Barraca Naturehike Star River 2

Barraca Naturehike Star River 2

Hoje vamos apresentar as primeiras impressões sobre a barraca Star River 2 da marca chinesa Naturehike, a barraca é desenvolvida para atender diversos públicos do mundo outdoor como praticantes de montanhismo, escalada, trekking e cicloturismo.

Obtivemos a barraca Star River 2 através da loja parceira Patos do Sul, vale ressaltar que todos os produtos da Naturehike são importados oficialmente pela loja Alta Montanha diretamente da China.

Primeiras impressões

A barraca possuí um design diferente das conhecidas aqui no Brasil, por outro lado, são muito parecidas com as barracas das marcas MSR e Big Agnes fabricadas nos Estados Unidos.

A Star River 2 acomoda tranquilamente 2 pessoas mais duas mochilas cargueiras de tamanho médio em seu quarto, possui duas portas com formato em “U” e um avanço de aproximadamente 65 cm para cada lado. Em situações de emergência é possível dormir em até 3 pessoas dentro da barraca.

Barraca Naturehike Star River 2

A vareta é construída de maneira inteligente e interligadas em três partes, confeccionada em alumínio 7001, dessa maneira garante maior agilidade na hora de montar ou desmontar a barraca.

Barraca Naturehike Star River 2

Um detalhe interessante sobre esse modelo de barraca é que acompanha o Foot Print, este nada mais é que um segundo piso para a barraca, pode ser usado para proteger o chão da barraca em solo pedregoso.

Características conforme fabricante

  • Dimensões:
    • Externa: 2,15 x 2,61 metros
    • Interna (quarto): 1,31 x 1,10 x 2,15 metros
    • Pacote: 45 x 15 cm
    • Avanço: 65 cm
  • Varetas: Alumínio 7001
  • Sobreteto e quarto: Nylon 210T
  • Piso: Polyester oxford 150D
  • Capacidade Coluna D’água: 3000mm
  • Peso: 
    • Foot Print – 0.120 kg
    • Cordeletes e Varetas – 0.200 kg
    • Máximo (Barraca, Sobreteto, Varetas, Espeques, Cordeletes e FootPrint) – aprox. 2.373 kg
  • Capacidade: 2 pessoas
  • Valor aproximado: R$ 1.349,90

Acima você notou que a barraca Star River 2 não é uma das barracas mais leves do mercado nacional, pesando mais de 2kg não pode ser considerada ultralight, no entanto ela tem esse peso para poder aguentar mais em situações adversas como rajadas de vento ou grandes volumes de chuva.

Barraca Naturehike Star River 2

Como montar a barraca

A grande maioria das barracas vendidas nacionalmente são montadas por completas, sendo armadas com dormitório e sobre teto, no entanto a Star River 2 tem um diferencial importante, à duas maneiras para se montar a barraca, conforme for a necessidade do usuário.

O modelo conta com clipes e fivelas nos quatro lados da barraca, isso garante maior agilidade na hora de montar e desmontar.

Montagem 1

Caso a sua necessidade seja ter apenas um abrigo para chuvas ou uma tenda de verão, essa primeira maneira irá lhe encantar.

Barraca Naturehike Star River 2

Montagem 2

Nessa tipo de montagem você irá monta-lá por completa, isto é, usando o Footprint (piso extra) + Dormitório e Sobre-teto.

Barraca Naturehike Star River 2

Para facilitar ainda mais a montagem da barraca, a marca Naturehike preocupou-se de identificar a vareta com duas cores específicas, sendo azul para o lado onde fica a cabeça do usuário e cinza onde fica os pés.

Barraca Naturehike Star River 2
Barraca Naturehike Star River 2

Um dos pontos negativos que observamos durante a montagem, é o fato de o sobre teto não possuir local especifico para acomodar as pontas da vareta central isto é, as pontas da vareta ficam totalmente encostadas no sobre teto (quando montado somente com footprint e sobre teto). Notamos também que a Naturehike reforçou o local onde as pontas da vareta ficam apoiadas, sugerimos para que nos próximos modelos a marca repense melhor a construção dessa barraca.

Detalhes

Para facilitar a montagem do quarto, a Star River conta com presilhas de acrílico que prendem na vareta da barraca, tornando mais rápida e fácil a montagem/desmontagem, possui 3 porta objetos sendo um em cada lado e outro na parte superior. O quarto também conta com gancho para prender a lanterna, localizado no centro da barraca.

Possui zíperes duplos nas duas portas, isso facilita a abertura tanto internamente como externamente, Vale mencionar também que os zíperes possuem lapelas isto é, facilitam o manuseio com luvas.

A barraca conta com uma ampla janela, que possibilita a circulação do ar no interior do dormitório. Ainda estamos realizando testes para comprovar a circulação do ar dentro do quarto, aconselhamos a marca desenvolver para a próxima geração do modelo Star River 2 uma segunda janela de ar, pois acreditamos que em situações adversas de clima o modelo atual pode vir há condensar.

Em breve faremos a avaliação completa da barraca, explicando e mostrando todos os detalhes desse modelo, siga-nos no Youtube para acompanhar todas as novidades sobre equipamentos outdoor.

Se você gostou das nossas primeiras impressões da barraca Star River 2, deixe um comentário logo abaixo. Veja também outras avaliações da marca Naturehike clicando aqui.

Caso você tenha interesse em adquirir esse modelo de barraca, podemos lhe ajudar! A loja Patos do Sul é nossa parceira e sempre nos atendem muito bem, para você que é nosso leitor, tem descontos especiais na compra dessa barraca, entre em contato diretamente com a proprietária da loja, pelo conato (54) 99976-2073, falar com Helen.

Base Camp Naturehike

A cerca de alguns dias recebemos alguns produtos da marca Chinesa Naturehike, através da loja parceira Patos do Sul, para que possamos avaliar sua eficiência e tecnologias empregadas, dentre os equipamentos recebemos o Fogareiro Base Camp e o protetor de vento Wind Shield.

Sobre a marca:

Fundada em 2005, a Naturehike é uma marca de produtos para atividades ao ar livre. Segue um conceito de “light outdoor travel” e tem como compromisso desenvolver produtos leves e de alta qualidade. É uma empresa especializada em pesquisa e desenvolvimento, design e fabricação de equipamentos outdoor. Nosso mercado compreende produtos para hiking, escalada, camping e outras atividades ao ar livre.

A marca Naturehike entrou no cenário nacional de produtos para atividades ao ar livre a pouco tempo, desde seu inicio trouxe grandes produtos e tecnologias, coisas que só eram vistas fora do Brasil.

Um exemplo disso são as barracas, elas possuem grande praticidade em sua montagem, materiais de primeira linha são usados em sua fabricação e seu preço é competitivo em relação a grandes marcas mundiais. Já tivemos a oportunidade de avaliar a Barraca Cirrus 2, clique aqui e conheça todos os seus detalhes.

Primeiras impressões

O Fogareiro Base Camp, é um item indispensável para todo o aventureiro autônomo, alguns detalhes nos chamou a atenção como: o queimador é de tamanho grande e possui cerca de 3500 w de força, as hastes de sustentação permitem usar diferentes tipos de panelas, conta com três (03) pés articulados para maior estabilização ao solo e também uma mangueira de combustível que mantém o gás afastado do queimador cerca de 30 à 35 centímetros para maior segurança dos usuários.

Base Camp

O Fogareiro é construído com materiais duráveis como aço inoxidável, liga de alumínio e cobre, possui um tamanho de 15 x 15 centímetros aberto e 10,5 x 9 x 6 centímetros fechado, pesando aproximadamente 290 gramas, é facilmente guardado dentro de um estojo de plástico que acompanha o produto.

Base Camp

A válvula desse fogareiro está localizada junto a rosca onde o cartucho de gás é roscado, isso garante maior segurança na hora de opera-lo, o fogareiro Base Camp Naturehike também conta com acendedor automático, o que facilita muito o seu uso.

Base Camp

Base Camp

Base Camp

Especificações técnicas

  • Material: aço Inoxidável, liga de alumínio, cobre
  • Tamanho dobrando: 10.5 x 9 x 6 cm
  • Tamanho aberto: 15 x 15 cm
  • Força do fogo: 3500w
  • Peso: 290 gramas
  • Acompanha estojo de plástico

Outro item indispensável para usar em conjunto com o Fogareiro Base Camp é o protetor de vento Wind Shield Naturehike, tem a função primeiramente de impedir que o fogareiro apague ou perca eficiência em situações de ventos fortes, fazendo com que você poupe mais gás.

protetor de vento Wind Shield Naturehike

O protetor de vento é dobrável, constituído de 8 partes interligadas feitas com liga de alumínio, pesa cerca de 200 gramas. Possui as seguintes medidas: 67 x 24 cm (aberto) e 24 x 8,5 x 1,5 cm (fechado).

protetor de vento Wind Shield Naturehike

Conta também com duas hastes que se unem, isso garante mais estabilidade ao conjunto.

Outro detalhe interessante é as arestas na parte de baixo das laminas, estas tem duas funções, a primeira é de auxiliar a passagem da mangueira que liga o fogareiro com o cartucho de gás. A segunda função é para melhorar suas fixação ao solo (em terrenos lamacentos é possível enterrar as laminas do protetor, aumentando assim a eficácia de todo o conjunto).

protetor de vento Wind Shield Naturehike

protetor de vento Wind Shield Naturehike

No vídeo abaixo é possível ver como usar o fogareiro e o protetor de vento

Na loja Patos do Sul você encontra estes dois produtos essenciais para o seu acampamento.

Caso você tenha mais alguma dúvida sobre esses dois equipamentos, escreva um comentário logo abaixo:

Scrambler 30l Outdry

Apresento a vocês a mochila Scrambler 30l OutDry da marca Montain Hardwear, há cerca de 4 meses atrás adquirimos o produto na cidade de Ushuaia – Argentina, durante estes meses pudemos testar todas as suas funcionalidades e tecnologias empregadas.

Sobre a marca:

Scrambler 30l OutDry

A marca Mountain Hardwear surgiu na década de 90 nos Estados Unidos, mais precisamente 1993, desde então produzem equipamentos para atividades ao ar livre e expedições em alta montanha.

Características do produto:

A Scrambler 30l OutDry é pequena, leve e muito versátil, construída para suportar os climas mais extremos, como umidade, chuva e neve. Garantido pelo fabricante 100% de impermeabilidade e também garantia vitalícia contra defeitos de fabricação.

Scrambler 30l OutDry

A mochila Scrambler 30l OutDry tem apenas 3 compartimentos, sendo um porta objetos de fácil acesso localizado no capuz, este possui zíper com puxador e proteção para o mesmo.

Scrambler 30l OutDry

O segundo compartimento serve para acondicionar o sistema de hidratação, podendo ser de 2 ou 3 L de água, como o usuário preferir. Caso o reservatório fure por algum descuido do usuário na parte de trás do costado a um pequeno orifício, onde a água pode sair sem comprometer os objetos internamente.

Scrambler 30l OutDry

O terceiro e ultimo compartimento é o interior da mochila, este é amplo, podendo acondicionar seus pertences de maneira segura.

Além disso a mochila conta ainda com dois porta garrafas localizados nas laterais, seguidos por fitas de compressão com sistema de roldana, o que maximiza a compressão dos equipamentos, evitando assim que se desloquem internamente durante suas práticas de atividades.

Scrambler 30l OutDry

Conta também com dois suportes para bastão de caminhada, localizados na parte frontal e mais duas alças reforçadas para acondicionar mosquetões ou piquetas de gelo.

Scrambler 30l OutDry

Ainda tem um lugar específico para as cordas de escalada ou rapel, localiza-se entre o capuz e o compartimento inferior.

Scrambler 30l OutDry

O costado da mochila Scrambler 30l OutDry possui boa densidade e boa transpirabilidade, as alças são anatômicas o que garantem maior conforto ao usuário, possui uma tira peitoral ajustável com apito incluso e uma outra fita de ajuste na cintura.

Scrambler 30l OutDry

Especificações técnicas:

  • Fabric Accent: 600D HardWear™ Tarp 18 TPU Poly Composite
  • Fabric Body: 400D HD Nylon Plain Weave
  • Apparel Fit: Equipment
  • Weight: 1 lb 11 oz / 770 g
  • Pack Weight Regular: 1 lb 11.4 oz / 778 g
  • Pack Capacity Regular: 1805 cu in / 30 ltr
  • Pack Dim Regular: 22 in x 11 in x 10 in / 55 cm x 28 cm x 24 cm
  • Pack Torso Regular: 16 in – 22 in / 41 cm – 56 cm
  • Pack Waist Regular: 25 in – 37 in / 64 cm – 94 cm

Tecnologias empregadas:

OutDry: Membrana totalmente impermeável, testada e aprovada para os climas mais severos do planeta.

A marca se preocupou em fazer testes que garantissem os 100% de impermeabilidade. Colocou na parte interna da mochila rolos de papel higiênico, que são os materiais que mais absorvem água atualmente e a pendorou em um lugar, depois jogou inúmeros litros de água sobre a mochila, disparando através da mangueira de bombeiro. Confira o teste abaixo:

Scrambler 30 OutDry Backpack from Mountain Hardwear on Vimeo.

HardWave: Essa tecnologia está presente no costado da mochila, ao vesti-lá a mochila Scrambler 30l OutDry se encaixa perfeitamente ao corpo, sendo muito confortável e de rápido e fácil ajuste em torno dos ombros e a cintura.

HardWear: é o tecido usado pela marca, esse é composto de nylon com tratamento TPU, sendo que na parte interna é usado o tecido com gramatura de 600D e na parte externa 400D.

Onde usar:

A Mochila Scrambler 30l OutDry – Mountain Hardwear, pode ser usada para determinados fins, como por exemplo, escalar até o cume de uma montanha, fazer atividades como rapel ou escalada em rochas, caminhadas em leitos de rios. Também pode ser usada no dia a dia como uma mochila para levar o notebook para o trabalho ou até mesmo para transportar equipamentos fotográficos em segurança.

Scrambler 30l OutDry

Scrambler 30l OutDry

No Brasil não é possível encontrar revendedores dessa marca, mas na Argentina e Chile sim, esse produto adquirimos na loja Scandinavian na cidade de Ushuaia/Argentina. O valor se encontra na casa dos US$ 150,00 dólares americanos, podendo variar de acordo do lugar que você comprar.

Avaliação final

Deste o começo dos testes da mochila Scrambler 30l OutDry da marca Montain Hardwear, percorremos os caminhos da Patagônia, caminhamos por Glaciares, no Brasil fizemos dezenas de trilhas em mata fechada, rios e inúmeras explorações de cascatas e cachoeiras, essa mochila nunca nos deixou na mão.

Scrambler 30l OutDry

Scrambler 30l OutDry

A tecnologia OutDry é excelente, geralmente colocamos dentro do compartimento inferior câmeras fotográficas e filmadoras, artigos que não podem molhar ou estragar. Durante as aventuras, sempre retornamos com nossos equipamentos totalmente secos e do jeito que colocamos.

Esse modelo de mochila nos agradou muito, pois é altamente resistente a abrasão, seus tecidos são robustos e leves ao mesmo tempo.

Recomendamos esse produto para quem for fazer explorações de cascatas, canyoning, cascading, escalada ou aventuras no gelo.

Carlos Santalena fala sobre Monte Everest

A palestra aconteceu nessa última terça feira, dia 14 de novembro na loja de equipamentos de aventura Big Wall, Carlos Santalena que em 2 vezes alcançou o topo do mundo e José Eduardo Sartor Filho apresentaram a maior montanha do mundo, o Monte Everest, para um pequeno grupo de pessoas, neste evento estavam presentes a proprietária da Big Wall, alguns clientes, nós do Trekking RS e mais alguns amigos.

Sabemos que precisaria inúmeras horas para falar apenas do Monte Everest, mas em duas horas aproximadamente de palestra, Eduardo e Carlos foram muito claros nas explicações, quando questionados.

Carlos Santalena

Eduardo começou a palestra por volta de 20:00 horas falando sobre o Nepal, país este que faz fronteira com a Índia e China, possui a maior aglomerado de montanhas do planeta, muito conhecido como Himalaia, ali se encontra as montanhas mais alta do mundo.

Eduardo explanou por cerca de 1 hora o trekking de 9 dias até o acampamento base do Monte Everest, sobre os graus de dificuldade dessa atividade, riscos, e a beleza regional do lugar. No site da empresa Grade 6, você encontra essa atividade, com todos seus dados específicos e detalhados.

Carlos Santalena

Carlos Santalena

Carlos Santalena

Depois da explicação de Eduardo sobre o trekking até o Campo Base do Monte Everest, Carlos Santalena, falou sobre o trajeto, dificuldade e outros fatos que envolvem a subida até o cume do Monte Everest, alguns assuntos me chamaram a atenção: o valor da permissão para poder subir até o cume do Monte Everest é de US$ 10.000 Dólares, um valor um tanto salgado, este é pago para apenas você ter acesso ao cume. Outra detalhe que também chamou a minha atenção é a quantidade de ciclos de aclimatação, são 4 ciclos, estes tem a função de te ajudar a superar os efeitos da altitude, quanto mais tempo você ficar nestes ciclos, melhor seu corpo se adaptará em grandes altitudes.

Além disso a expedição ao Everest pode durar até 50 dias, e custar aproximadamente 200 mil reais.

Depois de muitas perguntas feitas e respondidas, com a maior clareza possível, a empresa Grade 6 sorteou alguns brindes, estes eram: uma mochila Thule Capstone de 32 litros e dois livros.

Carlos Santalena

Carlos Santalena usa a Mochila Thule Capstone 32L para chegar ao cume do Everest, a cerca de 3 anos usando de maneira intensiva, a mochila continua muito boa.

Nós do Trekking RS usamos os equipamentos Thule desde a sua chegada ao Brasil, pois são leves, bonitos e possuem uma longa vida útil, aqui no nosso site você pode conferir algumas avaliações destes produtos, acesse!

Tentei explicar de uma maneira clara e sucinta a palestra de 2 horas de duração na loja Big Wall em Porto Alegre/RS, para aqueles que por alguma razão não puderam estar presentes neste belo evento.

Caso você queira estar informado sobre tudo que está acontecendo de aventura na região sul do Brasil, acesse nossa página no Facebook, ali postamos diariamente, assuntos interessantes, e eventos que irão acontecer em nossa região.

Marcelo Nava – Minha primeira aventura em Alta Montanha

Marcelo Nava, relata como foi sua primeira aventura em alta montanha em Cordón del Plata – Argentina.

Após quatro meses de intenso preparo físico e busca por informações, parti, no dia 14 de janeiro, para uma aventura até então inédita para mim, em ambiente de alta montanha. Integrando a expedição da Associação Caxiense de Montanhismo (ACM).

Pude presenciar todas as etapas de um típico planejamento desse porte, compreendendo sua complexidade com maior profundidade. Foram 15 dias de conquistas, contratempos e muitas descobertas. Momentos que nunca esquecerei… uma verdadeira escola ao ar livre.

Esse depoimento, resumido, apresenta as principais situações que vivenciei, enriquecido com fotos tiradas na montanha e textos curtos extraídos diretamente de meu diário de campo. Tendo sido minha primeira aventura em alta montanha, eles poderão servir como um guia geral para futuros montanhistas interessados.

Agradeço ao Lucas, Thomas e Camila pelo convite e auxílio prestado em minha primeira expedição em alta montanha, e a todos os demais amigos e membros que fazem da ACM uma associação do mais alto nível.

Crédito de imagem: Marcelo Nava – arquivo pessoal

META: na Rota 7, já na Argentina, o autor indica o alvo principal da expedição: o Cerro Plata, com seus 6.100  m.s.n.m, a montanha mais alta do maciço do Cordón del Plata.

Marcelo Nava

LAR DOCE LAR: à esquerda, o autor e seus diferentes pernoites ao longo da longa viagem; à direita, já hospedado na montanha, durante os dias de aclimatação inicial antes de partir para os acampamentos de altitude; na foto, o destaque indica o Refúgio da Universidade de Cuyo.

Marcelo Nava

CIDADE DE MENDOZA: Membros da expedição comemoram a chegada à Mendoza. À partir da esquerda: Lucas, Thomas, Camila, o autor Marcelo e Cauê.

Marcelo Nava

Marcelo Nava
o GPS Garmin Etrex Vista HCx

INSTRUMENTAÇÃO: Equipamentos eletrônicos de medição foram importantes para a coleta de dados e registro de diversas informações: O GPS Garmin Etrex Vista HCx forneceu medidas de altitudes, distâncias e coordenadas, além de possibilitar a marcação de rotas, tracks e waypoints. O oxímetro, por sua vez, teve sua relevância comprovada para monitoramento de importantes condições fisiológicas, informando o nível de aclimatação em cada etapa da expedição.

Marcelo Nava

CONJUNTO COMPLETO: todo o equipamento reunido durante a primeira caminhada de aproximação. Consegui reduzir a carga total para confortáveis 19 kg.

Marcelo Nava

PANORAMA GERAL: Em imagem gerada pelo Google Earth, é possível observar toda a extensão de montanhas englobada pela expedição. A flecha verde, no centro do mapa, indica a posição exata do Refúgio da Universidade de Cuyo (2432 m), onde ficamos hospedados para a aclimatação inicial. Os demais pontos de interesse são:

(1) Vale das Morenas Coloradas, formado pela passagem de uma grande geleira há milhares de anos;

(2) La Cadenita, uma “rede” de pequenas montanhas em sequência, atingindo até 4100 m, ideal para aclimatar;

(3) O “Vale de Pedras” (3812 m), local de minha primeira caminhada em altitude;

(4) Acampamento I – Las Veguitas (3200 m);

(5) Acampamento II – Las Veguitas Superior (3350 m);

(6) Acampamento III – Piedra Grande (3517 m);

(7) Acampamento-base – El Salto d´água, passando pelo Infernillo na aproximação (4284 m);

(8) Acampamento avançado – La Hoyada (4681 m);

(9) Cerro Adolfo Calle (4300 m);

(10) Cerro Colorado (4500 m);

(11) Cerro Rincón (5300 m);

(12) Cerro Vallecitos (5500 m);

(13) Cerro Plata (6100 m).

Marcelo Nava

PRIMEIRA EXPERIÊNCIA EM ALTITUDE: minha saída do Refúgio de Cuyo, às 9h45 de uma manhã muito encoberta por uma grossa névoa, tornando a visibilidade não maior que 15 metros. Aproveito a oportunidade para “estrear” a vestimenta impermeável, as botas, os bastões e os óculos. Ao longo do caminho, fui percebendo os equívocos, que valerem como importantes aprendizados. Mantive um passo lento e contante, permitindo que meu organismo se acostumasse gradativamente com cada incremento vertical. No final, fiquei bastante satisfeito. Não apresentei sintomas de mal de altitude, apesar do cansaço desse primeiro dia.

Marcelo Nava

NOVOS AMIGOS: com os argentinos Matias e Kevin. Os cachorros do Refúgio de Cuyo me acompanharam durante cada passo. Donos de um vigor físico invejável, esses animais não são afetados pela altitude (conta-se que já atingiram o cume do Plata diversas vezes, brincando o caminho inteiro). Ao fundo, o maravilhoso acampamento verdejante, logo acima da zona de refúgios, guarda paisagens deslumbrantes. Assim como os demais acampamentos, Las Veguitas é alimentada com farta água cristalina. Nesse local, já havíamos cruzado todo o acampamento e seguiríamos pelo caminho “errado” até a descoberta do surpreendente “Vale de Pedras”.

Marcelo Nava

NO TOPO DO VALE: paisagem do ponto mais alto atingido (3812 m). Lá embaixo, corre o pequeno córrego, há uma distância de cerca de 400 metros verticais. Mais alguns metros à frente, o vale faz uma curva para a esquerda, possivelmente conduzindo aos acampamentos mais avançados. Sem querer, descobrimos um caminho nada convencional, uma espécie de “atalho” em uma região muito pouco (ou quase nada) frequentada.

Marcelo Nava

ALMOÇO: após o meio-dia, o sol apareceu com força total, aumentando a temperatura em mais de 15 graus em cerca de 10 minutos. Esse fenômeno, como pude perceber durante toda a expedição, é muito comum na montanha, provocado pelas massas de ar fria que sobem rapidamente. Estas, ao ocupar as zonas de baixa pressão das altitudes mais elevadas, baixam consideravelmente a temperatura e tornam o ar muito úmido; ao passarem, porém, a transformação no tempo é radical. Na foto, ao fundo, o argentino Kevin preparando a fogueira a 3812 m.

Marcelo Nava

A FUSÃO DE TRÊS AMBIENTES: a fotografia acima mostra uma rara visão: três ambientes distintos reunidos numa mesma cena. Estou bem na transição entre a zona de vegetação (pré-cordilheira) e a zona de pedras (cordilheira central); ao fundo, a zona nevada da montanha (cordilheira principal) compõe o último elemento.

Marcelo Nava

MOZART CATÃO: como continuação de meu processo de aclimatação, segui com Thomas e Camila para uma viagem turística à região de Las Cuevas. Pouco antes do Parque Provincial do Aconcágua, pela Rota 7, há um cemitério dedicado a homenagear alpinistas falecidos no gigante das Américas. Na foto acima, uma placa de homenagem ao brasileiro Mozart Catão, falecido em 1998 durante tentativa de escalada pela face sul.

Marcelo Nava

GIGANTE: descanso em frente à face sul do Aconcágua. Com seus 6962 metros, ele é a maior montanha do mundo fora dos limites do Himalaia.

Marcelo Nava

Marcelo Nava

CERRO LOMAS BLANCAS (Ponto 7): meu primeiro cume, na Cadenita. O Lomas Blancas guardará para a posteridade uma bandeira de homenagem ao meu pai, Enildo Nava, que faleceu em junho de 2011 e foi um grande esportista (mostrada no detalhe).

Marcelo Nava

Marcelo Nava

CAMINHADA: dois momentos distintos: à esquerda, buscando a maior auto-suficiência possível, durante a caminhada de aproximação à zona dos acampamentos; ao lado, preparação final para a segunda fase em alta montanha, em que montanhista e equipamentos unem-se para enfrentar uma natureza mais exigente.

Marcelo Nava

EXPEDIÇÃO: na cena acima, estão Guilherme (de touca preta) e o médico da expedição, Mauro Bertelli (touca azul). Dentro das barracas estão Éverton e Lucas. A partir desse momento, nós 5 partiríamos juntos para o acampamento –base, seguindo uma forma semelhante de aclimatação, em estilo tradicional (Alpino). Esse estilo prega a aclimatação em “degraus”, onde atinge-se uma altitude mais elevada, pernoitando e passando mais 1 ou 2 dias no próprio local antes de realizar um novo avanço. Particularmente, achei a aclimatação em estilo russo mais eficiente, mas o estilo alpino  torna a logística mais simples durante o período nos acampamentos.

Marcelo Nava

“VALE DE PEDRAS”: em um local próximo ao acampamento, descobri esse lindo panorama do Vale de Pedras, local de minha caminhada do primeiro dia. Os traços pontilhados mostram o percurso que realizei juntamente com os três argentinos. Bem ao final do traço, o local onde paramos para fazer a fogueira e almoçar. É possível observar, também, o riacho de degelo. Apenas pela foto, não é possível concluir o quanto esse lugar é imenso.

Marcelo Nava

Recado gravado na rocha para meus amigos, em um trecho do Infernillo.

Marcelo Nava

Acampamento internacional: a presença de europeus, americanos e latinos torna o acampamento-base um valoroso centro cultural outdoor. Muitos vêem no Plata uma boa alternativa (e barata) para a aclimatação visando, dias mais tarde, a conquista do Aconcágua.

Marcelo Nava

“Nada pode me separar do amor de Deus” – após a homenagem ao meu pai no cume do Cerro Lomas Blancas, tentei repetir a ação em uma das três grandes do Cordón Del Plata.

Marcelo Nava

TREINAMENTO: visando o ataque ao Plata, realizamos um interessante treinamento em um inclinado neveiro, encontrado próximo ao acampamento-base. Bertelli, experiente andinista com curso avançado em escalada em gelo, nos ensinou as 4 formas distintas de deslocamento em paredes de gelo. Na imagem acima, à partir da esquerda, Bertelli, Éverton e eu estamos aplicando a primeira técnica, onde o explorador avança coordenando movimentos de pernas e braços, mantendo-os flexionados. Assim, pude avançar mesmo sem o uso de piolets, uma vez que os bastões de caminhada se fizeram suficientes. Foi meu primeiro treinamento nesse tipo de terreno e a satisfação por usar os grampões pela primeira vez foi imensa. Outra opção de treinamento próximo é no Glaciar dos polacos, uma parede de 60 graus localizada no alto de um rochedo e cortado por um riacho cristalino, logo em frente ao Cerro Rincón.

Marcelo Nava

No caminho para La Hoyada. Na madrugada seguinte, condições climáticas desfavoráveis desmancharam minha barraca e meus planos de fazer o cume do Plata. Exausto após passar uma noite inteira segurando a estrutura da barraca, por questão de segurança resolvi descer na manhã seguinte, abordando aquela que seria a segunda tentativa de ataque.

Marcelo Nava

PORTEZUELO: Na região do acampamento avançado de La Hoyada é possível observar claramente o Portezuelo. Seguindo para a esquerda, é feito o ataque ao cume do Plata; à direita, ao Vallecitos.

Marcelo Nava

RAFTING NO RIO MENDOZA: para compensar, no último dia de expedição, concluí meu primeiro rafting de altitude, com a operadora Argentina Rafting Expediciones, levando na bagagem ótimas amizades.

Marcelo Nava

Ao ler uma interessante reportagem sobre os Mistérios e encantos da Cordilheira dos Andes em uma revista local de turismo, me deparei com a sugestiva frase: “the jagged Andean peaks flanking Mendoza’s western side remain one of the most sublime and impenetrable regions known to man”, ou seja, os fabulosos picos andinos localizados ao leste da província de Mendoza, permanecem como uma das mais sublimes e impenetráveis regiões conhecidas pelo homem. Essa constatação serviu de consolo e auxílio a aprofundar nosso respeito pela montanha.

Marcelo Nava

ACM: todos reunidos para a foto oficial da expedição, em momento de descontração no refúgio de Cuyo.

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Dados coletados em campo

DIAGRAMA DE ASCENSÃO: após monitorar e registrar as informações de altitude com o GPS, montei esse interessante gráfico, que apresenta a evolução altimétrica de meu planejamento.  O eixo vertical mostra a atitude, em metros, e o eixo horizontal, o tempo em horas, ao longo dos 14 dias de expedição. Nos 5 primeiros dias, é possível verificar o padrão de aclimatação, seguindo a tendência de se tentar atingir grandes altitudes durante o dia e regressar para altitudes bem inferiores durante a noite (refúgio), para uma boa recuperação. A partir do sexto dia, em estilo alpino, começaram as caminhadas de aproximação e montagem de acampamentos. Nesse caso, a evolução seguiu um modelo de “escadas”, atingindo-se altitudes maiores gradativamente e dormindo pelo menos um dia no local. A região pontilhada em vermelho no gráfico indica a previsão inicial do meu planejamento, ou seja, a conquista do cume do Plata e o retorno ao refúgio. Porém, em função das duras condições climáticas, esse plano foi abortado, a descida ocorreu um dia antes e incluí um rafting no Rio Mendoza.

Marcelo Nava

SISTEMA DE RASTREAMENTO PESSOAL: nessa expedição, testei o recém adquirido SPOT, um aparelho que permite enviar sinais via satélite em locais onde não há cobertura celular. Na imagem acima, retirada do Google Earth, os pontos azuis indicam as coordenadas geográficas nos principais momentos da expedição, recebidos por meus amigos e familiares através de seus correios eletrônicos ou mensagens SMS.

Os grupos de pontos acima indicam:

(1) La Cadenita

(2) Zona de Refúgios

(3) Caminhadas de Aproximação

(4) Acampamento El Salto e La Hoyada

(5) Portezuelo

(6) Cerro Plata

(7) Cerros Vallecitos e Rincón

Marcelo Nava

Autor: Marcelo Nava

Multiatleta de esportes de aventura e atividades outdoor. Praticante de ultramaratona, corrida em trilha, mountain bike, trekking, camping e montanhismo. Dentre as principais competições destaca-se a participação na BR Ultramarathon (217 km na Serra da Mantiqueira), Gramado Adventure Running (61 km) e Supermaratona Cidade de Rio Grande (50 Km).Possui graduação e mestrado em Engenharia Biomédica e atualmente trabalha como engenheiro de projetos no Centro de Microgravidade da PUCRS (centro de pesquisa dedicado ao estudo da adaptação humana ao espaço e a ambientes extremos).