Serra da Veneza x Rio do Rastro

A travessia nada mais é que um percurso que realizamos em parceria com a empresa Sol de Indiada entre às Serras da Veneza e Rio do Rastro/SC.

A travessia foi realizada em 3 dias e duas noites, caminhamos cerca de 45 quilômetros entre campos e bordas dos cânions de Bom jardim da Serra no estado de Santa Catarina – Brasil.

As travessias realizadas pela empresa Sol de Indiada são indicadas para pessoas que estão iniciando no trekking, além das diversos tipos de pacotes oferecidos, o que mais chama a atenção é para o pacote completo, este inclui: translado de ida e volta, acompanhamento de guias experientes em todas as trilhas, apoios com veículos 4×4, alimentação inclusa e ainda a opção de você carregar a mochila cargueira ou de ataque.

Um detalhe interessante sobre a Sol de Indiada é que se você não tem barraca, saco de dormir ou mochilas, você pode contatar a empresa e alugar para a aventura.

Caminhar em lugares assim com uma empresa tão dedicada a seus clientes faz valer a pena a contratação de serviços assim, não é a toa que estávamos em cerca de 70 pessoas incluindo, motoristas especialistas em veículos 4×4, cozinheiros, guias e fotógrafos. Nessa viagem tinha pessoas de inúmeras cidades, sendo dos estados do Paraná, Santa Catarina, São Paulo, Rio de Janeiro e claro aqui do Rio Grande do Sul.

A travessia começou no dia 7 de setembro, em pleno feriado da Independência, nesse primeiro dia caminhamos um pouco por trilhas e algumas estradas em meio aos campos de cima da serra, cruzávamos pequenos córregos e alguns campos de turfeiras até chegar nas bordas dos cânions.

O dia estava completamente ensolarado, temperatura próxima a 25 graus, céu azul e sem nenhuma nuvem, dia perfeito para contemplação de lindas paisagens.

A caminhada era de nível fácil sem grandes dificuldades, na borda dos cânions podíamos avistar uma linda vista dos grandiosos paredões rochosos e cristas que compõem os Aparados da Serra.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Neste primeiro dia de travessia caminhamos cerca de 15 quilômetros, eu levei apenas a mochila de ataque Mountain Hardwear 30L com o lanche de trilha, água, roupas e câmera fotográfica.

Caminhar nas bordas das serras é uma aventura maravilhosa, a cada subida de morro a vista muda, o cenário é outro, são visuais de tirar o fôlego.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Como boa parte das pessoas eram iniciantes em travessias, demoramos o dia todo para percorrer os 15 quilômetros de caminhada, mas chegamos no acampamento base a tempo de curtir o pôr do sol, enquanto montávamos as barracas.

O acampamento base nada mais era que uma fazenda perto do Rio Púlpito, com galpão e banheiros, só não havia luz no local.

Depois de encontrar o melhor lugar para acampar, montei a barraca e comecei a preparar o meu jantar, este foi, massa espaguete com molho bolonhesa e salame. Para as demais pessoas os cozinheiros prepararam um jantar de risoto com pêra e queijo gorgonzola, com suco de caixa de sabor uva e laranja. Para os vegetarianos e veganos tinha a opção de arroz e feijão. Só preparei o meu jantar pois não sou muito fã de queijo e nem de pêra. kkk

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Depois de todos jantar era hora de fazer aquela fogueira especial, com direito a roda de violão. No grupo havia dois violeiros que cantaram por cerca de duas horas musicas animadas de diversos estilos musicais como: gauchescas, reguee, sertanejo e rock n´ roll.

Fomos dormir cerca de 22:00 horas da noite, o frio era intenso, não ventava no local, o céu não continha nenhuma nuvem. Olhando para o céu, estava completamente brilhante, estávamos de fato em um hotel 1 milhão de estrelas.

No segundo dia acordei bem cedo, cerca de 6:00 horas da manhã, o sol ainda não havia nascido, ao sair da barraca lembro de ver pequenos pedaços de gelo no chão e em toda a barraca. Não sei qual era a temperatura naquele horário, mas tinha sensação de estar uns -3 graus. Era impossível deixar os dedos para fora dos bolsos da jaqueta, chegavam a doer de tanto frio.

Peguei a maquina fotográfica e fui capturar umas fotos da barraca e da neblina que se mostrava subindo em meio aos campos, o céu alaranjado e meio magenta contrastava com as belas araucárias no local.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Às 7:00 horas da manhã o café estava servido, nele continha, tapioca feita na hora de inúmeros sabores, também havia pão, geleias de uva, figada e de abobora, café preto, café com leite e achocolatado, frutas, queijos, presuntos e sem falar que tinha um pote gigantesco de Nutella. Olhei para tudo aquilo e pensei, tá melhor que lá em casa..kkkk

Depois de comer um pouco de tudo e tomar umas 3 xícaras de café, fui até a barraca para organizar a mochila, preparar o lanche para trilha, desmontar a barraca e carregar tudo na mochila cargueira. A mochila que usei é uma Osprey Atmos 50 L estava pesando aproximadamente 12 kg, usei ela para testar o modelo e também para treinar o condicionamento físico.

Geralmente os iniciantes não estão muito acostumado a fazer travessias, demoram mais tempo para colocar tudo dentro da mochila, por esse motivo começamos a caminhar por volta de 9:00 horas da manhã.

A caminhada seguiu pelas bordas dos cânions, subíamos e descíamos morros, serpenteando as bordas, em determinados locais, parávamos para contemplar à vista, caminhar próximo as bordas é muito bom, pois em alguns momentos podemos sentir uma brisa gelada, fazia parecer que tinham ligado o ar condicionado, o sol continuava muito forte e o céu sem nuvens.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Ao meio dia paramos para almoçar em meio a um capão de pinos ilhotes, caminhar nessa região é engraçado, pois estamos sempre colocando o casaco e-o tirando, chega a fazer isso mais que 5 vezes ao dia. A temperatura também varia muito dependendo do horário do dia, as manhãs e as noites são congelantes, durante boa parte do dia é quente, mas em algumas vezes é possível que feche na neblina e tenhamos que por jaquetas e gorros.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Paulo Gerstner

Durante a tarde toda caminhamos perto das bordas dos cânions, por muitas vezes avistávamos cidades ao longe, como o dia estava perfeito era garantido a captura de fotos incríveis.

Conforme íamos caminhando começamos a adentrar dentro do Parque Eólico, a vista do lado direito que tínhamos eram das bordas e do lado esquerdo, campos verdejantes com os cata ventos no alto dos morros.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

No fim de tarde chegamos ao acampamento do Jorge, localizado bem perto do Cânion da Ronda em Bom Jardim da Serra/SC, o local conta com uma grande área para camping, um galpão enorme, banheiros divididos por sexo e energia elétrica.

Ali alguns aventureiros já escolhiam o melhor lugar para armar suas barracas, na cozinha os cozinheiros já faziam o jantar, neste dia o cardápio seria strogonoff de carne com arroz e batata palha. Na minha opinião essa é uma das melhores refeições para se fazer no acampamento.

O jantar foi servido cedo, todos nós estávamos com muita fome, após o jantar foi realizada uma surpresa para um dos guias e proprietário da empresa Sol de Indiada, era noite de confraternizar o aniversário do Evandro Clunc. Melhor que fazer aniversário é poder celebrar esse dia em meio a natureza em um local tão especial que é a travessia entre serras.

Depois de muitas felicitações, os violeiros roubaram a cena, e logo começou as musicas animadas, como estava um pouco preguiçoso fui me deitar e não fiquei até o final das cantorias.

Último dia de travessia

O sol ainda não tinha levantado, e eu já estava aposto com a maquina fotográfica capturando as belas imagens antes do sol nascer, nessa manhã o clima estava agradável, não estava muito frio em relação ao dia anterior.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Cada um arrumou suas coisas, acondicionando dentro de suas mochilas cargueiras e de ataque, eu pus tudo dentro da cargueira e separei apenas a maquina fotográfica, o lanche e a água para levar em minha mochila de ataque.

O café começou a ser servido e como sempre tinha inúmeras opções, era como estar em um hotel, estava tudo perfeito.

Após o café era hora de botar as mochilas nas costas e seguir de ônibus até próximo as bordas de onde iria começar a caminhada propriamente dita, nosso destino final seria a famosa Serra do Rio do Rastro/SC, lembro do guia informar que caminharíamos um pouco mais rápido do que nos outros dias, pois ele tinha reservado um almoço no restaurante Mensageiro da Montanha, tínhamos que chegar lá no máximo às 14:00 horas.

Neste último trecho de caminhada a visão que tínhamos era de tirar o fôlego, as montanhas pareciam estarem uma em cima das outras, caminhar por esse trecho é muito belo, a todo tempo essa vista muda e encanta a cada passo dado.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch
Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Capturamos muitas fotografias, de muitos ângulos diferentes até que chegamos no Cânion da Ronda, ali podemos avistar os morros que formam a Serra do Rio do Rastro, é uma outra visão de um dos atrativos mais visitados do estado de Santa Catarina.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Do Cânion da Ronda em diante seguimos de ônibus até o mirante e restaurante Mensageiro da Montanha.

Ao chegar no mirante da Serra do Rio do Rastro, vimos que havia inúmeros turistas, então antes de ir lá capturar umas fotos da serra, resolvemos almoçar.

O restaurante serve todo o tipo de comida, o atendimento é muito bom, vale a pena o investimento, além do restaurante, há também uma pequena lojinha com artesanato e lembranças deste lugar incrível.

Depois de nos servirmos inúmeras vezes, era hora de ir contemplar a Serra do Rio do Rastro, enquanto fazíamos a digestão no sol. Assim terminou mais uma travessia de trekking entre as serras.

Serra da Veneza x Rio do Rastro
Foto: Luís H. Fritsch

Veja também:

Explore as estradas da Serra Catarinense

O melhor trekking do sul do Brasil

Travessia do Cânion Laranjeiras ao Cânion do Funil

Pico Paraná

O Pico Paraná, localizado no município de Antonina, pertencente ao conjunto de serra chamado Ibitiraquire, que na língua tupi significa “serra verde”. Imponente e desafiador, destaca-se do alto dos seus 1.877 metros de altura, como a montanha mais alta da Região Sul do Brasil. É assim, um convite irresistível à aventura para todos que curtem montanhismo.

trekking Pico Paraná
O gigante

Já fazia um bom tempo em que o PP (Pico Paraná) era mencionado nas conversar casuais da trupe, como uma trilha indispensável para o nosso álbum de recordações, sendo que ao menos duas vezes no ano passado, tentamos organizar a missão e em ambas, as previsões climáticas fazia com que fossemos obrigados a cancelar a missão quase encima da hora.

Só agora, em 2018, após uma conversa com meus  brothers de perrengues, Bruno e Filipe, decidimos novamente escolher uma data para subir o Pico Paraná.  Com o cuidado de não pegar um final de semana,  nosso plano era ter a trilha o mais vazia de gente possível, para assim termos uma experiência mais intensa com a montanha. Foi então que Filipe comentou que no dia 23 de março, uma sexta-feira, seria feriado por conta do aniversário de Floripa. De pronto batemos o martelo e definimos que nossa investida ao Pico Paraná iniciaria na sexta-feira, dia 23 e terminaria no sábado, dia 24, evitando assim, o movimento intenso que é normal na trilha durante os finais de semana.  Plano perfeito!  Bastava apenas monitorar o clima na montanha para termos o sinal verde.

Quinta-feira, dia 22, previsão de tempo firme para a sexta e alguma chuva fraca no fim de tarde de sábado, era este o nosso sinal verde. Tratei de jogar os equipamentos todos na cargueira e com uma carona providencial de uma amiga, rumei para pernoitar na casa do Filipe em Floripa, de onde, às 05 h 30 min da madruga,  a trupe pegaria estrada rumo ao Pico Paraná, distante aproximadamente 350 km para serem percorridos em pouco mais de 4 horas de viagem.

Primeiro dia:

Conforme programado, antes do sol nascer, já estávamos na estrada, levando café na térmica para evitar o sono e também aquelas paradas desnecessárias que sempre consomem tempo, pois todos estavam cientes que precisávamos estar no cume ou perto dele antes do sol ir embora.  Com muita conversa e risadas, quase nem vimos o tempo passar e com tranquilidade, antes das 10 h da manhã, já nos encontrávamos dentro da Fazenda Pico Paraná, ponto zero de nossa pequena aventura.

A previsão de tempo para completar a trilha até o acampamento A2, carregando cargueiras, fica por volta de 6 horas de pernada morro acima, e para chegar ao cume é necessário mais uma hora.

A trilha, já de inicio, começa numa subida boa para aquecer as panturrilhas, o que dava uma pista que ali não era o “Beto Carrero”… kkk No começo, o que se vê é uma trilha normal, bem aberta e sem obstáculos, mas na medida em que fomos subindo, aos poucos começam a aparecer degraus de pedras e raízes de tamanhos variados. Gradativamente os obstáculos se multiplicam e se tornam cada vez maiores. Uma diversão para quem está bem preparado e, obviamente, um perrengue para quem não está.  Já fizeram le parkour com uma cargueira nas costas?

trekking Pico Paraná
Trecho de trilha fechada.

A trilha segue sempre bem marcada e com bastante sinalização de fitas brancas, com pouquíssimos pontos que exijam maior atenção ä navegação. De qualquer maneira, é sempre recomendável ir com alguém que tenha experiência e/ou conheça bem a região.

Água não é um problema, com um bom estudo de relatos da trilha, e uma programação simples, chega-se ao topo sem a preocupação de ficar com o bico seco.

Nosso plano inicial era subir direto, alcançar o cume e acampar por lá se o tempo estivesse firme e antes do escurecer. No entanto, a turma sentiu o desgaste causado pela noite de sono curta, as horas de estrada, e somado a estas coisas, a subida forte… Após os paredões que possuem grampos e cordas, já bem próximos do acampamento A2, Filipe começou a sentir câimbras fortes nas pernas. Com isso, diminuímos um pouco o ritmo e ao chegamos no A2, Filipe, já bem cansando e sentindo  câimbras, informou que ali era o fim da linha para ele neste primeiro dia. Numa conversa rápida, definimos montar o acampamento ali mesmo, no esquema “ninguém fica para trás”. Ainda durante a conversa, eu e Bruno, inicialmente, estávamos decididos a continuar a trilha num ataque até o cume, pois eram apenas 17 horas, aproximadamente, e o sol só iria embora lá pelas 18h20min. Daria tempo de subir, assistir ao pôr do sol e descer no escuro até o acampamento. Mas se assim fosse, o Filipe ficaria de fora, então mudamos o plano e decidimos acordar na madrugada do dia seguinte e fazer o ataque ao cume ainda no escuro para pegar o sol nascendo lá no alto.

Colocamos em prática o nosso plano B. Com tranquilidade tratamos de escolher um lugar bom para montar o acampamento, e enquanto a turma armava as barracas, fui buscar água para preparamos o jantar, na única e última nascente, que fica numa pequena trilha de uns 80 metros (bem chatinha), ao lado das ruínas da casa de pedra.

trekking Pico Paraná
Acampamento A2

O clima estava perfeito, embora abaixo de nós, o que se via era um enorme mar de nuvens cobrindo tudo, deixando visíveis, apenas os demais picos próximos. Nada de vento.

Fizemos nosso jantar, jogamos conversa fora, e sem muita enrolação, nos entocamos dentro das barracas para descansar os esqueletos castigados pela subida e colocar o sono em dia.

Durante a madrugada, que não foi fria, lembro que acordei com duas pancadas leves de chuva, que me fizeram lembra que a previsão para o dia seguinte era de chuva na tarde… Fiquei um pouco preocupado com a possibilidade de o clima estar mudando antes das previsões, mas não perdi o sono não… Kkkk Voltei dormir rapidinho.

Dados do primeiro dia:

Distância percorrida: 7,6 kms

Tempo na trilha: 7 horas

Acúmulo de subida: 1011m

Acúmulo de descida: 348m

Altimetria Pico Paraná

 

Segundo dia:

Cinco e meia da madrugada, toca o despertador e de pronto, tratei de me mexer. Abri a porta da barraca para dar uma olhada no céu e vi estrelas. Era um bom sinal, depois da chuva que rolou durante a noite.

Chamei a turma e apenas o Bruno se prontificou em fazer o ataque até o pico. Vesti meu anorak, bebi um pouco de água, coloquei uma maçã na boca, a headlamp na cabeça e, junto com o Bruno, começamos a trilha. Ainda que visualmente, o pico estivesse bem próximo, leva por volta de uma hora para alcançar o cume. Com a primeira claridade no horizonte rompendo a escuridão da madrugada, tocamos morro acima.  A trilha estava bem molhada, e como o trecho inicial é repleto de mato alto, inevitavelmente acabamos tão molhados que parecia que tínhamos tomado uma chuva na tampa… kkk

trekking Pico Paraná

trekking Pico Paraná

Após uma hora de subida com vários obstáculos, e também como não poderiam faltar, algumas escalaminhadas, o sol nos dava boas-vindas no cume do Pico Paraná. Olhando em 360 graus, não havia nada acima de nós além do sol e o céu azul. Abaixo, os picos próximos se destacavam parcialmente dentro de um mar branco de nuvens baixas. Nosso acampamento, um tanto distante, era apenas um pequeno ponto cor de laranja no meio do verde, bem abaixo de onde nos encontrávamos. Um visual alucinante!

trekking Pico Paraná
No ponto mais alto do sul do Brasil: Pico Paraná.

trekking Pico Paraná

Depois de curtir aquele momento mágico e registrar a passagem da trupe no livro de cume, começamos a descida até o acampamento para tomar café e desmontar o circo.

Não demorou muito e os primeiros trilheiros, passarem por nosso acampamento, munidos apenas de mochila de ataque, rumo ao cume.

Quando chegamos ao acampamento, Filipe nos aguardava com um fabuloso café da manhã… #sqn Diante desta falta lamentável, tratamos de fazer o café da manhã reforçado para recarregar as calorias, e assim, de barriguinha cheia, começar a longa descida até a Fazenda Pico Paraná.

Assim que terminamos de desmontar o acampamento e carregar as cargueiras, lembrei do momento em que, ainda em casa, deixei meu par de bastões de caminhada, por preguiça e crendo não serem necessários… Ainda bem que arrependimento não mata. Não é verdade?

Trekking Pico Paraná
Trupe Suricatos Hiperativos

Divagações e murmurações à parte, começamos nossa descida pouco depois das 10 horas da manhã, com sol e temperatura amena. Sem pressa, para poder aproveitar o visual e também tendo o cuidado que certos trechos da descida, seguíamos bem, anda que a descida, a meu ver, é sempre mais difícil que a subida.

Depois que descemos os dois lances de paredões com vias ferratas, começaram a aparecer grupos de trilheiros com suas cargueiras rumo ao alto da montanha.  Enquanto cruzávamos com a turma em sentido contrário, comentei com Bruno e Filipe, o quanto fomos felizes em ter feito a escolha da data da forma como se deu. Afinal, tudo indicava que o A2 e possivelmente o cume, ficariam lotados de barracas naquela noite de sábado. Certamente mais de vinte pessoas, em grupos diferentes.

A descida seguia tranquila e devagar no eterno superar de subir e descer pedras, raízes e troncos, até que num dos pontos de água, num pequeno córrego que cruza a trilha, algo aconteceu…

Como cheguei na frente da turma ao ponto de água, sentei num tronco com o córrego bem aos meus pés, para assim descansar um pouco, beber água tranquilamente e curtir a vibe daquele lugar bonito. Eu nem tinha terminado de tomar a primeira caneca de água, quando Filipe, se aproximou de mim para pegar água e arrumar um lugar para sentar, escorrega na laje molhada e caindo sem controle, bate forte com um dos braços na minha cabeça. Nada demais, uma pancada apenas, não fosse pelo fato de eu estar com os óculos na cabeça. A pancada forte fez com que a armação dos óculos fizesse um corte razoável em minha “linda careca” e rolasse uma sangueira no mesmo instante.  Uma pequena correria para avaliar o tamanho do corte e fazer um curativo para proteger o ferimento e tudo voltava a normalidade do que estava acontecendo até então. São bons esses óculos da Julbo não quebram e se precisar improvisar um canivete, pode contar com eles… kkk

Trekking Pico Paraná
Acidentes acontecem.

Após andar mais uma hora e pouco, a trilha começou a abrir, mostrando que já estávamos próximo do fim. Com sol forte na tampa, já cansados da descida de cinco horas, o trecho final parecia infinito, mas logo apareceu no visual a Fazenda e nos reanimamos para descer mais rápido.

Ao chegar à fazenda, tratamos rapidamente de tirar as botas e meias, e ficar descalços naquele gramado impecável.

Alguns rápidos minutos de relax na grama, organizamos a fila do banho e encomendamos alguns pastéis, que por sinal são muito bons, para fazer uma rápida confraternização, dar algumas risadas das coisas que aconteceram e por fim, pegar a estrada de volta para casa.

Trekking Pico Paraná
“A felicidade só é real quando compartilhada” by Alex Supertramp.

Dados do segundo dia:

Tempo na trilha (ataque cume): 1 hora, 12 minutos

Acúmulo de subida: 269 m

Acúmulo de descida: 25 m

Tempo total (ataque cume e descida até Fazenda PP): 9 horas, 44 minutos

Distância total percorrida: 8,9 kms

Acúmulo de subida: 599m

Acúmulo de descida: 1253m

Altimetria Pico Paraná

Dicas e recomendações:

– Fazenda Pico Paraná:

Gostamos e recomendamos, apesar de ter apenas um banheiro, o lugar é bastante bonito, bem cuidado e seguro para deixar o carro.

A dica aqui é deixar uma muda de roupa limpa, toalha e demais equipos de banho no carro, para na volta da montanha, resolver a questão da higiene pessoal e voltar para casa bonitos e cheirosos. 😉

A fazenda possui uma pequena cantina que serve deliciosos pasteis com refri e cerveja bem gelada.

Custo da entrada na fazenda em março de 2018: R$10,00

Mais informações: acesse aqui.

– Levar bastões de caminhada! Kkkk

– Faça uma boa previsão do tempo antes de subir para o PP, pois se pegar chuva lá no alto, a descida pode se tornar bastante perigosa.

O pôr do sol visto do Pico Paraná

Monte Roraima

O Monte Roraima atrai aventureiros, antropólogos, cientistas, biólogos, místicos e viajantes do mundo inteiro.

É um dos tepuis que formam o grande escudo das Guianas, ou Planalto das Guianas, localizado na tríplice fronteira entre Venezuela, Guiana e Brasil, com idade estimada em mais de 2 bilhões de anos.

Tepui é o nome dado às formações de topo plano e escarpas verticais e profundas que abundam nessa região.

Acredita-se que os tepuis tenham sido unidos a bilhões de anos atrás e a cisão deles tenha dado origem à bacia amazônica.

A expedição

Posso dizer que estive em outra dimensão nessa virada de ano… foram 10 dias de muita vivência, aprendizado, gratidão, reflexão, contemplação, conexão, emoção, energia, transformação… compartilhando e vivendo cada experiência!

Monte Roraima

1.º dia Monte Roraima – Brasil-Venezuela

A subida do Monte Roraima se dá pela Venezuela. Assim, antes de começar a caminhada, nos deslocamos de carro de Boa Vista até à Comunidade Pataitepuy.

Nosso grupo era formado por seis aventureiros: Kalhi, de Manaus, Juliana e Graci, de Boa Vista, Alex e Henry, de Curitiba, e eu, de Blumenau. Foi ótimo nosso entrosamento, tanto entre nós, quanto com nosso guia, Leo Tarolla, da Tarolla Tours e Brasil Norte Expedições e a equipe dele. Sensacional dividir esses dias com pessoas com as quais multiplicamos energia e conhecimento!

Depois de atravessar a fronteira, em Pacaraima, a primeira parada é em Santa Elena de Uairén, onde compramos moeda local – bolívar – e demos uma voltinha rápida pela cidade.

Monte Roraima

De lá, seguimos para nosso destino. A estrada até lá não deixa escolha para “sem emoção”… de terra, com muitos buracos e perais… a aventura é garantida! Como estava chovendo muito, a terra virou lama e nosso carro não conseguiu vencer a última subida antes de chegarmos. Tivemos que descer e seguir a pé até o local do nosso último pouso antes dos acampamentos.

Monte Roraima

A pousada estava sem energia e, assim, as lanternas e o banho gelado já entraram em cena um dia antes do previsto.

2.º dia Monte Roraima – Início da caminhada

Monte Roraima

Depois de um café da manhã com essa vista sensacional para os tepuis, fizemos o registro na entrada do Parque Nacional Canaima e começamos nossa caminhada. Seguimos por 15 quilômetros até o Rio Tek, onde fizemos a primeira travessia e seguimos por mais uns 2 quilômetros até o Rio Kukenan.

Quando avistei o Rio Kukenan com o Monte Roraima ao fundo fiquei de boca aberta, literalmente! Lindo demais!!!

Monte Roraima

Monte Roraima

Atravessamos e deixamos nossas coisas no acampamento pra tomar um banho no rio. Foi maravilhoso!!! O Leo (nosso guia) e eu descemos o rio um pouco nadando e um pouco como se fosse um bóia cross, mas sem bóia, claro… kkķkkk… piscinas fantásticas com vista para o Matawi e para o Roraima! Alguns ralados e machucados depois (hehe), voltamos para o acampamento para almoçar. Já eram umas 16h mais ou menos.

Mais tarde, o Alex, a Kalhi e eu saímos para um ataque na trilha em direção ao Monte Roraima. Ainda estava claro, mas a lua já estava linda! Curtimos o entardecer e voltamos para o acampamento. Acabei não resistindo a um banho noturno no rio Kukenan… maravilhoso! Depois nos reunimos todos, ficamos conversando e jantamos uma sopa de abóbora com orégano silvestre que colhemos na trilha.

3.º dia Monte Roraima – Rio Kukenan ao Acampamento Base

Arrumamos nossas coisas e saímos em direção ao pé do Monte Roraima. Foram 9 km com algumas subidas, mas ainda de trilha bem aberta.

11h da manhã já estávamos no acampamento base. Ficamos conversando um pouco e aí fui tomar banho de rio… água geladíssima da montanha: delícia!!! Depois almoçamos e estiquei um pouco as pernas na rede (obrigada pelo empréstimo @leotarolla hehe).

Monte Roraima

O tempo estava bem limpo anunciando que veríamos um pôr-do-sol arrasador… saímos caminhando procurando um bom lugar para contemplá-lo. Subimos um pequeno monte com pedras mais altas e decidimos que seria o melhor lugar. Mas, eis que no horizonte se formaram nuvens enormes e só vimos a chuva caindo mais ao longe, o que foi tão lindo quanto o pôr-do-sol que imaginamos… senão mais! De volta ao acampamento nosso guia nos esperava com um chocolate quente! Foi um dia bem tranquilo para nos prepararmos para o dia seguinte: dia de finalmente subir ao topo.

Monte Roraima

4.° dia Monte Roraima –  A subida

5h da manhã e o acampamento já estava movimentado… grupos fazendo café, desmontando acampamento, arrumando equipamentos. Chegou o tão esperado dia da subida ao topo!!! Logo de cara a subida é quase vertical, mas os degraus formados naturalmente tornam a subida menos árdua.

Monte Roraima

A trilha é lindíssima e cheia de energia! Quando chegamos no ponto tão próximo do paredão que é possível toca-lo, a emoção é inevitável!

Seguindo por mais algumas subidas chegamos ao mirante de onde se avista o “passo de lágrimas”, uma trilha estreita colada nos paredões do tepui, onde a água que cai do topo nos molha suavemente conforme o vento a faz dançar… A conexão nessa passagem foi absurda! O sentimento foi: “só de ter vindo até aqui já valeu tudo!”

Monte Roraima

Mas, ainda tínhamos mais subida pela frente. Mais um pouco de escalaminhada e chegamos ao topo! Nos abraçamos emocionados pela conquista… a impressão é de que entramos em outra dimensão… é diferente de tudo!!! Não tenho palavras pra descrever…

Monte Roraima

Paramos um pouco, mas logo a chuva e o frio nos fez voltar a caminhar até nosso refúgio, chamado “Filhos do Sol”, lugar deslumbrante e mágico!!! A chuva não parou mais. Ficamos no refúgio cuidando das bolhas, unhas, dores e machucados uns dos outros…hehe… No meu caso foi de um tombo na subida quando tentei subir numa pedra mais alta e acabei escorregando. Machuquei um pouco os braços, a perna direita e o rosto, mas só a mão direita que doía demais (ainda dói, aliás, hehe). Passei uma pomada anti-inflamatória, outra pra dor e por fim uma pomada pra cavalo… mas continuava doendo… Não me importei muito com a dor, mas com o fato de não ter força na mão… até pra abrir o zíper da barraca estava difícil. Só pensei: que seja só dor e que eu acorde bem amanhã!!!

5.° dia Monte Roraima – Começando a desbravar o Monte

Já saímos com as cargueiras porque depois seguiríamos para outro refúgio. Passamos por lugares lindíssimos… paisagens de tirar o fôlego!!!

Depois de mais algum tempo caminhando, chegamos ao nosso refúgio para a noite da virada. Incrustado num dos paredões do Roraima e próximo ao Vale dos Cristais e a um poço de água cristalina e gelada… simplesmente magnífico! Deixamos as cargueiras e saímos para conhecer o Vale dos Cristais e o Ponto da Tríplice Fronteira entre Venezuela, Guiana e Brasil.

Monte Roraima
Vale dos Cristais

Monte Roraima

Na volta, já tomei aquele banho no poço próximo ao acampamento e colocamos as espumantes lá pra gelar (sim, eu levei uma espumante na mochila desde Blumenau ;P).

Mais tarde saímos para ver um mirante com vista para o Roraiminha e para a floresta da parte baixa. Sensacional!!!

Monte Roraima

Voltando para o refúgio, quase na chegada, começou a chover. Já cheguei ensopada e corri pra colocar uma roupa seca. Pra minha alegria, o Leo nos serviu chá quente!!! Infelizmente a chuva não parou. Meu plano de ver estrelas cadentes na noite de réveillon foi adiado. Mas nada tirou a alegria da nossa noite … jantamos, brindamos e celebramos a virada com muita energia compartilhada!!! GRATIDÃO!!!

Monte Roraima

Monte Roraima

6.° dia Monte Roraima – A tão sonhada Proa?

Estava ansiosa por hoje… dia de ir para o Lago Gladys e para a Proa!!! Enfrentamos muita chuva e frio até chegar ao Lago Gladys, mas as paisagens, rios, plantas, pântanos, pedras e tudo mais que vimos no caminho valeu cada passo.

Monte Roraima

Monte Roraima

Chegamos ao lago, que estava totalmente encoberto. Mas, em menos de um minuto, o nevoeiro se dissipou e pudemos contemplar sua beleza. Mas ele é tímido… logo se cobriu novamente… foi o tempo de contemplar e tirar algumas fotos!

Monte Roraima
Lago Gladys

O frio era intenso naquela manhã. Seguimos em direção à Proa com muito vento e tempo bem fechado. Chegamos na descida do Vale. Montadas as cordas, o @leotarolla e o @alexandro.kenordasilva desceram. Ficamos na expectativa (tremendo de frio… Hehe). Voltaram com a triste notícia de que não conseguiríamos ir até à Proa… além de estar faltando uma chapeleta do outro lado do Vale, as condições climáticas eram péssimas. Infelizmente só nos restava pegar o caminho de volta para o refúgio. Paramos pra ver os destroços de um helicóptero da globo que caiu no Monte faz alguns anos. Na volta um bom banho bem gelado e uma surpresa deliciosa no acampamento: pipoca!

Monte Roraima

7.° dia Monte Roraima – Explorando o desconhecido

Mais um amanhecer com chuva no Monte Roraima… Nosso café da manhã teve a famosa arepa, uma espécie de pão de farinha de milho feito no fogareiro. Adorei!

Arrumamos nossas coisas e partimos de volta em direção ao refúgio “Filhos do Sol”. No caminho passamos novamente pelo Vale dos Cristais e pelo ponto tríplice. Depois avançamos para conhecer “el fosso”, um poço lindíssimo com uma cachoeira magnífica!

Monte Roraima
El Fosso

Pegamos chuva por todo o caminho. Chegamos ensopados e eu tremendo de frio… hehe. De repente, eis que apareceu o sol. Ainda molhada, arrumei minhas coisas e fui pro rio mais próximo tomar banho e lavar minha calça, meias e bota. Voltei para o refúgio e coloquei tudo no sol, inclusive eu, hehe…

Com o céu finalmente aberto, eu estava querendo muito ir pra alguma borda. Falei com o Enzo e ele disse que estávamos muito longe. Então, ele me levou para subir na formação que era o “teto” do nosso refúgio… a vista lá de cima é sensacional! Até passou a tristeza de não ir para as bordas.

Monte Roraima

Depois descemos para ir até um lago próximo e no caminho tivemos o privilégio de ver algumas flores raras e o sapinho negro endêmico do Monte Roraima (Oreophrynella quelchii).

Monte Roraima

De lá subimos em outra formação bem mais alta ainda não explorada, com direito à uma escalada sensacional !!! Como fomos os primeiros a conquistar aquele lugar incrível, fizemos um totem no topo e o batizamos. Dava até pra ver o Maverick (ponto mais alto do Monte Roraima) de lá, e também o nosso acampamento.

Monte Roraima

Descemos para ver o pôr-do-sol lá do refúgio, mas as nuvens voltaram a fechar o céu. Desci até o rio para buscar água pra mim e para as meninas. já estava bem frio nessa hora. Entrei na barraca pra escrever um pouco. Depois nos reunimos para jantar e conversar. E a chuva voltou!

8.° dia Monte Roraima – Energia Vital

Mais um amanhecer com chuva…

Saímos um pouco mais tarde na esperança de que a chuva parasse, mas, chovia e parava, chovia e parava o tempo todo… e o frio estava mais intenso! Passamos por outra área do Roraima com cristais espalhados por toda parte… conhecemos um grupo que estava acampado num refúgio próximo, conversamos um pouco e seguimos para um local de especial energia… quando estávamos bem próximos, as lágrimas brotaram… a energia transbordava… de dentro pra fora e de fora pra dentro. Que maravilhamento compartilhar dessa energia! Segundo nosso guia, estávamos num dos pontos de intersecção de energia do Universo.

Monte Roraima

Não queria mais sair dali, mas tínhamos que seguir…

Nosso objetivo: as jacuzzis e as ventanas! Fomos primeiro até às Ventanas. Queria muito ver as bordas, mas estava tudo encoberto… podíamos ver o vento trazendo a umidade pra cima. Estava muito frio!

Monte Roraima

Saímos em direção às jacuzzis e tivemos a graça do sol por alguns instantes. Eram as piscinas mais lindas que já vi… o banho foi irresistível! Por mais frio que esteja, não perca esse banho por nada!

Monte Roraima

Monte Roraima

Monte Roraima

De lá seguimos para o Maverick, o ponto mais alto do Monte Roraima (2.875m). A parte baixa estava encoberta, mas o topo estava aberto e pudemos ver quase todo o Roraima lá de cima… belíssimo!

Monte Roraima

Descemos em direção a uma das cavernas do Monte Roraima… é uma gruta incrível com muitos líquens de várias cores! Avançamos até uma galeria imensa onde apagamos as lanternas e ficamos alguns minutos na escuridão e no silêncio do lugar!

Monte Roraima

Monte Roraima

Quando saímos da gruta já estava bem mais frio. Seguimos até o acampamento contemplando o entardecer…

Monte Roraima

Coloquei uma roupa seca e sai pra ver as estrelas. Finalmente uma noite de céu limpo! Mas, como sempre, no Roraima o tempo muda o tempo todo e logo o céu se fechou novamente. Energizada pelo dia magnífico, nem senti fome e acabei não jantando aquela noite… antes de dormir dei mais uma espiadinha no céu, mas ele continuava escondido.

9.° dia Monte Roraima – Início da descida

Acordei umas 5h e pude sentir uma claridade vindo de fora da barraca. Abri rapidamente para espiar e lá estava ela… a lua… plena! Tirei algumas fotos da barraca mesmo, mas logo me troquei para sair e contemplar a lua e o nascer do sol. Foi espetacular!

Monte Roraima

Monte Roraima

Pena que era o dia de começar a descida. Tomamos café e saímos do nosso refúgio. Paramos em um mirante lindo onde pudemos contemplar um pouco das bordas antes das nuvens cobrirem tudo novamente. Começamos a descida. Fomos até o acampamento base onde paramos pra almoçar. O calor estava absurdo! Hora de seguir… Quando chegamos na travessia do Rio Kukenan, escorreguei numa das pedras e caí no rio, o que naquele calor foi ótimo, mas seguir toda molhada nem tanto… hehe… Depois de mais alguns quilômetros, chegamos no acampamento do Rio Tek para nossa última noite antes da caminhada final. Já estava anoitecendo, mas ainda fui pro rio tomar aquele banho! Até nadei um pouco. Voltei para o acampamento no escuro já. A noite estava linda demais! Nada de nuvens… só estrelas!

Pude finalmente ver uma estrela cadente! Ficamos admirando o céu por um tempo sem fim… até que começaram a diminuir seu brilho para dar lugar à luz da lua que se pré-anunciava por detrás do Monte Roraima. E ali ficamos esperando por ela. Nasceu linda, cheia, enorme e brilhante! Foi espetacular!

Jantamos e até tomamos cerveja que vendiam ali no acampamento. Cerveja quente, claro, mas lá isso não importa muito. A noite estava tão linda que não dava vontade de dormir, mas, no dia seguinte ainda teríamos um bom trecho pela frente.

10.º dia Monte Roraima – Hora de voltar

Estava muito difícil pra mim escrever sobre o 10.º dia. E agora sei o porquê. É como se escrever sobre o último dia fizesse encerrar o que eu não queria que acabasse… que foi a mesma sensação que tive durante todo o último dia da caminhada.

Amanheceu um dia lindo e bem quente desde cedo. Arrumamos nossas coisas, tomamos o café da manhã e partimos.

O Monte Roraima estava totalmente limpo… nada de nuvens, nem nevoeiro… juro que deu vontade de subi-lo novamente.

Monte Roraima

Com o calor intenso, pude ver vários calangos pelo caminho.

A cada passo o Monte Roraima ficava um pouco mais distante.

Chegamos na Comunidade Paraitepuy e logo nos reunimos com outros grupos… alguns chegando, outros indo embora como nós. Tanto a compartilhar!

Bebemos algumas merecidas cervejas venezuelanas (dessa vez geladas :D) enquanto esperávamos a Graci e a Kalhi chegarem.

Monte Roraima

Muita conversa depois, hora da despedida. De lá fomos para outra comunidade para almoçar e comprar artesanato local antes de regressarmos à Boa Vista.

180.000 bolívars = salada, arroz, frango e banana frita.

+ 3.000 bolívars = 1 cerveja venezuelana.

Monte Roraima

Monte Roraima

Mas, se você não tiver bolívars, não se preocupe. Todos os lugares aceitavam reais também.

De lá fomos até Santa Helena, onde nos despedimos do Henry e do Alex, que ficaram na Venezuela para uma trip até Salto Ángel.

Nós, as meninas, fomos com o Leo até Pacaraima, atravessamos a fronteira para o Brasil e ali pegamos um táxi até Boa Vista.

O pôr-do-sol estava espetacular!

Monte Roraima

Chegamos em Boa Vista por volta de 19h30. Tomei um banho quente tão feliz (depois de 10 dias de banho gelado) na casa da Graci (MUITO OBRIGADA, Graci!). Arrumei o mochilão para a viagem e logo a Ju e a Kalhi chegaram para darmos uma última volta na cidade e comer alguma coisa num barzinho de karaokê famoso da cidade, o Pit Stop. Lugar muito gostoso com mesas ao ar livre e comida muito boa! Obrigada por tudo, meninas! 

De lá, as meninas me deixaram no aeroporto, onde esperei meu vôo com saída 1h da manhã para Brasília. No caso, já estava no 11.º dia (rsrs…) Depois Brasília – São Paulo. E, por fim, São Paulo – Joinville, onde minha mãe e meu irmão me buscaram para retornar a Blumenau.

Foi uma experiência única! Como já disse, desejo que cada um possa realizar algum dia!

Check-list Monte Roraima

Vou deixar aqui algumas sugestões de itens que considerei indispensáveis nessa trip.

Na hora de preparar seu mochilão, lembre de levar:

  • alguns pares de meia extra porque elas vão molhar! E pé molhado por muito tempo dá bolha e pode fazer cair suas unhas se for um dia de caminhada intensa em descidas, por exemplo;
  • uma corda para fazer varal e alguns grampos de roupa;
  • protetor solar;
  • repelente;
  • desodorante;
  • embalagem pequena de shampoo e condicionador e sabonete (você consegue comprar todos sem nenhum aditivo químico em farmácias – lembre que você está indo para um lugar de preservação);
  • declive;
  • lenços umedecidos;
  • papel higiênico (a equipe do guia fornecia, mas é bom ter alguma reserva);
  • boné ou viseira;
  • gorro para frio;
  • óculos de sol;
  • anorak (ou anoraque) – jaqueta com capuz impermeável para os momentos de chuva e frio;
  • roupa quente para dormir;
  • um par de luvas;
  • toalha de secagem rápida;
  • isolante térmico e colchonete (ou, melhor ainda, se você tiver o isolante térmico de ar fininho inflável, que já serve de isolante e colchonete e ocupa pouco espaço);
  • saco de dormir;
  • roupas leves para as caminhadas;
  • roupas íntimas;
  • roupas de banho;
  • um casaco tipo fleece (é bem quentinho e não pesa);
  • bandana (é um ótimo coringa que você pode usar no pescoço se estiver muito frio ou na cabeça pra proteger do sol. Ou ainda para prender o cabelo);
  • amarradores de cabelo, se você tiver cabelo comprido, claro;
  • sobre calçados, é algo pessoal, mas o ideal é ir só com a sua bota ou tênis de caminhada já no pé e levar só um chinelo para usar no acampamento. E isso é fundamental, não esqueça: sempre que puder, deixe os pés ao ar livre;
  • garrafa de água (2L é o ideal);
  • clorin (purificador de água);
  • kit com algodão, esparadrapo, curativos, agulha, cortador de unha;
  • eventuais remédios se você está acostumado a tomar (para dor, vômito, febre, algum anti-alérgico) – eu sempre levo própolis em spray pra eventual dor de garganta e a pomada de própolis para eventual corte ou ferimento (é um cicatrizante natural);
  • vaselina sólida ou creme para assaduras para passar nos pés ou em alguma outra região do corpo se você tiver problema com assaduras;
  • lanterna de cabeça e lanterna de mão pequena (leve pilhas extras);
  • carregador portátil para as baterias do celular, máquina fotográfica e outros eletrônicos se você levar;
  • lanches de trilha (as refeições principais são fornecidas pela equipe contratada);
  • se você gosta como eu, indico levar vitamina C efervescente. Além de fazer bem pra saúde, é uma delícia. Pode tomar uma por dia;
  • sacolas para roupa suja;
  • se você estiver vindo de longe como eu, lembre de deixar uma muda de roupa limpa para a volta.

Lembre de levar suas roupas e o saco de dormir dentro de sacos impermeáveis. Isso além da capa que protege a mochila. É mais seguro se cair alguma chuva mais intensa.

Lembre também que o comprovante da vacina da febre amarela deve ser internacionalizado em qualquer posto da ANVISA antes de entrar na Venezuela.

Acho que é isso! Lembrando que qualquer dúvida ou sugestão estou sempre a disposição. Podem me chamar no Instagram ou no Facebook.

Aproveite cada passo dessa viagem!

Praia de Naufragados

Há um bom tempo essa travessia de trekking na Praia de Naufragados estava em meus planos,  por falta de meios, de companhia ou tempo ficava adiando a exploração dessa praia, localizada no extremo sul da Ilha de Florianópolis/SC.

Em conversas com alguns amigos decidimos que iríamos fazer essa aventura nos dias 3 e 4 de Março de 2018, mas tínhamos alguns empecílios em relação a trilha.

A grande maioria das pessoas fazem essa trilha começando pela costa oste da ilha de Florianópolis, saindo de Caieira até a Praia de Naufragados, este é um caminho de trilhas abertas, bem sinalizadas, com aproximadamente 50 minutos de duração. Ao meu ver essa caminhada seria muito fácil, nosso grupo de amigos queria algo mais desafiador. Pensando assim, sabíamos que havia uma trilha antiga que começava na Praia da Solidão, passava pela Praia do Saquinho e chegava na Praia de Naufragados, com aproximadamente 10 quilômetros de extensão.

Então resolvemos buscar mais informações sobre essa trilha, conversamos com moradores locais, amigos/conhecidos do mundo virtual e todos diziam que essa trilha existia de fato, mas não sabiam se ela se encontrava aberta/transitável.

O segundo passo da busca de informações era procurar mapas, trilhas que pudessem ser anexadas no GPS de trilha, para que assim conseguíssemos seguir, sem que ficássemos perdidos pelo caminho.

Encontramos um mapa muito bom no site Wikiloc, que mostrava o início da trilha em Açores até Naufragados, e retornava pelo lado oeste da ilha passando pela Caieira e cruzando do oeste para o leste até o fim do caminho na Praia da Solidão. Abaixo o mapa dessa trilha:

Praia de Naufragados

Altimetria de Naufragados
Distância percorrida: 13 km; Acúmulo de subida: 841 m; Acúmulo de descida: 870 m.

No dia 3 de Março as 10 h 10 min  da manhã iniciamos a trilha, seguindo usando um aparelho GPS Garmim eTrax 20, o início da trilha é tranquila, construída de concreto sem obstáculos, algumas subidas e descidas, seguindo assim até a praia do Saquinho, dali em diante seguimos a trilha propriamente dita, essa estava em boas condições, em alguns pontos a mata fechava quase por completa, mas sem grandes dificuldades, não precisamos nem ao menos retirar o facão da mochila. A trilha segue praticamente toda por dentro da mata nativa e em pequenas partes é possível visualizar a costa e o mar.

Praia de Naufragados

Praia de Naufragados

Praia de Naufragados

Durante a trilha, conversávamos sobre essa praia. Como seria incrível acampar por ali, praia deserta, apenas nós e a natureza. Enfim depois de algumas horas de trilhas, cruzando córregos, subindo e descendo morros chegamos na orla de Naufragados.

A primeira impressão não foi das melhores

A praia estava tomada por banhistas, pessoas que chegavam ali de todos os lados, uns vinham através de embarcações, outros pela trilha que começa na Caieira, uma praia que tinha tudo para ser linda e preservada, estava tomada por pessoas, ouvindo músicas em alto som, bebendo, fazendo algazarras e deixando lixo em tudo que é canto da praia. Chegar e ver tudo aquilo acontecendo na frente de meus olhos foi muito triste.

Conforme caminhávamos pela areia, chegando no rio que desaguá na Praia de Naufragados, mais pessoas estavam a banhar-se no rio, nas margens mais lixos jogados ali. Acredito que estavam na praia/rio aproximadamente mais de 200 pessoas.

Isso gera uma degradação do local muito intensa, os órgãos públicos deveriam tomar precauções para combater esse tipo de atrocidades feitas na natureza.

Olhávamos para as nuvens que vinham a nosso encontro e parecia que estava prestes a ter um temporal, logo seguimos pelas margens do rio, procurando um lugar seguro para montar o acampamento, o local escolhido foi em meio a vegetação de árvores perto do rio, em um pequeno espaço que cabiam não mais que 4 barracas.

Praia de Naufragados

Praia de Naufragados

Conforme as nuvens se aproximavam, os banhistas iam embora, deixando a praia cada vez menos ocupada, lá pelas 18 h já não havia mais que 20 pessoas na praia, armamos nosso acampamento e fomos tomar aquele banho de rio maravilhoso, a água estava morna e apenas ouvíamos o barulho do vento e alguns pássaros cantando.

Junto as nuvens de chuva o sol caia no horizonte lentamente, deixando apenas algumas cores refletidas nas águas do rio.

Praia de Naufragados

Depois do pôr do sol começou a cair uma chuva fraca, conforme ia passando o tempo a chuva ficou mais intensa, resolvemos então dar uma cochilada dentro da barraca. Passado cerca de uma hora, era hora de fazer o jantar. Após nos alimentarmos bem, a chuva começou novamente e fomos dormir.

Dia 4 de Março de 2018, levantamos cedo, por volta de 6:30 da manhã, preparamos o café da manhã, desmontamos o acampamento, organizamos as nossas mochilas e começamos a nossa trilha de volta à civilização.

O caminho que iríamos percorrer seriam de aproximadamente de 10 quilômetros, a trilha indicava para o lado direito da Praia de Naufragados. Este caminho leva até o farol e ao porto.

Praia de Naufragados

À primeira vista, o farol de Naufragados se encontra totalmente abandonado, a placa que contém informações sobre o farol encontra-se inteiramente degradada. Fiquei chateado ao encontrar todo esse descaso com um ponto turístico tão importante do estado de Santa Catarina/Brasil.

Praia de Naufragados

Seguimos em direção à Praia da Caieira, onde de lá iríamos procurar uma antiga trilha que faz a travessia do lado oste para o leste, assim terminando o trekking na Praia do Saquinho.

Ao chegarmos na Caieira, o clima estava chuvoso, aos poucos a chuva ia aumentando cada vez mais, tentamos encontrar a trilha, mas sem sucesso, resolvemos então conversar com os moradores locais, para saber se alguém sabia a respeito dessa trilha. Conversando com um ou outro morador, encontramos o proprietário das terras que dava acesso ao começo dessa trilha antiga, ele nos disse que a trilha existia mesmo, mas há muito tempo ninguém passava por lá, certamente estaria totalmente fechada pelo mato.

Nos reunimos e resolvemos abortar o restante da caminhada, logo encontramos uma parada de ônibus, pegamos o ônibus urbano com sentido ao Terminal Rodoviário TIRIO Tavares e depois pegamos outro ônibus até a praia de Açores, que fica ao lado da Praia da Solidão. A passagem custou R$ 4,20 por pessoa, sendo que pagamos 1 passagem apenas por pessoa para ir até o terminal e de lá pegamos outro ônibus até Açores sem pagar nada a mais, isto é. Caso você não saia do terminal rodoviário, é possível ir do norte até o sul da ilha de Florianópolis pagando apenas uma passagem de ônibus.

Praia de Naufragados

Torres del Paine

Em nossa viagem a Argentina, conhecemos Ushuaia e El Calafate, aproveitamos para comprar um passeio de El Calafate até o Chile, para conhecer um pouco da patagônia chilena, mais precisamente um lugar que sempre fez parte dos meus sonhos, Torres del Paine.

Da cidade de El Calafate até Torres del Paine são cerca de 260 km, ou seja, mais de 3 horas de viagem, por isso a condução saiu bem cedinho. O veículo utilizado foi um caminhão/ônibus 4×4 da empresa South Road, que é o mais indicado para estrada que utilizamos, de menor distância, pela Ruta 40.

Ao sair da Argentina rumo ao Chile foi necessário passar pela aduana argentina e posteriormente na aduana chilena, onde as mochilas passaram por scanner, ressaltando-se que não se pode ingressar no Chile com alimentos perecíveis, sob pena de multa.

O Parque Nacional Torres del Paine está localizado na Região de Magalhães ao sul da patagônia chilena e possui 227.298 hectares. Foi criado em 1959 e declarado Reserva da Biosfera pela Unesco em 1978, sendo famoso pelas formações rochosas dos picos do conjunto de montanhas, principalmente as torres de granito e os cuernos, ou “chifres”, que podem ser vistos de quase todas as áreas do parque, e em conjunto com os belos lagos, rios, a fauna e flora, criam uma paisagem deslumbrante.

No dia 27-12-2011 o Parque Nacional Torres del Paine sofreu as consequências de um incêndio que durou cerca de 10 dias e atingiu aproximadamente 7% de sua área, destruindo vegetações e matando animais. O vento existente na região contribuiu para o alastramento do fogo. Como a catástrofe foi de grandes proporções o parque ficou fechado por alguns dias.

Os troncos queimados, ainda presentes no local, são testemunhas  silenciosas dessa tragédia que destruiu milhares de hectares verdes. Mas, mesmo assim, a visão é linda e os caules secos passaram a integrar o cenário.

Torres del Paine

Torres del Paine

A preservação do parque é visível em todos os aspectos, havendo constante vigilância por parte dos guardas-florestais. Os visitantes devem respeitar as regras para evitar desastres ambientais. Por exemplo, em alguns locais é proibido o uso de fogareiro por haver alta probabilidade de incêndio. Descarte em locais inadequados, de produtos que possam poluir o ambiente, também são vedados.

Para ingressar no parque o visitante paga o valor de U$35,00 e pode lá permanecer por prazo indeterminado, só pagando novamente a taxa quando sair e quiser retornar. Nas palavras de nosso guia “pode ficar lá por quanto tempo quiser, pode até ficar para sempre”.

Entre setembro e abril é a melhor época para visitação ao parque, pois no inverno as temperaturas são abaixo de zero e com muitas nevascas, o que impede as atividades ao ar livre. Vale dizer, que mesmo indo nas épocas de temperaturas mais amenas, o corta-vento, o fleece, as roupas impermeáveis, o gorro, a luva, são itens indispensáveis.

O parque impressiona a todos pela sua beleza singular e é considerado um dos lugares prediletos dos aventureiros que adoram acampar e fazer trilhas.

Em alguns pontos do percurso víamos guanacos, que são camelídeos nativos das regiões áridas e montanhosas, mamíferos da família das lhamas e encontrados em grande número na região da patagônia chilena.

Torres del Paine

O lugar escolhido para o almoço não poderia ter sido melhor, próximo a uma queda de água que contracenava com as montanhas geladas ao fundo. Na verdade, nosso almoço era um lanche fornecido pela agência de viagem, mas muito saboroso. Fazer uma refeição em meio a natureza, no estilo piquenique, tem seu valor.

Torres del Paine

Durante o trajeto, ao nos aproximarmos do destino, da janela do ônibus, já era possível ver ao longe as famosas torres. Fizemos nossa primeira parada para apreciar as belas paisagens da patagônia chilena. Dentro de um contexto de montanhas geladas, tínhamos a primeira imagem das torres, embora ainda distantes.

Seguindo adiante fizemos uma parada na Laguna Amarga, aqui sim tínhamos uma visão perfeita das torres que são um dos cartões-postais do Chile. A Laguna Amarga completa a paisagem com todo o seu esplendor.

Torres del Paine

Torres del Paine

Torres del Paine

Essa lagoa de cor verde azulado, localizada nas encostas de Cerro Toro, recebeu esse nome devido ao alto pH. Presentes nessa lagoa estromatólitos de carbonato de cálcio, que são formações rochosas de carbonato de cálcio, encontradas em poucos lugares do mundo, como nos solares de lama e em algumas lagoas australianas.

Ver os picos de Torres del Paine bem de frente para a Laguna Amarga, proporcionou uma sensação de paz, alegria, satisfação, e a certeza de que um passeio maravilhoso estava só começando.

Uma breve parada no Mirador del Nordenskjold para admirarmos os Cuernos del Paine e o lago de cor verde azulado. O Lago Nordenskjold possui uma profundidade de 200 metros, o que permite a navegação e a prática de outras práticas esportivas.

A fauna e a flora são diversificadas, destacando-se vegetações coloridas que parecem flores e são características do local devido ao clima, consistindo numa espécie de arbusto bem rígido.

Torres del Paine

Torres del Paine

Torres del Paine

Nosso próximo ponto foi nas margens do belo Lago Pehoé, de águas cristalinas, localizado próximo à Villa Cerro Castillo. O lago de cor verde-esmeralda e a flora exuberante, com uma bela vista para os Cuernos del Paine, formam uma imagem paisagística espetacular.

Torres del Paine

Torres del Paine

Iniciamos uma caminhada próxima ao Mirador Cuernos. Nessa hora estava garoando e tinha um pouco de vento, mas nada que nos desanimasse ou tornasse a vista panorâmica menos bela. O guia explicou inúmeras coisas sobre tudo existente no local, porém, nessa hora ficou um tanto complicado para quem não entende espanhol.

Um caminho simples, mas de beleza paradisíaca, sempre com visibilidade para as montanhas geladas. As fotos mostram a beleza, mas a emoção de estar nesse lugar encantador é algo eletrizante. Os “Cuernos del Paine” são formações rochosas que parecem ter sido esculpidas.

Torres del Paine

A chuva deu uma trégua e seguimos nossa caminhada em direção a uma cachoeira: o Salto Grande, que tem 10 metros de altura. O vento frio continuava, motivo pelo qual o casaco e o gorro foram fundamentais.

A água originária do Lado Nordenskjöld flui com grande força em direção ao Lago Pehoé formando o Salto Grande. Suas águas são de um verde turquesa, que impressionam pela linda coloração. A queda de água em tons verde e branco deixa a imagem da foto fascinante.

Torres del Paine

Torres del Paine

Torres del Paine

O parque Torres del Paine tem belezas inexplicáveis, não só as torres de granito e os cuernos, mas sim toda a geografia com suas florestas virgens, os lagos de águas limpas e cores intensas, os animais silvestres, a gostosa sensação de sentir os ventos, dentre inúmeras outras coisas que tornam o lugar simplesmente deslumbrante.

Torres del Paine foi matéria recente das reportagens especiais do  Fantástico 360 graus. Confira:

Como podem verificar no mapa abaixo conhecemos apenas uma pequena parte desse lindo parque, pois nosso passeio foi somente de um dia, mas valeu a pena, ficando a vontade de retornar e explorar o que não foi possível conhecer.

Os aventureiros adoram esse lugar por ser possível fazer caminhadas de longa duração por mais de 250 quilômetros de trilhas, passando por planícies, margens de lagos, montanhas e geleiras. As duas caminhadas mais famosas são os circuitos W e O, que permitem chegar à base das torres.

Uma de nossas próximas aventuras será fazer os circuitos W e O, que consiste em trekking de 7 a 10 dias, exigindo preparo físico e disposição, mas certamente passar esse tempo num lugar tão espetacular será recompensador. Mas isso será matéria de uma próxima postagem.

Monte Roraima

Decidi escrever como tudo começou, antes de dar início ao diário do trekking em si, para contar um pouco das aventuras e desventuras que antecederam esses 10 mágicos dias no Monte Roraima e para agradecer algumas pessoas muito especiais.

Antes de decidir onde estaria nessa virada de ano, muitas dúvidas surgiram.

A ideia inicial, fazer o trekking no Monte Roraima, parecia que não daria certo… O grupo formado aqui na cidade onde moro com a coordenação de um profissional que admiro e tive a oportunidade de conhecer em 2017, Juliano Santana, da Target Aventura, iria numa data que eu não conseguiria férias.

Tentei outro grupo, por uma empresa do Rio de Janeiro, mas, para os dias que eu tinha disponibilidade, não tinham mais vagas.

Comecei a pensar em mudar de rota. Surgiu a possibilidade maravilhosa de fazer o curso de canionismo na serra da Canastra com meu amigo e profissional extraordinário do rapel Kadu, da Eco Xperience. Queria ir, mas meu coração ainda balançava pelo Monte Roraima (mas ainda vou fazer).

Outra viagem que comecei a planejar seria para o Caparaó, na divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo, onde poderia unir a paixão pelas cachoeiras com o amor pelas montanhas, pois queria muito subir o Pico da Bandeira. Conversei com meus amigos Breno e João, de Minas Gerais e estaria tudo certo pra ir, mas seriam poucos dias (Obrigada, meninos, pelas dicas e ajuda com o contato do parque. Esse ano ainda estarei por aí!).

E foi num final de semana de acampamento no Vale da Utopia, na Guarda do Embaú, com amigos incríveis que o trekking me deu de presente, que, comentando sobre a minha vontade de fazer o Monte Roraima, uma das minhas amigas, a Tere me falou do guia com quem ela e outros amigos fizeram: Leo Tarolla. (Tere, obrigada pelas dicas e pelo empréstimo do saco estanque pro meu saco de dormir ficar sequinho!).

Ela não tinha mais o contato dele e comecei a busca. Deixei mensagem no face e nada. Até que achei a página da empresa, chamada Brasil Norte Expedições e o e-mail. Logo recebi resposta de que havia um grupo montado para as datas que eu queria, com o tempo que eu queria ficar, com o melhor preço de todos que pesquisei e que eu ainda poderia entrar no grupo. Perfeito! Decisão tomada, passo para a etapa das passagens. Quem já foi pra Boa Vista – Roraima, sabe que não é lá muito barato… Ainda mais em cima da hora. Tinha que ver se conseguiria um valor possível.

Comecei as pesquisas! A melhor opção de logística de voos e menos tempo de espera seria pela AZUL. Mas, eu buscava melhor preço e não comodidade. Encontrei pela LATAM um preço um pouco melhor, mas ainda muito caro pra mim. A GOL estava quase o mesmo preço da AZUL. Consultava as saídas por Navegantes ou Florianópolis, já que moro em Blumenau. Foi quando lembrei de Joinville e consegui uma ótima diferença de preço, mas teria várias horas de aeroporto entre um voo e outro. Isso não era problema, tudo certo! Comprei! Joinville – São Paulo – Brasília – Boa Vista para 25-12-2017; e Boa Vista – Brasília – São Paulo – Joinville para 06-01-2018.

Procurei também um hostel em Boa Vista. O Leo, nosso guia, me passou indicação, mas estava lotado para as duas noites que estaria por lá. Achei então um hotel mais simples, com preço bom e relativamente próximo do aeroporto e do centro de Boa Vista, Hotel Mecejana. Foi ótimo custo-benefício! Mas, se você não gosta de água fria, recomendo que procure outro (rsrs…). Não existe água aquecida ou chuveiro elétrico. Mas a cama é boa e tem ar-condicionado.

Outra coisa importante pra quem vai fazer essa viagem ao Monte Roraima é o comprovante de vacinação pra febre amarela. E tem que ser internacionalizado. É muito fácil de fazer e não tem custo. É só levar sua carteirinha de vacinação ou comprovante da vacina da febre amarela no posto da ANVISA do seu município. Não chegaram a nos pedir, mas para entrar na Venezuela podem exigir!

Depois de alguns dias separando e organizando tudo, vi que não caberia na minha mochila. Minha amiga Iara que viajaria, excepcionalmente, de mala de rodinhas nesse fim de ano, me emprestou a mochila (Muito obrigada, amiga!).

Chegado o dia da véspera da viagem, 24-12-2017. Feliz porque pude passar o dia com meu pai e a família e a noite de Natal com a minha mãe e meu irmão.

Enfim tudo arrumado para pegar o voo no dia seguinte!

Nossa viagem começaria dia 27-12 e eu chegaria em Boa Vista na madrugada do dia 26-12. Então, teria um dia para conhecer Boa Vista.

25-12-2017 – Dia de embarcar! Minha mãe e meu irmão me levaram até o aeroporto de Joinville (obrigada, meus amores).

E começava a aventura ao Monte Roraima

Chegando em São Paulo, essa era a única conexão que eu não esperaria. Foi só correr para pegar o próximo voo pra Brasília, onde então esperei por algumas horas para pegar o voo para Boa Vista. Enquanto esperava, recebi algumas mensagens carinhosas de “boa aventura”, “boa sorte” e uma de um grande amigo que fiz nos trekkings do Rio Grande do Sul, o Alfredo, grande parceiro de trekking da melhor qualidade, que já morou em Boa Vista e me passou o contato de um amigo dele, também gaúcho, que já mora em Boa Vista com a família a muitos anos, o George. Entrei em contato e combinamos de nos falarmos no dia seguinte para fazermos alguma coisa.

26-12-2017 – Chegada em Boa Vista 1 h 00 da manhã. Esperando a bagagem, já conheci um casal que também faria o Monte Roraima, a Dani e o Paolo de São Paulo. Já dividimos o UBER para chegar cada um no seu hotel com mais um morador de Boa Vista que estava voltando pra casa. Cheguei no hotel passava um pouco da 1 h e 30 minutos e eis que não localizaram a minha reserva. Frio na barriga. Entrei no meu e-mail pelo celular e mostrei a confirmação da reserva. Ainda bem que tinha vaga. Pude ficar! Não sei o que houve no sistema deles, mas no dia seguinte estava tudo solucionado. Ufa!

O Leo, nosso guia, entrou em contato comigo logo cedo que passaria lá no hotel pra me dar um oi, mas que teria compromisso o dia todo. Eu já querendo sair por aí pra aproveitar o dia, mas esperei. Logo que chegou, pude sentir o ser humano iluminado que ele é, daqueles que podemos conversar por horas… Combinamos a saída do dia seguinte e ele me deu uma carona até à orla, onde eu queria ir pra andar de caiaque.

Cheguei no Porto do Babazinho, um lugar que oferece passeios de barco, aluguel de pranchas de stand up e caiaques. Nesse meio tempo, troquei mensagens com o George e combinamos que eles me buscariam ali lá pelas 10 horas. Aluguei um caiaque e atravessei o Rio Branco até chegar na Praia Grande, na outra margem. Natureza linda! E só tinha eu naquela faixa de areia enorme.

Foi delicioso ficar por ali um pouco. Voltando pra devolver o caiaque, um senhor, o Ralph, veio me ajudar a tirá-lo da água. Perguntei alguma coisa e ele respondeu em inglês que não entendia. Conversamos um pouco até descobrir que ele era alemão, apaixonado por remar e velejar nos rios do Brasil e que vem todo ano até Boa Vista e dali sai para suas expedições de barco pelos rios afluentes do Amazonas.

Monte Roraima
Remando no Rio Branco – Boa Vista – Roraima

Logo em seguida o George e a esposa dele, a Janaína, chegaram. Nem nos conhecíamos e eles foram uns amores comigo. Me levaram para conhecer outras praias lindas nas proximidades e depois em deixaram bem perto de vários pontos turísticos da cidade, onde pude conhecer tudo a pé. Combinamos de nos reencontrarmos mais tarde. Conheci o centro antigo, as feiras de artesanato, a Igreja Matriz e o Monumento aos pioneiros. Dali segui a pé até o centro cívico, conheci o Monumento aos garimpeiros, o Monumento do Milênio, a Praça das Águas e de lá segui até o hotel.

Monte Roraima
Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo – Boa Vista – Roraima

Tomei um banho e logo depois o George e a Janaína chegaram para me buscar. Fomos comer um açaí e dar mais umas voltas pela cidade. Depois fomos buscar a filha deles, a Bianca, e a mãe da Janaína, dona Denize, duas queridas, para vermos a decoração de natal. Voltei à Praça das Águas, agora com eles, e à noite. Toda iluminada e decorada, estava linda demais! A praça tem várias fontes de águas dançantes com música tocando o tempo todo. Muito legal!

Monte Roraima
Praça das Águas – Boa Vista – Roraima

Acabaram ainda me levando pra jantar porque me falaram que eu não poderia sair de Boa Vista sem provar o “peixe-delícia”. E digo o mesmo pra vocês! O nome já diz tudo! Além dessa iguaria de Boa Vista, pedimos ainda um tucunaré grelhado e iscas de dourado. Sensacional! Preço bom e pratos bem servidos. O nome do restaurante é Recanto da Peixada. Conversamos mais um pouco e depois me deixaram no hotel. Que família amorosa e abençoada. Obrigada por tudo!

Tomei mais um banho (gelado, rsrs…), organizei a mochila e deixei tudo preparado. Celular para despertar 4h30. Horário combinado para me buscarem 5h da manhã. Ansiosa pelo início da grande aventura no Monte Roraima.

Cânion Boa Vista um lugar incrível

Tivemos a oportunidade de conhecer todas as faces do Cânion Boa Vista, um ponto turístico tão pouco explorado pela maioria das pessoas, estar lá e caminhar em seu entorno renderam momentos incríveis e fotografias magníficas.

Conhecemos o Cânion Boa Vista através da empresa parceira Sol de Indiada, fazendo um trekking de quatro dias pelas bordas dos cânions mais lindos do sul do Brasil. Na travessia caminhamos aproximadamente 80 km, no terceiro dia da nossa travessia cruzamos do Cânion Amola Faca até o Cânion Boa vista, onde pudemos contemplar todo seu esplendor.

Caminhar nas regiões dos cânions é uma experiência que recomendamos a todos, a cada passo a paisagem muda, uma hora é possível olhar os cânions ao longe, noutra hora já estamos na borda, a paisagem é deslumbrante, uma sensação de liberdade indescritível.

Caminhando pela borda podemos enxergar as enormes fendas, em certos pontos a altimetria chega perto dos 1.000 metros ou mais, ao mesmo tempo que sentimos uma sensação de paz, o medo apimenta ainda mais a nossa experiência, todos esses sentimentos fazem com que tenhamos um olhar mais cauteloso, entendendo assim que precisamos continuar preservando a natureza.

O Cânion Boa Vista é um dos lugares mais lindos que já tivemos a oportunidade de acampar, abaixo você pode ver algumas fotos capturadas nessa aventura inesquecível!

Cânion Boa Vista

Cânion Boa Vista

Depois de caminhar boa parte do dia, estava na hora de escolher um bom lugar para armar as barracas, escolhemos acampar em um platô, ali tínhamos uma vista de quase 360° graus do Cânion Boa Vista, era incrivelmente maravilhoso estar ali curtindo aquele momento único.

Precisamos agradecer todas as vezes que temos a oportunidade de contemplar momentos mágicos, a natureza nos deu um grande presente que vamos nos lembrar todas as vezes que estivermos acampados com nossas barracas.

Cânion Boa Vista

Para festejar todos estes bons momentos abrimos uma garrafa de vinho e brindamos, ficamos ali olhando as estrelas, a magnífica Via Láctea e o grandioso Cânion Boa Vista.

Cânion Boa Vista

Cânion Boa Vista

Como o seu próprio nome diz é uma boa vista, um colírio para os olhos daqueles que se aventuram por essa região.

Para chegar ao atrativo é muito fácil, percorra uma estrada de chão por 40 km até chegar na Pousada Ecológica dos Cannyons,  e caminhe cerca de 300 metros até a borda do cânion Boa Vista, veja no mapa clicando aqui.

Redução de peso em travessias de trekking

Trekking para inciantes, dicas sobre redução de peso em equipamentos.

Um dos maiores obstáculos do estilo de caminhada conhecido como Trekking na maioria das vezes não é apenas o terreno difícil, passar inúmeros dias acampando, mas sim, os equipamentos utilizados para a prática desse tipo de aventura.

A maioria das pessoas que começam a praticar trekking acham que isso se trata de um esporte elitizado, tendendo que os equipamentos sejam de alto valor monetário, pois não são encontrados facilmente no Brasil.

Isso não é verdade, vou explicar aqui nesse texto como você pode poupar um bom dinheiro e fazer um trekking de aproximadamente 5 dias, usando apenas uma mochila de 32L e mais alguns equipamentos indispensáveis.

Equipamentos

Na hora de escolher seus equipamentos, escolha por suas especificações técnicas primeiramente e não pelo seu preço, quando analisamos as especificações de cada produto podemos definir se o produto em questão é barato ou caro, sem isso é difícil fazer alguma comparação.

Outro detalhe interessante é estar atento as normas EN de cada equipamento, nesse caso escolha equipamentos com essa nomenclatura, porque são equipamentos fabricados para usos na Europa e testados em laboratório para que realmente possam atender as exigências, em outras palavras podemos dizer que, o produto irá entregar tudo o que promete, diferentemente do restante dos produtos similares não testados no mercado.

Você pode estar se perguntando! Os equipamentos com normas EN não são mais caros?

Sim, os equipamentos são mais caros, mas isso é subjetivo, pois são fabricados para realmente atender as exigências. Cito um exemplo para melhor entendimento:

Você pode optar por comprar um saco de dormir Deuter ou The North Face com norma (EN) com temperatura que variam entre +5° e -9°, este modelo será melhor e mais barato que se comprar um saco de dormir com faixas de temperatura entre 0 a -5° para usos aqui no Brasil. Caso a temperatura baixar durante a noite é só vestir um conjunto de roupas térmicas e resolvemos o problema.

Mochila de 32L

Existe no mercado nacional uma infinidade de marcas/modelos de mochilas, procure uma que tenha boas especificações técnicas e que seja muito confortável, pois você terá que carrega-la aproximadamente cinco dias consecutivos.

Mochila Guide 32L Lite Deuter

Redução de peso em travessias de trekking

Valor aproximado: R$ 833,00

Peso: 1,2kg

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Isolante Inflável

Os isolantes térmicos são muito importantes para termos uma boa noite de sono, este isola a temperatura corporal e mantém seu corpo seco, para assim ter uma noite sem desconfortos.

Isolante Ultra Light – Sea To Summit

Redução de peso em travessias de trekking

Valor aproximado:  R$ 533,00

Peso: 395g

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Saco de dormir

A dica aqui é se possível, usar um saco de dormir fabricado com plumas de ganso, pois possui melhor isolamento contra baixas temperaturas e é muito leve, mas geralmente estes são um pouco mais caros, mas posso dizer que compensa o investimento. Uso em minhas viagens o saco de dormir Deuter Trek Lite +3, este possui temperatura de conforto +7° e extrema -12°.

Temperaturas em sacos de dormir:

  • Temperatura de conforto é um dado para comparar uma boa noite de sono igual aquela que temos em nossas casas.
  • Temperatura limite, é aquela que você dorme usando poucas roupas.
  • Temperatura extrema é aquela que você dorme usando muitas roupas.

Por isso sempre compre o saco de dormir olhando a temperatura de conforto no máximo a de limite, nunca olhando para a extrema, olhar e entender os pontos importantes de cada equipamento é fundamental, poderá ser a diferença para poupar seu dinheiro.

Saco de dormir Trek Lite +3

Redução de peso em travessias de trekking

Valor aproximado:  R$ 929,00

Peso: 800g

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Barraca

As barracas são um dos pontos mais importantes que devemos prestar a atenção na hora da compra, pois ela será nosso abrigo durante todos os dias do trekking, use barracas (auto-portante) pois você poderá armar ela em qualquer terreno. Lembre-se que em um trekking a maioria dos acampamentos são selvagens, procure uma com uma boa coluna de água e resistente a ventos fortes.

As barracas para serem consideradas leves devem estar na faixa de 1 a 2 kg.

Barraca Cirus 2 NatureHike

Redução de peso em travessias de trekking

Valor aproximado: R$ 1.399,00

Peso: 1,84 kg

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Fogareiro/gás

O fogareiro será seu fogão durante os dias de travessias de trekking, é nele que você aquecerá todos seus alimentos e bebidas.

A dica é usar o fogareiro Azteq Spark, pois é leve, compacto e muito fácil de manusea-lo, além disso podemos condicionar ele dentro do estojo de transporte e guardar embaixo do cartucho de gás.

Fogareiro Spark Azteq

Redução de peso em travessias de trekking

Valor aproximado:  R$ 195,00

Peso: 87g

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 Kit de panelas

Recomendo usar o conjunto de panelas Azteq Trip, pois é muito leve, compacto, antiaderente e oferece um bom custo/benefício.

Conjunto de panelas Trip Azteq

Redução de peso em travessias de trekking

Valor aproximado: R$ 124,00

Peso: 260g

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Roupas

Em um trekking de muitos dias não é necessário levar uma muda de roupa por dia, pois isso aumentará o volume dentro de sua mochila e o seu peso final, se você respeitar o sistema de camadas, levará apenas o necessário para a sua aventura.

Hoje em dia as roupas técnicas são fabricadas para suportar até 5 dias em uso, isso quer dizer que você não precisará trocar de roupa todos os dias pois, possuem tecnologias avançadas anti-odor que permite que você use inúmeras vezes antes de lavar.

Equipamentos junto ao corpo:

Os equipamentos que estamos vestindo, calçando e usando também devem se juntar a essa conta, geralmente levamos um conjunto de roupas térmicas e mais um conjunto de anoraque (impermeável, respirável e corta-vento), ainda tem a bota de caminhada, meias, GPS de trilha, tudo isso gera um peso aproximado de 2 kg.

Se formos calcular o valor investido nessa breve lista de equipamentos vamos chegar a um total de R$ 4.013 reais sem contar aquilo que está em nosso corpo, isso não é um valor monstruoso, mas com tudo isso você consegue realmente aproveitar seus dias na natureza muito mais tranquilo e sem muito esforço, pois se somarmos todas as gramas dessa lista chegamos ao peso de 6,58 kg aproximadamente, isso é apenas dos equipamentos. Digamos que acrescentamos mais 1 litros de água e 1 kg de comida, dessa maneira temos boas condições de fazer qualquer travessia de trekking usando uma mochila leve e compacta pesando aproximadamente 10 kg.

Pontos importantes para se levar em consideração:

Geralmente a maioria dos aventureiros pensam que fazer trekking é levar uma mochila enorme, pesando cerca de 20 a 30 kg, mas não é bem assim, um erro comum aos praticantes iniciantes é comprar de cara uma mochila enorme e equipamentos muito baratos, de má qualidade e que você certamente irá trocar após um ano de uso, se contar todas essas trocas de equipamentos é vantagem sem dúvidas planejar suas comprar e comprar algo bom logo de cara, assim você evita surpresas desagradáveis durante suas aventuras de trekking.

Esse peso a mais que carregamos somente será sentido em subidas íngremes ou em inúmeros dias de caminhada, em um dia de travessia podemos dar aproximadamente 30.000 passos, então para que isso aconteça de forma tranquila, precisamos carregar o menor peso possível em nossas mochilas. Entenda que um caminhão de carga leva muito mais tempo para subir uma serra que um carro de passeio, isto é lógico, nas travessias de trekking isso acontece da mesma forma.

Quanto você for analisar todos os equipamentos que está levando em uma travessia, tenha o critério para definir quais equipamentos você tem e quantas utilidades ele tem, se este ter apenas uma utilidade, ele não deverá estar dentro da sua mochila.

Este texto tem o objetivo de ajudar você na escolha do equipamento certo, dando dicas e apontando as principais dificuldades nesse meio esportivo.

Esse artigo foi construído em trocas de conversar com o Tiago Korb, fundador do Clube Trekking Santa Maria/RS. Essa empresa possui larga experiencia em travessias de longa distância, dentre elas se destacam a maior travessia de montanhas do Brasil – Travessia Transmantiqueira, é realizada em 18 dias a pé e percorre a distância de 630 km.

Calendário de travessias 2017

Redução de peso em travessias de trekking
Foto: Clube Trekking Santa Maria

A Clássica Travessia da Serra Fina – MG

A Clássica Travessia da Serra Fina

Já fazia um bom tempo em que eu e meus camaradinhas de hiperatividades, perrengues e afins, conversávamos sobre fazer a famosa e desafiadora travessia da Serra Fina, porém, a conversa sempre acabava se dissipando em nada. Foi então que, numa tarde qualquer de junho de 2016, o Filipe me chamou no chat com uma perguntinha: “E a Serra Fina?”.

Naquele mesmo instante senti que era o momento e imediatamente começamos a correr atrás da data, que deveria ser fora de feriados ou finais de semana, para evitar a travessia “crowdiada”, pois o plano era acampar os três dias nos três picos mais altos da travessia. Além disto, tínhamos que conciliar horários de vôos, pois estando eu em Porto Alegre e o Filipe em Floripa, havia mais este desafio de encaixar as peças do quebra-cabeça da logística de maneira tal que não houvesse perda de tempo, pois o esquema seria um “bate e volta”.

Quanto tudo já estava acertado e encaixado, os horários dos vôos, do ônibus de Guarulhos para a rodoviária de São José dos Campos, de SP para Passa Quatro e o traslado local para o início da trilha, reservas no hostel e etc. e tal, eis que o nosso camarada Hyzzo, resolveu dar o ar da graça de ir faltando poucos dias. Novo quebra-cabeça, mas depois de muita correria, conseguimos fazer as coisas se ajustarem. Agora já não seria apenas uma dupla, mas um trio da trupe realizando a travessia.

“Atualmente todos vivemos em um mundo dominado pelas máquinas. Quase não restam em nosso deteriorado planeta espaços livres, onde possamos esquecer nossa sociedade industrial e testar, sem sermos incomodados, nossas faculdades e energias primitivas. Em todos nós se esconde uma saudade do estado primogênito, com o qual podíamos calibrar-nos com a natureza e enfrentá-la, descobrindo a nós mesmos. Aqui está basicamente a razão de não haver para mim uma meta mais fascinante que esta: Um homem e uma montanha.” Reinhold Messner

O ponto de encontro foi o aeroporto de Guarulhos, onde, o primeiro a chegar foi o Hyzzo, bem depois (6 horas), meu voo aterrissou e com menos de uma hora, finalmente a trupe estava completa com o Filipe, vindo de Floripa. Tratamos de jantar por ali mesmo e sem perder tempo, pegar o ônibus para São José dos Campos e aí sim, embarcar para Passa Quatro/MG, no último horário, às 00 h 45 min.

Depois de vencida esta primeira etapa, chegamos à rodoviária de Passa Quatro, antes das 4 horas da madrugada, cansados e com sono. Não demorou muito e logo, uns 15 minutos depois, nosso transporte para a Toca do Lobo, chegava com uma louvável pontualidade. Contratamos o Antonio José (35 991191373), que foi indicação do Hostel Harpia, transporte de primeira! Recomendo.

A Clássica Travessia
Conexão Guarulhos x São José dos Campos x Passa Quatro.

Primeiro dia – 03/08/2016 – Toca do Lobo ao Pico do Capim Amarelo

Embarcamos na Kombi e seguimos pela cidade deserta durante a madrugada e logo entramos na estradinha de chão que nos levaria ao ponto zero da travessia. Devido à escuridão, não deu para curtir o visual, mas estava tudo dentro do cronograma planejado e uma hora depois, já estávamos com as cargueiras nas costas e as lanternas de cabeça ligadas, no breu da madrugada, rumando para o início da trilha, onde paramos para comer algo e tomar um café para despertar enquanto não clareava o dia.

Passando alguns poucos minutos das 06:00 horas, raiando o dia, atravessamos o córrego de fronte para a Toca do Lobo e entramos finalmente na trilha, tendo como objetivo para o dia o alto do Capim Amarelo e seus 2.570 metros.

Praticamente “virados” de um dia para o outro, sem dormir e cansados do tranco da viagem, mas ainda assim, com uma vontade muito grande de estar ali e encarar o desafio. Comentei com a trupe naquele momento que, por começar bem cedo e também pelo fato de não termos dormido, nossa estratégia seria ir bem devagar, aproveitando o clima agradável daquela manhã de tempo bom, fazendo as paradas para pegar água e descansar, sem correria, pois tudo ali era novo para todos nós e como diz o ditado: “devagar se vai ao longe”, tocamos assim, morro acima no ritmo do cágado hiperativo.

A previsão do tempo estava ao nosso favor, apesar disto, começamos a trilha com muita neblina, um motivo a mais para ficar atento na navegação. Era um olho na trilha e outro no GPS para não ter surpresas… kkk Com pouco mais de uma hora e meia, chegamos ao último ponto de água, onde tratei de pegar 4 litros para garantir o consumo durante a subida, e também o jantar, café da manhã e uma reserva para chegar até o próximo ponto de água somente no dia seguinte.

Embora não seja nenhuma novidade para muitos que estão lendo, cabe pontuar a questão da água, ou melhor, a escassez dela na travessia. É preciso ter muita atenção para pegar a quantidade certa e ter bem mapeados os pontos de água. Além disto, a escolha de um cardápio que exija uma quantidade pequena ou nenhuma de água para o preparo também é igualmente importante. Dito isto, vamos em frente.

Seguimos num ritmo lento e fazendo paradas rápidas a cada hora, pois o primeiro dia não perdoa, é só subida o tempo todo.

Na medida em que o dia avançou, a neblina se desfez e por volta de umas 9 horas já estávamos andando com céu aberto, poucas nuvens e o sol não chegava a torturar tanto, pois a temperatura estava agradável… A medida em que se ganha altitude é bem fácil perceber a mudança da vegetação também, a mata desaparece numa transição com taquarinhas e depois é basicamente capim alto e vegetação rasteira.

A Clássica Travessia

Com 7 horas e meia de caminhada, um certo esforço e muito cansados, chegamos por volta de meio-dia e meia no topo do Capim Amarelo e como se tratava de um dia de semana, o pico estava completamente deserto. Eram apenas nós três no alto da montanha, o que para mim, foi uma alegria a mais. Meu lado antissocial agradeceu pois tinha pesquisado bastante e lido em alguns relatos que durante feriados a coisa fica complicada no que diz respeito a conseguir lugar para montar o acampamento e que também às vezes rolava algumas crises entre a galera… Melhor assim, nosso planejamento tinha dado muito certo nesta questão e a montanha era só nossa.

Fizemos um almoço simples e depois de uma boa lagarteada (tirar uma soneca no dialeto gaúcho) ao sol, montamos nossas barracas e ficamos por ali curtindo o momento e conversando até o cair do sol, que foi um espetáculo à parte.

Tratamos de jantar cedo e entrar nas barracas pois a temperatura que estava agradável durante o dia, simplesmente despencou com o sol indo embora. Bem alimentado, dormi que nem uma pedra.

Resumo do dia:

Distância percorrida: 6.5 km

Tempo de caminhada: 9 h

Acumulo de subida: 1250 m

Acumulo de descida: 305 m

A Clássica Travessia

Segundo dia – 04/08/2016 – Pico do Capim Amarelo ao Pico Pedra da Mina


Acordamos com um dia lindo de céu limpo e sem vento. Estávamos acima das nuvens, no altímetro marcando 2.495 metros.

Preparamos um café reforçado, sem pressa desmontamos o acampamento e organizamos tudo nas cargueiras. Depois de dar uma repassada no “briefing” da missão para o segundo dia, colocamos o pé na trilha às 9 horas da manhã, mais descansados e mantendo o mesmo ritmo do dia anterior, sabíamos que em se tratando de Serra Fina, nenhum dia é moleza e a altimetria deste dia mostrava uma verdadeira montanha russa, cheia de desce e sobe… kkkk

Por volta das 15 h 30 min chegamos ao Rio Claro, nosso ponto de coleta de água, na base da Pedra da Mina.

Por ali ficamos uma hora, descansando, comendo e bebendo muito suco Tang para seguir em frente mais animados e atacar o cume da Pedra da Mina. Nesse momento, fomos alcançados por um grupo, onde para minha surpresa, era o Tiago Korb e o Clube de Trekking de Santa Maria, que num grupo de quatro pessoas, estavam fazendo a travessia em dois dias.

Conversamos um pouco ali, e logo em seguida, o grupo do Tiago seguiu para o cume, enquanto a trupe, um pouco depois e num ritmo mais lento, tomou o mesmo rumo: Pedra da Mina.

A Clássica Travessia

O ataque ao cume é bastante cansativo e demorado, uma hora e meia para percorrer esse trajeto. Na parte final da subida, o tempo começou a mudar, muitas nuvens cobrindo a montanha e com a tarde caindo, começou a ficar escuro. Como estávamos distantes uns 30 metros uns dos outros, recomendei para o pessoal sacar as lanternas de cabeça e manter na luz vermelha, para não perder ninguém de vista na neblina que estava tomando conta do caminho.

Desta vez não teve pôr do sol, e, por conta das nuvens e do vento que soprava com força, fomos obrigados a fazer o jantar no avanço da barraca e encerrar assim o dia.

Resumo do dia:

Distância percorrida: 7.9 km

Tempo de caminhada: 9 h 30 min

Acumulo de subida: 984 m

Acumulo de descida: 671 m

A Clássica Travessia

Terceiro dia – 05/08/2016 – Pico da Pedra da Mina ao Pico dos Três Estados

O dia amanheceu lindo e sem aquele vento que nos recebera na noite anterior. Como de praxe, tomamos café, desmontamos o circo e com as cargueiras prontas, assinamos o livro do cume e nos despedimos da Pedra da Mina.

O início deste trecho da travessia é uma descida forte, com muita pedra solta, que exige bastante atenção e cuidado, pois em menos de 1 km se desce mais de 300 metros! Qualquer descuido pode resultar em queda. Nessa hora os bastões de caminhada ajudam muito.

Depois de menos de uma hora, já estávamos no meio do Vale do Ruah, que por sinal é bem bonito, com seu labirinto de capim alto e charcos repletos de turfeiras. Atravessamos o vale sem muita dificuldade. No último ponto de água, antes de sair do Ruah, paramos e resolvemos fazer uma bela macarronada para antecipar o almoço e também aproveitar para lavar a louça e abastecer de água, pois o próximo ponto de água é só no dia seguinte e praticamente no final da trilha.

Pouco antes do meio-dia retomamos nossa jornada, passamos pelo cume do Brecha, de onde já era possível ver nosso destino para o final do dia.

Seguimos em frente, passando pelo segundo trecho onde se caminha bem na linha da cumeeira da serra, com um visual alucinante e abençoados por um clima excelente pois não havia vento algum. Ao chegarmos ao cume do Cupim, pouco antes das 15 horas, fizemos uma parada para descansar e apreciar a vista. Naquele momento o que mais me marcou foi o silêncio absoluto no local. Chamei a atenção do Filipe que quando ao prestar atenção nesse fato, também ficou impressionado.

A Clássica Travessia

Meia-hora depois, já seguíamos descendo o Cupim, rumo à mata do Bambuzal, que é um ótimo lugar para acampar no caso de quem vai fazer a travessia em dias de muito movimento ou ainda, numa situação de pegar um clima ruim. A mata de bambus é um local bastante protegido dos ventos na base do Pico dos Três Estados.

Sem parar, seguimos agora para a reta final do dia, faltava percorrer pouco mais de 1 km e subir pouco mais de 200 metros de caminhada e algumas escalaminhadas, e dentro do tempo previsto, chegamos ao cume da montanha. Novamente o ritual de escolher o melhor lugar, montar o acampamento e curtir a última noite da travessia.

Nessa noite, enquanto preparávamos o jantar, tivemos a companhia de vários ratos que pelo visto contavam com a nossa comida… kkk Enquanto o Hyzzo fazia a janta, eu e o Filipe, fazíamos uso do bastão de caminhada para dissuadir a gang de camundongos que estavam de olho na nossa comida.

Resumo do dia:

Distância percorrida: 6.6 km

Tempo de caminhada: 8 h 20 min

Acumulo de subida: 551 m

Acumulo de descida: 691 m

A Clássica Travessia

Quarto dia – 06/08/2016 – Pico dos Três Estados ou Sítio do Pierre

Nosso último dia começou com um friozinho e tempo bom e depois do ritual matinal, começamos sem pressa a longa descida até o Pierre.

O inicio da caminhada é uma descida forte até o acampamento Bandeirante, de onde, logo em seqüência chegamos ao Cume do Bandeirante, e depois mais uma descida para então, iniciamos a subida complicada do Alto dos Ivos, que exige bastante atenção. Neste trecho temos também muitas taquarinhas pelo caminho, que contribuem muito para deixar a descida lenta.

Ao meio-dia, saímos do Alto dos Ivos, e na medida em que fomos descendo, a vegetação foi mudando. As taquarinhas, para nossa alegria, sumiram, e dando lugar a elas, primeiro muitas bromélias e depois uma mata já com árvores grandes e bastante sombra.

A Clássica Travessia

No início deste trecho, a água da trupe já estava no fim, sendo que o ao chegar ao último ponto de coleta, já próximo do Pierre, somente eu ainda tinha uns 300 ml sobrando. O resto já estava de bico seco há algum tempo. Kkk

Após beber água e descansar alguns minutos, seguimos pela estradinha abandonada que vai descendo até o sítio, e dentro do horário previsto, chegamos no nosso ponto de resgate, onde, para nossa felicidade, o Sr. José Antonio já nos aguardava para retornar para Passa Quatro e nos deixar no Hostel Harpia.

Missão cumprida!

Resumo do dia:

Distância percorrida: 10.5 km

Tempo de caminhada: 6 h 50 min

Acumulo de subida: 480 m

Acumulo de descida: 1578 m

A Clássica Travessia

Considerações finais:

A Serra Fina é linda, mas é duríssima também, e se o clima não estiver favorável, as coisas podem se complicar bastante por lá. É preciso muito preparo físico, um planejamento minucioso na questão da água, equipamento adequado e perícia na navegação, pois do contrário, as coisas podem ficar bastante difíceis.

A Clássica Travessia da Serra Fina não é para iniciantes, mas aqueles que se prepararem com foco e humildade terão plenas condições de conclui-la.

Ao final, não existe nenhum pódio, nem medalha pelo feito, mas garanto que a euforia da conquista irá inundar o íntimo de tal maneira que o prêmio será justamente essa alegria, que eu garanto, ficará gravada na memória para sempre.

A Clássica Travessia
Hostel Harpia em Passa Quatro – MG

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Neste pequeno relato, vou contar um pouco do que aconteceu nos caminhos que me aventurei entre as cidades de Bento Gonçalves e Veranópolis/RS – Brasil.

Entre essas duas cidades a dois grandes trechos ferroviários, um deles é conhecido como a Ferrovia do Vinho, está ligava as estações de Jaboticaba e as cidades de Bento Gonçalves, Garibaldi e Carlos Barbosa, atualmente este trecho está completamente abandonado. O segundo trecho é conhecido como TPS (Tronco Principal Sul) que liga as cidades de Mafra/SC a Roca Sales/RS, este trecho é muito utilizado até hoje, administrado pela empresa Rumo Logística.

Essa aventura começou com uma simples conversa de amigos pelo Whatsapp, definimos o lugar, contatamos o amigo Vagner Tonatto morador da cidade de Veranópolis e membro integrante do Grupo de Aventuras e Pesquisas Ferroviárias – Forastrilho, junto com ele fomos explorar os caminhos ferroviários do TPS, lugares bem pouco conhecidos pela maioria dos aventureiros gaúchos.

Marcamos um ponto de encontro com o Vagner e no sábado pela manhã cada um de nós saímos de nossas casas rumo a cidade de Veranópolis/RS, cada amigo vindo de um lugar diferente, A Elisa saiu de Porto Alegre às 05:00 da manhã, passando na casa da Thaís em Canoas, eu saí de Farroupilha às 06:30 da manhã e o Adriano vinha de Marau.

Quando você encontra pessoas apaixonadas por aventuras que nem você, é muito fácil marcar aventuras e ir, se quiser um conselho faça amizades com pessoas que dizem “vamos” assim você viverá mais feliz a cada dia.

A aventura propriamente dita começou cerca de 10:00 da manhã, primeiro fomos conhecer um pequeno mirante no alto de um dos morros da cidade de Veranópolis, de lá conseguimos avistar a ponte que cruza por cima do Rio das Antas e chega no Túnel em “y”.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Em seguida seguimos de carro por uma estrada de chão chegamos na Usina de Monte Claro, deixamos o carro na beira da estrada de terra e começamos a percorrer a linha férrea por cima daquela ponte que havia avistado do mirante, a visão deste local é incrível, muito linda por sinal.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Depois de tirar algumas fotos seguimos para o famoso Túnel em “y”, com certeza um dos túneis mais bonitos que já tive o prazer de conhecer.

Dentro do túnel a escuridão é enorme, é possível sentir o ar gelado correndo dentro do túnel, o lado ativado deste trecho esta até que em boas condições, mas o lado desativado já não existe nem os trilhos e dormentes mais. Olhando para aquilo tudo, parei e refleti:

“As vezes eu não entendo o porque as empresas que cuidam do trecho parecem não se importar em preservar esses patrimônios regionais, e fico mais irritado em saber que as pessoas que vão ali, roubam as placas, fazem pichações e muitas outras coisas que não vale nem a pena comentar aqui, aos poucos vão acabando com as ferrovias espalhadas pelo Brasil.”

Tiramos algumas fotos ali dentro do túnel, queríamos ir na estação Jaboticaba, mas o Vagner disse que ultimamente estava rolando alguns assaltos ali, que seria melhor não irmos até lá. Entendemos o recado e caminhamos até o outro lado do túnel em y, no trecho desativado, esse túnel ligava os dois trechos ferroviários, o TPS e a Ferrovia do Vinho.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Na parte de fora do túnel a vegetação já tomou conta da antiga linha férrea, o Vagner nos disse que este trecho a alguns viadutos abandonados e uns túneis que estão com muita água dentro, como esse não era o nosso objetivo principal, retornamos aos carros e seguimos viagem rumo a um outro trecho da Ferrovia TPS.

Depois de andar por alguns quilômetros por estradas de asfalto e terra, chegamos novamente na linha férrea, deixamos os carros ao lado da passagem de nível, em um lugar seguro. Pegamos as mochilas de ataque e seguimos para o lado esquerdo, fazendo o trecho de subida pelos trilhos.

Caminhamos cerca de uns 2 quilômetros até chegar na vila abandonada, aqui era onde os trabalhadores da construção da ferrovia moravam, hoje a vila está em ruínas, entrei em algumas das construções que estavam ali, mas novamente me decepcionei com os seres humanos, dentro das casas havia muito lixo, pichações e tudo que você possa imaginar, estou realmente preocupado, pois acredito que daqui uns 50 anos ou menos as pessoas nem vão conhecer mais estes lugares e suas histórias incríveis.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Tiramos algumas fotos, conversamos, rimos e seguimos em frente, depois da vila abandonada não há mais muito para se ver, há apenas alguns pequenos túneis rodeados por mato dos dois lados.

Caminhamos mais uma meia hora neste sentido e retornamos, pois queria conhecer a Cascada do Piscinão, esse local fica perto de um viaduto gigantesco, construído em formato de arco, muito bonito por sinal, com certeza uma grande obra de engenharia para a época.

A Cascata do Piscinão tem esse nome pois entorno de sua queda foi construído pelo batalhão ferroviário uma espécie de piscina de concreto a céu aberto, com aproximadamente dois metros de profundidade. Além disso o lugar trouxe a mim um sentimento de alegria, paz e encantamento. Irei voltar com certeza no verão para poder desfrutar de um banho nessa piscina maravilhosa.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Já era quase fim de tarde, quando chegamos nos carros novamente, ali ajeitamos nossos equipamentos nas mochilas cargueiras e fomos para o lado direito da ferrovia, descendo por ela avistamos a estação abandonada Coronel Salgado.

Era um bom lugar para passar a noite, sendo assim resolvi já começar armar a barraca antes que escurecesse, só tinha um problema, atualmente uso uma barraca Azteq Nepal, esta não é auto-portante (precisa ser especada para se manter armada), o local mais seguro que havia ali era na varanda da estação, então logo providenciei umas pedras e umas cordas para assim conseguir deixar a barraca armada, depois de alguns minutos a barraca estava armada e completamente estável. Depois disso agradeci por ter aprendido técnicas interessantes nos 14 anos que fui membro do Movimento Escoteiro.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Reunimos todos e decidimos que queríamos uma fogueira para a noite, assim estaríamos mais seguros, contra eventuais bichos que pudessem aparecer ali. Tomada a decisão cada um foi atrás de lenhas secas e tudo que fosse possível para ascender uma boa fogueira.

Depois de acumular bastante gravetos e alguns troncos a nossa amiga Thaís tomou as rédias da cozinha, e resolveu fazer o jantar, depois de alguns minutos passados, eu e o Adriano fizemos uns bancos improvisados com dois troncos que iriamos usar na fogueira. Nessa hora o sol estava indo embora, tirei algumas fotos e esperávamos o jantar empolgados.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Após o jantar, abrimos algumas garrafas de vinho e nos sentamos na varana da estação e ficamos todos ali, conversando, rindo e já imaginando qual seria a nossa próxima aventura. Era hora de ascender a fogueira, já estava um pouco escuro. Primeiramente usamos isqueiro para ascender a fogueira, não deu certo, pois as lenhas estavam úmidas por causa do sereno da noite, tentamos então usar os fogareiros para ajudar na tarefa, assim iria secar bem as lenhas e depois pegaria fogo. Adivinhem só, por incrível que pareça também não ascendeu, ficamos chateados, porque todos nós esperávamos que isso iria funcionar. Fiquei pensando como iria fazer para ascende-la, lembrei da época de escoteiro novamente, pedi o desodorante emprestado e usei ele mais o isqueiro fazendo um lança chamas, quando mirei sobre os gravetos e madeiras da fogueira, foi completamente instantâneo, a fogueira ascendeu e ficamos ali rindo sem parar…

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Depois de algumas horas ali, resolvemos que era hora de ir dormir. Após ter ido deitar e pegar no sono, ouvimos o barulho de um trem, saímos das barracas esperando-o passar pela estação, nisso o maquinista parou a locomotiva bem em frente de nós, desceu dela e veio em nossa direção, falou que aqui iria acontecer um cruzamento de trens, ficamos empolgados com a notícia. Melhor que ver um trem é poder ver dois trens juntos…kkkk

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

Passou cerca de meia hora e as luzes do outro trem apareceu no horizonte, nessas horas fiquei em estase, parecia que estava vivendo algo único. Para nós aventureiros apaixonados por ferrovias, era o ponto culminante de toda a aventura.

Depois de alguns minutos, os dois trens foram indo embora devagar e nós retornamos as barracas para continuar o nosso sono.

Na manhã do segundo dia, acordamos, tomamos café, desmontamos o acampamento, enquanto caminhávamos de volta aos veículos, ficamos conversando sobre o que iriamos fazer, disse para os amigos que conhecia alguns dos pontos turísticos da cidade de Veranópolis, seria interessante ir visita-los. A galera concordou, pegamos os carros e fomos primeiramente até a casa do Vagner, lá ele nos atendeu, pediu como foi a noite e tudo que tinha acontecido.

O Vagner nos disse que tínhamos que conhecer um outro túnel abandonado da Ferrovia do Vinho, já ficamos felizes com essa ideia, nos disse como seria para chegar nele, agradecemos a sugestão e seu acolhimento e fomos embora, rumo ao centro da cidade de Veranópolis. Ao chegar no centro, deixamos todos os carros em um posto de combustível, embarcamos no carro da Elisa e fomos “turistar” pela Terra da Longevidade.

O primeiro destino era o Parque Cascata dos Três Monges, depois a Cascata da Usina Velha, a ponte dos Arcos e por último o túnel abandonado da Ferrovia do Vinho. Todos estes passeios você pode conferir aqui no site, clicando sobre o nome.

Depois de muito andar de carro, chegamos na trilha que leva a esse viaduto abandonado, a trilha acompanha a linha férrea e é linda, cercada por uma vegetação linda e preservada, andamos cerca de um quilômetro e nos deparamos com um lugar incrivelmente maravilhoso, parecia uma cena de filme.

Ferrovias abandonadas da Serra Gaúcha

São lugares assim que nos enchem de alegria, fazer trilhas pouco exploradas ou inexploradas é o que com certeza nos define. Encontre amigos que topem qualquer aventura assim você viverá momentos únicos.

Se você é mochileiro(a) nutella, então se esforce para ser raiz, caso contrário você só verá o que quiserem te mostrar. As belezas do mundo estão aí e é só você sair e explorar, pare de ser igual a todo mundo, procure aquilo que seja original, viva intensamente cada momento.

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