Torres del Paine

Em nossa viagem a Argentina, conhecemos Ushuaia e El Calafate, aproveitamos para comprar um passeio de El Calafate até o Chile, para conhecer um pouco da patagônia chilena, mais precisamente um lugar que sempre fez parte dos meus sonhos, Torres del Paine.

Da cidade de El Calafate até Torres del Paine são cerca de 260 km, ou seja, mais de 3 horas de viagem, por isso a condução saiu bem cedinho. O veículo utilizado foi um caminhão/ônibus 4×4 da empresa South Road, que é o mais indicado para estrada que utilizamos, de menor distância, pela Ruta 40.

Ao sair da Argentina rumo ao Chile foi necessário passar pela aduana argentina e posteriormente na aduana chilena, onde as mochilas passaram por scanner, ressaltando-se que não se pode ingressar no Chile com alimentos perecíveis, sob pena de multa.

O Parque Nacional Torres del Paine está localizado na Região de Magalhães ao sul da patagônia chilena e possui 227.298 hectares. Foi criado em 1959 e declarado Reserva da Biosfera pela Unesco em 1978, sendo famoso pelas formações rochosas dos picos do conjunto de montanhas, principalmente as torres de granito e os cuernos, ou “chifres”, que podem ser vistos de quase todas as áreas do parque, e em conjunto com os belos lagos, rios, a fauna e flora, criam uma paisagem deslumbrante.

No dia 27-12-2011 o Parque Nacional Torres del Paine sofreu as consequências de um incêndio que durou cerca de 10 dias e atingiu aproximadamente 7% de sua área, destruindo vegetações e matando animais. O vento existente na região contribuiu para o alastramento do fogo. Como a catástrofe foi de grandes proporções o parque ficou fechado por alguns dias.

Os troncos queimados, ainda presentes no local, são testemunhas  silenciosas dessa tragédia que destruiu milhares de hectares verdes. Mas, mesmo assim, a visão é linda e os caules secos passaram a integrar o cenário.

Torres del Paine

Torres del Paine

A preservação do parque é visível em todos os aspectos, havendo constante vigilância por parte dos guardas-florestais. Os visitantes devem respeitar as regras para evitar desastres ambientais. Por exemplo, em alguns locais é proibido o uso de fogareiro por haver alta probabilidade de incêndio. Descarte em locais inadequados, de produtos que possam poluir o ambiente, também são vedados.

Para ingressar no parque o visitante paga o valor de U$35,00 e pode lá permanecer por prazo indeterminado, só pagando novamente a taxa quando sair e quiser retornar. Nas palavras de nosso guia “pode ficar lá por quanto tempo quiser, pode até ficar para sempre”.

Entre setembro e abril é a melhor época para visitação ao parque, pois no inverno as temperaturas são abaixo de zero e com muitas nevascas, o que impede as atividades ao ar livre. Vale dizer, que mesmo indo nas épocas de temperaturas mais amenas, o corta-vento, o fleece, as roupas impermeáveis, o gorro, a luva, são itens indispensáveis.

O parque impressiona a todos pela sua beleza singular e é considerado um dos lugares prediletos dos aventureiros que adoram acampar e fazer trilhas.

Em alguns pontos do percurso víamos guanacos, que são camelídeos nativos das regiões áridas e montanhosas, mamíferos da família das lhamas e encontrados em grande número na região da patagônia chilena.

Torres del Paine

O lugar escolhido para o almoço não poderia ter sido melhor, próximo a uma queda de água que contracenava com as montanhas geladas ao fundo. Na verdade, nosso almoço era um lanche fornecido pela agência de viagem, mas muito saboroso. Fazer uma refeição em meio a natureza, no estilo piquenique, tem seu valor.

Torres del Paine

Durante o trajeto, ao nos aproximarmos do destino, da janela do ônibus, já era possível ver ao longe as famosas torres. Fizemos nossa primeira parada para apreciar as belas paisagens da patagônia chilena. Dentro de um contexto de montanhas geladas, tínhamos a primeira imagem das torres, embora ainda distantes.

Seguindo adiante fizemos uma parada na Laguna Amarga, aqui sim tínhamos uma visão perfeita das torres que são um dos cartões-postais do Chile. A Laguna Amarga completa a paisagem com todo o seu esplendor.

Torres del Paine

Torres del Paine

Torres del Paine

Essa lagoa de cor verde azulado, localizada nas encostas de Cerro Toro, recebeu esse nome devido ao alto pH. Presentes nessa lagoa estromatólitos de carbonato de cálcio, que são formações rochosas de carbonato de cálcio, encontradas em poucos lugares do mundo, como nos solares de lama e em algumas lagoas australianas.

Ver os picos de Torres del Paine bem de frente para a Laguna Amarga, proporcionou uma sensação de paz, alegria, satisfação, e a certeza de que um passeio maravilhoso estava só começando.

Uma breve parada no Mirador del Nordenskjold para admirarmos os Cuernos del Paine e o lago de cor verde azulado. O Lago Nordenskjold possui uma profundidade de 200 metros, o que permite a navegação e a prática de outras práticas esportivas.

A fauna e a flora são diversificadas, destacando-se vegetações coloridas que parecem flores e são características do local devido ao clima, consistindo numa espécie de arbusto bem rígido.

Torres del Paine

Torres del Paine

Torres del Paine

Nosso próximo ponto foi nas margens do belo Lago Pehoé, de águas cristalinas, localizado próximo à Villa Cerro Castillo. O lago de cor verde-esmeralda e a flora exuberante, com uma bela vista para os Cuernos del Paine, formam uma imagem paisagística espetacular.

Torres del Paine

Torres del Paine

Iniciamos uma caminhada próxima ao Mirador Cuernos. Nessa hora estava garoando e tinha um pouco de vento, mas nada que nos desanimasse ou tornasse a vista panorâmica menos bela. O guia explicou inúmeras coisas sobre tudo existente no local, porém, nessa hora ficou um tanto complicado para quem não entende espanhol.

Um caminho simples, mas de beleza paradisíaca, sempre com visibilidade para as montanhas geladas. As fotos mostram a beleza, mas a emoção de estar nesse lugar encantador é algo eletrizante. Os “Cuernos del Paine” são formações rochosas que parecem ter sido esculpidas.

Torres del Paine

A chuva deu uma trégua e seguimos nossa caminhada em direção a uma cachoeira: o Salto Grande, que tem 10 metros de altura. O vento frio continuava, motivo pelo qual o casaco e o gorro foram fundamentais.

A água originária do Lado Nordenskjöld flui com grande força em direção ao Lago Pehoé formando o Salto Grande. Suas águas são de um verde turquesa, que impressionam pela linda coloração. A queda de água em tons verde e branco deixa a imagem da foto fascinante.

Torres del Paine

Torres del Paine

Torres del Paine

O parque Torres del Paine tem belezas inexplicáveis, não só as torres de granito e os cuernos, mas sim toda a geografia com suas florestas virgens, os lagos de águas limpas e cores intensas, os animais silvestres, a gostosa sensação de sentir os ventos, dentre inúmeras outras coisas que tornam o lugar simplesmente deslumbrante.

Torres del Paine foi matéria recente das reportagens especiais do  Fantástico 360 graus. Confira:

Como podem verificar no mapa abaixo conhecemos apenas uma pequena parte desse lindo parque, pois nosso passeio foi somente de um dia, mas valeu a pena, ficando a vontade de retornar e explorar o que não foi possível conhecer.

Os aventureiros adoram esse lugar por ser possível fazer caminhadas de longa duração por mais de 250 quilômetros de trilhas, passando por planícies, margens de lagos, montanhas e geleiras. As duas caminhadas mais famosas são os circuitos W e O, que permitem chegar à base das torres.

Uma de nossas próximas aventuras será fazer os circuitos W e O, que consiste em trekking de 7 a 10 dias, exigindo preparo físico e disposição, mas certamente passar esse tempo num lugar tão espetacular será recompensador. Mas isso será matéria de uma próxima postagem.