Laranjeiras x Funil

Travessia Laranjeiras x Funil

A travessia Laranjeiras x Funil é uma aventura pela bordas dos cânions do estado de Santa Catarina, mais precisamente na cidade de Bom jardim da Serra.

A travessia de trekking foi realizada pela empresa Sol de Indiada, uma grande parceira a anos do Trekking RS, nessa edição fomos convidados a fotografar e relatar a experiencia.

A Sol de indiada tem como objetivo proporcionar a aventura para todos, pensando nisso cria travessia de trekking para todos os níveis, desde iniciantes nas aventuras como atletas de alto rendimento.

A travessia era composta por três pacotes diferentes:

  • Opção 1 – Estava incluso nesse pacote: apoio 4×4, alimentação (almoço/jantar), traslado, 2 guias, fotos do evento e a opção de você poder levar a sua mochila cargueira se quiser. (Ideal para iniciantes).
  • Opção 2 – Estava incluso no pacote: 2 guias, almoço e jantar, fotos do evento e traslado.
  • Opção 3 – Estava incluso no pacote: 2 guias e fotos do evento.
Laranjeiras x Funil

Já realizamos inúmeras travessia pelas bordas dos cânions entre os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, quem acompanha o nosso site sabe, mas essa travessia posso dizer que é uma das mais belas que já percorri pelos campos de altitude.

Primeiro dia

O primeiro dia da travessia Laranjeiras x Funil começou com o dia ensolarado, não havia uma nuvem se quer no céu, caminhar em dias ensolarados nos permite tirar fotos belas, mas o calor nos castigava durante o caminho.

A primeira impressão que temos sobre os campos de altitude é que ao olhar de longe, parece muito com um “campo de golfe”kkk. A vegetação presente nos dá uma falsa sensação que será fácil trilhar esses caminhos.

Na prática não é bem isso que acontece, pois em grande parte desses campos existe uma espécie de musgo conhecida como Turfas (a turfa é um material de origem vegetal, parcialmente decomposto, encontrado em camadas, geralmente em regiões pantanosas e também sob montanhas (turfa de altitude). É formada principalmente por Sphagnum (esfagno, grupo de musgos) e Hypnum, mas também de juncos, árvores etc).

Nesses casos vale muito a pena ter calçados impermeáveis e respiráveis e pré amaciados para que seus pés não sofram tanto ao passar por estes obstáculos. Veja os modelos que recomendamos!

Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil

Esse primeiro dia de travessia Laranjeiras x Funil tinha aproximadamente 15 km, não foi algo tão complicado de se fazer, pois as vistas que tínhamos recompensava a cada passo dado.

O grupo formado para a travessia Laranjeiras x Funil era uma mistura de atletas, apreciadores da natureza e iniciantes, todos formavam uma grande família aventureira, pessoas com muitas histórias interessantes, trocávamos experiencias incríveis, como se já nos conhecêssemos a anos, nem parecia que estávamos no primeiro dia de trekking apenas.

Depois de muito caminhar e contemplar belezas incríveis, chegamos no nosso primeiro acampamento, uma fazenda no meio do nada, mas que tinha o necessário para que pudéssemos acampar com segurança.

A Parte da Organização responsável pelo Apoio na Cozinha e no Traslado de equipamentos que precisa seguir em veículos 4×4… já estava com a base montada e já preparando a comida para quem preferiu ter isso incluso. O local de acampamento, tinha opção de chuveiro quente, água potável e um galpão para apoio.

Para os aventureiros que não tinham contratado a opção mais completa, chegaram no acampamento, armaram as barracas e já começaram a fazer o jantar. Eu estava em meio à esse grupo, assim eu aproveitei em testar algumas receitas novas de comida, equipamentos no acampamento!

Depois de todos jantados era hora de curtir uma fogueira com a galera, estar em uma roda de amigos, junto ao local tão especial assim, faz a gente pensar o que realmente é uma “rede social”. Ficamos alí conversando e rindo, entre piadas e histórias, parávamos para observar o céu estrelado, de onde estávamos conseguíamos ver boa parte da Via Láctea. Aos poucos cada um foi se recolhendo para sua barracas e assim fomos todos dormir.

Segundo dia

O segundo dia da travessia Laranjeiras x Funil amanheceu tímido, a neblina ia desaparecendo conforme o sol ia subindo pelo horizonte, as barracas estavam tão molhadas que parecia que tinha chovido durante a noite. A manhãzinha estava um tanto fria por ainda estarmos no verão.

A galera levantou cheio de energias, era hora do café da manhã, desmontar acampamento e voltar a andar mais alguns quilômetros.

Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil

O trekking desse segundo dia iria nos levar para o Cânion do Funil, um lugar de uma beleza natural intocada, o percurso não era difícil, mas tinha muitas “turfas pelo caminho, cruzadas de córregos e caminhadas por dentro de matas nebulares. O céu continuava azul, mas dessa vez com umas nuvens, eu prefiro particularmente prefiro dias assim, pois dão mais profundidade para as fotografias.

Lembro-me de caminhar pelas bordas e ver constantemente o nosso próximo acampamento, a cada passo dado as montanhas pareciam que ficavam maiores e mais verticais.

Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil

Próximo do meio dia paramos para almoçar junto a um pequeno córrego de água, onde continha um pequeno poço para banho. Para os mais destemidos, arriscaram um banho naquela água gelada, enquanto outros faziam seus lanches de trilha, enquanto conversavam entre si.

Nessa hora já estávamos bem perto no vértice do Cânion do Funil, aproximadamente trinta minutos de caminhada até chegar no local do acampamento.

O Cânion do Funil possui uma formação incrivelmente linda e diferente do que estamos acostumados. Com protuberantes picos em formato de funil invertido, que rompem o chão e atingem imponentes alturas, cobertos pela floresta densa. Lembra as montanhas de Tianzi, da China, cenário do filme Avatar.

Chegamos ao acampamento por volta de 15:00 da tarde, o dia estava belo, as nuvens começavam a se aglomerar, já mostrando que teríamos chuva no fim de tarde ou a noite.

Logo que cheguei já comecei a montar a barraca, e como de costume sempre procuro o lugar mais incrível para acomodar a minha casa de montanha (barraca), o local escolhido por mim era nada mais, nada menos do que uns 5 metros da borda.

Dois motivos me levaram a escolher esse local para montar a barraca, o primeiro deles era pela vista incrível que iria ter na manhã do dia seguinte, pois o sol iria nascer e dar de frente na porta da barraca, poder abrir a porta e ver aquela imensidão de montanhas. O segundo motivo era que eu precisa testar a nova barraca Naturehike Mongar 2 Ultralight.

Não recomendo que pessoas sem experiencia e sem uma barraca técnica apropriada monte a barraca na beirada de cânions, pois a noite o vento geralmente muda de direção e se você não estiver bem preparado, a sua noite pode ser catastrófica.

Depois de ter montado a casa de montanha era hora de se sentar naquele novo quintal e apenas apreciar à vista, aproveitei para fazer aquele café especial para assim curtir o visual com um pouco mais de conforto.

Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil

Aos poucos a neblina ia chegando de mansinho, ia impedindo aquela visão deslumbrante, era hora então de começar a cozinhar o jantar. A refeição escolhida era: Arroz, feijão e salame, logo que comecei a cozinhar já começou a pingar, logo percebi que a chuva iria ser longa e demorada, continuei cozinhando.

Como a barraca Mongar não tem muito espaço para cozinhar em seu avanço usei a barraca do guia da aventura, uma MSR Hubba Hubba NX com avanço que estava ao lado da minha, ali pude cozinhar de maneira tranquila, sem correr riscos de queimar a barraca e ainda abrigado da chuva.

Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil

Depois de jantar, recolhi todos objetos, guardei dentro do avanço da minha barraca e fui até onde estavam a galera toda reunida. A chuva não dava trégua, foi uma ótima oportunidade também para testar a nova Jaqueta Columbia Ex Eco Down Outdry Extreme, confeccionada em penas /plumas de pato e membrana impermeável. A jaqueta foi incrivelmente eficiente naquela situação, não passou uma gota de água para o interior e o suor gerado foi dissipado, deixando apenas uma sensação de conforto e calor.

Choveu por cerca de 4 à 5 horas interruptamente, a organização do evento montou um grande toldo perto dos carros 4×4, onde alí estavam todos os participantes, conversando, rindo e compartilhando experiencias.

Nessas horas vale muito ter equipamentos de qualidade, alumas pessoas do grupo com equipamentos mais simples, tiveram que se adaptar para conseguir dormir, mas com a ajuda da organização, não tiveram problemas maiores !

Lá por volta de 22:30 minutos a galera começou a se dissipar, cada um foi indo para a sua barraca e eu e o guia também começamos a ir para nossas barracas, pois estavam lá na borda do cânion.

Cheguei na barraca, verifiquei para ver se estava tudo tranquilo, e estava tudo em ordem! Nada de água no interior da barraca. Era hora de descansar para o dia seguinte.

Terceiro dia

Na manhã do terceiro dia da travessia Laranjeiras x Funil , acordei por volta de 5:45 da manhã, abri a porta da barraca e olhei para fora, havia uma grande camada de neblina e não enxergava nada. Voltei a dormir! Aproximadamente uns 40 min depois, abri a porta da barraca novamente e lá estava o sol subindo no horizonte e mandando embora aquela neblina espessa. Logo me aprontei, saí da barraca e comecei a fotografar, momento muito belo, o sol refletia nas rochas do cânion do Funil, quanto mais o sol brilhava, mais mudava as cores no horizonte, as montanhas começaram a ganhar um tom alaranjado, nem parecia que na noite passada havia chovido tanto.

Laranjeiras x Funil

Mas tem um ditado que diz “depois da tempestade, sempre virá um sol maravilhoso”. Estar ali e poder contemplar aquela beleza é algo que vale cada passo dado para se chegar até ali, sempre digo que precisamos enfrentar o frio, para desfrutar do calor, precisamos também ficar cerca de 5 horas na chuva, para assim poder olhar o amanhecer, o sol e aquela beleza toda com um olhar de “gratidão”. Sempre agradeço ao universo por me dar a oportunidade de ver e viver momento como aquele. Pois são estes momentos que vamos lembrar lá no final da nossa vida e não os dias que passamos atrás de uma mesa trabalhando no escritório.

Depois de capturar imagens de tudo que foi ângulo possível, tava na hora de fazer o café da manhã, desmontar a barraca, colocar tudo dentro da mochila e seguir em frente.

Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil

Nesse último dia da travessia Laranjeiras x Funil, estávamos todos muito animados para concluir a travessia, o dia estava belo, ventava um pouco, nossa caminhada seria de aproximadamente 3 horas até chegar ao ponto final que seria a Serra do Rio do Rastro, uma das estradas mais belas e desafiadoras do mundo.

A paisagem continuava linda, a cada passo dado fortalecíamos ainda mais nossos laços de amizades, afinal estávamos no terceiro dia juntos e todos tinham muita experiencia para compartilhar.

Assim são os amigos trilheiros, sempre com muitas histórias engraçadas, lições de vida que nos ensina a sermos pessoas melhores a cada dia que passa.

O terceiro dia, foi muito parecido com um passeio no parque, o terreno era fácil de caminhar, sem grandes subidas ou descidas.

Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil

Ao chegarmos na rodovia SC- 390 a sensação era de dever cumprido, todos estavam muito motivados, teve gente que de tão motivado que estava, começou a correr sem parar, com as mochilas cargueiras nas costas até chegar no restaurante Mensageiro da Montanha, localizado junto ao Mirante da Serra do Rio do Rastro.

Esse restaurante é maravilhoso, conta com uma infinidade de alimentos, para todos os tipos de gostos e paladares, recomendo ir nesse local, pois é possível se servir quantas vezes quiser e o valor é atrativo!

Depois de todos terem almoçado era hora de entrar na van e retornar para Caxias do Sul/RS. Durante o trajeto de retorno, conversamos muito sobre os pontos altos da travessia, o que cada um colheu de novas experiencias e os novos aprendizados obtidos.

Uma travessia de trekking sempre irá nos proporcionar muitas amizades legais, alguns eu já conhecia, mas outros se tornaram grandes amigos. Nada como uma boa viagem para conhecer as pessoas que estão com a gente. Estou aguardando a próxima para que todos possamos nos reencontrar!

Trilhas de Maquiné/Abertura do CGCTM 2019

Localizada na região do Litoral Norte Gaúcho, a cidade de Maquiné, foi sede da 1ª Etapa do Campeonato Gaúcho Corrida Trilhas & Montanhas 2019 – Trilhas de Maquiné e Abertura do CGCTM 2019, que ocorreu no último sábado (dia 16).

A palavra Maquiné, denominação que se mantém até hoje é de origem indígena, e quer dizer “gota que pinga”. Percorrendo o interior do munícipio, logo se entende o por que: a pequena cidade é banhada por diversos rios! Por isso, não é preciso andar muito para ter contato com a água, seja vendo ou ouvindo seu barulho.

Trilhas de Maquiné
Créditos: Jordan Fauth – Cascata do Garapiá

CO finalzinho da Mata Atlântica da Serra do Mar, resulta geograficamente em um lindo vale encravado nas montanhas, vertendo águas doces e límpidas para todos os lados, fazendo de Maquiné um desses pequenos paraísos para os amantes da natureza.

Trilhas de Maquiné teve percursos de 5,5, 12 e 20 quilômetros de corrida em trilhas e montanhas. O evento contou com a participação de mais de 800 atletas de diversas cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

Abrindo o calendário de provas do CGCTM 2019, os corredores puderam se divertir muito nos 3 percursos da prova, que foram marcados por chuva, barro, trilhas, montanhas e belíssimos cenários do interior da cidade.

Trilhas de Maquiné
Créditos: ClicRun

COs atletas presentes acreditavam se tratar de uma prova “fácil e rápida” em razão da pouca altimetria nos três percursos. Porém, a chuva deixou os percursos extremamente técnicos tanto nos aclives como nos declives.

Os grandes campeões (gerais) foram:

Distância Curta – 5,5 quilômetros

  • Camila Backes – Teutorunners – 31 min 52 seg
  • Elton Luiz Palma Prado – 26 min 11 seg

Distância Média – 12 quilômetros

  • Caciane Lucia Zonatto – Night Runners Gravataí – 1 h 51 min 18 seg
  • Danimar Bonai – Danivist – 1 h 18 min 45 seg

Distância Longa – 20 quilômetros

  • Sonia de Fatima Sasset Semtchuk – Inspirerun – 2 h 25 min 09 seg
  • Sidimar Pimentel Saraiva – Time TeM – 1 h 51 min 24 seg

“CGCTM 2019, desde a sua criação através do Circuito Trilhas & Montanhas em 2012, sempre buscou em suas atitudes e processos, crescer e evoluir de forma, que cause o mínimo de impacto nos locais de realização dos percursos e principalmente prezando por um consumo sustentável.

Para esta edição de 2019, estaremos substituindo a Premiação Convencional (ferro, tinta, acrílico, têxtil…), por uma premiação mais alternativa e de materiais sustentáveis.” explicou Luis Leandro Grassel, Diretor Geral do Campeonato.

Trilhas de Maquiné
Trilhas de Maquiné/Abertura do CGCTM 2019

Embora durante o evento os atletas, tenham encontrado os percursos muito bem sinalizados (fitas, pintura, placas e staffs), enfermeiras em diversos pontos, massagistas na chegada, kit completo (chip, numeral, camisa, carbogel, sache de amendoim, frutas, água e suco), Wi-Fi aberto. Resumindo uma organização geral fantástica! A premiação/medalhas, troféus e a quantidade reduzida de chuveiros, não foi aprovada pela grande maioria dos atletas.

Sempre muito receptivos e atenciosos com o feedback dos atletas, a L&E Eventos responsável pela realização do Campeonato, já se manifestou sobre o mesmo:

“Certamente a primeira coisa a ser escolhida na infraestrutura do local para recepção dos atletas é banheiros e claro ‘com chuveiros’, só, que muitas vezes isto não existe nos locais dos eventos. As etapas de corridas em trilhas são realizadas sempre próximas a natureza (áreas rurais), onde está o nosso playground de desafio, superação, barro e brutalidade… Desta forma a infraestrutura do local é pequena, reduzida ou até inexistente.

Para a 1ª Etapa em Maquiné, fomos atrás de um ginásio com vestiários, só que o mesmo não estava disponível para o uso. Desta forma, tivemos que obrigatoriamente utilizar o pavilhão ao lado da Igreja.

Aproveitamos para informar que os 3 chuveiros na área externa, foram instalados pelo evento, para fins de amenizar a falta. Nosso foco sempre é, e será atender o melhor possível todos nossos clientes corredores, só que às vezes não depende ou dependerá diretamente de nós.

Na 2ª EtapaSalto Ventoso em Farroupilha no dia 16 de março, o evento estará contando com chuveiros e novos modelos de premiação!”

Juntos Fomos e Seremos + Fortes Sempre!!! Vida longa ao CGCTM…

Santa Maria do Herval

Santa Maria do Herval

Entre colinas e vales, a 75km de Porto Alegre, capital do Estado, situa-se Santa Maria do Herval, com 6.500 habitantes. Hospitaleira, amigável, tranquila, com seus jardins floridos e povo ordeiro e trabalhador.

Visitei a cidade de Santa Maria do Herval a algum tempo já, o local possui muitas quedas de água que variam entre 10 à 125 metros de altura.

História

Com características que foram legadas por ancestrais, imigrantes da região do Hunsrück e arredores na Alemanha. A gastronomia é típica com cucas, linguiças, schmiers, assados de porco, bolinhos de batata e muitas outras receitas gostosas que nossas avós nos deixaram.

A cultura é preservada nas treze comunidades do município, pois mais de 90% da população ainda fala a Língua Hunsrik/Platt Tayxt, o que é incentivado pela prefeitura para que não se perca esse vínculo de comunicação com as regiões de origem na Europa.

Turismo

Você não pode deixar de percorrer a Rota Romântica na cidade de Santa Maria do Herval/RS, essa rota conta com inúmeras opções de lazer, desde Museus, Igreja, Balneários e claro muitas cascatas ainda intactas.

Cascata do Herval

Em minha visita a cidade resolvi ir em busca dessas cascatas, começando pela Cascata do Herval, localizada cerca de 2 km do centro da cidade, esta é a mais alta entre elas, as águas despencam por aproximadamente 125 metros de altura.

Santa Maria do Herval
Créditos: Juares de Andrade Junior

Para chegar ao local é muito fácil, a estrada que chega até o local é de chão, mas está em ótimo estado. Não é possível fazer trilhas nos entornos, pois a propriedade ali é privada, tanto na parte de cima da queda de água, quanto na parte de baixo, por possuir um usina de energia.

Cascata e Caverna dos Bugres

Cascata e Caverna dos Bugres, localizada a 1,5 km do centro da cidade, local belíssimo com uma enorme caverna que antigamente era usado como moradia pelos  índios caingangues.

Ao chegar no local, percorre-se uma pequena trilha em meio a mata verdejante, no fim dessa trilha à uma pequena bifurcação, à direita você acessa a ampla caverna e à esquerda, passando pela ponte de madeira você acessa a Cascata.

O local é propício para curtir os dias de calor, refrescar-se nas águas cristalinas da cascata. Para quem gosta de fotografar assim como eu, o local é perfeito para fazer fotos em longa exposição ou books fotográficos.

Veja as imagens capturadas por nossas lentes:

Cascata Michel

Localizada a 3 km do centro da cidade, ótimo local para quem gosta de estar em paz com sigo mesmo e em harmonia com a natureza.

Em minha visita não consegui em tempo habil conhecer este atrativo, mas pretendo voltar ao local para conhecer este local.

Se você tem interesse em conhecer a Cascata Michel, sugiro conversar com a Prefeitura do Município para obter maiores informações.

Cascata dos Marcondes

Localizada no interior da cidade de Santa Maria do Herval, a 10 km do centro da cidade, o local conta com uma queda d’água de 65 metros de altura aproximadamente, cercada por uma grande área de mata nativa.

Santa Maria do Herval
Crédito: Luís H. Fritsch/ Trekking RS

No local é possível fazer trilhas de nível moderado até a sua base, para os mais aventureiros é possível fazer rapel, caso você tenha interesse em contratar uma empresa para guiar o rapel, recomendamos a empresa Trilhas do Sul. Agende a sua próxima aventura!

Como chegar

Para quem sobe a Serra Gaúcha em direção a Gramado ou Canela poderá usar a estrada VRS-873, passando por Santa Maria do Herval e aproveitar para conhecer essa belíssima cidade e seus inúmeros atrativos.

Outros destinos

Aqui em nosso site você encontra muitos atrativos naturais para visitar e se encantar tanto aqui no Rio Grande do Sul como em Santa Catarina.

Expedição Aparados da Serra

Expedição Aparados da Serra

Galera, passo aqui para registrar nossa Expedição Aparados da Serra de 5 dias pela beira dos Peraus. Também aproveito para contar um pouco mais para vocês sobre estas encostas que foram chamadas pelos tropeiros de Aparados da Serra, que aqui passavam desbravando esta região e o Sul do país. Para os antigos moradores da região, os paredões gigantescos foram chamados e conhecidos como Peraus, estas encostas tão verticais da Serra Geral do Sul do Brasil, que parecem ter sido cortadas a faca, “aparados” a facão, e foi assim que os Tropeiros observavam as grandes Gargantas, os grandes Cânions.

Venha você também conhecer e contemplar este incrível lugar.

Trekking na Terra dos Cânions – Expedição Aparados da Serra

De 10 a 14 de dezembro de 2018, com cinco Expedicionários, fizemos o mapeamento e o reconhecimento desta trilha, com passagem por mais de 12 cânions, picos, serras e morros, totalizando 70 km de percurso, com a intenção de voltar a operar esta travessia na região da Serra Geral. Esta importante formação rochosa do Sul do País, localiza-se ao leste na Serra Gaúcha e Catarinense e traz consigo um intrigante registro geológico dos Aparados da Serra. De um imenso platô, subitamente interrompido por abismos verticais, nesta elevada cadeia com mais de 60 cânions e montanhas, boa parte deles de frente para a região litorânea e leste, formou-se assim: há cerca de 200 milhões de anos, onde tivemos sucessivos derrames basálticos, e que deram origem ao Planalto Meridional do Brasil; estes derrames basálticos tiveram uma extensão de mais de um milhão de quilômetros quadrados, sendo o maior derrame de lava da Terra!

A expedição Aparados da Serra também teve o intuito de mapear a trilha para inseri-la no Sistema Nacional de Caminhadas de Longo Curso:Pegadas Amarelas e Pretas, do Oiapoque ao Chuí. Movimento que vem crescendo muito em todos os cantos do mundo, liderado aqui no Brasil, pelo Pedro Menezes, coordenador Geral de Uso Público do ICMBio – Instituto Chico Mendes da Biodiversidade. Nós aqui da serra fazemos parte do “Caminho das Araucárias”, com uma equipe multidisciplinar, que trabalha voluntariamente com afinco neste projeto, que já está bem adiantado e que vem crescendo a cada dia. A trilha já saiu da Floresta Nacional de Canela para Floresta Nacional de São Francisco de Paula e já chegou até aqui nos Parques Nacionais de Cambará do Sul.

Voltando a contar sobre nossa Expedição Aparados da Serra: saímos de Cambará do Sul, eu Josemar Contesini, operador de Ecoturismo e Turismo de Aventura na região da Operadora Aparados da Serra Adventure, e Andrews Mohr, condutor local de Ecoturismo e Turismo de Natureza da Agência Aparados Ecoturismo e administrador das Pousadas: Estagem da Colina e da Pousada Campanário, para o ponto de encontro de toda a equipe, na Pousada Vale das Trutas em São Jose dos Ausentes.

Também estavam o casal: Lucas Jasper e Camila Jasper da Cine Travel que captaram imagens para a produção de um filme “Trekking na Terra dos Cânions” – Expedição São José dos Ausentes.

Para completar o grupo, o condutor local Cleber Pazini da agência receptiva Terra Sul, de S. J. dos Ausentes, e que também conduziu as duas Mulinhas, grandes figuras, Djão e Parenti: bichos incríveis.

Aparados da Serra

Contamos também com o apoio de terra do Douglas Machado, de Cambará e do Leonardo Salib de Ausentes, e diversos amigos que encontramos neste percurso.

Saímos da pousada para o ponto de partida, que foi no começo da descida da Serra da Rocinha. Descarregamos os equipamentos, e nos preparamos para dar início a nossa aventura.

Neste primeiro dia de trekking, a caminhada foi em direção a borda superior do Cânion da Serra Velha. Incrível! Que cânion gigante! Durante o percurso, no horizonte há leste, uma vista dos Morros dos Três Irmãos.

Aparados da Serra
Aparados da Serra

Seguimos no caminho das ruinas de Taipas, antigas sinalizações que dá início a descida de Tropeiros da Serra Velha: estrada que ligava a serra do Rio Grande do Sul à cidade de Timbé do Sul – SC, onde se tinha um movimento grande de tropeiros. Foi assim que estes viajantes foram colonizando toda a serra e região, o que chamamos hoje de identidade cultural do Povo Serrano do Sul do Brasil.

Aparados da Serra

Como o Sol estava muito forte perto do meio dia, achamos um local excelente, com água e sombra para o almoço. Grande almoço, confiram nas fotos.

Seguimos passando pelos campos de altitude dos Aparados da Serra, até chegarmos no Cânion da Rocinha, onde contornamos toda sua borda. Estávamos sempre acompanhados pela Matinha Nebular: cientificamente chamada de mata ombrófila densa, esta formidável vegetação arbustiva, muito particular deste lugar, e que leva este nome pelas altas incidências de neblina na região.

Aparados da Serra
Aparados da Serra

Continuamos até chegarmos no Arroio Rocinha, parada certa para banho, com água corrente e pequenas cachoeiras.

Seguindo em nossa caminhada pelos campos, chegamos em uma antiga fazenda da região, onde montamos nosso acampamento, com uma estrutura de primeira, onde cozinhamos o jantar: uma super refeição Tropeira para repor as energias! E descansar, depois de 20 Km percorrido.

Agora paro e penso neste final de 1ª dia de expedição, como está sendo bom, muita aventura, muitas risadas, trocas de experiência, vistas de tirar o fôlego, quase não consigo dormir, mas segue o baile…

Aparados da Serra

No segundo dia, logo cedo, tomamos um café da manhã com direito a paçoca de pinhão vegana, e um bom mate cevado.

Nosso próximo destino, Cânion do Amola Faca/Encerra. No caminho o relevo é acentuado com montanhas e vales, intercalando coxilhas (morros) suaves e profundas, que recortam a borda desse imenso planalto. Avistamos ao longe, e fomos deixando para traz, o local chamado Pontão do Tabuleiro, e seguimos costeando os dois vértices do Cânion Amola Faca, onde avistamos o Morro da Encerra, invernada importante nos tempos antigos das Tropeadas.

Almoçamos no caminho, em uma sombra com água fresca, sempre pontos fortes desta expedição, até chegarmos na ponta Norte do Cânion do Amola faca/Encerra, onde as ondulações suaves dão lugar a paredões verticais de rochas basálticas, com uma altitude média de 1.300 mts. Com uma ótima visibilidade, observa-se diversas cidades próximas da costa dos cânions, o Oceano Atlântico e toda a faixa do litoral com suas cidades costeiras, com suas lagoas incríveis, como a de Sombrio e de Itapeva, entre outras. Seguimos caminhando, até avistarmos ao leste, o Cânion do Realengo, e acessarmos as costas Sul do Cânion da Boa Vista.

No final deste dia uma surpresa especial: após ter percorridos mais 10 Km de nossa Expedição Aparados da Serra, chegamos para pernoitar na Pousada Ecológica dos Cânions, onde fomos muito bem acolhidos. Um banho revigorante e um jantar feito pela proprietária e Cheff de cozinha Mônica Sávio e pela Dona Maria e dormir aconchegante em camas e lenções limpos.

Em nosso terceiro dia, após um café da manhã típico da fazenda, seguimos a caminhada contornando a borda do Cânion da Boa Vista, que foi de impressionar! Caminhando pelo alto dos morros podemos ver as turfeiras gigantes, outra espécie de flora característica da região e muito encontrada nos locais de preservação; a turfeira, encharco ou banhado, como chamamos, é o local onde se dão os processos de carbonização lenta, pelos depósitos naturais de restos de musgos e plantas e até de animais. Aqui nos Aparados a turfa é formada essencialmente por musgos que chamamos de Sphagnos, típicos de clima frio e de elevada precipitação pluviométrica. Entre tantas plantas que são encontradas nas turfeiras da região, está o Gravatá, o Junco e a Samambaia do Banhado. Em nossa expedição passamos por uma turfeira com muitas flores que até ficou difícil descrever… tinha diversas flores rosas, que até parecia um mar de flores, muito bem registrado nas fotos desta jornada.

Novamente achamos um local abrigado do Sol e com água para o nosso almoço. Almoçados e descansados, demos início a caminhada, com uma vista privilegiada para o Morro da Catedral, mais uma intrigante formação rochosa. Passamos pelos Cânions da Coxilha, até avistarmos as costas sul do Pico do Monte Negro, onde fomos recebidos com surpresa pelo Sr. Mario Velho que veio a cavalo nos indicar o caminho que faltava para chegarmos em sua morada, a “Pousada Aparados da Serra”. Em um super ambiente, fomos acolhidos pela sua família, que são moradores da região do Cânion do Monte Negro a gerações, seguimos para mais uma noite com muito conforto, após 14 km percorrido durante este dia tão especial.

Fomos para um Jantar Serrano, com Churrasco, típico dos gaúchos, com um buffet de guarnições que deixou os vegetarianos e veganos muito satisfeitos e agradecidos, pois a fazenda conta com uma horta orgânica de “tirar o chapéu”.

De manhã com direito a vivenciar a lida campeira da fazenda e o famoso café Camargo, onde o peão de estância tira o leite da vaca direto em nossa caneca com café forte, servido na hora, também nos esperava um lindo banquete de café da manhã na pousada servido pela Bete, esposa do Sr. Mário. Após tudo pronto e de barriguinha cheia para mais um dia de trekking, partimos novamente com o acompanhamento do Sr. Mário, “cortando” matas de araucárias ou Floresta de Araucária, Floresta Ombrófila Mista, como os pesquisadores falam. Normalmente este “Bioma” se encontra em altitudes elevadas ou acima de 800 metros e contém incríveis espécies de fauna e flora, como as ervas típicas destes campos: as Coníferas e diversos angiospermas, sendo um ecossistema com chuvas esparsas durante o ano todo.

A Araucária é encontrada em maior quantidade aqui no Brasil, nos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e de forma esparsa nos estados de São Paulo e Minas Gerais, e Rio de janeiro, que faz parte do bioma mata Atlântica.

A mata Ombrófila Mista imprime um aspecto próprio e único das Florestas de Araucária e é caracterizada pela forte presença do Pinheiro do Paraná, ou a antiga Araucária Angustifólia, que agora chamamos de “Araucária Brasilienses”, único pinheiro genuinamente brasileiro; e, para vocês entenderem melhor sobre esta árvore sagrada, muito cultuada pelos índios que aqui habitavam, registra-se que antes do descobrimento do Brasil, esta vegetação de mata se estendia numa faixa contínua no Planalto Meridional, desde o sul do Estado de São Paulo até o norte do Rio Grande do Sul, chegando até a Província das Missiones na Argentina a oeste. E que hoje, infelizmente só resta 3% de sua mata original.

Seguimos a caminhada pelo Planalto, agora sempre coberto por campos limpos, e por toda a parte numerosas nascentes de rios cristalinos, até chegarmos no Cânion e Pico do Monte Negro, a 1.403 metros do nível do mar, é o ponto mais alto do Rio Grande do Sul, e considerado um dos lugares mais frios do país. É tanta beleza e tanta vida, que ficamos impressionados com este lugar espetacular. Paramos observando os cânions e os seus paredões gigantes, onde observa-se riscos horizontais nas rochas, que sinaliza geologicamente que a lava foi subindo e resfriando, por diversas vezes, e que vieram originar o Planalto Sul brasileiro, formado a partir de sucessivos derrames basálticos na região, com intensas atividades vulcânicas ocorridas há milhões de anos.

A vegetação rupestre que vemos no interior dos Cânions também se destaca e se adensa da borda superior, nas suas encostas, até o fundo do cânion, onde sutilmente se dá lugar a Mata Atlântica.

Seguindo nosso roteiro, fomos de repente surpreendidos por uma forte neblina, ela veio rápida e muito densa dificultando nossa navegação, sorte nossa estar com o Sr. Mario, conhecedor e tropeiro desta região. Ai foi fácil seguir nosso caminho nesta viração. Contornamos o Cânion do Monte Negro até chegarmos no Cânion da Cruzinha, onde fizemos uma parada para almoço em meio ao “nevoeiro”.

Continuamos percorrendo por campos e vales até chegarmos na fazenda do Sr.  Juscelino, que nos recebeu de uma forma incrível e hospitaleira, oferendo sua casa com toda estrutura para pernoitarmos, mas já tínhamos planejado a nossa última noite em acampamento em meio a mata nativa.

 Aparados da Serra

Nos despedimos do seu Mário, após caminharmos mais 14 km durante o dia. Montamos acampamento e fizemos o jantar, um prato de Yakisoba Serrano, ou Sōsu Yakissoba, que é um prato de origem japonesa, muito conhecido internacionalmente, composto por legumes e verduras, mas este nosso, com um toque especial: a lá campos de altitude! com sobremesa mas que diferente, um Crepe-Susete flambado a conhaque e recheado com uma geleia de laranja deliciosa, direto dos Sabores da Querência, da fazenda Macânuda daqui de Cambará do Sul, ufa, quanta aventura, e agora, boa noite!

Logo pela manhã desmontamos acampamento e seguimos para a divisa de estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, local marcado por uma Taipa ou muro de Pedra, ao qual ficamos imaginando o quanto antiga devia ser este “passo”. Ponto de encontro de tropeiros e índios, índios estes que foram os primeiros habitantes e verdadeiros nativos da serra, com uma diversidade muito grande de raças e etnias, como: as tribos Caáguas, Kaigangues, Xokleng, entre outras da etnia “G”, que viviam livres e em harmonia com a natureza, sendo muitos deles, coletores de frutos e sementes, mas que com certeza ajudaram a construir nossa atual estrutura, antes e depois do descobrimento do Brasil.

Tanto que alguns dos costumes mais tradicionais dos gaúchos como o churrasco e de tomar o chimarrão, são heranças destes indígenas que aqui moravam.

Após ser registrado este ponto importante, seguimos para conhecer e comtemplar os Cânions da minha esposa e da minha filha, Carol e Marcela ou os Cânions das Tigras, que eu há mais de 15 anos tinha curiosidade de conhecer e sentir a energia deste local inóspito e intocado dos Aparados da Serra.

Legal, concluímos nosso objetivo! E de repente, entre nós muito Silencio.

E o que percebo agora, entre os Expedicionários e eu, e que após 5 dias percorridos de sucesso é de missão cumprida. Com um sentimento de respeito a toda esta grandeza, e por esta terra tão antiga.

Neste momento onde ficamos sentados em nossas mochilas, só observando toda esta maravilha, me conecto com a mãe terra, com a mãe natureza. Gratidão ao sagrado e a todos por esta oportunidade.

Dentre tantos sentimentos que neste momento nos cercava, um lembrança veio em minha mente: sobre as numerosas espécies da flora e da fauna que são únicas de nossa região e que tenho a oportunidade de falar para vocês, de vive-las e senti-las estando neste lugar.

Assim fico imaginando todos animais que habitavam e habitam a região, as aves, os mamíferos, répteis, anfíbios, as borboletas, (…) que nem consigo descrever tamanha grandeza.

Fauna nos Aparados da Serra

Neste percurso nós conseguimos ver diversos animais e identificar muitas pegadas ao longo da expedição, mas na verdade são quase nada, comparado as inúmeras espécies que aqui vivem. Sabíamos que os animais estavam lá, apesar de não vê-los, muitos deles com hábitos noturnos, e muitos que também só nos observavam ao longe. Os Campos de Altitude, ou os Campos de Cima da Serra é um dos ecossistemas mais ricos em relação à biodiversidade de espécies animais, contando com muitos indivíduos endêmicos ou raros, e vários ameaçados de extinção e diversas espécies migratórias, portanto, acreditamos e confiamos nessa força de integração entre o homem e nessa abundante vida que pulsava e nos cercava.

Já falando da bicharada, falo que aqui é morada certa de diversas aves, como a nossa tradicional Curicaca, algumas rasteiras ou de chão, o Inhanbuguaçu, o Perdiz ou Perdigão, a Seriema, o Jacuaçu, Jacu, a Jacutinga o Macuco e o Quero-quero.

Das aves imponentes no céu, temos o Urubu Rei, o Urubu de Cabeça Vermelha, e o Urubu da Cabeça Preta, o Tradicional  Carcara, o Gavião Pato, o Gavião Pega Macaco, o Gavião Tesoura, a Águia Cinzenta, a Águia Chilena, o Falcão Peregrino e o Gavião Carrapareiro, muitas destas espécies ameaçadas de extinção. Também temos aqui o Tiê Sangue, a Araponga, o Sanhaço, numerosos Beija Flores, os Tucanos do Bico Preto e do Bico Verde, Saíras, Gaturanos, além dos muitos Papagaios: Papagaio da Serra e Papagaio de Peito Roxo, Papagaio Charão, e vivem aqui a Tiriba de Testa Vermelha cuja sobrevivência dessas espécies está diretamente atrelada à sobrevivência da Floresta de Araucária; e a mais imponente e conhecida ave, sendo a símbolo da região, a Gralha Azul.

Entre os mamíferos podemos falar de várias espécies: o Tamanduá Mirim, o Mão Pelada, os diversos tipos de Tatus, como o de Rabo Mole, inclusive espécies que estão ameaçadas de extinção, como os primatas: o Bugio, o Mono Carvoeiro ou Muriqui do Sul, o Macaco Prego, o Guariba, o Mico Leão Dourado, vários Saguis entre outros bichos incríveis de árvores como a Preguiça de Coleira, o Esquilo Caxinguelê.

Temos aqui na região os felinos, tendo eles como o maior predador do planalto das Araucárias: o Puma Concolor, ou Onça Parda ou como chamamos também de Leão Baio. Diversos outros felinos como o Gato do Mato, a Jaguatirica, o Jaguarundi, o Maracaja, Gato Mourisco e até a presença da Onça Pintada.

Dos canídeos, temos o mais famoso: o Lobo-guará, que ainda avistamos mas que não temos noção de quantos indivíduos ainda restam nos campos de Cima da Serra; também o tradicional Guaxinim, muito conhecido por todos que por aqui passam; o Cachorro do Mato de Orelha Curta, a Raposa do Campo, o Cachorro Vinagre e o Cachorro do Mato.

Também temos os cervos, o Veado-campeiro, o Veado Bororo do Sul e o Veado catingueiro, também facilmente avistados na região.

Entre os principais répteis desse ecossistema estão Sapinho da Barriga Vermelha endêmico daqui de nossa região, o Sapo Cururu e o Teiú, nosso Lagarto com mais de 1,5m de comprimento, as inúmeras Jararacas, as Corais verdadeiras e falsas, e a cascavel de altitude, entre tantos outros.

Bom, para finalizar, me resta falar que para a realização da expedição Aparados da Serra, contamos com o incrível apoio da Prefeitura de São Jose dos Ausentes, na pessoa do Prefeito Paulo Guimarães, e da Secretária de Turismo, que não mediu esforços para realizarmos este projeto de Ecoturismo e Turismo de Aventura,  Aline Maria Trindade Ramos, Prefeitura de Cambará do Sul, com nosso prefeito Schamberlaen José Silvestre e nossa Secretária de Turismo Beatriz Trindade, e todas as pessoas incríveis que acreditaram neste trabalho, que nos motivaram e nos apoiaram.

Mas o desejo de voltarmos aqui e de explorarmos novos lugares, é o que fica em nosso interior.

Daqui de onde estamos, na borda dos cânions, já avistávamos nosso próximo desafio, a descida da Serra da Veneza, importante descida de serra na época para o Império e para os tropeiros de todos o sul do País. Quem se aventura em deixar suas pegadas ecológicas nesta jornada do bem e da natureza viva? Contem conosco!

Abraços a todos, e até mais.

Josemar Contesini

Aparados da Serra Adventure

Cambará do Sul – RS

Cerro de la Silla

Situado no norte do México, mais precisamente dentro da região metropolitana de Monterrey, terceira maior área urbana deste país da América do Norte. O Cerro de la Silla ou “Montanha da Cela” como poderia ser chamado em português ganhou este nome em questão ao seu formato, por parecer muito com uma cela utilizada nos cavalos.

O Cerro de la Silla é uma área que desde 26 de Abril de 1991 foi decretada área de proteção ambiental através do reconhecimento de monumento natural mediante um decreto presidencial. Contando assim com um  total de 6.309 hectares protegidas.

O Cerro de la Silla possui três principais picos, sendo cada um de diferente nível de dificuldade para chegar. Seus nomes são; Pico da Antena com 1.751 metros, Pico Norte com a mair altitude entre os três com 1.820 metros e o Pico Sul com 1.650m. Todos podem ser feitos em um dia de Hiking (Caminhada) Você levará em média de 7 a 9 horas para fazer todo o percurso de ida e volta. Por isso separe um dia para realizar a subida.

Pico da Antena

A partir da Rua Bosques da Pastora no município de Guadalupe na parte final da rua você chegará ao início do caminho que te levará ao pico da Antena e que também é parte do caminho que te levará ao pico Norte.

O caminho está muito bem marcado por que passa onde existe uma estrada que foi construída para a manutenção das antenas que estão no topo. Por esta questão é um caminho que você encontrará mais caminhantes e corredores de montanha pela facilidade de como o caminho está marcado.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Subindo o caminho, até um ponto já alto da montanha você encontrará com uma grande estrutura de concreto que hoje são as ruínas de um antigo teleférico, que no dia da sua inauguração teve um acidente com o rompimento de um cabo e desde então nunca mais foi reaberto. Chegando a este ponto, muitos já descem novamente. O teleférico é uma excelente opção para quando não se tem muito tempo ou o preparo físico que demanda os demais picos, assim que este trajeto pode ser feito em duas horas de caminhada.

Vista da região metropolitana de Monterrey desde o antigo teleférico abandonado.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Após horas de subida você passará por vários pontos de observação para a região metropolitana de Monterrey, cada uma um espetáculo a parte. E já ao finalizar a subida você se deparará com uma cerca onde se encontram as antenas, neste lugar não é permitida a entrada, assim que deve-se seguir pela cerca até chegar a um ponto na lateral com muitas pedras onde será seu ponto final e te proporcionará uma visão incrível de todo o outro lado com a cadeia de montanhas que fazem parte da reserva do Cerro de la Silla.

Foto de um dia com nuvens na cidade de Monterrey, vista pelo caminho ao pico das antenas.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Chegada ao cume do pico das antena, de aqui se pode deslumbrar todo o vale da Reserva Natural Escondito entre as montanhas.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Pico Norte visto desde o pico das antenas.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

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Pico Norte

Pico de maior dificuldade, tomando o mesmo caminho para o pico da antena uma trilha a direita após passar o antigo teleférico, a trilha se torna um pequeno caminho que contorna grandes pedras, onde se pode mencionar o “Paso de los Elefates” local de gigantes pedras calcarias de onde pode ter uma excelente visão da região metropolitana de Monterrey.

Ao entrar na trilha para o pico norte se notará que se trata de um caminho muito mais fechado de vegetação e de subidas e baixadas em questão ao caminho muito pedregoso. Se encontrará marcações em pedras e algumas fitas coloridas em árvores, no entanto deve-se estar sempre atento pois existe uma possibilidade de perder-se, ainda mais caso seja a sua primeira vez. É muito recomendado ir com alguém que conheça o caminho previamente ou usar um GPS para ajudar a guiar-te.

Seguindo o caminho haverá um ponto em que será necessário perder elevação, este é o ponto em que se desce o vale entre o pico das antenas e o pico norte. Este vale apresenta uma vegetação muito diferente por ser um lugar de pouco sol e que preserva uma boa umidade em um clima que normalmente é semidesértico no norte do México

Caminho de subida após o vale entre o Pico da Antena e Pico Norte

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Desde esse ponto será apenas subida já pela montanha do pico norte. Esse trecho consiste em um caminho que normalmente é feito em 1 hora e meia em média desde o bosque úmido do vale e a medida que se ganha altitude a vegetação se torna menor, até o ponto próximo ao pico que conta apenas com vegetação rasteira.

Próximo a alcançar o cume do Pico Norte, ao fundo tico da Antena.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Pico da Antena visto do Pico Norte.

O pico norte proporciona uma visão incrível em 360 graus de toda a região metropolitana, tudo isso ao lado de um grande abismo de rochas calcárias de tirar o fôlego. Tudo isso ainda com a possibilidade de ver toda outra cadeia de montanhas que no México é chamada de Sierra Madre, ela compeende grande parte do território mexicano, no entanto esta cadeia montanhosa  se estende desde a América Central até o Canadá cruzando por todo o país.

Chegada ao cume do Pico Norte

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Vista da região metropolitana de Monterrey desde o cume

Cerro de la Silla - México
Cerro de la Silla – Foto: Lucas Schmitz

Cerro de la Silla - México
Cerro de la Silla – Foto: Lucas Schmitz

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Pedalar é contar histórias

Durante a minha “vida de ciclista” conheci pessoas que me ensinaram algo e têm o mesmo espírito que eu, adoram pedalar e conheci outras que me alegro de ter esquecido.

Fiz dezenas de amigos de diversas cidades do Rio Grande do Sul, dentre esses está o casal Patrícia Campregher (Paty), Marcos Alexandre Bassegio (Kiko) e a Ana Clara (Kaká) de Guaporé.

Pedalar é contar histórias

Eles são proprietários da Loja Caveira Bike, a história deles e da loja é fantástica! Confira…

A loja existe a mais de 10 anos, iniciou como locadora de vídeos e em 2015 se tornou Caveira Bike, loja e oficina especializada para atender os ciclistas da região de Guaporé.

Kiko sempre pedalou, desde criança já partia para os interiores e cidades vizinhas com os amigos. Porém, depois de adulto entrou no motociclismo por um tempo e à cerca de 10 anos voltou a se dedicar as bicicletas. Já a Paty, me confessou que só aprendeu a pedalar depois dos 30 anos, “Cansei de esperar a volta do Kiko e resolvi aprender para poder ir também!” – revela ela aos risos.

Pedalar é contar histórias

Mesmo aprendendo a  pedalar depois de adulta, Paty aprendeu rápido todas as técnicas que o Mountain Bike exige e em 2016 foi Campeã Gaúcha de MTB e XCO. Além dela outros 12 atletas da equipe Caveira Bike passaram o ano todo competindo em 14 etapas, que ocorreram em diversas cidades do Estado.

Pedalar é contar histórias

Com um extenso currículo de provas, Kiko participou de muitas competições dentro e fora do Estado, tanto na modalidade MTB como na modalidade ESTRADA. Dentre todas ele destaca a Threerace como uma das mais especiais até então.

Pedalar é contar histórias

Já a Kaká, anda de bicicleta desde os 9 meses de idade! Ficava na cadeirinha e adorava, foi acostumando naturalmente e agora que já consegue pedalar sozinha começou a pedir para ir junto! “Ela ama, conversa e canta o tempo todo…é uma alegria” – comenta o casal.

Pedalar é contar histórias

Pedalar é contar histórias

Além da escola e dos pedais a pequena ciclista faz inglês, catequese e alguns trabalhos de modelo.

A maioria das crianças de hoje em dia, não aproveitam o espaço, não brincam como antigamente. Querem saber somente de celulares, computadores…Kaká é uma exceção! A pequena já sabe que pedalar é sinônimo de saúde, superação e muitas amizades.

“Nós incentivamos ela à pedalar e sempre que possível levamos ela junto. Nunca forçamos nada! Ela pedala quando quer…” comenta o casal orgulhoso da (quem sabe) futura Campeã Gaúcha de MTB e XCO como a mãe.

Pedalar é contar histórias

Serra da Veneza x Rio do Rastro

A travessia nada mais é que um percurso que realizamos em parceria com a empresa Sol de Indiada entre às Serras da Veneza e Rio do Rastro/SC.

A travessia foi realizada em 3 dias e duas noites, caminhamos cerca de 45 quilômetros entre campos e bordas dos cânions de Bom jardim da Serra no estado de Santa Catarina – Brasil.

As travessias realizadas pela empresa Sol de Indiada são indicadas para pessoas que estão iniciando no trekking, além das diversos tipos de pacotes oferecidos, o que mais chama a atenção é para o pacote completo, este inclui: translado de ida e volta, acompanhamento de guias experientes em todas as trilhas, apoios com veículos 4×4, alimentação inclusa e ainda a opção de você carregar a mochila cargueira ou de ataque.

Um detalhe interessante sobre a Sol de Indiada é que se você não tem barraca, saco de dormir ou mochilas, você pode contatar a empresa e alugar para a aventura.

Caminhar em lugares assim com uma empresa tão dedicada a seus clientes faz valer a pena a contratação de serviços assim, não é a toa que estávamos em cerca de 70 pessoas incluindo, motoristas especialistas em veículos 4×4, cozinheiros, guias e fotógrafos. Nessa viagem tinha pessoas de inúmeras cidades, sendo dos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e claro aqui do Rio Grande do Sul.

A travessia começou no dia 7 de setembro, em pleno feriado da Independência, nesse primeiro dia caminhamos um pouco por trilhas e algumas estradas em meio aos campos de cima da serra, cruzávamos pequenos córregos e alguns campos de turfeiras até chegar nas bordas dos cânions.

O dia estava completamente ensolarado, temperatura próxima a 25 graus, céu azul e sem nenhuma nuvem, dia perfeito para contemplação de lindas paisagens.

A caminhada era de nível fácil sem grandes dificuldades, na borda dos cânions podíamos avistar uma linda vista dos grandiosos paredões rochosos e cristas que compõem os Aparados da Serra.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Neste primeiro dia de travessia caminhamos cerca de 15 quilômetros, eu levei apenas a mochila de ataque Mountain Hardwear 30L com o lanche de trilha, água, roupas e câmera fotográfica.

Caminhar nas bordas das serras é uma aventura maravilhosa, a cada subida de morro a vista muda, o cenário é outro, são visuais de tirar o fôlego.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Como boa parte das pessoas eram iniciantes em travessias, demoramos o dia todo para percorrer os 15 quilômetros de caminhada, mas chegamos no acampamento base a tempo de curtir o pôr do sol, enquanto montávamos as barracas.

O acampamento base nada mais era que uma fazenda perto do Rio Púlpito, com galpão e banheiros, só não havia luz no local.

Depois de encontrar o melhor lugar para acampar, montei a barraca e comecei a preparar o meu jantar, este foi, massa espaguete com molho bolonhesa e salame. Para as demais pessoas os cozinheiros prepararam um jantar de risoto com pêra e queijo gorgonzola, com suco de caixa de sabor uva e laranja. Para os vegetarianos e veganos tinha a opção de arroz e feijão. Só preparei o meu jantar pois não sou muito fã de queijo e nem de pêra. kkk

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Depois de todos jantar era hora de fazer aquela fogueira especial, com direito a roda de violão. No grupo havia dois violeiros que cantaram por cerca de duas horas musicas animadas de diversos estilos musicais como: gauchescas, reguee, sertanejo e rock n´ roll.

Fomos dormir cerca de 22:00 horas da noite, o frio era intenso, não ventava no local, o céu não continha nenhuma nuvem. Olhando para o céu, estava completamente brilhante, estávamos de fato em um hotel 1 milhão de estrelas.

No segundo dia acordei bem cedo, cerca de 6:00 horas da manhã, o sol ainda não havia nascido, ao sair da barraca lembro de ver pequenos pedaços de gelo no chão e em toda a barraca. Não sei qual era a temperatura naquele horário, mas tinha sensação de estar uns -3 graus. Era impossível deixar os dedos para fora dos bolsos da jaqueta, chegavam a doer de tanto frio.

Peguei a maquina fotográfica e fui capturar umas fotos da barraca e da neblina que se mostrava subindo em meio aos campos, o céu alaranjado e meio magenta contrastava com as belas araucárias no local.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Às 7:00 horas da manhã o café estava servido, nele continha, tapioca feita na hora de inúmeros sabores, também havia pão, geleias de uva, figada e de abobora, café preto, café com leite e achocolatado, frutas, queijos, presuntos e sem falar que tinha um pote gigantesco de Nutella. Olhei para tudo aquilo e pensei, tá melhor que lá em casa..kkkk

Depois de comer um pouco de tudo e tomar umas 3 xícaras de café, fui até a barraca para organizar a mochila, preparar o lanche para trilha, desmontar a barraca e carregar tudo na mochila cargueira. A mochila que usei é uma Osprey Atmos 50 L estava pesando aproximadamente 12 kg, usei ela para testar o modelo e também para treinar o condicionamento físico.

Geralmente os iniciantes não estão muito acostumado a fazer travessias, demoram mais tempo para colocar tudo dentro da mochila, por esse motivo começamos a caminhar por volta de 9:00 horas da manhã.

A caminhada seguiu pelas bordas dos cânions, subíamos e descíamos morros, serpenteando as bordas, em determinados locais, parávamos para contemplar à vista, caminhar próximo as bordas é muito bom, pois em alguns momentos podemos sentir uma brisa gelada, fazia parecer que tinham ligado o ar condicionado, o sol continuava muito forte e o céu sem nuvens.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Ao meio dia paramos para almoçar em meio a um capão de pinos ilhotes, caminhar nessa região é engraçado, pois estamos sempre colocando o casaco e-o tirando, chega a fazer isso mais que 5 vezes ao dia. A temperatura também varia muito dependendo do horário do dia, as manhãs e as noites são congelantes, durante boa parte do dia é quente, mas em algumas vezes é possível que feche na neblina e tenhamos que por jaquetas e gorros.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Paulo Gerstner

Durante a tarde toda caminhamos perto das bordas dos cânions, por muitas vezes avistávamos cidades ao longe, como o dia estava perfeito era garantido a captura de fotos incríveis.

Conforme íamos caminhando começamos a adentrar dentro do Parque Eólico, a vista do lado direito que tínhamos eram das bordas e do lado esquerdo, campos verdejantes com os cata ventos no alto dos morros.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

No fim de tarde chegamos ao acampamento do Jorge, localizado bem perto do Cânion da Ronda em Bom Jardim da Serra/SC, o local conta com uma grande área para camping, um galpão enorme, banheiros divididos por sexo e energia elétrica.

Ali alguns aventureiros já escolhiam o melhor lugar para armar suas barracas, na cozinha os cozinheiros já faziam o jantar, neste dia o cardápio seria strogonoff de carne com arroz e batata palha. Na minha opinião essa é uma das melhores refeições para se fazer no acampamento.

O jantar foi servido cedo, todos nós estávamos com muita fome, após o jantar foi realizada uma surpresa para um dos guias e proprietário da empresa Sol de Indiada, era noite de confraternizar o aniversário do Evandro Clunc. Melhor que fazer aniversário é poder celebrar esse dia em meio a natureza em um local tão especial que é a travessia entre serras.

Depois de muitas felicitações, os violeiros roubaram a cena, e logo começou as musicas animadas, como estava um pouco preguiçoso fui me deitar e não fiquei até o final das cantorias.

Último dia de travessia

O sol ainda não tinha levantado, e eu já estava aposto com a maquina fotográfica capturando as belas imagens antes do sol nascer, nessa manhã o clima estava agradável, não estava muito frio em relação ao dia anterior.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Cada um arrumou suas coisas, acondicionando dentro de suas mochilas cargueiras e de ataque, eu pus tudo dentro da cargueira e separei apenas a maquina fotográfica, o lanche e a água para levar em minha mochila de ataque.

O café começou a ser servido e como sempre tinha inúmeras opções, era como estar em um hotel, estava tudo perfeito.

Após o café era hora de botar as mochilas nas costas e seguir de ônibus até próximo as bordas de onde iria começar a caminhada propriamente dita, nosso destino final seria a famosa Serra do Rio do Rastro/SC, lembro do guia informar que caminharíamos um pouco mais rápido do que nos outros dias, pois ele tinha reservado um almoço no restaurante Mensageiro da Montanha, tínhamos que chegar lá no máximo às 14:00 horas.

Neste último trecho de caminhada a visão que tínhamos era de tirar o fôlego, as montanhas pareciam estarem uma em cima das outras, caminhar por esse trecho é muito belo, a todo tempo essa vista muda e encanta a cada passo dado.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Capturamos muitas fotografias, de muitos ângulos diferentes até que chegamos no Cânion da Ronda, ali podemos avistar os morros que formam a Serra do Rio do Rastro, é uma outra visão de um dos atrativos mais visitados do estado de Santa Catarina.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Do Cânion da Ronda em diante seguimos de ônibus até o mirante e restaurante Mensageiro da Montanha.

Ao chegar no mirante da Serra do Rio do Rastro, vimos que havia inúmeros turistas, então antes de ir lá capturar umas fotos da serra, resolvemos almoçar.

O restaurante serve todo o tipo de comida, o atendimento é muito bom, vale a pena o investimento, além do restaurante, há também uma pequena lojinha com artesanato e lembranças deste lugar incrível.

Depois de nos servirmos inúmeras vezes, era hora de ir contemplar a Serra do Rio do Rastro, enquanto fazíamos a digestão no sol. Assim terminou mais uma travessia de trekking entre as serras.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Veja também:

Explore as estradas da Serra Catarinense

O melhor trekking do sul do Brasil

Travessia do Cânion Laranjeiras ao Cânion do Funil

Parque Estadual do Marumbi/PR

O Parque Estadual do Marumbi é um complexo de montanhas localizadas na Serra do Mar no estado do Paraná, região sul do Brasil.

A minha aventura começou no dia 31 de Agosto/2018, na cidade de Caxias do Sul/RS, fui convidado pela empresa de Turismo de Aventuras Sol de Indiada a fazer o que é hoje a trilha mais difícil do Brasil, realizada em um dia.

Saímos da cidade de Caxias do Sul por volta de 2:30 horas da manhã de sexta feira com 3 carros, a primeira parada foi para o café da manhã em Lages/SC, nada melhor que tomar aquele café da manhã especial vendo o sol nascer.

Embarcamos nos carros e seguimos viagem, rumo ao Paraná, descemos a Serra da Graciosa e paramos para almoçar no restaurante Casa da Graciosa na cidade de Quatro Barras/PR. Recomendo muito esse local, simples, aconchegante e muito bom.

Dali em diante seguimos para a Estação Ferroviária Engenheiro Lange, a estrada que leva para a estação é um tanto íngreme, não recomendada para veículos sem tração 4×4, essa estrada também faz parte do final do Caminho de Itupava.

Na estação Lange era hora de tirar as mochilas dos veículos 4×4 e colocar nas costas, seguir por uma trilha demarcada em meio a mata até a Estação Marumbi, a trilha tem aproximadamente 1000 metros de distância, um caminho fácil, mas muito bonito.

Já na estação do Marumbi, deixamos as mochilas cargueiras na administração da estação e seguimos com as mochilas de ataque para explorar o primeiro caminho, a trilha do Rochedinho. Essa trilha é nível fácil, sem grandes obstáculos, mas é necessário atenção de quem a percorre, pois em alguns pontos você passa por algumas cristas de montanha um pouco íngremes e vertiginosas.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Do alto do Morro Rochedinho é possível avistar as estações de trem e boa parte do complexo do Marumbi, a paisagem compensa o esforço da caminhada.

Lembre-se sempre de avisar os funcionários da administração do parque o lugar que você vai e quantas pessoas vão com você, isso é primordial para manter a segurança de todos dentro do Parque Nacional do Marumbi.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Depois de tirar algumas fotos no alto do Morro do Rochedinho, descemos por uma outra trilha que dá acesso ao famoso Viaduto do Carvalho (Viaduto que liga os túneis 4 e 5 da ferrovia Paranaguá-Curitiba. Assentado sobre 5 pilares de alvenaria e em curva, sua posição faz parecer que o trem flutua no vazio. É um dos cartões postais mais famosos do estado).

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Dali em diante seguimos pela estrada de ferro até a estação Marumbi, montamos as barracas, jantamos e por volta das 9:00 já estávamos todos acomodados para dormir.

Trilha do Pico Marumbi, considerada a trilha mais difícil do Brasil realizada em um dia!

Acordamos por volta de 5:00 horas da manhã, tomamos aquele café especial sem pressa, arrumamos as mochilas de ataque. Dentro da minha, continha cerca de 5 litros de água, 2 batatas doces, 200 gramas de amendoim, barras de cereais, de vestuário continha uma blusa x-power Solo Polartec e um corta vento Fearless Conquista Montanhismo, também levei 2 maquinas fotográficas para registar a aventura e lanterna de cabeça.

Às 7:00 da manhã demos início a caminhada, lembro de o guia Evandro Clunc falar assim “caminhe como um velho, chegue como um novo” tínhamos que caminhar devagar, mas progressivamente.

A trilha que escolhemos fazer foi a Noroeste (vermelha) para subir e alcançar os seguintes pontos: Abrolhos (1200 metros), Ponta do Tigre (1400 metros), Gigante (1497 metros) e Olimpo (1539 metros de altitude). A descida seria realizada pela trilha Frontal (Branca), veja o mapa abaixo para entender as trilhas:

Parque Estadual do Marumbi/PR

A trilha possui inúmeros trechos de escalaminhada, vias ferrata, cordas e correntes de fixação, além de tudo isso a muita vegetação aos arredores das trilhas, em alguns pontos é necessário agarrar-se nas raízes e arvores para subir ou descer algum obstáculo.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Karine Grison

Chegamos no Abrolhos em cerca de 2:30 horas de duração, uma subida um tanto inclinada, passando por cristas de morros e paredões gigantescos, a visão que se tem lá do alto (1200 metros de altitude) é incrivelmente linda, pode se falar que é recompensadora depois de tantos degraus e esforço físico para se chegar até lá.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Após alguns minutos retornamos a trilha vermelha com sentido a Ponta do Tigre, nessa parte da subida você passa pelo vale das lágrimas e chega na Catedral (tem este nome em função de um conjunto de pedras gigantescas encaixadas uma nas outras, formando uma especie de gruta enorme e imponente, neste local fizemos uma parada estratégica para repor energias.

Depois de muita subida, combatendo o medo de altura, enfrentando todo o terreno acidentado desse trajeto, chegamos a Ponta do Tigre, local onde escolhemos para almoçar.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Evandro Clunc

Sentado em um gigante bloco de pedra, avistamos o Abrolhos, podíamos ver pessoas no alto daquele morro como se fossem “cabeças de percevejo”, isto nos faz pensar, o quanto somos pequenos diante dessa grandiosidade da natureza chamado Marumbi. Devemos preservar ao máximo lugares como este, para que um dia nossos filhos possam se aventurar por lugares de tirar o fôlego como são estas montanhas paranaenses.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Cerca de 30 minutos depois seguíamos para o Gigante e Olimpo, notei que o caminho entre a Ponta do Tigre e o Olimpo era um pouco menos íngreme, mas o corpo já apresentava sintomas de cansaço. Ao chegar no cume de 1539 metros, fiquei aliviado, estava no alto do Marumbi, metade do percurso estava feito, ficamos ali por cerca de 20 minutos, a neblina era intensa, não avistamos nada além de nós mesmos.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Era hora de continuar, agora seria o trajeto todo de descida, aí você se pergunta! “Agora ficou fácil, na descida todo o santo ajuda”. Digo a vocês, descer trilhas é muito mais difícil que subir, pois na descida todo o seu peso + mochila com carga está apoiada em suas pernas, joelhos e pés, é preciso tomar muito cuidado ao transpassar obstáculos, sejam eles de via ferrata, degraus ou pedras lisas, pois é muito fácil ocorrer lesões, descemos tranquilamente pela trilha Frontal (Branca).

O caminho de volta é bem mais curto do que o da ida, mas é mais íngreme, é necessário muito cuidado nas vias ferrata, desci devagar, olhando em cada lugar onde afirmar os pés, mãos e combatendo constantemente o meu medo de altura.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Evandro Clunc

Essa aventura não deve ser realizada por pessoas sem preparo físico, não é indicada para pessoas com problemas de articulações ou sobrepeso. Para aqueles que querem se desafiar e combater seus medos essa é a trilha perfeita para você testar seus limites físicos e psicológicos.

Chegamos no acampamento por volta de 18:30 minutos, foram cerca de 6:30 minutos subindo e 5:00 descendo, isso em 11, 42 quilômetros, posso dizer com todas as convicções que essa trilha pode ser considerada a mais difícil do Brasil realizada em um dia.

Desbravando o Complexo Marumbi/PR


Caso você tenha interesse em fazer essa aventura com a gente, inscreva-se na edição 2019!

Relato do curso de sobrevivência avançado

O curso realizado nos dias 25 e 26 de maio em área natural selvagem, nas proximidades do município de Farroupilha/RS, contou com uma patrulha de seis guerreiros, dentre eles um instrutor altamente qualificado em situações de sobrevivência na selva.

Os bravos alunos foram devidamente instruídos a cumprirem com os seguintes objetivos: apurar seus sentidos; usar conhecimentos de sobrevivência e muita criatividade; empregar técnicas de esportes de aventura; desenvolver resistência mental; trabalhar muito em equipe; superar obstáculos e desníveis naturais; cumprir travessia de elevado nível técnico; encontrar água, filtrar e purificar; encontrar e preparar alimentos; produzir fogo; construir e dormir em abrigo natural; navegar e orientar-se no terreno em formação tática; aprimorar habilidades manuais; produzir lança; preparar armadilhas para captura de animais; utilizar o máximo de recursos encontrados na selva para a sobrevivência; desenvolver raciocínio prático para solução de problemas; fortalecer sintonia com o ambiente natural; aguçar sentidos para trabalho noturno na selva.

A cada aluno fora permitido levar consigo apenas alguns itens, tais como faca de sobrevivência, facão de mato ou machadinha, pederneira, caneca metálica, 10 metros de cabo resistente, luva de mato, roupas resistentes, pequena porção de comida e água. Para o cumprimento da missão, o instrutor garantiu monitoramento constante da saúde e segurança da patrulha, carregando consigo estojo completo de primeiros socorros, cobertor térmico e equipamento de radiocomunicação.

Sobrevivência em áreas remotas

As atividades realizadas durante o curso aconteceram em ritmo dinâmico, de modo igual para cada participante, respeitando, sem dúvida, as limitações de cada um. No entanto, todos foram encorajados e buscarem o seu máximo potencial, sem diferenças, colocando à prova suas habilidades e resistências físicas e mental.

Exercícios físicos fizeram parte de todo o treinamento, para manter o corpo aquecido e preparado, para manter a frequência de batimentos cardíacos, e a moral do grupo alta (logo se dará atenção importante a esse aspecto). O plano de atividades foi executado pelo instrutor em ritmo paramilitar, ou seja, através de um cumprimento disciplinar, de modo a fundamentar a organização e atuação do grupo.

De fato, a patrulha pôde ter êxito muito em decorrência desse ritmo estabelecido. Vale lembrar que, por exemplo, em alguns relatos de sobrevivência o guerreiro teve de manter uma certa rotina programática para garantir o seu desenvolvimento num ambiente extremo.

Sobrevivência em áreas remotas

Sobrevivência em áreas remotas

Sobrevivência em áreas remotas

Sobrevivência em áreas remotas

Outra lição importante diz respeito a manter a mente ocupada. Desligar-se da própria superação e deixar-se abater são ingredientes devastadores. O trabalho é duro, árduo, pesado, cansativo e praticamente permanente. Dificuldades extremas são encontradas e é preciso encará-las de frente. Dores físicas, emocionais podem estar presentes. Ora, uma metáfora infalível para o que é a vida.

A sede, a fome, o frio e a exaustão devem ser subjugados. A sobrevivência é uma aventura. Do latim, ad venture significa o que vem pela frente. Ou seja, para sobreviver é preciso estar preparado para o que vier. Manter a mente aberta e estar disposto a novos paradigmas, diferentes formas de pensar, agir e interagir consigo e com os outros também foram objetivos atingidos no curso.

Para esse tipo de atividade, cada guerreiro encontra-se com seus próprios instintos, medos, aflições, receios, vaidades, autoestima. Para isso, ao deparar-se com essas e tantas outras características naturais do ser, cada um é estimulado a descobrir também os seus instintos criativos e potenciais essenciais, que podem estar adormecidos.

Já foi descoberto que o corpo responde de maneira diferente quando exposto a ambientes extremos, pois a fisiologia precisa trabalhar criativamente. As situações adversas estimulam o guerreiro a pensar em alternativas, novas possibilidades, encontrar chances, oportunidades, inventar, reinventar, elaborar estratégias, saídas e planos de ação. Nesse ínterim, o aluno pode reconhecer onde se sente mais à vontade, quais atividades consegue exercer com destreza, seus conhecimentos já adquiridos e suas características e habilidades pouco desenvolvidas.

Pode-se dizer que os bravos alunos demonstraram, acima de tudo, iniciativa para encarar as atividades propostas. A grande diferença entre ganhar ou perder, preocupar-se com certo ou errado, está na capacidade de enfrentar os desafios. Pode parecer simples ou pequeno, mas para alguns essa atitude exige grande esforço. Portanto, devem ser valorizados os pequenos atos de iniciativa.

Aliado a um senso de cooperação mútua e incentivo constante por parte do instrutor, o grupo pôde se sentir confiante para continuar persistindo nos desafios da selva. Nunca se estará cem porcento preparado, mas a atitude diante do desconhecido e das incertezas faz a diferença na qualidade do desenvolvimento pessoal.

Aliás, nos primórdios da história da humanidade, as grandes descobertas foram alcançadas após incessante trabalho de tentativa e erro. A sobrevivência na selva dos tempos atuais não é muito diferente, salvo proporções tecnológicas. Quer dizer, não se encontrará mágica para as dificuldades. O labor é penoso, pepita por pepita. Já diziam os sábios alquimistas: a opus é contra a natureza. A grande obra, seja ela qual for, neste caso podemos falar na grande obra que é sobreviver, não se conquista através de facilidades ou caminhos conhecidos. Pelo contrário, encarar situações adversas, condições desconfortáveis, coloca a opus a serviço de uma natureza mais ampla. Aprender a lidar com as dificuldades aumenta as chances de o sobrevivente sentir-se bem novamente, pois a harmonia com o ambiente natural selvagem lhe concede autoconhecimento, vigor e garra.

No curso, a patrulha de guerreiros colocou-se em exercício de participação e colaboração mútua constantes. Para que o andamento do treinamento seguisse seu plano, todos tiveram tarefas a cumprir e deveres para a vida comum do grupo.

Sobrevivência em áreas remotas

Sobrevivência em áreas remotas

Sobrevivência em áreas remotas

Sobrevivência em áreas remotas

Sobrevivência em áreas remotas

Auxílio, respeito, trabalho em equipe, boa interação foram fundamentais para o pleno desenvolvimento do curso. Para que uma boa aventura aconteça é preciso, acima de tudo, “brincar”. Ou seja, aproveitar o que está sendo vivido, manter uma atmosfera bem-humorada e basear as relações em espírito de amizade. Assim, a moral não cessa. Não só o guerreiro sobrevive, mas o trabalho que através dele é destinado. O trabalho que sobrevive é a conquista que cada um retribui para o mundo.

Ter coragem e coração pelo que se faz, aliar-se em espírito de equipe, colaborar mutuamente, agir com comprometimento, respeito e responsabilidade, curtir a vida selvagem e preciosa, a maior dádiva divina, estas são lições que foram reacendidas, pois já estão há muito esquecidas pela sociedade. O contato com o mundo natural faz lembrar aquilo que é essencial, sem gastos ou exageros. A patrulha pôde ensaiar o que é a vida em comunidade e como podemos adquirir novas formas de construir a vida humana em comum, florescer relações saudáveis e reanimar pessoas confiantes da sua própria natureza.

Sobrevivência em áreas remotas

Sobrevivência em áreas remotas

Sobrevivência em áreas remotas

Sobrevivência em áreas remotas

Palavra do Instrutor:  “Parabéns aos guerreiros Adriano, Flademir, Celso e Gilvani, e à guerreira Agnes pela conclusão com excelente aproveitamento do primeiro Curso de Sobrevivência Avançado.”

Texto escrito pela aluna do curso Agnes Andreoli, psicóloga especializada em comportamento. 

Deserto de Namíbia

Durante nossa passagem pelo continente Africano, o segundo país que nos acolheu foi Namíbia. Para nossa surpresa, lindo, cheio de história e pessoas como tantos outros do continente, mas que por conta do destino nos recebeu como filhos.

A Namíbia, que até 1990 era parte da África do Sul é um dos países menos povoados do mundo e dono de uma variedade de paisagens de tirar o fôlego. Em uma de nossas visitas por lá, conhecemos o Deserto da Namíbia, o deserto mais antigo do mundo! Este deserto abriga diversas atrações e você pode ficar dias por lá e cada nova duna será surpreendente.

Nós queríamos muito conhecer este local por causa do Dead Valley, você já deve ter ouvido falar do vale com árvores mortas, é exatamente este. Nesta localidade, há milhares de anos atrás se situava o vale do rio Tsauchab que com o passar do tempo foi cortado por uma imensa duna, fato esse que veio a isolar algumas árvores de camélia que lá existiam, e por criar um micro clima extremamente seco no local, fez com que estas árvores fossem preservadas sem sofrer decomposição por mais de 900 anos, conferindo assim, uma paisagem muito diferente.

A segunda atração mais visitada deste deserto é a Duna Big Daddy, que muitos acreditam ser a maior duna de areia do mundo. Ela esta localizada exatamente ao lado do Dead Valley e você pode conhecer as duas atrações no mesmo dia. Olhando de baixo a Duna é linda e gigantesca, mas de cima é ainda mais linda, sem contar toda a vista do Vale que é possível contemplar do topo.

Para subir, reserve de 2 a 3 horas, pois dependendo da temperatura do dia é muito cansativo, e lembre se de fazer a caminhada bem cedo pela manhã. Quando nós visitamos o Deserto foi no mês de julho, as temperaturas estavam muito quentes durante o dia e a noite precisávamos de fogueira pra nos aquecermos. Nos organizamos para chegar ao parque antes dos portões abrirem para iniciar bem cedo nossa subida. Utilizamos a “trilha” por fora do Dead Valley, por ser mais curta, mas esta é mais íngreme. E a descida fizemos correndo pela borda da Duna que finalizava no Vale, assim caminhamos todo interior dele no período mais quente do dia, mas ainda assim é a melhor opção se você não quer perder nada.

Além dessas atrações, nós também visitamos a Duna 45, que não é tão alta quanto a Big Daddy, mas esta localizada entre outras dunas lindíssimas e no nascer do sol o contraste das sombras é um espetáculo.

Se você quiser desbravar esta e muitas outras atrações deste país lindíssimo, uma boa opção é realizar um turismo estilo Overland Safari. Neste tipo de turismo de aventura, você acampa todos os dias em um local diferente no mais autêntico estilo outdoor. Nós escolhemos a agência Acacia Africa para realizar nosso Overland Safari, e só temos elogios. Foram 35 dias montando e desmontando barracas estilo exército, e não vemos a hora de repetir tudo de novo!

Para mais histórias ou dicas de viagens e aventuras acesse faceboock/euvouepronto, Instagram @euvouepronto e Youtube/euvouepronto

Ficaremos muito contentes em te ajudar.

Lista de fotos:

Deserto de Namíbia
Por do sol no deserto da namíbia

Deserto de Namíbia
Duna 45 ao amanhecer

Deserto de Namíbia
Subida da duna Big Daddy

Deserto de Namíbia
Quase no topo da Big Daddy, abaixo o Dead Valley

Deserto de Namíbia
Vista do topo da Big Daddy contemplando o Dead Valley

Deserto de Namíbia
Uma das diversas árvores preservadas

Deserto de Namíbia
Sentados a sombra de mais de 900 anos

Deserto de Namíbia
Uma das paisagens icônicas do Dead Valley

Deserto de Namíbia
Na crista da Duna 45