Perito Moreno

Nossa viagem a Pantagônia não poderia deixar de incluir uma visita à cidade de El Calafate, onde se situa o famoso glaciar argentino, o Perito Moreno.

Antes de pousar em El Calafate, da janela do avião, víamos uma região desértica, com extensos tapetes vegetais de arbustos baixos, e não tínhamos ideia da beleza que se encontrava escondida nessa pequena cidade.

Perito Moreno

O Perito Moreno possui 5 quilômetros de largura e cerca de 60 metros de altura e é considerado uma das mais importantes reservas de água doce do mundo, sendo, inclusive, já chamado de “oitava maravilha do mundo”.

O glaciar está dentro do Parque Nacional do Glaciares, o qual possui 726.927 hectares e fica distante cerca de 80 km da cidade de El Calafate. A região toda encanta pela beleza dos bosques e montanhas presentes nos arredores.

Há, basicamente, três formas de conhecer o Perito Moreno:

  • da forma tradicional, ingressando no Parque e percorrendo pelas passarelas e mirantes, para visualizar a geleira bem de perto;
  • Safari Náutico, que consiste em navegação pelo Lago Rico a bordo de um barco, que chega bem próximo ao glaciar, onde se pode desfrutar de uma vista de baixo para cima e ter uma ideia da dimensão dessa geleira;
  • mini trekking, que consiste em caminhar diretamente na geleira.

Na cidade há várias agências de turismo que vendem os passeios, disponibilizando veículos que buscam no hotel, com acompanhamento de guia, que presta ao turista informações sobre os pontos turísticos. É possível fazer os passeios durante todo o ano, dependendo do clima que preferir.

Nosso passeio ao Perito Moreno já estava incluso no pacote de viagem que contratamos no Brasil, tanto o passeio de barco como a entrada no parque para percorrer pelas passarelas.

Caso não queira contratar uma agência de viagens, pode o turista ir por conta própria e comprar o ingresso de entrada no parque, cujos valores podem ser verificados no site. Os horários de funcionamento do parque também podem ser verificado no referido site.

A lotação contratada nos buscou no hotel bem cedinho para nos levar ao Glaciar Perito Moreno. Fizemos uma parada num mirante, de onde se pode ver a grandeza do glaciar, embora a vista fosse bem de longe. Nessa hora aumentava a ansiedade por embarcar no barco, que seria nossa primeira jornada.

Perito Moreno

Zarpamos em um barco confortável, com acomodações para todos permanecerem sentados na parte interna, fechado com vidro para proteger do vento. Esse passeio não exige esforço físico, dura cerca de uma hora e a recompensa é gratificante.

Mas ficar dentro do barco, observando sentado, não é para os aventureiros como nós, por isso ficamos na parte de cima e nas laterais da embarcação, de onde se conseguia ter uma visão melhor e sentir a emoção de estar tão perto da grandiosidade desse glaciar. Se tinha vento frio? Tinha, mas, quando se está num lugar encantador, nem o frio atrapalha!

Perito Moreno

À medida que o barco se aproxima da geleira, tem-se uma visão massiva do conjunto gigantesco dessa obra da natureza. Em vários pontos do lago flutuam blocos de gelo que se desprenderam.

Perito Moreno

Nos momentos de maior proximidade, fica bem visível que partes da geleira são de cor azul intenso, sendo que atingem essa tonalidade por serem compostas por um gelo mais compacto, sem bolhas de ar. A incidência dos raios solares deixa esse azul radiante.

Perito Moreno

Foram bons momentos navegando em frente ao glacial, sentindo uma sensação de paz e uma energia inexplicável. Foi uma experiência estonteante.

Após, seguimos para a próxima parada, onde a van nos deixou no estacionamento do parque para que seguíssemos em direção às passarelas. Logo na entrada do parque, há um painel que mostra os circuitos de passarelas, sendo cada um deles demarcado por cor diferente, conforme os níveis de dificuldade. Parte das passarelas passa pela vegetação presente no local. Fizemos todos os circuitos em menos de uma hora e a cada novo degrau que subíamos ou descíamos usufruíamos de uma visão do glaciar de ângulos diferentes.

Perito Moreno

Perito Moreno

Perito Moreno

A parada para o lanche, que tínhamos comprado na entrada do parque, foi num dos mirantes que fica bem em frente à geleira, onde há bancos para os turistas descansarem e apreciarem o Perito Moreno. Fazer uma parada ali também é uma boa oportunidade para se ver os rompimentos de partes do glacial, motivo pelo qual o local é chamado de zona de ruptura.

A geleira represa o lago argentino em alguns pontos, o que faz com que a pressão sobre o gelo provoque túneis e desabamentos nas bordas da geleira. São blocos de gelo que se desprendem e despencam de uma altura de até 60 metros e caem nas águas do lago, proporcionando aos turistas um espetáculo magnífico.

De vez em quando, é possível ouvir um trincar seguido por um estrondo seco até se ouvir o barulho mais intenso como se fosse um trovão. Muitas pessoas ficam na passarela observando, atentas a qualquer barulho vindo do glaciar, na espera de poderem presenciar esse fenômeno incrível.

Tivemos a oportunidade de ver alguns desprendimentos da geleira, o que provoca um som surpreendente, tanto na queda como ao imergir na água e vir à tona. Para conseguir registrar esse momento é imprescindível que se esteja atento e preparado. Foi possível registrar um pequeno vídeo de um desses momentos espetaculares.

Assista o vídeo:

Seguindo pelas passarelas de volta à entrada do parque, há uma trilha que permite que se chegue até o Lago Argentino, com a cor azul esverdeado, que contracena com as montanhas cobertas de gelo que se pode ver ao fundo.

Perito Moreno

Perito MorenoPerito Moreno

Perito Moreno

Como citado anteriormente, existe também a possibilidade de se caminhar sobre a geleira, desde que seja com acompanhamento de guias autorizados e mediante uso de sapatos e roupas adequadas, mas infelizmente não pudemos realizar essa atividade porque precisaríamos de mais um dia na cidade.

Viajamos em outubro, mês de temperaturas amenas e pouca chuva, no entanto, sempre será bom estar preparado para temperaturas baixas. Não esqueça de colocar na mochila roupa térmica, fleece, corta-vento, gorro e luvas.

Vale lembrar que ao viajar para qualquer parte da patagônia, será preferível estar munido da moeda local ou dólares, pois são raros os lugares que aceitam a moeda brasileira.

Com certeza a Patagônia é um dos lugares mais fascinantes do mundo, e o Perito Moreno faz parte dessa maravilha.

El Calafate

Cheguei em El Calafate no dia 19 de outubro de 2017, a primeira vista pensei, agora chequei realmente no fim do mundo, pois o aeroporto da cidade encontra-se um tanto longe, não consegui ao menos ver a cidade, percorrendo a estrada até o centro da cidade a paisagem é árida, sem muitas belezas, ao chegar em El Calafate fiquei surpreso com a arquitetura das casas e estabelecimentos comercias, a maioria das construções são de madeira, construídas a mão de um jeito um tanto minimalista.

El Calafate é uma cidadezinha de aproximadamente 20.000 habitantes que fica as margens do Lago Argentino, a cidade é toda voltada para o turismo, na avenida Libertador você encontra todas as agencias de turismo, lojas de equipamentos de aventuras, loja de suvenirs e artesanatos.

El Calafate

El Calafate

As agências de turismo possuem uma boa cartilha de pacotes, que te levam a conhecer o famoso Glaciar Perito Moreno, fazer cavalgadas, conhecer as estâncias, fazer trilhas ou trekking no Glaciar, passeios a cavalo, andar de barco pelos glaciares, enfrentar o medo de altura em uma tirolesa de 2.500 metros de distância ou até mesmo fazer uma aventura de 4×4 até o Parque Nacional Torres del Paine no Chile.

Caso você queira fazer todas estas aventuras citadas a cima separe um dia para cada aventura, pois os passeios saem do centro de El Calafate, a grande maioria destes passeios começam logo que amanhece e retorna a cidade ao anoitecer.

O primeiro passeio que fiz na cidade de El Calafate foi a pé, queria explorar a cidadezinha passo a passo, interagindo com seu povo e descobrindo por conta própria seus atrativos. O lugar escolhido foi a Reserva Ecológica Laguna Nimes que ficava a cerca de 4 quilômetros de distância do Hotel fazenda Kau Yatun onde estava hospedado, nesta reserva é possível contemplar duas lagunas, sendo a Nimes e a Laguna Negra, caso você for no inverno é possível patinar sobre o gelo, pois as duas lagunas ficam totalmente congeladas.

El Calafate

Na cidade existem boas opções de alimentação, mas são muita caras, as refeições na cidade de El Calafate podem custar R$ 50,00 até R$ 150,00 reais por refeição em estabelecimentos, então vá com bastante dinheiro, na maioria dos estabelecimentos são aceitos Dólares Americanos ou Pesos Argentinos, sendo que se você pagar em Dólar o seu troco será em Pesos, então fique esperto na hora de pagar o que consumiu, sempre pegue o ticket como comprovante, pois os argentinos podem cobrar você novamente em poucos minutos. kkk

O segundo dia na cidade de El Calafate, fomos conhecer o famoso Glaciar Perito Moreno, passear de barco pelo Rio Rico e contemplar a beleza do Glaciar por outro ângulo. Veja tudo que aconteceu nessa aventura, clique aqui.

Conheça as trilhas da Terra do Fogo

Começamos o passeio pelo Parque Nacional Terra do Fogo no dia 17 de Outubro de 2017, nele pudemos contemplar alguns dos atrativos mais importantes do parque.

O Parque Nacional Terra do fogo possui uma área de aproximadamente 63.000 hectares e é banhado pelo Canal de Beagle, localiza-se a 12 quilômetros afastado da cidade de Ushuaia, sendo que apenas está disponível para uso público cerca de 3% de toda a área, nesta pequena parte que pudemos conhecer estão alguns dos atrativos mais importantes e belos do parque.

Atividades permitidas dentro do Parque Nacional Terra do Fogo:

Terra do Fogo

Dentro do parque está disponível quatro áreas de camping selvagem, sendo que em todos existem áreas já delimitadas para fazer a comida, é recomendável que você use seu fogareiro, caso não tenha esse equipamento, é possível fazer um pequeno fogo apenas para cozinhar seus alimentos.

Localização dos campings:

Camping 1 localiza-se ao lado do Rio Pipo;

Camping 2 localiza-se perto da Bahia Ensenada Zaratiegui;

Camping 3  e 4 localiza-se perto do Rio Lapataia.

Caso queira explorar o parque a pé, existe quatro caminhos demarcados para que você contemple da melhor forma possível toda a beleza desse enorme atrativo. Abaixo listamos alguns caminhos já demarcados e permitidos.

Caminho Pampa Alta

Neste caminho você percorre cerca de 4,9 quilômetros onde é possível contemplar o ponto panorâmico, o Canal de Beagle e o vale do Rio Pipo, o trecho começa perto da Bahia Ensenada, percorrendo um caminho até o Camping 1 do Rio Pipo.

Dificuldade: Média

Duração: Uma hora até o ponto Panorâmico

Caminho Costera 

Caminhada de 8 quilômetros pela costa marinha, cruzando florestas de Guindo e  Canelo, acesso pela Ensenada ou na junção do Lago Roca na Ruta 3.

Dificuldade: Média

Duração: Quatro Horas

Caminho Hito XXIV

Caminhada com cerca de 7 quilômetros pela margem do Rio Roca até  o limite internacional entre Argentina/Chile.

Dificuldade: Média

Duração: 3 horas ida e volta

Cerro Guanaco

Do alto do cume Guanaco é possível apreciar uma maravilhosa vista da Cordilheira Fueguina e suas turferas. É acessado pelo caminho Hito XXIV, depois de atravessar o Guanaco há um desvio sinalizado na direita. Toda a rota é em acessão por encostas íngremes, toda a trilha tem 8 quilômetros no total.

Dificuldade: Alta

Duração: 8 horas ida e volta

Caminhadas no setor de Lapataia

Terra do Fogo

Passeio na Ilha

Uma trilha com aproximadamente 600 metros de distância pelo Arquipélago Cormorantes, passando pelas margens do Rio Lapataia e Ovando. Boa oportunidade de observar aves aquáticas.

Dificuldade: Baixa

Laguna Negra

Trilha de aproximadamente 950 metros de distância, onde é possível ver uma Turfa em formação.

Dificuldade: Baixa

Mirador Lapataia

Um caminho de aproximadamente 1 quilômetro que leva ao Turbal, podendo ser uma boa alternativa para acessar a Bahia Lapataia, transitando por um bosque de Lenga.

Del Turbal

Circuito alternativo para a Ruta 3 e acessa a Bahia Lapataia. É possível observar antigas moradias de castores rodeados de Turfas. Se conecta com o caminho que leva a castorera.

Distância: 2 km

Dificuldade: Baixa

Castorera

Com distância de 400 metros ida e volta a reserva de Castores, é possível acessar pela Ruta 3 e rastrear o caminho dos castores pelo lado direito, vendo assim o impacto causado por esta espécie exótica.

Dificuldade: Baixa

Caminho de la Baliza

Caminho com 1,5 quilômetros de ida e volta, onde é possível ver um farol, localizado no limite da reserva natural, podendo ver também uma Castorera ativa.

Dificuldade: Baixa

Na nossa visita ao Parque Nacional Terra do Fogo, contemplamos inúmeras paisagens, sendo de montanhas geladas, trilhas em meio a bosques verdejantes, caminhamos também pelas passarelas da Bahia Lapataia que possuem uma vista de tirar o fôlego e percorremos no passeio de 40 minutos aproximadamente no Trem do Fim do Mundo.

Abaixo você poderá ver as nossas melhores fotos desse atrativo turístico tão magnífico de Ushuaia.

Terra do Fogo
Estação do Trem do Fim do Mundo – Ferrocarril Austral
Terra do Fogo
Laguna Verde

Terra do Fogo

Terra do Fogo
Bahia Lapataia
Terra do Fogo
Bahia Lapataia
Terra do Fogo
Bahia Lapataia – Puerto Arias
Terra do Fogo
Senda del Mirador
Terra do Fogo
Trem do Fim do Mundo

Travessias de longa distância em 2017

Selecionamos uma lista com mais de 20 travessias de longa distância para você aventureiro(a) realizar em 2017.

As aventuras ocorrerão em diferentes regiões do Brasil, Argentina e Chile.

Firmamos uma interessante parceria com a empresa Clube Trekking, onde obtivemos desconto de 10% para os interessados em participar das travessias e trekking do ano de 2017.

Regra para obtenção do desconto:

Esses 10% de desconto não são cumulativos, as inscrições devem ocorrer até a véspera de desconto. Para ser validado o desconto, deve-se enviar para a empresa Clube trekking a imagem a seguir:

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Imagem para validação do desconto.

Estatísticas sobre as travessias do ano de 2017:

Mais de 20 eventos de trekking de longa distância.
2.218,223 Km a pé.
91,682 Km pro céu (aclive acumulado).
96,343 Km pro inferno (declive acumulado).
97 dias de camping selvagem.
430.200 Kcal consumidas (57,3 Kg a menos).

Lista com os Trekking e travessias de 2017 realizadas pela empresa Clube Trekking

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1 – Expedição ao Cerro Plata na Argentina

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Informações básicas:
Quando: de 11/01 a 18/01/2017.
Distância total: 36,784 Km a pé, distância aferida por GPS.
Saída do Brasil: no dia 09/01 e com retorno ao país no dia 20/01/2017.
Nível do trekking: avançado com necessidade de equipamentos e vestuário para alta montanha.

Clique aqui para saber mais.

2 – Travessia Cruce de los Andes

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Informações básicas:
Quando: de 19/01 a 24/01/2017.
Distância total: 105,714 Km a pé, distância aferida por GPS.
Encontro na Argentina: no dia 19/01 e com chegada em Santiago no Chile no dia 24/01/2017.
Nível do trekking: avançado com necessidade de alguns equipamentos e vestuários para alta montanha.

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3 – Travessia das 25 cachoeiras em São Martinho da Serra RS

Informações básicas:
Horários: saída de Santa Maria RS às 06:40 do dia 11/02 e retorno à Santa Maria até às 20:40 do dia 12/02/2017.
Local da saída: esquina da avenida Borges de Medeiros com Silva Jardim em Santa Maria RS.
Distância: 32,434 Km a pé, distância aferida por GPS.
Nível da trilha: Intermediário 8, para participantes experientes e com bom preparo físico.
Índice UV: 13 (Extremo), use filtro solar.
Exposição ao sol: entre 50% e 75% do percurso.

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4 – Expedição ao Cerro Mercedário na Argentina

 

Informações básicas:
Quando: de 04/03 a 13/03/2017.
Distância total: 37,580 Km a pé, distância aferida por GPS.
Saída do Brasil: no dia 01/03 e com retorno ao país no dia 16/03/2017. Há duas vagas no carro 4×4 que sairá de SC e passará no RS.
Nível do trekking: avançado com necessidade de equipamentos e vestuários para alta montanha.

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5 – Travessia da Ferrovia do Trigo RS

Informações básicas:
Quando: de 01 a 02/04/2017.
Distância total: 53,285 Km a pé, distância aferida por GPS.
Vagas: 10 vagas para clientes.
Locais de saídas no dia 01/04: em Muçum RS às 07:30 ou em Guaporé RS às 08:30.
Horários das chegadas no dia 02/04: em Muçum RS até às 17:00 ou em Guaporé RS até às 21:30.
Nível do trekking: Intermediário 8.
Exposição ao sol: entre 75% e 90% do percurso.

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6 – Travessia Cânion Laranjeiras x Serra do Rio do Rastro SC

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Informações básicas:
Quando: de 14 a 16/04/2017 (feriadão de Páscoa).
Horários: encontro às 14:30 do dia 14/04 e o final do trekking será até às 15:00 do dia 16/04/2017.
Distância total: 37,420 Km a pé, distância aferida por GPS.
Vagas: máximo de 13 vagas para clientes.
Encontro: Mirante da Serra do Rio do Rastro em Bom Jardim da Serra SC

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7 – Travessia no Campo dos Padres SC

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Informações básicas:
Quando: de 21 a 23/04/2017 (feriadão de Tiradentes).
Distância total: 82,778 Km a pé, distância aferida por GPS.
Vagas: até 10 vagas para clientes.
Encontro: Graxaim EcoHostel em Urubici SC.
Nível do trekking: avançado.

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8 – Travessia dos 9 cumes na Serra do Ibitiraquire PR

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Informações básicas:
Quando: de 29/04 a 01/05/2017.
Distância total: 31,328 Km a pé, distância aferida por GPS.
Vagas: 6 vagas para clientes.
Encontro: em Curitiba PR no dia 29/04 às 06:30.
Nível do trekking: avançado.

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9 – Trekking no Caminho do Itupava e Conjunto Marumbi PR

Informações básicas:
Horários: saída às 07:00 do dia 02/05 e a chegada até às 19:30 do dia 03/05/2017.
Local da saída e retorno: Rodoferroviária de Curitiba PR.
Distâncias: Caminho do Itupava (13,629 Km), e Marumbi (10,346 Km). Distâncias aferidas por GPS.
Nível da trilha: Intermediário 9, para participantes experientes e com bom preparo físico.
Índice UV: 9 (Moderado), use filtro solar.
Exposição ao sol: entre 75% e 90% do percurso.

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10 – Travessia da Ferrovia TPS em Bento Gonçalves RS

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Informações básicas:
Quando: de 06 a 07/05/2017.
Distância total: 47,270 Km a pé, distância aferida por GPS.
Vagas: 10 vagas para clientes.
Local de saída no dia 06/05: saída às 07:00 no Restaurante e Lancheria Kibon (goo.gl/maps/txDee8S6jyM2), ao lado da Ponte Ernesto Dornelles em Bento Gonçalves RS.
Horário da chegada no dia 07/05: retorno ao mesmo local da saída até às 17:00.
Nível do trekking: Intermediário 7.
Exposição ao sol: entre 75% e 90% do percurso.

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11 – Travessia 360º na Serra do Cipó MG

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Informações básicas:
Quando: de 17/05 a 21/05/2017.
Distância total: 117,649 Km a pé, distância aferida por GPS.
Encontro e término do trekking: em Conceição do Mato Dentro MG.

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12 – Travessia Transmantiqueira Clássica

Informações básicas:
Quando: de 01 a 08/06/2017.
Distância total: 154,192 Km a pé, distância aferida por GPS.
Vagas: mínimo de 3 e máximo de 5 clientes.
Encontro: em Lorena SP.
Término do trekking: em Maromba, distrito de Visconde de Mauá RJ.
Pontos de captação de água: ao menos dois pontos por dia.
Pontos para compra da alimentação: a cada dois ou três dias teremos vendas para compra da alimentação durante a travessia.

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13 – Travessia Araçatuba PR x Monte Crista SC

Informações:
Horários: saída às 07:00 do dia 15/06 e a chegada até às 18:30 do dia 18/06/2017.
Local da saída e retorno: Jardim Botânico de Curitiba PR.
Distância total: 61,566 Km a pé, distância aferida por GPS.
Exposição ao sol: entre 75% e 90% do percurso.

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14 – Travessia Transmantiqueira 300 Km

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Informações básicas:
Quando: de 20/06 a 02/07/2017.
Distância total: 299,978 Km a pé, distância aferida por GPS.
Vagas: 5 vagas.
Encontro: em Lorena SP.
Término do trekking: Aiuruoca MG.
Nível do trekking: avançado.
Pontos de captação de água: ao menos dois pontos por dia.
Pontos para compra da alimentação: a cada dois ou três dias teremos vendas para compra da alimentação durante a travessia.

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15 – Travessia da Serra Fina em quatro dias

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Informações básicas:
Quando: de 04 a 07/07/2017.
Distância total: 30,226 Km a pé, distância aferida por GPS.
Vagas: 7 vagas para clientes.
Encontro: em Passa Quatro MG às 17:00 do dia 03/07.
Nível do trekking: avançado.
Pontos de captação de água: ao menos um ponto por dia.

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16 – Travessia da Serra Fina em dois dias

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Informações básicas:
Quando: de 08 a 09/07/2017.
Distância total: 30,226 Km a pé, distância aferida por GPS.
Vagas: 7 vagas para clientes.
Encontro: em Passa Quatro MG às 17:00 do dia 07/07.
Pontos de captação de água: ao menos um ponto por dia.

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17 – Travessia dos 14 cumes no PR

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Informações básicas:
Quando: de 19 a 23/07/2017.
Distância total: 55,554 Km a pé, distância aferida por GPS.
Encontro: em Curitiba PR no dia 19/06 às 06:00.

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18 – Travessia Transmantiqueira 630 Km

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Informações básicas:
Quando: de 01/08 a 18/08/2017.
Distância total: 630,436 Km a pé, distância aferida pelo software TrackMaker.

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19 – Travessia na Chapada Diamantina BA

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Informações básicas:
Quando: de 24 a 28/08/2017.
Distância total: 91,058 Km a pé, distância aferida por GPS.
Encontro para o trekking: em Lençóis BA.
Final do trekking em: Andaraí BA.

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20 – Travessia Cânion Laranjeiras x Serra do Rio do Rastro SC

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Informações básicas:
Quando: de 05 a 06/09/2017.
Distância total: 36,199 Km a pé, distância aferida por GPS.
Encontro: Mirante da Serra do Rio do Rastro em Bom Jardim da Serra SC.

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21 – Travessia 10 Cânions do Sul

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Informações básicas:
Quando: de 05 a 10/09/2017.
Distância total: 131,053 Km a pé, distância aferida por GPS.
Encontro: Mirante da Serra do Rio do Rastro em Bom Jardim da Serra SC.

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22 – Travessia Serra do Rio do Rastro SC x Serra da Rocinha RS

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Informações básicas:
Quando: de 07 a 10/09/2017.
Distância total: 92,854 Km a pé, distância aferida por GPS.
Encontro: Pousada Capão Bonito próximo da Serra do Rio do Rastro em Bom Jardim da Serra SC.

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23 – Trekking 360º em Torres del Paine

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Informações básicas:
Quando: de 01/11 a 15/11/2017.
Distância total: 133,414 Km a pé, distância aferida por GPS.
Saída do Brasil: no dia 01/11 e com retorno ao país no dia 15/11.

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24 – Travessia dos cânions Piruva e Queda Livre em Ivorá RS

Informações:
Horários: saída às 06:15 do dia 09/12 e retorno à Santa Maria até às 19:30 do dia 10/12/2017.
Local da saída: Estação Rodoviária de Santa Maria RS.
Distância: 31,723 Km a pé, distância aferida por GPS.
Exposição ao sol: entre 50% e 75% do percurso.

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Uruguai Road Trip

Chegou o dia de mais uma aventura… Uma aventura sonhada.. Depois de 4 visitas ao Uruguai chega o dia de seguir meu próprio caminho. Um roteiro desenhado na minha mente. Somente linhas traçadas em um mapa. Desde 2010 várias idas e vindas entre o Brasil e o hermoso Uruguai. E a vontade de realizar a grande trip.

Uruguai Road Trip

Chegar ao Uruguai por Barra do Quaraí/Bella Union. Descer o mapa até Colônia de Sacramento e seguir costeando o rio da Prata até Punta del Este. Subir pelo litoral e seguir até Chuy, visitar as cidades pelo caminho, poder parar, olhar o sol, apreciar o mar, entender a história deste nobre e humilde país.

No primeiro dia seguiremos até Uruguaiana, para uma breve visita a Passo de Los Libres na Argentina. Afinal, temos um destino, o que não quer dizer que temos que seguir uma linha reta. Você faz sua aventura, você faz seu caminho. Não depende de ter companhia, depende única e exclusivamente da sua vontade junto a um bom planejamento. Eu e o Márcio seguiremos viagem até Uruguaiana. Mochilas gêmeas aventureiras.

Uruguai Road Trip

Quando contei sobre a viagem, a pergunta foi: quando a gente vai? Resposta nas próximas férias! Montamos o roteiro, com base no meu mapa mental. Utilizamos o Google Maps para traçar a rota principal e realizamos a busca por campings nos pontos de parada. De pensar que há anos atrás eu viajava com um simples mapa rodoviário tamanho gigante. Volta e meia parava na beira da rodovia para pedir informações e abria o mapa no capô do carro para verificar as opção de rota nas tantas vezes que me perdi no caminho.

As vezes sentia medo de não achar o caminho mas sempre encontrei pessoas de bem que me ajudavam a voltar a rota correta. O espírito aventureiro sempre fala mais alto nessas horas. O sorriso no rosto é um ótimo cartão de visita.

Até breve. Márcio e Lu.

Acompanhe a nossa aventura acessando a fanpage: Trekking RS ou pelas Hashtag: #trekkingrs #caminhospelomundo #brasileirosnouruguai #uruguairoadtrip

Uruguai Road Trip
Chegando a Santa Maria/RS – Brasil

Segundo dia 13/10/2016

Acordamos cedo, o que possibilitou a linda vista do nascer do sol as margens do Rio Uruguai. Com suas águas turvas, em função da chuva da noite, mas ao mesmo tempo brilhante e encantador. A opção era seguir viagem rumo ao Uruguai ou dar uma passadinha no outro país vizinho, a Argentina. Rumo a Passo de Los Libres, passamos a ponte Brasil x Argentina e chegamos a Aduana Argentina.

 

Uruguai Road Trip - Uruguaina
Nascer do sol em Uruguaiana – 13/10/2016

Sugestão: caso visitem a Argentina, via terrestre, tenham o mínino de coisas possível no carro, pois terão que descarregar e mostrar tudo que estão carregando.

Passeamos pela cidade, uma cidade simples, hospitaleira a maneira Argentina, mas percebe-se que o povo tem sofrido bastante com os problemas econômicos do país, os preços estão nas alturas e você só pode trocar moeda em bancos ou com os cambistas que ficam ao longo da estrada, entre a ponte e o Centro da cidade. Permanecemos não mais que 4 horas e retornamos a Uruguaiana para seguir viagem. Na volta o carro não foi revistado.

Uruguai Road Trip
Passo De Los Libres – Argentina – 13/10/2016
Uruguai Road Trip
Passo De Los Libres – Argentina – 13/10/2016

Seguimos até Barra do Quaraí e passamos a alfândega Uruguaia em Bella Union sem problemas. Somente abrimos o porta malas para que o fiscal olhasse e ele mesmo já nos encaminhou para a migração. Seguimos até Termas del Arapey, famoso balneário de águas termais uruguaio, onde nos instalamos no camping. A avaliação do local e maiores informações serão descritos em outro post, pois o local oferece várias opções. O camping oferece um lindo por do sol. Onde somente os apreciadores da natureza podem ver!

Uruguai Road Trip
Termas del Arapey – Uruguai – 13/10/2016
Uruguai Road Trip
Termas del Arapey – Uruguai – 13/10/2016

Tríplice Fronteira – Brasil, Argentina e Paraguai

Fala galera… Hoje tenho a incumbência de contar pra vocês o que na minha humilde opinião é um lugar de belezas naturais e diversidade cultural único em nosso país, nada mais e nada menos do que Foz do Iguaçu-PR, que além de ser conhecida por ser a terra das cataratas é também a porta de entrada da tríplice fronteira (Brasil, Argentina e Paraguai) com uma diversidade cultural incrível.

Sem mais delongas, a cidade de Foz do Iguaçu tem uma ampla variedade de hotéis e hostel muito bem localizados (centro da cidade) para todos os gostos e bolsos e também conta com transporte publico de qualidade a um preço justo R$ 3,20 a passagem para os destinos mais procurados: Cataratas, Parque das Aves, Museu de cera, Aeroporto e Itaipu. Há também em vários pontos no centro da cidade paradas de ônibus internacionais que levam você e sua mochila para as cidades de Puerto Iguazu na Argentina por aproximadamente R$ 13,00 e Ciudad del Este no Paraguai  por R$ 5,00. Os ônibus funcionam todos os dias até as 19:00 horas com uma frequência menor em finais de semana e feriados, mas que valem toda a espera. Vai por mim!

No Parque Nacional do Iguaçu, você conhecerá uma das 7 novas maravilhas do mundo, o ingresso custa R$ 33,00 reais para brasileiros com preços diferenciados para sul americanos e estrangeiros de outros continentes, Só conhecendo para entender o que as cataratas realmente representam.

Tríplice Fronteira - Brasil, Argentina e Paraguai

Tríplice Fronteira - Brasil, Argentina e Paraguai

Outro lugar encantador que fica a poucos metros do parque nacional é o Parque das Aves, refúgio de animais com beleza sem igual que teriam como destino o tráfico internacional onde foram resgatados e protegidos por biólogos e pesquisadores da região. O parque proporciona contato com animas que dificilmente teríamos oportunidade em outros lugares. O custo do ingresso custa R$ 24,00 reais e com descontos para estudantes e pessoas acima dos 60 anos. Vale muito!

Tríplice Fronteira - Brasil, Argentina e Paraguai

A Usina Itaipu Binacional (BRA-PAR) também é uma ótima opção para quem esta com mais tempo e dinheiro também. Cada passeio tem o seu valor e você pode fazer seu cronograma no momento da compra do ingresso, para aproveitar o máximo é recomendado um dia inteiro. Recomendo: Visita panorâmica R$ 27,00 e Refugio biológico R$ 20,00 por pessoa.

Tríplice Fronteira - Brasil, Argentina e Paraguai

Pra quem procura um lugar de paz e tranquilidade para relaxar ou meditar o templo budista é o lugar certo, pois é afastado do centro da cidade e dos principais pontos turísticos mas vale muito a pena o lugar é lindo e a vibe é muito boa e claro o melhor de tudo é que a entrada é gratuita! Recomendo ir cedo com alguém que já conheça o lugar ou com o ônibus turístico pois é um caminho que não esta muito sinalizado, mas nada que uma boa e velha bússola  não resolva….brincadeira!

Tríplice Fronteira - Brasil, Argentina e Paraguai

Tríplice Fronteira - Brasil, Argentina e Paraguai

Já que estamos falando em religião, Foz do Iguaçu abriga a maior comunidade muçulmana do Brasil, aproximadamente 20 mil pessoas vindas principalmente do Líbano e claro também é a maior mesquita. É muito comum ver mulheres usando véu nas ruas e encontrar pessoas falando árabe na fila do banco ou mercado. Se está curioso para conhecer um pouco mais da cultura árabe a mesquita que se encontra na zona central da cidade está aberta a visitação de segunda à sexta das 09:00 às 11:30 e 14:00 até 17:30 horas e nos sábados 09:00 as 11:30 com entrada gratuita.

Tríplice Fronteira - Brasil, Argentina e Paraguai

Para encerrar, não posso deixar de citar a vida noturna da cidade que além de contar com restaurantes de comida árabe, japonesa, italiana, espanhola e mexicana tem ótimos PUB´s e casa de show com atrações nacionais.

Recomendo: Amarantha Pub, Zeppelin old bar, Taj bar, Woods e Ono music hall.

Dica:

Se for usar o transporte público da cidade recomendo que baixe o aplicativo buzao foz, nele você encontra horários e destinos de todas as linhas disponíveis. Linhas mais procuradas – Linha 120: Museu de cera, shopping palladium, Aeroporto, Parque das Aves e Parque Nacional do Iguaçu e Linha 75: Usina Itaipu.

Puerto Iguazu – ARG é uma cidade que muitas vezes é deixada de lado por grande parte dos brasileiros, tem como enfoque principal o Ecoturismo e a sustentabilidade contrastando com uma charmosa e eletrizante vida noturna.

Começamos com a principal atração turística desse lugar, as cataratas do lado argentino, sim nossos hermanos ficaram com a maior parte das quedas e também da incomparável Garganta Del Diablo. A entrada tem um preço mais salgado que a brasileira, cerca de 200 pesos argentinos, aproximadamente R$ 50,00 reais por visitante, mas posso garantir que vale cada centavo investido nessa aventura, pois o contato com plantas e animais é ainda mais intenso e surpreendente, além de poder percorrer praticamente toda extensão do parque em um trem que sai da estação a cada 10 minutos. A visita em ambos lados, tanto do brasileiro quanto do Argentino é fundamental para ter uma ideia melhor da força grandiosa que representa as cataratas, garanto que não haverá arrependimentos no final do passeio.

Tríplice Fronteira - Brasil, Argentina e Paraguai

Um passeio pelo marco das 3 fronteiras é algo que não pode faltar, um lugar lindo repleto de verde  e com uma  estrutura para caminhar e praticar esportes ao ar livre.

Quem gosta de frio, vai encontrar no Ice Bar um refugio perfeito em meio a floresta tropical, se trata de um bar onde pode chegar a -10 graus onde tudo é feito de gelo, parede, sofá, copos e esculturas. Cada grupo pode permanecer cerca de 25 min. no local e recebe um casaco térmico para não morrer de frio nesse mini Alaska. Um detalhe de extrema importância é OPEN BAR ou seja você pode tomar todas as bebidas que puder nesses poucos minutos sem pagar nenhum tostão…mas com um frio desses qual é a pessoa que se anima a tomar um fardo de cerveja.

Parada obrigatória aos visitantes é na tradicional feirinha que acontece todos os dias depois das 17 horas no centro da cidade onde se pode encontrar uma ótima variedade e qualidade de vinhos, queijos e azeitonas oriundos da cidade Argentina de Mendoza e claro comer a famosa empanada argentina, que é realmente uma delicia.

O comércio da cidade é baseado em artesanato local, sorvetes naturais e ótimos restaurantes que ficam abertos até altas horas da noite, sem falar no famoso cassino e free shop na entrada da cidade.

Recomendo: The living Room,Quita penas resto Bar, Casanova nightclub e Brook Iguazu.

Tríplice Fronteira - Brasil, Argentina e Paraguai

Cordón del Plata: a meca do montanhismo argentino

Cordón del Plata: a meca do montanhismo argentino

A primeira coisa que chama atenção é o calor infernal. É uma manhã particularmente sufocante em Mendoza. Há dois dias saí da úmida cidade de Joinville, em Santa Catarina, com chuva borrifando no para-brisa do ônibus. Frio e desconforto debaixo do ar-condicionado. E agora aqui, em pleno sol e ar seco da cidade Argentina.
 
É quase meio-dia de uma quarta-feira escaldante de janeiro quando o motorista anuncia a chegada na Estación Terminal de Ómnibus. Finalmente! Foram aproximadamente dois mil e seiscentos quilômetros desde que saí do Brasil. Uma viagem em que o tempo repousava às margens da minha imaginação que fantasiava cenários desconhecidos.
 
Já no portal de desembarque defronto com outra novidade na atmosfera mendocina: o cheiro cosmopolita. Posso sentir o cheiro nômade que emana dos italianos, estadunidenses, alemães, colombianos e peruanos. O cheiro desse ambiente, porém, é um tanto diferente. Posso sentir a textura cultural, isto é, a identidade de cada viajante. É cheiro de suor, de aventura e de aromas que florescem de nativos e forasteiros. Esse cheiro me conscientiza que sou apenas um, entre tantos outros peregrinos de passagem pelas estações do mundo.
 
E finalmente, a descoberta mais esperada, as montanhas. A Cordilheira dos Andes. Como ela combina com esta paisagem, com esta cidade, com esses cheiros! Como se homem e montanha fossem uma unidade só, indissolúveis. No meio destes picos nevados de rochas e gelo o homem também é um intruso, sedento por alguns minutos de prazer no topo das colinas. Entretanto, essa sede o faz mover com naturalidade e resistência. Segue num ritmo determinado pela paixão. Um ritmo sem pressa, pois não se é possível conseguir tudo na vida.
 
Vim para Mendoza por um motivo especial. Aprendi que ter uma meta é algo positivo, pois a pessoa se dirige para aquele objetivo até alcançá-lo. Entretanto, penetrar num país desconhecido pode trazer muitas surpresas – boas e ruins. Estou aqui na condição de jornalista de aventura e para conhecer o Parque Provincial Cordón del Plata, na região de Vallecitos. Um destino que espero (im) paciente há meses. A região é cercada por uma vasta cadeia de montanhas, que traz no cardápio picos de 3.500 a 5.900 metros de altitude.
 
Mendoza está situada aos pés da Cordilheira dos Andes e se destaca como importante região produtora de vinho e azeitona. A cidade também é repleta de espaços arborizados, onde as pessoas passam o dia caminhando ou sentadas à sombra das árvores. Canais hidráulicos ladeados de álamos formam artérias que cruzam a cidade, permitindo a irrigação e o cultivo, especialmente da uva.
 
A viagem até aqui foi uma excursão por um reino interminável de estrada.  Os incômodos durante toda noite – pois saí de Buenos Aires antes do entardecer do dia anterior – me deixou esgotado. É verão e eu estou há dois dias sem tomar banho. O suor acumulado durante esse período me deixou com cheiro de suor velho e azedo. Estou completamente coberto por uma armadura de sujeira.
 
Sento-me para descansar, bebo o resto da água que sobrou em minha garrafa e assisto a movimentação de pessoas na estação de ônibus. Procuro o que escrever em meu caderno de anotações. Olho em volta, surgem as primeiras ideias: “Estou em Mendoza e observo os prédios. Eles são altos,estão pintados de branco. Árvores gigantes largam folhas pelo chão. O vento as levam para longe…” Enquanto escrevo, levo as mãos ao nariz. Cheiram a transpiração. Distraio-me com o barulho vindo do lado de fora.  Nada mais sai, estou sem inspiração. Deve ser a ligeira fome.
 
Paro por um instante, inclino a cabeça e reparo uma senhora de meia-idade que senta ao meu lado. Ela abre um lenço onde guarda um pão velho e alguns pedaços de mortadela. Dá para sentir o odor do trapo em que embrulha o alimento. Come um pouco e permanece sentada, até o instante em que alguém aparece às suas costas. Ela levanta num sobressalto ao constatar a criatura atrás dela. “Holaaaa!”, falou a criatura. A senhora gira a cabeça em sentido anti-horário, o bastante para verificar que se trata de alguém familiar. Irmã? Sei lá. Imagino. Elas se cumprimentam, eu só observo. Não dá para compreender o que dizem – não sou de ouvir conversa alheia, mas fiquei interessado em saber quem são elas. Pura curiosidade. Elas se afastam, parecem querer ir embora. A senhora segura a única mala que carrega, ergue com determinação e segue pelo corredor da estação. Em poucos minutos, ela e a criatura se misturam a multidão.
 
Eu ainda não me decidi entre as duas opções possíveis de locomoção: ônibus ou táxi? A princípio, penso em ir de ônibus, mas o desconhecimento da região me faz desistir do propósito. Mesmo que soubesse o trajeto, encarar a difícil tarefa de dividir o apertado espaço de um coletivo seria um desastre nas condições em que me encontro. Se não sabem, carrego cerca de 25 quilos de equipamentos para montanhismo.
 
Ir de táxi parece ser mais simples. Basta acenar com a mão para que um deles se aproxime. Aqui esses veículos são pretos e as portas são pintadas de amarelo. Também existe o “remis”. Diferentemente do táxi tradicional, o remis não têm marcação e se assemelham a um carro particular. Um número pintado de amarelo e uma antena no porta-malas é a maneira de identificá-los.
 
Nessa indecisão, vacilando entre uma opção e outra, passa meia hora. Logo passa uma hora, uma hora e quinze minutos… Um momento, um táxi se aproxima. Aceno! O motorista desce o vidro, me cumprimenta e pergunta: “A dónde vás?”. Me curvo para vê-lo melhor através da janela. “Hotel Íbis”, respondo. “Guaymallen?”, pergunta. “Sí, Guaymallen!”, repito triunfante. Ele, sem mais nada dizer, abre a porta e eu entro.
 
Sento-me ao lado do motorista. Minha bagagem fica no porta-malas. Saímos em silêncio. Claro, tento puxar assunto: “Qué tan caliente está aquí, no? Faz quase quarenta graus no início da tarde! “Sí, infernal…”, disse, e com isso a conversa acabou mesmo antes de ter começado. Seguimos adiante.
 
Em menos de 15 minutos chegamos nas proximidades do hotel, próximo a uma rodovia movimentada de Mendoza, a MRN7. O taxista conduz o carro até a entrada do prédio. Uma sensação de alívio, pois estou com fome e cansado. Vejo o taxímetro: 26 pesos argentinos. Saco 30 pesos da carteira e entrego a ele, que procura trocados em meio a moedas e notas amassadas. “No es necessário, es para usted”, digo. Ele sorri e agradece. Despeço-me com um “gracias-senõr”.
 
Meu quarto no hotel consiste em uma cama e um banheiro. Há uma televisão, uma cadeira próxima à janela e um espelho preso à parede. Sobre à cama, lençóis limpos e dois travesseiros. A primeira parte da minha missão será passar uma noite aqui e, amanhã, comprar mantimentos para a expedição na montanha.
 
São quatro horas da tarde. Tento compensar o cansaço da viagem com um cochilo, mas não consigo. Minhas pupilas estão minúsculas. Estou impotente para fazer qualquer outro tipo de tarefa. Fecho os olhos, mas só consigo cair num leve estupor. Fico assim até o fim da tarde.
 
A noite amena em Mendoza concede uma atmosfera solene ao hotel quase vazio.  O clima está para uma “loira” bem gelada. No térreo, junto à recepção, o restaurante é composto por cerca de dez mesas de madeira. Três delas estão ocupadas – executivos, engomadinhos, mulheres de salto alto e crianças birrentas.
 
Normalmente não me sinto à vontade em hotéis e lugares formais, mas, como eu já estava aqui, não poderia deixar de aproveitar. Sento-me em uma cadeira e começo a ler as mensagens no meu celular. Na TV, presa à parede, passa alguns noticiários locais – acidentes, assassinatos, prisões, política…
 
A bartender é uma mulher de mais ou menos da minha idade. Espero ela vir até a minha mesa. Enquanto isso, um casal deu uma risada a duas mesas adiante. Volto para o meu celular, vejo que não há nenhuma mensagem. Aceno e a bartender se aproxima. “Una cerveza”, peço empolgado. “Qual?”, questiona ela. Não há muitas opções na prateleira. Garrafas alemãs, americanas, brasileiras e argentinas fazem parte do cardápio. “Humm…”, deslizo o polegar no cardápio procurando uma opção. “Una Budweiser!”, respondo dando um sorriso discreto.
 
A garota volta e me traz na bandeja um copo e uma longneck coberta por um suor gelado. Ela pousa a bandeja sobre a mesa, curva-se diante de mim e enche a taça com o puro malte. Ergo o copo e dou um vasto gole. Sinto o amargo líquido descer pela goela abaixo. Em poucos minutos, a bebida perde rapidamente a frescura e a úmida consistência.
 
Não resisto e peço outra – uma nacional, desta vez. Quilmes? “El sabor del encuentro”, diz o rótulo. Vamos ver se é boa. Uma música se dilui em meio volume no alto-falante preso ao teto. É algo como “the green eyes…yeah the spotlight…shines upon you…” ColdPlay, minha banda favorita.
 
Enquanto beberico minha gelada, corro os olhos para a parede e vejo uma pequena adega com tintos e brancos alcoólicos, feitos para degustar com classe. Mas não adianta querer me convencer que um Cabernet Sauvignon não irá afetar o meu bolso. Por enquanto me submeto de bom grado ao caldo espumante do fino malte. Ok, eu abro o jogo: os preços contrariam o meu orçamento de viagem. Só tenho dinheiro para ir e voltar da expedição, sem regalias ou gastos extras. Também não estou para fazer cena, nem para beber vinho. Quem sabe, na próxima vez.
 
Faço as contas do tempo que me tomaria beber outra cerveja, mas, na verdade, as minhas pálpebras, com ajuda das garrafas anteriores, estão pesadas como chumbo. Sinto-me cansado e exausto. “La cuenta, por favor”. Vou dormir, pois amanhã será um longo dia.
 
“Somos o resultado dos livros que lemos, das viagens que fazemos e das pessoas que amamos.” Airton Ortiz
 
É preciso reconhecer que não será uma tarefa fácil chegar até o meu principal objetivo: Vallecitos, a 2.900 metros de altitude. Serão 80 quilômetros por uma estrada que segue a sudoeste, em direção a pré-cordilheira. Em Vallecitos, os montanhistas têm à disposição vários refúgios com infraestrutura para alimentação, banho e pernoites onde nin-guém, ninguém mesmo, vai embora sem conhecer o Refúgio Mausy, conhecido pelo atendimento excepcional. E foi trocando e-mails com o Mausy, que conheci Peter, meu motorista, um mês antes de ir para Mendoza.
 
Suponho que a essa altura ele esteja em direção ao hotel. Mas enquanto não chega, fico próximo a recepção, inquieto. Às 7h23 uma camionete Isuzu, cinza e tracionada estaciona próximo a entrada do prédio. Dá para ver que dentro do veículo está um senhor olhando firmemente em direção ao que será, talvez, seu único cliente: eu.
 
Ele está vestindo jeans e uma camisa azul, usa um colete vermelho e botas pretas desgastadas. Sua idade é traída por uma cabeça calva e um bigode orgulhoso, sobre o qual uma verruga marca o lado direito do rosto. O homem se aproxima da ampla porta de vidro que abre para a recepção, entra, olha para mim e, de início, não diz nada. Claro, isso me deixou ainda mais curioso. Será que é ele? A imagem que vejo agora nada se parece com o perfil do homem com barba grisalha e amarfanhada, estilo dirigente sindical, de camisa polo bordô e com quatro quilos a mais, que tracei pela internet.
 
Eu, já impaciente, me antecipo: “Peter?”, pergunto com uma entonação amigável. Ele abre um largo sorriso, estende a mão direita e soletra meu nome: “Jo-na-tar!”. Sim, é ele, concluo. Em seguida, partimos.
 
Estou curioso para conhecer Vallecitos, mas o caso hoje é diferente. Diferente em quê? Sabes bem o que quero dizer. Sei que vou sozinho, e nem é bom pensar. Eu poderia ter escolhido fazer uma viagem para França, um país seguro, com turistas almofadinhas, arranha-céus, restaurantes e parques, mas trata-se de um lugar artificial. Quero conhecer cidades latino-americanas, com vista para a Cordilheira dos Andes, para a Patagônia, Machu Picchu, Cataratas do Iguaçu e Chapada Diamantina. De outra forma, como poderia conhecer o país em que vivo? Ou, melhor ainda, este continente?
 
Contudo, não foi tão fácil chegar até aqui. Minha namorada, Rosemeri, foi a primeira a protestar e a se revoltar com a minha viagem para Mendoza. Na opinião dela, alguém que tem a ideia de escalar uma montanha acima dos cinco mil metros deveria ser considerado louco. Ela tentou me persuadir e me alertar: “Você pode morrer ou se perder…”. De certa forma, ela tinha razão. Mas observe as pessoas atravessando a rua, é uma loucura também, talvez tão perigoso quanto escalar uma montanha.
 
As pessoas que conheço não demonstraram muito entusiasmo pelo meu projeto. Em primeiro lugar, existiam dificuldades práticas – como chegar? Foram quase 40 horas de viagem; embarque e desembarque em rodoviárias; horas de espera e paciência, muita paciência. Como se locomover? Onde ficar? Ainda houve o problema de levar a bagagem com os equipamentos. Há! Há! Há! Há! Que escolha! Talvez tivesse me isolado dentro de um quarto de hotel! Isolar-se? Impensável. Há! Deixa esse assunto pra lá.  Vamos nos divertir.
 
Saímos de Mendoza a quase uma hora e, após alguns quilômetros, penetramos num clima mais ameno. Ao meu lado direito, o sol compunha a represa de Potrerillos, que abastece a região de Mendoza. Esse “embalse”, como eles chamam por aqui, é uma imensa barragem de águas azul turquesa. Peter conta que dependendo da época do ano, a tonalidade desse lago muda de cor. “El buena parte del anõ son de color verde”, disse.
 
Avançamos a mais de 70 por hora, e o céu está azul e cintilante. Deixo o vento frio que vem dos Andes soprar na minha orelha direta. É suave e a sensação é ótima. Mas não para Peter, que assoa o nariz e vocifera. Parece estar resfriado. Fecho um pouco a janela do carro, deixando apenas uma pequena fresta. Passo então observar a paisagem apenas através da janela.
 
Um dos pontos de acesso a Vallecitos é Luján de Cuyo, uma província Argentina de 130 mil habitantes. Por ser uma das maiores produtoras de vinho do país, é comum, ao longo do caminho, encontrar plantações de uva. Como se não bastasse, a região é cercada por uma paisagem de tirar o fôlego.
 
Enquanto eu e Peter conversamos, a estrada, antes interminavelmente reta, passa agora junto de quinas de desertos de areia, arbustos espinhosos e tufos amarelos de vegetação. Um grupo de casas marca aproximação em território habitado. Depois de percorrer toda a estrada principal, entramos numa estrada secundária, de terra, que ganha altitude à medida que avançamos. Agora a viagem se torna uma excursão em direção a Vallecitos. Ambos os lados da estrada estão cobertos por uma vegetação rasteira e semidesértica.
 
Vallecitos acolhe todos os anos milhares de forasteiros que chegam para se aventurar e serve de ponto de partida para uma das mecas do alpinismo e do trekking argentino. Cerros como Vallecitos (5.500m), Rincón (5.300m) e Lomas Amarillas (5.100m) são apenas alguns dos picos que atraem os alpinistas.
 
Agora meus olhos turvados pela emoção se detêm a uma única e tão longamente esperada imagem, a inconfundível cabana do Refúgio Mausy, incrustada entre as montanhas andinas. Desço do carro, e com um solavanco vigoroso Peter me ajuda a retirar a mochila do bagageiro e a levá-la até a entrada do Mausy, onde recostada à porta, está Vanessa – uma mulher de cabelos tingidos de loiro, na faixa de 36 anos e responsável pelo refúgio. Ela pergunta se eu preciso de um quarto, respondo que não. Talvez me deleite esta noite com o céu estrelado nas tranquilas pradarias e vales dos Andes.
 
Antes, porém, será preciso superar os flashes de um sol implacável de verão.  Retiro da mochila o protetor solar e aplico uma espessa camada no rosto, braços e pernas. Inevitavelmente, dou agora os primeiros passos para alcançar o acampamento Las Veguitas, aproximadamente 3.200 metros de altitude. A trilha transcorre sempre às margens do Arroyo Blanco, um emaranhado de águas esbranquiçadas que correm velozmente sobre um leito pedregoso até chegar a bacia de Potrerillos. Depois de uma primeira subida, consigo ver quase todas as voltas do córrego.
 
A rota me leva para uma paisagem montanhosa e imponente, de tirar o fôlego. Alguns metros adiante, a trilha dá uma guinada para esquerda, serpenteando por um chão de cascalho graúdo até que, finalmente, me leva ao acampamento Veguitas. O local é composto por uma gramínea que cresce sobre um vale verde e pedregoso, de onde é possível coletar água de várias nascentes e fazer ascensões ao Cerro San Bernardo, a 4.150 metros de altitude, ou avançar para acampamentos superiores, como Piedra Grande, a 3.550 metros. Passarei esta noite aqui, cercado por paredões de montanhas.
 
Leve e sem pressa, deito-me agora sobre meu isolante térmico e aprecio o lugar. Ao norte se encontra Cerro Vallecitos; e ao sul, Cerro el Plata, escondido nos ombros do Cerro Lomas Amarillas. O céu está limpo, quase sem vento, de modo que dá para sentir a tranquilidade do lugar.
 
Eu preciso descansar, mas por quanto tempo? O desejo irreversível de seguir em frente ocupa minha mente impaciente. Ao avançar um pouco sobre as saliências do acampamento, observo três corredores atravessando velozmente a minha frente. Um deles, com não mais do que uns 35 anos, veste camiseta e short de lycra, óculos escuros e uma bandana azul-marinho com listras brancas. Ele, e outros dois homens, correm sobre a trilha pedregosa que conduz morro acima.
 
Armo minha barraca ao redor de uma pirca (cerca de pedras) para me proteger do vento. Tiro então as botas, novinhas, e as deixo ao lado da mochila. Assim que o sol se esconde atrás do cume do Cerro Vallecitos, a temperatura cai abruptamente. Finalmente, anoitece. Do acampamento, se avista as luzes da cidade de Mendoza. A escuridão parece envolver os espaços de uma cidade que dorme e que, pouco a pouco, é inundada por um brilho espectral. Desligo, então, a luz frontal presa à minha cabeça e fico enredado no simples prazer de contemplar o lugar.
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Dias atrás, uma lâmpada nua iluminava o quarto enegrecido e solitário do hotel. Na tevê passava Discovery Channel e NetGeo. E agora aqui, com uma torrada nas mãos e enfiado dentro do meu saco de dormir, observo através do feixe frágil da minha barraca que lá fora faz muito frio, um frio que, para ser sincero, não é tão perturbador assim. Eu mal me lembro da última vez que vi um céu tão claro como este, turbulento e gélido.
 
Uaaaah! O sono e o cansaço me invadem e fica difícil manter-se acordado. Eu me pergunto se meus vizinhos estão tão empolgados quanto eu. Do lado de fora da minha janela, ouço passos que são executados por alpinistas que regressam dos acampamentos superiores. São passos velozes, como se alguém descesse descontroladamente morro abaixo. Isso faz ofuscar qualquer outra vontade de ir lá fora.
 
“Nada é maior do que o prazer de uma nova descoberta.” Waldemar Niclevicz
 
Brrrr… Que frio! Engatinho para fora da barraca e percebo que minha mochila, que ficara exposta ao relento à noite toda, está coberta por uma fina camada de gelo. A água do meu cantil, supostamente liquida, está congelada.  Antes de tomar uma ducha de água fria no rosto que me ajude a despertar, preparo meu café da manhã: bolachas, chocolate e chá de ervas.
 
Me debruço sobre as instruções do próximo destino, impressas numa folha detalhando a logística: seguir à margem direta do Arroyo Blanco, em direção nordeste, por cerca de uma hora até chegar em Piedra Grande, onde farei meu segundo acampamento.
 
Enquanto arrumo a mochila para seguir adiante, fico sabendo numa conversa com um alpinista que aquele grupo de rapazes de ontem eram maratonistas que faziam grosso treinamento para participar de uma ultramaratona. As pessoas que treinam nesta região, vale dizer, a grande maioria estão se preparando para encarar montanhas mais exigentes, como o Aconcágua, a mais alta das Américas, com 6.962 metros de altura. O que não é o meu caso, pois meu objetivo está a 4.300 metros de altitude, em El Salto.
 
O sol implacável da manhã adverte que será um dia difícil, de longa caminhada pelas trilhas. Assim, às saias do desconhecido, despeço-me de Veguitas com um “hasta la vista” e começo a dirigir meus passos para Piedra Grande.  Com três quartos do caminho percorrido, a rota segue por uma trilha que se distancia do Arroyo Blanco. Mais acima, o caminho leva até a base de uma gigantesca rocha, tão grande quanto um carro e marcada por várias placas em homenagem a montanhistas que morreram na tentativa de conquistar as montanhas da região.
 
Ficarei aqui desde que, é claro, tenha espaço no aglomerado de barracas amontoadas próximas umas das outras. O lugar é movimentado, repleto de alpinistas, trekkers e turistas – todos a caminho do acampamento El Salto, ainda três a quatro horas de distância montanha acima.
 
“Um dia é preciso parar de sonhar e, de algum modo, partir.” Amyr Klink
 
São oito horas da manhã e estou a caminho do meu último destino, El Salto. A região recebe esse nome – Salto D’água – por causa de uma cascata que se forma pelas águas do degelo dos Andes e de outras nascentes. Sua base é um imenso mirante, de onde dá para avistar a represa de Potrerillos e a cidade de Mendoza. O local é considerado acampamento base para ascensão aos cerros Plata e Vallecitos.
Cordón del Plata
 
Para chegar lá, será preciso percorrer três horas de trilha batida, pulando obstáculos de enormes blocos rochosos e escorregadio. Por causa desse terreno difícil, à primeira vista, nenhum ser humano adivinharia que ali existe um lugar chamado  “infiernillo”.
 
Enquanto minhas botas mastigam as pedras soltas da trilha, a paisagem vai ficando cada vez mais árida e exuberante. Num determinado momento, uma mula cinzenta e magra desce com dificuldade o estreito caminho. O condutor chicoteia vigorosamente o animal para forçá-lo ir adiante, fazendo o coitado caminhar apavorado. Depois de esperar alguns minutos, reinicio a subida.
 
Estou a vinte metros verticais de Salto D’água. Agora há apenas um obstáculo que me separa do meu objetivo final: uma saliência íngreme de pedras soltas. Procuro não cometer nenhum erro, contudo, embora bem fisicamente, minha preocupação é com dois montanhistas que descem e procuram evitar o declive escorregadio. A salvação, conforme observo, será subir cravando na encosta com a ponta das botas. Após alguns minutos de trabalho arriscado, chego em El Salto, são e salvo.
 
Sento-me agora numa pedra e observo a aldeia feita de casebres de náilon. São umas sete ou oito delas. O lugar impressiona! Dou conta de que escalar as montanhas do Parque Provincial Cordón del Plata não requerem técnicas ortodoxas de alpinismo, mas, por outro lado, exige uma disposição física e disciplinada de buscar objetivos.  No meu caso, uma meta não tão virtuosa: apenas o culto a natureza e a experiência enaltecedora da aventura. 
Texto e fotos: Jonatar Evaristo

Marcelo Nava – Minha primeira aventura em Alta Montanha

Marcelo Nava, relata como foi sua primeira aventura em alta montanha em Cordón del Plata – Argentina.

Após quatro meses de intenso preparo físico e busca por informações, parti, no dia 14 de janeiro, para uma aventura até então inédita para mim, em ambiente de alta montanha. Integrando a expedição da Associação Caxiense de Montanhismo (ACM).

Pude presenciar todas as etapas de um típico planejamento desse porte, compreendendo sua complexidade com maior profundidade. Foram 15 dias de conquistas, contratempos e muitas descobertas. Momentos que nunca esquecerei… uma verdadeira escola ao ar livre.

Esse depoimento, resumido, apresenta as principais situações que vivenciei, enriquecido com fotos tiradas na montanha e textos curtos extraídos diretamente de meu diário de campo. Tendo sido minha primeira aventura em alta montanha, eles poderão servir como um guia geral para futuros montanhistas interessados.

Agradeço ao Lucas, Thomas e Camila pelo convite e auxílio prestado em minha primeira expedição em alta montanha, e a todos os demais amigos e membros que fazem da ACM uma associação do mais alto nível.

Crédito de imagem: Marcelo Nava – arquivo pessoal

META: na Rota 7, já na Argentina, o autor indica o alvo principal da expedição: o Cerro Plata, com seus 6.100  m.s.n.m, a montanha mais alta do maciço do Cordón del Plata.

Marcelo Nava

LAR DOCE LAR: à esquerda, o autor e seus diferentes pernoites ao longo da longa viagem; à direita, já hospedado na montanha, durante os dias de aclimatação inicial antes de partir para os acampamentos de altitude; na foto, o destaque indica o Refúgio da Universidade de Cuyo.

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CIDADE DE MENDOZA: Membros da expedição comemoram a chegada à Mendoza. À partir da esquerda: Lucas, Thomas, Camila, o autor Marcelo e Cauê.

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o GPS Garmin Etrex Vista HCx

INSTRUMENTAÇÃO: Equipamentos eletrônicos de medição foram importantes para a coleta de dados e registro de diversas informações: O GPS Garmin Etrex Vista HCx forneceu medidas de altitudes, distâncias e coordenadas, além de possibilitar a marcação de rotas, tracks e waypoints. O oxímetro, por sua vez, teve sua relevância comprovada para monitoramento de importantes condições fisiológicas, informando o nível de aclimatação em cada etapa da expedição.

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CONJUNTO COMPLETO: todo o equipamento reunido durante a primeira caminhada de aproximação. Consegui reduzir a carga total para confortáveis 19 kg.

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PANORAMA GERAL: Em imagem gerada pelo Google Earth, é possível observar toda a extensão de montanhas englobada pela expedição. A flecha verde, no centro do mapa, indica a posição exata do Refúgio da Universidade de Cuyo (2432 m), onde ficamos hospedados para a aclimatação inicial. Os demais pontos de interesse são:

(1) Vale das Morenas Coloradas, formado pela passagem de uma grande geleira há milhares de anos;

(2) La Cadenita, uma “rede” de pequenas montanhas em sequência, atingindo até 4100 m, ideal para aclimatar;

(3) O “Vale de Pedras” (3812 m), local de minha primeira caminhada em altitude;

(4) Acampamento I – Las Veguitas (3200 m);

(5) Acampamento II – Las Veguitas Superior (3350 m);

(6) Acampamento III – Piedra Grande (3517 m);

(7) Acampamento-base – El Salto d´água, passando pelo Infernillo na aproximação (4284 m);

(8) Acampamento avançado – La Hoyada (4681 m);

(9) Cerro Adolfo Calle (4300 m);

(10) Cerro Colorado (4500 m);

(11) Cerro Rincón (5300 m);

(12) Cerro Vallecitos (5500 m);

(13) Cerro Plata (6100 m).

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PRIMEIRA EXPERIÊNCIA EM ALTITUDE: minha saída do Refúgio de Cuyo, às 9h45 de uma manhã muito encoberta por uma grossa névoa, tornando a visibilidade não maior que 15 metros. Aproveito a oportunidade para “estrear” a vestimenta impermeável, as botas, os bastões e os óculos. Ao longo do caminho, fui percebendo os equívocos, que valerem como importantes aprendizados. Mantive um passo lento e contante, permitindo que meu organismo se acostumasse gradativamente com cada incremento vertical. No final, fiquei bastante satisfeito. Não apresentei sintomas de mal de altitude, apesar do cansaço desse primeiro dia.

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NOVOS AMIGOS: com os argentinos Matias e Kevin. Os cachorros do Refúgio de Cuyo me acompanharam durante cada passo. Donos de um vigor físico invejável, esses animais não são afetados pela altitude (conta-se que já atingiram o cume do Plata diversas vezes, brincando o caminho inteiro). Ao fundo, o maravilhoso acampamento verdejante, logo acima da zona de refúgios, guarda paisagens deslumbrantes. Assim como os demais acampamentos, Las Veguitas é alimentada com farta água cristalina. Nesse local, já havíamos cruzado todo o acampamento e seguiríamos pelo caminho “errado” até a descoberta do surpreendente “Vale de Pedras”.

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NO TOPO DO VALE: paisagem do ponto mais alto atingido (3812 m). Lá embaixo, corre o pequeno córrego, há uma distância de cerca de 400 metros verticais. Mais alguns metros à frente, o vale faz uma curva para a esquerda, possivelmente conduzindo aos acampamentos mais avançados. Sem querer, descobrimos um caminho nada convencional, uma espécie de “atalho” em uma região muito pouco (ou quase nada) frequentada.

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ALMOÇO: após o meio-dia, o sol apareceu com força total, aumentando a temperatura em mais de 15 graus em cerca de 10 minutos. Esse fenômeno, como pude perceber durante toda a expedição, é muito comum na montanha, provocado pelas massas de ar fria que sobem rapidamente. Estas, ao ocupar as zonas de baixa pressão das altitudes mais elevadas, baixam consideravelmente a temperatura e tornam o ar muito úmido; ao passarem, porém, a transformação no tempo é radical. Na foto, ao fundo, o argentino Kevin preparando a fogueira a 3812 m.

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A FUSÃO DE TRÊS AMBIENTES: a fotografia acima mostra uma rara visão: três ambientes distintos reunidos numa mesma cena. Estou bem na transição entre a zona de vegetação (pré-cordilheira) e a zona de pedras (cordilheira central); ao fundo, a zona nevada da montanha (cordilheira principal) compõe o último elemento.

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MOZART CATÃO: como continuação de meu processo de aclimatação, segui com Thomas e Camila para uma viagem turística à região de Las Cuevas. Pouco antes do Parque Provincial do Aconcágua, pela Rota 7, há um cemitério dedicado a homenagear alpinistas falecidos no gigante das Américas. Na foto acima, uma placa de homenagem ao brasileiro Mozart Catão, falecido em 1998 durante tentativa de escalada pela face sul.

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GIGANTE: descanso em frente à face sul do Aconcágua. Com seus 6962 metros, ele é a maior montanha do mundo fora dos limites do Himalaia.

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CERRO LOMAS BLANCAS (Ponto 7): meu primeiro cume, na Cadenita. O Lomas Blancas guardará para a posteridade uma bandeira de homenagem ao meu pai, Enildo Nava, que faleceu em junho de 2011 e foi um grande esportista (mostrada no detalhe).

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CAMINHADA: dois momentos distintos: à esquerda, buscando a maior auto-suficiência possível, durante a caminhada de aproximação à zona dos acampamentos; ao lado, preparação final para a segunda fase em alta montanha, em que montanhista e equipamentos unem-se para enfrentar uma natureza mais exigente.

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EXPEDIÇÃO: na cena acima, estão Guilherme (de touca preta) e o médico da expedição, Mauro Bertelli (touca azul). Dentro das barracas estão Éverton e Lucas. A partir desse momento, nós 5 partiríamos juntos para o acampamento –base, seguindo uma forma semelhante de aclimatação, em estilo tradicional (Alpino). Esse estilo prega a aclimatação em “degraus”, onde atinge-se uma altitude mais elevada, pernoitando e passando mais 1 ou 2 dias no próprio local antes de realizar um novo avanço. Particularmente, achei a aclimatação em estilo russo mais eficiente, mas o estilo alpino  torna a logística mais simples durante o período nos acampamentos.

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“VALE DE PEDRAS”: em um local próximo ao acampamento, descobri esse lindo panorama do Vale de Pedras, local de minha caminhada do primeiro dia. Os traços pontilhados mostram o percurso que realizei juntamente com os três argentinos. Bem ao final do traço, o local onde paramos para fazer a fogueira e almoçar. É possível observar, também, o riacho de degelo. Apenas pela foto, não é possível concluir o quanto esse lugar é imenso.

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Recado gravado na rocha para meus amigos, em um trecho do Infernillo.

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Acampamento internacional: a presença de europeus, americanos e latinos torna o acampamento-base um valoroso centro cultural outdoor. Muitos vêem no Plata uma boa alternativa (e barata) para a aclimatação visando, dias mais tarde, a conquista do Aconcágua.

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“Nada pode me separar do amor de Deus” – após a homenagem ao meu pai no cume do Cerro Lomas Blancas, tentei repetir a ação em uma das três grandes do Cordón Del Plata.

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TREINAMENTO: visando o ataque ao Plata, realizamos um interessante treinamento em um inclinado neveiro, encontrado próximo ao acampamento-base. Bertelli, experiente andinista com curso avançado em escalada em gelo, nos ensinou as 4 formas distintas de deslocamento em paredes de gelo. Na imagem acima, à partir da esquerda, Bertelli, Éverton e eu estamos aplicando a primeira técnica, onde o explorador avança coordenando movimentos de pernas e braços, mantendo-os flexionados. Assim, pude avançar mesmo sem o uso de piolets, uma vez que os bastões de caminhada se fizeram suficientes. Foi meu primeiro treinamento nesse tipo de terreno e a satisfação por usar os grampões pela primeira vez foi imensa. Outra opção de treinamento próximo é no Glaciar dos polacos, uma parede de 60 graus localizada no alto de um rochedo e cortado por um riacho cristalino, logo em frente ao Cerro Rincón.

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No caminho para La Hoyada. Na madrugada seguinte, condições climáticas desfavoráveis desmancharam minha barraca e meus planos de fazer o cume do Plata. Exausto após passar uma noite inteira segurando a estrutura da barraca, por questão de segurança resolvi descer na manhã seguinte, abordando aquela que seria a segunda tentativa de ataque.

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PORTEZUELO: Na região do acampamento avançado de La Hoyada é possível observar claramente o Portezuelo. Seguindo para a esquerda, é feito o ataque ao cume do Plata; à direita, ao Vallecitos.

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RAFTING NO RIO MENDOZA: para compensar, no último dia de expedição, concluí meu primeiro rafting de altitude, com a operadora Argentina Rafting Expediciones, levando na bagagem ótimas amizades.

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Ao ler uma interessante reportagem sobre os Mistérios e encantos da Cordilheira dos Andes em uma revista local de turismo, me deparei com a sugestiva frase: “the jagged Andean peaks flanking Mendoza’s western side remain one of the most sublime and impenetrable regions known to man”, ou seja, os fabulosos picos andinos localizados ao leste da província de Mendoza, permanecem como uma das mais sublimes e impenetráveis regiões conhecidas pelo homem. Essa constatação serviu de consolo e auxílio a aprofundar nosso respeito pela montanha.

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ACM: todos reunidos para a foto oficial da expedição, em momento de descontração no refúgio de Cuyo.

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Dados coletados em campo

DIAGRAMA DE ASCENSÃO: após monitorar e registrar as informações de altitude com o GPS, montei esse interessante gráfico, que apresenta a evolução altimétrica de meu planejamento.  O eixo vertical mostra a atitude, em metros, e o eixo horizontal, o tempo em horas, ao longo dos 14 dias de expedição. Nos 5 primeiros dias, é possível verificar o padrão de aclimatação, seguindo a tendência de se tentar atingir grandes altitudes durante o dia e regressar para altitudes bem inferiores durante a noite (refúgio), para uma boa recuperação. A partir do sexto dia, em estilo alpino, começaram as caminhadas de aproximação e montagem de acampamentos. Nesse caso, a evolução seguiu um modelo de “escadas”, atingindo-se altitudes maiores gradativamente e dormindo pelo menos um dia no local. A região pontilhada em vermelho no gráfico indica a previsão inicial do meu planejamento, ou seja, a conquista do cume do Plata e o retorno ao refúgio. Porém, em função das duras condições climáticas, esse plano foi abortado, a descida ocorreu um dia antes e incluí um rafting no Rio Mendoza.

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SISTEMA DE RASTREAMENTO PESSOAL: nessa expedição, testei o recém adquirido SPOT, um aparelho que permite enviar sinais via satélite em locais onde não há cobertura celular. Na imagem acima, retirada do Google Earth, os pontos azuis indicam as coordenadas geográficas nos principais momentos da expedição, recebidos por meus amigos e familiares através de seus correios eletrônicos ou mensagens SMS.

Os grupos de pontos acima indicam:

(1) La Cadenita

(2) Zona de Refúgios

(3) Caminhadas de Aproximação

(4) Acampamento El Salto e La Hoyada

(5) Portezuelo

(6) Cerro Plata

(7) Cerros Vallecitos e Rincón

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Autor: Marcelo Nava

Multiatleta de esportes de aventura e atividades outdoor. Praticante de ultramaratona, corrida em trilha, mountain bike, trekking, camping e montanhismo. Dentre as principais competições destaca-se a participação na BR Ultramarathon (217 km na Serra da Mantiqueira), Gramado Adventure Running (61 km) e Supermaratona Cidade de Rio Grande (50 Km).Possui graduação e mestrado em Engenharia Biomédica e atualmente trabalha como engenheiro de projetos no Centro de Microgravidade da PUCRS (centro de pesquisa dedicado ao estudo da adaptação humana ao espaço e a ambientes extremos).