Monte Roraima

O Monte Roraima atrai aventureiros, antropólogos, cientistas, biólogos, místicos e viajantes do mundo inteiro.

É um dos tepuis que formam o grande escudo das Guianas, ou Planalto das Guianas, localizado na tríplice fronteira entre Venezuela, Guiana e Brasil, com idade estimada em mais de 2 bilhões de anos.

Tepui é o nome dado às formações de topo plano e escarpas verticais e profundas que abundam nessa região.

Acredita-se que os tepuis tenham sido unidos a bilhões de anos atrás e a cisão deles tenha dado origem à bacia amazônica.

A expedição

Posso dizer que estive em outra dimensão nessa virada de ano… foram 10 dias de muita vivência, aprendizado, gratidão, reflexão, contemplação, conexão, emoção, energia, transformação… compartilhando e vivendo cada experiência!

Monte Roraima

1.º dia Monte Roraima – Brasil-Venezuela

A subida do Monte Roraima se dá pela Venezuela. Assim, antes de começar a caminhada, nos deslocamos de carro de Boa Vista até à Comunidade Pataitepuy.

Nosso grupo era formado por seis aventureiros: Kalhi, de Manaus, Juliana e Graci, de Boa Vista, Alex e Henry, de Curitiba, e eu, de Blumenau. Foi ótimo nosso entrosamento, tanto entre nós, quanto com nosso guia, Leo Tarolla, da Tarolla Tours e Brasil Norte Expedições e a equipe dele. Sensacional dividir esses dias com pessoas com as quais multiplicamos energia e conhecimento!

Depois de atravessar a fronteira, em Pacaraima, a primeira parada é em Santa Elena de Uairén, onde compramos moeda local – bolívar – e demos uma voltinha rápida pela cidade.

Monte Roraima

De lá, seguimos para nosso destino. A estrada até lá não deixa escolha para “sem emoção”… de terra, com muitos buracos e perais… a aventura é garantida! Como estava chovendo muito, a terra virou lama e nosso carro não conseguiu vencer a última subida antes de chegarmos. Tivemos que descer e seguir a pé até o local do nosso último pouso antes dos acampamentos.

Monte Roraima

A pousada estava sem energia e, assim, as lanternas e o banho gelado já entraram em cena um dia antes do previsto.

2.º dia Monte Roraima – Início da caminhada

Monte Roraima

Depois de um café da manhã com essa vista sensacional para os tepuis, fizemos o registro na entrada do Parque Nacional Canaima e começamos nossa caminhada. Seguimos por 15 quilômetros até o Rio Tek, onde fizemos a primeira travessia e seguimos por mais uns 2 quilômetros até o Rio Kukenan.

Quando avistei o Rio Kukenan com o Monte Roraima ao fundo fiquei de boca aberta, literalmente! Lindo demais!!!

Monte Roraima

Monte Roraima

Atravessamos e deixamos nossas coisas no acampamento pra tomar um banho no rio. Foi maravilhoso!!! O Leo (nosso guia) e eu descemos o rio um pouco nadando e um pouco como se fosse um bóia cross, mas sem bóia, claro… kkķkkk… piscinas fantásticas com vista para o Matawi e para o Roraima! Alguns ralados e machucados depois (hehe), voltamos para o acampamento para almoçar. Já eram umas 16h mais ou menos.

Mais tarde, o Alex, a Kalhi e eu saímos para um ataque na trilha em direção ao Monte Roraima. Ainda estava claro, mas a lua já estava linda! Curtimos o entardecer e voltamos para o acampamento. Acabei não resistindo a um banho noturno no rio Kukenan… maravilhoso! Depois nos reunimos todos, ficamos conversando e jantamos uma sopa de abóbora com orégano silvestre que colhemos na trilha.

3.º dia Monte Roraima – Rio Kukenan ao Acampamento Base

Arrumamos nossas coisas e saímos em direção ao pé do Monte Roraima. Foram 9 km com algumas subidas, mas ainda de trilha bem aberta.

11h da manhã já estávamos no acampamento base. Ficamos conversando um pouco e aí fui tomar banho de rio… água geladíssima da montanha: delícia!!! Depois almoçamos e estiquei um pouco as pernas na rede (obrigada pelo empréstimo @leotarolla hehe).

Monte Roraima

O tempo estava bem limpo anunciando que veríamos um pôr-do-sol arrasador… saímos caminhando procurando um bom lugar para contemplá-lo. Subimos um pequeno monte com pedras mais altas e decidimos que seria o melhor lugar. Mas, eis que no horizonte se formaram nuvens enormes e só vimos a chuva caindo mais ao longe, o que foi tão lindo quanto o pôr-do-sol que imaginamos… senão mais! De volta ao acampamento nosso guia nos esperava com um chocolate quente! Foi um dia bem tranquilo para nos prepararmos para o dia seguinte: dia de finalmente subir ao topo.

Monte Roraima

4.° dia Monte Roraima –  A subida

5h da manhã e o acampamento já estava movimentado… grupos fazendo café, desmontando acampamento, arrumando equipamentos. Chegou o tão esperado dia da subida ao topo!!! Logo de cara a subida é quase vertical, mas os degraus formados naturalmente tornam a subida menos árdua.

Monte Roraima

A trilha é lindíssima e cheia de energia! Quando chegamos no ponto tão próximo do paredão que é possível toca-lo, a emoção é inevitável!

Seguindo por mais algumas subidas chegamos ao mirante de onde se avista o “passo de lágrimas”, uma trilha estreita colada nos paredões do tepui, onde a água que cai do topo nos molha suavemente conforme o vento a faz dançar… A conexão nessa passagem foi absurda! O sentimento foi: “só de ter vindo até aqui já valeu tudo!”

Monte Roraima

Mas, ainda tínhamos mais subida pela frente. Mais um pouco de escalaminhada e chegamos ao topo! Nos abraçamos emocionados pela conquista… a impressão é de que entramos em outra dimensão… é diferente de tudo!!! Não tenho palavras pra descrever…

Monte Roraima

Paramos um pouco, mas logo a chuva e o frio nos fez voltar a caminhar até nosso refúgio, chamado “Filhos do Sol”, lugar deslumbrante e mágico!!! A chuva não parou mais. Ficamos no refúgio cuidando das bolhas, unhas, dores e machucados uns dos outros…hehe… No meu caso foi de um tombo na subida quando tentei subir numa pedra mais alta e acabei escorregando. Machuquei um pouco os braços, a perna direita e o rosto, mas só a mão direita que doía demais (ainda dói, aliás, hehe). Passei uma pomada anti-inflamatória, outra pra dor e por fim uma pomada pra cavalo… mas continuava doendo… Não me importei muito com a dor, mas com o fato de não ter força na mão… até pra abrir o zíper da barraca estava difícil. Só pensei: que seja só dor e que eu acorde bem amanhã!!!

5.° dia Monte Roraima – Começando a desbravar o Monte

Já saímos com as cargueiras porque depois seguiríamos para outro refúgio. Passamos por lugares lindíssimos… paisagens de tirar o fôlego!!!

Depois de mais algum tempo caminhando, chegamos ao nosso refúgio para a noite da virada. Incrustado num dos paredões do Roraima e próximo ao Vale dos Cristais e a um poço de água cristalina e gelada… simplesmente magnífico! Deixamos as cargueiras e saímos para conhecer o Vale dos Cristais e o Ponto da Tríplice Fronteira entre Venezuela, Guiana e Brasil.

Monte Roraima
Vale dos Cristais

Monte Roraima

Na volta, já tomei aquele banho no poço próximo ao acampamento e colocamos as espumantes lá pra gelar (sim, eu levei uma espumante na mochila desde Blumenau ;P).

Mais tarde saímos para ver um mirante com vista para o Roraiminha e para a floresta da parte baixa. Sensacional!!!

Monte Roraima

Voltando para o refúgio, quase na chegada, começou a chover. Já cheguei ensopada e corri pra colocar uma roupa seca. Pra minha alegria, o Leo nos serviu chá quente!!! Infelizmente a chuva não parou. Meu plano de ver estrelas cadentes na noite de réveillon foi adiado. Mas nada tirou a alegria da nossa noite … jantamos, brindamos e celebramos a virada com muita energia compartilhada!!! GRATIDÃO!!!

Monte Roraima

Monte Roraima

6.° dia Monte Roraima – A tão sonhada Proa?

Estava ansiosa por hoje… dia de ir para o Lago Gladys e para a Proa!!! Enfrentamos muita chuva e frio até chegar ao Lago Gladys, mas as paisagens, rios, plantas, pântanos, pedras e tudo mais que vimos no caminho valeu cada passo.

Monte Roraima

Monte Roraima

Chegamos ao lago, que estava totalmente encoberto. Mas, em menos de um minuto, o nevoeiro se dissipou e pudemos contemplar sua beleza. Mas ele é tímido… logo se cobriu novamente… foi o tempo de contemplar e tirar algumas fotos!

Monte Roraima
Lago Gladys

O frio era intenso naquela manhã. Seguimos em direção à Proa com muito vento e tempo bem fechado. Chegamos na descida do Vale. Montadas as cordas, o @leotarolla e o @alexandro.kenordasilva desceram. Ficamos na expectativa (tremendo de frio… Hehe). Voltaram com a triste notícia de que não conseguiríamos ir até à Proa… além de estar faltando uma chapeleta do outro lado do Vale, as condições climáticas eram péssimas. Infelizmente só nos restava pegar o caminho de volta para o refúgio. Paramos pra ver os destroços de um helicóptero da globo que caiu no Monte faz alguns anos. Na volta um bom banho bem gelado e uma surpresa deliciosa no acampamento: pipoca!

Monte Roraima

7.° dia Monte Roraima – Explorando o desconhecido

Mais um amanhecer com chuva no Monte Roraima… Nosso café da manhã teve a famosa arepa, uma espécie de pão de farinha de milho feito no fogareiro. Adorei!

Arrumamos nossas coisas e partimos de volta em direção ao refúgio “Filhos do Sol”. No caminho passamos novamente pelo Vale dos Cristais e pelo ponto tríplice. Depois avançamos para conhecer “el fosso”, um poço lindíssimo com uma cachoeira magnífica!

Monte Roraima
El Fosso

Pegamos chuva por todo o caminho. Chegamos ensopados e eu tremendo de frio… hehe. De repente, eis que apareceu o sol. Ainda molhada, arrumei minhas coisas e fui pro rio mais próximo tomar banho e lavar minha calça, meias e bota. Voltei para o refúgio e coloquei tudo no sol, inclusive eu, hehe…

Com o céu finalmente aberto, eu estava querendo muito ir pra alguma borda. Falei com o Enzo e ele disse que estávamos muito longe. Então, ele me levou para subir na formação que era o “teto” do nosso refúgio… a vista lá de cima é sensacional! Até passou a tristeza de não ir para as bordas.

Monte Roraima

Depois descemos para ir até um lago próximo e no caminho tivemos o privilégio de ver algumas flores raras e o sapinho negro endêmico do Monte Roraima (Oreophrynella quelchii).

Monte Roraima

De lá subimos em outra formação bem mais alta ainda não explorada, com direito à uma escalada sensacional !!! Como fomos os primeiros a conquistar aquele lugar incrível, fizemos um totem no topo e o batizamos. Dava até pra ver o Maverick (ponto mais alto do Monte Roraima) de lá, e também o nosso acampamento.

Monte Roraima

Descemos para ver o pôr-do-sol lá do refúgio, mas as nuvens voltaram a fechar o céu. Desci até o rio para buscar água pra mim e para as meninas. já estava bem frio nessa hora. Entrei na barraca pra escrever um pouco. Depois nos reunimos para jantar e conversar. E a chuva voltou!

8.° dia Monte Roraima – Energia Vital

Mais um amanhecer com chuva…

Saímos um pouco mais tarde na esperança de que a chuva parasse, mas, chovia e parava, chovia e parava o tempo todo… e o frio estava mais intenso! Passamos por outra área do Roraima com cristais espalhados por toda parte… conhecemos um grupo que estava acampado num refúgio próximo, conversamos um pouco e seguimos para um local de especial energia… quando estávamos bem próximos, as lágrimas brotaram… a energia transbordava… de dentro pra fora e de fora pra dentro. Que maravilhamento compartilhar dessa energia! Segundo nosso guia, estávamos num dos pontos de intersecção de energia do Universo.

Monte Roraima

Não queria mais sair dali, mas tínhamos que seguir…

Nosso objetivo: as jacuzzis e as ventanas! Fomos primeiro até às Ventanas. Queria muito ver as bordas, mas estava tudo encoberto… podíamos ver o vento trazendo a umidade pra cima. Estava muito frio!

Monte Roraima

Saímos em direção às jacuzzis e tivemos a graça do sol por alguns instantes. Eram as piscinas mais lindas que já vi… o banho foi irresistível! Por mais frio que esteja, não perca esse banho por nada!

Monte Roraima

Monte Roraima

Monte Roraima

De lá seguimos para o Maverick, o ponto mais alto do Monte Roraima (2.875m). A parte baixa estava encoberta, mas o topo estava aberto e pudemos ver quase todo o Roraima lá de cima… belíssimo!

Monte Roraima

Descemos em direção a uma das cavernas do Monte Roraima… é uma gruta incrível com muitos líquens de várias cores! Avançamos até uma galeria imensa onde apagamos as lanternas e ficamos alguns minutos na escuridão e no silêncio do lugar!

Monte Roraima

Monte Roraima

Quando saímos da gruta já estava bem mais frio. Seguimos até o acampamento contemplando o entardecer…

Monte Roraima

Coloquei uma roupa seca e sai pra ver as estrelas. Finalmente uma noite de céu limpo! Mas, como sempre, no Roraima o tempo muda o tempo todo e logo o céu se fechou novamente. Energizada pelo dia magnífico, nem senti fome e acabei não jantando aquela noite… antes de dormir dei mais uma espiadinha no céu, mas ele continuava escondido.

9.° dia Monte Roraima – Início da descida

Acordei umas 5h e pude sentir uma claridade vindo de fora da barraca. Abri rapidamente para espiar e lá estava ela… a lua… plena! Tirei algumas fotos da barraca mesmo, mas logo me troquei para sair e contemplar a lua e o nascer do sol. Foi espetacular!

Monte Roraima

Monte Roraima

Pena que era o dia de começar a descida. Tomamos café e saímos do nosso refúgio. Paramos em um mirante lindo onde pudemos contemplar um pouco das bordas antes das nuvens cobrirem tudo novamente. Começamos a descida. Fomos até o acampamento base onde paramos pra almoçar. O calor estava absurdo! Hora de seguir… Quando chegamos na travessia do Rio Kukenan, escorreguei numa das pedras e caí no rio, o que naquele calor foi ótimo, mas seguir toda molhada nem tanto… hehe… Depois de mais alguns quilômetros, chegamos no acampamento do Rio Tek para nossa última noite antes da caminhada final. Já estava anoitecendo, mas ainda fui pro rio tomar aquele banho! Até nadei um pouco. Voltei para o acampamento no escuro já. A noite estava linda demais! Nada de nuvens… só estrelas!

Pude finalmente ver uma estrela cadente! Ficamos admirando o céu por um tempo sem fim… até que começaram a diminuir seu brilho para dar lugar à luz da lua que se pré-anunciava por detrás do Monte Roraima. E ali ficamos esperando por ela. Nasceu linda, cheia, enorme e brilhante! Foi espetacular!

Jantamos e até tomamos cerveja que vendiam ali no acampamento. Cerveja quente, claro, mas lá isso não importa muito. A noite estava tão linda que não dava vontade de dormir, mas, no dia seguinte ainda teríamos um bom trecho pela frente.

10.º dia Monte Roraima – Hora de voltar

Estava muito difícil pra mim escrever sobre o 10.º dia. E agora sei o porquê. É como se escrever sobre o último dia fizesse encerrar o que eu não queria que acabasse… que foi a mesma sensação que tive durante todo o último dia da caminhada.

Amanheceu um dia lindo e bem quente desde cedo. Arrumamos nossas coisas, tomamos o café da manhã e partimos.

O Monte Roraima estava totalmente limpo… nada de nuvens, nem nevoeiro… juro que deu vontade de subi-lo novamente.

Monte Roraima

Com o calor intenso, pude ver vários calangos pelo caminho.

A cada passo o Monte Roraima ficava um pouco mais distante.

Chegamos na Comunidade Paraitepuy e logo nos reunimos com outros grupos… alguns chegando, outros indo embora como nós. Tanto a compartilhar!

Bebemos algumas merecidas cervejas venezuelanas (dessa vez geladas :D) enquanto esperávamos a Graci e a Kalhi chegarem.

Monte Roraima

Muita conversa depois, hora da despedida. De lá fomos para outra comunidade para almoçar e comprar artesanato local antes de regressarmos à Boa Vista.

180.000 bolívars = salada, arroz, frango e banana frita.

+ 3.000 bolívars = 1 cerveja venezuelana.

Monte Roraima

Monte Roraima

Mas, se você não tiver bolívars, não se preocupe. Todos os lugares aceitavam reais também.

De lá fomos até Santa Helena, onde nos despedimos do Henry e do Alex, que ficaram na Venezuela para uma trip até Salto Ángel.

Nós, as meninas, fomos com o Leo até Pacaraima, atravessamos a fronteira para o Brasil e ali pegamos um táxi até Boa Vista.

O pôr-do-sol estava espetacular!

Monte Roraima

Chegamos em Boa Vista por volta de 19h30. Tomei um banho quente tão feliz (depois de 10 dias de banho gelado) na casa da Graci (MUITO OBRIGADA, Graci!). Arrumei o mochilão para a viagem e logo a Ju e a Kalhi chegaram para darmos uma última volta na cidade e comer alguma coisa num barzinho de karaokê famoso da cidade, o Pit Stop. Lugar muito gostoso com mesas ao ar livre e comida muito boa! Obrigada por tudo, meninas! 

De lá, as meninas me deixaram no aeroporto, onde esperei meu vôo com saída 1h da manhã para Brasília. No caso, já estava no 11.º dia (rsrs…) Depois Brasília – São Paulo. E, por fim, São Paulo – Joinville, onde minha mãe e meu irmão me buscaram para retornar a Blumenau.

Foi uma experiência única! Como já disse, desejo que cada um possa realizar algum dia!

Check-list Monte Roraima

Vou deixar aqui algumas sugestões de itens que considerei indispensáveis nessa trip.

Na hora de preparar seu mochilão, lembre de levar:

  • alguns pares de meia extra porque elas vão molhar! E pé molhado por muito tempo dá bolha e pode fazer cair suas unhas se for um dia de caminhada intensa em descidas, por exemplo;
  • uma corda para fazer varal e alguns grampos de roupa;
  • protetor solar;
  • repelente;
  • desodorante;
  • embalagem pequena de shampoo e condicionador e sabonete (você consegue comprar todos sem nenhum aditivo químico em farmácias – lembre que você está indo para um lugar de preservação);
  • declive;
  • lenços umedecidos;
  • papel higiênico (a equipe do guia fornecia, mas é bom ter alguma reserva);
  • boné ou viseira;
  • gorro para frio;
  • óculos de sol;
  • anorak (ou anoraque) – jaqueta com capuz impermeável para os momentos de chuva e frio;
  • roupa quente para dormir;
  • um par de luvas;
  • toalha de secagem rápida;
  • isolante térmico e colchonete (ou, melhor ainda, se você tiver o isolante térmico de ar fininho inflável, que já serve de isolante e colchonete e ocupa pouco espaço);
  • saco de dormir;
  • roupas leves para as caminhadas;
  • roupas íntimas;
  • roupas de banho;
  • um casaco tipo fleece (é bem quentinho e não pesa);
  • bandana (é um ótimo coringa que você pode usar no pescoço se estiver muito frio ou na cabeça pra proteger do sol. Ou ainda para prender o cabelo);
  • amarradores de cabelo, se você tiver cabelo comprido, claro;
  • sobre calçados, é algo pessoal, mas o ideal é ir só com a sua bota ou tênis de caminhada já no pé e levar só um chinelo para usar no acampamento. E isso é fundamental, não esqueça: sempre que puder, deixe os pés ao ar livre;
  • garrafa de água (2L é o ideal);
  • clorin (purificador de água);
  • kit com algodão, esparadrapo, curativos, agulha, cortador de unha;
  • eventuais remédios se você está acostumado a tomar (para dor, vômito, febre, algum anti-alérgico) – eu sempre levo própolis em spray pra eventual dor de garganta e a pomada de própolis para eventual corte ou ferimento (é um cicatrizante natural);
  • vaselina sólida ou creme para assaduras para passar nos pés ou em alguma outra região do corpo se você tiver problema com assaduras;
  • lanterna de cabeça e lanterna de mão pequena (leve pilhas extras);
  • carregador portátil para as baterias do celular, máquina fotográfica e outros eletrônicos se você levar;
  • lanches de trilha (as refeições principais são fornecidas pela equipe contratada);
  • se você gosta como eu, indico levar vitamina C efervescente. Além de fazer bem pra saúde, é uma delícia. Pode tomar uma por dia;
  • sacolas para roupa suja;
  • se você estiver vindo de longe como eu, lembre de deixar uma muda de roupa limpa para a volta.

Lembre de levar suas roupas e o saco de dormir dentro de sacos impermeáveis. Isso além da capa que protege a mochila. É mais seguro se cair alguma chuva mais intensa.

Lembre também que o comprovante da vacina da febre amarela deve ser internacionalizado em qualquer posto da ANVISA antes de entrar na Venezuela.

Acho que é isso! Lembrando que qualquer dúvida ou sugestão estou sempre a disposição. Podem me chamar no Instagram ou no Facebook.

Aproveite cada passo dessa viagem!

Praia de Naufragados

Há um bom tempo essa travessia de trekking na Praia de Naufragados estava em meus planos,  por falta de meios, de companhia ou tempo ficava adiando a exploração dessa praia, localizada no extremo sul da Ilha de Florianópolis/SC.

Em conversas com alguns amigos decidimos que iríamos fazer essa aventura nos dias 3 e 4 de Março de 2018, mas tínhamos alguns empecílios em relação a trilha.

A grande maioria das pessoas fazem essa trilha começando pela costa oste da ilha de Florianópolis, saindo de Caieira até a Praia de Naufragados, este é um caminho de trilhas abertas, bem sinalizadas, com aproximadamente 50 minutos de duração. Ao meu ver essa caminhada seria muito fácil, nosso grupo de amigos queria algo mais desafiador. Pensando assim, sabíamos que havia uma trilha antiga que começava na Praia da Solidão, passava pela Praia do Saquinho e chegava na Praia de Naufragados, com aproximadamente 10 quilômetros de extensão.

Então resolvemos buscar mais informações sobre essa trilha, conversamos com moradores locais, amigos/conhecidos do mundo virtual e todos diziam que essa trilha existia de fato, mas não sabiam se ela se encontrava aberta/transitável.

O segundo passo da busca de informações era procurar mapas, trilhas que pudessem ser anexadas no GPS de trilha, para que assim conseguíssemos seguir, sem que ficássemos perdidos pelo caminho.

Encontramos um mapa muito bom no site Wikiloc, que mostrava o início da trilha em Açores até Naufragados, e retornava pelo lado oeste da ilha passando pela Caieira e cruzando do oeste para o leste até o fim do caminho na Praia da Solidão. Abaixo o mapa dessa trilha:

Praia de Naufragados

Altimetria de Naufragados
Distância percorrida: 13 km; Acúmulo de subida: 841 m; Acúmulo de descida: 870 m.

No dia 3 de Março as 10 h 10 min  da manhã iniciamos a trilha, seguindo usando um aparelho GPS Garmim eTrax 20, o início da trilha é tranquila, construída de concreto sem obstáculos, algumas subidas e descidas, seguindo assim até a praia do Saquinho, dali em diante seguimos a trilha propriamente dita, essa estava em boas condições, em alguns pontos a mata fechava quase por completa, mas sem grandes dificuldades, não precisamos nem ao menos retirar o facão da mochila. A trilha segue praticamente toda por dentro da mata nativa e em pequenas partes é possível visualizar a costa e o mar.

Praia de Naufragados

Praia de Naufragados

Praia de Naufragados

Durante a trilha, conversávamos sobre essa praia. Como seria incrível acampar por ali, praia deserta, apenas nós e a natureza. Enfim depois de algumas horas de trilhas, cruzando córregos, subindo e descendo morros chegamos na orla de Naufragados.

A primeira impressão não foi das melhores

A praia estava tomada por banhistas, pessoas que chegavam ali de todos os lados, uns vinham através de embarcações, outros pela trilha que começa na Caieira, uma praia que tinha tudo para ser linda e preservada, estava tomada por pessoas, ouvindo músicas em alto som, bebendo, fazendo algazarras e deixando lixo em tudo que é canto da praia. Chegar e ver tudo aquilo acontecendo na frente de meus olhos foi muito triste.

Conforme caminhávamos pela areia, chegando no rio que desaguá na Praia de Naufragados, mais pessoas estavam a banhar-se no rio, nas margens mais lixos jogados ali. Acredito que estavam na praia/rio aproximadamente mais de 200 pessoas.

Isso gera uma degradação do local muito intensa, os órgãos públicos deveriam tomar precauções para combater esse tipo de atrocidades feitas na natureza.

Olhávamos para as nuvens que vinham a nosso encontro e parecia que estava prestes a ter um temporal, logo seguimos pelas margens do rio, procurando um lugar seguro para montar o acampamento, o local escolhido foi em meio a vegetação de árvores perto do rio, em um pequeno espaço que cabiam não mais que 4 barracas.

Praia de Naufragados

Praia de Naufragados

Conforme as nuvens se aproximavam, os banhistas iam embora, deixando a praia cada vez menos ocupada, lá pelas 18 h já não havia mais que 20 pessoas na praia, armamos nosso acampamento e fomos tomar aquele banho de rio maravilhoso, a água estava morna e apenas ouvíamos o barulho do vento e alguns pássaros cantando.

Junto as nuvens de chuva o sol caia no horizonte lentamente, deixando apenas algumas cores refletidas nas águas do rio.

Praia de Naufragados

Depois do pôr do sol começou a cair uma chuva fraca, conforme ia passando o tempo a chuva ficou mais intensa, resolvemos então dar uma cochilada dentro da barraca. Passado cerca de uma hora, era hora de fazer o jantar. Após nos alimentarmos bem, a chuva começou novamente e fomos dormir.

Dia 4 de Março de 2018, levantamos cedo, por volta de 6:30 da manhã, preparamos o café da manhã, desmontamos o acampamento, organizamos as nossas mochilas e começamos a nossa trilha de volta à civilização.

O caminho que iríamos percorrer seriam de aproximadamente de 10 quilômetros, a trilha indicava para o lado direito da Praia de Naufragados. Este caminho leva até o farol e ao porto.

Praia de Naufragados

À primeira vista, o farol de Naufragados se encontra totalmente abandonado, a placa que contém informações sobre o farol encontra-se inteiramente degradada. Fiquei chateado ao encontrar todo esse descaso com um ponto turístico tão importante do estado de Santa Catarina/Brasil.

Praia de Naufragados

Seguimos em direção à Praia da Caieira, onde de lá iríamos procurar uma antiga trilha que faz a travessia do lado oste para o leste, assim terminando o trekking na Praia do Saquinho.

Ao chegarmos na Caieira, o clima estava chuvoso, aos poucos a chuva ia aumentando cada vez mais, tentamos encontrar a trilha, mas sem sucesso, resolvemos então conversar com os moradores locais, para saber se alguém sabia a respeito dessa trilha. Conversando com um ou outro morador, encontramos o proprietário das terras que dava acesso ao começo dessa trilha antiga, ele nos disse que a trilha existia mesmo, mas há muito tempo ninguém passava por lá, certamente estaria totalmente fechada pelo mato.

Nos reunimos e resolvemos abortar o restante da caminhada, logo encontramos uma parada de ônibus, pegamos o ônibus urbano com sentido ao Terminal Rodoviário TIRIO Tavares e depois pegamos outro ônibus até a praia de Açores, que fica ao lado da Praia da Solidão. A passagem custou R$ 4,20 por pessoa, sendo que pagamos 1 passagem apenas por pessoa para ir até o terminal e de lá pegamos outro ônibus até Açores sem pagar nada a mais, isto é. Caso você não saia do terminal rodoviário, é possível ir do norte até o sul da ilha de Florianópolis pagando apenas uma passagem de ônibus.

Praia de Naufragados

Praia do Cassino

A Praia do Cassino, considerada a maior do mundo em extensão, é um convite à aventura, para todos que possuem o ímpeto de colocar seus limites psicológicos e físicos à prova em um dos lugares mais inóspitos e isolados do litoral brasileiro.

Minha história com essa travessia da Praia do Cassino começou em 2015, quando após muito meditar para encontrar alguma travessia desafiadora e selvagem, me deparei com a Praia do Cassino. De lá para cá, durante pelo menos umas 3 ou 4 vezes, tentei colocar o meu plano em prática, não fazendo o tradicional trekking de 7 ou 8 dias, como é de praxe para a galera trilheira, mas em 4 dias de pedal auto-suficiente. Porém, sempre que separava uma data e me organizava para executar a travessia, os indicativos climáticos me diziam não, fosse por conta do vento ou da chuva. A coisa não andava. Não sei se é só comigo que acontece, mas às vezes, tem coisas que quanto mais quero fazer, as circunstâncias tanto mais me dizem que não! Eu realmente já estava meio injuriado com a situação de ter abortado ao menos três vezes ao longo de dois anos, e por conta disto, tinha definido que neste verão (2018-2019), eu faria a travessia com qualquer condição de clima, sozinho ou acompanhado, pois a coisa já estava virando uma lenda que assombrava meus pensamentos… kkkk

Praia do Cassino
“Eu sempre amei o deserto. A gente senta numa duna de areia. Não se vê nada. Não se sente nada. E no silêncio alguma coisa irradia.” O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry

Como é de costume, organizei o roteiro, a logística necessária e após, lancei nas redes sociais um dos meus famosos “editais hiperativos” (cuidado se ler algum por aí, geralmente é convidando para entrar em alguma roubada). Não demorou muito, e logo arrumei a parceira do Marcelo e da Bruna que toparam, por conta e risco, a travessia de bike. Estava assim formada a trupe para o desafio.

O plano, como disse anteriormente, era percorrer toda a extensão da Praia do Cassino em quatro dias, iniciando a travessia nos molhes de Rio Grande, seguir no primeiro dia até o Farol Sarita, no segundo dia alcançar o Farol Albardão, no terceiro dia atravessar o Concheiro pernoitando no hotel abandonado e por fim, no quarto dia, chegar ao final da jornada nos molhes da barra do Chuí. Dividindo assim, os mais de 230 kms em quatro pernas para não ficar tão pesada a pedalada, mas como mostrarei a seguir, quase nada aconteceu como planejado.

O Primeiro Dia na Praia do Cassino:

Depois de viajar praticamente a noite toda, pois embarcamos na Rodoviária de Porto Alegre às 2:00 horas da madrugada, chegamos por volta das 7 horas da manhã na Rodoviária de Rio Grande.

Tão logo desembarcamos,  tratamos de iniciar a montagem das bikes e dos alforjes com todo equipamento, para poder então, tomar o rumo dos molhes de Rio Grande, o nosso ponto de partida. Ainda no caminho pra os molhes, fizemos uma rápida parada numa padaria para tomar um café para acordar de verdade antes de encarar o desafio.

Por volta das 9:30 horas, com o sol já querendo mostrar suas garras, e após um rápido passeio nos mais de 4 kms dos molhes de Rio Grande, colocamos as magrelas na areia e começamos nosso pedal do dia.

Praia do Cassino
Molhes de Rio Grande/RS – Brasil

Na medida em que pedalávamos para o sul, começamos a nos aproximar do Balneário Cassino, que no dia 3 de janeiro, com tempo bom, estava lotado de gente e carros na areia. Foi bastante chato e complicado sair daquele mar de gente, pois a areia estava solta, e não conseguimos dar um ritmo adequado já nos primeiros 15 kms. Mas na medida em que pedalávamos sob o olhar curioso dos banhistas, aos poucos a multidão foi ficando para trás, a quantidade de carros diminuindo e o sol subindo com força.

Embora o vento estivesse ao nosso favor, a areia da Praia do Cassino não estava muito convidativa para pedalar com as bikes carregadas, todavia não tínhamos outra escolha, era seguir em frente rumo ao sul, ainda que isso exigisse um esforço extra, que de certa forma, já era previsto.

Por volta do meio-dia, com o sol realmente muito forte, chegamos ao naufrágio do Navio Altair. Sem nenhuma sombra, e depois de uma noite quase sem dormir, o cansaço começou a dar as caras na turma e, enquanto bebíamos água, decidimos mudar o plano original, desistimos de chegar ao Farol Sarita. A ideia agora era procurar um local com alguma sombra para poder montar o nosso acampamento, almoçar, esfriar a cabeça do sol e descansar. Dos 65 kms, aproximados que deveríamos percorrer, rodamos apenas 28 kms, e no momento em que avistamos um pequeno bosque de pinheiros junto a um rancho de pesca, resolvemos ficar ali. Após pedirmos autorização para o dono do local, tratamos de montar nosso circo e relaxar, com direito a um bom banho de água doce numa pequena lagoa junto ao rancho de pesca. Foi um alivio e tanto.

A Praia do Cassino nos dava boas-vindas com muito sol, calor, vento empurrando e areia pesada.

Praia do Cassino
Navio Altair

Depois de jantar, fizemos mais uma reunião de cúpula onde ficou decidido que no segundo dia, levantaríamos antes do sol para poder render o máximo enquanto não estivesse tão quente, pois teríamos que compensar os quilômetros que faltaram do primeiro dia e chegar de qualquer maneira ao final do dia, no Farol Albardão, onde existe uma base permanente da Marinha do Brasil, na esperança de conseguir um pouso e nos reabastecer de água potável.

Praia do Cassino
Acampamento no rancho de pesca

Dados do dia:

Início do pedal: 9:30 horas

Final do pedal: 15:30 horas

Distância computada: 28 kms

Segundo Dia na Praia do Cassino:

Ainda escuro, o despertador tocou e de imediato, após uma boa noite de sono, tratamos de tomar um café da manhã bem reforçado, desmontar o acampamento e aproveitar a condição de vento N/NE que nos dava uma força.

Começamos a pedalar com um visual alucinante do sol nascendo na linha do mar. O astral da trupe estava muito bom, seguíamos pedalando na direção da imensidão que parecia não ter fim com a Praia do Cassino praticamente deserta, apenas jeepeiros  e caminhonetes 4×4 com pescadores, vez ou outra, quebravam a nossa solidão naquele deserto à beira mar.

Nosso ritmo inicialmente estava bom, e antes das nove horas da manhã, avistamos o Farol Sarita. Feita uma rápida parada para fotos e tomar um fôlego, seguimos em frente, com o sol começando a nos castigar e tendo que ter o cuidado de controlar o consumo de água que já estava começando preocupar.

Praia do Cassino
Refrescando o corpo durante uma das muitas paradas.

Seguindo em frente, sofrendo muito com a areia pesada e o calor, dando pequenas paradas a cada 50 minutos mais ou menos.  Por volta das 11:30, paramos num arroio para nos refrescar pois o calor estava muito forte. Meus lábios começaram a rachar por conta do sal e do sol, e a sede era infinita. Com pouco mais de duas horas e meia de pedal, avistamos no horizonte a estrutura do Farol Verga, desativado a algum tempo… com o sol nos torrando inclemente, a sede e a fome batendo, decidimos parar no Verga, e aproveitar a pequena sombra que ele fazia para descansar, comer algo, se reidratar com a pouca água que nos restava e por fim, esperar o sol dar uma baixada para só então retomar o pedal.

Ficamos cerca de 3 horas parados, onde deu para dar uma cochilada na modesta sombra do Verga e comer algo para reabastecer de energia para dar a tocada final. Faltavam ainda 30 kms aproximadamente para chegarmos no Albardão.

Praia do Cassino
Farol Verga

Com o cair da tarde e o sol mais ameno, seguimos em frente, na fé e na determinação de chegar no Albardão antes do pôr do sol, embora tivéssemos combinado que o importante era chegar lá, independente da hora que fosse, mesmo que para tanto, tivéssemos que pedalar na escuridão da noite.

Com pouco mais de uma hora, avistamos a estrutura imponente do Albardão no horizonte, ainda distante cerca de 10 kms. Avistar o farol nos renovou o ânimo, apesar do cansaço e da sede e, com mais uma hora pedalando, para nossa alegria, chegamos ao destino junto com o sol indo embora.

Fomos muito bem recebidos pelo sargento Moreno, que gentilmente, nos acolheu disponibilizando as instalações da cozinha, banheiro com ducha e um quarto para nossa trupe, ou seja, um verdadeiro Oasis no deserto para viajantes cansados e castigados pela dura jornada de mais de 12 horas de pedalada.

Praia do Cassino
Farol Albardão

Dados do dia:

Início do pedal: 6:45 horas

Final do pedal: 21:00 horas

Distância computada: 107 kms

Terceiro Dia na Praia do Cassino:

Era sabido por todos que este seria o dia mais difícil, pois deveríamos atravessar o famoso e temido Concheiro, que nada mais é do que um imenso trecho de praia onde a areia mistura-se com restos de conchas, formando assim, um terreno fofo e de difícil locomoção que pode variar entre 15 e 50 kms, dependendo das ações da maré e do vento que alteram o terreno.

Assim sendo, fizemos uso da mesma estratégia do dia anterior: acordar antes do sol, tomar um bom café da manhã e começar a pedalar antes do sol nascer. Além disto, ficou decidido que tentaríamos completar a travessia neste mesmo dia, sem parar no hotel abandonado para acampar pois, os indicativos climáticos apontavam que para o dia seguinte, entraria uma frente de vento Sul, e certamente isso seria um grande problema.

Por volta das 6:30 horas, com o dia amanhecendo e nos presenteando com um espetáculo de cores, e antes do sol começar a querer fazer churrasco da gente, começamos nossa jornada.

Praia do Cassino
Sol nascendo, um espetáculo diário.

Inicialmente conseguimos evoluir bem, mais uma vez com o vento favorável, mas após 20 kms a coisa começou a ficar bem complicada: O Concheiro apresentava suas armas.

Pedalar no Concheiro é algo muito complicado e desgastante. O esforço físico beirava o extremo. É uma sensação de se estar subindo uma montanha o tempo todo.

Na medida em que pedalávamos e que o tempo passava, com a temperatura aumentando e o cansaço acumulado dos dias anteriores se fazendo sentir de uma maneira absurda, não conseguíamos manter uma velocidade média normal para cicloturismo. Estávamos rodando com pouco mais de 8 kms/h, ou seja,  o dia se desenhava como uma verdadeira tortura.

A dificuldade extrema de pedalar nestas condições, fez com que aumentasse muito nosso consumo de água, e isto logo se tornou um problema que só não foi maior, por conta de estarmos na temporada de veraneio, e após rodar mais de 30 quilômetros, começamos a encontrar pescadores que na maioria das vezes nos davam água gelada para beber.

Avançávamos lentos e de certa forma, desanimados, pois o trecho do Concheiro, ao que pudemos observar, passava facilmente de 40 quilômetros, ou seja, muito mais do que os 15 ou 20 quilômetros que pretendíamos inocentemente encontrar.

Numa destas paradas para pedir água, já exaustos de tanto pedalar lentos e empurrar as bicicletas, encontramos a família da Rosana que estava ali pescando e curtindo a praia deserta. Pedimos água e começamos a conversar com a turma, explicando de onde estávamos vindo e onde deveríamos chegar… papo vem, papo vai, lá pelas tantas, fomos presenteados com a melhor coca-cola das nossas vidas, e não só isso, servida em taças! Não tive dúvida nenhuma, aquilo ali era um milagre! Imagine você, no deserto, já sem água, debaixo de um sol fortíssimo, e de repente, aparecem anjos com a coca-cola mais gelada e deliciosa que você já bebeu na sua vida… É ou não um pequeno milagre? Ficamos extremamente emocionados e agradecidos com aquele gesto da Rosana e sua família.

Praia do Cassino
A coca-cola do deserto.

Após uma despedida emocionada dos nossos anjos do deserto, seguimos em frente, ligeiramente renovados pela coca e pelo milagre.

Num misto de sobe e desce da bike, empurra e pedala, fomos seguindo lentos e cansados, sem conseguir melhorar a velocidade média. Eu fazia as contas nas minha cabeça, e vendo que faltavam apenas 40 quilômetros, distância facilmente superável em condições normais, mas ali, naquele terreno, demoraria pelo menos 6 ou 7 horas… duríssimo conduzir uma bike carregada naquelas condições. Com certeza, esse foi o momento mais difícil para todos na Praia do Cassino. Mais se empurrava  do que pedalava, mas mesmo assim, seguíamos em frente pois não existia um plano B naquela situação.

Depois de horas, de sofrimento, começamos a ver as primeiras casas e ranchos de pesca nas proximidades do Balneário Hermenegildo, e após conversar com a Bruna, decidimos que na primeira sombra que aparecesse, iríamos parar para descansar e esfriar o corpo, pois nossa moral e nossa dignidade tinham sumido…kkkk Creio que faltando uns 15 quilômetros para chegarmos no Hermenegildo, encontrei um casebre junto de uma duna que fazia uma pequena sombra. Sinalizei para a Bruna e tratamos de fugir do sol, já deveriam ser por volta das 16 horas. Ficamos prostrados ali, bebendo a pouca água e comendo balas de banana, na esperança de reunir energias para tocar em frente. Neste momento, fomos novamente ajudados, desta vez, por outro ciclista que estava fazendo o pedal na praia, mas sem carga e com sua esposa no carro de apoio. Infelizmente esqueci o nome deles, mas o fato é que ofereceram uma carona para nossos alforjes e nos deram frutas para comer! Assim, com essa força, conseguimos seguir em frente e alcançar, finalmente o Hermenegildo, onde tratamos logo de ir para um barzinho e tomar uma cerveja bem gelada para tentar restabelecer a nossa moral que caíra por terra, ou melhor, pela areia…kkk

Faltavam cerca de 12 kms até a barra do Chuí no entanto, nós já não tínhamos forças para seguir e além disto, o balneário estava lotado, dificultando pedalar na faixa de areia. Fim de linha.

Tratamos de encontrar uma casa para alugar por uma noite, para assim, poder tomar um bom banho, fazer um jantar reforçado e dormir numa cama. Sem muita demora, tudo estava resolvido e aquele sofrimento todo de mais de 12 horas de pedal, já fazia parte da história.

Seguindo para os molhes do Chuí – Dados do dia:

Início do pedal: 6:30 horas

Final do pedal: 18:45 horas

Distância computada: 72 kms

Quarto dia na Praia do Cassino:

Sem muita preocupação, aproveitamos para descansar depois do suplício que foi o pedal do dia anterior. Tomamos café em slow motion, lavamos roupas, revisamos e lubrificamos as bikes para finalizar os 12 kms restantes… Afinal quem poderia nos impedir de completar esse misero trecho, depois de tudo aquilo que passamos até então? Resposta: O vento sul, que jogou o mar direto na areia e fez a praia sumir de vez, tornando assim, impossível para qualquer veículo de rodas seguir por aquele caminho.

Praia do Cassino
Tomando o asfalto para chegar aos molhes do Chuí.

A decisão de chegar o mais perto possível do final, foi a nossa salvação pois se por algum motivo tivéssemos parado para acampar, certamente teríamos que ficar um dia parado por conta da maré e do vento. A praia estava fechada.

Num misto de decepção e alivio, decidimos seguir até a barra pelo asfalto e assim, completar a travessia, ainda que não 100% pela areia.

Praia do Cassino
Fim da linha: molhes do Chuí.

Cicloturismo selvagem Praia do Cassino – Missão cumprida

Recordando agora, tudo que passei, posso garantir que a Praia do Cassino, até aqui, foi a travessia mais difícil que eu já tive a oportunidade de fazer.

Por mais que se esteja preparado, as condições da praia são sempre uma incógnita, podendo ajudar ou dificultar muito as intenções daqueles que pretendem se arriscar por lá, mas sendo como for, é uma experiência única, extrema e necessária para aqueles que querem descobrir seus próprios limites físicos e psicológicos.

Praia do Cassino

Para finalizar quero agradecer de todo meu coração aos meus parceiros de pedal Bruna Fávaro e Marcelo Rudini, companhia que fez toda a diferença no perrengue e também à todos que nos ajudaram durante a jornada, com o pouso para descanso, uma fruta e as muitas garrafas d’água. Certamente sem essa turma toda, a coisa teria sido muito mais difícil.

“Se vai tentar, vá até o fim.” Charles Bukowski.

Acampar em uma cascata pode ser uma alternativa nesse verão

Já pensou em acampar em uma cachoeira, parece estranho dizer isso, mas existe este lugar e ele está pertinho de nós.

A Serra Gaúcha é uma região encantadora, possui vales, cascatas, cachoeiras, e inúmeras outras opções de lazer, aqui no nosso site, você pode conhecer boa parte destes atrativos. Mas vamos ao que interessa, você já pensou em acampar em uma cachoeira? Se a resposta for sim, então você tem que conhecer a Cascata do Borela.

Este atrativo é um tanto inexplorado pela maioria das pessoas que moram nessa região, é um cenário de uma beleza natural intocada, a cascata localizada no município de Nova Pádua/RS – Brasil.

A Cascata do Borela está dentro de uma propriedade particular, por isso deve-se pedir permissão para chegar até o local. A trilha que leva até a base da cascata é um trecho curto de aproximadamente 300 metros, caminha-se em meio a mata por um caminho antigo, cercado por belas árvores, pedras enormes e pequenas quedas de água.

acampar na serra gaúcha
Foto: Eduardo Bassotto

A trilha em si é de nível fácil, recomendamos essa caminhada para pessoas que praticam atividades físicas regularmente, tenha em mente que trilhar esse caminho não é assim tão simples, em muitas vezes você terá que transpassar obstáculos, isso é, subir e descer de pedras lisas, agarrar-se em árvores, molhar os pés.

Ao chegar na base da Cascata do Borela, nôs surpreendemos com a altura, são 60 metros de queda livre, ali forma-se uma piscina com água cristalina, o que é ótimo nos dias de calor.

acampar na serra gaúcha

acampar na serra gaúcha

Caso você queira acampar no local, o mais indicado é em meio a cascata, neste local existe um platô gigante, que pode acomodar umas 10 barracas aproximadamente, o solo porém é de pedra, então sugerimos levar uma barraca auto-portante, isso é, uma barraca que consiga ficar armada sem o uso de espeques.

Vale ressaltar que esse local não tem nenhuma infraestrutura disponível, então vá precavido!

acampar na serra gaúcha

Para quem é mais corajoso é possível praticar rapel, na crista da cascata tem inúmeros pinos, que facilitam a ancoragem das cordas. Mas esteja sempre atendo com as questões de segurança, não pratique esse esporte sem conhecer o trabalho da empresa que irá realiza-lo. Nós do Trekking RS, recomendamos a empresa parceira Sol de Indiada e a Adrenalina Vertical para a execução das atividades de rapel nesse atrativo.

acampar na serra gaúcha

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Achou interessante e quer conhecer esse lugar incrível com seus próprios olhos, então entre em contato com a gente, nós te levamos!

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Conheça as trilhas da Terra do Fogo

Começamos o passeio pelo Parque Nacional Terra do Fogo no dia 17 de Outubro de 2017, nele pudemos contemplar alguns dos atrativos mais importantes do parque.

O Parque Nacional Terra do fogo possui uma área de aproximadamente 63.000 hectares e é banhado pelo Canal de Beagle, localiza-se a 12 quilômetros afastado da cidade de Ushuaia, sendo que apenas está disponível para uso público cerca de 3% de toda a área, nesta pequena parte que pudemos conhecer estão alguns dos atrativos mais importantes e belos do parque.

Atividades permitidas dentro do Parque Nacional Terra do Fogo:

Terra do Fogo

Dentro do parque está disponível quatro áreas de camping selvagem, sendo que em todos existem áreas já delimitadas para fazer a comida, é recomendável que você use seu fogareiro, caso não tenha esse equipamento, é possível fazer um pequeno fogo apenas para cozinhar seus alimentos.

Localização dos campings:

Camping 1 localiza-se ao lado do Rio Pipo;

Camping 2 localiza-se perto da Bahia Ensenada Zaratiegui;

Camping 3  e 4 localiza-se perto do Rio Lapataia.

Caso queira explorar o parque a pé, existe quatro caminhos demarcados para que você contemple da melhor forma possível toda a beleza desse enorme atrativo. Abaixo listamos alguns caminhos já demarcados e permitidos.

Caminho Pampa Alta

Neste caminho você percorre cerca de 4,9 quilômetros onde é possível contemplar o ponto panorâmico, o Canal de Beagle e o vale do Rio Pipo, o trecho começa perto da Bahia Ensenada, percorrendo um caminho até o Camping 1 do Rio Pipo.

Dificuldade: Média

Duração: Uma hora até o ponto Panorâmico

Caminho Costera 

Caminhada de 8 quilômetros pela costa marinha, cruzando florestas de Guindo e  Canelo, acesso pela Ensenada ou na junção do Lago Roca na Ruta 3.

Dificuldade: Média

Duração: Quatro Horas

Caminho Hito XXIV

Caminhada com cerca de 7 quilômetros pela margem do Rio Roca até  o limite internacional entre Argentina/Chile.

Dificuldade: Média

Duração: 3 horas ida e volta

Cerro Guanaco

Do alto do cume Guanaco é possível apreciar uma maravilhosa vista da Cordilheira Fueguina e suas turferas. É acessado pelo caminho Hito XXIV, depois de atravessar o Guanaco há um desvio sinalizado na direita. Toda a rota é em acessão por encostas íngremes, toda a trilha tem 8 quilômetros no total.

Dificuldade: Alta

Duração: 8 horas ida e volta

Caminhadas no setor de Lapataia

Terra do Fogo

Passeio na Ilha

Uma trilha com aproximadamente 600 metros de distância pelo Arquipélago Cormorantes, passando pelas margens do Rio Lapataia e Ovando. Boa oportunidade de observar aves aquáticas.

Dificuldade: Baixa

Laguna Negra

Trilha de aproximadamente 950 metros de distância, onde é possível ver uma Turfa em formação.

Dificuldade: Baixa

Mirador Lapataia

Um caminho de aproximadamente 1 quilômetro que leva ao Turbal, podendo ser uma boa alternativa para acessar a Bahia Lapataia, transitando por um bosque de Lenga.

Del Turbal

Circuito alternativo para a Ruta 3 e acessa a Bahia Lapataia. É possível observar antigas moradias de castores rodeados de Turfas. Se conecta com o caminho que leva a castorera.

Distância: 2 km

Dificuldade: Baixa

Castorera

Com distância de 400 metros ida e volta a reserva de Castores, é possível acessar pela Ruta 3 e rastrear o caminho dos castores pelo lado direito, vendo assim o impacto causado por esta espécie exótica.

Dificuldade: Baixa

Caminho de la Baliza

Caminho com 1,5 quilômetros de ida e volta, onde é possível ver um farol, localizado no limite da reserva natural, podendo ver também uma Castorera ativa.

Dificuldade: Baixa

Na nossa visita ao Parque Nacional Terra do Fogo, contemplamos inúmeras paisagens, sendo de montanhas geladas, trilhas em meio a bosques verdejantes, caminhamos também pelas passarelas da Bahia Lapataia que possuem uma vista de tirar o fôlego e percorremos no passeio de 40 minutos aproximadamente no Trem do Fim do Mundo.

Abaixo você poderá ver as nossas melhores fotos desse atrativo turístico tão magnífico de Ushuaia.

Terra do Fogo
Estação do Trem do Fim do Mundo – Ferrocarril Austral
Terra do Fogo
Laguna Verde

Terra do Fogo

Terra do Fogo
Bahia Lapataia
Terra do Fogo
Bahia Lapataia
Terra do Fogo
Bahia Lapataia – Puerto Arias
Terra do Fogo
Senda del Mirador
Terra do Fogo
Trem do Fim do Mundo

Cânion Boa Vista um lugar incrível

Tivemos a oportunidade de conhecer todas as faces do Cânion Boa Vista, um ponto turístico tão pouco explorado pela maioria das pessoas, estar lá e caminhar em seu entorno renderam momentos incríveis e fotografias magníficas.

Conhecemos o Cânion Boa Vista através da empresa parceira Sol de Indiada, fazendo um trekking de quatro dias pelas bordas dos cânions mais lindos do sul do Brasil. Na travessia caminhamos aproximadamente 80 km, no terceiro dia da nossa travessia cruzamos do Cânion Amola Faca até o Cânion Boa vista, onde pudemos contemplar todo seu esplendor.

Caminhar nas regiões dos cânions é uma experiência que recomendamos a todos, a cada passo a paisagem muda, uma hora é possível olhar os cânions ao longe, noutra hora já estamos na borda, a paisagem é deslumbrante, uma sensação de liberdade indescritível.

Caminhando pela borda podemos enxergar as enormes fendas, em certos pontos a altimetria chega perto dos 1.000 metros ou mais, ao mesmo tempo que sentimos uma sensação de paz, o medo apimenta ainda mais a nossa experiência, todos esses sentimentos fazem com que tenhamos um olhar mais cauteloso, entendendo assim que precisamos continuar preservando a natureza.

O Cânion Boa Vista é um dos lugares mais lindos que já tivemos a oportunidade de acampar, abaixo você pode ver algumas fotos capturadas nessa aventura inesquecível!

Cânion Boa Vista

Cânion Boa Vista

Depois de caminhar boa parte do dia, estava na hora de escolher um bom lugar para armar as barracas, escolhemos acampar em um platô, ali tínhamos uma vista de quase 360° graus do Cânion Boa Vista, era incrivelmente maravilhoso estar ali curtindo aquele momento único.

Precisamos agradecer todas as vezes que temos a oportunidade de contemplar momentos mágicos, a natureza nos deu um grande presente que vamos nos lembrar todas as vezes que estivermos acampados com nossas barracas.

Cânion Boa Vista

Para festejar todos estes bons momentos abrimos uma garrafa de vinho e brindamos, ficamos ali olhando as estrelas, a magnífica Via Láctea e o grandioso Cânion Boa Vista.

Cânion Boa Vista

Cânion Boa Vista

Como o seu próprio nome diz é uma boa vista, um colírio para os olhos daqueles que se aventuram por essa região.

Para chegar ao atrativo é muito fácil, percorra uma estrada de chão por 40 km até chegar na Pousada Ecológica dos Cannyons,  e caminhe cerca de 300 metros até a borda do cânion Boa Vista, veja no mapa clicando aqui.

Azteq Mykra avaliação completa

A cerca de dois meses estamos avaliando a barraca Azteq Mykra, já acampamos em inúmeros lugares, onde pudemos avaliar com clareza todos os quesitos deste modelo, neste post falaremos das características, construção, materiais, mostraremos seus pontos positivos, negativos e a nossa real opinião sobre o modelo.

A Barraca Azteq Mykra chegou ao mercado nacional com o intuito de trazer mais uma opção para os aventureiros que aqui viajam, fazem aventuras de um fim de semana ou travessias de trekking.

A Azteq, marca esta que é comercializada aqui no Brasil pela empresa Nautika Lazer trouxe a barraca Mykra para suprir a grande demanda que tínhamos, pois no brasil não tínhamos até então uma barraca leve, compacta e auto-portante.

O sucesso das barracas da Azteq Nepal e MiniPack instigou a nossa vontade de avaliar a Mykra, desde a data de lançamento do modelo no Brasil, a empresa Guenoa Apetrechos para Aventuras nos forneceu a barraca para que pudéssemos avaliar com clareza e imparcialidade todos os quesitos deste modelo.

Azteq Mykra avaliação completa

Características da Barraca Mykra:

Construída de maneira minimalista é uma barraca de três estações para usos no brasil, com capacidade para 1/2 pessoas, sem muita bagagem.

A barraca possui tecidos leves, na parte do sobre-teto é fabricada com tecido de Poliamida Siliconado RIPSTOP 20D/380T PU e no piso o tecido é um pouco mais robusto Poliéster 75D/195T, os dois tornam a barraca totalmente impermeável, com cerca de 6.000 mm de coluna de água.

O sobre-teto da barraca é afixado ao quarto por meio de fivelas iguais aquelas que encontramos nas mochilas cargueiras.

O Quarto/mosquiteiro é bem arejado, o tecido ultra fino garante que nenhum intruso indesejado entre durante a noite, possui uma única porta e se mantem bem esticado quando a barraca está armada.

Além disso o modelo conta com Foot Print (lona extra de piso), este tem duas funções sendo: a primeira tem a função de proteger o piso da barraca contra eventuais objetos pontiagudos que possam furar a barraca, já a segunda função é a opção de armar a barraca sem o uso do quarto/mosquiteiro, transformando a barraca em uma espécie de barraca de campanha. Este modo de utilização pode ser muito útil em travessias de trekking ou exploração de novos lugares, usando-a desde modo é possível ter um abrigo totalmente seguro e estável contra chuvas e ventos podendo ser muito útil na hora de cozinhar seus alimentos em climas desfavoráveis.

Um ponto interessante de mencionar aqui é que o foot print para ser armado da maneira descrita acima, é necessário que contenha ilhós em suas extremidades, nesta barraca apenas contém elásticos para prender nas varetas, isso é um ponto desfavorável do modelo. Seria interessante que o importador Nautika Lazer fizesse um ajuste neste quesito, assim facilitaria muito a vida dos usuários. Vale mencionar ainda que o foot print montado desta maneira não fica esticado, quando montado junto com o quarto/mosquiteiro.

A barraca Azteq Mykra possui uma única vareta com dois “Y”, isso garante maior estabilidade, praticidade e leveza a todo conjunto, além disso é fabricada em duralumínio anodizado conectado com elásticos especiais.

Azteq Mykra avaliação completa

O avanço da barraca Mykra é um pouco pequeno, são menos de 50 cm de espaço, isto é, colocamos apenas alguns pequenos equipamentos, como: uma mochila de ataque com aproximadamente 30 litros, um conjunto de panelas e mais um par de botas.

Azteq Mykra avaliação completa

A barraca conta com as seguintes medidas quando está armada: 2,15m de comprimento, 1,00m x 1,25m de largura e 1,00m de altura, já ela fechada conta com as medidas de 15 x 40 cm. Podemos notar que há duas medidas na largura da barraca quando armada, isto é, vale ressaltar que se optar por isolantes infláveis os dois ocupantes terão que dormir em sentidos contrários, já usando os isolantes de EVA do tipo dobrável é possível dormir os dois ocupantes para o mesmo lado.

Conclusão:

Para validar os testes feitos e poder constatar a real eficacia do modelo em destaque, acampamos diversas vezes, a primeira delas acampei sozinho, no primeiro acampamento já pequei uma chuva leve mas contínua, montar a barraca sozinho requer atenção, pois tem que cuidar a posição da vareta em relação ao quarto, lembrando que possui largura diferente em seus lados, sozinho e com a chuva caindo a tarefa de montar foi um pouco complicada.

Neste dia estava um pouco frio e possuía uma grande umidade relativa do ar, aproximadamente 90%, eu sozinho na barraca com as abas de neve totalmente abaixadas a barraca condensou um pouco, quando acordei pela manhã notei que havia pequenas gotículas de água na parte interna do sobre-teto.

Azteq Mykra avaliação completa

Notei que o foot print não ficava totalmente esticado na parte externa, não fazia sentido ter essa tecnologia aplicada a este modelo, se não ficasse 100% firme.

O avanço da barraca é bem pequeno, e é impossível cozinhar nele se estiver chovendo, o risco de queimar a lona é considerável, na dúvida entre queimar a barraca ou não, resolvi correr para a barraca dos amigos. kkkk

No segundo acampamento resolvi que seria bom acampar com dois ocupantes, o local escolhido foi uma enorme caverna que ficava em fronte a uma bela cachoeira, o dia estava escaldante e o lugar escolhido havia poucas sombras em boa parte do dia, o solo era pedregoso, aqui a barraca Azteq Mykra se saiu bem, não usei o sobre-teto, pois não havia necessidade, o local era totalmente a prova de chuvas e ventos fortes.

Azteq Mykra avaliação completa

O terceiro acampamento foi a alguns dias atrás, uma travessia de trekking pelas bordas dos cânions com aproximadamente 80 km em 4 dias, era o momento perfeito para concluir a nossa avaliação. Acampamos com dois ocupantes o tempo todo, toda a manhã acordávamos antes do sol nascer, sempre com o olhar de avaliador sobre a barraca, notei que condensou todos os dias, não fez frio e nem choveu, levantando as abas de neve a barraca condensa um pouco menos, a janela de ventilação da barraca é um tanto pequena, mesmo o quarto sendo muito arejado ela ainda condensa com qualquer clima.

Azteq Mykra avaliação completa

Na última noite da travessia escolhemos acampar em cima de um morro próximo a borda do Cânion Boa Vista/RS – Brasil, ali era a chance de testar como a barraca se comportava em situações adversas, como rajadas de ventos.

Azteq Mykra avaliação completa

A noite foi realmente difícil de dormir, a barraca em si estava totalmente fixada ao solo, bem armada com seus dois esticadores, neste momento percebi que o sobre-teto se mexia encostando no quarto/mosquiteiro, as rajadas de ventos eram intensas, porem as varetas nem mexiam, notei também que em alguns lados da barraca o sobre-teto fica distante 10 cm ou menos do quarto/mosquiteiro, isso é muito desconfortável para os ocupantes, as abas de neve faziam muito barulho quando se chocavam com o sobre-teto, no local não haviam pedras para colocar em cima das abas.

Azteq Mykra avaliação completa

Todos os testes com a Barraca Azteq Mykra durante estes dois meses fizeram com que mudássemos nossa opinião em relação ao modelo e a marca, chegamos a conclusão que a barraca é muito cara pelo o que ela tem a oferecer, o valor atual é de R$ 849,00 reais, mas é possível encontrar por menos que isso, mesmo assim não recomendamos esta barraca para usar com dois ocupantes em travessias de trekking de inúmeros dias, pois não há onde acondicionar as mochilas cargueiras, cozinhar seus alimentos.

Veja outras imagens da barraca Azteq Mykra

Azteq Mykra avaliação completa

Azteq Mykra avaliação completa

Azteq Mykra avaliação completaAzteq Mykra avaliação completa

Se você gostou da nossa avaliação, concorda ou discorda do nosso texto, deixe um comentário logo abaixo:

Abertura das Trilhas nas Bordas do Cânion Malacara

Nos dias 14,15 e 16 de Agosto estivemos presentes no evento Oficina de Regulamentação e Credenciamento da Trilha do Malacara organizado pelo ICMbio (Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade), juntamente com mais de 100 guias e condutores locais, no encontro definimos as normatizações para a abertura das trilhas nas Bordas do Cânion Malacara.

Durante os três dias cada participante teve a oportunidade de dar a sua contribuição para que a trilha pudesse realmente sair do papel e virar o mais novo atrativo turístico da região dos Aparados da Serra/Brasil

O evento aconteceu na sede do Parque Nacional Aparados da Serra com a presença dos gestores e voluntários do ICMbio. Nos debates foram levantadas inúmeras informações, desde o manejo das trilhas até quais atividades poderão ser vinculada ao atrativo.

As trilhas nas Bordas do Cânion Malacara estavam fechadas há mais de 10 anos, com muito empenho e dedicação da nova gestão do ICMbio comandada pela Clarice, as trilhas pelas Bordas do Cânion Malacara estarão abertas em breve.

Confira as fotos das Bordas do Cânion Malacara:

Bordas do Cânion Malacara
Fonte: Google

 

Bordas do Cânion Malacara
Fonte: Google

Entre as atividades que poderão ser realizadas no Cânion Malacara estão: caminhada, canionismo, acampamento, travessias de longo curso, cicloturismo, base jump, cavalgada, voo livre, escalada, quadriciclo, transfer e 4×4, para cada modalidade destas citadas o órgão ICMbio fara um estudo para avaliar as condições para que possam ser implementadas ao longo do tempo.

A data de liberação será divulgada pelo próprio site do Parque Nacional, mas já podemos ir arrumando as mochilas, convidando os amigos, pois a Trilha nas Bordas do Cânion Malacara será o nosso próximo destino.

Mapa com as principais trilhas do Parque Nacional Aparados da Serra/BR

Clique aqui para baixar

Acesse também: Cânion Josafaz um lugar inóspito!

Travessia do Cânion Laranjeiras ao Cânion do Funil

Barraca Mykra Azteq Avaliação

A marca brasileira Azteq lançou na primeira semana de Julho aqui no Brasil a barraca técnica super leve conhecida como Barraca MYKRA. No primeiro fim de semana de julho, tivemos a oportunidade de conhecer esse modelo bem de perto, a empresa Extreme Outdoor/PR nos proporcionou uma breve avaliação desse modelo ainda pouco conhecido no mercado nacional.Barraca Mykra

Detalhes da barraca Mykra Azteq:

  • Dimensões:2,15m x 1,25m x 1,00m
  • Material das varetas: Duralumínio
  • Material dos espeques: Alumínio
  • Material do piso:Poliéster 75D/195T
  • Material do teto:Poliamida Siliconado RIPSTOP 20D/380T PU
  • Peso:1,8kg
  • Capacidade:1/2 pessoas
  • Tela mosquiteiro:Sim
  • Coluna d’água: 6.000 mm
  • Incluso Foot Print

Valor de venda: R$ 800,00 aproximadamente.

O que mais chama a atenção na barraca Mykra é o fato de ela ser autoportante, em outras palavras, é que ela fica montada por conta própria, não sendo necessária ser fixada ao solo.

Os dois modelos clássicos da marca brasileira Azteq são as barracas Nepal e MiniPack, as duas são ótimas para usos aqui no Brasil, porem as duas tem uma grande desvantagem de não ser autoportante. Sabemos que na grande maioria dos picos de montanhas nacionais o solo é pedregoso, se não tivermos uma barraca autoportante precisamos improvisar na hora de montar a barraca.

O quarto da barraca/mosquiteiro é ultra fino, superleve e bem construído, em primeira vista podemos notar que a Azteq caprichou nas costuras, notamos também que ela é muito bem arejada, isso ajudará muito para que não condense em situações de climas desfavoráveis.

Barraca Mykra

O sobre teto é de Poliamida Siliconado Ripstop 20D/380T PU, isso garante que o tecido seja leve, compacto e possua uma excelente coluna de água de 6.000 mm, além disso como de praxe, a marca Azteq manteve as clássicas abas para neve, mesmo sabendo que aqui no Brasil elas não são muito usadas para este fim, mas podem ser usadas para impedir que o vento entre por baixo da lona, em algumas situações mais extremas, podemos colocar pedras para firmar toda a estrutura, evitando que a barraca saia voando no meio da noite.Barraca Mykra

Possui apenas uma vareta em Duralumínio, está é composta por 2 junções em formato em “Y”, desta forma é possível manter uma estrutura leve, forte e confiável para suportar climas desfavoráveis.

Barraca Mykra

Detalhes:

A barraca Mykra conta com apenas uma porta de entrada e saída, mas o sobre teto possui ampla abertura, facilitando muito a entrada e saída dos usuários. Além disso conta ainda com dois estabilizadores laterais e uma pequena janela que aumenta a ventilação dentro da barraca.

Uma das grandes novidades deste modelo é que vem com Footprint, isso se refere a um segundo piso que protege o piso do quarto/mosquiteiro, evitando que este venha a furar ou rasgar, fica localizado entre o piso da barraca e o chão.

Nos modelos de barracas vendidos fora do Brasil é possível montar toda a estrutura da barraca (footprint, vareta e sobre teto) sem usar o quarto/mosquiteiro, não montamos ela desta forma, mas acreditamos que seja possível também.

Barraca Mykra

Veja nossa avaliação completa deste modelo clicando aqui.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Neste pequeno relato, vou contar um pouco do que aconteceu nos caminhos que me aventurei entre as cidades de Bento Gonçalves e Veranópolis/RS – Brasil.

Entre essas duas cidades a dois grandes trechos ferroviários, um deles é conhecido como a Ferrovia do Vinho, está ligava as estações de Jaboticaba e as cidades de Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa, atualmente este trecho está completamente abandonado. O segundo trecho é conhecido como TPS (Tronco Principal Sul) que liga as cidades de Mafra/SC a Roca Sales/RS, este trecho é muito utilizado até hoje, administrado pela empresa Rumo Logística.

Essa aventura começou com uma simples conversa de amigos pelo Whatsapp, definimos o lugar, contatamos o amigo Vagner Tonatto morador da cidade de Veranópolis e membro integrante do Grupo de Aventuras e Pesquisas Ferroviárias – Forastrilho, junto com ele fomos explorar os caminhos ferroviários do TPS, lugares bem pouco conhecidos pela maioria dos aventureiros gaúchos.

Marcamos um ponto de encontro com o Vagner e no sábado pela manhã cada um de nós saímos de nossas casas rumo a cidade de Veranópolis/RS, cada amigo vindo de um lugar diferente, A Elisa saiu de Porto Alegre às 05:00 da manhã, passando na casa da Thaís em Canoas, eu saí de Farroupilha às 06:30 da manhã e o Adriano vinha de Marau.

Quando você encontra pessoas apaixonadas por aventuras que nem você, é muito fácil marcar aventuras e ir, se quiser um conselho faça amizades com pessoas que dizem “vamos” assim você viverá mais feliz a cada dia.

A aventura propriamente dita começou cerca de 10:00 da manhã, primeiro fomos conhecer um pequeno mirante no alto de um dos morros da cidade de Veranópolis, de lá conseguimos avistar a ponte que cruza por cima do Rio das Antas e chega no Túnel em “y”.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Em seguida seguimos de carro por uma estrada de chão chegamos na Usina de Monte Claro, deixamos o carro na beira da estrada de terra e começamos a percorrer a linha férrea por cima daquela ponte que havia avistado do mirante, a visão deste local é incrível, muito linda por sinal.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Depois de tirar algumas fotos seguimos para o famoso Túnel em “y”, com certeza um dos túneis mais bonitos que já tive o prazer de conhecer.

Dentro do túnel a escuridão é enorme, é possível sentir o ar gelado correndo dentro do túnel, o lado ativado deste trecho esta até que em boas condições, mas o lado desativado já não existe nem os trilhos e dormentes mais. Olhando para aquilo tudo, parei e refleti:

“As vezes eu não entendo o porque as empresas que cuidam do trecho parecem não se importar em preservar esses patrimônios regionais, e fico mais irritado em saber que as pessoas que vão ali, roubam as placas, fazem pichações e muitas outras coisas que não vale nem a pena comentar aqui, aos poucos vão acabando com as ferrovias espalhadas pelo Brasil.”

Tiramos algumas fotos ali dentro do túnel, queríamos ir na estação Jaboticaba, mas o Vagner disse que ultimamente estava rolando alguns assaltos ali, que seria melhor não irmos até lá. Entendemos o recado e caminhamos até o outro lado do túnel em y, no trecho desativado, esse túnel ligava os dois trechos ferroviários, o TPS e a Ferrovia do Vinho.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Na parte de fora do túnel a vegetação já tomou conta da antiga linha férrea, o Vagner nos disse que este trecho a alguns viadutos abandonados e uns túneis que estão com muita água dentro, como esse não era o nosso objetivo principal, retornamos aos carros e seguimos viagem rumo a um outro trecho da Ferrovia TPS.

Depois de andar por alguns quilômetros por estradas de asfalto e terra, chegamos novamente na linha férrea, deixamos os carros ao lado da passagem de nível, em um lugar seguro. Pegamos as mochilas de ataque e seguimos para o lado esquerdo, fazendo o trecho de subida pelos trilhos.

Caminhamos cerca de uns 2 quilômetros até chegar na vila abandonada, aqui era onde os trabalhadores da construção da ferrovia moravam, hoje a vila está em ruínas, entrei em algumas das construções que estavam ali, mas novamente me decepcionei com os seres humanos, dentro das casas havia muito lixo, pichações e tudo que você possa imaginar, estou realmente preocupado, pois acredito que daqui uns 50 anos ou menos as pessoas nem vão conhecer mais estes lugares e suas histórias incríveis.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Tiramos algumas fotos, conversamos, rimos e seguimos em frente, depois da vila abandonada não há mais muito para se ver, há apenas alguns pequenos túneis rodeados por mato dos dois lados.

Caminhamos mais uma meia hora neste sentido e retornamos, pois queria conhecer a Cascada do Piscinão, esse local fica perto de um viaduto gigantesco, construído em formato de arco, muito bonito por sinal, com certeza uma grande obra de engenharia para a época.

A Cascata do Piscinão tem esse nome pois entorno de sua queda foi construído pelo batalhão ferroviário uma espécie de piscina de concreto a céu aberto, com aproximadamente dois metros de profundidade. Além disso o lugar trouxe a mim um sentimento de alegria, paz e encantamento. Irei voltar com certeza no verão para poder desfrutar de um banho nessa piscina maravilhosa.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Já era quase fim de tarde, quando chegamos nos carros novamente, ali ajeitamos nossos equipamentos nas mochilas cargueiras e fomos para o lado direito da ferrovia, descendo por ela avistamos a estação abandonada Coronel Salgado.

Era um bom lugar para passar a noite, sendo assim resolvi já começar armar a barraca antes que escurecesse, só tinha um problema, atualmente uso uma barraca Azteq Nepal, esta não é auto-portante (precisa ser especada para se manter armada), o local mais seguro que havia ali era na varanda da estação, então logo providenciei umas pedras e umas cordas para assim conseguir deixar a barraca armada, depois de alguns minutos a barraca estava armada e completamente estável. Depois disso agradeci por ter aprendido técnicas interessantes nos 14 anos que fui membro do Movimento Escoteiro.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Reunimos todos e decidimos que queríamos uma fogueira para a noite, assim estaríamos mais seguros, contra eventuais bichos que pudessem aparecer ali. Tomada a decisão cada um foi atrás de lenhas secas e tudo que fosse possível para ascender uma boa fogueira.

Depois de acumular bastante gravetos e alguns troncos a nossa amiga Thaís tomou as rédias da cozinha, e resolveu fazer o jantar, depois de alguns minutos passados, eu e o Adriano fizemos uns bancos improvisados com dois troncos que iriamos usar na fogueira. Nessa hora o sol estava indo embora, tirei algumas fotos e esperávamos o jantar empolgados.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Após o jantar, abrimos algumas garrafas de vinho e nos sentamos na varana da estação e ficamos todos ali, conversando, rindo e já imaginando qual seria a nossa próxima aventura. Era hora de ascender a fogueira, já estava um pouco escuro. Primeiramente usamos isqueiro para ascender a fogueira, não deu certo, pois as lenhas estavam úmidas por causa do sereno da noite, tentamos então usar os fogareiros para ajudar na tarefa, assim iria secar bem as lenhas e depois pegaria fogo. Adivinhem só, por incrível que pareça também não ascendeu, ficamos chateados, porque todos nós esperávamos que isso iria funcionar. Fiquei pensando como iria fazer para ascende-la, lembrei da época de escoteiro novamente, pedi o desodorante emprestado e usei ele mais o isqueiro fazendo um lança chamas, quando mirei sobre os gravetos e madeiras da fogueira, foi completamente instantâneo, a fogueira ascendeu e ficamos ali rindo sem parar…

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Depois de algumas horas ali, resolvemos que era hora de ir dormir. Após ter ido deitar e pegar no sono, ouvimos o barulho de um trem, saímos das barracas esperando-o passar pela estação, nisso o maquinista parou a locomotiva bem em frente de nós, desceu dela e veio em nossa direção, falou que aqui iria acontecer um cruzamento de trens, ficamos empolgados com a notícia. Melhor que ver um trem é poder ver dois trens juntos…kkkk

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Passou cerca de meia hora e as luzes do outro trem apareceu no horizonte, nessas horas fiquei em estase, parecia que estava vivendo algo único. Para nós aventureiros apaixonados por ferrovias, era o ponto culminante de toda a aventura.

Depois de alguns minutos, os dois trens foram indo embora devagar e nós retornamos as barracas para continuar o nosso sono.

Na manhã do segundo dia, acordamos, tomamos café, desmontamos o acampamento, enquanto caminhávamos de volta aos veículos, ficamos conversando sobre o que iriamos fazer, disse para os amigos que conhecia alguns dos pontos turísticos da cidade de Veranópolis, seria interessante ir visita-los. A galera concordou, pegamos os carros e fomos primeiramente até a casa do Vagner, lá ele nos atendeu, pediu como foi a noite e tudo que tinha acontecido.

O Vagner nos disse que tínhamos que conhecer um outro túnel abandonado da Ferrovia do Vinho, já ficamos felizes com essa ideia, nos disse como seria para chegar nele, agradecemos a sugestão e seu acolhimento e fomos embora, rumo ao centro da cidade de Veranópolis. Ao chegar no centro, deixamos todos os carros em um posto de combustível, embarcamos no carro da Elisa e fomos “turistar” pela Terra da Longevidade.

O primeiro destino era o Parque Cascata dos Três Monges, depois a Cascata da Usina Velha, a ponte dos Arcos e por último o túnel abandonado da Ferrovia do Vinho. Todos estes passeios você pode conferir aqui no site, clicando sobre o nome.

Depois de muito andar de carro, chegamos na trilha que leva a esse viaduto abandonado, a trilha acompanha a linha férrea e é linda, cercada por uma vegetação linda e preservada, andamos cerca de um quilômetro e nos deparamos com um lugar incrivelmente maravilhoso, parecia uma cena de filme.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

São lugares assim que nos enchem de alegria, fazer trilhas pouco exploradas ou inexploradas é o que com certeza nos define. Encontre amigos que topem qualquer aventura assim você viverá momentos únicos.

Se você é mochileiro(a) nutella, então se esforce para ser raiz, caso contrário você só verá o que quiserem te mostrar. As belezas do mundo estão aí e é só você sair e explorar, pare de ser igual a todo mundo, procure aquilo que seja original, viva intensamente cada momento.

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