Cachoeira do Rio Bello

Cachoeira do Rio Bello

Andando pelo interior da cidade de Caxias do Sul/RS, descobri duas lindas cachoeiras, uma conhecida como Cachoeira do Rio Bello e a outra como Cascata do Teichmann, as duas um tanto desconhecidas pela maioria das pessoas.

Pra quem acha que Caxias do Sul é somente uma cidade de pedra e concreto, está enganado, se olharmos para o tamanho da área territorial pertencente a essa cidade, veremos que existem muitos vales, alguns profundos e selvagem e ainda inexplorados pela maioria.

Andando pela estrada Municipal do Vinho, no sentido Vale Real à Caxias do Sul, notamos um grande vale a direita, seguimos este vale e encontramos uma grandiosa cachoeira, com aproximadamente 40 metros de altura.

Cachoeira do Rio Bello

Ao lado da estrada tem um mirante, onde é possível avistar a cachoeira ao longe. Mas como não conseguimos apenas olhar de longe, seguimos devagar, olhando na beira da estrada se havia alguma trilha que ao menos levasse na parte de cima da Cachoeira do Rio Bello.

Então estacionei o carro ao lado de uma capelinha, e ali continha uma pequena trilha, segui por ela e cheguei na crista da cachoeira.

O local é “Bello” como seu próprio nome refere, com todo o cuidado do mundo, comecei a caminhar sobre as pedras da parte de cima da Cachoeira do Bello, a vista do rio para o despencar das águas cristalinas da cachoeira em direção ao vale é muito legal, estar naquele local fez com que sentisse uma ótima conexão com a natureza, uma sensação de paz imensa.

Cachoeira do Rio Bello
Cachoeira do Rio Bello

Fiquei ali por alguns instantes, olhando o despencar das águas e tentando registrar algumas imagens legais. Nisso chegou um morador local, perguntei a ele se havia alguma trilha que desse para acessar a parte de baixo da queda!

O morador, bem atencioso disse que a única trilha que ele conhece é vindo do Camping do Rio Bello por dentro do próprio rio, uma trilha de aproximadamente 6 horas entre ida e volta. Agradeci as informações, olhei para o relógio e já era metade da tarde, não daria para fazer a trilha nesse dia. Teria então que voltar um outro dia pela manhã com mais tempo para então explora-la!

Olhei o mapa e encontrei outra cachoeira não muito longe dali, peguei o carro e segui a estrada em direção a Caxias do Sul, logo depois de uma ponte de concreto, dobrei a direita e segui por ela, andei por algum tempo e me deparei com uma outra cachoeira belíssima.

Eram inúmeras quedas de água que faziam uma enorme cachoeira, difícil de acreditar que uma beleza daquela estava assim, tão perto da estrada. Foi só descer do carro e admirar a paisagem.

Cachoeira do Rio Bello
Cachoeira do Rio Bello

Enquanto estava ali fazendo algumas fotos, refleti um pouco sobre as viagens que já fiz ao longo de anos “turistando” por aí, e cheguei a conclusão que precisamos conhecer e explorar mais a serra gaúcha, temos uma rica diversidade de locais, que é possível fazer dezenas de atividades de Ecoturismo e turismo de aventura bem ao lado de nossas casas e por alguma razão não damos a devida atenção para isso.

Viajamos o mundo, carimbamos nossos passaportes, fizemos travessias gigantescas de trekking por serras, cânions e inúmeros lugares, sempre tentando achar locais onde tenhamos a melhor conexão com a natureza.

Aqui na serra gaúcha temos muitos locais selvagens ainda, que com certeza geram uma conexão muito boa com a natureza em sí. Precisamos ficar mais atentos a toda essa exuberância natural que temos em nossos municípios.

Se tiver que dar um conselho a todos que leem meus textos e postagens, digo-lhes que saiam para explorar locais diferentes, não se contentem apenas com o turismo que está pronto, lembre-se de sempre compartilhar conosco, com seus amigos os novos destinos que conhecer.

Cachoeira

Fico por aqui e até o próximo post, curtam, comentem e compartilhem esses destinos com seus amigos!

Expedición Guaraní

Expedición Guaraní 2019

A Expedición Guaraní é uma corrida criada por e para corredores de aventura. Portanto, o objetivo principal da organização do evento foi realizar uma prova técnica e exigente para as equipes líderes, mas também dinâmica e acessível para os mais lentos.

As rotas foram cheias de contrastes, pois percorreram terrenos muito variados, como montanhas, matas, rios sinuosos…na região de Itapúa no Paraguai.

“A Expedición Guaraní nasceu em 2014, da ideia de Gustavo Borgognon de fazer uma prova de nível mundial em seu país. Me “associei” a ele e em 2015 foi realizada a primeira edição.” comenta Urtzi Iglesias Mota, diretor técnico da prova.

A prova é uma corrida de aventura em que diferentes modalidades esportivas são combinadas. Mountain biketrekking, natação, caiaque e orientação foram as principais na EG 2019.

Os participantes percorreram cerca de 500 quilômetros em alguns dos locais mais bonitos do Paraguai durante os dias 30 de março e 06 de abril. Navegaram por rios sinuosos; embora o país não tenha montanhas altas, eles chegaram a alguns dos picos mais altos do Paraguai. Pedalaram e correram centenas de quilômetros por trilhas e estradas de areia e lama; e escalaram locais de uma beleza surreal.

Ano passado contei aqui um pouco do que a equipe Columbia Montrail, composta pelo casal brasileiro Camila Nicolau e Guilherme Pahl, pelo inglês Nick Gracie e pelo espanhol Jon Ander Arambalza; enfrentou durante 81 horas para se sagrar a grande campeã naquele ano.

Neste ano conto a história dos grandes amigos Silvana Menegon, Charles Pierre Silva, Douglas Kroetz e Jonas Junckes, que compuseram a equipe Lagartixa Adventure.

Créditos: Ralphie Zotti

Os quatro atletas já haviam participado da Expedición Guaraní, Jonas participou de todas as edições anteriores. Silvana, Charles e Douglas fizeram a sua segunda participação e embora todos sejam da mesma equipe, está foi a primeira competição que correram nesta formação.

O caminho até a Expedición Guaraní…

Após um ano repleto de muitas provas, a equipe Lagartixa Adventure se sagrou campeã no Circuito Brasileiro Spot de Corrida de Aventura 2018 e garantiu vaga para a etapa do mundial no Paraguai, a Expedición Guaraní.

Silvana relata que a prova começa bem antes da corrida em si. “Poucos dias de descanso após a última etapa do Circuito Brasileiro iniciamos os treinos focando o Guaraní. A formação da equipe seria: Jonas, Japa, Alexandre e eu.

Porém, na primeira etapa do Circuito Brasileiro (Kraft Race) o Japa rompeu os ligamentos do tornozelo e o Douglas foi escalado para substituí-lo. Na segunda etapa (Gralha Azul) o Alexandre contraiu leptospirose e o Charles foi escalado para substituí-lo duas semanas antes da prova.”

As duas semanas que antecederam a prova foram de muitos preparativos, estudo de logística e testes. Como a prova teria cerca de 5 quilômetros de natação, o plano da equipe era levar o Packraft jogar tudo dentro, saltar os quatro atletas para dentro e remar com palmares.

“Estávamos muito animados, porém no último informativo descobrimos que nosso plano foi em vão, pois o Packraft foi proibido. Outras logísticas, outros planos…e vamos lá!” relembra Silvana.

Viagem até o Paraguai…

Quarta-feira (27/03/19), Silvana, Jonas e Charles se direcionaram até a casa do Douglas para na madrugada de quinta partirem em direção a Assuncão no Paraguai.

Já nos primeiros quilômetros um pneu cortado. Logo adiante, já na Argentina a equipe seguiu por um caminho errado e perderam algum tempo retornando para o trajeto certo. Mas…após alguns percalços e 18 horas de viagem, às 23h50min finalmente chegaram ao Resort Yacht.

A prova…

A prova teria cerca de 500 quilômetros. Com dois pontos bastante desgastantes segundo a equipe, um trekking de 94 quilômetros e uma canoagem de 120 quilômetros.

Expedición Guaraní
Expedición Guaraní 2019 – Dia 1

Foram incansáveis 110 horas de prova, passando por trilhas, planícies, cerros, cruzando lago a nado, remando…Tivemos uma navegação precisa, conseguimos andar junto por três dias com uma das melhores equipes do mundo (Columbia Vidaraid), lembrando que essa prova era uma etapa do mundial. Jamais, desde a largada abandonamos o posto de segundo colocado e a cada transição a vibração do povo e dos Staffs nos contagiava. […] publicou em suas redes sociais o atleta Charles, da equipe Lagartixa Adventure.

[…]Enfretamos um trekking durríssimo de 94 quilômetros em 52 horas, quase que a metade da prova só nele. Nos machucamos, um espinho atravessou meu dedo de um lado a outro, Silvana teve 6 picadas de vespa na face, Douglas teve uma forte queda (fugindo das vespas); fora outros ferimentos conquistados a cada quilômetro. continua Charles.

A conoagem…

Por volta das 00h30min da sexta-feira a equipe Lagartixa Adventure iniciou o trecho de 120 quilômetros de canoagem. Segundo eles foram intermináveis horas remando e remando…

“Quando veio o final da tarde, algo estranho estava acontecendo…Parecia que já havia terminado a corrida! Eu estava num sonho, somente vendo a cabeça da Sil com o capuz do anorack…

Eu chamei pelo Charles para tentar tocar nele e no Douglas para ver se era real o que estava acontecendo. E logo que toquei neles, começei um choro intenso. Já não sabia mais onde eu estava! Passei a responsabilidade de navegar ao Douglas e ele rumou por mais uns 10 quilômetros, e eu ali quase sem reação, remando por uma hora ou mais.

Em seguida veio um aviso de que iríamos parar na margem do rio, para nos aquecer. Fui retirado da água pelo Charles e pela Sil, Douglas fazia o fogo. O vento batia e eu tremia e me batia também…” relembra emocionado Jonas. Neste ponto da prova o resgate foi acionado e a Expedición Guaraní 2019 acabou para a equipe Lagartixa Adventure.

“Falar de vitórias é muito fácil, ter que abandonar a prova faltando 10km de canoagem dos 110km já percorridos, foi uma decisão mais fácil ainda, pois estava em jogo a vida de um parceiro nosso, um cara que se doou demais nessa prova e talvez tenha pagado o preço. Três míseras horas de sono nesse período inteiro fez nosso colega alucinar, confundir-se mentalmente até uma crise de hipotermia. Procuramos uma margem segura e ali iniciamos os procedimentos de cuidado e resgate. A organização foi impecável a partir do momento que foi acionada e no final deu tudo certo.
Tristes com o resultado? Nada, ter ajudado nosso atleta a sair desse quadro foi a maior conquista, aliado ao reconhecimento de todo público local, corredores, organização, familiares, pessoal que acompanhava on line e uma conversa pós prova com Camila Nicolau e Guilherme Pahl, ídolos das corridas de aventura, nos motivaram ainda mais.” resume o corredor Charles.

Expedición Guaraní no Paraguai foi a segunda etapa do Campeonato Mundial de Corrida de Aventura 2019, e segundo o relato de diversas equipes presentes foi também a mais difícil na história de 5 anos desta corrida.

Os lugares do pódio foram tomados por atletas do Brasil, Uruguai e Paraguai. Outras nacionalidades que tomaram parte foram Espanha, EUA, México, Reino Unido, Equador, Colômbia e Argentina.

Morro Cambirela

Morro Cambirela

Morro do Cambirela localiza-se no município de Palhoça/SC, o morro faz parte de um conjunto de montanhas pertencentes ao Parque Estadual da Serra do Tabuleiro, sendo esse parque a maior unidade de conservação de proteção integral do estado de Santa Catarina – Brasil.

O Morro do Cambirela situa-se próximo a BR – 101, uma montanha que eleva-se a um pouco mais de 900 metros de altitude em relação ao nível do mar.

Temos uma certa incerteza sobre essa altitude, pois tanto no google maps quanto no wikiloc é mostrado dois cumes com o nome Cambirela (na trilha que fizemos chegamos a aproximadamente 915 metros (medição com aplicativo Wikiloc) e 927,9 metros de altitude (medição com GPS Garmin etrex 20).

Fui pesquisar mais afundo sobre essa isso e consegui encontrar respostas para essas dúvidas sobre a real altimetria no plano de manejo do Parque Estadual da Serra do Tabuleiro.

O Plano de manejo diz que o Pico do Cambirela situa-se a 1.043 metros de altitude e o Morro Cambirela a 900 metros aproximadamente. Todos estes locais fazem parte de um complexo formado pelo Morro do Cambirela, serra do Tabuleiro e serra do Capivari que apresenta altitude máxima de 1.270 metros a nível do mar.

Do alto do Morro do Cambirela é possível avistar a grandiosa ilha de Florianópolis de norte a sul e uma boa parte da Serra do Tabuleiro.

Trilhas para o cume

Sabemos da existência de aproximadamente 3 trilhas que levam ao cume do Morro do Cambirela, algumas são mais difíceis e técnicas que outras, mas todas tem algo em comum, o fato de serem perigosas e com longos trechos de inclinação.

Morro Cambirela
Atualmente existem três trilhas de acesso ao Morro: Ascensão pela Trilha 1 (Via aresta Leste, voltada para a BR-101); Trilha 2 (Via aresta Noroeste, ou cachoeira seca); e Trilha 3 (Ascensão pela via que é voltada para a BR-101 ao norte, conhecida também como via das Antenas).

Trilhar estes caminhos não é para todas as pessoas, pois é necessário ter um ótimo preparo físico, não sofrer com problemas em articulações ou cardiovasculares, não é recomendado também para pessoas que sofrem de vertigem ou medo de altura.

Relato da experiência

Nossa equipe para a subida do Morro do Cambirela era composta por três pessoas, composta por Edson Maia (navegador), Marilise Schuh e Luís H. Fritsch (Fotógrafo).

Morro Cambirela

Escolhemos percorrer a trilha 1 (mapa acima), está é um pouco mais fácil que as outras segundo nosso amigo Edson, pois a subida é realizada progressivamente sem muita dificuldade técnica, em algumas partes da trilha a três sequencias com cordas, mas foi bem tranquilo.

A trilha é bem marcada, mas é necessário o uso de GPS, usamos o etrex – 20 Garmin, muito bom por sinal. Do começo da trilha até o primeiro ponto de água caminha-se aproximadamente 2,2 km (350 m de altitude) a trilha é fácil, sem grandes dificuldades, a parte íngreme começa exatamente no primeiro ponto de água da trilha, dali em diante a subida fica cada vez mais íngreme e requer um esforço a mais nas articulações, é como se estivéssemos fazendo uma trilha no parque e de repente vira uma “escalaminhada” (escalada+caminhada).

Morro Cambirela

Vale ressaltar que o local é uma unidade de conservação, então todo o cuidado é pouco, Em toda a região da Serra do Tabuleiro é possível encontrar muitos animais, alguns deles podem ser peçonhentos e muito perigosos para nós humanos.

É comum nessa trilha nos depararmos com cobras do tipo: Jararacas, Corais, cobras Marrons e outros animais. Lembrem-se que nós é que estamos invadindo o território destes animais, por isso precisamos respeitar, estar de olhos abertos e sempre tomando muito cuidado onde colocamos nossas mãos e pés.

O primeiro ponto de observação que temos é no km 2,5 da trilha (500 m de altitude), dali já podemos ter uma dimensão da grandiosidade e da beleza que iriamos contemplar no cume do Morro Cambirela. Nesse ponto fizemos uma pausa de aproximadamente cinco minutos para tomar uma água e comer nosso lanche.

Depois dessa pequena pausa, seguimos adiante como diz um velho ditado, “caminhe como um velho, chegue como um novo” kkk. Essa parte da trilha, o caminho continua íngreme e sem nenhuma área plana para descanso, muitas vezes paramos em algum ponto mais aberto da trilha morro acima.

Há cerca de 2,8 km de trilhas (730 metros de altura) já estamos quase na crista do Morro do Cambirela, como dizem os montanhistas, quase chegando no “falso cume” a visão dali é de tirar o fôlego, conseguimos avistar a grande ilha de Florianópolis e mais algumas praias aos arredores. Deste ponto em diante o caminho fica um pouco mais tranquilo, sem grandes dificuldades.

Morro Cambirela

Caminhar sobre o falso cume é emocionante, pois a trilha percorre uma linda crista, onde temos uma visão grandiosa da Serra do Tabuleiro a Direita e a esquerda o litoral catarinense.

Depois de capturar inúmeras imagens, seguimos para o cume do Morro Cambirela que está a 915 metros de altura (medida capturada usando o aplicativo wikiloc no celular), a distância até o cume é de 400 metros, pode parecer pouco, mas a dificuldade para se chegar lá é algo que deve ser avaliado muito bem pelos participantes da aventura.

Para se chegar ao cume é necessário descer uma encosta rochosa, úmida e muito lisa, ideal usar cordas de apoio (levar junto), depois de mais este desafio superado, ascendemos ao tão esperado cume.

Morro Cambirela

A visão de lá é surpreendente, tivemos uma visão 360 graus, podendo avistar boa parte da Serra do Tabuleiro e inúmeras praias. Ficamos ali um tempo fazendo algumas fotos e depois voltamos para o “falso cume” para almoçar e contemplar melhor o lugar.

Morro Cambirela
Morro Cambirela

A descida foi um pouco mais rápida do que a subida, no entanto com muito mais cautela do que na subida, em um certo trecho da descida encontramos uma cobra Coral verdadeira adulta, por alguns segundos fiquei feliz em poder ver de perto esse animal de cores vibrantes.

A cobra estava enrolada em um pequeno caule de árvore bem na trilha que teríamos que passar, tivemos que esperar alguns minutos até que ela saísse dali para que fosse seguro passarmos.

Morro Cambirela

A Coral verdadeira é uma serpente de pequeno porte. Possui coloração forte e facilmente reconhecida: listrada em preto, vermelho e amarelo.

É uma cobra peçonhenta, ou seja, venenosa. É considerada uma das mais venenosas do Brasil em função da alta toxidade de seu veneno e atinge o sistema nervoso central. Uma vez picada, a pessoa pode morrer caso não receba atendimento médico rápido.

A cobra coral verdadeira é encontrada em matas das regiões sudeste e sul do Brasil. São encontradas também em áreas florestais do Uruguai, Paraguai e algumas regiões da América Central.

Elas vivem em galhos de árvore, folhagens, buracos em tocos em decomposição, debaixo de pedras e buracos no chão.

Depois de alguns minutos continuamos a descer pela trilha, com os olhos ainda mais abertos, precisávamos estar atentos e concentrados onde colocar os pés e principalmente as mão para não ter nenhuma surpresa.

O que levar para o Morro Cambirela

Caso você tenha interesse em percorrer essa trilha, recomendamos usar calçados fechados e confortáveis, camisetas de manga comprida, calça, perneiras para cobra e luvas de couro.

Leve aproximadamente 1,5 litros de água por pessoa, lanches de trilha altamente calóricos, frutas também são bem vindas.

Se você for vegano leia este texto!

Não esquecer de levar kit de primeiros socorros e corda de aproximadamente 20 metros.

A trilha possui inúmeras bifurcações, é fácil se perder nesses caminhos! Recomendamos usar GPS de trilha ou até mesmo contatar um guia experiente para auxiliar tanto na sua subida, quanto na descida.

Lembrando que o cume de qualquer montanha é somente a metade do caminho, a trilha só termina quando você chegar em casa e estiver seguro!

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Sobrevivência

Treinamento Especial de Sobrevivência

Foi realizado nos dias 23 e 24 da março a segunda edição do Treinamento de Sobrevivência, promovido pelo instrutor Marcelo Nava da Marinha do Brasil.

Contando com a participação de 3 alunos, com experiências e formações bem diversificadas, o desafio ocorreu numa grande área operacional de mata virgem, de propriedade do Sr. Raul do Camping Parque da Usina, em Farroupilha.

Sobrevivência


Equipe de Alunos:

  • Jean Gasperin: vendedor de Bento Gonçalves
  • Lair Schirmer: ambientalista de Arroio do Meio
  • Paulo Spilimbergo: médico de Porto Alegre

Após o encontro e briefing no Parque, onde todos se apresentaram e se conheceram, no início da tarde de sábado, a equipe iniciou uma caminhada de 1 hora até o Campo Escola. O local situa-se próximo a um arroio, contando com os recursos naturais para o aprendizado das técnicas de sobrevivência.

Instrução 1 – Abrigo

Os alunos tiveram a oportunidade de construir um abrigo coletivo,
empregando suas facas de mato e serrote, aprendendo a fazer amarras com os galhos e troncos de arvore, que serviram de estrutura. O telhado foi coberto com folhas de samambaia e o “colchão” foi produzido com grandes folhas de sororoca, que possui propriedade natural de isolamento térmico.

O instrutor orientou para a construção de camas simples, afastadas do chão, de modo a não perderem calor corporal em função da grande umidade do solo.

Instrução 2 – Fogo

Nessa parte do curso, foram apresentadas diferentes técnicas para
produção de faísca para dar ignição à isca (como resina de pinheiro, por
exemplo) e iniciar o processo de combustão da madeira morta, coletada no local.

Primeiramente, por meio do atrito entre gravetos com uma base mais
sólida, passando pelo uso da pederneira e aço e, por fim, através do uso de combustíveis infamáveis, como o álcool, e mesmo um maçarico improvisado com desodorante. A manutenção do fogo foi o maior desafio, em função da alta umidade do ar no dia do curso. Porém, como recurso de backup, foi permitido o emprego de fogareiro para a conclusão do preparo dos alimentos e aquecimento do corpo.

Instrução 3 – Alimentação e hidratação

Foram realizadas instruções e debates sobre os alimentos de origem animal e vegetal comestíveis. Os alunos realizaram o teste de comestividade mascando um pedaço de caule de sororoca, experimentando a sensação de dormência na boca, o que caracteriza um recurso impróprio para o consumo.

Através da coleta de folhas de pinos e de uma florzinha campestre conhecida como vassourinha, foi produzido um delicioso e nutritivo chá, rico em vitamina C e sais minerais.

Também foram coletados e preparados espécimes invertebrados para a
alimentação, como grilos, formigas, gafanhoto e aranhas. Os alunos aprenderam a separar as partes comestíveis das que podem conter parasitas.

Como nesse treinamento a intenção não era a matança de animais de maior porte, os alunos levaram alimentos complementares para sua manutenção energética.

Ao anoitecer, foi realizada uma caminhada noturna por uma trilha na mata, conduzindo os alunos a observarem outros recursos importantes para seu maior conforto e sobrevivência. Tentamos a caça às rãs, mas infelizmente não conseguimos encontrar nenhuma dessa preciosa e saudável fonte de proteína.

Instrução 4 – Ferramentas Primitivas

O instrutor apresentou ferramentas primitivas encontradas em pequenas
grutas da região, possivelmente produzidas por índios kaygangs. Por meio de seus gumes afiados, os alunos puderam experimentar o processo de corte de galhos.

Instrução 5 – Deslocamento

Após o jantar e pernoite no abrigo natural, todos acordaram cedo para as instruções do domingo, sobre processos de obtenção e preparo da água.

Ao terminarmos as tarefas da manhã, iniciamos uma caminhada de sobrevivência de 5 km ao longo do leito de um arroio e de algumas trilhas fechadas nas margens. O objetivo dessa caminhada foi mostrar a forma de deslocamento em mata fechada, ao mesmo tempo em que é necessário apurar os sentidos para identificar perigos e oportunidades na selva subtropical.

Sobrevivência

Instrução 6 – Outras habilidades

A caminhada terminou em uma bela cachoeira, onde todos se refrescaram e fizeram a higiene corporal. Pelo menos um banho diário, sempre que possível, é fundamental para a sobrevivência e controle de parasitas, além de melhorar a moral da equipe.

O treinamento foi retomado, onde o instrutor conduziu os alunos à uma interessante formação geológica: uma pequena caverna caprichosamente escavada pela natureza em um paredão de rocha granítica. O detalhe é que ela situa-se à 10 metros de altura. Para isso, os alunos usaram uma escada construída com recursos locais para atingir a caverna, constituindo-se em ótimo abrigo para uma situação de sobrevivência.

Sobrevivência

Após a conclusão das instruções, retornamos ao ponto inicial, o Parque da Usina, onde realizamos o de-briefing. O treinamento foi dado como satisfatório.

Os alunos mostraram-se muito motivados, curiosos e corajosos para expandirem suas zonas de conforto e levaram para casa uma diferente experiência de vida ao lado da natureza e de novos amigos!

Vale Europeu

Circuito de Cicloturismo do Vale Europeu/SC

Conhecendo o Vale Europeu de Cicloturismo

Vale Europeu é o primeiro circuito brasileiro, pensado e organizado para o cicloturismo, hoje uma realidade consolidada cuja fama atrai pessoas de todas as partes do país e até do exterior. Dependendo no roteiro escolhido, percorre-se seus mais de 300 km’s em aproximadamente uma semana, através de uma das regiões mais belas do estado de Santa Catarina – Brasil

Situado no Vale do rio Itajaí, o circuito inicia em Timbó e segue para Pomerode, e em sequência o roteiro clássico orienta na direção de Indaial, Ascurra, Apiúna, Rodeio, Benedito Novo, Dr. Pedrinho, Rio dos Cedros(Alto Cedros e Palmeiras).

O circuito Vale Europeu sempre priorizando o percurso por estradas secundárias, de baixa movimentação de veículos, e cuja beleza cênicas  naturais presenteiam o tempo todo com belas imagens quem se propõem a realizar esta jornada.

São pequenos rios, cachoeiras, a fauna e flora típicas da mata atlântica e dos campos de araucárias. Em cada povoado ou cidade é fácil apreciar a arquitetura típica com algumas construções centenárias muito bem conservadas, além disso, conhecer aspectos culturais e ser muito bem recebido pela hospitalidade da nossa gente tranquila do interior, e é claro, como não poderia deixar de ser,  provar da sensacional gastronomia local.

O circuito Vale Europeu inicia no centro de Timbó, exatamente junto ao restaurante Thapyoka, onde é feita também a inscrição no circuito por um pequeno valor que dá direito a receber um mapa da região, um guia do roteiro, com planilhas de orientação e altimetria, e ao final do circuito, um belo certificado de conclusão do circuito para ter como recordação.

A viagem

Por meados de maio do ano passado comecei a procurar um roteiro de viagem de bicicleta para fazer no inverno pois queria muito testar alguns equipamentos novos e também ter a experiência de pedalar com a bicicleta carregada no frio. Já tinha ouvido falar do Vale Europeu, através do meu amigo Ricardo Tavares, que havia realizado o circuito na primeira edição, isto a mais de dez anos atrás. Por conta desta conversa com meu amigo e também pela facilidade da logística, abracei a ideia de realizar a viagem.

Entrei em contato com meus parceiros de aventuras e apenas o Bruno Guimarães, que mora em Floripa, se interessou em fazer o Vale Europeu. Após uma rápida conversa por telefone, organizamos o pequeno desafio no mês de junho. Ajustamos a logística de transporte, as bicicletas, a lista de equipamentos e definimos o dia 8 de junho para pegar a estrada.

No nosso plano a ideia era, além de conhecer a região fazendo o circuito do Vale Europeu da maneira mais “roots” possível, acampando selvagem/camping’s estruturados e também fazendo todas as refeições com nossos equipamentos de cozinha.

Primeiro dia – Vale Europeu

Acordamos bem cedo, ainda escuro e às 6 horas da manhã, iniciamos a viagem de carro, saindo de minha casa em Imbituba, com destino ao ponto zero do circuito, na cidade de Timbó.

Vale Europeu

Por ser um dia de semana, perdemos muito tempo na região da grande Florianópolis/SC onde o trânsito é sempre muito complicado. Isto nos atrasou em mais de duas horas, fazendo com que chegássemos em Timbó quase ao meio-dia.

Sabendo que teríamos poucas horas de luz solar, tratamos de acelerar as coisas. Localizamos um lugar seguro para deixar o carro, corremos para o Thapyoka para formalizar nossas inscrições e feito isso, subimos nas bicicletas e seguimos a rota que estava carregada no GPS com destino a cidade de Pomerode.

Por conta da preocupação com o horário, não paramos para almoçar, tocamos direto e não demorou muito para darmos de cara com a primeira subida forte do circuito. Um bom teste para saber como estava meu preparo físico e também para ver em ação os equipamentos novos da bicicleta.

Foi neste momento em que o Bruno me alertou que o cambio traseiro da minha bicicleta estava muito próximo dos raios da roda. Ao parar para verificar, constatei que a gancheira (peça que fixa o câmbio traseiro) estava empenada para o lado de dentro, problema complicado que certamente aconteceu durante o transporte no carro. Não tendo como remediar ali, decidi seguir em frente tendo todo o cuidado de não usar as marchas mais leves, para não correr o risco de ver o câmbio traseiro se enroscar com os raios da roda e aí sim, ter uma grande dor de cabeça. Com esta situação, a solução foi rodar com 15 marchas apenas. Dureza!

Seguimos em frente sem mais surpresas e sempre por um belo caminho em meio ao Vale Europeu, e ao passo que nos aproximávamos de Pomerode, começamos a procurar algum lugar para acampar selvagem, mas sendo a região bastante povoada, não encontramos nenhum lugar legal e seguro.

Chegamos na cidade com o cair da tarde, e sem enrolar, fomos num posto de combustível para perguntar onde poderíamos encontrar uma pousada boa, bonita e barata para pernoitarmos, pois sabendo que o Circuito é para todos os bolsos, não era o nosso plano gastar muito numa diária de pousada. Recebemos a recomendação da Pousada Luiza, que ficava do outro lado da cidade e para lá tocamos sem parar, já no início da noite.

Ao chegar, fizemos nosso check in, descobrimos que não tinha café da manhã, mas até aí tudo bem, pois estávamos equipados e com alimento para as refeições. Após um banho demorado, fomos para a pequena cozinha da pousada e preparamos nosso jantar, conversamos um pouco e com o cansaço batendo, sem demorar fomos dormir.

Dados do dia:

  • Distância: 48.8 km
  • Ganho de Elevação: 570 m
  • Perda de Elevação: 565 m
  • Custos de hospedagem: R$ 50,00, sem café da manhã;

Segundo dia – Vale Europeu

Acordamos por volta das 7 horas, o dia estava bom e a temperatura agradável, preparamos o nosso café, montamos as tralhas nas bikes e seguimos para o pórtico de informações turísticas na estrada da cidade, para carimbar nossos passaportes do circuito do Vale Europeu pois no dia anterior, quando chegamos, o pórtico já estava fechado. Aproveitamos também para pegar algumas dicas e fazer uma foto para recordação e “bola pra frente”! Próxima parada: Indaial.

Efetivamente começamos nosso pedal deste dia quase às 11 horas, porém tranquilos pois nosso próximo destino estava próximo, algo em torno de 40 km’s.

Logo que sai da cidade, o caminho fica muito tranquilo. São pequenos sítios, casas, alguns pequenos povoados com igrejas, tudo no estilo alemão. Muito verde e ar puro.

Depois de mais de 23 km’s rodando nessas condições, chegamos novamente no asfalto. É a movimentadíssima SC 421, onde é preciso pedalar no acostamento cerca de 1 km para cruzar para o outro lado e aí então voltar para a tranquilidade.

Como já era praticamente meio-dia, decidimos parar no posto de combustível que fica localizado neste trecho da SC 421. Pedimos para os frentistas se poderíamos usar um cantinho numa sombra que tinha um murinho que servia perfeitamente como banco e fomos autorizados.

Vale Europeu

Agilizamos rapidamente uma super polenta com linguiça calabresa e dois litros de tang para hidratar.

Ficamos parados quase duas horas. Afinal, depois do almoço sempre cai bem uma “siesta” na sombra,

Por volta das 13:45 retomamos nossa jornada rumo a Indaial, que pelos nossos cálculos, chegaríamos em mais duas horas, rodando bem devagar para apreciar o visual e não se cansar.

Ao chegar na movimentada Indaial, fomos procurar uma bicicletaria pois o Bruno estava sem câmara de ar de reserva.

Resolvida essa questão técnica da bike do Bruno, demos uma voltinha pela cidade, seguindo adiante procurando um lugar para parar para um lanche da tarde e seguir em frente pois a nossa ideia era sair um pouco da cidade e localizar um lugarzinho tranquilo para acampar.

Rodamos, rodamos e nada. A região é muito habitada e não conseguimos encontrar um lugar bom. Neste momento, por volta das 17 horas, decidimos tocar para Rodeio, percorrendo uma distância de vinte e poucos quilômetros. Era tentar a sorte de encontrar um lugar bom para acampar por lá, um pouco antes da entrada da cidade.

Vale Europeu

O fim da tarde chegava rápido e como era quase inverno, escurece cedo e, por volta das seis e meia da tarde, bem na hora do rush, alcançamos movimentadíssima BR 470, onde teríamos que pedalar por quase 2 kms para chegar na cidade de Ascurra.

Neste trecho procuramos andar o mais rápido possível para sair daquele agito de trânsito pesado e entrar logo na cidade.

Como já estava escuro, passamos batido por Ascurra, seguindo nosso plano de tentar encontrar um local de acampamento neste trecho entre Ascurra e Rodeio. Sem sucesso.

Não demoramos para chegar em Rodeio que fica por volta de 5 kms de Ascurra e vendo nosso plano infalível falhar, fomos novamente num posto de combustível perguntar sobre pousadas na cidade. Os frentistas nos indicaram ao menos duas, sendo que na primeira que tentamos, como era dia de semana, estava fechada. Voltamos todo o caminho que tínhamos percorrido e após confirmar a localização da outra alternativa, tocamos para lá correndo pois a temperatura estava bem baixa e o cansaço começara a bater. Na segunda tentativa deu certo, estávamos salvos! Kkk

Chegamos na excelente Hospedaria Cama Café Stolf, onde pegamos um ótimo quarto e após um merecido banho quente, numa rápida conversa com a dona da pousada pedimos para usar a cozinha, e tendo o sinal verde, tratamos de fazer o nosso jantar e conversar um pouco antes de capotar na cama.

Dados do dia:

  • Distância: 75.5 km
  • Ganho de Elevação: 759 m
  • Perda de Elevação: 737 m
  • Custos de hospedagem: R$ 70,00, com ótimo café da manhã

Terceiro dia – Vale Europeu

Acordamos no horário de sempre, por volta das 7 horas, estava frio, no termômetro marcava 6 graus.

Arrumamos nossas coisas e só depois de deixar as bicicletas prontas, fomos tomar café.

Ao sairmos do nosso quarto, demos de cara com outras bicicletas, que eram de um pequeno grupo que estava fazendo o circuito porém com apoio. Na hora que o grupo apareceu, ficaram espantados, nem tanto pela carga nas nossas bicicletas, mas pelo fato de naquela friaca, tanto eu quanto o Bruno, estarmos de bermuda de ciclismo. Sim, estava frio, mas nós aqui do sul, estamos um pouco acostumados com isso e também sabíamos que com o decorrer das horas, a temperatura iria subir. Ainda assim, foi muito engraçado ver a cara da turma, principalmente as caras de espanto de um casal que era do Recife…kkk

Depois de tomar um generoso café e comer ao estilo “como se não houvesse amanhã”, resolvemos encarar a friaca que vinha junto com uma neblina densa e úmida.

Após sair da cidade, começa uma longa e quase constante subida em estrada de terra, que naquele momento e com aquela temperatura, vinha bem a calhar para aquecer o corpo.

Não demorou muito e alcançamos o famoso Caminho dos Anjos. Um conjunto de esculturas que como o nome sugere, representa anjos celestiais, e que naquele instante com a bruma densa da neblina, dava um ar de misterioso e mágico para aquele lugar singular e muito bonito.

Vale Europeu

Paramos alguns instantes na praça central do Caminho dos Anjos para tomar água, recuperar o fôlego e conversar com alguns jipeiros que estavam por ali e que ficaram curiosos ao nos verem com as bicicletas carregadas.

Por conta do frio, e a neblina seguir escondendo o sol, não demoramos muito tempo parados, pois não seria uma boa esfriar o corpo naquele momento. Tocamos em frente, morro acima. Para o alto e avante!!! Kkk

Como já dizia um antigo ditado da nação aborígene mountain biker:  “tudo que sobe, desce”, por volta das 11 horas, as coisas mudaram. Aquilo que antes era subida e neblina, se tornou uma longa descida e com um sol bastante agradável.

Passamos batidos pelo caminho que leva para a Tirolesa K2mil (a maior das Américas), pois não era nosso objetivo visitar este tipo de atrativo nesta nossa primeira incursão por aquelas bandas. Nós queríamos mesmo era rodar no estradão de terra, parar só para comer, descansar e se a sorte nos abençoasse, encontrar um lugar bacana para acampar selvagem.

Por volta das 13 horas, chegamos numa pequena localidade no município de Benedito Novo, onde aproveitamos para nos reabastecer de água apenas, decididos não parar naquele momento para almoçar.

Após um descidão bacana para testar suspensão, freios e a fixação da bagagem… kkk, chegamos na bifurcação que leva para a Pousada Campo do Zinco. Aproveitamos aquele momento para uma rápida parada e mastigar alguma coisa e seguir na outra direção, rumando para o centro de Benedito Novo.

Não demoramos muito para encontrar com o belíssimo Ribeirão Liberdade  que segue paralelo com a estradinha de terra. Esse foi um dos pontos altos para mim. A cada instante a estradinha nos presenteava com vistas muito bonitas do rio e do verde em seu redor.

Embora fosse cedo para parar, ativei meu radar para tentar localizar um lugar bacana para acampar antes da cidade, pois meus instintos diziam que era alí ou nunca..kkkk

Seguíamos bem devagar, curtindo o visual quando percebi uma pequena prainha no meio do ribeiro, com um enorme bambuzal. Imediatamente parei e fui investigar. Era como uma pequena ilha de pedras, bambus e com algumas clareiras.

Bingo! Após rodar apenas 31 kms e às 15 horas finalmente um lugar perfeito para acampar. Sem cerca, longe de casas e escondido de quem passa na estrada. Bastava apenas descer um barranco, atravessar as bicicletas empurrando com cuidado pois, embora raso, o fundo do ribeiro era muito irregular por ter muitas pedras soltas.

Escolhemos o lugar para montar as barracas e logo em seguida, fomos tratar de coletar e tratar a água para nos reabastecer e cozinhar nosso almoço/jantar.

Ao cair da noite, fizemos uma segunda refeição ao redor do fogão à lenha do Bruno e ficamos curtindo o momento com uma conversa divertida iluminada apenas pelo fogo e ao som dos grilos, sapos e outros moradores do lugar.

Vale Europeu

Esse era o grande momento que procurávamos. Ficar numa pousada com todo o conforto que se tem em casa é muito bom depois de um dia de pedal, mas abrir mão destas comodidades e em troca ganhar uma noite tranquila, com um fogo iluminar e aquecer no friozinho, céu estrelado, tendo a trilha sonora dos sons das águas e da bicharada ao redor, é uma coisa que pouca gente compreende,  mas para nós, sempre faz todo o sentido. Não e verdade?

Dados do dia:

  • Distância: 31.3 km
  • Ganho de Elevação: 934 m
  • Perda de Elevação: 600 m
  • Custos de hospedagem: R$ 0,00, Hotel um milhão de estrelas.

Quarto dia – Vale Europeu

O dia amanheceu nublado, sendo que durante a noite até caiu uma chuva fraca que não nos afetou pois montamos o acampamento em meio ao bambuzal.

Preparamos nosso café da manhã reforçado e sem muita pressa desmontamos o acampamento, deixando para montar as bagagens nas bicicletas só depois de atravessar o ribeiro e subir o barranco para voltar à estrada.

Retomamos nosso pedal pouco antes das nove horas da manhã e não demorou muito para perceber que a decisão do lugar de acampamento da noite anterior estava correta. Começaram a aparecer cercas, casas, sítios, cachorros e o belo ribeiro desapareceu.

Com uma hora de pedal, e após percorrer aproximadamente 12 kms, chegamos ao centro do município de Doutor Pedrinho e fomos logo procurar um mercado para reabastecer nossas provisões e cair com tudo no meio das gordices e porcarias açucaradas, pois sabíamos que dali para frente, na parte alta do circuito, praticamente não existe comércio nenhum.

Como era domingo, estava tendo uma prova de MTB, tipo cross country e foi engraçado, pois num dado momento aparecemos no meio do pelotão, ou melhor, o pelotão nos alcançou e foi muito divertido a galera cumprimentando e fazendo brincadeiras com a gente.

Aproveitamos também, já que havia um posto de controle da prova na cidade, para nos informar do caminho para o nosso próximo destino: Alto Cedros. Existem duas alternativas, a primeira que é via Gruta de Santo Antônio, que está ok e sinalizada e a segunda, via Cachoeira Véu de Noiva, um pouco mais longa e que por conta de uma obra na estrada não está sinalizada e momentaneamente fora do roteiro oficial. Após sabermos das condições da estrada em obras, e também por estarmos com o circuito carregado no nosso GPS, decidimos explorar o percurso da estrada em obras por ser mais roots e desafiador. Kkkk

Por volta das 11 horas, depois de carimbar nossos passaportes na Pousada e Hotel Dona Hilda, onde fomos muito bem recebidos com um delicioso café quente totalmente grátis, tomamos o nosso rumo num ritmo moderado pois sabíamos que esse seria um dia com muitas subidas.

A estrada não estava tão ruim, pois a obra já estava na fase de compactação do rípio com algumas poucas partes necessitando de mais atenção com a brita solta.

Logo que começa a subida, avistamos a placa que indica o mirante da cachoeira que dá nome a este trecho do circuito. Tentamos acessar a mesma, mas como havia uma porteira fechada, desistimos pois não tinha como chegar até a queda d’água com as bicicletas e deixar as mesmas na porteira não pareceu naquele momento uma boa ideia. Tocamos em frente.

A subida forte exigia bastante, e no meu caso, um esforço um pouco maior por conta do problema da gancheira empenada, que fazia ter de usar apenas cinco das oito marchas do cassete.

Este é o trecho menos povoado do circuito, e o que se tem pelo caminho são fazendas de gado e muitas plantações de pinus e eucaliptos. Não é um visual dos mais bacanas inicialmente, mas na medida em que se anda, a coisa melhora com as primeiras descidas que dão um pouco de adrenalina na brincadeira.

Ainda neste trecho, podemos dizer que é aqui a região mais fácil de acampar selvagem em meio aos pinos e eucaliptos ou até mesmo dormir numa casa abandonada com ar de filme de terror. Alguém curte essa última opção? Kkk

Depois de rodar mais um bom bocado no meio deste trecho, lá pelas tantas percebo que o Bruno ficou para trás… parei e como ele não apareceu, voltei um pouco e logo encontrei ele, com o pneu furado. Era a segunda vez que aconteceu, a primeira vez foi comigo no primeiro ou segundo dia da trip, não recordo bem.

Para tudo, desmonta a bicicleta, troca a câmara de ar e bola para frente!

Vale Europeu

Depois de umas duas horas de muito sobe e desce, finalmente avistamos a placa que informa que estamos chegando em Rio dos Cedros e logo em seguida, num descidão, reencontramos com o grupo de ciclistas que conhecemos em Rodeio, que estavam chegando também quase juntos, porém via Gruta de Santo Antônio.

Cumprimentamos o pessoal e como ali estava complicado acampar selvagem pois para todo lado que se olha só se vê propriedades particulares. Então fomos em frente com eles até a beira do lago, onde eles ficaram de encontrar o Sr. Raulino, proprietário da Pousada da Família Duwe.

Não demorou muito e avistamos um barquinho cruzando o lago, e no remo, o Sr. Raulino. Como o pessoal já tinha reserva, eles foram primeiro, enquanto eu e o Bruno, pensávamos em alguma opção de camping.

Quando o Sr Raulino retornou para falar conosco, perguntamos para ele se havia algum camping pago aí nas proximidades e junto com uma negativa, ele já foi oferecendo o jardim da pousada para acampar e dizendo que podíamos usar um banheiro para tomar banho. No mesmo instante concordamos e de pronto Sr. Raulino já foi organizando nossas coisas no barco e enquanto fazia a travessia, ele comentou que iria chover na noite e se a gente quisesse, podíamos montar as barracas na garagem de um dos chalés. Nossa! Perfeito. Mas não parou aí, de imediato ele nos autorizou a usar a cozinha do chalé para fazer nossa janta. Nossa! Parte dois – Me belisca que eu estou sonhando! Em outras palavras, acampamos na garagem de um chalé só para nós.

Mas vocês pensam que a as surpresas acabaram aí? Nada! Já na noite, quando estávamos à mesa, jantando, conversando e olhando o mapa, aparece na porta o Sr. Raulino com duas tigelas com uma sobremesa de encher os olhos e como o Bruno estava impedido de comer doce, fiquei com as duas tigelas para mim. Pense numa criança que foi dormir feliz.

Vale Europeu

Dados do dia:

  • Distância: 50,9 km
  • Ganho de Elevação: 973 m
  • Perda de Elevação: 715 m
  • Custos de hospedagem: R$ 25,00, camping indoor na garagem e com sobremesa.

Quinto dia – Vale Europeu

Acordamos no mesmo horário de sempre e a chuva que estava sendo aguardada para a noite, não aconteceu. Tomamos nosso café reforçado, e aceleramos em desmontar as coisas e guardar tudo nos alforges para sermos os primeiros na travessia de barco.

Com um sol tímido e temperatura agradável, após tirar algumas fotos do Sr. Raulino fazendo a travessia com a galera, começamos nosso quinto dia de pedal, num ritmo moderado pois seria mais um dia com bastante subidas, sendo que neste dia existe duas opções de caminho: Via Mergulhão ou via Pedra Preta.

Perguntei para Sr. Raulino qual caminho ele achava mais bonito e seguindo a sua dica, tomamos o rumo mais longo, via Pedra Preta.

O dia bonito e a paisagem local eram uma combinação que animava bastante apesar do cansaço acumudalo de quatro dias de muitas subidas, mas a receita para não “quebrar” nesta hora é tocar num ritmo despacito, curtindo o momento e apreciando a paisagem repleta de araucárias.

Por volta do meio-dia, ao avistarmos um banco debaixo de uma árvore junto de um lago, decidimos parar para preparar nosso almoço e descansar um pouco. Ficamos parados uma hora.

Retomando nosso plano de voo seguimos em frente e após rodar 9 kms, avistamos a placa da Cachoeira Formosa e no mesmo instante lembrei das dicas que a Franciele Tais, ciclo viajante do Projeto Válvula, tinha me dado alguns dias antes da viagem. Ele recomendou muito conhecer a cachoeira e assim o fizemos.

Entramos na estradinha da fazenda que leva direto para o camping da Cachoeira Formosa.

Vale Europeu

O local estava completamente vazio, mas ao chegar na área de estacionamento, avistamos as bicicletas do grupo de ciclistas que seguiam no mesmo trecho que nós.

Fomos conhecer os dois mirantes, apreciar a beleza do lugar e fizemos algumas fotos e antes de seguir, tomamos um refrigerante para dar uma refrescada. Sem muita demora retomamos o pedal.

Após uma última subida, a coisa finalmente melhorou e começamos a descer direto quase o tempo todo até chegarmos ao belíssimo e muito bem cuidado Camping Península Palmeiras, nosso destino final para aquele dia.

Enquanto ninguém do camping aparecia, aproveitamos para tomar mais um refrigerante na lanchonete que tem ao lado da portaria do camping e não tardou muito para o dono nos receber, abrindo a porteira e dizendo que podíamos acampar em qualquer lugar, e como o camping estava vazio, excepcionalmente nos autorizou a organizar nossas barracas numa área coberta com churrasqueiras, mesa, pia e luz elétrica. Tudo nosso! Que beleza!!!!

Com o acampamento devidamente montado e de banho tomado, fomos apreciar o cair da tarde na beira do lago da barragem do Rio Bonito.

Vale Europeu

Foi um belo final de tarde de temperatura agradável, sem vento e nenhum barulho.

Um sentimento de paz e gratidão é a maior recordação que tenho agora ao descrever aquele momento que sem exagero, foi maravilhoso.

Ao escurecer, voltamos para nosso acampamento, fizemos o jantar e após uma rápida revisão nas bicicletas, fomos dormir.

Dados do dia:

  • Distância: 45.8 km
  • Ganho de Elevação: 811 m
  • Perda de Elevação: 840 m
  • Custos de hospedagem: R$ 20,00 – Camping.

Último dia no Vale Europeu

Mesma rotina dos dias anteriores porém neste manhã, demoramos mais que o normal para sair. Creio que um pouco pelo cansaço acumulado e também por ser o último dia da nossa viagem.

O céu nublado e a previsão de chuva nos deixavam em estado de alerta, mas como até aqui todas as previsões de chuva deram erradas, não estávamos colocando fé que iriamos nos molhar justo no último dia. Ledo engano.

Enquanto seguíamos nosso caminho praticamente plano por cerca de 20 kms, a chuva começou a se manifestar na forma de chuvisqueiros rápidos que iam e vinham, porém aumentando de intensidade a cada momento que passava.

Depois de uma pancadinha mais forte, numa descida, avistamos uma ponte coberta e corremos para lá pois o céu escuro mostrava que não tardaria para chegar uma pancada de chuva forte. Foi apenas o tempo de chegar na cobertura e desabou uma chuvarada bonita.

Como eram mais de 11 horas, e já tendo rodado quase a metade da distância para o dia, decidimos aproveitar a proteção da cobertura da ponte, que está interditada para carros, para fazer um almoço e esperar o tempo melhorar.

Vale Europeu

Uma hora e meia depois o tempo melhorou e voltou o sol, e estando nós alimentados, retomamos nosso pedal pelos últimos trinta e poucos quilómetros finais.

Ainda tinha a última subida, que na minha opinão, ainda que não fosse a maior, foi sem dúvidas a mais difícil e íngreme, em um intervalo de 5 kms, aproximadamente.

Vencida a última montanha, parecia que agora as coisas seriam tranquilas, no entanto, ao olharmos do alto na direção do vale onde fica a cidade de Timbó, a coisa não estava nada animadora. Céu escuro, totalmente fechado e com nuvens despejando água.

Preparamos o psicológico e começamos a descida de mais de 20 kms na certeza de que cedo ou tarde seríamos agraciados com aquela ducha grátis. Não deu outra.

No meio da descida a chuva nos pegou com tudo, e isso fez com que, por cautela, reduzíssemos nossa velocidade no meio daquela estrada que agora era barro e lama, com alguns trecho de descidas bastante fortes… era o tempo todo com as mãos “nos alicates” para não deixar o trem sair dos trilhos.kkk

Chegamos na área urbana de Timbó debaixo de muita chuva e lama, mas graças aos últimos quilômetros com calçamento, a água removeu toda a lama das bicicletas e das roupas. Estávamos totalmente ensopados, da cabeça aos pés e só não estávamos com frio por conta de estarmos em movimento.

Quando chegamos no ponto final, no restaurante Thapyoka, por volta das 15 horas, chovia muito mesmo e achamos melhor não entrar lá dentro para pegar nossos certificados de conclusão do circuito dado o nosso estado lastimável que lembrava cachorros de rua encharcados.

Vale Europeu

Chamamos a moça da recepção que gentilmente levou nossos passaportes para dentro e em alguns minutos voltou com nossos certificados personalizados. Uma bela recordação para guardar do Circuito do Vale Europeu.

P.s.: agora que mapeei os pontos mais “roots”, qualquer dia voltarei para fazer no esquema 100% acampando. Bora?

Considerações finais

O circuito do Vale  Europeu é em sua essência, pensado para o turismo. A estrutura muito bem organizada e toda voltada para o conforto e a comodidade onde, o cicloturista ao seguir o roteiro, pode sem grandes preocupações apreciar belos passeios e ainda, ao final de cada dia, desfrutar de toda a mordomia que achar conveniente.

Por outro lado, ainda que não seja uma aventura desafiadora, não se engane, o circuito exige sim um preparo físico mínimo para ser concluído. Além disto, as estradas de terra e a altimetria combinadas com uma condição climática ruim, podem tornar aquilo que deveria ser um tranquilo passeio de bicicleta, num perrenguezinho para levar de recordação e contar para os netos.

O mais legal do Circuito é que ele tem todos os atributos que eu considero interessantes para quem quer ter a sua primeira experiência com o cicloturismo: um roteiro organizado com mapa, pontos de apoio e rotas bem sinalizadas. Fatores que facilitam muito para quem quer começar e não tem a prática ou não quer se envolver em organizar questões complexas de logística.

Aos mais experientes, também é uma ótima e divertida opção, principalmente se estiver autossuficiente, ainda que seja um pouco complicado encontrar áreas para acampar, as rotas e a altimetria de cada dia, se apresentam como pequenos desafios. E é claro, com um pouco de atenção, desprendimento e o faro para encontrar lugares, é possível sim fazer praticamente todo o roteiro acampando.

Para ter mais informações sobre o Circuito do Vale Europeu, clique aqui.

Laranjeiras x Funil

Travessia Laranjeiras x Funil

A travessia Laranjeiras x Funil é uma aventura pela bordas dos cânions do estado de Santa Catarina, mais precisamente na cidade de Bom jardim da Serra.

A travessia de trekking foi realizada pela empresa Sol de Indiada, uma grande parceira a anos do Trekking RS, nessa edição fomos convidados a fotografar e relatar a experiencia.

A Sol de indiada tem como objetivo proporcionar a aventura para todos, pensando nisso cria travessia de trekking para todos os níveis, desde iniciantes nas aventuras como atletas de alto rendimento.

A travessia era composta por três pacotes diferentes:

  • Opção 1 – Estava incluso nesse pacote: apoio 4×4, alimentação (almoço/jantar), traslado, 2 guias, fotos do evento e a opção de você poder levar a sua mochila cargueira se quiser. (Ideal para iniciantes).
  • Opção 2 – Estava incluso no pacote: 2 guias, almoço e jantar, fotos do evento e traslado.
  • Opção 3 – Estava incluso no pacote: 2 guias e fotos do evento.
Laranjeiras x Funil

Já realizamos inúmeras travessia pelas bordas dos cânions entre os estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, quem acompanha o nosso site sabe, mas essa travessia posso dizer que é uma das mais belas que já percorri pelos campos de altitude.

Primeiro dia

O primeiro dia da travessia Laranjeiras x Funil começou com o dia ensolarado, não havia uma nuvem se quer no céu, caminhar em dias ensolarados nos permite tirar fotos belas, mas o calor nos castigava durante o caminho.

A primeira impressão que temos sobre os campos de altitude é que ao olhar de longe, parece muito com um “campo de golfe”kkk. A vegetação presente nos dá uma falsa sensação que será fácil trilhar esses caminhos.

Na prática não é bem isso que acontece, pois em grande parte desses campos existe uma espécie de musgo conhecida como Turfas (a turfa é um material de origem vegetal, parcialmente decomposto, encontrado em camadas, geralmente em regiões pantanosas e também sob montanhas (turfa de altitude). É formada principalmente por Sphagnum (esfagno, grupo de musgos) e Hypnum, mas também de juncos, árvores etc).

Nesses casos vale muito a pena ter calçados impermeáveis e respiráveis e pré amaciados para que seus pés não sofram tanto ao passar por estes obstáculos. Veja os modelos que recomendamos!

Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil

Esse primeiro dia de travessia Laranjeiras x Funil tinha aproximadamente 15 km, não foi algo tão complicado de se fazer, pois as vistas que tínhamos recompensava a cada passo dado.

O grupo formado para a travessia Laranjeiras x Funil era uma mistura de atletas, apreciadores da natureza e iniciantes, todos formavam uma grande família aventureira, pessoas com muitas histórias interessantes, trocávamos experiencias incríveis, como se já nos conhecêssemos a anos, nem parecia que estávamos no primeiro dia de trekking apenas.

Depois de muito caminhar e contemplar belezas incríveis, chegamos no nosso primeiro acampamento, uma fazenda no meio do nada, mas que tinha o necessário para que pudéssemos acampar com segurança.

A Parte da Organização responsável pelo Apoio na Cozinha e no Traslado de equipamentos que precisa seguir em veículos 4×4… já estava com a base montada e já preparando a comida para quem preferiu ter isso incluso. O local de acampamento, tinha opção de chuveiro quente, água potável e um galpão para apoio.

Para os aventureiros que não tinham contratado a opção mais completa, chegaram no acampamento, armaram as barracas e já começaram a fazer o jantar. Eu estava em meio à esse grupo, assim eu aproveitei em testar algumas receitas novas de comida, equipamentos no acampamento!

Depois de todos jantados era hora de curtir uma fogueira com a galera, estar em uma roda de amigos, junto ao local tão especial assim, faz a gente pensar o que realmente é uma “rede social”. Ficamos alí conversando e rindo, entre piadas e histórias, parávamos para observar o céu estrelado, de onde estávamos conseguíamos ver boa parte da Via Láctea. Aos poucos cada um foi se recolhendo para sua barracas e assim fomos todos dormir.

Segundo dia

O segundo dia da travessia Laranjeiras x Funil amanheceu tímido, a neblina ia desaparecendo conforme o sol ia subindo pelo horizonte, as barracas estavam tão molhadas que parecia que tinha chovido durante a noite. A manhãzinha estava um tanto fria por ainda estarmos no verão.

A galera levantou cheio de energias, era hora do café da manhã, desmontar acampamento e voltar a andar mais alguns quilômetros.

Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil

O trekking desse segundo dia iria nos levar para o Cânion do Funil, um lugar de uma beleza natural intocada, o percurso não era difícil, mas tinha muitas “turfas pelo caminho, cruzadas de córregos e caminhadas por dentro de matas nebulares. O céu continuava azul, mas dessa vez com umas nuvens, eu prefiro particularmente prefiro dias assim, pois dão mais profundidade para as fotografias.

Lembro-me de caminhar pelas bordas e ver constantemente o nosso próximo acampamento, a cada passo dado as montanhas pareciam que ficavam maiores e mais verticais.

Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil

Próximo do meio dia paramos para almoçar junto a um pequeno córrego de água, onde continha um pequeno poço para banho. Para os mais destemidos, arriscaram um banho naquela água gelada, enquanto outros faziam seus lanches de trilha, enquanto conversavam entre si.

Nessa hora já estávamos bem perto no vértice do Cânion do Funil, aproximadamente trinta minutos de caminhada até chegar no local do acampamento.

O Cânion do Funil possui uma formação incrivelmente linda e diferente do que estamos acostumados. Com protuberantes picos em formato de funil invertido, que rompem o chão e atingem imponentes alturas, cobertos pela floresta densa. Lembra as montanhas de Tianzi, da China, cenário do filme Avatar.

Chegamos ao acampamento por volta de 15:00 da tarde, o dia estava belo, as nuvens começavam a se aglomerar, já mostrando que teríamos chuva no fim de tarde ou a noite.

Logo que cheguei já comecei a montar a barraca, e como de costume sempre procuro o lugar mais incrível para acomodar a minha casa de montanha (barraca), o local escolhido por mim era nada mais, nada menos do que uns 5 metros da borda.

Dois motivos me levaram a escolher esse local para montar a barraca, o primeiro deles era pela vista incrível que iria ter na manhã do dia seguinte, pois o sol iria nascer e dar de frente na porta da barraca, poder abrir a porta e ver aquela imensidão de montanhas. O segundo motivo era que eu precisa testar a nova barraca Naturehike Mongar 2 Ultralight.

Não recomendo que pessoas sem experiencia e sem uma barraca técnica apropriada monte a barraca na beirada de cânions, pois a noite o vento geralmente muda de direção e se você não estiver bem preparado, a sua noite pode ser catastrófica.

Depois de ter montado a casa de montanha era hora de se sentar naquele novo quintal e apenas apreciar à vista, aproveitei para fazer aquele café especial para assim curtir o visual com um pouco mais de conforto.

Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil

Aos poucos a neblina ia chegando de mansinho, ia impedindo aquela visão deslumbrante, era hora então de começar a cozinhar o jantar. A refeição escolhida era: Arroz, feijão e salame, logo que comecei a cozinhar já começou a pingar, logo percebi que a chuva iria ser longa e demorada, continuei cozinhando.

Como a barraca Mongar não tem muito espaço para cozinhar em seu avanço usei a barraca do guia da aventura, uma MSR Hubba Hubba NX com avanço que estava ao lado da minha, ali pude cozinhar de maneira tranquila, sem correr riscos de queimar a barraca e ainda abrigado da chuva.

Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil

Depois de jantar, recolhi todos objetos, guardei dentro do avanço da minha barraca e fui até onde estavam a galera toda reunida. A chuva não dava trégua, foi uma ótima oportunidade também para testar a nova Jaqueta Columbia Ex Eco Down Outdry Extreme, confeccionada em penas /plumas de pato e membrana impermeável. A jaqueta foi incrivelmente eficiente naquela situação, não passou uma gota de água para o interior e o suor gerado foi dissipado, deixando apenas uma sensação de conforto e calor.

Choveu por cerca de 4 à 5 horas interruptamente, a organização do evento montou um grande toldo perto dos carros 4×4, onde alí estavam todos os participantes, conversando, rindo e compartilhando experiencias.

Nessas horas vale muito ter equipamentos de qualidade, alumas pessoas do grupo com equipamentos mais simples, tiveram que se adaptar para conseguir dormir, mas com a ajuda da organização, não tiveram problemas maiores !

Lá por volta de 22:30 minutos a galera começou a se dissipar, cada um foi indo para a sua barraca e eu e o guia também começamos a ir para nossas barracas, pois estavam lá na borda do cânion.

Cheguei na barraca, verifiquei para ver se estava tudo tranquilo, e estava tudo em ordem! Nada de água no interior da barraca. Era hora de descansar para o dia seguinte.

Terceiro dia

Na manhã do terceiro dia da travessia Laranjeiras x Funil , acordei por volta de 5:45 da manhã, abri a porta da barraca e olhei para fora, havia uma grande camada de neblina e não enxergava nada. Voltei a dormir! Aproximadamente uns 40 min depois, abri a porta da barraca novamente e lá estava o sol subindo no horizonte e mandando embora aquela neblina espessa. Logo me aprontei, saí da barraca e comecei a fotografar, momento muito belo, o sol refletia nas rochas do cânion do Funil, quanto mais o sol brilhava, mais mudava as cores no horizonte, as montanhas começaram a ganhar um tom alaranjado, nem parecia que na noite passada havia chovido tanto.

Laranjeiras x Funil

Mas tem um ditado que diz “depois da tempestade, sempre virá um sol maravilhoso”. Estar ali e poder contemplar aquela beleza é algo que vale cada passo dado para se chegar até ali, sempre digo que precisamos enfrentar o frio, para desfrutar do calor, precisamos também ficar cerca de 5 horas na chuva, para assim poder olhar o amanhecer, o sol e aquela beleza toda com um olhar de “gratidão”. Sempre agradeço ao universo por me dar a oportunidade de ver e viver momento como aquele. Pois são estes momentos que vamos lembrar lá no final da nossa vida e não os dias que passamos atrás de uma mesa trabalhando no escritório.

Depois de capturar imagens de tudo que foi ângulo possível, tava na hora de fazer o café da manhã, desmontar a barraca, colocar tudo dentro da mochila e seguir em frente.

Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil

Nesse último dia da travessia Laranjeiras x Funil, estávamos todos muito animados para concluir a travessia, o dia estava belo, ventava um pouco, nossa caminhada seria de aproximadamente 3 horas até chegar ao ponto final que seria a Serra do Rio do Rastro, uma das estradas mais belas e desafiadoras do mundo.

A paisagem continuava linda, a cada passo dado fortalecíamos ainda mais nossos laços de amizades, afinal estávamos no terceiro dia juntos e todos tinham muita experiencia para compartilhar.

Assim são os amigos trilheiros, sempre com muitas histórias engraçadas, lições de vida que nos ensina a sermos pessoas melhores a cada dia que passa.

O terceiro dia, foi muito parecido com um passeio no parque, o terreno era fácil de caminhar, sem grandes subidas ou descidas.

Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil
Laranjeiras x Funil

Ao chegarmos na rodovia SC- 390 a sensação era de dever cumprido, todos estavam muito motivados, teve gente que de tão motivado que estava, começou a correr sem parar, com as mochilas cargueiras nas costas até chegar no restaurante Mensageiro da Montanha, localizado junto ao Mirante da Serra do Rio do Rastro.

Esse restaurante é maravilhoso, conta com uma infinidade de alimentos, para todos os tipos de gostos e paladares, recomendo ir nesse local, pois é possível se servir quantas vezes quiser e o valor é atrativo!

Depois de todos terem almoçado era hora de entrar na van e retornar para Caxias do Sul/RS. Durante o trajeto de retorno, conversamos muito sobre os pontos altos da travessia, o que cada um colheu de novas experiencias e os novos aprendizados obtidos.

Uma travessia de trekking sempre irá nos proporcionar muitas amizades legais, alguns eu já conhecia, mas outros se tornaram grandes amigos. Nada como uma boa viagem para conhecer as pessoas que estão com a gente. Estou aguardando a próxima para que todos possamos nos reencontrar!

Trilhas de Maquiné/Abertura do CGCTM 2019

Localizada na região do Litoral Norte Gaúcho, a cidade de Maquiné, foi sede da 1ª Etapa do Campeonato Gaúcho Corrida Trilhas & Montanhas 2019 – Trilhas de Maquiné e Abertura do CGCTM 2019, que ocorreu no último sábado (dia 16).

A palavra Maquiné, denominação que se mantém até hoje é de origem indígena, e quer dizer “gota que pinga”. Percorrendo o interior do munícipio, logo se entende o por que: a pequena cidade é banhada por diversos rios! Por isso, não é preciso andar muito para ter contato com a água, seja vendo ou ouvindo seu barulho.

Trilhas de Maquiné
Créditos: Jordan Fauth – Cascata do Garapiá

CO finalzinho da Mata Atlântica da Serra do Mar, resulta geograficamente em um lindo vale encravado nas montanhas, vertendo águas doces e límpidas para todos os lados, fazendo de Maquiné um desses pequenos paraísos para os amantes da natureza.

Trilhas de Maquiné teve percursos de 5,5, 12 e 20 quilômetros de corrida em trilhas e montanhas. O evento contou com a participação de mais de 800 atletas de diversas cidades do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina.

Abrindo o calendário de provas do CGCTM 2019, os corredores puderam se divertir muito nos 3 percursos da prova, que foram marcados por chuva, barro, trilhas, montanhas e belíssimos cenários do interior da cidade.

Trilhas de Maquiné
Créditos: ClicRun

COs atletas presentes acreditavam se tratar de uma prova “fácil e rápida” em razão da pouca altimetria nos três percursos. Porém, a chuva deixou os percursos extremamente técnicos tanto nos aclives como nos declives.

Os grandes campeões (gerais) foram:

Distância Curta – 5,5 quilômetros

  • Camila Backes – Teutorunners – 31 min 52 seg
  • Elton Luiz Palma Prado – 26 min 11 seg

Distância Média – 12 quilômetros

  • Caciane Lucia Zonatto – Night Runners Gravataí – 1 h 51 min 18 seg
  • Danimar Bonai – Danivist – 1 h 18 min 45 seg

Distância Longa – 20 quilômetros

  • Sonia de Fatima Sasset Semtchuk – Inspirerun – 2 h 25 min 09 seg
  • Sidimar Pimentel Saraiva – Time TeM – 1 h 51 min 24 seg

“CGCTM 2019, desde a sua criação através do Circuito Trilhas & Montanhas em 2012, sempre buscou em suas atitudes e processos, crescer e evoluir de forma, que cause o mínimo de impacto nos locais de realização dos percursos e principalmente prezando por um consumo sustentável.

Para esta edição de 2019, estaremos substituindo a Premiação Convencional (ferro, tinta, acrílico, têxtil…), por uma premiação mais alternativa e de materiais sustentáveis.” explicou Luis Leandro Grassel, Diretor Geral do Campeonato.

Trilhas de Maquiné
Trilhas de Maquiné/Abertura do CGCTM 2019

Embora durante o evento os atletas, tenham encontrado os percursos muito bem sinalizados (fitas, pintura, placas e staffs), enfermeiras em diversos pontos, massagistas na chegada, kit completo (chip, numeral, camisa, carbogel, sache de amendoim, frutas, água e suco), Wi-Fi aberto. Resumindo uma organização geral fantástica! A premiação/medalhas, troféus e a quantidade reduzida de chuveiros, não foi aprovada pela grande maioria dos atletas.

Sempre muito receptivos e atenciosos com o feedback dos atletas, a L&E Eventos responsável pela realização do Campeonato, já se manifestou sobre o mesmo:

“Certamente a primeira coisa a ser escolhida na infraestrutura do local para recepção dos atletas é banheiros e claro ‘com chuveiros’, só, que muitas vezes isto não existe nos locais dos eventos. As etapas de corridas em trilhas são realizadas sempre próximas a natureza (áreas rurais), onde está o nosso playground de desafio, superação, barro e brutalidade… Desta forma a infraestrutura do local é pequena, reduzida ou até inexistente.

Para a 1ª Etapa em Maquiné, fomos atrás de um ginásio com vestiários, só que o mesmo não estava disponível para o uso. Desta forma, tivemos que obrigatoriamente utilizar o pavilhão ao lado da Igreja.

Aproveitamos para informar que os 3 chuveiros na área externa, foram instalados pelo evento, para fins de amenizar a falta. Nosso foco sempre é, e será atender o melhor possível todos nossos clientes corredores, só que às vezes não depende ou dependerá diretamente de nós.

Na 2ª EtapaSalto Ventoso em Farroupilha no dia 16 de março, o evento estará contando com chuveiros e novos modelos de premiação!”

Juntos Fomos e Seremos + Fortes Sempre!!! Vida longa ao CGCTM…

Santa Maria do Herval

Santa Maria do Herval

Entre colinas e vales, a 75km de Porto Alegre, capital do Estado, situa-se Santa Maria do Herval, com 6.500 habitantes. Hospitaleira, amigável, tranquila, com seus jardins floridos e povo ordeiro e trabalhador.

Visitei a cidade de Santa Maria do Herval a algum tempo já, o local possui muitas quedas de água que variam entre 10 à 125 metros de altura.

História

Com características que foram legadas por ancestrais, imigrantes da região do Hunsrück e arredores na Alemanha. A gastronomia é típica com cucas, linguiças, schmiers, assados de porco, bolinhos de batata e muitas outras receitas gostosas que nossas avós nos deixaram.

A cultura é preservada nas treze comunidades do município, pois mais de 90% da população ainda fala a Língua Hunsrik/Platt Tayxt, o que é incentivado pela prefeitura para que não se perca esse vínculo de comunicação com as regiões de origem na Europa.

Turismo

Você não pode deixar de percorrer a Rota Romântica na cidade de Santa Maria do Herval/RS, essa rota conta com inúmeras opções de lazer, desde Museus, Igreja, Balneários e claro muitas cascatas ainda intactas.

Cascata do Herval

Em minha visita a cidade resolvi ir em busca dessas cascatas, começando pela Cascata do Herval, localizada cerca de 2 km do centro da cidade, esta é a mais alta entre elas, as águas despencam por aproximadamente 125 metros de altura.

Santa Maria do Herval
Créditos: Juares de Andrade Junior

Para chegar ao local é muito fácil, a estrada que chega até o local é de chão, mas está em ótimo estado. Não é possível fazer trilhas nos entornos, pois a propriedade ali é privada, tanto na parte de cima da queda de água, quanto na parte de baixo, por possuir um usina de energia.

Cascata e Caverna dos Bugres

Cascata e Caverna dos Bugres, localizada a 1,5 km do centro da cidade, local belíssimo com uma enorme caverna que antigamente era usado como moradia pelos  índios caingangues.

Ao chegar no local, percorre-se uma pequena trilha em meio a mata verdejante, no fim dessa trilha à uma pequena bifurcação, à direita você acessa a ampla caverna e à esquerda, passando pela ponte de madeira você acessa a Cascata.

O local é propício para curtir os dias de calor, refrescar-se nas águas cristalinas da cascata. Para quem gosta de fotografar assim como eu, o local é perfeito para fazer fotos em longa exposição ou books fotográficos.

Veja as imagens capturadas por nossas lentes:

Cascata Michel

Localizada a 3 km do centro da cidade, ótimo local para quem gosta de estar em paz com sigo mesmo e em harmonia com a natureza.

Em minha visita não consegui em tempo habil conhecer este atrativo, mas pretendo voltar ao local para conhecer este local.

Se você tem interesse em conhecer a Cascata Michel, sugiro conversar com a Prefeitura do Município para obter maiores informações.

Cascata dos Marcondes

Localizada no interior da cidade de Santa Maria do Herval, a 10 km do centro da cidade, o local conta com uma queda d’água de 65 metros de altura aproximadamente, cercada por uma grande área de mata nativa.

Santa Maria do Herval
Crédito: Luís H. Fritsch/ Trekking RS

No local é possível fazer trilhas de nível moderado até a sua base, para os mais aventureiros é possível fazer rapel, caso você tenha interesse em contratar uma empresa para guiar o rapel, recomendamos a empresa Trilhas do Sul. Agende a sua próxima aventura!

Como chegar

Para quem sobe a Serra Gaúcha em direção a Gramado ou Canela poderá usar a estrada VRS-873, passando por Santa Maria do Herval e aproveitar para conhecer essa belíssima cidade e seus inúmeros atrativos.

Outros destinos

Aqui em nosso site você encontra muitos atrativos naturais para visitar e se encantar tanto aqui no Rio Grande do Sul como em Santa Catarina.

Expedição Aparados da Serra

Expedição Aparados da Serra

Galera, passo aqui para registrar nossa Expedição Aparados da Serra de 5 dias pela beira dos Peraus. Também aproveito para contar um pouco mais para vocês sobre estas encostas que foram chamadas pelos tropeiros de Aparados da Serra, que aqui passavam desbravando esta região e o Sul do país. Para os antigos moradores da região, os paredões gigantescos foram chamados e conhecidos como Peraus, estas encostas tão verticais da Serra Geral do Sul do Brasil, que parecem ter sido cortadas a faca, “aparados” a facão, e foi assim que os Tropeiros observavam as grandes Gargantas, os grandes Cânions.

Venha você também conhecer e contemplar este incrível lugar.

Trekking na Terra dos Cânions – Expedição Aparados da Serra

De 10 a 14 de dezembro de 2018, com cinco Expedicionários, fizemos o mapeamento e o reconhecimento desta trilha, com passagem por mais de 12 cânions, picos, serras e morros, totalizando 70 km de percurso, com a intenção de voltar a operar esta travessia na região da Serra Geral. Esta importante formação rochosa do Sul do País, localiza-se ao leste na Serra Gaúcha e Catarinense e traz consigo um intrigante registro geológico dos Aparados da Serra. De um imenso platô, subitamente interrompido por abismos verticais, nesta elevada cadeia com mais de 60 cânions e montanhas, boa parte deles de frente para a região litorânea e leste, formou-se assim: há cerca de 200 milhões de anos, onde tivemos sucessivos derrames basálticos, e que deram origem ao Planalto Meridional do Brasil; estes derrames basálticos tiveram uma extensão de mais de um milhão de quilômetros quadrados, sendo o maior derrame de lava da Terra!

A expedição Aparados da Serra também teve o intuito de mapear a trilha para inseri-la no Sistema Nacional de Caminhadas de Longo Curso:Pegadas Amarelas e Pretas, do Oiapoque ao Chuí. Movimento que vem crescendo muito em todos os cantos do mundo, liderado aqui no Brasil, pelo Pedro Menezes, coordenador Geral de Uso Público do ICMBio – Instituto Chico Mendes da Biodiversidade. Nós aqui da serra fazemos parte do “Caminho das Araucárias”, com uma equipe multidisciplinar, que trabalha voluntariamente com afinco neste projeto, que já está bem adiantado e que vem crescendo a cada dia. A trilha já saiu da Floresta Nacional de Canela para Floresta Nacional de São Francisco de Paula e já chegou até aqui nos Parques Nacionais de Cambará do Sul.

Voltando a contar sobre nossa Expedição Aparados da Serra: saímos de Cambará do Sul, eu Josemar Contesini, operador de Ecoturismo e Turismo de Aventura na região da Operadora Aparados da Serra Adventure, e Andrews Mohr, condutor local de Ecoturismo e Turismo de Natureza da Agência Aparados Ecoturismo e administrador das Pousadas: Estagem da Colina e da Pousada Campanário, para o ponto de encontro de toda a equipe, na Pousada Vale das Trutas em São Jose dos Ausentes.

Também estavam o casal: Lucas Jasper e Camila Jasper da Cine Travel que captaram imagens para a produção de um filme “Trekking na Terra dos Cânions” – Expedição São José dos Ausentes.

Para completar o grupo, o condutor local Cleber Pazini da agência receptiva Terra Sul, de S. J. dos Ausentes, e que também conduziu as duas Mulinhas, grandes figuras, Djão e Parenti: bichos incríveis.

Aparados da Serra

Contamos também com o apoio de terra do Douglas Machado, de Cambará e do Leonardo Salib de Ausentes, e diversos amigos que encontramos neste percurso.

Saímos da pousada para o ponto de partida, que foi no começo da descida da Serra da Rocinha. Descarregamos os equipamentos, e nos preparamos para dar início a nossa aventura.

Neste primeiro dia de trekking, a caminhada foi em direção a borda superior do Cânion da Serra Velha. Incrível! Que cânion gigante! Durante o percurso, no horizonte há leste, uma vista dos Morros dos Três Irmãos.

Aparados da Serra
Aparados da Serra

Seguimos no caminho das ruinas de Taipas, antigas sinalizações que dá início a descida de Tropeiros da Serra Velha: estrada que ligava a serra do Rio Grande do Sul à cidade de Timbé do Sul – SC, onde se tinha um movimento grande de tropeiros. Foi assim que estes viajantes foram colonizando toda a serra e região, o que chamamos hoje de identidade cultural do Povo Serrano do Sul do Brasil.

Aparados da Serra

Como o Sol estava muito forte perto do meio dia, achamos um local excelente, com água e sombra para o almoço. Grande almoço, confiram nas fotos.

Seguimos passando pelos campos de altitude dos Aparados da Serra, até chegarmos no Cânion da Rocinha, onde contornamos toda sua borda. Estávamos sempre acompanhados pela Matinha Nebular: cientificamente chamada de mata ombrófila densa, esta formidável vegetação arbustiva, muito particular deste lugar, e que leva este nome pelas altas incidências de neblina na região.

Aparados da Serra
Aparados da Serra

Continuamos até chegarmos no Arroio Rocinha, parada certa para banho, com água corrente e pequenas cachoeiras.

Seguindo em nossa caminhada pelos campos, chegamos em uma antiga fazenda da região, onde montamos nosso acampamento, com uma estrutura de primeira, onde cozinhamos o jantar: uma super refeição Tropeira para repor as energias! E descansar, depois de 20 Km percorrido.

Agora paro e penso neste final de 1ª dia de expedição, como está sendo bom, muita aventura, muitas risadas, trocas de experiência, vistas de tirar o fôlego, quase não consigo dormir, mas segue o baile…

Aparados da Serra

No segundo dia, logo cedo, tomamos um café da manhã com direito a paçoca de pinhão vegana, e um bom mate cevado.

Nosso próximo destino, Cânion do Amola Faca/Encerra. No caminho o relevo é acentuado com montanhas e vales, intercalando coxilhas (morros) suaves e profundas, que recortam a borda desse imenso planalto. Avistamos ao longe, e fomos deixando para traz, o local chamado Pontão do Tabuleiro, e seguimos costeando os dois vértices do Cânion Amola Faca, onde avistamos o Morro da Encerra, invernada importante nos tempos antigos das Tropeadas.

Almoçamos no caminho, em uma sombra com água fresca, sempre pontos fortes desta expedição, até chegarmos na ponta Norte do Cânion do Amola faca/Encerra, onde as ondulações suaves dão lugar a paredões verticais de rochas basálticas, com uma altitude média de 1.300 mts. Com uma ótima visibilidade, observa-se diversas cidades próximas da costa dos cânions, o Oceano Atlântico e toda a faixa do litoral com suas cidades costeiras, com suas lagoas incríveis, como a de Sombrio e de Itapeva, entre outras. Seguimos caminhando, até avistarmos ao leste, o Cânion do Realengo, e acessarmos as costas Sul do Cânion da Boa Vista.

No final deste dia uma surpresa especial: após ter percorridos mais 10 Km de nossa Expedição Aparados da Serra, chegamos para pernoitar na Pousada Ecológica dos Cânions, onde fomos muito bem acolhidos. Um banho revigorante e um jantar feito pela proprietária e Cheff de cozinha Mônica Sávio e pela Dona Maria e dormir aconchegante em camas e lenções limpos.

Em nosso terceiro dia, após um café da manhã típico da fazenda, seguimos a caminhada contornando a borda do Cânion da Boa Vista, que foi de impressionar! Caminhando pelo alto dos morros podemos ver as turfeiras gigantes, outra espécie de flora característica da região e muito encontrada nos locais de preservação; a turfeira, encharco ou banhado, como chamamos, é o local onde se dão os processos de carbonização lenta, pelos depósitos naturais de restos de musgos e plantas e até de animais. Aqui nos Aparados a turfa é formada essencialmente por musgos que chamamos de Sphagnos, típicos de clima frio e de elevada precipitação pluviométrica. Entre tantas plantas que são encontradas nas turfeiras da região, está o Gravatá, o Junco e a Samambaia do Banhado. Em nossa expedição passamos por uma turfeira com muitas flores que até ficou difícil descrever… tinha diversas flores rosas, que até parecia um mar de flores, muito bem registrado nas fotos desta jornada.

Novamente achamos um local abrigado do Sol e com água para o nosso almoço. Almoçados e descansados, demos início a caminhada, com uma vista privilegiada para o Morro da Catedral, mais uma intrigante formação rochosa. Passamos pelos Cânions da Coxilha, até avistarmos as costas sul do Pico do Monte Negro, onde fomos recebidos com surpresa pelo Sr. Mario Velho que veio a cavalo nos indicar o caminho que faltava para chegarmos em sua morada, a “Pousada Aparados da Serra”. Em um super ambiente, fomos acolhidos pela sua família, que são moradores da região do Cânion do Monte Negro a gerações, seguimos para mais uma noite com muito conforto, após 14 km percorrido durante este dia tão especial.

Fomos para um Jantar Serrano, com Churrasco, típico dos gaúchos, com um buffet de guarnições que deixou os vegetarianos e veganos muito satisfeitos e agradecidos, pois a fazenda conta com uma horta orgânica de “tirar o chapéu”.

De manhã com direito a vivenciar a lida campeira da fazenda e o famoso café Camargo, onde o peão de estância tira o leite da vaca direto em nossa caneca com café forte, servido na hora, também nos esperava um lindo banquete de café da manhã na pousada servido pela Bete, esposa do Sr. Mário. Após tudo pronto e de barriguinha cheia para mais um dia de trekking, partimos novamente com o acompanhamento do Sr. Mário, “cortando” matas de araucárias ou Floresta de Araucária, Floresta Ombrófila Mista, como os pesquisadores falam. Normalmente este “Bioma” se encontra em altitudes elevadas ou acima de 800 metros e contém incríveis espécies de fauna e flora, como as ervas típicas destes campos: as Coníferas e diversos angiospermas, sendo um ecossistema com chuvas esparsas durante o ano todo.

A Araucária é encontrada em maior quantidade aqui no Brasil, nos estados de Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul e de forma esparsa nos estados de São Paulo e Minas Gerais, e Rio de janeiro, que faz parte do bioma mata Atlântica.

A mata Ombrófila Mista imprime um aspecto próprio e único das Florestas de Araucária e é caracterizada pela forte presença do Pinheiro do Paraná, ou a antiga Araucária Angustifólia, que agora chamamos de “Araucária Brasilienses”, único pinheiro genuinamente brasileiro; e, para vocês entenderem melhor sobre esta árvore sagrada, muito cultuada pelos índios que aqui habitavam, registra-se que antes do descobrimento do Brasil, esta vegetação de mata se estendia numa faixa contínua no Planalto Meridional, desde o sul do Estado de São Paulo até o norte do Rio Grande do Sul, chegando até a Província das Missiones na Argentina a oeste. E que hoje, infelizmente só resta 3% de sua mata original.

Seguimos a caminhada pelo Planalto, agora sempre coberto por campos limpos, e por toda a parte numerosas nascentes de rios cristalinos, até chegarmos no Cânion e Pico do Monte Negro, a 1.403 metros do nível do mar, é o ponto mais alto do Rio Grande do Sul, e considerado um dos lugares mais frios do país. É tanta beleza e tanta vida, que ficamos impressionados com este lugar espetacular. Paramos observando os cânions e os seus paredões gigantes, onde observa-se riscos horizontais nas rochas, que sinaliza geologicamente que a lava foi subindo e resfriando, por diversas vezes, e que vieram originar o Planalto Sul brasileiro, formado a partir de sucessivos derrames basálticos na região, com intensas atividades vulcânicas ocorridas há milhões de anos.

A vegetação rupestre que vemos no interior dos Cânions também se destaca e se adensa da borda superior, nas suas encostas, até o fundo do cânion, onde sutilmente se dá lugar a Mata Atlântica.

Seguindo nosso roteiro, fomos de repente surpreendidos por uma forte neblina, ela veio rápida e muito densa dificultando nossa navegação, sorte nossa estar com o Sr. Mario, conhecedor e tropeiro desta região. Ai foi fácil seguir nosso caminho nesta viração. Contornamos o Cânion do Monte Negro até chegarmos no Cânion da Cruzinha, onde fizemos uma parada para almoço em meio ao “nevoeiro”.

Continuamos percorrendo por campos e vales até chegarmos na fazenda do Sr.  Juscelino, que nos recebeu de uma forma incrível e hospitaleira, oferendo sua casa com toda estrutura para pernoitarmos, mas já tínhamos planejado a nossa última noite em acampamento em meio a mata nativa.

 Aparados da Serra

Nos despedimos do seu Mário, após caminharmos mais 14 km durante o dia. Montamos acampamento e fizemos o jantar, um prato de Yakisoba Serrano, ou Sōsu Yakissoba, que é um prato de origem japonesa, muito conhecido internacionalmente, composto por legumes e verduras, mas este nosso, com um toque especial: a lá campos de altitude! com sobremesa mas que diferente, um Crepe-Susete flambado a conhaque e recheado com uma geleia de laranja deliciosa, direto dos Sabores da Querência, da fazenda Macânuda daqui de Cambará do Sul, ufa, quanta aventura, e agora, boa noite!

Logo pela manhã desmontamos acampamento e seguimos para a divisa de estados do Rio Grande do Sul e Santa Catarina, local marcado por uma Taipa ou muro de Pedra, ao qual ficamos imaginando o quanto antiga devia ser este “passo”. Ponto de encontro de tropeiros e índios, índios estes que foram os primeiros habitantes e verdadeiros nativos da serra, com uma diversidade muito grande de raças e etnias, como: as tribos Caáguas, Kaigangues, Xokleng, entre outras da etnia “G”, que viviam livres e em harmonia com a natureza, sendo muitos deles, coletores de frutos e sementes, mas que com certeza ajudaram a construir nossa atual estrutura, antes e depois do descobrimento do Brasil.

Tanto que alguns dos costumes mais tradicionais dos gaúchos como o churrasco e de tomar o chimarrão, são heranças destes indígenas que aqui moravam.

Após ser registrado este ponto importante, seguimos para conhecer e comtemplar os Cânions da minha esposa e da minha filha, Carol e Marcela ou os Cânions das Tigras, que eu há mais de 15 anos tinha curiosidade de conhecer e sentir a energia deste local inóspito e intocado dos Aparados da Serra.

Legal, concluímos nosso objetivo! E de repente, entre nós muito Silencio.

E o que percebo agora, entre os Expedicionários e eu, e que após 5 dias percorridos de sucesso é de missão cumprida. Com um sentimento de respeito a toda esta grandeza, e por esta terra tão antiga.

Neste momento onde ficamos sentados em nossas mochilas, só observando toda esta maravilha, me conecto com a mãe terra, com a mãe natureza. Gratidão ao sagrado e a todos por esta oportunidade.

Dentre tantos sentimentos que neste momento nos cercava, um lembrança veio em minha mente: sobre as numerosas espécies da flora e da fauna que são únicas de nossa região e que tenho a oportunidade de falar para vocês, de vive-las e senti-las estando neste lugar.

Assim fico imaginando todos animais que habitavam e habitam a região, as aves, os mamíferos, répteis, anfíbios, as borboletas, (…) que nem consigo descrever tamanha grandeza.

Fauna nos Aparados da Serra

Neste percurso nós conseguimos ver diversos animais e identificar muitas pegadas ao longo da expedição, mas na verdade são quase nada, comparado as inúmeras espécies que aqui vivem. Sabíamos que os animais estavam lá, apesar de não vê-los, muitos deles com hábitos noturnos, e muitos que também só nos observavam ao longe. Os Campos de Altitude, ou os Campos de Cima da Serra é um dos ecossistemas mais ricos em relação à biodiversidade de espécies animais, contando com muitos indivíduos endêmicos ou raros, e vários ameaçados de extinção e diversas espécies migratórias, portanto, acreditamos e confiamos nessa força de integração entre o homem e nessa abundante vida que pulsava e nos cercava.

Já falando da bicharada, falo que aqui é morada certa de diversas aves, como a nossa tradicional Curicaca, algumas rasteiras ou de chão, o Inhanbuguaçu, o Perdiz ou Perdigão, a Seriema, o Jacuaçu, Jacu, a Jacutinga o Macuco e o Quero-quero.

Das aves imponentes no céu, temos o Urubu Rei, o Urubu de Cabeça Vermelha, e o Urubu da Cabeça Preta, o Tradicional  Carcara, o Gavião Pato, o Gavião Pega Macaco, o Gavião Tesoura, a Águia Cinzenta, a Águia Chilena, o Falcão Peregrino e o Gavião Carrapareiro, muitas destas espécies ameaçadas de extinção. Também temos aqui o Tiê Sangue, a Araponga, o Sanhaço, numerosos Beija Flores, os Tucanos do Bico Preto e do Bico Verde, Saíras, Gaturanos, além dos muitos Papagaios: Papagaio da Serra e Papagaio de Peito Roxo, Papagaio Charão, e vivem aqui a Tiriba de Testa Vermelha cuja sobrevivência dessas espécies está diretamente atrelada à sobrevivência da Floresta de Araucária; e a mais imponente e conhecida ave, sendo a símbolo da região, a Gralha Azul.

Entre os mamíferos podemos falar de várias espécies: o Tamanduá Mirim, o Mão Pelada, os diversos tipos de Tatus, como o de Rabo Mole, inclusive espécies que estão ameaçadas de extinção, como os primatas: o Bugio, o Mono Carvoeiro ou Muriqui do Sul, o Macaco Prego, o Guariba, o Mico Leão Dourado, vários Saguis entre outros bichos incríveis de árvores como a Preguiça de Coleira, o Esquilo Caxinguelê.

Temos aqui na região os felinos, tendo eles como o maior predador do planalto das Araucárias: o Puma Concolor, ou Onça Parda ou como chamamos também de Leão Baio. Diversos outros felinos como o Gato do Mato, a Jaguatirica, o Jaguarundi, o Maracaja, Gato Mourisco e até a presença da Onça Pintada.

Dos canídeos, temos o mais famoso: o Lobo-guará, que ainda avistamos mas que não temos noção de quantos indivíduos ainda restam nos campos de Cima da Serra; também o tradicional Guaxinim, muito conhecido por todos que por aqui passam; o Cachorro do Mato de Orelha Curta, a Raposa do Campo, o Cachorro Vinagre e o Cachorro do Mato.

Também temos os cervos, o Veado-campeiro, o Veado Bororo do Sul e o Veado catingueiro, também facilmente avistados na região.

Entre os principais répteis desse ecossistema estão Sapinho da Barriga Vermelha endêmico daqui de nossa região, o Sapo Cururu e o Teiú, nosso Lagarto com mais de 1,5m de comprimento, as inúmeras Jararacas, as Corais verdadeiras e falsas, e a cascavel de altitude, entre tantos outros.

Bom, para finalizar, me resta falar que para a realização da expedição Aparados da Serra, contamos com o incrível apoio da Prefeitura de São Jose dos Ausentes, na pessoa do Prefeito Paulo Guimarães, e da Secretária de Turismo, que não mediu esforços para realizarmos este projeto de Ecoturismo e Turismo de Aventura,  Aline Maria Trindade Ramos, Prefeitura de Cambará do Sul, com nosso prefeito Schamberlaen José Silvestre e nossa Secretária de Turismo Beatriz Trindade, e todas as pessoas incríveis que acreditaram neste trabalho, que nos motivaram e nos apoiaram.

Mas o desejo de voltarmos aqui e de explorarmos novos lugares, é o que fica em nosso interior.

Daqui de onde estamos, na borda dos cânions, já avistávamos nosso próximo desafio, a descida da Serra da Veneza, importante descida de serra na época para o Império e para os tropeiros de todos o sul do País. Quem se aventura em deixar suas pegadas ecológicas nesta jornada do bem e da natureza viva? Contem conosco!

Abraços a todos, e até mais.

Josemar Contesini

Aparados da Serra Adventure

Cambará do Sul – RS

Cerro de la Silla

Situado no norte do México, mais precisamente dentro da região metropolitana de Monterrey, terceira maior área urbana deste país da América do Norte. O Cerro de la Silla ou “Montanha da Cela” como poderia ser chamado em português ganhou este nome em questão ao seu formato, por parecer muito com uma cela utilizada nos cavalos.

O Cerro de la Silla é uma área que desde 26 de Abril de 1991 foi decretada área de proteção ambiental através do reconhecimento de monumento natural mediante um decreto presidencial. Contando assim com um  total de 6.309 hectares protegidas.

O Cerro de la Silla possui três principais picos, sendo cada um de diferente nível de dificuldade para chegar. Seus nomes são; Pico da Antena com 1.751 metros, Pico Norte com a mair altitude entre os três com 1.820 metros e o Pico Sul com 1.650m. Todos podem ser feitos em um dia de Hiking (Caminhada) Você levará em média de 7 a 9 horas para fazer todo o percurso de ida e volta. Por isso separe um dia para realizar a subida.

Pico da Antena

A partir da Rua Bosques da Pastora no município de Guadalupe na parte final da rua você chegará ao início do caminho que te levará ao pico da Antena e que também é parte do caminho que te levará ao pico Norte.

O caminho está muito bem marcado por que passa onde existe uma estrada que foi construída para a manutenção das antenas que estão no topo. Por esta questão é um caminho que você encontrará mais caminhantes e corredores de montanha pela facilidade de como o caminho está marcado.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Subindo o caminho, até um ponto já alto da montanha você encontrará com uma grande estrutura de concreto que hoje são as ruínas de um antigo teleférico, que no dia da sua inauguração teve um acidente com o rompimento de um cabo e desde então nunca mais foi reaberto. Chegando a este ponto, muitos já descem novamente. O teleférico é uma excelente opção para quando não se tem muito tempo ou o preparo físico que demanda os demais picos, assim que este trajeto pode ser feito em duas horas de caminhada.

Vista da região metropolitana de Monterrey desde o antigo teleférico abandonado.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Após horas de subida você passará por vários pontos de observação para a região metropolitana de Monterrey, cada uma um espetáculo a parte. E já ao finalizar a subida você se deparará com uma cerca onde se encontram as antenas, neste lugar não é permitida a entrada, assim que deve-se seguir pela cerca até chegar a um ponto na lateral com muitas pedras onde será seu ponto final e te proporcionará uma visão incrível de todo o outro lado com a cadeia de montanhas que fazem parte da reserva do Cerro de la Silla.

Foto de um dia com nuvens na cidade de Monterrey, vista pelo caminho ao pico das antenas.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Chegada ao cume do pico das antena, de aqui se pode deslumbrar todo o vale da Reserva Natural Escondito entre as montanhas.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Pico Norte visto desde o pico das antenas.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

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Pico Norte

Pico de maior dificuldade, tomando o mesmo caminho para o pico da antena uma trilha a direita após passar o antigo teleférico, a trilha se torna um pequeno caminho que contorna grandes pedras, onde se pode mencionar o “Paso de los Elefates” local de gigantes pedras calcarias de onde pode ter uma excelente visão da região metropolitana de Monterrey.

Ao entrar na trilha para o pico norte se notará que se trata de um caminho muito mais fechado de vegetação e de subidas e baixadas em questão ao caminho muito pedregoso. Se encontrará marcações em pedras e algumas fitas coloridas em árvores, no entanto deve-se estar sempre atento pois existe uma possibilidade de perder-se, ainda mais caso seja a sua primeira vez. É muito recomendado ir com alguém que conheça o caminho previamente ou usar um GPS para ajudar a guiar-te.

Seguindo o caminho haverá um ponto em que será necessário perder elevação, este é o ponto em que se desce o vale entre o pico das antenas e o pico norte. Este vale apresenta uma vegetação muito diferente por ser um lugar de pouco sol e que preserva uma boa umidade em um clima que normalmente é semidesértico no norte do México

Caminho de subida após o vale entre o Pico da Antena e Pico Norte

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Desde esse ponto será apenas subida já pela montanha do pico norte. Esse trecho consiste em um caminho que normalmente é feito em 1 hora e meia em média desde o bosque úmido do vale e a medida que se ganha altitude a vegetação se torna menor, até o ponto próximo ao pico que conta apenas com vegetação rasteira.

Próximo a alcançar o cume do Pico Norte, ao fundo tico da Antena.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Pico da Antena visto do Pico Norte.

O pico norte proporciona uma visão incrível em 360 graus de toda a região metropolitana, tudo isso ao lado de um grande abismo de rochas calcárias de tirar o fôlego. Tudo isso ainda com a possibilidade de ver toda outra cadeia de montanhas que no México é chamada de Sierra Madre, ela compeende grande parte do território mexicano, no entanto esta cadeia montanhosa  se estende desde a América Central até o Canadá cruzando por todo o país.

Chegada ao cume do Pico Norte

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Vista da região metropolitana de Monterrey desde o cume

Cerro de la Silla - México
Cerro de la Silla – Foto: Lucas Schmitz

Cerro de la Silla - México
Cerro de la Silla – Foto: Lucas Schmitz

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