Viajando de gol 1.0 pela América do Sul

Viajando de gol 1.0 pela América do Sul, escrito por nosso amigo Lucas Macalister, é a prova real que você não precisa muito para fazer aquela viagem dos seus sonhos, basta apenas ter vontade e realmente sair da sua zona de conforto.

Em dezembro de 2015 Lucas e mais dois amigos: Anderson Kovalski  e  Evandro Vogel realizaram um sonho, fazer uma Road Trip (viagem de carro) pela América do Sul, veja abaixo o seu relato de viagem.

Saímos de Novo Hamburgo/RS – Brasil a bordo de um Gol 1.0 com o objetivo de conhecer a maior quantidade de lugares em 30 dias, gastando o mínimo possível, os dias que parávamos para dormir eram na maioria das vezes em campings, postos de combustíveis e até mesmo em um lugar qualquer no meio do nada, foram poucas vezes que nos hospedamos de fato, cozinhávamos a nossa própria comida durante a viagem.

gol 1.0 pela América do Sul
Roteiro da Viagem

A viagem se tornou uma experiência bem roots, viajávamos como se fossemos caminhoneiros, falando em caminhoneiros, inúmeros deles nos ajudaram, ficamos sem gasolina em meio a Patagônia, os novos amigos caminhoneiros nos doaram querosene para colocar no carro 😂 no qual conseguimos rodar cerca de 30 quilômetros até o próximo posto.

Ushuaia na Argentina foi uma experiência incrível, aqueles picos nevados, o sol lá se põe às 22 horas e nasce por volta das 4:30 da manhã, estes são momentos únicos.

gol 1.0 pela América do Sul
Ushuaia/Argentina
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Ushuaia/Argentina

El Chaltén na Argentina, capital nacional do Trekking ficamos em um hostel na qual estava com lotação máxima e conseguimos lugar para acampar no pátio, a noite fomos socializar com o pessoal ao lado de uma lareira tomando um chimarrão, juntamente ali com o pessoal havia um cachorro Buldogue, este ficava o tempo todo querendo carinho, na parte de dentro estava quentinho, no lado de fora era muito frio. Ali também tinha um pessoal preparando os equipamentos para escalar no dia seguinte e um outro grupo cantando e tocando violão ao redor de uma fogueira.

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El Chaltén/Argentina
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El Chaltén/Argentina
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El Chaltén/Argentina

Saímos de El Chaltén com destino a Torres del Paine no Chile, lugar mais lindo de toda a viagem, lugar de trilhas com as melhores paisagens que já vi, lugar que acredito ser o mais indispensável para conhecer na Patagônia.

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Torres del Paine/Chile
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Torres del Paine/Chile
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Torres del Paine/Chile

Passamos por diversos lugares no caminho, estradas com paisagens magnificas, Bariloche linda demais. No dia 30 de dezembro vimos que daria pra passar o ano novo em Santiago no Chile, lembro que chegamos na Aduana Argentina/Chile pelas 18 horas e estava fechado, só pela manhã abriria, então acampamos ao pé do Vulcão Lanín, ao lado de um lago repleto de peixes e vários coelhos em volta das barracas. No dia seguinte levantamos atrasados, depois de nos ajeitar seguimos viagem rumo a Santiago.

Chegamos por volta das 23 horas no centro da cidade, não conhecíamos nada, diversas ruas bloqueadas por causa do ano novo até que um guarda viu que estávamos perdidos, abriu o bloqueio e deixou a gente estacionar perto da praça que teria os shows de fogos, o ano novo foi incrível, conhecemos muita gente e fizemos várias festas juntos pela cidade. Nos dias seguintes conhecemos a capital, Vinã del Mar e Valparaiso.

Era hora de partir para o Deserto do Atacama, chegamos em San Pedro de Atacama parecíamos que estávamos em Marte, lugar com uma geologia estranha, o deserto mais alto do mundo, clima seco, dias com calor de 40°C graus e noites com frio de 5°C graus, por falar em noite, lá é onde você verá o céu mais estrelado possível e é o lugar onde tem o a maior rede de telescópios do mundo, o ALMA. Encontramos um camping muito esquisito, parecia que estávamos num alojamento do exército no Iraque 😂, conhecemos pessoas de várias partes do mundo. O próximo destino era Cuzco no Peru.

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Deserto do Atacama/Chile
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Deserto do Atacama/Chile

Viajar de carro pelo peru é demais, campos e montanhas e vilarejos, uma imensidão de verdes e azuis, estar em Cuzco te deixa com um sentimento espiritual muito bom, sei lá, não sei explicar, a capital do império inca te insere num contexto cultural incrível. Numa certa noite resolvemos ir numa balada aos redores da Plaza de Armas no Centro Histórico de Cuzco, chegando lá encontrei um amigo da minha primeira viagem ao Peru, Welington Silva que estava com um grupo de brasileiros, no dia estava frio e deixamos nossos casacos em uma mesa junto com dois demais do grupo, quando decidimos ir embora nossos casacos aviam sumidos e com a chave do carro dentro😂 . Foi onde começou o desespero, não encontrávamos um chaveiro para nos ajudar, depois de dois dias com a ajuda do Harry Corrimayta, um amigo e proprietário do hostel que estávamos hospedados, conseguimos um chaveiro para fazer uma chave codificada.

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Cuzco/Peru
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Cuzco/Peru

Saindo de Cuzco com boas e mas lembranças a próxima parada foi o Lago Titicaca em Puno/Peru, lago navegável mais alto do mundo, onde o povo Uros vive até hoje em ilhas artificiais feitas de capim. Depois de conhecer bem o local o próximo destino era a Bolívia, na manhã de começar a viagem novamente pegamos nossas bagagens e colocamos no carro que estava estacionado em frente ao hostel, uma rua movimentada cheia de comerciantes na rua e andamos a pé até uma padaria para comprarmos nosso café da manhã, demoramos 10 minutos e no retorno começou o desespero parte 2, arrombaram nosso carro e roubaram nossas compras, notebook, um ipad e duas câmeras que eram uma @gopro e uma @nikon profissional com todas as fotos da trip que já eram milhares de fotos e vídeos dos mais de 20 dias percorridos.

Com todo o ocorrido ficamos desanimados, perdemos um dia na delegacia. Lá conhecemos inúmeras pessoas  que também haviam sido roubados, dentre eles estavam um casal de brasileiros, uma família de colombianos e um cara chamado Libardo Martinez estava fazendo uma viagem parecida, ele tinha passado pelo Salar de Uyuni na qual seria o nosso próximos destinos e nos falou que as condições das estradas até la eram péssimas e a partir daquele momento decidimos encerrar a viagem. Percorremos alguns locais da Bolívia sendo: a capital La Paz, Cochabamba e Santa Cruz de La Sierra, até chegarmos finalmente no Brasil em Corumbá no Mato Grosso do Sul e comer aquele Xis tudo para comemorar que havíamos conseguido sair da Bolívia depois de ter que pagar diversas propinas para que os policiais corruptos nos deixassem prosseguir para casa.

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Corumbá/Brasil

Fiz esse resumo da viagem para ficar guardado o que vivenciamos, foram 30 dias de viagem, mais de 18 mil quilômetros de muitos perrengues, mas não me arrependo de nenhum dia, conhecemos algumas das paisagens mais lindas que já havia visto.

Devido ao roubo de quase todas nossas fotos, restam restaram apenas recordações. Agradeço a os meus amigos de viagem que me aguentaram viajar junto com “poucas” brigas e também as pessoas que nos ajudaram pelo caminho. Desejo que este post inspire algumas pessoas a viajar, que mostre que não precisa o melhor carro, ser rico, ser formado, estar casado… para poder viajar.

“Existe um mito de que tempo é dinheiro. Na realidade, tempo é mais precioso que dinheiro. É um recurso não renovável. Uma vez que você o gasta, e se você o usou mal, ele se foi para sempre.” Neil Fiore.

*as fotos postadas são as poucas que conseguimos salvar em nossos celulares.

Vale Sagrado e seus encantos

Vale sagrado é um dos lugares mais lindos que já visitei, para todos os lados é possível ver paisagens ainda intocadas, grandes cadeias de montanhas e enormes plantações.

Como seu próprio nome já diz, o lugar é sagrado mesmo, pude contemplar esse espetáculo da natureza em dois momentos diferentes, momentos estes que fizeram a minha ida ao Peru ser grandiosa e espetacular.

A primeira ida ao Vale grado foi de ônibus, conheci um dos sítios arqueológicos mais imponentes de todo Império Inca, chamado de Ollantaytambo, este possui uma arquitetura incrivelmente preservada, é a única cidade da era inca ainda habitada.  Situado na parte sul a aproximadamente 90 quilômetros a noroeste da cidade de Cusco.

Vale Sagrado

Vale Sagrado

Vale Sagrado

Melhor que apenas ficar olhando pela janela do ônibus a paisagem é poder contemplar um pôr do sol e um nascer do sol em um dos locais mais incríveis do Peru, o Vale Sagrado sem dúvida alguma é um lugar tranquilo, mistico e completamente enigmático, lembro-me de chegar no hotel um pouco antes do sol baixar no horizonte, este hotel que era muito lindo e harmonioso, tinha um jardim enorme com uns bancos de madeira em meio as árvores, sentei em um deles e fiquei apenas observando atentamente as montanhas mudarem de cor, conforme o sol ia baixando, sem comentários está linda obra da natureza que é o Vale Sagrado dos Incas.

Vale Sagrado

Vale Sagrado

Fiquei ali tirando algumas fotos e aguardando as estrelas aparecerem no céu, e ao poucos elas foram aparecendo e iluminando todo o cenário. Tentei por alguns instantes capturar algumas imagens deste momento, mas sem muito sucesso, estava muito claro no local, então as fotos não ficarão aquelas coisas. kkk

Vale Sagrado

Na manhã seguinte, levantei cedinho pois queria ter a chance de contemplar o sol nascer, mais um vez fiquei admirado com tamanha beleza, o sol nascia devagar, mas radiante, aos poucos a luz amarelada e avermelhada, contrastava com o céu azul, fazendo eu me sentir completamente maravilhado e empolgado para colocar a mochila nas costas e seguir para a estação do trem.

Vale Sagrado

O segundo momento de contemplação deste lugar fascinante, foi o deslocamento de trem até a cidade de Aguas Calientes, porta de entrada para a cidadela de Machupicchu.

O caminho realizado pela empresa responsável pela concessão ferroviária é a PeruRail, a estrada de ferro percorre em meio aos vales, atravessando pontes e margeando o rio Urubamba, a cada curva as paisagens mudam, as montanhas começam a ficar íngremes e estonteantes, com certeza é um lugar único, conforte o sol se move, cria uma coloração intensa nas montanhas que contrasta com o azul do céu.

Vale Sagrado

Vale Sagrado

A vista de dentro do trem é incrivelmente linda, os vagões possuem amplas janelas nas laterais e algumas janelas no teto, em alguns trechos o trem atravessa paredões gigantescos de pedra, os túneis do Peru são um pouco diferente dos túneis que temos aqui no Brasil, as aberturas de ventilação são construídas na parte de cima do teto dos túneis, lembro-me de ficar olhando pelas janelas sob o teto do trem, com certeza uma das viagens mais divertidas que fiz de trem.


O tempo de percurso dentro do trem é de duas horas aproximadamente entre o Vale Sagrado dos Incas até a cidade de Aguas Calientes. Uma viagem que recomendo muito. Veja o mapa do trajeto abaixo:

Vale Sagrado

Se quiser fazer uma viagem emocionante, recomendo muito visitar o Peru, passe alguns dias nesse lugar e aposto todas as minhas fichas que você voltará completamente diferente do que quando começou a viagem! 😉

Uma terra de segredos

Hoje venho aqui falar sobre a minha experiência ao desfrutar de toda a beleza de uma das 7 maravilhas do mundo moderno, conhecida como Machupicchu, a cidade perdida do Império Inca.

A cidade de Machupicchu está localizada em meio a Cordilheira dos Andes, no alto de uma montanha a cerca de 2.400 metros de altitude, cercada por inúmeras montanhas a sua volta, umas maiores e outras menores.

Quando estava adentrando nesta cidade perdida senti que estava pisando em um lugar sagrado, a paz e a tranquilidade misturada com um sentimento de euforia tomaram conta de mim, conforme ia admirando a beleza de cada pedaço construído ficava mais encantado.

Sempre imaginei pelas fotos que via na internet, que o lugar parecia ser pequeno. Mas como diz o ditado você nunca pode confiar totalmente naquilo que vê através de uma imagem. Era preciso ver essa maravilha do mundo com meus próprios olhos.

Estar ali olhando para tudo aquilo, me fazia não querer sair mais, o lugar é simplesmente gigantesco, andei por quase todos os locais por umas cinco horas, fotografando e tentando entender o que toda aquela beleza majestosa queria me dizer. Dentre inúmeras fotos tiradas quis fazer a clássica foto pulando em Machupicchu, mas não deu tão certo quanto imaginava, pois é proibido fotografar desta maneira. A cada tentativa os guias locais me chamavam a atenção e eu ficava apreensivo, pois subir até lá e não fazer uma foto assim seria uma das coisas para se arrepender depois.

Machupicchu
Não ficou aquela foto que eu tinha imaginado, mas ao menos consegui, o que importa é realizar nossos sonhos!

As construções de Machupicchu tem todas elas um grande significado, dentre as histórias e lendas do lugar, algumas delas me chamaram muita atenção, pois o povo que construiu tinha uma inteligência admirável. A astronomia e as coordenadas geográficas estavam ligadas diretamente nas construções, veja abaixo algumas das construções que mais me chamaram a atenção:

Machupicchu

Na foto acima, podemos ver a maneira que a pedra foi esculpida retratando a geografia da montanha ao fundo, este era uma das tantas construções importantes da cidade de Machupicchu, tinha como principal função, servir como base de orientação dos pontos cardeais, funcionando como uma espécie de bussola, em dias nublados onde não era possível avistar as montanhas ao fundo, essa construção tornava-se efetiva para o povo Inca se localizar.

Machupicchu

Machupicchu

Ao contrário do que muitas pessoas pensam sobre a maneira de como a cidade foi erguida diante da montanha, pelas fotos podemos notar que a cidade de Machupicchu foi praticamente toda lapidada com as próprias pedras da montanha, todas elas são do mesmo local, só foram esculpidas e modeladas até chegarem a perfeição.

Uma das coisas que me chamou muita atenção foi a maneira como esse povo criou o seu próprio calendário anual, chamado de calendário solar.

Na frente da cidadela de Machupicchu possui uma série de picos gigantescos que fazem parte da enorme Cordilheira dos Andes. Na foto abaixo podemos ver esses inúmeros picos, e também a Porta do Sol localizada no lado direito da foto.

MachupicchuEntendendo o calendário solar:

Na foto acima note que a diversos picos de montanhas, estes em forma de “V” é a marcação dos meses do ano, terminando na Porta do sol localizada na parte direita da fotografia. A Porta do sol tem esse nome pois ali entra os primeiros raios de sol na época do solstício de verão, no dia 22 de dezembro, podemos dizer que era uma data especial para o povo Inca e à medida que o tempo passa, o sol vai se deslocando para a esquerda nas montanhas, assim os grandes mestres incas sabiam dizer qual mês do ano eles estavam.

A Porta do sol é também a porta de entrada da maioria das trilhas a pé que levam a Machupicchu, inclusive a famosa Inka Trail (Trilha Inca).

Valores do ingresso:

A compra dos ingressos para Machupicchu podem ser encontrados no site:

Veja também aqui no nosso site, o relato da subida da Montanha de Waynapicchu, clique aqui.

Skylodge Adventure um hotel alternativo

Hoje venho falar sobre o hotel Skylodge Adventure, uma nova opção de hospedagem nada convencional, onde os aventureiros que gostam de boas aventuras, podem desfrutar de uma noite em um dos lugares mais belos do Peru.

Localizado no Vale Sagrado dos Incas, as exclusivas suítes do Skylodge Adventure, oferece a seus hospedes a chance de dormir dentro de um quarto suspenso e completamente transparente, permitindo apreciar a impressionante vista sobre o mágico e místico Vale sagrado.

Para chegar nas suítes do Skylodge Adventure, as pessoas devem subir aproximadamente 400 metros de Via Ferrata ou caminhar numa trilha íngreme, passando por enormes tirolesas. Uma noite neste lugar fará com que seus sonhos se tornem realidade.

skylodge adventure

Skylodge Adventure um hotel alternativo

O Skylodge Adventure é composto por três cápsulas exclusivas, com uma capacidade de 8 pessoas. As suítes estão penduradas em uma montanha de 400 metros de altura onde proporcionam uma majestosa vista de 360° do Vale sagrado. Construídas  de alumínio aeroespacial  e policarbonato resistente as intemperes, em cada suíte possui quatro camas, uma sala de jantar e uma casa de banho privada.

Medindo aproximadamente 7,5 metros de comprimento e 2,4 metros de largura e altura, as suítes cápsulas são compostas por seis janelas e quatro dutos de ventilação que garantem um ambiente confortável e arejado. A porta de entrada e saída das cápsulas estão localizadas na parte de cima, assim aumentando a segurança dos hospedes.

Skylodge Adventure um hotel alternativo

Skylodge Adventure um hotel alternativo

Skylodge Adventure um hotel alternativo

O design e as características de cada suíte oferece as pessoas um serviço de primeira classe e conforto. O sistema de iluminação alternativa consiste em quatro lâmpadas interiores, alimentado por painéis solares que armazenam energia em baterias. Cada suíte tem uma casa de banho privada  e separada do quarto por uma parede isolada. Dentro de um banheiro ecológico seco e uma pia, ainda é possível desfrutar de uma vista deslumbrante através da cúpula de 1,8 metros de diâmetro. A cúpula ainda tem cortinas para manter a privacidade em relação ao seus vizinhos do Skylodge. Colchões finos de alta qualidade, lençóis de algodão, travesseiros de plumas e mantas garantem uma noite quente e agradável a 400 metros do chão.

Skylodge Adventure cúpula 400m

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Valores e serviços 2017:

Preço por pessoa em soles (moeda peruana)

– Via Ferrata + Zipline (tirolesa) + 1 noite: S/. 1.425,00 soles;

– Zipline (tirolesa) + 1 noite: S/. 1.335,00 soles;

-Via Ferrata + 1 noite: S/. 1.335,00 soles.

O hotel Skylodge Adventure ainda oferece pacotes completos, que incluem translado da cidade de Cusco a Pachar no Vale Sagrado, equipamentos necessários para as atividades de Via Ferrata e Zipline.

Assista o vídeo e deslumbre-se com essa nova opção de hospedagem:

Estes pacotes exclusivos e mais informações pode ser agendado diretamente no site Nature Vive.

Waynapicchu a montanha jovem!

Hoje falarei um pouco sobre a minha experiencia e o privilégio de ter subido no topo da montanha de Waynapicchu, que traduzido do Quechua significa Montanha Jovem. Localizada a 2.667 metros acima do nível do mar, é com certeza um dos locais mais procurados pelos visitantes da cidadela de Machupicchu.

Para ter ideia da exclusividade que é dada a essa montanha, apenas 400 pessoas/dia, divididas em dois grupos de 200 pessoas cada, podem subir ao topo, com horários pré-estabelecidos. Para tanto, o bilhete deve ser adquirido com pelo menos um mês de antecedência, caso seja um aventureiro como eu e esteja sempre buscando novos desafios, essa trilha é para você!

Waynapicchu a montanha jovem!

Waynapicchu a montanha jovem!

Cheguei na  guarita que dá acesso a Montanha Waynapicchu por volta de 06 h 50 min, o bilhete de entrada que comprei era com o primeiro horário, pois logo no começo da tarde precisava pegar o trem de volta a Cusco. Com a guarita fechada ficava imaginando como seria a trilha, os perrengues que iria passar (pois tenho um certo medo de altura) acredito que combater nossos medos é a maneira que mais contribui para nossa evolução como pessoa.

A guarita abriu, o guarda do parque carimbou o bilhete e pediu para assinar um livro enorme, onde nele precisava preencher com o nome da pessoa, país, idade e o horário de entrada. Somente após tudo preenchido era possível realizar a trilha.

Na primeira parte da trilha, tive a impressão de estar passeando em um parque, as trilhas são largas, bem sinalizadas e com pequenos degraus em divididos em lances, a vista é incrível. Apos a subida de certa altitude, inicia uma descida um pouco íngreme e sinuosa, neste ponto, é possível avistar boa parte das trilhas (vídeo 1) que levam até o cume da montanha.

Waynapicchu landscape

Ao iniciar a trilha, uma das coisas que mais me chamou a atenção foi que também é possível fazer uma segunda trilha, na montanha de Huchupicchu, que é uma montanha bem mais baixa e localizada na frente da montanha Waynapicchu.

Video 1

O vídeo acima retrata a transição entre as montanhas de Huchupicchu para a Waynapicchu. A partir desse ponto, a subida se torna cada vez  mais íngreme e estreita, conforme ia caminhando tinha a sensação de estar subindo para as nuvens, durante todo o trajeto é possível visualizar pessoas acima  e outras abaixo, todas em direção ao cume, essa possibilidade de ver pessoas acima e abaixo de você é algo fascinante e ao mesmo tempo um pouco insano. A parte interessante da subida e das longas escadarias é que na maioria delas existe um corrimão feito de cabos de aço, estes são encrustados nas pedras, o que possibilita agarrar-se a ele o que causa segurança na subida. Os degraus possuem um bom espaçamento e há inúmeros pontos de paradas para descanso, para ter ideia do quanto cansa subir os inúmeros lances da escadaria, a cada dois lances, por dois motivos, obrigava-me a parar alguns minutos, um deles, certamente era para pegar fôlego, e o outro, para admirar a beleza do lugar e eternizar a vista através de imagens fotográficas.

Waynapicchu - caminhos pelo mundo

subindo a montanha de Waynapicchu

“O caminho é o que importa, não o seu fim. Se viajar depressa demais, vai perder aquilo que o fez viajar.” Louis L’Amour

Após inúmeras paradas e muitos  lances de escadaria atingi o primeiro mirante. Do local é possível avistar a cidadela de Machupicchu e as montanhas ao seu redor, estas que tem tons avermelhados o que deixa a vista muito mais incrível. Neste momento, agradeci por poder estar ali naquele lugar e poder desfrutar de toda aquela beleza natural. No mirante inicia uma sessão de escadaria totalmente vertical, só de olhar para cima já dava arrepios, neste trecho os degraus são pequenos e estreitos, logo que comecei a subir a sensação de medo  somada com a imensa vontade de chegar ao topo, me fez subir degrau por degrau sem olhar para baixo, alguns trechos desta subida contém corrimão, porém em outras partes, foi necessário se agarrar nas pedras da parte de cima. A escadaria é tão vertical que algumas vezes precisei subir de quatro pés, só para constar, calço número 38 e em relação aos degraus, o meu pé ficava apoiado somente pela metade, então na maioria das vezes subi de lado.

Vídeo 2

As escadas verticais de Waynapicchu

Atingir o cume é algo incrível, do alto temos uma visão 360° graus e um vista panorâmica de Machupicchu. O esforço empreendido para subir e a respiração ofegante na maioria do trajeto é compensada pela paisagem única do lugar. E foi neste ponto, exatamente no cume, que sentei em uma pedra  e fiquei apenas observando e agradecendo a oportunidade de poder estar ali.

No topo da montanha encontram-se algumas construções andinas que serviram como observatório astronômico, e também o Templo da Lua, construído em uma caverna natural.  Aproveitei para fazer algumas fotos, veja abaixo:

Primeiro mirante de Waynapicchu

Construções Andinas de Waynapicchu

Cume da montanha de Waynapicchu

Topo da montanha de Waynapicchu

Permanecemos cerca de 30 minutos no cume e é chegada a hora de iniciar a descida de retorno. Não sou o tipo de pessoa que gosta de descer montanhas, todo o tempo ficava imaginando, e de certa forma preocupado em como faria para descer aquela escadaria vertical, mas como a descida era obrigatória, com muito cuidado e atenção fui descendo degrau por degrau, com olhar fixo e atento a cada passo, pois não queria sofrer algum deslize. Entre subir e descer, foram aproximadamente 1 h e 45 min. No retorno à guarita, antes da saída, novamente se faz necessário assinar o livro e preencher a hora de retorno.

Guarita-Waynapicchu

Recomendações e conclusões importantes:

A trilha que leva à Montanha Waynapicchu é bastante estreita, íngreme e cansativa, caso você tenha algum problema nas articulações, sobre-peso, pânico de altura ou problemas cardíacos, não recomendo fazer essa aventura.

A caminhada, por sua vez, posso dizer que não é tão difícil como eu imaginava. Acredito que seja  de nível moderado, tornando-se assim, recomendada para pessoas que já praticam algum tipo de exercício físico.

Use calçados confortáveis e já pré amaciados, chapéu ou boné, protetor solar e repelente.

Ingresso Montanha Waynapicchu:

  • Altura: 2,693 m.s.n.m.
  • Localização: Norte da montanha de Machu Picchu.
  • Acesso: Da Cidade Inca de Machu Picchu, no Setor de Huayranas (Rocha Sagrada). Ingresso a partir do Casa Controle.
  • Bilhete de Ingresso: Ingresso Machu Picchu + Waynappichu.
  • Horários: Primeiro Grupo: 07:00 hrs. 08:00 hrs. – Segundo Grupo: 10:00 hrs. – 11:00 hrs.
  • Número de visitantes: 400 por dia, divididos em dois grupos de 200. Mostrar disponibilidade Waynappichu.
  • O tempo de caminhada: 1 hora e 30 minutos subida e da mesma forma para descida.
  • Grau de dificuldade: Media, penhascos, íngremes das montanhas, muitos passos (não recomendado para aqueles que sofrem de vertigem).
  • O que levar?: Sapatos antiderrapantes, protetor solar, repelente de insetos, capa de chuva (dependendo da época).
  • Atrações arqueológicas: Andinas, o Templo da Lua em uma caverna com amostras de nichos, vergas e fina cantaria.
  • Flora e fauna: Paisagem de selva, cercado por uma vegetação exuberante, um habitat importante para aves, borboletas, insetos, todos pertencentes à paisagem tropical.
  • Clima: Quente e úmido durante o dia, esfriando à noite. Estação seca: Maio-Outubro / Estação das chuvas: Novembro-Março.
  • Vantagens: Vista panorâmica do Cidade Inca, estradas, ruas, praças e delegacias.
  • Desvantagens: Precipícios, coberto por vegetação, caminho estreito.

Mochilão de 16 dias pela Bolívia e Peru

Aloha Galeraaa, tenho o prazer de compartilhar um pouco com vocês do que foi o meu mochilão de 16 dias pela surpreendente Bolívia e o místico Peru com meus míseros R$ 2.300,00 reais, isso já incluindo passagem de ônibus é claro!

A escolha não foi somente pelo baixo custo da viagem, mas também por poder conhecer uma das 7 maravilhas do mundo Machupichu, acredito ser a Meca para qualquer mochileiro.

Como atualmente me encontro na fronteira com o Paraguai, tive a oportunidade de pensar em alternativas mais baratas para chegar ao país de Evo Morales. Fui até Assunção, capital paraguaia e de lá peguei um ônibus direto para Santa Cruz de La Sierra a um valor de 350 guaranis (aproximadamente R$ 250,00 reais) incluído as refeições pela empresa Transbolipar SRL.

Obs: Existe outra empresa que faz essa mesma linha (STEL turismo), com custos e estruturas praticamente iguais, aproximadamente 30 horas de viagem sem ar-condicionado e cruzando o chaco paraguaio e também cruzando os dedos para o ônibus não quebrar no meio do deserto. Assim  é essa região do Paraguai.

26.01

Parti de assunção com 4 horas de atraso, nesse meio tempo aproveitei para fazer amizade com duas equatorianas e um casal de franceses que fariam um roteiro parecido.

foto-1

27.01

Passei o dia no ônibus imaginando e contendo minha alegria em estar desbravando aquelas terras prometidas.

28.01

Cheguei em Santa Cruz as 04:00 horas e fui direto para um hotel na frente do terminal bimodal da cidade para tirar apenas um cochilo, pois queria estar em pé as 08:00 horas para embarcar no primeiro ônibus para La paz. O balde de água fria veio logo quando cheguei e percebi que só teria a tarde para aproveitar, então para ganhar tempo comprei passagem para Cochabamba, metade do caminho. A passagem saiu 80 BOL (aproximadamente R$ 50,00 reais) com duração de 11 horas, cheguei lá no inicio da noite, devorei um tradicional Pollo com papas e logo as 21:15 estava subindo ao ônibus novamente, este me levaria finalmente a tão esperada La Paz.

29.01

Cheguei na capital La paz  às 05:00 horas da matina e fui direto ao Hostel Loki onde havia feito a reserva, recomendo muito, além de ótima estrutura e localização o albergue promove festas todas as noites com os mais variados temas, sem contar as bebidas!A diária custou entorno de 55 BOL (aproximadamente R$ 35,00 reais), o único fator negativo é não contar com uma cozinha para se fazer a própria comida o que deixa as refeições mais caras.

Depois de deixar a mochila no hostel fui bater perna pela cidade, a primeira parada foi o Mirador Killi Killi nas proximidades do centro, a entrada é gratuita e da para ter uma boa vista da cidade de La paz e das montanhas que a rodeiam. Passando pela bela Plaza Murilo e o Museu Nacional Etnográfico pode-se entender um pouco da cultura local e suas mudanças com o passar dos anos, o custo da entrada é 20 BOL. (R$ 12,50 reais).

A próxima parada foi a Calle Sangarnaga onde se encontra os melhores câmbios e passeios, com o melhor custo-benefício da cidade. Meu final de tarde foi no tradicional Mercado de las Brujas, lá é evidenciado o quanto nossa cultura sul americana é rica com uma variedade de cores e cheiros exóticos.

Como o dinheiro estava curto por um mau planejamento, tive que deixar a visita ao Salar de Uyuni para outro momento e acabei comprando os passeios mais baratos que encontrei.

30.01

Depois de ter feito amizade com outro brasileiro no hostel e ter bebido tudo e mais um pouco na festa na noite anterior, cedo estava em pé para conhecer o grandioso Monte Chacaltaya e o Valle de la luna, o custo total do passeio foi de 120 BOL. (aproximadamente R$ 75,00 reais) com guia e as 2 entradas incluídas.

Os 5.400 metros de altitude do Chacaltaya são superados em menos de 1 hora, o desafio foi mesmo respirar e caminhar ao mesmo tempo, acredito que além do mal da altitude o suco de cevada que tomei na noite anterior colaborou e muito para o cansaço e a dor de cabeça que sentia. Era um sonho chegar até o pico daquela montanha e apesar de não ver neve na quantidade que desejava, a beleza daquele lugar é inigualável.

Depois de passar um frio de renguear cusco no meio das montanhas fomos ao sul da cidade onde fazia mais de 25ºC no Valle de La luna, algo bem menos emocionante e bonito, mas como estava incluído valeu a pena.

 Mochilão de 16 dias pela Bolívia e Peru

Mochilão de 16 dias pela Bolívia e Peru

31.01

Meu 3º dia em La paz foi reservado para conhecer o antigo povoado pré inca de Tiwanaku, entrada, guia e almoço custava 190 BOL. (R$ 120,00 reais), um ótimo lugar pra quem gosta de história e se interessa pela cultura local. No almoço após o passeio experimentei carne de llama e truta, pois já não aguentava mais comer frango.

Mochilão de 16 dias pela Bolívia e Peru

01.02

Deixei La Paz para trás e fui em busca do azul enigmático do lago Titicaca, a viagem até Copacabana é de 4 horas e a passagem custa 30 BOL (R$ 19,00 reais). Chegando lá fiquei em um hostal em frente ao famoso lago com diária pelos mesmos 30 BOL. Larguei a Mochila e fui explorar o belo lugar. Como estava com um casal argentino que conheci no Chacaltaya, resolvemos subir o Monte do Calvário, parte mais alta da pequena cidade. A vista lá de cima é incrível recomendo subir e ver toda a beleza do lago navegável de maior altitude do mundo com 3.812 metros de altitude em média. Na volta não perdemos tempo e compramos a passagem para a Isla del Sol para fazer a trilha de 7 km do Norte ao Sul da Ilha por 35 BOL. (R$ 22,00 reais).

Mochilão de 16 dias pela Bolívia e Peru

Mochilão de 16 dias pela Bolívia e Peru

Mochilão de 16 dias pela Bolívia e Peru

02.02

Saímos de Copacabana com a embarcação às 08:30 e chegamos na parte norte da ilha aproximadamente 2 horas depois, meus amigos ficaram acampando pelo lado norte e eu segui a trilha até o sul da ilha. Me deparei com as paisagens mais lindas que já vi. Lugar incrível e com uma vibe fantástica, com certeza superou minhas expectativas. As 15 h e 30 minutos a embarcação já se encontrava no pequeno porto do sul da ilha para a volta a Copacabana que tem uma duração menor, as 17 horas estava em terra firme para fazer um lanche rápido e subir no próximo ônibus com  destino a capital Inca, Cusco! A empresa Titicaca cobrou 110 BOL. (R$ 65) por aproximadamente 11 horas de viagem.

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03.02

As 5h e 30 minutos estava em solo Inca e corri para o meu hostel, mais uma vez o Loki de Cusco. Tomei café fui mais uma vez bater pernas, agora no centro histórico de Cusco. A cidade é organizada e limpa situação bem diferente da vizinha Bolívia, na avenida El sol encontrei os melhores câmbios e venda de passeios com as agencias mais baratas da redondeza. Também é o lugar certo para encontrar artesanato local e claro pechinchar muito! Comprei na prefeitura da cidade um passaporte para o Valle sagrado dos incas (Pisac, Ollataytambo e Chinchero), cidades aos arredores de cusco onde haviam antigas civilizações desse místico país e pagando por volta de 70 Soles (R$ 100,00 reais).

A noite foi reservada para conhecer as baladas de cusco que por sinal não se cobra a entrada e por isso fiz um tour, comecei no Mama África, passando pelo El Templo e terminando na Chango. Literalmente tem para todos os gostos.

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04.02

Passei o dia conhecendo as belas cidades incas, o passeio com guia e almoço custo 45 Soles (R$ 65,00 reais), as entradas mais o guia não são baratos mais vale muito a pena. Foi incrível conhecer tudo isso, mas claro vá antes de conhecer Machupichu, para não desanimar!

Mochilão de 16 dias pela Bolívia e Peru

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05.02

O 3º dia na capital inca foi para relaxar depois da correria dos últimos dia, acordei mais tarde que o normal e saí para conhecer o Convento de Santo Domingo por 10 Soles (R$ 15,00 reais), caminhar pelo mercado público de San Pedro e o Museu Pré-colombiano com entrada de 20 soles (R$30,00 reais). Nesse último achei a entrada cara pelo que oferecia, com certeza não é prioridade como passeio aos arredores de Cusco, Plaza das Armas é realmente belíssima além do centro histórico da cidade.

Mochilão de 16 dias pela Bolívia e Peru

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06.02

É hora de se despedir dêsse linda cidade e seguir rumo a água quente, última cidade antes de Machupichu, claro da forma mais barata possivel ea maneira escolhida foi ir de van até a hidroelétrica e de lã seguir a pé por 9 quilômetros sobre a linha férrea ! Comprei a Passagem na Av. El Sol no centro de Cusco por 70 soles (R $ 100) incluindo a volta 2 dias depois.

A trilha foi muito cansativa pra mim pois estava carregando quase 15 quilogramas, mas a paisagem é recompensadora, levei aproximadamente 3 horas para chegar finalmente ao destino, Hostel Supertramp foi a cama mais cara que dormi na viagem 36 Soles (R$ 52,00 reais), mas no meio daquela selva não existe nada barato mesmo. Depois que cheguei da trilha só pensava em cair na cama para no outro dia realizar meu sonho de conhecer a cidade sagrada!

Mochilão de 16 dias pela Bolívia e Peru

07.02

Acordei cedo para aproveitar intensamente cada segundo do dia, o ingresso para Machupichu já havia comprado 20 dias antes da viagem, mas o do ônibus para chegar até o Parque Nacional comprei um dia antes por 12 Dólares, aproximadamente 30 min. de subida até a entrada da cidade sagrada. Passei as catracas e fui correndo subir o grandioso Wuaynapicchu, recomendo que compre o ingresso para a subida no grupo 2 às 09:30, pois antes desse horário a visão fica totalmente comprometida lá de cima.

Sem palavras para descrever o misticismo daquele lugar, renovei as baterias e respirei fundo para agradecer a realização de mais um sonho.

Voltei para a cidade a pé pelas escadas para preservar meus últimos trocados, chegando no hostel ainda em êxtase tentei dormir cedo para encarar a trilha de volta a hidroelétrica logo pela manhã.
Mochilão de 16 dias pela Bolívia e Peru

Mochilão de 16 dias pela Bolívia e Peru

Mochilão de 16 dias pela Bolívia e Peru

08.02

Saindo do hostel quase as 11 horas e depois um bom café da manhã, cheguei bem desgastado da hidroelétrica as 14:30 para voltar a Cusco, chegando de volta a capital Inca as 20 horas e corri para a rodoviária da cidade. Para a minha decepção só haveria passagem para o outro dia e claro já garanti a minha para não ter surpresas.

09.02

A passagem mais barata que encontrei até La Paz foi a 80 Soles ( R$ 115,00 reais) com aproximadamente 18 horas de viagem pela empresa San Luís, teve uma troca de ônibus na cidade de Puno e depois seguimos de volta a capital Boliviana.

10.02

Cheguei em solo boliviano as 16 horas e depois segui a Cochabamba pela empresa El dorado por 60 BOL. ( R$ 36,00 reais).

11.02

Madrugando em Cochabamba às 5:00 horas e como o personagem “The Flash” embarcando as 05h e 30 minutos para Santa Cruz de La Sierra por 80 BOL. (R$ 47,00 reais) pela empresa Santa Cruz. Cheguei ao destino final da viagem as 16 horas com quase nada no bolso mais cheio de histórias pra contar e com o coração mais leve. Dormi no hotel mais barato que encontrei na frente da rodoviária por 40 BOL. (R$ 24,00 reais), depois de passar 2 dias pulando de ônibus em ônibus só precisava mesmo é de uma cama boa.

12.02

Pela mesma empresa que comecei a viagem (Transbolipar S.R.L) ás 19 horas, parti de volta a capital paraguaia, com um sentimento indescritível de dever cumprido e sonho realizado.

Cusco, uma cidade para mochileiros!

Cusco é, provavelmente, uma das cidades peruanas mais conhecidas no exterior. Não porque se trate de uma metrópole, na verdade não há mais que 300.000 mil habitantes nesta cidade que também é a Capital de uma província e de uma região homônimas. O grande reconhecimento internacional de Cusco se dá pela sua riqueza histórica e cultural. Segundo alguns achados arqueológicos, a região do Vale Urubamba, onde Cusco está situada, é habitada desde o terceiro milênio antes de Cristo.

Cusco, uma cidade para mochileiros

Conheci a cidade de Cusco e me encantei com a tamanha beleza, sua história e a cultura está representada em todos os lugares, desde as praças, as ruas, construções e artesanatos. Cada pedacinho dessa cidade tem uma  história para ser conhecida. Andei muitas vezes pela cidade a pé e de ônibus e algumas vezes de táxi, no centro da cidade é possível encontrar quase tudo que quiser, desde lojas de artesanato, restaurantes, farmácias, hotéis, empresas de turismo e ecoturismo de aventuras, mas o que mais me chamou a atenção foi as lojas de equipamentos de aventura, em apenas uma avenida chamada pelo nome de Av. El Sol, encontrei mais de 10 lojas que vendiam equipamentos para esportes de aventuras, destes equipamentos, os que mais me chamou a atenção foram os preços, em relação ao Brasil eram muito mais baratos, e não eram quaisquer equipamentos, as marcas que encontrei por lá são conhecidas mundialmente, tais como: Black Diamond, Petzl, The North Face, Columbia, Sea to Summit. Para ter ideia dos valores dos produtos, os bastões de caminhada custavam cerca de 40 Soles e uma mochila de 60L Black Diamond custava 600 soles, convertido para reais equivale a 582 reais aproximadamente. No Brasil a mesma mochila custa cerca de 1.000 reais.

Cusco, uma cidade para mochileiros
Av. El Sol

Na cidade de Cusco existem restaurantes para todos os tipos de gostos e sabores, a comida típica é chamada pelo nome de Cuy, o prato feito com carne de porquinho da Índia é tradicional, especialmente nessa região. Esse alimento era consumido pelos incas como fonte de proteína, para complementar a dieta a base de batatas e milhos. A cabeça do animal, símbolo de sorte, era comida pelo patriarca. As crianças comiam as patas, enquanto as mulheres comiam o corpo. Hoje em dia, normalmente a carne é assada e servida cortada, sem a cabeça.

Cusco, comida típica

Eu no entanto não experimentei muitas culinárias diferentes, pois como nosso organismo não está acostumado com a grande quantidade de temperos usados pelos peruanos, as vezes podemos passar maus bocados, preferi não correr o risco de ter que ficar no hotel com algum problema estomacal, me alimentei com aquilo que conhecia sobre alimentos saudáveis. Falando em alimentos saudáveis, você sabia que no Peru não é produzido alimentos transgênicos? Nenhum tipo de agrotóxico é usado nas plantações, posso afirmar com todas as letras que as frutas e verduras, bem como toda a culinária peruana tem um sabor incrível.

Estando no Peru, não podemos  deixar de experimentar o refrigerante Inca Kola, uma vez que o Peru é o único país latino americano onde a Coca-Cola não é líder de mercado. O refrigerante mais consumido no país é o Inca Kola. A bebida tem uma coloração amarela viva e é feita de lúcia-lima, planta nativa da América do Sul.

Cusco - Inka Kola

A Plaza de Armas é o marco de todo o Centro Histórico e concentra as construções mais impactantes de Cusco e os principais serviços voltados para o visitante, como casas de câmbio, restaurantes, bares, pub´s e agências de turismo. Ali o colonizador espanhol Francisco Pizarro declarou a conquista da cidade, e o lugar era considerado um importante setor cerimonial. Conhecida entre os incas como lugar de encontro ( “Huacaypata”, no original inca).

Cusco - Plaza de Armas
Plaza de Armas

Se caso você estiver viajando sozinho ou mesmo acompanhado e esteja sempre em busca de fazer novas amizades, a Plaza de Armas é lugar certo para você ir, durante a noite toda a praça é rodeada por bares e pub´s, nestes lugares há ritmos para todos os gostos. Em toda a viagem conheci pessoas de todas as partes do mundo, uma pessoa em especial (conheci voltando de Machupicchu no trem, uma viagem de quatro horas aproximadamente), uma Mexicana muito alegre, divertida e simpática. Na penúltima noite antes de embarcar para o Brasil, resolvemos ir a um destes bares ao entorno da Plaza de Armas. Primeiramente fomos em um bar onde tocava musicas de rock dos anos 80 e 90, o lugar era em uma casa que parecia ter sido abandonada, não era muito decorada, mas enfim, lá tinha uma banda local fazendo show ao vivo, tocando os maiores sucessos daqueles tempos, ficamos ali, dançamos, rimos e conhecemos inúmeras outras pessoas de muitas outras nacionalidades.

Cusco, uma cidade para mochileiros

Depois de algum tempo ali, resolvemos ir procurar outro lugar, que apresentasse um ritmo mais interessante, andamos por alguns metros pelo entorno da praça e nos deparamos com que um barzinho incrível, ali entramos e existiam 3 portas e cada porta continha uma festa diferente, em uma tinha musica estilo Reguee, e nas outras duas era eletrônica, sendo uma delas de música latina, optamos pela terceira porta. Pensem em uma festa incrível, bebidas baratas e gente de tudo que era país, lá estávamos eu, a Mexicana e mais duas amigas dela, uma Colombiana e a outra Equatoriana. As festas na cidade de Cusco são praticamente muito baratas, e falando nas que presenciei eram de entrada gratuita, só pagava aquilo que consumia.

Estar em um país desconhecido, sozinho durante a noite, com pessoas que talvez tenha conhecido em poucas horas seja loucura, mas posso dizer que estas amizades que fiz em todos os locais onde estive no Peru são o que realmente dão um significado, um sentido em conhecer um local tão exuberante, mítico e fantástico. Se você viajar sozinho ou mesmo acompanhado, não deixe de conhecer as pessoas locais e os estrangeiros, todos estão ali por algum motivo, este motivo ou significado é que faz a vida ser maravilhosa, se jogue no desconhecido, vá de coração aberto para sentir tudo que o Peru tem para lhe oferecer, certamente você encontrará mais pessoas para lhe ajudar do que pessoas que poderão fazer mal a você.

Viaje sem medo de ser feliz!

Ausangate e o Circuito de Trekking Acima dos 4.000 Metros de Altitude

Ausangate e o Circuito de Trekking Acima dos 4.000 Metros de Altitude

Em algum lugar, alguma coisa incrível está esperando para ser conhecida. Carl Sagan

O Nevado Ausangate é um pico da Cordilheira Vilcanota, subcordilheira dos Andes, localizado no Distrito de Ocongate, Província de Quispichanchi, região de Cusco. Quarta maior montanha do Peru, com 6.384 metros de altitude, seu nome em quechua significa “cobre” e é considerada sagrada pelos locais, sendo um dos centros de peregrinação mais procurado pelos descendentes Incas. O trekking de 80km que circunda Ausangate é um dos principais atrativos, passando por campos rupestres de altitude e pastoreio de llamas, alpacas e ovelhas, pacatos vilarejos, belíssimas lagunas e distintas formações rochosas, gelo e “passos” de montanha com mais de 5.000 metros de altitude.

Minha história com Ausangate começou em agosto de 2014, quando recebi o convite de meu grande amigo Peter Tofte (editor do site, morador de Salvador) para me juntar ao grupo composto por Renato (de Goiás), Adriano, Fábio e Andrea (de Brasília) e Luciano (de São Paulo). A altitude foi um fator preocupante – visto que o trekking ocorre entre 4.300 e 5.200 metros sobre o nível do mar – pois até então não saberia como meu corpo reagiria; enfim, topei de momento o convite, já que as montanhas do Peru permeavam meus sonhos há tempos! Comprei alguns equipamentos para suportar o frio e aguardei ansiosamente a aventura! Altitude exige uma boa aclimatação, portanto precisaria de alguns dias livres em Cusco e, por que não conhecer Machu Picchu? Chegamos em Cusco no dia 25 de maio e Daiane, minha dona onça, me acompanhou por 7 dias pelas misteriosas ruínas e destinos históricos do que fora a civilização Inca. Visitamos sítios arqueológicos, museus, artesanias, mercados, centros tradicionalistas e claro, Machu Picchu, que já estava há tempos em nossos planos! Quanta magia! E Cusco? Que cidade! Foi uma experiência magnífica, ao lado de uma pessoa maravilhosa!

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Peter, Luciano, Fábio e Andrea aclimataram num pequeno roteiro de trekking em Lares. Renato e Adriano aclimataram pelos arredores de Cusco e Machu Picchu e nos fizeram uma visita pra lá de divertida no hotel em Aguas Calientes. Peter ficou responsável pela contratação do guia. Cirilo Gonzalo Huaman, um dos mais bem cotados no Best Hike é guia independente e providenciou arrieros, cavalos, tenda para a cozinha e transporte para o início / final do trekking, assim sairíamos todos juntos e teríamos mais privacidade e conforto durante os traslados. O valor cobrado para 6 dias / 5 noites foi de USD210 por pessoa – algumas agências em Cusco cobram três vezes mais! – Cirilo era guia / cozinheiro de agências, porém explorado em demasia, decidiu tornar-se independente. Seu e-mail:cigohotrek@hotmail.com. Optamos por levar e cozinhar nosso próprio alimento já que Peter e Renato não tiveram uma boa experiência no trekking que fizeram em Huayhuash, devido à péssima higiene dos guias no preparo dos alimentos.

Era chegada a hora! Daiane conheceu Peter e parte do pessoal e em meio à emoção e euforia, nos despedimos na manhã do dia 30 de maio. Por coincidência, seu voo para o Brasil sairia há poucas horas. A saudade bateu forte! Peter, Fábio e Andrea já estavam na van, juntamente com o guia Cirilo e Yatir, um israelense super gente boa que se juntou ao grupo em última hora. Pegamos Renato, Adriano e Luciano e partimos para Tinqui, pequeno vilarejo há 150km sentido sudeste de Cusco. No caminho paramos para comprar brinquedos para as crianças locais, uma pequena recordação para aqueles que mal conhecem as necessidades básicas da vida. Estrada sinuosa! Na metade do caminho, paramos para contemplar a cadeia de montanhas de Vilcanota. Chegamos em Tinqui e aproveitamos para almoçar um saboroso e gigantesco prato de massa misturado com pedaços de carne, cebola e tomate. Caminhamos pelas ruelas, visitamos os mercadinhos locais e acertamos os últimos detalhes para a pernada. Tinqui é excelente para aclimatação, pois está nos 4.100 metros de altitude. Dividi o quarto com Luciano e até que dormi bem para os padrões do hostel. Noite barulhenta! Na manhã seguinte, Cirilo nos apresentou à equipe que nos guiaria pelos próximos dias: seu irmão Alejandro, seu tio Pascoal e seu sobrinho Elvis.

TINQUI – UPIS

Tinqui estava em polvorosa devido ao Festival do Señor de Qoyllur Riti que antecede Corpus Christi. O mercado de abastos instalado na praça central estava agitado. Compramos algumas folhas de coca, nos registramos no posto de controle – pagamos a taxa de 10 soles para adentar ao parque – e seguimos rumo à Upis por estrada de terra, geralmente ladeira acima. Foi colocar o pé na estrada para perceber o quanto a altitude castiga o corpo! Simplesmente não há oxigênio! O coração sobe à boca, aumentam as palpitações e a fadiga começa a tomar conta, ainda mais com mochila pesada nas costas! Depois de encontrar um bom ritmo, você consegue lidar bem com a redução de oxigênio, mas dificilmente vai se acostumar com isso! Regra básica: não forçar nos primeiros dias! Adriano e Yatir estavam em boa forma e conseguiam acompanhar o guia Cirilo sem maiores problemas. Andrea distribuiu alguns regalos para as criancinhas e durante o trajeto, o imponente Ausangate já dominava a paisagem. Caminhamos por umas 3 horas, deixando para trás uns 10km de chão, passamos por casas nativas, campinas de criação de llamas e ovelhas, plantações de batatas e chegamos na casa de Cirilo para a primeira pernoite.

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UPIS – JANPAUCACOCHA

O sol nos aquecia naquela fria manhã, estendi o saco de dormir e a barraca, tomei um delicioso café e depois de organizar as tralhas, partimos do quintal de Cirilo. Quanto mais andávamos, mais nos afastávamos dos vilarejos, as casas iam ficando para trás dando espaço à paisagens bucólicas e campos rupestres de altitude para a contemplação. A cada passo, Apu (Deus) Ausangate descortinava mais sua magnitude. Com aproximadamente duas horas de caminhada, chegamos nas termas de Upis, camping oficial do circuito, local bem estruturado para receber os trekkers. Paramos para um breve lanche, algumas fotos e demos início à subida do primeiro passo do circuito: o Arapa Abra com 4.850 metros de altitude. Meu ritmo estava bom, mas lento. Não senti muita dificuldade na subida e aproximadamente três horas depois das termas, estávamos no topo do passo. Que visual! Paisagens de tirar o fôlego! Montanhas, cachoeiras, lagunas, rochas de diversas tonalidades, picos nevados e até vicunhas pastando em altitude! Peter comentou que viu um casaco de lã de vicunha sendo vendido em Cusco por R$5.000! Havia até esquecido o vento frio que castigava. Vesti o anorak e demos início à descida para a Laguna Janpaucacocha para a segunda pernoite.

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Cercada de montanhas nevadas e de um azul profundo, foi um dos campings mais bonitos do circuito. Cirilo nos levou ao mirante da laguna. Podia observar a sucessão de três lagoas e suas cachoeiras encravadas na paisagem e ao longe avistava a estrutura armada pelos arrieros. Subimos por algumas pedras e poucos minutos depois estávamos com as barracas prontas. Confesso que pensei em tomar banho na lagoa, porém o frio falou mais alto! Impossível naquelas condições! Digamos que o “banho de gato” com lencinhos umedecidos foi a escolha para todos os dias. O bom é que eu dormia sozinho na barraca! Pascoal e Alejandro pescaram trutas para o dia seguinte. Preparei uma sopa com torradas como entrada e depois de uma rica e liofilizada janta de arroz, feijão e bacon ficamos papeando na tenda cozinha enquanto chovia lá fora. Naquela noite precisei ir ao banheiro embaixo de chuva! Lembrei de ter deixado os bastões e as botas no avance da barraca e depois da arrumação, dormi bem agasalhado e descansei muito, mesmo naquele frio! Vale lembrar que nos trekkings pela Bolívia, Peru, Chile, etc., é bom guardar todo seu equipamento para evitar imprevistos. Peter já teve um bastão roubado na Quebrada de Santa Cruz, no Parque Nacional de Huascarán.

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JANPAUCACOCHA – PAMPACANCHA

Acordei cedo e o sol novamente nos brindava com seu resplendor dando alento àquela fria manhã. Depois do café reforçado, ajudei Elvis a ensacar minha duffel bag para facilitar o transporte no cavalo. O bom da contratação de arrieros e cavalos é que seu equipamento mais pesado – barraca, saco de dormir, roupas e comida – vai no lombo dos animais. Uma mochila de ataque com água, lanche e agasalho é suficiente para o circuito. Imagine como seria andar naquela altitude com mochila cargueira pesando mais de 20kg! Este seria o dia mais puxado do circuito, com aproximados 12km e dois passos para transposição, porém o mais espetacular! Não precisou andar muito para ver o que nos esperava à frente! Caminhamos por charcos de musgos ao lado de uma fantástica laguna e adentramos num prado coberto por uma gramínea verde acizentada, repleta de alpacas. À direita, protuberâncias rochosas pareciam tocar o céu enquanto que à esquerda, as geleiras insistiam em derreter nas lagunas multicolores. E no meio disso tudo? Eu e meus companheiros de trekking! Singelos casebres de camponeses davam um toque especial à paisagem. Quando percebi, havíamos atingido o topo do Apaneta Abra e seus 4.850 metros de altitude sem muita dificuldade. De cima, conseguia observar o azul celeste de Ausangatecocha, laguna à 4.650 metros de altitude e ponto oficial de acampamento com boa infraestrutura. Desci atrás de todos, esperando Elvis (confesso que também precisei usar o banheiro) e logo depois almocei na companhia de Peter à beira da laguna.

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Hora de encarar a “pior” subida do circuito, o Passo Palomani e seus 5.200 metros de altitude! Mochila nas costas e pé na trilha! Ascensão difícil, íngreme e extremamente cansativa! Se lá no início parecia não haver oxigênio, aqui ele realmente não existia! Enquanto subia, podia ver lá no alto as pircas de pedra que demarcavam o passo. Como estavam distantes! Cirilo deu algumas folhas de coca para mascarmos; não sei se foi efeito placebo, mas senti uma relativa melhora na respiração enquanto mascava a coca e quase duas horas depois encontrava-me no topo do Palomani Abra, ponto culminante do circuito! Não sabia ao certo que palavra melhor definia meu sentimento naquele momento, foi um mistifório de sensações boas, de alegria e emoção! Senti orgulho de tal façanha! Batemos muitas fotos, brincamos na neve igual criança e com a respiração ofegante, fizemos uma oferenda aos Apus agradecendo por estarmos ali em segurança e pedindo proteção para os dias vindouros. O vento desmedido em conjunto com o impetuoso frio, nos obrigou a descender rapidamente para o vale protegido. Em poucos passos nos deparamos com a magnitude da Laguna Colorada, localizada na base do Nevado Mariposa. Sua cor avermelhada a destaca do restante da paisagem! Na descida observei uma imensa criação de alpacas pastando nas pradarias enquanto avistava ao fundo o local da terceira pernoite: Pampacancha. Montamos barraca no quintal de uma casa de pastores. Saboreamos as deliciosas trutas pescadas no dia anterior e depois de outra apetitosa janta, contemplei a montanha sob o lusco-fusco do luar e cai em sono profundo. Outra noite fria!

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PAMPACANCHA – OTORONGO

Acordamos cedo. Café reforçado, tralhas embrulhadas, cavalos carregados e pé no sendero. Teríamos aproximadamente 15km pela frente e o segundo passo mais alto. Com poucos minutos de caminhada, baixamos para o fundo do vale, atravessamos um riacho de degelo e seguimos por entre as montanhas da Cordilheira Vilcanota. Procurava me concentrar na trilha para não afundar nos charcos de musgos. Andamos um bom tempo com o visual do Nevado Tres Picos à nossa frente e poucos quilômetros depois nos deparamos com outro acampamento oficial do circuito. Deve ser esplêndido acordar naquele camping com a vista dos Tres Picos! Com certeza teria valido a pena caminhar um pouco mais no dia anterior. Viscachas saltitavam freneticamente por entre as pedras na tentativa de esconder-se de nós invasores. Aos poucos, aqueles pampas davam lugar à longa subida, suave porém, até o passo e, a cada metro galgado, mais a paisagem revelava-se arrebatadora. Paramos para agrupar o pessoal e continuarmos juntos, num ritmo mais lento em função da indisposição de Fábio, provavelmente decorrente das trutas preparadas pelos guias na noite anterior.

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À frente, pircas delineavam o passo e após estafante subida, alcançamos os 5.000 metros de altitude do Campa Abra. Bonitas vistas do Cayangates, pico defronte ao passo. Depois de algumas fotos, descemos por uma trilha tranquila até a parada para o almoço no acampamento base para ascensão ao Campa. Dali, fomos diretos para o mirante da Laguna Ticllacocha. Que lugar! A lagoa de tom esverdeado aos pés da montanha e aquela paisagem eram de tomar o fôlego! No caminho comprei um cachecol de uma nativa camponesa para presentear minha mãe. Da lagoa, baixamos para o local da quarta pernoite em meio à uma chuva fraca de granizo. O cúmulo-nimbo nos rodeava e anunciava a chegada de algo maior. Logo chegamos ao acampamento Q’omercocha e fomos obrigados a entrar na tenda cozinha em virtude do forte granizo que caia. Impossibilitados de armar as barracas, a solução foi esperar até a tempestade amenizar. Assim que possível, instalei meu abrigo bem alinhado ao vento predominante e voltei à tenda cozinha para preparar a janta. Fazia um frio terrível! O granizo deu espaço à uma forte nevasca e a noite caiu rapidamente. O vento soprava forte e, sem muitas opções, bati o excesso de neve do sobreteto da barraca, me recolhi ao conforto do saco de dormir e cai em sono, confiando na montagem que havia feito. Com certeza, a noite mais fria do roteiro!

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OTORONGO – PACCHANTA

Branco! Foi o que vi quando sai da barraca ao amanhecer. Aquele gelo todo lembrava as paisagens de inverno da Serra Gaúcha. O sol integrou-se à paisagem daquela álgida manhã de quinta-feira. Andei pelo acampamento, caminhei pela borda das lagoas que flanqueavam Otorongo, tirei fotos e até usei um banheiro decente com vista para as montanhas. Não tínhamos muito para andar naquele dia, por isso relaxamos um pouco mais na saída. Depois de organizar as mochilas, ficamos deitados por um bom tempo sob o sol. Lembro que Elvis, menino de 12 anos, reclamou de dor de ouvido e Adriano o medicou. Num trekking desse porte, sempre é muito bom contar com a presença de um médico! Lagunas sarapintadas foram o ponto alto daquele dia: azuis, verdes, turquesas, enfim, eram aos montes e nas mais diversas tonalidades! Um dos trechos mais expressivos da jornada! Sagradas para os locais, que frequentemente fazem oferendas jogando flores e objetos pessoais. Próximo à Pacchanta margeamos um bonito córrego que, em conjunto com as montanhas ao fundo e a trilha, formava, na minha opinião, a paisagem ideal deste trekking!

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Aquele sossegado vilarejo dispunha de quartos para locação e como seria a última noite do circuito, a maioria optou por dividirmos os cômodos, pois já estávamos cansados de montar / desmontar as barracas. Cirilo entrou em contato com o motorista da van e pediu para que nos pegasse em Pacchanta na manhã seguinte, assim economizaríamos um trecho de aproximados 10km por estrada de chão. Naquela tarde novamente o granizo caiu, seguido de outra forte nevasca. Embaixo do quarto que alugamos, ficava nossa cozinha comunitária, que nos abrigou daquele clima sombrio. Tão logo o tempo abriu, caímos nas piscinas termais e curtimos o resto da tarde naquelas águas tórridas. Alguns até encararam uma Cusqueña! Sai correndo das águas para não esfriar e adormeci no calorzinho do saco de dormir. Que cochilo bom! A altitude dá um sono desgraçado! Outra janta boa, com direito à refrigerante comprado na vendinha de Pacchanta e outra maravilhosa noite de sono!

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Na manhã seguinte acordei cedo e organizei todo o equipamento. Ofereci aos arrieros a comida sobrada. Agradecemos Cirilo, Alejandro, Pascoal e Elvis presenteando-os com algumas lembranças pessoais. Notei a gratidão estampada no rosto do pequeno Elvis ao lhe dar um pequeno canivete. Tiramos uma foto coletiva, mas Adriano ficou de fora em virtude de sua indisposição; uma pena! A van logo chegou para nos recolher e duas horas depois já estava na porta do hotel em Cusco. Antes da volta para casa, pude aproveitar a companhia dos novos amigos nas jantas e caminhadas por Cusco. Hoje, escrevendo este relato e revendo as fotos, confesso que a saudade bateu. Seria um lapso de minha parte deixar de agradecer os grandiosos momentos que passei com os amigos Peter, Renato, Adriano, Luciano, Fábio, Andrea e Yatir. Que vontade de trilhar novamente por aquele pequeno paraíso, de contemplar aquela imensidão dos pampas andinos salpicados por llamas e alpacas, de tentar entender o misterioso chamado que emana das montanhas e ecoa pelos vales, de desfrutar mais daquele solitário cantinho do Mundo, afinal estamos aqui só de passagem; o que vale é curtir cada momento, como se fosse o último e o meu momento? Curti demais!

Bons ventos!

Data do relato: 25 de Agosto de 2015
Texto e fotos: Edver Carraro
Site: Edver Carraro