Dias frios, principalmente os que amanhecem com geada, merecem a nossa atenção, a natureza nos presenteia com um show de cores.

Estava na Serra Gaúcha, junto a cidade de Farroupilha/RS – Brasil quando estava amanhecendo, a geada que se formou durante a noite cobrindo tudo, deixando a vegetação toda branca. Era bonito de ver os campos onde o sol ainda não havia tocado, um contraste interessante com o verde, judiado do frio.

Seguimos rumo a Nova Roma do Sul uma cidadezinha do interior da Serra Gaúcha/RS – Brasil, com um pouco mais de 3.000 habitantes, muito conhecida pelos adeptos das atividades de aventura. A bela cidade  fica a 160 quilômetros da Capital Porto Alegre, o povo é bem hospitaleiro e de maioria italiana pelo que percebi.

A tarde realizamos um pequeno passeio para contemplar as paisagens desta modesta cidade. O contraste da estrada de chão batido, com os plátanos secos e o brilho do sol, fizeram nosso caminho ser muito mais bonito, a natureza mostrou toda a sua simplicidade e grandeza.

Observar, ao vivo, faz com que as sensações sejam sublimes, os sinais que podemos perceber através da poeira da estrada, das cores e do reflexo do sol nos plátanos, como se a mãe natureza estivesse nos dando um presente.

Show de cores
Foto: Marcio Basso

No caminho que percorremos, conheci a barragem do Rio das Antas, conhecida também como Usina Hidrelétrica Castro Alves, localizada na estrada que liga Nova Roma do Sul a Nova Pádua/RS – Brasil,  com uma área alagada de 5 km².

Quando me deparei com aquela obra, que é enorme em relação ao lugar onde localiza-se, comecei a pensar o que aconteceu com toda a fauna e a flora que estava ali antes dessa construção e agora se encontra toda inundada.

Show de cores
Foto: Marcio Basso

As plantas que não tem como se manifestarem, creio que adormeceram no fundo das águas e ali permaneceram até que sua missão estivesse cumprida no meio em que viviam. Já os animais, será que todos conseguiram ir para novas casas e se adaptaram com facilidade?

Eu tenho consciência de que obras como essa são necessárias para suprir nossas necessidades de crescimento e evolução nesse mundo de matéria que vivemos, mas penso no lado deles também, como eu me sentiria se tivesse que deixar o meu lar.

E vendo tudo isto, o homem se “apropriando” de espaços que já eram ocupados por seres vivos, percebe-se o quanto a natureza é humilde. Apesar de sua  grandeza, a natureza permite que o homem altere suas paisagens e com isso ela se adapta as nossas necessidades.

Que possamos compreender o quanto este imenso Universo Natural é permissivo, aceita a chegada do homem sem contestar e nos permite usufruir de todos os recursos disponíveis no meio em que estamos.

Que possamos apreciar todos os momentos junto a natureza, sejam paisagens alteradas ou não, nos permitindo perceber o real sentido de cada  folha que cai, o movimento dos ventos, os raios do sol que tocam nosso rosto e do grande mundo maravilhoso que nos presenteia com coisas simples.

Quando você tiver a oportunidade,  observe as  manifestações da natureza. Essas acontecem todo o tempo, somente precisamos prestar atenção.

Que possamos sempre agradecer por estes momentos. Agradecer a mãe natureza por permitir a nossa “invasão ” e nos proporcionar espetáculos únicos.

3 Comments

  • MARCIO RAMA DE VARGAS,

    Opa,
    Amigo, sobre as plantas que haviam na área alagada, foram todas elas removidas e transplantadas para outros locais. Os animais foram todos removidas.
    Uma equipe de 180 biólogos e uns 300 “peões” trabalhou durante três anos nestas realocações. No dia do fechamento da barragem, haviam dezenas de equipes em embarcações a montante e a jusante trabalhando no resgate.
    A empresa proprietária comprou uma área de 100 metros de largura de terras no entorno do reservatório, nesta área foi colocada cerca e feito o reflorestamento com mais de 15 milhões de mudas de essências nativas. Ate hoje, uma empresa terceirizada passa o dia no reservatório garantindo a integridade das cercas e do reflorestamento, protegendo a área de caçadores e pescadores predatórios.
    Estudos ambientais obrigatórios exigidos pela licença de operação fazem um acompanhamento mensal da fauna, flora e ictiofauna, estes estudos são conduzidos pelas universidades de Caxias do Sul, Santa Maria e empresas especialistas. Hoje encontram-se nesta área de preservação permanente especies que a décadas não eram avistadas naquela região, alem do aumento da população das especies existentes.

    Obviamente há uma alteração no ambiente original, na paisagem original, porem considerando as agressões e pressões antrópicas feitas pelo homem naquele local desde 1875, pode-se afirmar com toda a certeza que a área de influencia do reservatório hoje esta mais preservada e com mais vida natural do que a 20 anos. O método construtivo a fio d’água + o sistema de tuneis, proporcionou uma queda bruta de 90 metros com uma barragem de “apenas” 45 metros, alagando assim apenas a calha do rio, uma área que naturalmente já alagava em periodos de cheia.

    O PBA completo pode ser visto aqui: http://www.ceran.com.br/session/viewPage/sectionId/3/language/pt_BR/

    Os relatórios mensais podem ser vistos aqui: http://www.ceran.com.br/session/viewPage/pageId/68/language/pt_BR/

    Abração,

    • Luciane Pohlmann,

      Bom dia Marcio!
      Muito obrigada pelos esclarecimentos.
      O objetivo do relato é juntamente este, chamar atencao, fazer pensar.
      Uma obra dessa é um exemplo de como devemos agir em relação a natureza.
      Não só ocupar, mas cuidar para que o impacto seja o mínimo possível. E pensar que na nossa própria casa, no nosso bairro, podemos fazer o mesmo.

      • Marcio Rama de Vargas,

        Luciane,
        Obrigado pelo retorno. Só vi agora.
        É interessante que a empresa não se esforça para divulgar as coisas que foram feitas para compensar o impacto. Tem outras coisas bem interessantes que são feitas.

        Abs

  • O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

    Previous reading
    Travessia Lapinha X Tabuleiro, Serra do Espinhaço – MG
    Next reading
    Luciane Pohlmann