Cerro de la Silla

Situado no norte do México, mais precisamente dentro da região metropolitana de Monterrey, terceira maior área urbana deste país da América do Norte. O Cerro de la Silla ou “Montanha da Cela” como poderia ser chamado em português ganhou este nome em questão ao seu formato, por parecer muito com uma cela utilizada nos cavalos.

O Cerro de la Silla é uma área que desde 26 de Abril de 1991 foi decretada área de proteção ambiental através do reconhecimento de monumento natural mediante um decreto presidencial. Contando assim com um  total de 6.309 hectares protegidas.

O Cerro de la Silla possui três principais picos, sendo cada um de diferente nível de dificuldade para chegar. Seus nomes são; Pico da Antena com 1.751 metros, Pico Norte com a mair altitude entre os três com 1.820 metros e o Pico Sul com 1.650m. Todos podem ser feitos em um dia de Hiking (Caminhada) Você levará em média de 7 a 9 horas para fazer todo o percurso de ida e volta. Por isso separe um dia para realizar a subida.

Pico da Antena

A partir da Rua Bosques da Pastora no município de Guadalupe na parte final da rua você chegará ao início do caminho que te levará ao pico da Antena e que também é parte do caminho que te levará ao pico Norte.

O caminho está muito bem marcado por que passa onde existe uma estrada que foi construída para a manutenção das antenas que estão no topo. Por esta questão é um caminho que você encontrará mais caminhantes e corredores de montanha pela facilidade de como o caminho está marcado.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Subindo o caminho, até um ponto já alto da montanha você encontrará com uma grande estrutura de concreto que hoje são as ruínas de um antigo teleférico, que no dia da sua inauguração teve um acidente com o rompimento de um cabo e desde então nunca mais foi reaberto. Chegando a este ponto, muitos já descem novamente. O teleférico é uma excelente opção para quando não se tem muito tempo ou o preparo físico que demanda os demais picos, assim que este trajeto pode ser feito em duas horas de caminhada.

Vista da região metropolitana de Monterrey desde o antigo teleférico abandonado.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz
Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Após horas de subida você passará por vários pontos de observação para a região metropolitana de Monterrey, cada uma um espetáculo a parte. E já ao finalizar a subida você se deparará com uma cerca onde se encontram as antenas, neste lugar não é permitida a entrada, assim que deve-se seguir pela cerca até chegar a um ponto na lateral com muitas pedras onde será seu ponto final e te proporcionará uma visão incrível de todo o outro lado com a cadeia de montanhas que fazem parte da reserva do Cerro de la Silla.

Foto de um dia com nuvens na cidade de Monterrey, vista pelo caminho ao pico das antenas.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Chegada ao cume do pico das antena, de aqui se pode deslumbrar todo o vale da Reserva Natural Escondito entre as montanhas.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz
Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Pico Norte visto desde o pico das antenas.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

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Pico Norte

Pico de maior dificuldade, tomando o mesmo caminho para o pico da antena uma trilha a direita após passar o antigo teleférico, a trilha se torna um pequeno caminho que contorna grandes pedras, onde se pode mencionar o “Paso de los Elefates” local de gigantes pedras calcarias de onde pode ter uma excelente visão da região metropolitana de Monterrey.

Ao entrar na trilha para o pico norte se notará que se trata de um caminho muito mais fechado de vegetação e de subidas e baixadas em questão ao caminho muito pedregoso. Se encontrará marcações em pedras e algumas fitas coloridas em árvores, no entanto deve-se estar sempre atento pois existe uma possibilidade de perder-se, ainda mais caso seja a sua primeira vez. É muito recomendado ir com alguém que conheça o caminho previamente ou usar um GPS para ajudar a guiar-te.

Seguindo o caminho haverá um ponto em que será necessário perder elevação, este é o ponto em que se desce o vale entre o pico das antenas e o pico norte. Este vale apresenta uma vegetação muito diferente por ser um lugar de pouco sol e que preserva uma boa umidade em um clima que normalmente é semidesértico no norte do México

Caminho de subida após o vale entre o Pico da Antena e Pico Norte

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Desde esse ponto será apenas subida já pela montanha do pico norte. Esse trecho consiste em um caminho que normalmente é feito em 1 hora e meia em média desde o bosque úmido do vale e a medida que se ganha altitude a vegetação se torna menor, até o ponto próximo ao pico que conta apenas com vegetação rasteira.

Próximo a alcançar o cume do Pico Norte, ao fundo tico da Antena.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Pico da Antena visto do Pico Norte.

O pico norte proporciona uma visão incrível em 360 graus de toda a região metropolitana, tudo isso ao lado de um grande abismo de rochas calcárias de tirar o fôlego. Tudo isso ainda com a possibilidade de ver toda outra cadeia de montanhas que no México é chamada de Sierra Madre, ela compeende grande parte do território mexicano, no entanto esta cadeia montanhosa  se estende desde a América Central até o Canadá cruzando por todo o país.

Chegada ao cume do Pico Norte

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Vista da região metropolitana de Monterrey desde o cume

Cerro de la Silla - México
Cerro de la Silla – Foto: Lucas Schmitz
Cerro de la Silla - México
Cerro de la Silla – Foto: Lucas Schmitz

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Pedalar é contar histórias

Durante a minha “vida de ciclista” conheci pessoas que me ensinaram algo e têm o mesmo espírito que eu, adoram pedalar e conheci outras que me alegro de ter esquecido.

Fiz dezenas de amigos de diversas cidades do Rio Grande do Sul, dentre esses está o casal Patrícia Campregher (Paty), Marcos Alexandre Bassegio (Kiko) e a Ana Clara (Kaká) de Guaporé.

Pedalar é contar histórias

Eles são proprietários da Loja Caveira Bike, a história deles e da loja é fantástica! Confira…

A loja existe a mais de 10 anos, iniciou como locadora de vídeos e em 2015 se tornou Caveira Bike, loja e oficina especializada para atender os ciclistas da região de Guaporé.

Kiko sempre pedalou, desde criança já partia para os interiores e cidades vizinhas com os amigos. Porém, depois de adulto entrou no motociclismo por um tempo e à cerca de 10 anos voltou a se dedicar as bicicletas. Já a Paty, me confessou que só aprendeu a pedalar depois dos 30 anos, “Cansei de esperar a volta do Kiko e resolvi aprender para poder ir também!” – revela ela aos risos.

Pedalar é contar histórias

Mesmo aprendendo a  pedalar depois de adulta, Paty aprendeu rápido todas as técnicas que o Mountain Bike exige e em 2016 foi Campeã Gaúcha de MTB e XCO. Além dela outros 12 atletas da equipe Caveira Bike passaram o ano todo competindo em 14 etapas, que ocorreram em diversas cidades do Estado.

Pedalar é contar histórias

Com um extenso currículo de provas, Kiko participou de muitas competições dentro e fora do Estado, tanto na modalidade MTB como na modalidade ESTRADA. Dentre todas ele destaca a Threerace como uma das mais especiais até então.

Pedalar é contar histórias

Já a Kaká, anda de bicicleta desde os 9 meses de idade! Ficava na cadeirinha e adorava, foi acostumando naturalmente e agora que já consegue pedalar sozinha começou a pedir para ir junto! “Ela ama, conversa e canta o tempo todo…é uma alegria” – comenta o casal.

Pedalar é contar histórias

Pedalar é contar histórias

Além da escola e dos pedais a pequena ciclista faz inglês, catequese e alguns trabalhos de modelo.

A maioria das crianças de hoje em dia, não aproveitam o espaço, não brincam como antigamente. Querem saber somente de celulares, computadores…Kaká é uma exceção! A pequena já sabe que pedalar é sinônimo de saúde, superação e muitas amizades.

“Nós incentivamos ela à pedalar e sempre que possível levamos ela junto. Nunca forçamos nada! Ela pedala quando quer…” comenta o casal orgulhoso da (quem sabe) futura Campeã Gaúcha de MTB e XCO como a mãe.

Pedalar é contar histórias

Serra da Veneza x Rio do Rastro

A travessia nada mais é que um percurso que realizamos em parceria com a empresa Sol de Indiada entre às Serras da Veneza e Rio do Rastro/SC.

A travessia foi realizada em 3 dias e duas noites, caminhamos cerca de 45 quilômetros entre campos e bordas dos cânions de Bom jardim da Serra no estado de Santa Catarina – Brasil.

As travessias realizadas pela empresa Sol de Indiada são indicadas para pessoas que estão iniciando no trekking, além das diversos tipos de pacotes oferecidos, o que mais chama a atenção é para o pacote completo, este inclui: translado de ida e volta, acompanhamento de guias experientes em todas as trilhas, apoios com veículos 4×4, alimentação inclusa e ainda a opção de você carregar a mochila cargueira ou de ataque.

Um detalhe interessante sobre a Sol de Indiada é que se você não tem barraca, saco de dormir ou mochilas, você pode contatar a empresa e alugar para a aventura.

Caminhar em lugares assim com uma empresa tão dedicada a seus clientes faz valer a pena a contratação de serviços assim, não é a toa que estávamos em cerca de 70 pessoas incluindo, motoristas especialistas em veículos 4×4, cozinheiros, guias e fotógrafos. Nessa viagem tinha pessoas de inúmeras cidades, sendo dos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e claro aqui do Rio Grande do Sul.

A travessia começou no dia 7 de setembro, em pleno feriado da Independência, nesse primeiro dia caminhamos um pouco por trilhas e algumas estradas em meio aos campos de cima da serra, cruzávamos pequenos córregos e alguns campos de turfeiras até chegar nas bordas dos cânions.

O dia estava completamente ensolarado, temperatura próxima a 25 graus, céu azul e sem nenhuma nuvem, dia perfeito para contemplação de lindas paisagens.

A caminhada era de nível fácil sem grandes dificuldades, na borda dos cânions podíamos avistar uma linda vista dos grandiosos paredões rochosos e cristas que compõem os Aparados da Serra.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Neste primeiro dia de travessia caminhamos cerca de 15 quilômetros, eu levei apenas a mochila de ataque Mountain Hardwear 30L com o lanche de trilha, água, roupas e câmera fotográfica.

Caminhar nas bordas das serras é uma aventura maravilhosa, a cada subida de morro a vista muda, o cenário é outro, são visuais de tirar o fôlego.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Como boa parte das pessoas eram iniciantes em travessias, demoramos o dia todo para percorrer os 15 quilômetros de caminhada, mas chegamos no acampamento base a tempo de curtir o pôr do sol, enquanto montávamos as barracas.

O acampamento base nada mais era que uma fazenda perto do Rio Púlpito, com galpão e banheiros, só não havia luz no local.

Depois de encontrar o melhor lugar para acampar, montei a barraca e comecei a preparar o meu jantar, este foi, massa espaguete com molho bolonhesa e salame. Para as demais pessoas os cozinheiros prepararam um jantar de risoto com pêra e queijo gorgonzola, com suco de caixa de sabor uva e laranja. Para os vegetarianos e veganos tinha a opção de arroz e feijão. Só preparei o meu jantar pois não sou muito fã de queijo e nem de pêra. kkk

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Depois de todos jantar era hora de fazer aquela fogueira especial, com direito a roda de violão. No grupo havia dois violeiros que cantaram por cerca de duas horas musicas animadas de diversos estilos musicais como: gauchescas, reguee, sertanejo e rock n´ roll.

Fomos dormir cerca de 22:00 horas da noite, o frio era intenso, não ventava no local, o céu não continha nenhuma nuvem. Olhando para o céu, estava completamente brilhante, estávamos de fato em um hotel 1 milhão de estrelas.

No segundo dia acordei bem cedo, cerca de 6:00 horas da manhã, o sol ainda não havia nascido, ao sair da barraca lembro de ver pequenos pedaços de gelo no chão e em toda a barraca. Não sei qual era a temperatura naquele horário, mas tinha sensação de estar uns -3 graus. Era impossível deixar os dedos para fora dos bolsos da jaqueta, chegavam a doer de tanto frio.

Peguei a maquina fotográfica e fui capturar umas fotos da barraca e da neblina que se mostrava subindo em meio aos campos, o céu alaranjado e meio magenta contrastava com as belas araucárias no local.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Às 7:00 horas da manhã o café estava servido, nele continha, tapioca feita na hora de inúmeros sabores, também havia pão, geleias de uva, figada e de abobora, café preto, café com leite e achocolatado, frutas, queijos, presuntos e sem falar que tinha um pote gigantesco de Nutella. Olhei para tudo aquilo e pensei, tá melhor que lá em casa..kkkk

Depois de comer um pouco de tudo e tomar umas 3 xícaras de café, fui até a barraca para organizar a mochila, preparar o lanche para trilha, desmontar a barraca e carregar tudo na mochila cargueira. A mochila que usei é uma Osprey Atmos 50 L estava pesando aproximadamente 12 kg, usei ela para testar o modelo e também para treinar o condicionamento físico.

Geralmente os iniciantes não estão muito acostumado a fazer travessias, demoram mais tempo para colocar tudo dentro da mochila, por esse motivo começamos a caminhar por volta de 9:00 horas da manhã.

A caminhada seguiu pelas bordas dos cânions, subíamos e descíamos morros, serpenteando as bordas, em determinados locais, parávamos para contemplar à vista, caminhar próximo as bordas é muito bom, pois em alguns momentos podemos sentir uma brisa gelada, fazia parecer que tinham ligado o ar condicionado, o sol continuava muito forte e o céu sem nuvens.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Ao meio dia paramos para almoçar em meio a um capão de pinos ilhotes, caminhar nessa região é engraçado, pois estamos sempre colocando o casaco e-o tirando, chega a fazer isso mais que 5 vezes ao dia. A temperatura também varia muito dependendo do horário do dia, as manhãs e as noites são congelantes, durante boa parte do dia é quente, mas em algumas vezes é possível que feche na neblina e tenhamos que por jaquetas e gorros.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Paulo Gerstner

Durante a tarde toda caminhamos perto das bordas dos cânions, por muitas vezes avistávamos cidades ao longe, como o dia estava perfeito era garantido a captura de fotos incríveis.

Conforme íamos caminhando começamos a adentrar dentro do Parque Eólico, a vista do lado direito que tínhamos eram das bordas e do lado esquerdo, campos verdejantes com os cata ventos no alto dos morros.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

No fim de tarde chegamos ao acampamento do Jorge, localizado bem perto do Cânion da Ronda em Bom Jardim da Serra/SC, o local conta com uma grande área para camping, um galpão enorme, banheiros divididos por sexo e energia elétrica.

Ali alguns aventureiros já escolhiam o melhor lugar para armar suas barracas, na cozinha os cozinheiros já faziam o jantar, neste dia o cardápio seria strogonoff de carne com arroz e batata palha. Na minha opinião essa é uma das melhores refeições para se fazer no acampamento.

O jantar foi servido cedo, todos nós estávamos com muita fome, após o jantar foi realizada uma surpresa para um dos guias e proprietário da empresa Sol de Indiada, era noite de confraternizar o aniversário do Evandro Clunc. Melhor que fazer aniversário é poder celebrar esse dia em meio a natureza em um local tão especial que é a travessia entre serras.

Depois de muitas felicitações, os violeiros roubaram a cena, e logo começou as musicas animadas, como estava um pouco preguiçoso fui me deitar e não fiquei até o final das cantorias.

Último dia de travessia

O sol ainda não tinha levantado, e eu já estava aposto com a maquina fotográfica capturando as belas imagens antes do sol nascer, nessa manhã o clima estava agradável, não estava muito frio em relação ao dia anterior.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Cada um arrumou suas coisas, acondicionando dentro de suas mochilas cargueiras e de ataque, eu pus tudo dentro da cargueira e separei apenas a maquina fotográfica, o lanche e a água para levar em minha mochila de ataque.

O café começou a ser servido e como sempre tinha inúmeras opções, era como estar em um hotel, estava tudo perfeito.

Após o café era hora de botar as mochilas nas costas e seguir de ônibus até próximo as bordas de onde iria começar a caminhada propriamente dita, nosso destino final seria a famosa Serra do Rio do Rastro/SC, lembro do guia informar que caminharíamos um pouco mais rápido do que nos outros dias, pois ele tinha reservado um almoço no restaurante Mensageiro da Montanha, tínhamos que chegar lá no máximo às 14:00 horas.

Neste último trecho de caminhada a visão que tínhamos era de tirar o fôlego, as montanhas pareciam estarem uma em cima das outras, caminhar por esse trecho é muito belo, a todo tempo essa vista muda e encanta a cada passo dado.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Capturamos muitas fotografias, de muitos ângulos diferentes até que chegamos no Cânion da Ronda, ali podemos avistar os morros que formam a Serra do Rio do Rastro, é uma outra visão de um dos atrativos mais visitados do estado de Santa Catarina.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Do Cânion da Ronda em diante seguimos de ônibus até o mirante e restaurante Mensageiro da Montanha.

Ao chegar no mirante da Serra do Rio do Rastro, vimos que havia inúmeros turistas, então antes de ir lá capturar umas fotos da serra, resolvemos almoçar.

O restaurante serve todo o tipo de comida, o atendimento é muito bom, vale a pena o investimento, além do restaurante, há também uma pequena lojinha com artesanato e lembranças deste lugar incrível.

Depois de nos servirmos inúmeras vezes, era hora de ir contemplar a Serra do Rio do Rastro, enquanto fazíamos a digestão no sol. Assim terminou mais uma travessia de trekking entre as serras.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Veja também:

Explore as estradas da Serra Catarinense

O melhor trekking do sul do Brasil

Travessia do Cânion Laranjeiras ao Cânion do Funil

Parque Estadual do Marumbi/PR

O Parque Estadual do Marumbi é um complexo de montanhas localizadas na Serra do Mar no estado do Paraná, região sul do Brasil.

A minha aventura começou no dia 31 de Agosto/2018, na cidade de Caxias do Sul/RS, fui convidado pela empresa de Turismo de Aventuras Sol de Indiada a fazer o que é hoje a trilha mais difícil do Brasil, realizada em um dia.

Saímos da cidade de Caxias do Sul por volta de 2:30 horas da manhã de sexta feira com 3 carros, a primeira parada foi para o café da manhã em Lages/SC, nada melhor que tomar aquele café da manhã especial vendo o sol nascer.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Embarcamos nos carros e seguimos viagem, rumo ao Paraná, descemos a Serra da Graciosa e paramos para almoçar no restaurante Casa da Graciosa na cidade de Quatro Barras/PR. Recomendo muito esse local, simples, aconchegante e muito bom.

Dali em diante seguimos para a Estação Ferroviária Engenheiro Lange, a estrada que leva para a estação é um tanto íngreme, não recomendada para veículos sem tração 4×4, essa estrada também faz parte do final do Caminho de Itupava.

Na estação Lange era hora de tirar as mochilas dos veículos 4×4 e colocar nas costas, seguir por uma trilha demarcada em meio a mata até a Estação Marumbi, a trilha tem aproximadamente 1000 metros de distância, um caminho fácil, mas muito bonito.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Já na estação do Marumbi, deixamos as mochilas cargueiras na administração da estação e seguimos com as mochilas de ataque para explorar o primeiro caminho, a trilha do Rochedinho. Essa trilha é nível fácil, sem grandes obstáculos, mas é necessário atenção de quem a percorre, pois em alguns pontos você passa por algumas cristas de montanha um pouco íngremes e vertiginosas.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Do alto do Morro Rochedinho é possível avistar as estações de trem e boa parte do complexo do Marumbi, a paisagem compensa o esforço da caminhada.

Lembre-se sempre de avisar os funcionários da administração do parque o lugar que você vai e quantas pessoas vão com você, isso é primordial para manter a segurança de todos dentro do Parque Nacional do Marumbi.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch
Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch
Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Depois de tirar algumas fotos no alto do Morro do Rochedinho, descemos por uma outra trilha que dá acesso ao famoso Viaduto do Carvalho (Viaduto que liga os túneis 4 e 5 da ferrovia Paranaguá-Curitiba. Assentado sobre 5 pilares de alvenaria e em curva, sua posição faz parecer que o trem flutua no vazio. É um dos cartões postais mais famosos do estado).

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Dali em diante seguimos pela estrada de ferro até a estação Marumbi, montamos as barracas, jantamos e por volta das 9:00 já estávamos todos acomodados para dormir.

Trilha do Pico Marumbi, considerada a trilha mais difícil do Brasil realizada em um dia!

Acordamos por volta de 5:00 horas da manhã, tomamos aquele café especial sem pressa, arrumamos as mochilas de ataque. Dentro da minha, continha cerca de 5 litros de água, 2 batatas doces, 200 gramas de amendoim, barras de cereais, de vestuário continha uma blusa x-power Solo Polartec e um corta vento Fearless Conquista Montanhismo, também levei 2 maquinas fotográficas para registar a aventura e lanterna de cabeça.

Às 7:00 da manhã demos início a caminhada, lembro de o guia Evandro Clunc falar assim “caminhe como um velho, chegue como um novo” tínhamos que caminhar devagar, mas progressivamente.

A trilha que escolhemos fazer foi a Noroeste (vermelha) para subir e alcançar os seguintes pontos: Abrolhos (1200 metros), Ponta do Tigre (1400 metros), Gigante (1497 metros) e Olimpo (1539 metros de altitude). A descida seria realizada pela trilha Frontal (Branca), veja o mapa abaixo para entender as trilhas:

Parque Estadual do Marumbi/PR

A trilha possui inúmeros trechos de escalaminhada, vias ferrata, cordas e correntes de fixação, além de tudo isso a muita vegetação aos arredores das trilhas, em alguns pontos é necessário agarrar-se nas raízes e arvores para subir ou descer algum obstáculo.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Karine Grison

Chegamos no Abrolhos em cerca de 2:30 horas de duração, uma subida um tanto inclinada, passando por cristas de morros e paredões gigantescos, a visão que se tem lá do alto (1200 metros de altitude) é incrivelmente linda, pode se falar que é recompensadora depois de tantos degraus e esforço físico para se chegar até lá.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch
Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Após alguns minutos retornamos a trilha vermelha com sentido a Ponta do Tigre, nessa parte da subida você passa pelo vale das lágrimas e chega na Catedral (tem este nome em função de um conjunto de pedras gigantescas encaixadas uma nas outras, formando uma especie de gruta enorme e imponente, neste local fizemos uma parada estratégica para repor energias.

Depois de muita subida, combatendo o medo de altura, enfrentando todo o terreno acidentado desse trajeto, chegamos a Ponta do Tigre, local onde escolhemos para almoçar.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Evandro Clunc

Sentado em um gigante bloco de pedra, avistamos o Abrolhos, podíamos ver pessoas no alto daquele morro como se fossem “cabeças de percevejo”, isto nos faz pensar, o quanto somos pequenos diante dessa grandiosidade da natureza chamado Marumbi. Devemos preservar ao máximo lugares como este, para que um dia nossos filhos possam se aventurar por lugares de tirar o fôlego como são estas montanhas paranaenses.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Cerca de 30 minutos depois seguíamos para o Gigante e Olimpo, notei que o caminho entre a Ponta do Tigre e o Olimpo era um pouco menos íngreme, mas o corpo já apresentava sintomas de cansaço. Ao chegar no cume de 1539 metros, fiquei aliviado, estava no alto do Marumbi, metade do percurso estava feito, ficamos ali por cerca de 20 minutos, a neblina era intensa, não avistamos nada além de nós mesmos.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Era hora de continuar, agora seria o trajeto todo de descida, aí você se pergunta! “Agora ficou fácil, na descida todo o santo ajuda”. Digo a vocês, descer trilhas é muito mais difícil que subir, pois na descida todo o seu peso + mochila com carga está apoiada em suas pernas, joelhos e pés, é preciso tomar muito cuidado ao transpassar obstáculos, sejam eles de via ferrata, degraus ou pedras lisas, pois é muito fácil ocorrer lesões, descemos tranquilamente pela trilha Frontal (Branca).

O caminho de volta é bem mais curto do que o da ida, mas é mais íngreme, é necessário muito cuidado nas vias ferrata, desci devagar, olhando em cada lugar onde afirmar os pés, mãos e combatendo constantemente o meu medo de altura.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Evandro Clunc

Essa aventura não deve ser realizada por pessoas sem preparo físico, não é indicada para pessoas com problemas de articulações ou sobrepeso. Para aqueles que querem se desafiar e combater seus medos essa é a trilha perfeita para você testar seus limites físicos e psicológicos.

Chegamos no acampamento por volta de 18:30 minutos, foram cerca de 6:30 minutos subindo e 5:00 descendo, isso em 11, 42 quilômetros, posso dizer com todas as convicções que essa trilha pode ser considerada a mais difícil do Brasil realizada em um dia.

Desbravando o Complexo Marumbi/PR


Caso você tenha interesse em fazer essa aventura com a gente, inscreva-se na edição 2019!

Relato do curso de sobrevivência avançado

O curso realizado nos dias 25 e 26 de maio em área natural selvagem, nas proximidades do município de Farroupilha/RS, contou com uma patrulha de seis guerreiros, dentre eles um instrutor altamente qualificado em situações de sobrevivência na selva.

Os bravos alunos foram devidamente instruídos a cumprirem com os seguintes objetivos: apurar seus sentidos; usar conhecimentos de sobrevivência e muita criatividade; empregar técnicas de esportes de aventura; desenvolver resistência mental; trabalhar muito em equipe; superar obstáculos e desníveis naturais; cumprir travessia de elevado nível técnico; encontrar água, filtrar e purificar; encontrar e preparar alimentos; produzir fogo; construir e dormir em abrigo natural; navegar e orientar-se no terreno em formação tática; aprimorar habilidades manuais; produzir lança; preparar armadilhas para captura de animais; utilizar o máximo de recursos encontrados na selva para a sobrevivência; desenvolver raciocínio prático para solução de problemas; fortalecer sintonia com o ambiente natural; aguçar sentidos para trabalho noturno na selva.

A cada aluno fora permitido levar consigo apenas alguns itens, tais como faca de sobrevivência, facão de mato ou machadinha, pederneira, caneca metálica, 10 metros de cabo resistente, luva de mato, roupas resistentes, pequena porção de comida e água. Para o cumprimento da missão, o instrutor garantiu monitoramento constante da saúde e segurança da patrulha, carregando consigo estojo completo de primeiros socorros, cobertor térmico e equipamento de radiocomunicação.

Sobrevivência em áreas remotas

As atividades realizadas durante o curso aconteceram em ritmo dinâmico, de modo igual para cada participante, respeitando, sem dúvida, as limitações de cada um. No entanto, todos foram encorajados e buscarem o seu máximo potencial, sem diferenças, colocando à prova suas habilidades e resistências físicas e mental.

Exercícios físicos fizeram parte de todo o treinamento, para manter o corpo aquecido e preparado, para manter a frequência de batimentos cardíacos, e a moral do grupo alta (logo se dará atenção importante a esse aspecto). O plano de atividades foi executado pelo instrutor em ritmo paramilitar, ou seja, através de um cumprimento disciplinar, de modo a fundamentar a organização e atuação do grupo.

De fato, a patrulha pôde ter êxito muito em decorrência desse ritmo estabelecido. Vale lembrar que, por exemplo, em alguns relatos de sobrevivência o guerreiro teve de manter uma certa rotina programática para garantir o seu desenvolvimento num ambiente extremo.

Sobrevivência em áreas remotas

Sobrevivência em áreas remotas

Sobrevivência em áreas remotas

Sobrevivência em áreas remotas

Outra lição importante diz respeito a manter a mente ocupada. Desligar-se da própria superação e deixar-se abater são ingredientes devastadores. O trabalho é duro, árduo, pesado, cansativo e praticamente permanente. Dificuldades extremas são encontradas e é preciso encará-las de frente. Dores físicas, emocionais podem estar presentes. Ora, uma metáfora infalível para o que é a vida.

A sede, a fome, o frio e a exaustão devem ser subjugados. A sobrevivência é uma aventura. Do latim, ad venture significa o que vem pela frente. Ou seja, para sobreviver é preciso estar preparado para o que vier. Manter a mente aberta e estar disposto a novos paradigmas, diferentes formas de pensar, agir e interagir consigo e com os outros também foram objetivos atingidos no curso.

Para esse tipo de atividade, cada guerreiro encontra-se com seus próprios instintos, medos, aflições, receios, vaidades, autoestima. Para isso, ao deparar-se com essas e tantas outras características naturais do ser, cada um é estimulado a descobrir também os seus instintos criativos e potenciais essenciais, que podem estar adormecidos.

Já foi descoberto que o corpo responde de maneira diferente quando exposto a ambientes extremos, pois a fisiologia precisa trabalhar criativamente. As situações adversas estimulam o guerreiro a pensar em alternativas, novas possibilidades, encontrar chances, oportunidades, inventar, reinventar, elaborar estratégias, saídas e planos de ação. Nesse ínterim, o aluno pode reconhecer onde se sente mais à vontade, quais atividades consegue exercer com destreza, seus conhecimentos já adquiridos e suas características e habilidades pouco desenvolvidas.

Pode-se dizer que os bravos alunos demonstraram, acima de tudo, iniciativa para encarar as atividades propostas. A grande diferença entre ganhar ou perder, preocupar-se com certo ou errado, está na capacidade de enfrentar os desafios. Pode parecer simples ou pequeno, mas para alguns essa atitude exige grande esforço. Portanto, devem ser valorizados os pequenos atos de iniciativa.

Aliado a um senso de cooperação mútua e incentivo constante por parte do instrutor, o grupo pôde se sentir confiante para continuar persistindo nos desafios da selva. Nunca se estará cem porcento preparado, mas a atitude diante do desconhecido e das incertezas faz a diferença na qualidade do desenvolvimento pessoal.

Aliás, nos primórdios da história da humanidade, as grandes descobertas foram alcançadas após incessante trabalho de tentativa e erro. A sobrevivência na selva dos tempos atuais não é muito diferente, salvo proporções tecnológicas. Quer dizer, não se encontrará mágica para as dificuldades. O labor é penoso, pepita por pepita. Já diziam os sábios alquimistas: a opus é contra a natureza. A grande obra, seja ela qual for, neste caso podemos falar na grande obra que é sobreviver, não se conquista através de facilidades ou caminhos conhecidos. Pelo contrário, encarar situações adversas, condições desconfortáveis, coloca a opus a serviço de uma natureza mais ampla. Aprender a lidar com as dificuldades aumenta as chances de o sobrevivente sentir-se bem novamente, pois a harmonia com o ambiente natural selvagem lhe concede autoconhecimento, vigor e garra.

No curso, a patrulha de guerreiros colocou-se em exercício de participação e colaboração mútua constantes. Para que o andamento do treinamento seguisse seu plano, todos tiveram tarefas a cumprir e deveres para a vida comum do grupo.

Sobrevivência em áreas remotas

Sobrevivência em áreas remotas

Sobrevivência em áreas remotas

Sobrevivência em áreas remotas

Sobrevivência em áreas remotas

Auxílio, respeito, trabalho em equipe, boa interação foram fundamentais para o pleno desenvolvimento do curso. Para que uma boa aventura aconteça é preciso, acima de tudo, “brincar”. Ou seja, aproveitar o que está sendo vivido, manter uma atmosfera bem-humorada e basear as relações em espírito de amizade. Assim, a moral não cessa. Não só o guerreiro sobrevive, mas o trabalho que através dele é destinado. O trabalho que sobrevive é a conquista que cada um retribui para o mundo.

Ter coragem e coração pelo que se faz, aliar-se em espírito de equipe, colaborar mutuamente, agir com comprometimento, respeito e responsabilidade, curtir a vida selvagem e preciosa, a maior dádiva divina, estas são lições que foram reacendidas, pois já estão há muito esquecidas pela sociedade. O contato com o mundo natural faz lembrar aquilo que é essencial, sem gastos ou exageros. A patrulha pôde ensaiar o que é a vida em comunidade e como podemos adquirir novas formas de construir a vida humana em comum, florescer relações saudáveis e reanimar pessoas confiantes da sua própria natureza.

Sobrevivência em áreas remotas

Sobrevivência em áreas remotas

Sobrevivência em áreas remotas

Sobrevivência em áreas remotas

Palavra do Instrutor:  “Parabéns aos guerreiros Adriano, Flademir, Celso e Gilvani, e à guerreira Agnes pela conclusão com excelente aproveitamento do primeiro Curso de Sobrevivência Avançado.”

Texto escrito pela aluna do curso Agnes Andreoli, psicóloga especializada em comportamento. 

Deserto de Namíbia

Durante nossa passagem pelo continente Africano, o segundo país que nos acolheu foi Namíbia. Para nossa surpresa, lindo, cheio de história e pessoas como tantos outros do continente, mas que por conta do destino nos recebeu como filhos.

A Namíbia, que até 1990 era parte da África do Sul é um dos países menos povoados do mundo e dono de uma variedade de paisagens de tirar o fôlego. Em uma de nossas visitas por lá, conhecemos o Deserto da Namíbia, o deserto mais antigo do mundo! Este deserto abriga diversas atrações e você pode ficar dias por lá e cada nova duna será surpreendente.

Nós queríamos muito conhecer este local por causa do Dead Valley, você já deve ter ouvido falar do vale com árvores mortas, é exatamente este. Nesta localidade, há milhares de anos atrás se situava o vale do rio Tsauchab que com o passar do tempo foi cortado por uma imensa duna, fato esse que veio a isolar algumas árvores de camélia que lá existiam, e por criar um micro clima extremamente seco no local, fez com que estas árvores fossem preservadas sem sofrer decomposição por mais de 900 anos, conferindo assim, uma paisagem muito diferente.

A segunda atração mais visitada deste deserto é a Duna Big Daddy, que muitos acreditam ser a maior duna de areia do mundo. Ela esta localizada exatamente ao lado do Dead Valley e você pode conhecer as duas atrações no mesmo dia. Olhando de baixo a Duna é linda e gigantesca, mas de cima é ainda mais linda, sem contar toda a vista do Vale que é possível contemplar do topo.

Para subir, reserve de 2 a 3 horas, pois dependendo da temperatura do dia é muito cansativo, e lembre se de fazer a caminhada bem cedo pela manhã. Quando nós visitamos o Deserto foi no mês de julho, as temperaturas estavam muito quentes durante o dia e a noite precisávamos de fogueira pra nos aquecermos. Nos organizamos para chegar ao parque antes dos portões abrirem para iniciar bem cedo nossa subida. Utilizamos a “trilha” por fora do Dead Valley, por ser mais curta, mas esta é mais íngreme. E a descida fizemos correndo pela borda da Duna que finalizava no Vale, assim caminhamos todo interior dele no período mais quente do dia, mas ainda assim é a melhor opção se você não quer perder nada.

Além dessas atrações, nós também visitamos a Duna 45, que não é tão alta quanto a Big Daddy, mas esta localizada entre outras dunas lindíssimas e no nascer do sol o contraste das sombras é um espetáculo.

Se você quiser desbravar esta e muitas outras atrações deste país lindíssimo, uma boa opção é realizar um turismo estilo Overland Safari. Neste tipo de turismo de aventura, você acampa todos os dias em um local diferente no mais autêntico estilo outdoor. Nós escolhemos a agência Acacia Africa para realizar nosso Overland Safari, e só temos elogios. Foram 35 dias montando e desmontando barracas estilo exército, e não vemos a hora de repetir tudo de novo!

Para mais histórias ou dicas de viagens e aventuras acesse faceboock/euvouepronto, Instagram @euvouepronto e Youtube/euvouepronto

Ficaremos muito contentes em te ajudar.

Lista de fotos:

Deserto de Namíbia
Por do sol no deserto da namíbia
Deserto de Namíbia
Duna 45 ao amanhecer
Deserto de Namíbia
Subida da duna Big Daddy
Deserto de Namíbia
Quase no topo da Big Daddy, abaixo o Dead Valley
Deserto de Namíbia
Vista do topo da Big Daddy contemplando o Dead Valley
Deserto de Namíbia
Uma das diversas árvores preservadas
Deserto de Namíbia
Sentados a sombra de mais de 900 anos
Deserto de Namíbia
Uma das paisagens icônicas do Dead Valley
Deserto de Namíbia
Na crista da Duna 45

Pico Paraná

O Pico Paraná, localizado no município de Antonina, pertencente ao conjunto de serra chamado Ibitiraquire, que na língua tupi significa “serra verde”. Imponente e desafiador, destaca-se do alto dos seus 1.877 metros de altura, como a montanha mais alta da Região Sul do Brasil. É assim, um convite irresistível à aventura para todos que curtem montanhismo.

trekking Pico Paraná
O gigante

Já fazia um bom tempo em que o PP (Pico Paraná) era mencionado nas conversar casuais da trupe, como uma trilha indispensável para o nosso álbum de recordações, sendo que ao menos duas vezes no ano passado, tentamos organizar a missão e em ambas, as previsões climáticas fazia com que fossemos obrigados a cancelar a missão quase encima da hora.

Só agora, em 2018, após uma conversa com meus  brothers de perrengues, Bruno e Filipe, decidimos novamente escolher uma data para subir o Pico Paraná.  Com o cuidado de não pegar um final de semana,  nosso plano era ter a trilha o mais vazia de gente possível, para assim termos uma experiência mais intensa com a montanha. Foi então que Filipe comentou que no dia 23 de março, uma sexta-feira, seria feriado por conta do aniversário de Floripa. De pronto batemos o martelo e definimos que nossa investida ao Pico Paraná iniciaria na sexta-feira, dia 23 e terminaria no sábado, dia 24, evitando assim, o movimento intenso que é normal na trilha durante os finais de semana.  Plano perfeito!  Bastava apenas monitorar o clima na montanha para termos o sinal verde.

Quinta-feira, dia 22, previsão de tempo firme para a sexta e alguma chuva fraca no fim de tarde de sábado, era este o nosso sinal verde. Tratei de jogar os equipamentos todos na cargueira e com uma carona providencial de uma amiga, rumei para pernoitar na casa do Filipe em Floripa, de onde, às 05 h 30 min da madruga,  a trupe pegaria estrada rumo ao Pico Paraná, distante aproximadamente 350 km para serem percorridos em pouco mais de 4 horas de viagem.

Primeiro dia:

Conforme programado, antes do sol nascer, já estávamos na estrada, levando café na térmica para evitar o sono e também aquelas paradas desnecessárias que sempre consomem tempo, pois todos estavam cientes que precisávamos estar no cume ou perto dele antes do sol ir embora.  Com muita conversa e risadas, quase nem vimos o tempo passar e com tranquilidade, antes das 10 h da manhã, já nos encontrávamos dentro da Fazenda Pico Paraná, ponto zero de nossa pequena aventura.

A previsão de tempo para completar a trilha até o acampamento A2, carregando cargueiras, fica por volta de 6 horas de pernada morro acima, e para chegar ao cume é necessário mais uma hora.

A trilha, já de inicio, começa numa subida boa para aquecer as panturrilhas, o que dava uma pista que ali não era o “Beto Carrero”… kkk No começo, o que se vê é uma trilha normal, bem aberta e sem obstáculos, mas na medida em que fomos subindo, aos poucos começam a aparecer degraus de pedras e raízes de tamanhos variados. Gradativamente os obstáculos se multiplicam e se tornam cada vez maiores. Uma diversão para quem está bem preparado e, obviamente, um perrengue para quem não está.  Já fizeram le parkour com uma cargueira nas costas?

trekking Pico Paraná
Trecho de trilha fechada.

A trilha segue sempre bem marcada e com bastante sinalização de fitas brancas, com pouquíssimos pontos que exijam maior atenção ä navegação. De qualquer maneira, é sempre recomendável ir com alguém que tenha experiência e/ou conheça bem a região.

Água não é um problema, com um bom estudo de relatos da trilha, e uma programação simples, chega-se ao topo sem a preocupação de ficar com o bico seco.

Nosso plano inicial era subir direto, alcançar o cume e acampar por lá se o tempo estivesse firme e antes do escurecer. No entanto, a turma sentiu o desgaste causado pela noite de sono curta, as horas de estrada, e somado a estas coisas, a subida forte… Após os paredões que possuem grampos e cordas, já bem próximos do acampamento A2, Filipe começou a sentir câimbras fortes nas pernas. Com isso, diminuímos um pouco o ritmo e ao chegamos no A2, Filipe, já bem cansando e sentindo  câimbras, informou que ali era o fim da linha para ele neste primeiro dia. Numa conversa rápida, definimos montar o acampamento ali mesmo, no esquema “ninguém fica para trás”. Ainda durante a conversa, eu e Bruno, inicialmente, estávamos decididos a continuar a trilha num ataque até o cume, pois eram apenas 17 horas, aproximadamente, e o sol só iria embora lá pelas 18h20min. Daria tempo de subir, assistir ao pôr do sol e descer no escuro até o acampamento. Mas se assim fosse, o Filipe ficaria de fora, então mudamos o plano e decidimos acordar na madrugada do dia seguinte e fazer o ataque ao cume ainda no escuro para pegar o sol nascendo lá no alto.

Colocamos em prática o nosso plano B. Com tranquilidade tratamos de escolher um lugar bom para montar o acampamento, e enquanto a turma armava as barracas, fui buscar água para preparamos o jantar, na única e última nascente, que fica numa pequena trilha de uns 80 metros (bem chatinha), ao lado das ruínas da casa de pedra.

trekking Pico Paraná
Acampamento A2

O clima estava perfeito, embora abaixo de nós, o que se via era um enorme mar de nuvens cobrindo tudo, deixando visíveis, apenas os demais picos próximos. Nada de vento.

Fizemos nosso jantar, jogamos conversa fora, e sem muita enrolação, nos entocamos dentro das barracas para descansar os esqueletos castigados pela subida e colocar o sono em dia.

Durante a madrugada, que não foi fria, lembro que acordei com duas pancadas leves de chuva, que me fizeram lembra que a previsão para o dia seguinte era de chuva na tarde… Fiquei um pouco preocupado com a possibilidade de o clima estar mudando antes das previsões, mas não perdi o sono não… Kkkk Voltei dormir rapidinho.

Dados do primeiro dia:

Distância percorrida: 7,6 kms

Tempo na trilha: 7 horas

Acúmulo de subida: 1011m

Acúmulo de descida: 348m

Altimetria Pico Paraná

 

Segundo dia:

Cinco e meia da madrugada, toca o despertador e de pronto, tratei de me mexer. Abri a porta da barraca para dar uma olhada no céu e vi estrelas. Era um bom sinal, depois da chuva que rolou durante a noite.

Chamei a turma e apenas o Bruno se prontificou em fazer o ataque até o pico. Vesti meu anorak, bebi um pouco de água, coloquei uma maçã na boca, a headlamp na cabeça e, junto com o Bruno, começamos a trilha. Ainda que visualmente, o pico estivesse bem próximo, leva por volta de uma hora para alcançar o cume. Com a primeira claridade no horizonte rompendo a escuridão da madrugada, tocamos morro acima.  A trilha estava bem molhada, e como o trecho inicial é repleto de mato alto, inevitavelmente acabamos tão molhados que parecia que tínhamos tomado uma chuva na tampa… kkk

trekking Pico Paraná

trekking Pico Paraná

Após uma hora de subida com vários obstáculos, e também como não poderiam faltar, algumas escalaminhadas, o sol nos dava boas-vindas no cume do Pico Paraná. Olhando em 360 graus, não havia nada acima de nós além do sol e o céu azul. Abaixo, os picos próximos se destacavam parcialmente dentro de um mar branco de nuvens baixas. Nosso acampamento, um tanto distante, era apenas um pequeno ponto cor de laranja no meio do verde, bem abaixo de onde nos encontrávamos. Um visual alucinante!

trekking Pico Paraná
No ponto mais alto do sul do Brasil: Pico Paraná.

trekking Pico Paraná

Depois de curtir aquele momento mágico e registrar a passagem da trupe no livro de cume, começamos a descida até o acampamento para tomar café e desmontar o circo.

Não demorou muito e os primeiros trilheiros, passarem por nosso acampamento, munidos apenas de mochila de ataque, rumo ao cume.

Quando chegamos ao acampamento, Filipe nos aguardava com um fabuloso café da manhã… #sqn Diante desta falta lamentável, tratamos de fazer o café da manhã reforçado para recarregar as calorias, e assim, de barriguinha cheia, começar a longa descida até a Fazenda Pico Paraná.

Assim que terminamos de desmontar o acampamento e carregar as cargueiras, lembrei do momento em que, ainda em casa, deixei meu par de bastões de caminhada, por preguiça e crendo não serem necessários… Ainda bem que arrependimento não mata. Não é verdade?

Trekking Pico Paraná
Trupe Suricatos Hiperativos

Divagações e murmurações à parte, começamos nossa descida pouco depois das 10 horas da manhã, com sol e temperatura amena. Sem pressa, para poder aproveitar o visual e também tendo o cuidado que certos trechos da descida, seguíamos bem, anda que a descida, a meu ver, é sempre mais difícil que a subida.

Depois que descemos os dois lances de paredões com vias ferratas, começaram a aparecer grupos de trilheiros com suas cargueiras rumo ao alto da montanha.  Enquanto cruzávamos com a turma em sentido contrário, comentei com Bruno e Filipe, o quanto fomos felizes em ter feito a escolha da data da forma como se deu. Afinal, tudo indicava que o A2 e possivelmente o cume, ficariam lotados de barracas naquela noite de sábado. Certamente mais de vinte pessoas, em grupos diferentes.

A descida seguia tranquila e devagar no eterno superar de subir e descer pedras, raízes e troncos, até que num dos pontos de água, num pequeno córrego que cruza a trilha, algo aconteceu…

Como cheguei na frente da turma ao ponto de água, sentei num tronco com o córrego bem aos meus pés, para assim descansar um pouco, beber água tranquilamente e curtir a vibe daquele lugar bonito. Eu nem tinha terminado de tomar a primeira caneca de água, quando Filipe, se aproximou de mim para pegar água e arrumar um lugar para sentar, escorrega na laje molhada e caindo sem controle, bate forte com um dos braços na minha cabeça. Nada demais, uma pancada apenas, não fosse pelo fato de eu estar com os óculos na cabeça. A pancada forte fez com que a armação dos óculos fizesse um corte razoável em minha “linda careca” e rolasse uma sangueira no mesmo instante.  Uma pequena correria para avaliar o tamanho do corte e fazer um curativo para proteger o ferimento e tudo voltava a normalidade do que estava acontecendo até então. São bons esses óculos da Julbo não quebram e se precisar improvisar um canivete, pode contar com eles… kkk

Trekking Pico Paraná
Acidentes acontecem.

Após andar mais uma hora e pouco, a trilha começou a abrir, mostrando que já estávamos próximo do fim. Com sol forte na tampa, já cansados da descida de cinco horas, o trecho final parecia infinito, mas logo apareceu no visual a Fazenda e nos reanimamos para descer mais rápido.

Ao chegar à fazenda, tratamos rapidamente de tirar as botas e meias, e ficar descalços naquele gramado impecável.

Alguns rápidos minutos de relax na grama, organizamos a fila do banho e encomendamos alguns pastéis, que por sinal são muito bons, para fazer uma rápida confraternização, dar algumas risadas das coisas que aconteceram e por fim, pegar a estrada de volta para casa.

Trekking Pico Paraná
“A felicidade só é real quando compartilhada” by Alex Supertramp.

Dados do segundo dia:

Tempo na trilha (ataque cume): 1 hora, 12 minutos

Acúmulo de subida: 269 m

Acúmulo de descida: 25 m

Tempo total (ataque cume e descida até Fazenda PP): 9 horas, 44 minutos

Distância total percorrida: 8,9 kms

Acúmulo de subida: 599m

Acúmulo de descida: 1253m

Altimetria Pico Paraná

Dicas e recomendações:

– Fazenda Pico Paraná:

Gostamos e recomendamos, apesar de ter apenas um banheiro, o lugar é bastante bonito, bem cuidado e seguro para deixar o carro.

A dica aqui é deixar uma muda de roupa limpa, toalha e demais equipos de banho no carro, para na volta da montanha, resolver a questão da higiene pessoal e voltar para casa bonitos e cheirosos. 😉

A fazenda possui uma pequena cantina que serve deliciosos pasteis com refri e cerveja bem gelada.

Custo da entrada na fazenda em março de 2018: R$10,00

Mais informações: acesse aqui.

– Levar bastões de caminhada! Kkkk

– Faça uma boa previsão do tempo antes de subir para o PP, pois se pegar chuva lá no alto, a descida pode se tornar bastante perigosa.

O pôr do sol visto do Pico Paraná

Monte Roraima

O Monte Roraima atrai aventureiros, antropólogos, cientistas, biólogos, místicos e viajantes do mundo inteiro.

É um dos tepuis que formam o grande escudo das Guianas, ou Planalto das Guianas, localizado na tríplice fronteira entre Venezuela, Guiana e Brasil, com idade estimada em mais de 2 bilhões de anos.

Tepui é o nome dado às formações de topo plano e escarpas verticais e profundas que abundam nessa região.

Acredita-se que os tepuis tenham sido unidos a bilhões de anos atrás e a cisão deles tenha dado origem à bacia amazônica.

A expedição

Posso dizer que estive em outra dimensão nessa virada de ano… foram 10 dias de muita vivência, aprendizado, gratidão, reflexão, contemplação, conexão, emoção, energia, transformação… compartilhando e vivendo cada experiência!

Monte Roraima

1.º dia Monte Roraima – Brasil-Venezuela

A subida do Monte Roraima se dá pela Venezuela. Assim, antes de começar a caminhada, nos deslocamos de carro de Boa Vista até à Comunidade Pataitepuy.

Nosso grupo era formado por seis aventureiros: Kalhi, de Manaus, Juliana e Graci, de Boa Vista, Alex e Henry, de Curitiba, e eu, de Blumenau. Foi ótimo nosso entrosamento, tanto entre nós, quanto com nosso guia, Leo Tarolla, da Tarolla Tours e Brasil Norte Expedições e a equipe dele. Sensacional dividir esses dias com pessoas com as quais multiplicamos energia e conhecimento!

Depois de atravessar a fronteira, em Pacaraima, a primeira parada é em Santa Elena de Uairén, onde compramos moeda local – bolívar – e demos uma voltinha rápida pela cidade.

Monte Roraima

De lá, seguimos para nosso destino. A estrada até lá não deixa escolha para “sem emoção”… de terra, com muitos buracos e perais… a aventura é garantida! Como estava chovendo muito, a terra virou lama e nosso carro não conseguiu vencer a última subida antes de chegarmos. Tivemos que descer e seguir a pé até o local do nosso último pouso antes dos acampamentos.

Monte Roraima

A pousada estava sem energia e, assim, as lanternas e o banho gelado já entraram em cena um dia antes do previsto.

2.º dia Monte Roraima – Início da caminhada

Monte Roraima

Depois de um café da manhã com essa vista sensacional para os tepuis, fizemos o registro na entrada do Parque Nacional Canaima e começamos nossa caminhada. Seguimos por 15 quilômetros até o Rio Tek, onde fizemos a primeira travessia e seguimos por mais uns 2 quilômetros até o Rio Kukenan.

Quando avistei o Rio Kukenan com o Monte Roraima ao fundo fiquei de boca aberta, literalmente! Lindo demais!!!

Monte Roraima

Monte Roraima

Atravessamos e deixamos nossas coisas no acampamento pra tomar um banho no rio. Foi maravilhoso!!! O Leo (nosso guia) e eu descemos o rio um pouco nadando e um pouco como se fosse um bóia cross, mas sem bóia, claro… kkķkkk… piscinas fantásticas com vista para o Matawi e para o Roraima! Alguns ralados e machucados depois (hehe), voltamos para o acampamento para almoçar. Já eram umas 16h mais ou menos.

Mais tarde, o Alex, a Kalhi e eu saímos para um ataque na trilha em direção ao Monte Roraima. Ainda estava claro, mas a lua já estava linda! Curtimos o entardecer e voltamos para o acampamento. Acabei não resistindo a um banho noturno no rio Kukenan… maravilhoso! Depois nos reunimos todos, ficamos conversando e jantamos uma sopa de abóbora com orégano silvestre que colhemos na trilha.

3.º dia Monte Roraima – Rio Kukenan ao Acampamento Base

Arrumamos nossas coisas e saímos em direção ao pé do Monte Roraima. Foram 9 km com algumas subidas, mas ainda de trilha bem aberta.

11h da manhã já estávamos no acampamento base. Ficamos conversando um pouco e aí fui tomar banho de rio… água geladíssima da montanha: delícia!!! Depois almoçamos e estiquei um pouco as pernas na rede (obrigada pelo empréstimo @leotarolla hehe).

Monte Roraima

O tempo estava bem limpo anunciando que veríamos um pôr-do-sol arrasador… saímos caminhando procurando um bom lugar para contemplá-lo. Subimos um pequeno monte com pedras mais altas e decidimos que seria o melhor lugar. Mas, eis que no horizonte se formaram nuvens enormes e só vimos a chuva caindo mais ao longe, o que foi tão lindo quanto o pôr-do-sol que imaginamos… senão mais! De volta ao acampamento nosso guia nos esperava com um chocolate quente! Foi um dia bem tranquilo para nos prepararmos para o dia seguinte: dia de finalmente subir ao topo.

Monte Roraima

4.° dia Monte Roraima –  A subida

5h da manhã e o acampamento já estava movimentado… grupos fazendo café, desmontando acampamento, arrumando equipamentos. Chegou o tão esperado dia da subida ao topo!!! Logo de cara a subida é quase vertical, mas os degraus formados naturalmente tornam a subida menos árdua.

Monte Roraima

A trilha é lindíssima e cheia de energia! Quando chegamos no ponto tão próximo do paredão que é possível toca-lo, a emoção é inevitável!

Seguindo por mais algumas subidas chegamos ao mirante de onde se avista o “passo de lágrimas”, uma trilha estreita colada nos paredões do tepui, onde a água que cai do topo nos molha suavemente conforme o vento a faz dançar… A conexão nessa passagem foi absurda! O sentimento foi: “só de ter vindo até aqui já valeu tudo!”

Monte Roraima

Mas, ainda tínhamos mais subida pela frente. Mais um pouco de escalaminhada e chegamos ao topo! Nos abraçamos emocionados pela conquista… a impressão é de que entramos em outra dimensão… é diferente de tudo!!! Não tenho palavras pra descrever…

Monte Roraima

Paramos um pouco, mas logo a chuva e o frio nos fez voltar a caminhar até nosso refúgio, chamado “Filhos do Sol”, lugar deslumbrante e mágico!!! A chuva não parou mais. Ficamos no refúgio cuidando das bolhas, unhas, dores e machucados uns dos outros…hehe… No meu caso foi de um tombo na subida quando tentei subir numa pedra mais alta e acabei escorregando. Machuquei um pouco os braços, a perna direita e o rosto, mas só a mão direita que doía demais (ainda dói, aliás, hehe). Passei uma pomada anti-inflamatória, outra pra dor e por fim uma pomada pra cavalo… mas continuava doendo… Não me importei muito com a dor, mas com o fato de não ter força na mão… até pra abrir o zíper da barraca estava difícil. Só pensei: que seja só dor e que eu acorde bem amanhã!!!

5.° dia Monte Roraima – Começando a desbravar o Monte

Já saímos com as cargueiras porque depois seguiríamos para outro refúgio. Passamos por lugares lindíssimos… paisagens de tirar o fôlego!!!

Depois de mais algum tempo caminhando, chegamos ao nosso refúgio para a noite da virada. Incrustado num dos paredões do Roraima e próximo ao Vale dos Cristais e a um poço de água cristalina e gelada… simplesmente magnífico! Deixamos as cargueiras e saímos para conhecer o Vale dos Cristais e o Ponto da Tríplice Fronteira entre Venezuela, Guiana e Brasil.

Monte Roraima
Vale dos Cristais

Monte Roraima

Na volta, já tomei aquele banho no poço próximo ao acampamento e colocamos as espumantes lá pra gelar (sim, eu levei uma espumante na mochila desde Blumenau ;P).

Mais tarde saímos para ver um mirante com vista para o Roraiminha e para a floresta da parte baixa. Sensacional!!!

Monte Roraima

Voltando para o refúgio, quase na chegada, começou a chover. Já cheguei ensopada e corri pra colocar uma roupa seca. Pra minha alegria, o Leo nos serviu chá quente!!! Infelizmente a chuva não parou. Meu plano de ver estrelas cadentes na noite de réveillon foi adiado. Mas nada tirou a alegria da nossa noite … jantamos, brindamos e celebramos a virada com muita energia compartilhada!!! GRATIDÃO!!!

Monte Roraima

Monte Roraima

6.° dia Monte Roraima – A tão sonhada Proa?

Estava ansiosa por hoje… dia de ir para o Lago Gladys e para a Proa!!! Enfrentamos muita chuva e frio até chegar ao Lago Gladys, mas as paisagens, rios, plantas, pântanos, pedras e tudo mais que vimos no caminho valeu cada passo.

Monte Roraima

Monte Roraima

Chegamos ao lago, que estava totalmente encoberto. Mas, em menos de um minuto, o nevoeiro se dissipou e pudemos contemplar sua beleza. Mas ele é tímido… logo se cobriu novamente… foi o tempo de contemplar e tirar algumas fotos!

Monte Roraima
Lago Gladys

O frio era intenso naquela manhã. Seguimos em direção à Proa com muito vento e tempo bem fechado. Chegamos na descida do Vale. Montadas as cordas, o @leotarolla e o @alexandro.kenordasilva desceram. Ficamos na expectativa (tremendo de frio… Hehe). Voltaram com a triste notícia de que não conseguiríamos ir até à Proa… além de estar faltando uma chapeleta do outro lado do Vale, as condições climáticas eram péssimas. Infelizmente só nos restava pegar o caminho de volta para o refúgio. Paramos pra ver os destroços de um helicóptero da globo que caiu no Monte faz alguns anos. Na volta um bom banho bem gelado e uma surpresa deliciosa no acampamento: pipoca!

Monte Roraima

7.° dia Monte Roraima – Explorando o desconhecido

Mais um amanhecer com chuva no Monte Roraima… Nosso café da manhã teve a famosa arepa, uma espécie de pão de farinha de milho feito no fogareiro. Adorei!

Arrumamos nossas coisas e partimos de volta em direção ao refúgio “Filhos do Sol”. No caminho passamos novamente pelo Vale dos Cristais e pelo ponto tríplice. Depois avançamos para conhecer “el fosso”, um poço lindíssimo com uma cachoeira magnífica!

Monte Roraima
El Fosso

Pegamos chuva por todo o caminho. Chegamos ensopados e eu tremendo de frio… hehe. De repente, eis que apareceu o sol. Ainda molhada, arrumei minhas coisas e fui pro rio mais próximo tomar banho e lavar minha calça, meias e bota. Voltei para o refúgio e coloquei tudo no sol, inclusive eu, hehe…

Com o céu finalmente aberto, eu estava querendo muito ir pra alguma borda. Falei com o Enzo e ele disse que estávamos muito longe. Então, ele me levou para subir na formação que era o “teto” do nosso refúgio… a vista lá de cima é sensacional! Até passou a tristeza de não ir para as bordas.

Monte Roraima

Depois descemos para ir até um lago próximo e no caminho tivemos o privilégio de ver algumas flores raras e o sapinho negro endêmico do Monte Roraima (Oreophrynella quelchii).

Monte Roraima

De lá subimos em outra formação bem mais alta ainda não explorada, com direito à uma escalada sensacional !!! Como fomos os primeiros a conquistar aquele lugar incrível, fizemos um totem no topo e o batizamos. Dava até pra ver o Maverick (ponto mais alto do Monte Roraima) de lá, e também o nosso acampamento.

Monte Roraima

Descemos para ver o pôr-do-sol lá do refúgio, mas as nuvens voltaram a fechar o céu. Desci até o rio para buscar água pra mim e para as meninas. já estava bem frio nessa hora. Entrei na barraca pra escrever um pouco. Depois nos reunimos para jantar e conversar. E a chuva voltou!

8.° dia Monte Roraima – Energia Vital

Mais um amanhecer com chuva…

Saímos um pouco mais tarde na esperança de que a chuva parasse, mas, chovia e parava, chovia e parava o tempo todo… e o frio estava mais intenso! Passamos por outra área do Roraima com cristais espalhados por toda parte… conhecemos um grupo que estava acampado num refúgio próximo, conversamos um pouco e seguimos para um local de especial energia… quando estávamos bem próximos, as lágrimas brotaram… a energia transbordava… de dentro pra fora e de fora pra dentro. Que maravilhamento compartilhar dessa energia! Segundo nosso guia, estávamos num dos pontos de intersecção de energia do Universo.

Monte Roraima

Não queria mais sair dali, mas tínhamos que seguir…

Nosso objetivo: as jacuzzis e as ventanas! Fomos primeiro até às Ventanas. Queria muito ver as bordas, mas estava tudo encoberto… podíamos ver o vento trazendo a umidade pra cima. Estava muito frio!

Monte Roraima

Saímos em direção às jacuzzis e tivemos a graça do sol por alguns instantes. Eram as piscinas mais lindas que já vi… o banho foi irresistível! Por mais frio que esteja, não perca esse banho por nada!

Monte Roraima

Monte Roraima

Monte Roraima

De lá seguimos para o Maverick, o ponto mais alto do Monte Roraima (2.875m). A parte baixa estava encoberta, mas o topo estava aberto e pudemos ver quase todo o Roraima lá de cima… belíssimo!

Monte Roraima

Descemos em direção a uma das cavernas do Monte Roraima… é uma gruta incrível com muitos líquens de várias cores! Avançamos até uma galeria imensa onde apagamos as lanternas e ficamos alguns minutos na escuridão e no silêncio do lugar!

Monte Roraima

Monte Roraima

Quando saímos da gruta já estava bem mais frio. Seguimos até o acampamento contemplando o entardecer…

Monte Roraima

Coloquei uma roupa seca e sai pra ver as estrelas. Finalmente uma noite de céu limpo! Mas, como sempre, no Roraima o tempo muda o tempo todo e logo o céu se fechou novamente. Energizada pelo dia magnífico, nem senti fome e acabei não jantando aquela noite… antes de dormir dei mais uma espiadinha no céu, mas ele continuava escondido.

9.° dia Monte Roraima – Início da descida

Acordei umas 5h e pude sentir uma claridade vindo de fora da barraca. Abri rapidamente para espiar e lá estava ela… a lua… plena! Tirei algumas fotos da barraca mesmo, mas logo me troquei para sair e contemplar a lua e o nascer do sol. Foi espetacular!

Monte Roraima

Monte Roraima

Pena que era o dia de começar a descida. Tomamos café e saímos do nosso refúgio. Paramos em um mirante lindo onde pudemos contemplar um pouco das bordas antes das nuvens cobrirem tudo novamente. Começamos a descida. Fomos até o acampamento base onde paramos pra almoçar. O calor estava absurdo! Hora de seguir… Quando chegamos na travessia do Rio Kukenan, escorreguei numa das pedras e caí no rio, o que naquele calor foi ótimo, mas seguir toda molhada nem tanto… hehe… Depois de mais alguns quilômetros, chegamos no acampamento do Rio Tek para nossa última noite antes da caminhada final. Já estava anoitecendo, mas ainda fui pro rio tomar aquele banho! Até nadei um pouco. Voltei para o acampamento no escuro já. A noite estava linda demais! Nada de nuvens… só estrelas!

Pude finalmente ver uma estrela cadente! Ficamos admirando o céu por um tempo sem fim… até que começaram a diminuir seu brilho para dar lugar à luz da lua que se pré-anunciava por detrás do Monte Roraima. E ali ficamos esperando por ela. Nasceu linda, cheia, enorme e brilhante! Foi espetacular!

Jantamos e até tomamos cerveja que vendiam ali no acampamento. Cerveja quente, claro, mas lá isso não importa muito. A noite estava tão linda que não dava vontade de dormir, mas, no dia seguinte ainda teríamos um bom trecho pela frente.

10.º dia Monte Roraima – Hora de voltar

Estava muito difícil pra mim escrever sobre o 10.º dia. E agora sei o porquê. É como se escrever sobre o último dia fizesse encerrar o que eu não queria que acabasse… que foi a mesma sensação que tive durante todo o último dia da caminhada.

Amanheceu um dia lindo e bem quente desde cedo. Arrumamos nossas coisas, tomamos o café da manhã e partimos.

O Monte Roraima estava totalmente limpo… nada de nuvens, nem nevoeiro… juro que deu vontade de subi-lo novamente.

Monte Roraima

Com o calor intenso, pude ver vários calangos pelo caminho.

A cada passo o Monte Roraima ficava um pouco mais distante.

Chegamos na Comunidade Paraitepuy e logo nos reunimos com outros grupos… alguns chegando, outros indo embora como nós. Tanto a compartilhar!

Bebemos algumas merecidas cervejas venezuelanas (dessa vez geladas :D) enquanto esperávamos a Graci e a Kalhi chegarem.

Monte Roraima

Muita conversa depois, hora da despedida. De lá fomos para outra comunidade para almoçar e comprar artesanato local antes de regressarmos à Boa Vista.

180.000 bolívars = salada, arroz, frango e banana frita.

+ 3.000 bolívars = 1 cerveja venezuelana.

Monte Roraima

Monte Roraima

Mas, se você não tiver bolívars, não se preocupe. Todos os lugares aceitavam reais também.

De lá fomos até Santa Helena, onde nos despedimos do Henry e do Alex, que ficaram na Venezuela para uma trip até Salto Ángel.

Nós, as meninas, fomos com o Leo até Pacaraima, atravessamos a fronteira para o Brasil e ali pegamos um táxi até Boa Vista.

O pôr-do-sol estava espetacular!

Monte Roraima

Chegamos em Boa Vista por volta de 19h30. Tomei um banho quente tão feliz (depois de 10 dias de banho gelado) na casa da Graci (MUITO OBRIGADA, Graci!). Arrumei o mochilão para a viagem e logo a Ju e a Kalhi chegaram para darmos uma última volta na cidade e comer alguma coisa num barzinho de karaokê famoso da cidade, o Pit Stop. Lugar muito gostoso com mesas ao ar livre e comida muito boa! Obrigada por tudo, meninas! 

De lá, as meninas me deixaram no aeroporto, onde esperei meu vôo com saída 1h da manhã para Brasília. No caso, já estava no 11.º dia (rsrs…) Depois Brasília – São Paulo. E, por fim, São Paulo – Joinville, onde minha mãe e meu irmão me buscaram para retornar a Blumenau.

Foi uma experiência única! Como já disse, desejo que cada um possa realizar algum dia!

Check-list Monte Roraima

Vou deixar aqui algumas sugestões de itens que considerei indispensáveis nessa trip.

Na hora de preparar seu mochilão, lembre de levar:

  • alguns pares de meia extra porque elas vão molhar! E pé molhado por muito tempo dá bolha e pode fazer cair suas unhas se for um dia de caminhada intensa em descidas, por exemplo;
  • uma corda para fazer varal e alguns grampos de roupa;
  • protetor solar;
  • repelente;
  • desodorante;
  • embalagem pequena de shampoo e condicionador e sabonete (você consegue comprar todos sem nenhum aditivo químico em farmácias – lembre que você está indo para um lugar de preservação);
  • declive;
  • lenços umedecidos;
  • papel higiênico (a equipe do guia fornecia, mas é bom ter alguma reserva);
  • boné ou viseira;
  • gorro para frio;
  • óculos de sol;
  • anorak (ou anoraque) – jaqueta com capuz impermeável para os momentos de chuva e frio;
  • roupa quente para dormir;
  • um par de luvas;
  • toalha de secagem rápida;
  • isolante térmico e colchonete (ou, melhor ainda, se você tiver o isolante térmico de ar fininho inflável, que já serve de isolante e colchonete e ocupa pouco espaço);
  • saco de dormir;
  • roupas leves para as caminhadas;
  • roupas íntimas;
  • roupas de banho;
  • um casaco tipo fleece (é bem quentinho e não pesa);
  • bandana (é um ótimo coringa que você pode usar no pescoço se estiver muito frio ou na cabeça pra proteger do sol. Ou ainda para prender o cabelo);
  • amarradores de cabelo, se você tiver cabelo comprido, claro;
  • sobre calçados, é algo pessoal, mas o ideal é ir só com a sua bota ou tênis de caminhada já no pé e levar só um chinelo para usar no acampamento. E isso é fundamental, não esqueça: sempre que puder, deixe os pés ao ar livre;
  • garrafa de água (2L é o ideal);
  • clorin (purificador de água);
  • kit com algodão, esparadrapo, curativos, agulha, cortador de unha;
  • eventuais remédios se você está acostumado a tomar (para dor, vômito, febre, algum anti-alérgico) – eu sempre levo própolis em spray pra eventual dor de garganta e a pomada de própolis para eventual corte ou ferimento (é um cicatrizante natural);
  • vaselina sólida ou creme para assaduras para passar nos pés ou em alguma outra região do corpo se você tiver problema com assaduras;
  • lanterna de cabeça e lanterna de mão pequena (leve pilhas extras);
  • carregador portátil para as baterias do celular, máquina fotográfica e outros eletrônicos se você levar;
  • lanches de trilha (as refeições principais são fornecidas pela equipe contratada);
  • se você gosta como eu, indico levar vitamina C efervescente. Além de fazer bem pra saúde, é uma delícia. Pode tomar uma por dia;
  • sacolas para roupa suja;
  • se você estiver vindo de longe como eu, lembre de deixar uma muda de roupa limpa para a volta.

Lembre de levar suas roupas e o saco de dormir dentro de sacos impermeáveis. Isso além da capa que protege a mochila. É mais seguro se cair alguma chuva mais intensa.

Lembre também que o comprovante da vacina da febre amarela deve ser internacionalizado em qualquer posto da ANVISA antes de entrar na Venezuela.

Acho que é isso! Lembrando que qualquer dúvida ou sugestão estou sempre a disposição. Podem me chamar no Instagram ou no Facebook.

Aproveite cada passo dessa viagem!

Maratona do Vinho

Muito além de uma competição esportiva, a Maratona do Vinho é um evento que coroa a temporada da colheita da uva, principal produto para a elaboração dos vinhos.

O Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves, a Estrada do Sabor em Garibaldi e Monte Belo do Sul, emolduraram mais uma vez a Maratona do Vinho, que reuniu cerca 1.500 corredores de todo o país no último domingo (dia 11 de Fevereiro).

O percurso misturou diversos tipos de terreno – com pisos de terra, cascalho, asfalto e paralelepípedos, além de subidas e descidas acentuadas – passando em meio aos parreirais e vinícolas, por pequenas igrejas e casas antigas que marcam a forte presença da colonização italiana.

Para alguns, o objetivo era superar seus limites, já outros aproveitavam o visual de tirar o fôlego e chegavam a parar nas subidas ou descidas para admirar os vales e/ou devorar as uvas, sem se preocupar com o seu tempo na prova.

A corrida foi dividida em quatro categorias:

  • Maratona individual: 42.940 metros;
  • Maratona em equipes: 45.670 metros;
  • Meia maratona: 20.970 metros;
  • Pequena corrida: 5.130 metros.

A largada e chegada ocorreram no Morro da Antena/Cruz, na comunidade do Ceará no Vale dos Vinhedos em Bento Gonçalves.

Maratona do Vinho
Foto: Foco Radical

Resolvi abrir o meu calendário de corridas de 2018, estreando em uma das maratonas mais difíceis do estado com seus 42.940 metros de distância e aproximadamente 1.200 metros de altimetria acumulada.

Domingo às 7 h 30 min lá no alto do Morro da Antena, eu e mais centenas de maratonistas de todo o país estávamos na contagem regressiva para a largada da tão famosa Maratona do Vinho.

Nesse momento só conseguia lembrar da mensagem do Dani (amigo com experiência nas edições anteriores da prova) “Larga bem de boa. Mas, bem de boa mesmo! Os primeiros 21 são tranquilos, mas os finais são terríveis […]”. Obedeci às ordens e larguei tranquila.

Felizmente a temperatura estava agradável. Após os primeiros quilômetros em meio aos parreirais ouvia diversos atletas dizendo que a chegada seria por ali e sinceramente pensei: ‘vai ser uma longa corrida até chegar por aqui de novo.’

Tudo estava indo bem, até mais do que eu planejara. Fiz a metade da prova num tempo muito bom. O negócio é que depois da metade as coisas mudam – e mudam bastante.

Maratona do Vinho
Foto: Foco Radical

A temperatura agradável no início da prova deu lugar ao calor insuportável, os morros quase inexistentes na primeira parte se triplicaram (quem já correu a Maratona do Vinho, sabe do que estou falando) o corpo começa a cansar…

Pela primeira vez na prova resolvi dar uma olhadinha para trás e vi a Juli (atleta da BTR, com a qual já corri algumas vezes), se aproximando, o apoio dela durante os quilômetros seguintes fizeram toda a diferença!

Em uma das tantas subidas ela tentou me puxar, mas meu ritmo já havia caído muito. Pedi para ele seguir a prova e lhe desejei boa sorte! E lá se foi ela…sumindo devagarinho do meu ponto de vista.

A partir do Km 30 comecei a sentir o peso de cada trecho aliados ao calor, e os tempos já não estavam como no começo. Era o sinal do desgaste depois de horas correndo.

Lembrei logo da frase do ciclista norte-americano Lance Armstrong: “A dor é passageira. Desistir dura para sempre!” Esqueci toda a dor e segui correndo, caminhando, correndo…

Aproximadamente no Km 38 Janice, essa simpática mulher da foto passou a ser minha companheira. Lutando contra fortes dores nos pés ela disse-me: “Que estreia em menina?! Maratona do Vinho é só para loucos […] Vamos que falta pouco!” e assim seguimos pelos últimos quilômetros. Conversando, trocando experiências, rindo e esquecendo das dores!

Maratona do Vinho
Foto: Foco Radical

Na minha estreia em maratona, esse pórtico foi à visão mais desejada durante o percurso de aproximadamente 42 km com 1.200m de altimetria acumulada, ele é na verdade, a concretização de todo um processo que vai do início da preparação à realização de um sonho. É o registro de um momento cuja lembrança irá transcender por anos a fio.

Voltei para casa com a medalha no peito o troféu e aquele sorriso de satisfação de saber que daquele dia em diante, eu não era apenas uma corredora e, sim, uma maratonista.

Maratona do Vinho
Foto: Foco Radical

Tudo isso, graças ao apoio fundamental da: CURTLO BR, Patos do Sul, Casa Natural Serra e Academia Performance Fitness.

Travessia Torres Tramandaí – TTT

Mais de três mil participantes divididos em quatro categorias (ultramaratona, duplas, quartetos e octetos) participaram da 14ª edição da Travessia Torres Tramandaí – TTT, que movimentou o Litoral Norte no último dia 27 de janeiro de 2018.

O destaque feminino na ultramaratona TTT foi Jasieli Tagliari Dalla Rosa, que percorreu aproximadamente 82 quilômetros em 6 h 56 min e bateu o recorde feminino em quase 25 minutos, tempo anterior que era de Daniela Santarosa 7 h 21 min.

Disciplina, dedicação, estratégias, planejamento, trabalho duro, humildade e um treinador com vasta experiência em ultramaratonas. Essa foi a “fórmula mágica” que Jasieli usou para conquistar o lugar mais alto do pódio.

TTT
Foto: Foco Radical

“Prezo pelo trabalho duro, por executar os treinos do jeito que o treinador manda, de escutar o corpo, de conhecer os limites e saber explorá-los. Sou bem novata no mundo das corridas, tenho um ano e meio de competições e um ano com o treinador Francisco Tito de Porto Alegre.” ressalta a campeã.

A TTT é uma prova que necessita planejamento e estratégia, Francisco (treinador) foi audacioso e traçou vários planos, inclusive o de quebra de record da prova.

A prova

A dupla…Jasi havia combinado com o amigo Willian Bordin (ultramaratonista com experiência) largarem juntos no mesmo ritmo, e assim foram por quase 40 quilômetros. Na parceria, no silêncio…

O trio…a partir do quilômetro 21, Juliane Zan passou a acompanhá-los de bicicleta. “Durante o percurso procurei não falar muito para não tirar o foco deles. Perguntava somente se estavam bem e se queriam água/gatorade. Estávamos logo atrás da primeira colocada (Daniela Santarosa) e nos aproximávamos cada vez mais.” relembra Juli.

TTT
Foto: Foco Radical

As ultrapassagens…Jasi tinha seu planejamento e estava tudo dentro do esperado, próximo ao quilômetro 40, Juli e Will ficaram para trás e ela manteve seu ritmo e ultrapassou a primeira colocada.

“As duas estavam no nosso campo de visão, até que vimos a segunda colocada ultrapassar a Jasi. A partir deste momento não avistávamos mais elas.” recorda Willian.

Ao chegarem na plataforma, em torno do quilômetro 58, começaram a caminhar, assim Willian conseguia se alimentar e se hidratar. Nos quilômetros seguintes o casal encontrou alguns corredores e apoiadores e avistaram a Daniela Santarosa, neste momento tiveram a certeza de que a Jasi estava na primeira colocação.

Reta final…estreante na TTT, Jasi sempre ouviu falar que depois da Plataforma de Atlântida que começa a prova. “Realmente a partir dali você sente que precisa correr mais com o coração/mente do que com as pernas. Encontrei um rapaz nos últimos 16 quilômetros que estava treinando e me acompanhou até o final, assim consegui manter um ritmo forte até a linha de chegada.” comenta a nova campeã da Travessia Torres Tramandaí.

TTT
Foto: Foco Radical

Além do grande apoio do Willian e Juliane, Jasi contou com o suporte do marido, filho e treinador em pontos marcados.

Agradecimentos

“Estou em um momento que tenho medo até de agradecer e esquecer de alguém, porque foi tanta gente que me ajudou a estar nessa prova. Seja na torcida, no suporte, através de mensagens.

Mas, vamos lá…meu treinador Francisco Tito que acreditou que eu era capaz com um ano e pouco de corrida, e me transformou em ultramaratonista. Minha família que aguentou o tranco dos treinos e viajou na brincadeira dando apoio na prova.

Meu amigo e médico Tarciso Rossato que estudou a suplementação e alimentação da prova junto com a esposa Patrícia. As empresas da minha cidade que me auxiliaram nos custos da prova e a empresa Sulboro de Porto Alegre.

A minha cidade Trindade do Sul que viveu uma final de copa do mundo – risos -, pois com seis mil habitantes todo mundo se conhece. A Prefeitura que me liberou do trabalho e está me apoiando em todas as competições.

Pessoal da Cia Atlhetica de Porto Alegre, pessoal da BTR (Bento Trail Runners)…enfim toda galera que gritou, torceu, vibrou! Nunca pensei viver esse momento, e não falo em ganhar pódio, falo em ganhar pessoas, ganhar experiências, ganhar amizades…isso não tem preço.” finaliza emocionada Jasieli.

TTT
Foto: Foco Radical