto pelo visual como pela tranqüilidade devido ao baixo movimento de veículos. Rodamos um pouco menos de uma hora e demos outra parada num gramado estratégico debaixo de algumas árvores para hidratar e esfriar a cabeça pois não estava fácil. Neste momento, enquanto jogávamos conversa fora, avistei uma bike carregada vindo no sentido contrário. Tratava-se de um argentino, gente finíssima, que estava subindo para o Brasil e que pretendia dar a volta ao mundo pedalando. Não demorou muito e quando olhei para o outro lado, outra bike, essa seguia no mesmo sentido que o nosso, e ao se aproximar, parou e desceu o paulista Martins, que estava dando um giro até o Cabo Polônio. Aquela parada rendeu uma reunião muito divertida entre quatro malucos de quatro lugares diferentes, mas com a mesma patologia em comum: a ciclo indiada. Mais uma hora parado. Comendo laranjas, que nosso Hermano nos ofereceu, e bebendo água. A paradinha foi muito divertida e útil, pois o sol não queria dar moleza para nós, e também por outro lado, já estávamos bem perto do nosso destino do dia, ou seja, não havia necessidade de torrar o lombo na estrada.

Após uma despedida longa e cheia de honrarias entre um grupo tão distinto e seleto de gente perturbada, tocamos em frente e logo entramos na Ruta 10, onde andando mais uns quarenta minutos chegamos em nosso destino. O Martins nos acompanhou até o centrinho de Valizas e de lá tocou para o Cabo Polônio. Fomos logo para o Camping Lucky Valizas, que eu já conhecia de outros tempos e virei fã pois tem uma atmosfera roots e é bem estruturado, sem contar a recepção simpática de sempre da Luciana e sua equipe. Recomendo.

Acampamento devidamente montado e de banho tomado, fui logo comprar algo gelado para beber com a janta, onde conversando, ficou decidido que ficaríamos um dia mais em Valizas, pois eu queria muito fazer a caminhada pelas dunas até o Cabo Polônio e também pelo fato do Ricardo estar precisando descansar um pouco mais. Juntamos o útil ao agradável.

“(…) Um farol ainda nada iria guiar enquanto não parar de girar não é leve o que realmente importa são os 12 segundos de escuridão.”


Jorge Drexler

O grande dia! Acordei junto com o sol e após um bom café, peguei a mochilinha de ataque, coloquei água e alguma coisa para beliscar, o chapéu na cabeça e toquei direto para a Barra de Valizas para pegar um bote e cruzar para o outro lado e começar a caminhada de cerca de 9 quilômetros até a vila do Farol do Cabo Polônio. Cheguei antes das 8 horas, a praia estava deserta e nenhum boteiro. Fiquei por ali, curtindo o visual e fazendo algumas fotos até que apareceu um barquinho e no leme o simpaticíssimo Sr. Nelson que antes mesmo de montar sua tenda se prontificou em me levar para o outro lado da barra. A travessia é bem curta, acho que uma distância de 150 metros no máximo, mas como o canal é profundo, ou atravessa de bote ou nadando.

O céu estava completamente azul e ventava fraco, na minha frente 9 quilômetros de dunas e praias desertas. Um ambiente minimalista e completamente selvagem. Algumas dunas chegam a ter quase 40 metros de altura. É um visual alucinante. A caminhada inicia com uma subida para o topo das dunas e de lá, basta seguir o caminho que achar melhor seguindo sempre para o sul. Depois de uma hora e pouco, já andando pela orla, avistei o imponente farol no horizonte e na medida em que me aproximava, podia identificar as casas da vila do Cabo Polônio, que fica dentro do Parque Nacional do Cabo Polônio. A vila é rústica, não existe rede elétrica, nem cercas separando as casas, nada de automóveis, para chegar ali, só de 4×4, cavalo ou na pernada. Um lugar apaixonante que conquistou meu coração.

Fui direto até a colônia de lobos-marinhos e no farol, mas para minha tristeza, a visitação ao farol estava fechada, apenas no período da tarde e eu não estava com planos de ficar tanto tempo ali, pois ainda tinha a volta toda pelo mesmo caminho. É apenas mais um motivo para querer voltar em breve para aquele pequeno e rústico paraíso.

Depois de circular na vila, conhecer um pouco das casas, hostels e pequenos restaurantes, apontei meu nariz para a praia e segui meu rumo, agora para o norte, voltando para Valizas com o sol já alto e forte. A volta foi bem cansativa, deu para fazer umas bolhas nos pés, mas nada de mais. Fui direto para o camping onde tratei de almoçar e ficar o resto do dia de bobeira e descansando.

Resumo do segundo e terceiro dia:

Distância percorrida de bike: 58 quilômetros

Distância percorrida caminhando: 19 quilômetros

Custo da diária camping: 250 pesos

Custo do barqueiro, ida e volta: 200 pesos

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Quarto dia: Valizas x La Paloma x Laguna de Rocha

Decididos em tentar sofrer menos com o sol, despertamos bastante cedo, ainda no escuro, sendo que o Ricardo, uma hora antes de mim. Ele queria arrancar ainda no escuro e aproveitar o máximo de tempo sem sol e sem o vento contrário que vinha nos fazendo companhia desde Punta Del Diablo. Como eu estava um pouco melhor condicionado, combinamos de nos encontrar pelo caminho.

Alcancei o Ricardo quase na entrada para La Paloma, como o sol já estava nervoso e o vento tinha sugado muito da nossa energia, resolvemos parar num dos muitos pontos de ônibus da Ruta 10 que são cobertos e tem bancos… que maravilha! É praticamente um Oasis para um ciclo viajante cansado.

Depois de hidratados e um pouco aliviado, tacamos o trecho que faltava até La Paloma. Chegando lá, “ na capa da gaita”, tratamos de procurar com urgência um lugar para comer e beber algo gelado. Encontramos uma padaria que servia alguns lanches e de cara fizemos nosso pedido acompanhado de duas cervejas de litro Patrícia… Aquilo foi quase um nirvana! Kkkk… Depois fomos comprar um chip de celular para mantermos contato com o povo no Brasil.

Mais um role pela cidade, dois litros de sorvete, para ajudar na hidratação enquanto o sol não dava uma baixada. Logo em seguida, tocamos para a Laguna de Rocha, um pedal de mais 15 quilômetros, chegando lá, pretendíamos fazer a travessia de barco antes do cair da noite, e assim, poder arrancar cedinho no dia seguinte.

Ao chegar na vila de pescadores da Laguna Negra, fomos direto perguntar onde morava o Sr. Pepe, que é um dos pescadores locais mas que também faz o serviços de travessias da barra especialmente para ciclo viajantes. Chegamos na casa do Sr. Pepe que é praticamente uma das últimas, antes da barra e logo ele apareceu. Enquanto conversávamos, ele recebeu uma ligação, um grupo de ciclistas argentinos, porém do outro lado da barra, que precisava cruzar. Tivemos muita sorte, pois bastaria mais uma meia-hora para perder a travessia ainda naquele dia, pois a tarde já estava caindo e até o barco voltar com os argentinos, já não teria mais sol. Sem perder tempo, carregamos as bikes para o barco e cruzamos a barra. Do outro lado, um grupo de 6 ciclistas esperavam para fazer o caminho oposto. Quando desembarcamos, foi uma rápida festa de uns 5 minutos entre nós e o grupo argentino. Mas como a tarde já estava indo embora, precisamos todos seguir nossos rumos.

Montamos as bikes e com o sol se pondo no horizonte, tratamos de pedalar rapidamente para sair logo da área de preservação do parque, pois é proibido acampar ali. Rodamos 5 kms aproximadamente, e já fora do parque, localizamos um trecho de praia deserto, que tinha uma estradinha de uns 700m até a beira do mar, tocamos para lá e já no escuro montamos acampamento na areia da praia, com um lindo visual, céu estrelado e ao norte no horizonte o brilho do farol de La Paloma. Jantamos e caímos dentro das barracas. Adormeci com os sons das ondas que para mim, são como música de ninar.

Resumo:

Distância percorrida: 81 kms

Custo do barco: 200 pesos por pessoa

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“Quando alinhamos o nosso coração com o tempo do mundo, a pressa desaparece e uma mágica acontece. Ao fazermos o que gostamos, seguindo a nossa vocação, as batidas do coração se harmonizam com o ritmo de todas as coisas, e por isso acontece algo inusitado: a vida passa a dar certo.” 

O Homem Livre – Danilo Perrotti

Quinto Dia: Acampamento selvagem em Rocha x Punta Del Este

Durante a noite o vento parou, e o único som era o das ondas. Fez um pouco de frio na madrugada e creio eu, essa soma de circunstancias fez desta noite, a melhor de todas até então. Acordei com o horizonte clareando, antes do sol aparecer na linha do mar. Um espetáculo na porta da minha barraca, que foi montada estrategicamente prevendo esse show logo cedo. “ com a praia bem deserta é que o sol pode nascer”, já cantava Raul Seixas… Maravilha!

Mas o tempo passa, o tempo voa e era necessário partir. Feito ritual do café e desmonte do circo, embarcamos para mais um dia de pedal. A temperatura estava agradável, começamos a pedalar pouco antes das 7 horas da manhã, aproveitando as condições favoráveis.

Neste trecho, a Ruta 10 não tem asfalto, é terra, porém em ótimas condições, momento perfeito para meus pneus 1.95 mostrarem todas as suas virtudes e justificarem o motivo de não usar um pneu slick. Depois de duas horas de pedal suave nos 25 quilômetros de poeirão, com o sol já promovendo aquele bronzeado napolitano, característico de ciclistas, chegamos na novíssima e bela Ponte Circular da Laguna Garzon. Logo que cruzamos a ponte, fomos direto para um Pequeno paradouro, tratar de comer algo, tomar muita coca cola gelada e descansar.

Depois desta parada de cerca de 45 minutos, resolvemos dos separar e nos reencontrar em Punta Del Este pois o Ricardo estava sentindo muito o efeito do calor e achou melhor pegar o ônibus que arranca dali onde estávamos. Meti o pé, ou melhor, as rodas novamente na Ruta 10, agora já com asfalto novamente e novamente o vento contra mostrava as suas armas…kkk… Neste momento lembrei-me da história do meu ídolo maior: “Qualquer um de nós ficaria chateadodesmotivado, mas não este homem! Não Joseph Climber!” Com essa mesma determinação e entusiasmo, fui indo contra o vento e derretendo no sol do meio dia. Depois de quase 3 horas, com algumas paradas para tomar água, sempre nos pequenos Oasis das paradas de ônibus, finalmente cheguei no Camping San Rafael, em Punta Del Este. Rapidamente montei minha barraca, coloquei todas as tralhas para dentro e tratei de ir buscar o Ricardo que não tinha a localização exata do camping e estava me aguardando em um ponto de ônibus.

Resumo:

Distância percorrida: 58 kms

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Este relato é dividido em 2 partes, para ver  mais acesse:

Ciclotour Punta del Este até Colonia del Sacramento parte 2

Ciclotour Uruguay: Punta del Este até Colonia del Sacramento, Parte 2

Ciclotour Punta del Este até Colonia del Sacramento parte 2

Sexto e sétimo dias: Punta Del Este x Piriápolis

Desta vez, ao contrário da minha última viagem ao Uruguay, tínhamos o tempo ao nosso favor, e como a ideia era curtir, resolvemos ficar por dois dias em Punta Del Este. Aproveitar para dar uns roles ostentação de bike no meio de todo o glamour e sofisticação da praia mais charmosa das terras do Hermano Mujica. E foi exatamente isso que eu fiz no sexto dia. Enquanto o Ricardo ficou aproveitando o camping,  peguei a magrela e fui direto dar um giro até o Puerto de Punta Del Este.

Seguindo sempre pelas Ramblas das praias Brava, El Emir e Playa de Los Ingleses. É um passeio com um visual completamente diferente do que a viagem apresentava até então.  Para quem gosta de barcos, e tem fetiches malucos por veleiros, como é o meu caso, o Puerto é um espetáculo de deixar qualquer criança alucinada. Dá vontade de bater de porta em porta, pedindo emprego embarcado em uma daquelas maravilhas e sair pelo mundo navegando ao sabor dos ventos… (Mutley acorda! Você está sonhado de novo!)

Na volta do passeio, fui tratar de fazer um almoço, já tarde. Depois já de barriguinha cheia, fiquei de papo com o Ricardo e foi nesta hora que chegou mais uma dupla de ciclistas no camping, Gutembergue e Chile, paulistas que estavam na estrada desde Rio Grande e tinham como destino final a cidade de Montevidéu. Ficamos em altos papos e risadas até anoitecer, e depois de um jantar regado a algumas cervejas Patricias de litro, fomos dormir pois no dia seguinte tínhamos que pegar a estrada novamente.

Mais uma vez o plano era sair bem cedo, sendo que o Ricardo saiu na escuridão, tocando por Maldonado para pegar a Ruta Interbalnearea, enquanto eu saí cerca de duas horas mais tarde, com a intenção de seguir pela orla de Punta Del Este, passando pela Playa Brava e Playa Mansa, sempre o mais próximo do mar, ainda que fosse o caminho mais longo pois acreditava que o visual iria retribuir esse esforço extra. E assim foi.

Depois de sair de Punta, já na Ruta Interbalnearia, observando no GPS, encontrei uma rota bem próxima ao mar e ao chegar no entroncamento com essa estrada, perguntei para um senhor que estava ali parado se a estrada era boa e tranquila e a resposta positiva me fez ir para lá direto, saindo da rodovia e seu movimento intenso. Bingo! Logo estava numa estradinha de terra, quase deserta e bem na orla do mar, cheia de subidinhas e decidas gostosas de fazer e com um visual que surpreendia em cada curva. Várias praias com um visual roots típico uruguaio. Fui seguindo sem muita pressa, escutando um som e fazendo algumas fotos. Acho que já de tão distraído com o caminho e acostumando com o sol e o vento contrário, quando percebi, já estava em Piriápolis e fui logo procurar o camping Piriápolis , onde o Ricardo já estava com o seu circo armado. Bebi um pouco de água e tratei de armar a minha tenda, largar minhas tralhas para dentro e só então almoçar e descansar. Acho que duas horas depois, apareceram os nossos camaradas paulistas e novamente fechamos uma roda divertida de papo, causos e risadas… Onde quer que junte um grupo de malucos desta natureza, é risada certa e diversão garantida.

Resumo:

Distância percorrida: 54 kms

Custo da diária camping: 250 pesos

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Oitavo Dia: Piriápolis x Parque Del Plata

Sábado dia 10, céu azul e tempo bom. Acordei bem disposto e ao mesmo tempo sem muita pressa de sair. O destino do dia não estava muito longe, cerca de 50 quilômetros apenas. Como nos dias anteriores, Ricardo e eu, escolhemos estratégias diferentes de chegar ao próximo destino. Optei pelo caminho mais longo, caçando sempre que possível a orla do mar. Mais uma vez o pedal era cheio de surpresas e a cada curva uma paisagem para contemplar.  Segui desta maneira por aproximadamente 15 quilômetros, e logo em seguida, fui obrigado a voltar para a bastante movimentada Ruta Interbalnearea, mas que ainda assim, oferece um belo acostamento que dá muita tranqüilidade e segurança para quem está pedalando. Fui seguindo devagar e sem nenhuma pressa, dando uma paradinha aqui, outra ali, para beber água, beliscar alguma coisa e pensar na vida, nessa coisa da existência humana. Geralmente enquanto pedalo, ou fico cantando um mantra (repetindo uma música mentalmente), ou filosofando sobre as coisas da minha vida, ou ainda, conversando com Deus.

Passando do meio-dia, avistei a ponte que antecede a entrada do Parque Del Plata, faltava localizar o camping que para minha surpresa, estava praticamente no pé da ponte, e ao cruzar, já consegui ver o Ricardo com sua Mini Pack discreta já montada. Saí da ruta e fui direto para o local onde o circo estava armado, bem embaixo da sombra de uma bela árvore. Montei meu acampamento, almocei e como de praxe, dei aquela “jiboiada” forte.

Como estava muito quente, não fizemos outra coisa que não fosse ficar naquela sombra na beira do belo Arroyo Solís Chico até o cair da noite. Falando em noite, essa foi a pior noite para mim, pois o camping fica bem próximo da Ruta Interbalnearia, e devido ao barulho do movimento de carros, não tive um bom sono.

Resumo:

Distância Percorrida: 49 kms

Custo da diária do camping: 250 pesos

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Nono dia: Parque Playa Del Plata x Montevidéu

Como não tinha jeito de dormir bem com o barulho dos carros na Ruta Interbalnearia, acabei levantando bem cedo, antes do sol, e depois de rever o briefing da missão do dia, junto com o Ricardo, que saiu antes de mim, seguindo pela Interbalnearia. Desmontei meu acampamento e também coloquei a bike na estrada, só que seguindo pelo caminho da orla. Era 6:30 da manhã de domingo,  olhando no GPS logo achei uma avenida na orla e para lá segui. Nada de vento contra, temperatura agradável, uma benção para quem tinha tido a pior noite de todas.

Fui pedalando tranquilamente, apreciando o visual da praia até que num dado momento acaba o balneário, e todos os caminhos apontam para a Ruta Interbalnearia que é muito movimentada mas como se tratava de um domingo cedo da manhã, estava bem tranquila. Neste trecho da Interbalnearia, passei por duas placas que proibiam o tráfego de bicicletas, mas como o GPS não mostrava outra alternativa, segui por ali mesmo, cerca de 9 quilômetros sem problemas. Acredito que num dia de semana e num horário de rush, pode acontecer de sofrer alguma abordagem policial, pois já se trata de uma via expressa. Assim que cruzei a ponte sobre o Arroyo Pando, o GPS já me dava algumas alternativas e sem pensar muito, saí da Interbalearia e caí novamente na direção da orla.

Depois de alguns minutos de pedal, localizei o início da Rambla Costanera, uma avenida de 15 quilômetros, já nas cercanias de Montevidéu. Na medida em que avançava rumo ao centro, já começava aparecer pessoas correndo, passeando com seus cachorros e muitos ciclistas. Era o sinal de que já estava dentro da metrópole. Fui curtindo o visual dominical, sempre pela orla e vendo no horizonte na minha frente, os grandes prédios do centro, onde fica a localização do hostel que combinei encontrar com o Ricardo.  Literalmente entrei em Montevidéu pelo cartão postal. Uma praia terminava e começava outra, pessoas na areia tomando mate, jogando bola e sentadas em cadeiras, curtindo um típico domingo de praia e sol. Não poderia ter escolhido dia melhor para chegar!

Seguindo em frente, parei no monumento que tem o nome de Montevidéu em letras gigantes, fiz aquela foto momento turista e tratei de localizar a rota para o Planet Hostel, que fica próximo. Chegando lá, pouco depois das 10 horas da manhã, encontrei o Ricardo que me aguardava e já tinha reservado um quarto para nós.  Depois que quase dez dias dormindo no chão, não seria ruim dormir numa cama. Levamos as tralhas e as bikes para dentro do hostel e fomos descansar um pouco para depois dar um passeio e comer algo.

Já com as baterias recarregadas, pegamos algumas informações no hostel sobre onde comer e a localização da rodoviária, onde pretendíamos passar para ver como estava a questão das passagens de volta para o Brasil.

Depois de fazer um lanche, fomos ver as passagens e ao chegar no guichê da TTL, para ver valores e saber como estava o movimento, fomos alertados pelo atendente que em função das festas de final de ano, poderíamos ter problemas se resolvêssemos comprar a passagem na hora. Diante desta informação, fizemos uma rápida reunião de cúpula onde mudamos um pouco o nossos planos. Resolvemos seguir de ônibus até Colonia Del Sacramento, pois o tempo já estava se esgotando e o caminho até lá não era dos mais atrativos, indo de ônibus, ganharíamos mais dois dias para curtir lá naquela que é a cidade mais antiga do Uruguay.

Tudo acertado, passagens para Colonia Del Sacramente e Porto Alegre compradas, demos mais uma volta pelo belo centro de Montevidéu e retornamos para o hostel para descansar e se preparar para no dia seguinte pegar o ônibus para Colonia.

Resumo:

Distância percorrida: 57 kms

Custo do quarto por pessoa: 600 pesos

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“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”

 Mar Sem Fim – Amyr Klink

Três dias em Colonia

Segunda-feira, depois dez dias de estrada e mais de 400 quilômetros com muito calor e vento contrário, ainda que eu estivesse no meu íntimo com uma sensação de frustração por pegar o ônibus para Colonia, meu lado pragmático dizia que essa era a decisão correta. Ficar mais dois ou três dias apenas no asfalto com vento contra, chegar em Colonia e já ter que voltar não parecia nem de longe algo divertido e também não estava fazendo nenhum desafio.

Montamos as bikes e a carga, nos despedimos da simpática Andrea, a recepcionista colombiana e ciclista que fez com que nos sentíssemos em casa, fomos para o Terminal Três Cruces, onde embarcamos às 11 horas. Depois de pouco mais de 3 horas, chegamos a Colonia Del Sacramento! Coloquei a rota para o camping Los Nogales e seguimos direto para lá.

Depois de montar o circo, comer algo e descansar, peguei a bike sem carga e fui dar um giro até o centro histórico, fazer um reconhecimento. Fiquei de boca aberta com a beleza rústica e o astral da cidade. Foi amor à primeira vista! Mas quando estava no meio do role, veio um temporal de verão e tive que sair correndo, conseguindo chegar até o shopping, onde me abriguei da rápida tempestade. Aproveitei para pegar umas cervejas para o jantar e voltei para o camping.

No dia seguinte, saímos de manhã para dar outra volta. Rodamos pelo centro histórico e depois fomos a Rambla de Las Americas, que tem uma bela orla de praia, onde tem um lindo calçadão com  muita área verde, praia e tudo mais.

Retornamos ao centro, almoçamos e fomos de volta para o camping para dar um tempo e depois, como combinado, no fim de tarde, fazer nosso último passeio até o Puerto de Yates para curtir o pôr do sol, pois no dia seguinte deveríamos voltar para Montevidéu e tomar o ônibus de volta para as terras brasileiras.

Último dia. Um rápido café e logo na seqüência, começamos a guardar as coisas e seguir para a rodoviária, embarcando para Montevideu de onde viajaríamos durante a noite toda para Porto Alegre.

Ao chegar em Porto Alegre, acompanhei o Ricardo até o hotel onde ele aguardaria o seu voo para Curitiba. Depois de uma rápida despedida do amigo, voltei pedalando para em casa.

Foram dias incríveis que deixaram uma certeza: em breve voltaremos!

 

Resumo:

Custos de camping: 260 pesos por dia

Ônibus Colonia x Montevideu: 700 pesos (ida e volta)

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Observações, dicas e truques:

–  O gasto médio diário com alimentação, ficou na casa dos 300 pesos, sendo que em mais de 80% das vezes, fizemos nossas refeições nos acampamentos.

–  Poderíamos ter feio pelo menos dois acampamentos selvagens: em Playa Del Plata e na Laguna Negra.

– Trocar moeda não é problema, em quase todos os lugares é aceito dólar e Real, é preciso apenas estar atento ao câmbio para não sair perdendo. No nosso caso, compramos pesos no Chuy.

– O transporte das bicicletas nos ônibus no Uruguay é bastante tranqüilo, só aqui no Brasil que para evitar dor de cabeça, fizemos uso dos malabikes.

– Para chegar em Montevidéu de boa, é recomendável escolher um domingo para não passar perrengue na via expressa.

– Os motoristas uruguaios são extremamente cuidadosos e cordiais, e quanto as estradas, tanto de asfalto como de terra, estão sempre em ótimas condições. Rodamos 420 quilômetros sem estres. O Uruguay é um paraíso para ciclo turismo.

Duvidas?

Entre em contato que terei o maior prazer em esclarecer.

Realização:

Trupe Adventure Suricatos Hiperativos

“Nossa zona de conforto é selvagem”

Este relato é dividido em 2 partes, para ver  mais acesse:

Ciclotour Punta del Este até Colonia del Sacramento parte 1