Serra da Veneza x Rio do Rastro

A travessia nada mais é que um percurso que realizamos em parceria com a empresa Sol de Indiada entre às Serras da Veneza e Rio do Rastro/SC.

A travessia foi realizada em 3 dias e duas noites, caminhamos cerca de 45 quilômetros entre campos e bordas dos cânions de Bom jardim da Serra no estado de Santa Catarina – Brasil.

As travessias realizadas pela empresa Sol de Indiada são indicadas para pessoas que estão iniciando no trekking, além das diversos tipos de pacotes oferecidos, o que mais chama a atenção é para o pacote completo, este inclui: translado de ida e volta, acompanhamento de guias experientes em todas as trilhas, apoios com veículos 4×4, alimentação inclusa e ainda a opção de você carregar a mochila cargueira ou de ataque.

Um detalhe interessante sobre a Sol de Indiada é que se você não tem barraca, saco de dormir ou mochilas, você pode contatar a empresa e alugar para a aventura.

Caminhar em lugares assim com uma empresa tão dedicada a seus clientes faz valer a pena a contratação de serviços assim, não é a toa que estávamos em cerca de 70 pessoas incluindo, motoristas especialistas em veículos 4×4, cozinheiros, guias e fotógrafos. Nessa viagem tinha pessoas de inúmeras cidades, sendo dos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e claro aqui do Rio Grande do Sul.

A travessia começou no dia 7 de setembro, em pleno feriado da Independência, nesse primeiro dia caminhamos um pouco por trilhas e algumas estradas em meio aos campos de cima da serra, cruzávamos pequenos córregos e alguns campos de turfeiras até chegar nas bordas dos cânions.

O dia estava completamente ensolarado, temperatura próxima a 25 graus, céu azul e sem nenhuma nuvem, dia perfeito para contemplação de lindas paisagens.

A caminhada era de nível fácil sem grandes dificuldades, na borda dos cânions podíamos avistar uma linda vista dos grandiosos paredões rochosos e cristas que compõem os Aparados da Serra.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Neste primeiro dia de travessia caminhamos cerca de 15 quilômetros, eu levei apenas a mochila de ataque Mountain Hardwear 30L com o lanche de trilha, água, roupas e câmera fotográfica.

Caminhar nas bordas das serras é uma aventura maravilhosa, a cada subida de morro a vista muda, o cenário é outro, são visuais de tirar o fôlego.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Como boa parte das pessoas eram iniciantes em travessias, demoramos o dia todo para percorrer os 15 quilômetros de caminhada, mas chegamos no acampamento base a tempo de curtir o pôr do sol, enquanto montávamos as barracas.

O acampamento base nada mais era que uma fazenda perto do Rio Púlpito, com galpão e banheiros, só não havia luz no local.

Depois de encontrar o melhor lugar para acampar, montei a barraca e comecei a preparar o meu jantar, este foi, massa espaguete com molho bolonhesa e salame. Para as demais pessoas os cozinheiros prepararam um jantar de risoto com pêra e queijo gorgonzola, com suco de caixa de sabor uva e laranja. Para os vegetarianos e veganos tinha a opção de arroz e feijão. Só preparei o meu jantar pois não sou muito fã de queijo e nem de pêra. kkk

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Depois de todos jantar era hora de fazer aquela fogueira especial, com direito a roda de violão. No grupo havia dois violeiros que cantaram por cerca de duas horas musicas animadas de diversos estilos musicais como: gauchescas, reguee, sertanejo e rock n´ roll.

Fomos dormir cerca de 22:00 horas da noite, o frio era intenso, não ventava no local, o céu não continha nenhuma nuvem. Olhando para o céu, estava completamente brilhante, estávamos de fato em um hotel 1 milhão de estrelas.

No segundo dia acordei bem cedo, cerca de 6:00 horas da manhã, o sol ainda não havia nascido, ao sair da barraca lembro de ver pequenos pedaços de gelo no chão e em toda a barraca. Não sei qual era a temperatura naquele horário, mas tinha sensação de estar uns -3 graus. Era impossível deixar os dedos para fora dos bolsos da jaqueta, chegavam a doer de tanto frio.

Peguei a maquina fotográfica e fui capturar umas fotos da barraca e da neblina que se mostrava subindo em meio aos campos, o céu alaranjado e meio magenta contrastava com as belas araucárias no local.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Às 7:00 horas da manhã o café estava servido, nele continha, tapioca feita na hora de inúmeros sabores, também havia pão, geleias de uva, figada e de abobora, café preto, café com leite e achocolatado, frutas, queijos, presuntos e sem falar que tinha um pote gigantesco de Nutella. Olhei para tudo aquilo e pensei, tá melhor que lá em casa..kkkk

Depois de comer um pouco de tudo e tomar umas 3 xícaras de café, fui até a barraca para organizar a mochila, preparar o lanche para trilha, desmontar a barraca e carregar tudo na mochila cargueira. A mochila que usei é uma Osprey Atmos 50 L estava pesando aproximadamente 12 kg, usei ela para testar o modelo e também para treinar o condicionamento físico.

Geralmente os iniciantes não estão muito acostumado a fazer travessias, demoram mais tempo para colocar tudo dentro da mochila, por esse motivo começamos a caminhar por volta de 9:00 horas da manhã.

A caminhada seguiu pelas bordas dos cânions, subíamos e descíamos morros, serpenteando as bordas, em determinados locais, parávamos para contemplar à vista, caminhar próximo as bordas é muito bom, pois em alguns momentos podemos sentir uma brisa gelada, fazia parecer que tinham ligado o ar condicionado, o sol continuava muito forte e o céu sem nuvens.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Ao meio dia paramos para almoçar em meio a um capão de pinos ilhotes, caminhar nessa região é engraçado, pois estamos sempre colocando o casaco e-o tirando, chega a fazer isso mais que 5 vezes ao dia. A temperatura também varia muito dependendo do horário do dia, as manhãs e as noites são congelantes, durante boa parte do dia é quente, mas em algumas vezes é possível que feche na neblina e tenhamos que por jaquetas e gorros.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Paulo Gerstner

Durante a tarde toda caminhamos perto das bordas dos cânions, por muitas vezes avistávamos cidades ao longe, como o dia estava perfeito era garantido a captura de fotos incríveis.

Conforme íamos caminhando começamos a adentrar dentro do Parque Eólico, a vista do lado direito que tínhamos eram das bordas e do lado esquerdo, campos verdejantes com os cata ventos no alto dos morros.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

No fim de tarde chegamos ao acampamento do Jorge, localizado bem perto do Cânion da Ronda em Bom Jardim da Serra/SC, o local conta com uma grande área para camping, um galpão enorme, banheiros divididos por sexo e energia elétrica.

Ali alguns aventureiros já escolhiam o melhor lugar para armar suas barracas, na cozinha os cozinheiros já faziam o jantar, neste dia o cardápio seria strogonoff de carne com arroz e batata palha. Na minha opinião essa é uma das melhores refeições para se fazer no acampamento.

O jantar foi servido cedo, todos nós estávamos com muita fome, após o jantar foi realizada uma surpresa para um dos guias e proprietário da empresa Sol de Indiada, era noite de confraternizar o aniversário do Evandro Clunc. Melhor que fazer aniversário é poder celebrar esse dia em meio a natureza em um local tão especial que é a travessia entre serras.

Depois de muitas felicitações, os violeiros roubaram a cena, e logo começou as musicas animadas, como estava um pouco preguiçoso fui me deitar e não fiquei até o final das cantorias.

Último dia de travessia

O sol ainda não tinha levantado, e eu já estava aposto com a maquina fotográfica capturando as belas imagens antes do sol nascer, nessa manhã o clima estava agradável, não estava muito frio em relação ao dia anterior.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Cada um arrumou suas coisas, acondicionando dentro de suas mochilas cargueiras e de ataque, eu pus tudo dentro da cargueira e separei apenas a maquina fotográfica, o lanche e a água para levar em minha mochila de ataque.

O café começou a ser servido e como sempre tinha inúmeras opções, era como estar em um hotel, estava tudo perfeito.

Após o café era hora de botar as mochilas nas costas e seguir de ônibus até próximo as bordas de onde iria começar a caminhada propriamente dita, nosso destino final seria a famosa Serra do Rio do Rastro/SC, lembro do guia informar que caminharíamos um pouco mais rápido do que nos outros dias, pois ele tinha reservado um almoço no restaurante Mensageiro da Montanha, tínhamos que chegar lá no máximo às 14:00 horas.

Neste último trecho de caminhada a visão que tínhamos era de tirar o fôlego, as montanhas pareciam estarem uma em cima das outras, caminhar por esse trecho é muito belo, a todo tempo essa vista muda e encanta a cada passo dado.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Capturamos muitas fotografias, de muitos ângulos diferentes até que chegamos no Cânion da Ronda, ali podemos avistar os morros que formam a Serra do Rio do Rastro, é uma outra visão de um dos atrativos mais visitados do estado de Santa Catarina.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Do Cânion da Ronda em diante seguimos de ônibus até o mirante e restaurante Mensageiro da Montanha.

Ao chegar no mirante da Serra do Rio do Rastro, vimos que havia inúmeros turistas, então antes de ir lá capturar umas fotos da serra, resolvemos almoçar.

O restaurante serve todo o tipo de comida, o atendimento é muito bom, vale a pena o investimento, além do restaurante, há também uma pequena lojinha com artesanato e lembranças deste lugar incrível.

Depois de nos servirmos inúmeras vezes, era hora de ir contemplar a Serra do Rio do Rastro, enquanto fazíamos a digestão no sol. Assim terminou mais uma travessia de trekking entre as serras.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Veja também:

Explore as estradas da Serra Catarinense

O melhor trekking do sul do Brasil

Travessia do Cânion Laranjeiras ao Cânion do Funil

Base Camp Naturehike

A cerca de alguns dias recebemos alguns produtos da marca Chinesa Naturehike, através da loja parceira Patos do Sul, para que possamos avaliar sua eficiência e tecnologias empregadas, dentre os equipamentos recebemos o Fogareiro Base Camp e o protetor de vento Wind Shield.

Sobre a marca:

Fundada em 2005, a Naturehike é uma marca de produtos para atividades ao ar livre. Segue um conceito de “light outdoor travel” e tem como compromisso desenvolver produtos leves e de alta qualidade. É uma empresa especializada em pesquisa e desenvolvimento, design e fabricação de equipamentos outdoor. Nosso mercado compreende produtos para hiking, escalada, camping e outras atividades ao ar livre.

A marca Naturehike entrou no cenário nacional de produtos para atividades ao ar livre a pouco tempo, desde seu inicio trouxe grandes produtos e tecnologias, coisas que só eram vistas fora do Brasil.

Um exemplo disso são as barracas, elas possuem grande praticidade em sua montagem, materiais de primeira linha são usados em sua fabricação e seu preço é competitivo em relação a grandes marcas mundiais. Já tivemos a oportunidade de avaliar a Barraca Cirrus 2, clique aqui e conheça todos os seus detalhes.

Primeiras impressões

O Fogareiro Base Camp, é um item indispensável para todo o aventureiro autônomo, alguns detalhes nos chamou a atenção como: o queimador é de tamanho grande e possui cerca de 3500 w de força, as hastes de sustentação permitem usar diferentes tipos de panelas, conta com três (03) pés articulados para maior estabilização ao solo e também uma mangueira de combustível que mantém o gás afastado do queimador cerca de 30 à 35 centímetros para maior segurança dos usuários.

Base Camp

O Fogareiro é construído com materiais duráveis como aço inoxidável, liga de alumínio e cobre, possui um tamanho de 15 x 15 centímetros aberto e 10,5 x 9 x 6 centímetros fechado, pesando aproximadamente 290 gramas, é facilmente guardado dentro de um estojo de plástico que acompanha o produto.

Base Camp

A válvula desse fogareiro está localizada junto a rosca onde o cartucho de gás é roscado, isso garante maior segurança na hora de opera-lo, o fogareiro Base Camp Naturehike também conta com acendedor automático, o que facilita muito o seu uso.

Base Camp

Base Camp

Base Camp

Especificações técnicas

  • Material: aço Inoxidável, liga de alumínio, cobre
  • Tamanho dobrando: 10.5 x 9 x 6 cm
  • Tamanho aberto: 15 x 15 cm
  • Força do fogo: 3500w
  • Peso: 290 gramas
  • Acompanha estojo de plástico

Outro item indispensável para usar em conjunto com o Fogareiro Base Camp é o protetor de vento Wind Shield Naturehike, tem a função primeiramente de impedir que o fogareiro apague ou perca eficiência em situações de ventos fortes, fazendo com que você poupe mais gás.

protetor de vento Wind Shield Naturehike

O protetor de vento é dobrável, constituído de 8 partes interligadas feitas com liga de alumínio, pesa cerca de 200 gramas. Possui as seguintes medidas: 67 x 24 cm (aberto) e 24 x 8,5 x 1,5 cm (fechado).

protetor de vento Wind Shield Naturehike

Conta também com duas hastes que se unem, isso garante mais estabilidade ao conjunto.

Outro detalhe interessante é as arestas na parte de baixo das laminas, estas tem duas funções, a primeira é de auxiliar a passagem da mangueira que liga o fogareiro com o cartucho de gás. A segunda função é para melhorar suas fixação ao solo (em terrenos lamacentos é possível enterrar as laminas do protetor, aumentando assim a eficácia de todo o conjunto).

protetor de vento Wind Shield Naturehike

protetor de vento Wind Shield Naturehike

No vídeo abaixo é possível ver como usar o fogareiro e o protetor de vento

Na loja Patos do Sul você encontra estes dois produtos essenciais para o seu acampamento.

Caso você tenha mais alguma dúvida sobre esses dois equipamentos, escreva um comentário logo abaixo:

Deserto de Namíbia

Durante nossa passagem pelo continente Africano, o segundo país que nos acolheu foi Namíbia. Para nossa surpresa, lindo, cheio de história e pessoas como tantos outros do continente, mas que por conta do destino nos recebeu como filhos.

A Namíbia, que até 1990 era parte da África do Sul é um dos países menos povoados do mundo e dono de uma variedade de paisagens de tirar o fôlego. Em uma de nossas visitas por lá, conhecemos o Deserto da Namíbia, o deserto mais antigo do mundo! Este deserto abriga diversas atrações e você pode ficar dias por lá e cada nova duna será surpreendente.

Nós queríamos muito conhecer este local por causa do Dead Valley, você já deve ter ouvido falar do vale com árvores mortas, é exatamente este. Nesta localidade, há milhares de anos atrás se situava o vale do rio Tsauchab que com o passar do tempo foi cortado por uma imensa duna, fato esse que veio a isolar algumas árvores de camélia que lá existiam, e por criar um micro clima extremamente seco no local, fez com que estas árvores fossem preservadas sem sofrer decomposição por mais de 900 anos, conferindo assim, uma paisagem muito diferente.

A segunda atração mais visitada deste deserto é a Duna Big Daddy, que muitos acreditam ser a maior duna de areia do mundo. Ela esta localizada exatamente ao lado do Dead Valley e você pode conhecer as duas atrações no mesmo dia. Olhando de baixo a Duna é linda e gigantesca, mas de cima é ainda mais linda, sem contar toda a vista do Vale que é possível contemplar do topo.

Para subir, reserve de 2 a 3 horas, pois dependendo da temperatura do dia é muito cansativo, e lembre se de fazer a caminhada bem cedo pela manhã. Quando nós visitamos o Deserto foi no mês de julho, as temperaturas estavam muito quentes durante o dia e a noite precisávamos de fogueira pra nos aquecermos. Nos organizamos para chegar ao parque antes dos portões abrirem para iniciar bem cedo nossa subida. Utilizamos a “trilha” por fora do Dead Valley, por ser mais curta, mas esta é mais íngreme. E a descida fizemos correndo pela borda da Duna que finalizava no Vale, assim caminhamos todo interior dele no período mais quente do dia, mas ainda assim é a melhor opção se você não quer perder nada.

Além dessas atrações, nós também visitamos a Duna 45, que não é tão alta quanto a Big Daddy, mas esta localizada entre outras dunas lindíssimas e no nascer do sol o contraste das sombras é um espetáculo.

Se você quiser desbravar esta e muitas outras atrações deste país lindíssimo, uma boa opção é realizar um turismo estilo Overland Safari. Neste tipo de turismo de aventura, você acampa todos os dias em um local diferente no mais autêntico estilo outdoor. Nós escolhemos a agência Acacia Africa para realizar nosso Overland Safari, e só temos elogios. Foram 35 dias montando e desmontando barracas estilo exército, e não vemos a hora de repetir tudo de novo!

Para mais histórias ou dicas de viagens e aventuras acesse faceboock/euvouepronto, Instagram @euvouepronto e Youtube/euvouepronto

Ficaremos muito contentes em te ajudar.

Lista de fotos:

Deserto de Namíbia
Por do sol no deserto da namíbia
Deserto de Namíbia
Duna 45 ao amanhecer
Deserto de Namíbia
Subida da duna Big Daddy
Deserto de Namíbia
Quase no topo da Big Daddy, abaixo o Dead Valley
Deserto de Namíbia
Vista do topo da Big Daddy contemplando o Dead Valley
Deserto de Namíbia
Uma das diversas árvores preservadas
Deserto de Namíbia
Sentados a sombra de mais de 900 anos
Deserto de Namíbia
Uma das paisagens icônicas do Dead Valley
Deserto de Namíbia
Na crista da Duna 45

Pico Paraná

O Pico Paraná, localizado no município de Antonina, pertencente ao conjunto de serra chamado Ibitiraquire, que na língua tupi significa “serra verde”. Imponente e desafiador, destaca-se do alto dos seus 1.877 metros de altura, como a montanha mais alta da Região Sul do Brasil. É assim, um convite irresistível à aventura para todos que curtem montanhismo.

trekking Pico Paraná
O gigante

Já fazia um bom tempo em que o PP (Pico Paraná) era mencionado nas conversar casuais da trupe, como uma trilha indispensável para o nosso álbum de recordações, sendo que ao menos duas vezes no ano passado, tentamos organizar a missão e em ambas, as previsões climáticas fazia com que fossemos obrigados a cancelar a missão quase encima da hora.

Só agora, em 2018, após uma conversa com meus  brothers de perrengues, Bruno e Filipe, decidimos novamente escolher uma data para subir o Pico Paraná.  Com o cuidado de não pegar um final de semana,  nosso plano era ter a trilha o mais vazia de gente possível, para assim termos uma experiência mais intensa com a montanha. Foi então que Filipe comentou que no dia 23 de março, uma sexta-feira, seria feriado por conta do aniversário de Floripa. De pronto batemos o martelo e definimos que nossa investida ao Pico Paraná iniciaria na sexta-feira, dia 23 e terminaria no sábado, dia 24, evitando assim, o movimento intenso que é normal na trilha durante os finais de semana.  Plano perfeito!  Bastava apenas monitorar o clima na montanha para termos o sinal verde.

Quinta-feira, dia 22, previsão de tempo firme para a sexta e alguma chuva fraca no fim de tarde de sábado, era este o nosso sinal verde. Tratei de jogar os equipamentos todos na cargueira e com uma carona providencial de uma amiga, rumei para pernoitar na casa do Filipe em Floripa, de onde, às 05 h 30 min da madruga,  a trupe pegaria estrada rumo ao Pico Paraná, distante aproximadamente 350 km para serem percorridos em pouco mais de 4 horas de viagem.

Primeiro dia:

Conforme programado, antes do sol nascer, já estávamos na estrada, levando café na térmica para evitar o sono e também aquelas paradas desnecessárias que sempre consomem tempo, pois todos estavam cientes que precisávamos estar no cume ou perto dele antes do sol ir embora.  Com muita conversa e risadas, quase nem vimos o tempo passar e com tranquilidade, antes das 10 h da manhã, já nos encontrávamos dentro da Fazenda Pico Paraná, ponto zero de nossa pequena aventura.

A previsão de tempo para completar a trilha até o acampamento A2, carregando cargueiras, fica por volta de 6 horas de pernada morro acima, e para chegar ao cume é necessário mais uma hora.

A trilha, já de inicio, começa numa subida boa para aquecer as panturrilhas, o que dava uma pista que ali não era o “Beto Carrero”… kkk No começo, o que se vê é uma trilha normal, bem aberta e sem obstáculos, mas na medida em que fomos subindo, aos poucos começam a aparecer degraus de pedras e raízes de tamanhos variados. Gradativamente os obstáculos se multiplicam e se tornam cada vez maiores. Uma diversão para quem está bem preparado e, obviamente, um perrengue para quem não está.  Já fizeram le parkour com uma cargueira nas costas?

trekking Pico Paraná
Trecho de trilha fechada.

A trilha segue sempre bem marcada e com bastante sinalização de fitas brancas, com pouquíssimos pontos que exijam maior atenção ä navegação. De qualquer maneira, é sempre recomendável ir com alguém que tenha experiência e/ou conheça bem a região.

Água não é um problema, com um bom estudo de relatos da trilha, e uma programação simples, chega-se ao topo sem a preocupação de ficar com o bico seco.

Nosso plano inicial era subir direto, alcançar o cume e acampar por lá se o tempo estivesse firme e antes do escurecer. No entanto, a turma sentiu o desgaste causado pela noite de sono curta, as horas de estrada, e somado a estas coisas, a subida forte… Após os paredões que possuem grampos e cordas, já bem próximos do acampamento A2, Filipe começou a sentir câimbras fortes nas pernas. Com isso, diminuímos um pouco o ritmo e ao chegamos no A2, Filipe, já bem cansando e sentindo  câimbras, informou que ali era o fim da linha para ele neste primeiro dia. Numa conversa rápida, definimos montar o acampamento ali mesmo, no esquema “ninguém fica para trás”. Ainda durante a conversa, eu e Bruno, inicialmente, estávamos decididos a continuar a trilha num ataque até o cume, pois eram apenas 17 horas, aproximadamente, e o sol só iria embora lá pelas 18h20min. Daria tempo de subir, assistir ao pôr do sol e descer no escuro até o acampamento. Mas se assim fosse, o Filipe ficaria de fora, então mudamos o plano e decidimos acordar na madrugada do dia seguinte e fazer o ataque ao cume ainda no escuro para pegar o sol nascendo lá no alto.

Colocamos em prática o nosso plano B. Com tranquilidade tratamos de escolher um lugar bom para montar o acampamento, e enquanto a turma armava as barracas, fui buscar água para preparamos o jantar, na única e última nascente, que fica numa pequena trilha de uns 80 metros (bem chatinha), ao lado das ruínas da casa de pedra.

trekking Pico Paraná
Acampamento A2

O clima estava perfeito, embora abaixo de nós, o que se via era um enorme mar de nuvens cobrindo tudo, deixando visíveis, apenas os demais picos próximos. Nada de vento.

Fizemos nosso jantar, jogamos conversa fora, e sem muita enrolação, nos entocamos dentro das barracas para descansar os esqueletos castigados pela subida e colocar o sono em dia.

Durante a madrugada, que não foi fria, lembro que acordei com duas pancadas leves de chuva, que me fizeram lembra que a previsão para o dia seguinte era de chuva na tarde… Fiquei um pouco preocupado com a possibilidade de o clima estar mudando antes das previsões, mas não perdi o sono não… Kkkk Voltei dormir rapidinho.

Dados do primeiro dia:

Distância percorrida: 7,6 kms

Tempo na trilha: 7 horas

Acúmulo de subida: 1011m

Acúmulo de descida: 348m

Altimetria Pico Paraná

 

Segundo dia:

Cinco e meia da madrugada, toca o despertador e de pronto, tratei de me mexer. Abri a porta da barraca para dar uma olhada no céu e vi estrelas. Era um bom sinal, depois da chuva que rolou durante a noite.

Chamei a turma e apenas o Bruno se prontificou em fazer o ataque até o pico. Vesti meu anorak, bebi um pouco de água, coloquei uma maçã na boca, a headlamp na cabeça e, junto com o Bruno, começamos a trilha. Ainda que visualmente, o pico estivesse bem próximo, leva por volta de uma hora para alcançar o cume. Com a primeira claridade no horizonte rompendo a escuridão da madrugada, tocamos morro acima.  A trilha estava bem molhada, e como o trecho inicial é repleto de mato alto, inevitavelmente acabamos tão molhados que parecia que tínhamos tomado uma chuva na tampa… kkk

trekking Pico Paraná

trekking Pico Paraná

Após uma hora de subida com vários obstáculos, e também como não poderiam faltar, algumas escalaminhadas, o sol nos dava boas-vindas no cume do Pico Paraná. Olhando em 360 graus, não havia nada acima de nós além do sol e o céu azul. Abaixo, os picos próximos se destacavam parcialmente dentro de um mar branco de nuvens baixas. Nosso acampamento, um tanto distante, era apenas um pequeno ponto cor de laranja no meio do verde, bem abaixo de onde nos encontrávamos. Um visual alucinante!

trekking Pico Paraná
No ponto mais alto do sul do Brasil: Pico Paraná.

trekking Pico Paraná

Depois de curtir aquele momento mágico e registrar a passagem da trupe no livro de cume, começamos a descida até o acampamento para tomar café e desmontar o circo.

Não demorou muito e os primeiros trilheiros, passarem por nosso acampamento, munidos apenas de mochila de ataque, rumo ao cume.

Quando chegamos ao acampamento, Filipe nos aguardava com um fabuloso café da manhã… #sqn Diante desta falta lamentável, tratamos de fazer o café da manhã reforçado para recarregar as calorias, e assim, de barriguinha cheia, começar a longa descida até a Fazenda Pico Paraná.

Assim que terminamos de desmontar o acampamento e carregar as cargueiras, lembrei do momento em que, ainda em casa, deixei meu par de bastões de caminhada, por preguiça e crendo não serem necessários… Ainda bem que arrependimento não mata. Não é verdade?

Trekking Pico Paraná
Trupe Suricatos Hiperativos

Divagações e murmurações à parte, começamos nossa descida pouco depois das 10 horas da manhã, com sol e temperatura amena. Sem pressa, para poder aproveitar o visual e também tendo o cuidado que certos trechos da descida, seguíamos bem, anda que a descida, a meu ver, é sempre mais difícil que a subida.

Depois que descemos os dois lances de paredões com vias ferratas, começaram a aparecer grupos de trilheiros com suas cargueiras rumo ao alto da montanha.  Enquanto cruzávamos com a turma em sentido contrário, comentei com Bruno e Filipe, o quanto fomos felizes em ter feito a escolha da data da forma como se deu. Afinal, tudo indicava que o A2 e possivelmente o cume, ficariam lotados de barracas naquela noite de sábado. Certamente mais de vinte pessoas, em grupos diferentes.

A descida seguia tranquila e devagar no eterno superar de subir e descer pedras, raízes e troncos, até que num dos pontos de água, num pequeno córrego que cruza a trilha, algo aconteceu…

Como cheguei na frente da turma ao ponto de água, sentei num tronco com o córrego bem aos meus pés, para assim descansar um pouco, beber água tranquilamente e curtir a vibe daquele lugar bonito. Eu nem tinha terminado de tomar a primeira caneca de água, quando Filipe, se aproximou de mim para pegar água e arrumar um lugar para sentar, escorrega na laje molhada e caindo sem controle, bate forte com um dos braços na minha cabeça. Nada demais, uma pancada apenas, não fosse pelo fato de eu estar com os óculos na cabeça. A pancada forte fez com que a armação dos óculos fizesse um corte razoável em minha “linda careca” e rolasse uma sangueira no mesmo instante.  Uma pequena correria para avaliar o tamanho do corte e fazer um curativo para proteger o ferimento e tudo voltava a normalidade do que estava acontecendo até então. São bons esses óculos da Julbo não quebram e se precisar improvisar um canivete, pode contar com eles… kkk

Trekking Pico Paraná
Acidentes acontecem.

Após andar mais uma hora e pouco, a trilha começou a abrir, mostrando que já estávamos próximo do fim. Com sol forte na tampa, já cansados da descida de cinco horas, o trecho final parecia infinito, mas logo apareceu no visual a Fazenda e nos reanimamos para descer mais rápido.

Ao chegar à fazenda, tratamos rapidamente de tirar as botas e meias, e ficar descalços naquele gramado impecável.

Alguns rápidos minutos de relax na grama, organizamos a fila do banho e encomendamos alguns pastéis, que por sinal são muito bons, para fazer uma rápida confraternização, dar algumas risadas das coisas que aconteceram e por fim, pegar a estrada de volta para casa.

Trekking Pico Paraná
“A felicidade só é real quando compartilhada” by Alex Supertramp.

Dados do segundo dia:

Tempo na trilha (ataque cume): 1 hora, 12 minutos

Acúmulo de subida: 269 m

Acúmulo de descida: 25 m

Tempo total (ataque cume e descida até Fazenda PP): 9 horas, 44 minutos

Distância total percorrida: 8,9 kms

Acúmulo de subida: 599m

Acúmulo de descida: 1253m

Altimetria Pico Paraná

Dicas e recomendações:

– Fazenda Pico Paraná:

Gostamos e recomendamos, apesar de ter apenas um banheiro, o lugar é bastante bonito, bem cuidado e seguro para deixar o carro.

A dica aqui é deixar uma muda de roupa limpa, toalha e demais equipos de banho no carro, para na volta da montanha, resolver a questão da higiene pessoal e voltar para casa bonitos e cheirosos. 😉

A fazenda possui uma pequena cantina que serve deliciosos pasteis com refri e cerveja bem gelada.

Custo da entrada na fazenda em março de 2018: R$10,00

Mais informações: acesse aqui.

– Levar bastões de caminhada! Kkkk

– Faça uma boa previsão do tempo antes de subir para o PP, pois se pegar chuva lá no alto, a descida pode se tornar bastante perigosa.

O pôr do sol visto do Pico Paraná

Monte Roraima

O Monte Roraima atrai aventureiros, antropólogos, cientistas, biólogos, místicos e viajantes do mundo inteiro.

É um dos tepuis que formam o grande escudo das Guianas, ou Planalto das Guianas, localizado na tríplice fronteira entre Venezuela, Guiana e Brasil, com idade estimada em mais de 2 bilhões de anos.

Tepui é o nome dado às formações de topo plano e escarpas verticais e profundas que abundam nessa região.

Acredita-se que os tepuis tenham sido unidos a bilhões de anos atrás e a cisão deles tenha dado origem à bacia amazônica.

A expedição

Posso dizer que estive em outra dimensão nessa virada de ano… foram 10 dias de muita vivência, aprendizado, gratidão, reflexão, contemplação, conexão, emoção, energia, transformação… compartilhando e vivendo cada experiência!

Monte Roraima

1.º dia Monte Roraima – Brasil-Venezuela

A subida do Monte Roraima se dá pela Venezuela. Assim, antes de começar a caminhada, nos deslocamos de carro de Boa Vista até à Comunidade Pataitepuy.

Nosso grupo era formado por seis aventureiros: Kalhi, de Manaus, Juliana e Graci, de Boa Vista, Alex e Henry, de Curitiba, e eu, de Blumenau. Foi ótimo nosso entrosamento, tanto entre nós, quanto com nosso guia, Leo Tarolla, da Tarolla Tours e Brasil Norte Expedições e a equipe dele. Sensacional dividir esses dias com pessoas com as quais multiplicamos energia e conhecimento!

Depois de atravessar a fronteira, em Pacaraima, a primeira parada é em Santa Elena de Uairén, onde compramos moeda local – bolívar – e demos uma voltinha rápida pela cidade.

Monte Roraima

De lá, seguimos para nosso destino. A estrada até lá não deixa escolha para “sem emoção”… de terra, com muitos buracos e perais… a aventura é garantida! Como estava chovendo muito, a terra virou lama e nosso carro não conseguiu vencer a última subida antes de chegarmos. Tivemos que descer e seguir a pé até o local do nosso último pouso antes dos acampamentos.

Monte Roraima

A pousada estava sem energia e, assim, as lanternas e o banho gelado já entraram em cena um dia antes do previsto.

2.º dia Monte Roraima – Início da caminhada

Monte Roraima

Depois de um café da manhã com essa vista sensacional para os tepuis, fizemos o registro na entrada do Parque Nacional Canaima e começamos nossa caminhada. Seguimos por 15 quilômetros até o Rio Tek, onde fizemos a primeira travessia e seguimos por mais uns 2 quilômetros até o Rio Kukenan.

Quando avistei o Rio Kukenan com o Monte Roraima ao fundo fiquei de boca aberta, literalmente! Lindo demais!!!

Monte Roraima

Monte Roraima

Atravessamos e deixamos nossas coisas no acampamento pra tomar um banho no rio. Foi maravilhoso!!! O Leo (nosso guia) e eu descemos o rio um pouco nadando e um pouco como se fosse um bóia cross, mas sem bóia, claro… kkķkkk… piscinas fantásticas com vista para o Matawi e para o Roraima! Alguns ralados e machucados depois (hehe), voltamos para o acampamento para almoçar. Já eram umas 16h mais ou menos.

Mais tarde, o Alex, a Kalhi e eu saímos para um ataque na trilha em direção ao Monte Roraima. Ainda estava claro, mas a lua já estava linda! Curtimos o entardecer e voltamos para o acampamento. Acabei não resistindo a um banho noturno no rio Kukenan… maravilhoso! Depois nos reunimos todos, ficamos conversando e jantamos uma sopa de abóbora com orégano silvestre que colhemos na trilha.

3.º dia Monte Roraima – Rio Kukenan ao Acampamento Base

Arrumamos nossas coisas e saímos em direção ao pé do Monte Roraima. Foram 9 km com algumas subidas, mas ainda de trilha bem aberta.

11h da manhã já estávamos no acampamento base. Ficamos conversando um pouco e aí fui tomar banho de rio… água geladíssima da montanha: delícia!!! Depois almoçamos e estiquei um pouco as pernas na rede (obrigada pelo empréstimo @leotarolla hehe).

Monte Roraima

O tempo estava bem limpo anunciando que veríamos um pôr-do-sol arrasador… saímos caminhando procurando um bom lugar para contemplá-lo. Subimos um pequeno monte com pedras mais altas e decidimos que seria o melhor lugar. Mas, eis que no horizonte se formaram nuvens enormes e só vimos a chuva caindo mais ao longe, o que foi tão lindo quanto o pôr-do-sol que imaginamos… senão mais! De volta ao acampamento nosso guia nos esperava com um chocolate quente! Foi um dia bem tranquilo para nos prepararmos para o dia seguinte: dia de finalmente subir ao topo.

Monte Roraima

4.° dia Monte Roraima –  A subida

5h da manhã e o acampamento já estava movimentado… grupos fazendo café, desmontando acampamento, arrumando equipamentos. Chegou o tão esperado dia da subida ao topo!!! Logo de cara a subida é quase vertical, mas os degraus formados naturalmente tornam a subida menos árdua.

Monte Roraima

A trilha é lindíssima e cheia de energia! Quando chegamos no ponto tão próximo do paredão que é possível toca-lo, a emoção é inevitável!

Seguindo por mais algumas subidas chegamos ao mirante de onde se avista o “passo de lágrimas”, uma trilha estreita colada nos paredões do tepui, onde a água que cai do topo nos molha suavemente conforme o vento a faz dançar… A conexão nessa passagem foi absurda! O sentimento foi: “só de ter vindo até aqui já valeu tudo!”

Monte Roraima

Mas, ainda tínhamos mais subida pela frente. Mais um pouco de escalaminhada e chegamos ao topo! Nos abraçamos emocionados pela conquista… a impressão é de que entramos em outra dimensão… é diferente de tudo!!! Não tenho palavras pra descrever…

Monte Roraima

Paramos um pouco, mas logo a chuva e o frio nos fez voltar a caminhar até nosso refúgio, chamado “Filhos do Sol”, lugar deslumbrante e mágico!!! A chuva não parou mais. Ficamos no refúgio cuidando das bolhas, unhas, dores e machucados uns dos outros…hehe… No meu caso foi de um tombo na subida quando tentei subir numa pedra mais alta e acabei escorregando. Machuquei um pouco os braços, a perna direita e o rosto, mas só a mão direita que doía demais (ainda dói, aliás, hehe). Passei uma pomada anti-inflamatória, outra pra dor e por fim uma pomada pra cavalo… mas continuava doendo… Não me importei muito com a dor, mas com o fato de não ter força na mão… até pra abrir o zíper da barraca estava difícil. Só pensei: que seja só dor e que eu acorde bem amanhã!!!

5.° dia Monte Roraima – Começando a desbravar o Monte

Já saímos com as cargueiras porque depois seguiríamos para outro refúgio. Passamos por lugares lindíssimos… paisagens de tirar o fôlego!!!

Depois de mais algum tempo caminhando, chegamos ao nosso refúgio para a noite da virada. Incrustado num dos paredões do Roraima e próximo ao Vale dos Cristais e a um poço de água cristalina e gelada… simplesmente magnífico! Deixamos as cargueiras e saímos para conhecer o Vale dos Cristais e o Ponto da Tríplice Fronteira entre Venezuela, Guiana e Brasil.

Monte Roraima
Vale dos Cristais

Monte Roraima

Na volta, já tomei aquele banho no poço próximo ao acampamento e colocamos as espumantes lá pra gelar (sim, eu levei uma espumante na mochila desde Blumenau ;P).

Mais tarde saímos para ver um mirante com vista para o Roraiminha e para a floresta da parte baixa. Sensacional!!!

Monte Roraima

Voltando para o refúgio, quase na chegada, começou a chover. Já cheguei ensopada e corri pra colocar uma roupa seca. Pra minha alegria, o Leo nos serviu chá quente!!! Infelizmente a chuva não parou. Meu plano de ver estrelas cadentes na noite de réveillon foi adiado. Mas nada tirou a alegria da nossa noite … jantamos, brindamos e celebramos a virada com muita energia compartilhada!!! GRATIDÃO!!!

Monte Roraima

Monte Roraima

6.° dia Monte Roraima – A tão sonhada Proa?

Estava ansiosa por hoje… dia de ir para o Lago Gladys e para a Proa!!! Enfrentamos muita chuva e frio até chegar ao Lago Gladys, mas as paisagens, rios, plantas, pântanos, pedras e tudo mais que vimos no caminho valeu cada passo.

Monte Roraima

Monte Roraima

Chegamos ao lago, que estava totalmente encoberto. Mas, em menos de um minuto, o nevoeiro se dissipou e pudemos contemplar sua beleza. Mas ele é tímido… logo se cobriu novamente… foi o tempo de contemplar e tirar algumas fotos!

Monte Roraima
Lago Gladys

O frio era intenso naquela manhã. Seguimos em direção à Proa com muito vento e tempo bem fechado. Chegamos na descida do Vale. Montadas as cordas, o @leotarolla e o @alexandro.kenordasilva desceram. Ficamos na expectativa (tremendo de frio… Hehe). Voltaram com a triste notícia de que não conseguiríamos ir até à Proa… além de estar faltando uma chapeleta do outro lado do Vale, as condições climáticas eram péssimas. Infelizmente só nos restava pegar o caminho de volta para o refúgio. Paramos pra ver os destroços de um helicóptero da globo que caiu no Monte faz alguns anos. Na volta um bom banho bem gelado e uma surpresa deliciosa no acampamento: pipoca!

Monte Roraima

7.° dia Monte Roraima – Explorando o desconhecido

Mais um amanhecer com chuva no Monte Roraima… Nosso café da manhã teve a famosa arepa, uma espécie de pão de farinha de milho feito no fogareiro. Adorei!

Arrumamos nossas coisas e partimos de volta em direção ao refúgio “Filhos do Sol”. No caminho passamos novamente pelo Vale dos Cristais e pelo ponto tríplice. Depois avançamos para conhecer “el fosso”, um poço lindíssimo com uma cachoeira magnífica!

Monte Roraima
El Fosso

Pegamos chuva por todo o caminho. Chegamos ensopados e eu tremendo de frio… hehe. De repente, eis que apareceu o sol. Ainda molhada, arrumei minhas coisas e fui pro rio mais próximo tomar banho e lavar minha calça, meias e bota. Voltei para o refúgio e coloquei tudo no sol, inclusive eu, hehe…

Com o céu finalmente aberto, eu estava querendo muito ir pra alguma borda. Falei com o Enzo e ele disse que estávamos muito longe. Então, ele me levou para subir na formação que era o “teto” do nosso refúgio… a vista lá de cima é sensacional! Até passou a tristeza de não ir para as bordas.

Monte Roraima

Depois descemos para ir até um lago próximo e no caminho tivemos o privilégio de ver algumas flores raras e o sapinho negro endêmico do Monte Roraima (Oreophrynella quelchii).

Monte Roraima

De lá subimos em outra formação bem mais alta ainda não explorada, com direito à uma escalada sensacional !!! Como fomos os primeiros a conquistar aquele lugar incrível, fizemos um totem no topo e o batizamos. Dava até pra ver o Maverick (ponto mais alto do Monte Roraima) de lá, e também o nosso acampamento.

Monte Roraima

Descemos para ver o pôr-do-sol lá do refúgio, mas as nuvens voltaram a fechar o céu. Desci até o rio para buscar água pra mim e para as meninas. já estava bem frio nessa hora. Entrei na barraca pra escrever um pouco. Depois nos reunimos para jantar e conversar. E a chuva voltou!

8.° dia Monte Roraima – Energia Vital

Mais um amanhecer com chuva…

Saímos um pouco mais tarde na esperança de que a chuva parasse, mas, chovia e parava, chovia e parava o tempo todo… e o frio estava mais intenso! Passamos por outra área do Roraima com cristais espalhados por toda parte… conhecemos um grupo que estava acampado num refúgio próximo, conversamos um pouco e seguimos para um local de especial energia… quando estávamos bem próximos, as lágrimas brotaram… a energia transbordava… de dentro pra fora e de fora pra dentro. Que maravilhamento compartilhar dessa energia! Segundo nosso guia, estávamos num dos pontos de intersecção de energia do Universo.

Monte Roraima

Não queria mais sair dali, mas tínhamos que seguir…

Nosso objetivo: as jacuzzis e as ventanas! Fomos primeiro até às Ventanas. Queria muito ver as bordas, mas estava tudo encoberto… podíamos ver o vento trazendo a umidade pra cima. Estava muito frio!

Monte Roraima

Saímos em direção às jacuzzis e tivemos a graça do sol por alguns instantes. Eram as piscinas mais lindas que já vi… o banho foi irresistível! Por mais frio que esteja, não perca esse banho por nada!

Monte Roraima

Monte Roraima

Monte Roraima

De lá seguimos para o Maverick, o ponto mais alto do Monte Roraima (2.875m). A parte baixa estava encoberta, mas o topo estava aberto e pudemos ver quase todo o Roraima lá de cima… belíssimo!

Monte Roraima

Descemos em direção a uma das cavernas do Monte Roraima… é uma gruta incrível com muitos líquens de várias cores! Avançamos até uma galeria imensa onde apagamos as lanternas e ficamos alguns minutos na escuridão e no silêncio do lugar!

Monte Roraima

Monte Roraima

Quando saímos da gruta já estava bem mais frio. Seguimos até o acampamento contemplando o entardecer…

Monte Roraima

Coloquei uma roupa seca e sai pra ver as estrelas. Finalmente uma noite de céu limpo! Mas, como sempre, no Roraima o tempo muda o tempo todo e logo o céu se fechou novamente. Energizada pelo dia magnífico, nem senti fome e acabei não jantando aquela noite… antes de dormir dei mais uma espiadinha no céu, mas ele continuava escondido.

9.° dia Monte Roraima – Início da descida

Acordei umas 5h e pude sentir uma claridade vindo de fora da barraca. Abri rapidamente para espiar e lá estava ela… a lua… plena! Tirei algumas fotos da barraca mesmo, mas logo me troquei para sair e contemplar a lua e o nascer do sol. Foi espetacular!

Monte Roraima

Monte Roraima

Pena que era o dia de começar a descida. Tomamos café e saímos do nosso refúgio. Paramos em um mirante lindo onde pudemos contemplar um pouco das bordas antes das nuvens cobrirem tudo novamente. Começamos a descida. Fomos até o acampamento base onde paramos pra almoçar. O calor estava absurdo! Hora de seguir… Quando chegamos na travessia do Rio Kukenan, escorreguei numa das pedras e caí no rio, o que naquele calor foi ótimo, mas seguir toda molhada nem tanto… hehe… Depois de mais alguns quilômetros, chegamos no acampamento do Rio Tek para nossa última noite antes da caminhada final. Já estava anoitecendo, mas ainda fui pro rio tomar aquele banho! Até nadei um pouco. Voltei para o acampamento no escuro já. A noite estava linda demais! Nada de nuvens… só estrelas!

Pude finalmente ver uma estrela cadente! Ficamos admirando o céu por um tempo sem fim… até que começaram a diminuir seu brilho para dar lugar à luz da lua que se pré-anunciava por detrás do Monte Roraima. E ali ficamos esperando por ela. Nasceu linda, cheia, enorme e brilhante! Foi espetacular!

Jantamos e até tomamos cerveja que vendiam ali no acampamento. Cerveja quente, claro, mas lá isso não importa muito. A noite estava tão linda que não dava vontade de dormir, mas, no dia seguinte ainda teríamos um bom trecho pela frente.

10.º dia Monte Roraima – Hora de voltar

Estava muito difícil pra mim escrever sobre o 10.º dia. E agora sei o porquê. É como se escrever sobre o último dia fizesse encerrar o que eu não queria que acabasse… que foi a mesma sensação que tive durante todo o último dia da caminhada.

Amanheceu um dia lindo e bem quente desde cedo. Arrumamos nossas coisas, tomamos o café da manhã e partimos.

O Monte Roraima estava totalmente limpo… nada de nuvens, nem nevoeiro… juro que deu vontade de subi-lo novamente.

Monte Roraima

Com o calor intenso, pude ver vários calangos pelo caminho.

A cada passo o Monte Roraima ficava um pouco mais distante.

Chegamos na Comunidade Paraitepuy e logo nos reunimos com outros grupos… alguns chegando, outros indo embora como nós. Tanto a compartilhar!

Bebemos algumas merecidas cervejas venezuelanas (dessa vez geladas :D) enquanto esperávamos a Graci e a Kalhi chegarem.

Monte Roraima

Muita conversa depois, hora da despedida. De lá fomos para outra comunidade para almoçar e comprar artesanato local antes de regressarmos à Boa Vista.

180.000 bolívars = salada, arroz, frango e banana frita.

+ 3.000 bolívars = 1 cerveja venezuelana.

Monte Roraima

Monte Roraima

Mas, se você não tiver bolívars, não se preocupe. Todos os lugares aceitavam reais também.

De lá fomos até Santa Helena, onde nos despedimos do Henry e do Alex, que ficaram na Venezuela para uma trip até Salto Ángel.

Nós, as meninas, fomos com o Leo até Pacaraima, atravessamos a fronteira para o Brasil e ali pegamos um táxi até Boa Vista.

O pôr-do-sol estava espetacular!

Monte Roraima

Chegamos em Boa Vista por volta de 19h30. Tomei um banho quente tão feliz (depois de 10 dias de banho gelado) na casa da Graci (MUITO OBRIGADA, Graci!). Arrumei o mochilão para a viagem e logo a Ju e a Kalhi chegaram para darmos uma última volta na cidade e comer alguma coisa num barzinho de karaokê famoso da cidade, o Pit Stop. Lugar muito gostoso com mesas ao ar livre e comida muito boa! Obrigada por tudo, meninas! 

De lá, as meninas me deixaram no aeroporto, onde esperei meu vôo com saída 1h da manhã para Brasília. No caso, já estava no 11.º dia (rsrs…) Depois Brasília – São Paulo. E, por fim, São Paulo – Joinville, onde minha mãe e meu irmão me buscaram para retornar a Blumenau.

Foi uma experiência única! Como já disse, desejo que cada um possa realizar algum dia!

Check-list Monte Roraima

Vou deixar aqui algumas sugestões de itens que considerei indispensáveis nessa trip.

Na hora de preparar seu mochilão, lembre de levar:

  • alguns pares de meia extra porque elas vão molhar! E pé molhado por muito tempo dá bolha e pode fazer cair suas unhas se for um dia de caminhada intensa em descidas, por exemplo;
  • uma corda para fazer varal e alguns grampos de roupa;
  • protetor solar;
  • repelente;
  • desodorante;
  • embalagem pequena de shampoo e condicionador e sabonete (você consegue comprar todos sem nenhum aditivo químico em farmácias – lembre que você está indo para um lugar de preservação);
  • declive;
  • lenços umedecidos;
  • papel higiênico (a equipe do guia fornecia, mas é bom ter alguma reserva);
  • boné ou viseira;
  • gorro para frio;
  • óculos de sol;
  • anorak (ou anoraque) – jaqueta com capuz impermeável para os momentos de chuva e frio;
  • roupa quente para dormir;
  • um par de luvas;
  • toalha de secagem rápida;
  • isolante térmico e colchonete (ou, melhor ainda, se você tiver o isolante térmico de ar fininho inflável, que já serve de isolante e colchonete e ocupa pouco espaço);
  • saco de dormir;
  • roupas leves para as caminhadas;
  • roupas íntimas;
  • roupas de banho;
  • um casaco tipo fleece (é bem quentinho e não pesa);
  • bandana (é um ótimo coringa que você pode usar no pescoço se estiver muito frio ou na cabeça pra proteger do sol. Ou ainda para prender o cabelo);
  • amarradores de cabelo, se você tiver cabelo comprido, claro;
  • sobre calçados, é algo pessoal, mas o ideal é ir só com a sua bota ou tênis de caminhada já no pé e levar só um chinelo para usar no acampamento. E isso é fundamental, não esqueça: sempre que puder, deixe os pés ao ar livre;
  • garrafa de água (2L é o ideal);
  • clorin (purificador de água);
  • kit com algodão, esparadrapo, curativos, agulha, cortador de unha;
  • eventuais remédios se você está acostumado a tomar (para dor, vômito, febre, algum anti-alérgico) – eu sempre levo própolis em spray pra eventual dor de garganta e a pomada de própolis para eventual corte ou ferimento (é um cicatrizante natural);
  • vaselina sólida ou creme para assaduras para passar nos pés ou em alguma outra região do corpo se você tiver problema com assaduras;
  • lanterna de cabeça e lanterna de mão pequena (leve pilhas extras);
  • carregador portátil para as baterias do celular, máquina fotográfica e outros eletrônicos se você levar;
  • lanches de trilha (as refeições principais são fornecidas pela equipe contratada);
  • se você gosta como eu, indico levar vitamina C efervescente. Além de fazer bem pra saúde, é uma delícia. Pode tomar uma por dia;
  • sacolas para roupa suja;
  • se você estiver vindo de longe como eu, lembre de deixar uma muda de roupa limpa para a volta.

Lembre de levar suas roupas e o saco de dormir dentro de sacos impermeáveis. Isso além da capa que protege a mochila. É mais seguro se cair alguma chuva mais intensa.

Lembre também que o comprovante da vacina da febre amarela deve ser internacionalizado em qualquer posto da ANVISA antes de entrar na Venezuela.

Acho que é isso! Lembrando que qualquer dúvida ou sugestão estou sempre a disposição. Podem me chamar no Instagram ou no Facebook.

Aproveite cada passo dessa viagem!

Praia de Naufragados

Há um bom tempo essa travessia de trekking na Praia de Naufragados estava em meus planos,  por falta de meios, de companhia ou tempo ficava adiando a exploração dessa praia, localizada no extremo sul da Ilha de Florianópolis/SC.

Em conversas com alguns amigos decidimos que iríamos fazer essa aventura nos dias 3 e 4 de Março de 2018, mas tínhamos alguns empecílios em relação a trilha.

A grande maioria das pessoas fazem essa trilha começando pela costa oste da ilha de Florianópolis, saindo de Caieira até a Praia de Naufragados, este é um caminho de trilhas abertas, bem sinalizadas, com aproximadamente 50 minutos de duração. Ao meu ver essa caminhada seria muito fácil, nosso grupo de amigos queria algo mais desafiador. Pensando assim, sabíamos que havia uma trilha antiga que começava na Praia da Solidão, passava pela Praia do Saquinho e chegava na Praia de Naufragados, com aproximadamente 10 quilômetros de extensão.

Então resolvemos buscar mais informações sobre essa trilha, conversamos com moradores locais, amigos/conhecidos do mundo virtual e todos diziam que essa trilha existia de fato, mas não sabiam se ela se encontrava aberta/transitável.

O segundo passo da busca de informações era procurar mapas, trilhas que pudessem ser anexadas no GPS de trilha, para que assim conseguíssemos seguir, sem que ficássemos perdidos pelo caminho.

Encontramos um mapa muito bom no site Wikiloc, que mostrava o início da trilha em Açores até Naufragados, e retornava pelo lado oeste da ilha passando pela Caieira e cruzando do oeste para o leste até o fim do caminho na Praia da Solidão. Abaixo o mapa dessa trilha:

Praia de Naufragados

Altimetria de Naufragados
Distância percorrida: 13 km; Acúmulo de subida: 841 m; Acúmulo de descida: 870 m.

No dia 3 de Março as 10 h 10 min  da manhã iniciamos a trilha, seguindo usando um aparelho GPS Garmim eTrax 20, o início da trilha é tranquila, construída de concreto sem obstáculos, algumas subidas e descidas, seguindo assim até a praia do Saquinho, dali em diante seguimos a trilha propriamente dita, essa estava em boas condições, em alguns pontos a mata fechava quase por completa, mas sem grandes dificuldades, não precisamos nem ao menos retirar o facão da mochila. A trilha segue praticamente toda por dentro da mata nativa e em pequenas partes é possível visualizar a costa e o mar.

Praia de Naufragados

Praia de Naufragados

Praia de Naufragados

Durante a trilha, conversávamos sobre essa praia. Como seria incrível acampar por ali, praia deserta, apenas nós e a natureza. Enfim depois de algumas horas de trilhas, cruzando córregos, subindo e descendo morros chegamos na orla de Naufragados.

A primeira impressão não foi das melhores

A praia estava tomada por banhistas, pessoas que chegavam ali de todos os lados, uns vinham através de embarcações, outros pela trilha que começa na Caieira, uma praia que tinha tudo para ser linda e preservada, estava tomada por pessoas, ouvindo músicas em alto som, bebendo, fazendo algazarras e deixando lixo em tudo que é canto da praia. Chegar e ver tudo aquilo acontecendo na frente de meus olhos foi muito triste.

Conforme caminhávamos pela areia, chegando no rio que desaguá na Praia de Naufragados, mais pessoas estavam a banhar-se no rio, nas margens mais lixos jogados ali. Acredito que estavam na praia/rio aproximadamente mais de 200 pessoas.

Isso gera uma degradação do local muito intensa, os órgãos públicos deveriam tomar precauções para combater esse tipo de atrocidades feitas na natureza.

Olhávamos para as nuvens que vinham a nosso encontro e parecia que estava prestes a ter um temporal, logo seguimos pelas margens do rio, procurando um lugar seguro para montar o acampamento, o local escolhido foi em meio a vegetação de árvores perto do rio, em um pequeno espaço que cabiam não mais que 4 barracas.

Praia de Naufragados

Praia de Naufragados

Conforme as nuvens se aproximavam, os banhistas iam embora, deixando a praia cada vez menos ocupada, lá pelas 18 h já não havia mais que 20 pessoas na praia, armamos nosso acampamento e fomos tomar aquele banho de rio maravilhoso, a água estava morna e apenas ouvíamos o barulho do vento e alguns pássaros cantando.

Junto as nuvens de chuva o sol caia no horizonte lentamente, deixando apenas algumas cores refletidas nas águas do rio.

Praia de Naufragados

Depois do pôr do sol começou a cair uma chuva fraca, conforme ia passando o tempo a chuva ficou mais intensa, resolvemos então dar uma cochilada dentro da barraca. Passado cerca de uma hora, era hora de fazer o jantar. Após nos alimentarmos bem, a chuva começou novamente e fomos dormir.

Dia 4 de Março de 2018, levantamos cedo, por volta de 6:30 da manhã, preparamos o café da manhã, desmontamos o acampamento, organizamos as nossas mochilas e começamos a nossa trilha de volta à civilização.

O caminho que iríamos percorrer seriam de aproximadamente de 10 quilômetros, a trilha indicava para o lado direito da Praia de Naufragados. Este caminho leva até o farol e ao porto.

Praia de Naufragados

À primeira vista, o farol de Naufragados se encontra totalmente abandonado, a placa que contém informações sobre o farol encontra-se inteiramente degradada. Fiquei chateado ao encontrar todo esse descaso com um ponto turístico tão importante do estado de Santa Catarina/Brasil.

Praia de Naufragados

Seguimos em direção à Praia da Caieira, onde de lá iríamos procurar uma antiga trilha que faz a travessia do lado oste para o leste, assim terminando o trekking na Praia do Saquinho.

Ao chegarmos na Caieira, o clima estava chuvoso, aos poucos a chuva ia aumentando cada vez mais, tentamos encontrar a trilha, mas sem sucesso, resolvemos então conversar com os moradores locais, para saber se alguém sabia a respeito dessa trilha. Conversando com um ou outro morador, encontramos o proprietário das terras que dava acesso ao começo dessa trilha antiga, ele nos disse que a trilha existia mesmo, mas há muito tempo ninguém passava por lá, certamente estaria totalmente fechada pelo mato.

Nos reunimos e resolvemos abortar o restante da caminhada, logo encontramos uma parada de ônibus, pegamos o ônibus urbano com sentido ao Terminal Rodoviário TIRIO Tavares e depois pegamos outro ônibus até a praia de Açores, que fica ao lado da Praia da Solidão. A passagem custou R$ 4,20 por pessoa, sendo que pagamos 1 passagem apenas por pessoa para ir até o terminal e de lá pegamos outro ônibus até Açores sem pagar nada a mais, isto é. Caso você não saia do terminal rodoviário, é possível ir do norte até o sul da ilha de Florianópolis pagando apenas uma passagem de ônibus.

Praia de Naufragados

Praia do Cassino

A Praia do Cassino, considerada a maior do mundo em extensão, é um convite à aventura, para todos que possuem o ímpeto de colocar seus limites psicológicos e físicos à prova em um dos lugares mais inóspitos e isolados do litoral brasileiro.

Minha história com essa travessia da Praia do Cassino começou em 2015, quando após muito meditar para encontrar alguma travessia desafiadora e selvagem, me deparei com a Praia do Cassino. De lá para cá, durante pelo menos umas 3 ou 4 vezes, tentei colocar o meu plano em prática, não fazendo o tradicional trekking de 7 ou 8 dias, como é de praxe para a galera trilheira, mas em 4 dias de pedal auto-suficiente. Porém, sempre que separava uma data e me organizava para executar a travessia, os indicativos climáticos me diziam não, fosse por conta do vento ou da chuva. A coisa não andava. Não sei se é só comigo que acontece, mas às vezes, tem coisas que quanto mais quero fazer, as circunstâncias tanto mais me dizem que não! Eu realmente já estava meio injuriado com a situação de ter abortado ao menos três vezes ao longo de dois anos, e por conta disto, tinha definido que neste verão (2018-2019), eu faria a travessia com qualquer condição de clima, sozinho ou acompanhado, pois a coisa já estava virando uma lenda que assombrava meus pensamentos… kkkk

Praia do Cassino
“Eu sempre amei o deserto. A gente senta numa duna de areia. Não se vê nada. Não se sente nada. E no silêncio alguma coisa irradia.” O Pequeno Príncipe – Antoine de Saint-Exupéry

Como é de costume, organizei o roteiro, a logística necessária e após, lancei nas redes sociais um dos meus famosos “editais hiperativos” (cuidado se ler algum por aí, geralmente é convidando para entrar em alguma roubada). Não demorou muito, e logo arrumei a parceira do Marcelo e da Bruna que toparam, por conta e risco, a travessia de bike. Estava assim formada a trupe para o desafio.

O plano, como disse anteriormente, era percorrer toda a extensão da Praia do Cassino em quatro dias, iniciando a travessia nos molhes de Rio Grande, seguir no primeiro dia até o Farol Sarita, no segundo dia alcançar o Farol Albardão, no terceiro dia atravessar o Concheiro pernoitando no hotel abandonado e por fim, no quarto dia, chegar ao final da jornada nos molhes da barra do Chuí. Dividindo assim, os mais de 230 kms em quatro pernas para não ficar tão pesada a pedalada, mas como mostrarei a seguir, quase nada aconteceu como planejado.

O Primeiro Dia na Praia do Cassino:

Depois de viajar praticamente a noite toda, pois embarcamos na Rodoviária de Porto Alegre às 2:00 horas da madrugada, chegamos por volta das 7 horas da manhã na Rodoviária de Rio Grande.

Tão logo desembarcamos,  tratamos de iniciar a montagem das bikes e dos alforjes com todo equipamento, para poder então, tomar o rumo dos molhes de Rio Grande, o nosso ponto de partida. Ainda no caminho pra os molhes, fizemos uma rápida parada numa padaria para tomar um café para acordar de verdade antes de encarar o desafio.

Por volta das 9:30 horas, com o sol já querendo mostrar suas garras, e após um rápido passeio nos mais de 4 kms dos molhes de Rio Grande, colocamos as magrelas na areia e começamos nosso pedal do dia.

Praia do Cassino
Molhes de Rio Grande/RS – Brasil

Na medida em que pedalávamos para o sul, começamos a nos aproximar do Balneário Cassino, que no dia 3 de janeiro, com tempo bom, estava lotado de gente e carros na areia. Foi bastante chato e complicado sair daquele mar de gente, pois a areia estava solta, e não conseguimos dar um ritmo adequado já nos primeiros 15 kms. Mas na medida em que pedalávamos sob o olhar curioso dos banhistas, aos poucos a multidão foi ficando para trás, a quantidade de carros diminuindo e o sol subindo com força.

Embora o vento estivesse ao nosso favor, a areia da Praia do Cassino não estava muito convidativa para pedalar com as bikes carregadas, todavia não tínhamos outra escolha, era seguir em frente rumo ao sul, ainda que isso exigisse um esforço extra, que de certa forma, já era previsto.

Por volta do meio-dia, com o sol realmente muito forte, chegamos ao naufrágio do Navio Altair. Sem nenhuma sombra, e depois de uma noite quase sem dormir, o cansaço começou a dar as caras na turma e, enquanto bebíamos água, decidimos mudar o plano original, desistimos de chegar ao Farol Sarita. A ideia agora era procurar um local com alguma sombra para poder montar o nosso acampamento, almoçar, esfriar a cabeça do sol e descansar. Dos 65 kms, aproximados que deveríamos percorrer, rodamos apenas 28 kms, e no momento em que avistamos um pequeno bosque de pinheiros junto a um rancho de pesca, resolvemos ficar ali. Após pedirmos autorização para o dono do local, tratamos de montar nosso circo e relaxar, com direito a um bom banho de água doce numa pequena lagoa junto ao rancho de pesca. Foi um alivio e tanto.

A Praia do Cassino nos dava boas-vindas com muito sol, calor, vento empurrando e areia pesada.

Praia do Cassino
Navio Altair

Depois de jantar, fizemos mais uma reunião de cúpula onde ficou decidido que no segundo dia, levantaríamos antes do sol para poder render o máximo enquanto não estivesse tão quente, pois teríamos que compensar os quilômetros que faltaram do primeiro dia e chegar de qualquer maneira ao final do dia, no Farol Albardão, onde existe uma base permanente da Marinha do Brasil, na esperança de conseguir um pouso e nos reabastecer de água potável.

Praia do Cassino
Acampamento no rancho de pesca

Dados do dia:

Início do pedal: 9:30 horas

Final do pedal: 15:30 horas

Distância computada: 28 kms

Segundo Dia na Praia do Cassino:

Ainda escuro, o despertador tocou e de imediato, após uma boa noite de sono, tratamos de tomar um café da manhã bem reforçado, desmontar o acampamento e aproveitar a condição de vento N/NE que nos dava uma força.

Começamos a pedalar com um visual alucinante do sol nascendo na linha do mar. O astral da trupe estava muito bom, seguíamos pedalando na direção da imensidão que parecia não ter fim com a Praia do Cassino praticamente deserta, apenas jeepeiros  e caminhonetes 4×4 com pescadores, vez ou outra, quebravam a nossa solidão naquele deserto à beira mar.

Nosso ritmo inicialmente estava bom, e antes das nove horas da manhã, avistamos o Farol Sarita. Feita uma rápida parada para fotos e tomar um fôlego, seguimos em frente, com o sol começando a nos castigar e tendo que ter o cuidado de controlar o consumo de água que já estava começando preocupar.

Praia do Cassino
Refrescando o corpo durante uma das muitas paradas.

Seguindo em frente, sofrendo muito com a areia pesada e o calor, dando pequenas paradas a cada 50 minutos mais ou menos.  Por volta das 11:30, paramos num arroio para nos refrescar pois o calor estava muito forte. Meus lábios começaram a rachar por conta do sal e do sol, e a sede era infinita. Com pouco mais de duas horas e meia de pedal, avistamos no horizonte a estrutura do Farol Verga, desativado a algum tempo… com o sol nos torrando inclemente, a sede e a fome batendo, decidimos parar no Verga, e aproveitar a pequena sombra que ele fazia para descansar, comer algo, se reidratar com a pouca água que nos restava e por fim, esperar o sol dar uma baixada para só então retomar o pedal.

Ficamos cerca de 3 horas parados, onde deu para dar uma cochilada na modesta sombra do Verga e comer algo para reabastecer de energia para dar a tocada final. Faltavam ainda 30 kms aproximadamente para chegarmos no Albardão.

Praia do Cassino
Farol Verga

Com o cair da tarde e o sol mais ameno, seguimos em frente, na fé e na determinação de chegar no Albardão antes do pôr do sol, embora tivéssemos combinado que o importante era chegar lá, independente da hora que fosse, mesmo que para tanto, tivéssemos que pedalar na escuridão da noite.

Com pouco mais de uma hora, avistamos a estrutura imponente do Albardão no horizonte, ainda distante cerca de 10 kms. Avistar o farol nos renovou o ânimo, apesar do cansaço e da sede e, com mais uma hora pedalando, para nossa alegria, chegamos ao destino junto com o sol indo embora.

Fomos muito bem recebidos pelo sargento Moreno, que gentilmente, nos acolheu disponibilizando as instalações da cozinha, banheiro com ducha e um quarto para nossa trupe, ou seja, um verdadeiro Oasis no deserto para viajantes cansados e castigados pela dura jornada de mais de 12 horas de pedalada.

Praia do Cassino
Farol Albardão

Dados do dia:

Início do pedal: 6:45 horas

Final do pedal: 21:00 horas

Distância computada: 107 kms

Terceiro Dia na Praia do Cassino:

Era sabido por todos que este seria o dia mais difícil, pois deveríamos atravessar o famoso e temido Concheiro, que nada mais é do que um imenso trecho de praia onde a areia mistura-se com restos de conchas, formando assim, um terreno fofo e de difícil locomoção que pode variar entre 15 e 50 kms, dependendo das ações da maré e do vento que alteram o terreno.

Assim sendo, fizemos uso da mesma estratégia do dia anterior: acordar antes do sol, tomar um bom café da manhã e começar a pedalar antes do sol nascer. Além disto, ficou decidido que tentaríamos completar a travessia neste mesmo dia, sem parar no hotel abandonado para acampar pois, os indicativos climáticos apontavam que para o dia seguinte, entraria uma frente de vento Sul, e certamente isso seria um grande problema.

Por volta das 6:30 horas, com o dia amanhecendo e nos presenteando com um espetáculo de cores, e antes do sol começar a querer fazer churrasco da gente, começamos nossa jornada.

Praia do Cassino
Sol nascendo, um espetáculo diário.

Inicialmente conseguimos evoluir bem, mais uma vez com o vento favorável, mas após 20 kms a coisa começou a ficar bem complicada: O Concheiro apresentava suas armas.

Pedalar no Concheiro é algo muito complicado e desgastante. O esforço físico beirava o extremo. É uma sensação de se estar subindo uma montanha o tempo todo.

Na medida em que pedalávamos e que o tempo passava, com a temperatura aumentando e o cansaço acumulado dos dias anteriores se fazendo sentir de uma maneira absurda, não conseguíamos manter uma velocidade média normal para cicloturismo. Estávamos rodando com pouco mais de 8 kms/h, ou seja,  o dia se desenhava como uma verdadeira tortura.

A dificuldade extrema de pedalar nestas condições, fez com que aumentasse muito nosso consumo de água, e isto logo se tornou um problema que só não foi maior, por conta de estarmos na temporada de veraneio, e após rodar mais de 30 quilômetros, começamos a encontrar pescadores que na maioria das vezes nos davam água gelada para beber.

Avançávamos lentos e de certa forma, desanimados, pois o trecho do Concheiro, ao que pudemos observar, passava facilmente de 40 quilômetros, ou seja, muito mais do que os 15 ou 20 quilômetros que pretendíamos inocentemente encontrar.

Numa destas paradas para pedir água, já exaustos de tanto pedalar lentos e empurrar as bicicletas, encontramos a família da Rosana que estava ali pescando e curtindo a praia deserta. Pedimos água e começamos a conversar com a turma, explicando de onde estávamos vindo e onde deveríamos chegar… papo vem, papo vai, lá pelas tantas, fomos presenteados com a melhor coca-cola das nossas vidas, e não só isso, servida em taças! Não tive dúvida nenhuma, aquilo ali era um milagre! Imagine você, no deserto, já sem água, debaixo de um sol fortíssimo, e de repente, aparecem anjos com a coca-cola mais gelada e deliciosa que você já bebeu na sua vida… É ou não um pequeno milagre? Ficamos extremamente emocionados e agradecidos com aquele gesto da Rosana e sua família.

Praia do Cassino
A coca-cola do deserto.

Após uma despedida emocionada dos nossos anjos do deserto, seguimos em frente, ligeiramente renovados pela coca e pelo milagre.

Num misto de sobe e desce da bike, empurra e pedala, fomos seguindo lentos e cansados, sem conseguir melhorar a velocidade média. Eu fazia as contas nas minha cabeça, e vendo que faltavam apenas 40 quilômetros, distância facilmente superável em condições normais, mas ali, naquele terreno, demoraria pelo menos 6 ou 7 horas… duríssimo conduzir uma bike carregada naquelas condições. Com certeza, esse foi o momento mais difícil para todos na Praia do Cassino. Mais se empurrava  do que pedalava, mas mesmo assim, seguíamos em frente pois não existia um plano B naquela situação.

Depois de horas, de sofrimento, começamos a ver as primeiras casas e ranchos de pesca nas proximidades do Balneário Hermenegildo, e após conversar com a Bruna, decidimos que na primeira sombra que aparecesse, iríamos parar para descansar e esfriar o corpo, pois nossa moral e nossa dignidade tinham sumido…kkkk Creio que faltando uns 15 quilômetros para chegarmos no Hermenegildo, encontrei um casebre junto de uma duna que fazia uma pequena sombra. Sinalizei para a Bruna e tratamos de fugir do sol, já deveriam ser por volta das 16 horas. Ficamos prostrados ali, bebendo a pouca água e comendo balas de banana, na esperança de reunir energias para tocar em frente. Neste momento, fomos novamente ajudados, desta vez, por outro ciclista que estava fazendo o pedal na praia, mas sem carga e com sua esposa no carro de apoio. Infelizmente esqueci o nome deles, mas o fato é que ofereceram uma carona para nossos alforjes e nos deram frutas para comer! Assim, com essa força, conseguimos seguir em frente e alcançar, finalmente o Hermenegildo, onde tratamos logo de ir para um barzinho e tomar uma cerveja bem gelada para tentar restabelecer a nossa moral que caíra por terra, ou melhor, pela areia…kkk

Faltavam cerca de 12 kms até a barra do Chuí no entanto, nós já não tínhamos forças para seguir e além disto, o balneário estava lotado, dificultando pedalar na faixa de areia. Fim de linha.

Tratamos de encontrar uma casa para alugar por uma noite, para assim, poder tomar um bom banho, fazer um jantar reforçado e dormir numa cama. Sem muita demora, tudo estava resolvido e aquele sofrimento todo de mais de 12 horas de pedal, já fazia parte da história.

Seguindo para os molhes do Chuí – Dados do dia:

Início do pedal: 6:30 horas

Final do pedal: 18:45 horas

Distância computada: 72 kms

Quarto dia na Praia do Cassino:

Sem muita preocupação, aproveitamos para descansar depois do suplício que foi o pedal do dia anterior. Tomamos café em slow motion, lavamos roupas, revisamos e lubrificamos as bikes para finalizar os 12 kms restantes… Afinal quem poderia nos impedir de completar esse misero trecho, depois de tudo aquilo que passamos até então? Resposta: O vento sul, que jogou o mar direto na areia e fez a praia sumir de vez, tornando assim, impossível para qualquer veículo de rodas seguir por aquele caminho.

Praia do Cassino
Tomando o asfalto para chegar aos molhes do Chuí.

A decisão de chegar o mais perto possível do final, foi a nossa salvação pois se por algum motivo tivéssemos parado para acampar, certamente teríamos que ficar um dia parado por conta da maré e do vento. A praia estava fechada.

Num misto de decepção e alivio, decidimos seguir até a barra pelo asfalto e assim, completar a travessia, ainda que não 100% pela areia.

Praia do Cassino
Fim da linha: molhes do Chuí.

Cicloturismo selvagem Praia do Cassino – Missão cumprida

Recordando agora, tudo que passei, posso garantir que a Praia do Cassino, até aqui, foi a travessia mais difícil que eu já tive a oportunidade de fazer.

Por mais que se esteja preparado, as condições da praia são sempre uma incógnita, podendo ajudar ou dificultar muito as intenções daqueles que pretendem se arriscar por lá, mas sendo como for, é uma experiência única, extrema e necessária para aqueles que querem descobrir seus próprios limites físicos e psicológicos.

Praia do Cassino

Para finalizar quero agradecer de todo meu coração aos meus parceiros de pedal Bruna Fávaro e Marcelo Rudini, companhia que fez toda a diferença no perrengue e também à todos que nos ajudaram durante a jornada, com o pouso para descanso, uma fruta e as muitas garrafas d’água. Certamente sem essa turma toda, a coisa teria sido muito mais difícil.

“Se vai tentar, vá até o fim.” Charles Bukowski.

Acampar em uma cascata pode ser uma alternativa nesse verão

Já pensou em acampar em uma cachoeira, parece estranho dizer isso, mas existe este lugar e ele está pertinho de nós.

A Serra Gaúcha é uma região encantadora, possui vales, cascatas, cachoeiras, e inúmeras outras opções de lazer, aqui no nosso site, você pode conhecer boa parte destes atrativos. Mas vamos ao que interessa, você já pensou em acampar em uma cachoeira? Se a resposta for sim, então você tem que conhecer a Cascata do Borela.

Este atrativo é um tanto inexplorado pela maioria das pessoas que moram nessa região, é um cenário de uma beleza natural intocada, a cascata localizada no município de Nova Pádua/RS – Brasil.

A Cascata do Borela está dentro de uma propriedade particular, por isso deve-se pedir permissão para chegar até o local. A trilha que leva até a base da cascata é um trecho curto de aproximadamente 300 metros, caminha-se em meio a mata por um caminho antigo, cercado por belas árvores, pedras enormes e pequenas quedas de água.

acampar na serra gaúcha
Foto: Eduardo Bassotto

A trilha em si é de nível fácil, recomendamos essa caminhada para pessoas que praticam atividades físicas regularmente, tenha em mente que trilhar esse caminho não é assim tão simples, em muitas vezes você terá que transpassar obstáculos, isso é, subir e descer de pedras lisas, agarrar-se em árvores, molhar os pés.

Ao chegar na base da Cascata do Borela, nôs surpreendemos com a altura, são 60 metros de queda livre, ali forma-se uma piscina com água cristalina, o que é ótimo nos dias de calor.

acampar na serra gaúcha

acampar na serra gaúcha

Caso você queira acampar no local, o mais indicado é em meio a cascata, neste local existe um platô gigante, que pode acomodar umas 10 barracas aproximadamente, o solo porém é de pedra, então sugerimos levar uma barraca auto-portante, isso é, uma barraca que consiga ficar armada sem o uso de espeques.

Vale ressaltar que esse local não tem nenhuma infraestrutura disponível, então vá precavido!

acampar na serra gaúcha

Para quem é mais corajoso é possível praticar rapel, na crista da cascata tem inúmeros pinos, que facilitam a ancoragem das cordas. Mas esteja sempre atendo com as questões de segurança, não pratique esse esporte sem conhecer o trabalho da empresa que irá realiza-lo. Nós do Trekking RS, recomendamos a empresa parceira Sol de Indiada e a Adrenalina Vertical para a execução das atividades de rapel nesse atrativo.

acampar na serra gaúcha

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Achou interessante e quer conhecer esse lugar incrível com seus próprios olhos, então entre em contato com a gente, nós te levamos!

acampar na serra gaúcha

Conheça as trilhas da Terra do Fogo

Começamos o passeio pelo Parque Nacional Terra do Fogo no dia 17 de Outubro de 2017, nele pudemos contemplar alguns dos atrativos mais importantes do parque.

O Parque Nacional Terra do fogo possui uma área de aproximadamente 63.000 hectares e é banhado pelo Canal de Beagle, localiza-se a 12 quilômetros afastado da cidade de Ushuaia, sendo que apenas está disponível para uso público cerca de 3% de toda a área, nesta pequena parte que pudemos conhecer estão alguns dos atrativos mais importantes e belos do parque.

Atividades permitidas dentro do Parque Nacional Terra do Fogo:

Terra do Fogo

Dentro do parque está disponível quatro áreas de camping selvagem, sendo que em todos existem áreas já delimitadas para fazer a comida, é recomendável que você use seu fogareiro, caso não tenha esse equipamento, é possível fazer um pequeno fogo apenas para cozinhar seus alimentos.

Localização dos campings:

Camping 1 localiza-se ao lado do Rio Pipo;

Camping 2 localiza-se perto da Bahia Ensenada Zaratiegui;

Camping 3  e 4 localiza-se perto do Rio Lapataia.

Caso queira explorar o parque a pé, existe quatro caminhos demarcados para que você contemple da melhor forma possível toda a beleza desse enorme atrativo. Abaixo listamos alguns caminhos já demarcados e permitidos.

Caminho Pampa Alta

Neste caminho você percorre cerca de 4,9 quilômetros onde é possível contemplar o ponto panorâmico, o Canal de Beagle e o vale do Rio Pipo, o trecho começa perto da Bahia Ensenada, percorrendo um caminho até o Camping 1 do Rio Pipo.

Dificuldade: Média

Duração: Uma hora até o ponto Panorâmico

Caminho Costera 

Caminhada de 8 quilômetros pela costa marinha, cruzando florestas de Guindo e  Canelo, acesso pela Ensenada ou na junção do Lago Roca na Ruta 3.

Dificuldade: Média

Duração: Quatro Horas

Caminho Hito XXIV

Caminhada com cerca de 7 quilômetros pela margem do Rio Roca até  o limite internacional entre Argentina/Chile.

Dificuldade: Média

Duração: 3 horas ida e volta

Cerro Guanaco

Do alto do cume Guanaco é possível apreciar uma maravilhosa vista da Cordilheira Fueguina e suas turferas. É acessado pelo caminho Hito XXIV, depois de atravessar o Guanaco há um desvio sinalizado na direita. Toda a rota é em acessão por encostas íngremes, toda a trilha tem 8 quilômetros no total.

Dificuldade: Alta

Duração: 8 horas ida e volta

Caminhadas no setor de Lapataia

Terra do Fogo

Passeio na Ilha

Uma trilha com aproximadamente 600 metros de distância pelo Arquipélago Cormorantes, passando pelas margens do Rio Lapataia e Ovando. Boa oportunidade de observar aves aquáticas.

Dificuldade: Baixa

Laguna Negra

Trilha de aproximadamente 950 metros de distância, onde é possível ver uma Turfa em formação.

Dificuldade: Baixa

Mirador Lapataia

Um caminho de aproximadamente 1 quilômetro que leva ao Turbal, podendo ser uma boa alternativa para acessar a Bahia Lapataia, transitando por um bosque de Lenga.

Del Turbal

Circuito alternativo para a Ruta 3 e acessa a Bahia Lapataia. É possível observar antigas moradias de castores rodeados de Turfas. Se conecta com o caminho que leva a castorera.

Distância: 2 km

Dificuldade: Baixa

Castorera

Com distância de 400 metros ida e volta a reserva de Castores, é possível acessar pela Ruta 3 e rastrear o caminho dos castores pelo lado direito, vendo assim o impacto causado por esta espécie exótica.

Dificuldade: Baixa

Caminho de la Baliza

Caminho com 1,5 quilômetros de ida e volta, onde é possível ver um farol, localizado no limite da reserva natural, podendo ver também uma Castorera ativa.

Dificuldade: Baixa

Na nossa visita ao Parque Nacional Terra do Fogo, contemplamos inúmeras paisagens, sendo de montanhas geladas, trilhas em meio a bosques verdejantes, caminhamos também pelas passarelas da Bahia Lapataia que possuem uma vista de tirar o fôlego e percorremos no passeio de 40 minutos aproximadamente no Trem do Fim do Mundo.

Abaixo você poderá ver as nossas melhores fotos desse atrativo turístico tão magnífico de Ushuaia.

Terra do Fogo
Estação do Trem do Fim do Mundo – Ferrocarril Austral
Terra do Fogo
Laguna Verde

Terra do Fogo

Terra do Fogo
Bahia Lapataia
Terra do Fogo
Bahia Lapataia
Terra do Fogo
Bahia Lapataia – Puerto Arias
Terra do Fogo
Senda del Mirador
Terra do Fogo
Trem do Fim do Mundo