Três Cachoeiras

Sempre buscamos novas opções de trilhas, destinos e opções de lazer para os nossos leitores, e essa matéria não é diferente, estivemos presentes no 1º passeio da nova Rota Turística Caminho dos Vales e das Águas na cidade de Três cachoeiras no dia 12 de Dezembro/2018.

Passeio este que contou com aproximadamente 20 pessoas, dentre elas estavam presentes, gestores de agências de viagens, empresários locais, alguns moradores e claro nós do Trekking RS.

O Município de Três Cachoeiras localiza-se distante cerca de 165 km da capital Porto Alegre, cerca de 36 km da cidade de Torres/RS e afastada aproximadamente 20 km da cidade de Três Forquilhas, onde lá também é possível percorrer o Caminho dos Vales e das Águas, veja!

Três Cachoeiras é uma cidade pequena, mas muito cativante e bela, a história conta que em 1605, missionários jesuítas viajaram do Rio de Janeiro para cá com o objetivo de catequizá-los e protegê-los da ação dos bandeirantes paulistas que vinham ao Sul capturá-los para o trabalho escravo nas fazendas de São Paulo. A origem do nome de Três Cachoeiras deu-se, possivelmente, nesta época, de 1605 a 1615, por viajantes paulistas que encontraram três cachoeiras, distantes entre si cerca de 80 metros e localizadas ao Norte da sede do município, na encosta do morro mais tarde denominado “dos Pereira”. Leia a história completa.

O primeiro passeio por Três Cachoeiras começou pelo centro da cidade, mais precisamente pela Casa do Artesão Raízes da Arte, o local conta com inúmeros artigos artesanais feitos pelos moradores local, alguns deles são decorativos, outros contam histórias da cidade.

Três Cachoeiras
Créditos: Luís H. Fritsch
Três Cachoeiras
Créditos: Luís H. Fritsch

O segundo local escolhido foi uma propriedade rural, onde é possível desfrutar de um piquenique em meio a um bosque, perto dali encontra-se um córrego com águas cristalinas que encantam e animam tomar aquele banho de rio.

Três Cachoeiras
Créditos: Luís H. Fritsch
Três Cachoeiras
Créditos: Luís H. Fritsch

Depois de cerca de 40 minutos no local, nos deslocamos para dois atrativos de tirar o fôlego, estes são: o Poço das Andorinhas e o Poço dos Morcegos, locais de beleza intacta que enchem os olhos, as águas são totalmente cristalinas e próprias para banho.

No local existem duas trilhas uma para a direita que dá ao Poço dos Morcegos e outra à esquerda leva até o Poço das Andorinhas. As duas trilhas podem ser percorridas por todas as idades, os caminhos são bem marcados e de beleza singular, caminha-se aproximadamente cinco minutos em meio a mata atlântica para acessar as quedas de água.

Para fotógrafos o local é propício para realização de ensaios fotográficos e nós conseguimos capturar belas imagens desses locais, veja a seguir!

Três Cachoeiras
Créditos: Luís H. Fritsch
Três Cachoeiras
Créditos: Luís H. Fritsch
Três Cachoeiras
Créditos: Luís H. Fritsch

Depois de aproveitar bem os locais era hora de seguir em frente, a próxima parada seria no Moinho de Pedra, este é um dos únicos que ainda funcionam na cidade de Três Cachoeiras, construído artesanalmente, usa materiais como madeira e pedra em sua construção, antigamente este moinho funcionava com água, hoje em dia ele foi adaptado para trabalhar usando energia elétrica.

A construção do moinho é tão minimalista que além de transformar grãos de milho em farinha, ele separa a casca do milho da farinha, é incrível ver funcionando, ver estas coisas nos dias de hoje é algo inacreditável. Se você for visitar a cidade de Três Cachoeiras, não pode deixar de visitar esse Moinho de Pedra.

Três Cachoeiras
Créditos: Luís H. Fritsch

Já era hora de visitar outro local, a Casa da Tia Laura, este seria o lugar do nosso almoço, o atrativo conta com um restaurante temático, todo decorado com objetos antigos e rústicos, o local faz com que retornemos aos tempos antigos sem perder a sofisticação dos tempos modernos.

Três Cachoeiras
Créditos: Luís H. Fritsch
Três Cachoeiras
Créditos: Luís H. Fritsch
Três Cachoeiras
Créditos: Luís H. Fritsch

Além do acolhedor restaurante a Casa da Tia Laura possui acomodações belíssimas, bem incrementadas para que seus hospedes tenham a melhor experiência.

Aos arredores da propriedade há uma grande área de campos abertos com algumas árvores da espécie Figueira, uma dessas árvores possui mais de 200 anos, é uma grandiosa árvore que faz com que eu me sinta pequeno diante da tamanha grandeza de seus galhos.

Outro detalhe que não pode ser passado despercebido desta Figueira centenária, é o fato de possuir sobre seus galhos centenas de bromélias e flores que cresceram ali por conta própria. A natureza de fato é grandiosa e nos faz sentirmos insignificantes perto de toda essa beleza.

Três Cachoeiras
Créditos: Luís H. Fritsch

Não há preço que pague à experiência de deitarmos embaixo de uma árvore dessa magnitude, depois de um belo almoço caseiro.

Ali perto da Casa da Tia Laura encontra-se a Casa da Colonização, local com inúmeras histórias dos primeiros imigrantes italianos que chegaram a cidade de Três Cachoeiras, histórias dos Tropeiros que construíram cetenas de quilômetros de estradas onde eram levados suas produções agrícolas para trocar por mantimentos em outras cidades.

Três Cachoeiras
Créditos: Luís H. Fritsch

Você sabia que os Tropeiros construíram uma estrada que ligava a cidade de Três Cachoeiras à cidade de Caxias do Sul e o tempo de percurso demorava aproximadamente 30 dias para percorrer tal distância.

Ao lado da Casa da Colonização, encontra-se a primeira igreja construída totalmente de madeira pelo imigrantes. Hoje em dia a igreja foi reformada, as únicas peças originais que restaram são as janelas e a porta fabricadas a mão.

Três Cachoeiras
Créditos: Luís H. Fritsch

Depois de conhecer tantas histórias legais sobre os primeiros imigrantes era hora de irmos a outro atrativo, o Alambique conhecido como 3º Gole, este é um dos poucos alambiques que restaram na cidade de Três Cachoeiras, o proprietário e produtor da Cachaça 3º Gole, nos contou sobre como é produzido a cachaça, e posso dizer a vocês, não é bem assim fabricar cachaça..kkk

Três Cachoeiras
Créditos: Luís H. Fritsch

Provamos a cachaça e é muito boa, forte e saborosa, gostei tanto que até adquiri uma garrafa para degustar nos invernos aqui na Serra Gaúcha.

Este passeio com certeza foi incrível, teve muita diversidade no roteiro, provamos muitas delícias e nos encantamos com as histórias locais. Acreditamos que o Caminho dos Vales e das Águas em Três Cachoeiras é um roteiro turístico maravilhoso para todas as idades e deve ser conhecido e desfrutado ao máximo por todas as pessoas que ali vier.

Veja todas as fotos dessa incrível experiencia que foi o 1º passeio pelo Caminho dos Vales e das Águas em Três Cachoeiras. Acesse o nosso álbum no Flickr.

Caso você queira desfrutar desse incrível roteiro turístico pode contatar a Prefeitura Municipal de Três Cachoeiras ou as agências locais: Esmeralda Turismo, contato: (51) 9 9142-5790 e Paulão Transportes, contato: (51) 9 9987-1825.

Caso você seja da região da Serra Gaúcha e queira conhecer os encantos desse roteiro a empresa Sol de Indiada está credenciada para levar você até estes atrativos.

Caminho dos Vales e das Águas

Nós do Trekking RS estamos sempre em busca de novos destinos e dessa vez apresentamos a nova rota turística conhecida como o Caminho dos Vales e das Águas, localizado dentro de nove municípios que compõem o Litoral Norte gaúcho: Torres, Arroio do Sal, Itati, Terra de Areia, Mampituba, Dom Pedro de Alcântara, Morrinhos do Sul, Três Cachoeiras e Três Forquilhas.

Fomos convidados pelo presidente da Rota Turística Caminho dos Vales e das Águas, o Sr. Carlos Cechin, para relatar a experiência de percorrer os caminhos da cidade de Três Forquilhas/RS.

A cidade de Três Forquilhas localiza-se distante cerca de 150 km da capital Porto Alegre, o nome do município decorre da confluência de três braços de rios a que se denominou Três Forquilhas.

O município de Três Forquilhas está inserido na área de Mata Atlântica com belezas naturais reservadas, como as Cascatas da Pedra Branca e do Barreiro; paisagens belíssimas, vistas da Chapada dos Valim; rios de água límpidas; Cânion do Josafá e engenhos de cachaça. Entre belos conjuntos emoldurados por rica e densa vegetação com flores e ramagens silvestres, encontra-se a rodovia municipal da Serra do Retiro ao alto Rio da Terra.

Na última terça feira dia 04 – Dezembro/2018 nos deslocamos da nossa amada Serra Gaúcha com destino ao litoral norte, mas precisamente para a cidade de Torres/RS, lá o presidente da Rota Turística nos aguardava juntamente com algumas agências de viagens, convidados e membros do projeto com o transporte que nos levaria para o 1º passeio pelo Caminho dos Vales e das Águas.

O deslocamento durou cerca de 1 hora até a nossa primeira parada, Sítio Café da Roça, o local é simples e aconchegante, os próprios proprietários nos levaram a percorrer o primeiro caminho do dia, à Trilha da Grota Escondida, caminho este de 731 metros de extensão, a trilha é bela e sem grandes desafios, é indicado para todas as idades, no meio da caminhada chegamos a um bosque repleto de Palmeiras Reais, o local proporciona uma ótima conexão com a natureza, perfeito para um piquenique ao ar livre.

Caminho dos Vales e das Águas
Caminho dos Vales e das Águas
Caminho dos Vales e das Águas
Caminho dos Vales e das Águas
Caminho dos Vales e das Águas

Os proprietários serviram café passado, sucos de açaí, bolos, cucas e rosquinhas totalmente produzidas por eles. Os produtos coloniais são muito bons, foi difícil parar de experimentar tantas delícias.

Depois de estar de barriga cheia, retornamos para o ônibus e seguimos o Caminho dos Vales e das Águas seguindo o rio Três Forquilhas pelo seu lado direito. Este caminho é repleto por enormes montanhas, olhávamos para todos os lados e víamos morros e mais morros, andando pela estrada de terra temos a sensação de não estar mais no litoral, pois a geografia local é incrivelmente bela, intacta e montanhosa.

A nossa segunda parada foi em uma ponte pênsil, conhecida por alguns como pinguela, essa é uma ponte de madeira e cabos de aço suspensa, que atravessa o rio Três Forquilhas e leva até o outro lado do rio na cidade de Itati/RS. A ponte tem cerca de 25 metros de extensão e balança bastante se tiver muitas pessoas caminhando ao mesmo tempo, a ponte é totalmente segura para passagens a pé ou de bicicleta.

Caminho dos Vales e das Águas
Caminho dos Vales e das Águas

A terceira parada aconteceu na AMADECON – Associação das Mulheres Agricultoras para o Desenvolvimento de Três Forquilhas, estas mulheres realizam trabalhos voluntários para a comunidade, dentre os inúmeros trabalhos realizados, destaca-se uma pequena farmácia que contem inúmeros medicamentos medicinais obtidos através de folhas de árvores e plantas encontradas no interior do município de Três Forquilhas, vale muito a pena conhecer. Neste mesmo local foi servido um ótimo almoço, muito bom por sinal.

Depois de todos bem alimentados era hora de entrar no transporte e seguir para um dos destinos mais belos do estado do Rio Grande do Sul, a Cascata da Pedra Branca, com sua incrível altura de mais de 140 metros.

Para chegar na base da Cascata percorre-se um caminho de estrada de chão por aproximadamente 1,5 km a pé, pois nos pés da cascata não tem como manobrar os veículos. O caminho é belo, o ar é puro e as árvores são gigantes, nos dois lados da estrada de terra a mata atlântica predomina, trazendo assim uma sensação de paz de espírito para os caminhantes.

Caminho dos Vales e das Águas

Na base da Cascata da Pedra Branca a visão é de tirar o fôlego, a aguá que caí é totalmente cristalina, arriscamos até tomar uns goles de água e nos molhar um pouco para nos refrescar.

Caminho dos Vales e das Águas

Depois de contemplar essa que é uma das cascatas mais belas do nosso estado, retornamos pela mesma estrada, mais ou menos no meio do caminho à esquerda, encontra-se uma pequena trilha que leva a uma segunda queda de água, o local é intacto e de beleza surpreendente, vale a pena visitar.

Caminho dos Vales e das Águas

Depois de muitas fotos e vídeos feitos retornamos para o transporte, saímos do Vale das Pedras Brancas e seguimos para o Borralho’s Café, da Bete, na comunidade de São Sebastião, local maravilhoso para apreciar um excelente café colonial muito parecido ou melhor que os que conhecemos da cidade de Gramado/RS.

Caminho dos Vales e das Águas
Caminho dos Vales e das Águas

Depois de conversarmos e nos alimentarmos bem, provando quase todas as delícias, era hora de retornar para a cidade de Torres/RS.

O Caminho dos Vales e das Águas é com certeza uma Rota Turística incrivelmente linda, com atrativos que contemplam o turismo rural, ecológico e claro o de aventura para todas as idades.

Veja todas as fotos dessa incrível experiencia que foi o 1º passeio pelo Caminho dos Vales e das Águas, acesse o nosso álbum no Flickr.

Ficou com vontade de conhecer estes caminhos? Já estão disponíveis nas agências de turismo de Torres e região, passeios turísticos ao município de Três Forquilhas e de outros município da região. 

Caso você seja da região da Serra Gaúcha e queira conhecer os encantos desse roteiro a empresa Sol de Indiada está credenciada para levar você até estes atrativos, clique aqui para ver as próximas trilhas.

Trilha das Represas Abandonadas

Na parte alta do Vale do Caí mais precisamente na divisa entre os municípios gaúchos de São Pedro da Serra e Salvador do Sul/RS – Brasil, em meio a mata, um lugar conta a história hoje quase que esquecida,  que já foi referência de modernidade para a região quando construída na década de trinta.

Em um período que a energia elétrica era ainda para poucos no sul do Brasil, na região serrana em um pequeno povoado, luzes brilhavam do alto de uma montanha. Se tratava do seminário jesuíta Santo Inácio de Loyola, que hoje segue imponente no alto do município de Salvador do Sul, no entanto não desempenha mais a função que tinha no passado.

Naquele período após o padre Primus sair por suas aventuras encontrou um vale rochoso com grande inclinação e um volume considerável de água. Após análises, os jesuítas colocaram em prática o projeto da construção de uma hidrelétrica que se constituía na construção de duas represas e uma casa de máquinas. E assim após a construção, começaram a  produzir sua própria energia, o que se estendeu por muitos anos.

Trilha das Represas
Foto: Lucas Schmitz

Até que, com a chegada da rede elétrica, mais moderna e eficiente como conhecemos hoje, a porta da casa de máquinas foi fechada, e deixada para atrás. E assim com o tempo, lentamente a natureza foi tomando de volta a sua característica selvagem antes da chegada dos imigrantes.

Trilha das Represas
Foto: Lucas Schmitz

Nós do Trekkingrs fomos lá atrás dessa história contata pelos mais velhos em busca da trilha das represas perdidas para compartilhar esta informação como todos nossos seguidores aventureiros que estão buscando novos destinos para explorar.

A partir da Rua Carlos Edvino Specht que se encontra no centro de São Pedro da Serra, você deverá descer aproximadamente cinco minutos de caminhada até o ponto em que a rua passa pela descida do arroio. Neste ponto uma pequena trilha não muito visível te levará até a parte baixa do arroio.

Já neste ponto você estará na parte de atrás do lago da primeira represa, o lago com o passar dos anos recebeu muitos sedimentos que desceram da parte altado município.

Nesse ponto deve-se ladear o lago pela parte esquerda até então chegar a parte alta da represa. É possível caminhar por cima dela de um lado a outro. Também no ponto central há uma escada de barras de metal para poder acessar a parte inferior da represa que consiste em uma grande base de pedras colocadas em diferentes níveis para formar toda a grande estrutura da represa. Com o vertedouro superior, onde não era o leito do arroio, oferece hoje uma cascata que foi criada com a construção da represa.

Trilha das Represas
Foto: Lucas Schmitz
Trilha das Represas
Foto: Lucas Schmitz
Trilha das Represas
Foto: Lucas Schmitz

Seguimos nosso caminho para poder chegar até a segunda represa e a casa de máquinas. Desde lugar em diante prepare-se para molhar seus pés para um hike em grande parte pelo arroio. Como o vale é estreito, grande parte do caminho deve ser feito dessa forma.

Após uns minutos de caminhada pelo arroio você chegará a uma queda d’água. Não é possível acessar a parte baixa pelo arroio, a não ser que seja por rapel. Deve-se tomar uma trilha a direita para acessar uma parte mais alta ao lado da cascata e logo descer mais a frente.

Trilha das Represas
Foto: Lucas Schmitz

Já na parte inferior da cascata, o caminho segue pelo curso do arroio. Este é um trecho mais extenso descendo por grandes pedras e zonas com o vale mais aberto. Até então chegar a um lugar que você perceberá o remanso do arroio, isso significa que chegaste a última represa. Tome uma trilha a direita para seguir até a base.

A segunda represa apresenta um assoreamento quase que completo do seu lago original. Em alguns anos será apenas um arroio e já não haverá mais o lago. No entanto, seguirá a queda de água da represa, uma mistura de pedras e tijolos maciços incríveis. Aproveite a para escutar o barulho da água e aproveitar solidão ao seu redor.

Trilha das Represas
Foto: Lucas Schmitz

Observando a direita no caminho do arroio, vários pedaços de tubos de metal estão deteriorando-se em meio da floresta. Consiste na tubulação que canalizava a água da segunda represa até a planta geradora de energia.

Trilha das Represas
Foto: Lucas Schmitz

Assim, seguindo o curso do arroio, se chegará a uma parte aberta do arroio de pura rocha. E mais a frente um grande desnível onde água se canaliza e desaparece morro abaixo em uma fenda Este ponto batizado como “saboneteira” é um ponto onde a pedra está pendida à fenda do arroio, no entanto, todo esta parte é muito lisa por isso o nome. Se deve tomar muito cuidado, e tomar uma trilha a direita, passando por cima dos tubos de metal.

Já subindo aproximadamente cinquenta metros acima do arroio estará a antiga estrada que levava a casa de máquinas. Seguindo este pequeno caminho, hoje fechado pela mata, é importante seguir até o vale próximo a queda de água. Neste ponto uma antiga escada de tijolos te guiará pela borda da fenda. E neste momento se encontrará a antiga usina hidrelétrica aí, perdida em meio ao vale.

Trilha das Represas
Foto: Lucas Schmitz
Trilha das Represas
Foto: Lucas Schmitz
Trilha das Represas
Foto: Lucas Schmitz

Grande parte do maquinário segue no local. O telhado dá a impressão que caiu a poucos anos, também é possível descer uma escada pequena, dentro da estrutura, no entanto a sensação é de que as paredes ou o chão que já apresentam grande rachaduras podem colapsar a qualquer momento.

Trilha das Represas
Foto: Lucas Schmitz

Mantenha a estrutura como está. É importante zelar pelo pela estrutura enquanto segue seu deterioro lento, permita que mais pessoas possam conhecer. Tome seu tempo, aproveite o lugar, relaxe e tire suas fotos, pois após um descanso você terá que voltar. É uma boa opção voltar pela antiga estrada da casa de máquinas, será meia hora de caminhada até a Rua Padre Piva em frente ao um posto de gasolina já na área urbana de São Pedro da Serra.

Trilha das Represas
Foto: Lucas Schmitz
Trilha das Represas
Foto: Lucas Schmitz
Trilha das Represas
Foto: Lucas Schmitz

Compartilhamos também o mapa dessa rota no wikiloc e um vídeo para você planejar a sua trilha e não ter a chance de se perder.

https://pt.wikiloc.com/trilhas-trekking/trilha-da-represa-abandonada-sao-pedro-da-serra-rs-rota-circular-29708823

Sobre a trilha, o que certamente te marcará é o fato de ser um lugar é único, histórico, de aventura e muito contato com a natureza, ela que não é vilã nesta história, apenas está recuperando o que já era dela em toda sua plenitude.

Cachoeira da Alegria

Cachoeira da Alegria

Se você é o tipo de pessoas igual a mim que não se contenta com os locais já explorados, está a procura de um destino novo para curtir o verão, então lhe apresento a Cachoeira da Alegria, localizada na cidade de Farroupilha/RS.

O nome da cascata surgiu em relação a um pequeno galpão selvagem dado como nome Rancho da Alegria que se encontra no local.

A Cachoeira da Alegria, é um destino totalmente inexplorado, está dentro de uma área particular nas margens da rodovia RS – 448, essa estrada liga as cidades de Farroupilha e Nova Roma do Sul/RS.

O arroio onde se localiza a cachoeira vem do distrito de Vila Jansen, pertencente a cidade de Farroupilha e cerca de uns 500 metros à frente da cachoeira é unido pelo rio 14, onde estes desaguam no grandioso Rio das Antas.

A geografia da Serra Gaúcha é propícia para a exploração de pequenas cascatas e cachoeiras, acreditamos que devem existir mais de 500 cachoeiras só na região da serra ainda inexploradas ou desconhecidas pela maioria das pessoas.

O atrativo natural é composto por pequenas quedas de água que formam uma linda cachoeira de águas geladas e cristalinas, o local é convidativo para banhar-se nas águas da Cachoeira da Alegria em dias de verão.

Cachoeira da Alegria
Foto: Luís H. Fritsch
Cachoeira da Alegria

Foto: Luís H. Fritsch
Cachoeira da Alegria

Foto: Luís H. Fritsch

Caso você deseje conhecer esse local, recomendamos a contratação de um guia que conheça a região, caso você vá sozinho ou com amigos, vá com cuidado.

Como o acesso à Cachoeira da Alegria se encontra ao lado da RS – 448, não há disponibilidade de estacionamento, pois a rodovia não prove de acostamento. Caso você vá com veiculo 4×4, você poderá descer pela trilha até o Rancho da Alegria.

Indicamos ir até o Gparque Farroupilha e acessar as trilhas que levam até a Cachoeira da Alegria e as outras belas cascatas existentes no Rio 14. Do Gparque até a Cachoeira da Alegria tem aproximadamente 12 quilômetros de trilhas ida e volta até chegar lá. 

Gparque Farroupilha
Foto: Luís H. Fritsch

Se você tem vontade de fazer essas trilhas, entre em contato com a gente! Temos um time de pessoas experientes para lhe conduzir pelas melhores trilhas da Serra Gaúcha.

Cerro de la Silla

Situado no norte do México, mais precisamente dentro da região metropolitana de Monterrey, terceira maior área urbana deste país da América do Norte. O Cerro de la Silla ou “Montanha da Cela” como poderia ser chamado em português ganhou este nome em questão ao seu formato, por parecer muito com uma cela utilizada nos cavalos.

O Cerro de la Silla é uma área que desde 26 de Abril de 1991 foi decretada área de proteção ambiental através do reconhecimento de monumento natural mediante um decreto presidencial. Contando assim com um  total de 6.309 hectares protegidas.

O Cerro de la Silla possui três principais picos, sendo cada um de diferente nível de dificuldade para chegar. Seus nomes são; Pico da Antena com 1.751 metros, Pico Norte com a mair altitude entre os três com 1.820 metros e o Pico Sul com 1.650m. Todos podem ser feitos em um dia de Hiking (Caminhada) Você levará em média de 7 a 9 horas para fazer todo o percurso de ida e volta. Por isso separe um dia para realizar a subida.

Pico da Antena

A partir da Rua Bosques da Pastora no município de Guadalupe na parte final da rua você chegará ao início do caminho que te levará ao pico da Antena e que também é parte do caminho que te levará ao pico Norte.

O caminho está muito bem marcado por que passa onde existe uma estrada que foi construída para a manutenção das antenas que estão no topo. Por esta questão é um caminho que você encontrará mais caminhantes e corredores de montanha pela facilidade de como o caminho está marcado.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Subindo o caminho, até um ponto já alto da montanha você encontrará com uma grande estrutura de concreto que hoje são as ruínas de um antigo teleférico, que no dia da sua inauguração teve um acidente com o rompimento de um cabo e desde então nunca mais foi reaberto. Chegando a este ponto, muitos já descem novamente. O teleférico é uma excelente opção para quando não se tem muito tempo ou o preparo físico que demanda os demais picos, assim que este trajeto pode ser feito em duas horas de caminhada.

Vista da região metropolitana de Monterrey desde o antigo teleférico abandonado.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Após horas de subida você passará por vários pontos de observação para a região metropolitana de Monterrey, cada uma um espetáculo a parte. E já ao finalizar a subida você se deparará com uma cerca onde se encontram as antenas, neste lugar não é permitida a entrada, assim que deve-se seguir pela cerca até chegar a um ponto na lateral com muitas pedras onde será seu ponto final e te proporcionará uma visão incrível de todo o outro lado com a cadeia de montanhas que fazem parte da reserva do Cerro de la Silla.

Foto de um dia com nuvens na cidade de Monterrey, vista pelo caminho ao pico das antenas.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Chegada ao cume do pico das antena, de aqui se pode deslumbrar todo o vale da Reserva Natural Escondito entre as montanhas.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Pico Norte visto desde o pico das antenas.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

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Pico Norte

Pico de maior dificuldade, tomando o mesmo caminho para o pico da antena uma trilha a direita após passar o antigo teleférico, a trilha se torna um pequeno caminho que contorna grandes pedras, onde se pode mencionar o “Paso de los Elefates” local de gigantes pedras calcarias de onde pode ter uma excelente visão da região metropolitana de Monterrey.

Ao entrar na trilha para o pico norte se notará que se trata de um caminho muito mais fechado de vegetação e de subidas e baixadas em questão ao caminho muito pedregoso. Se encontrará marcações em pedras e algumas fitas coloridas em árvores, no entanto deve-se estar sempre atento pois existe uma possibilidade de perder-se, ainda mais caso seja a sua primeira vez. É muito recomendado ir com alguém que conheça o caminho previamente ou usar um GPS para ajudar a guiar-te.

Seguindo o caminho haverá um ponto em que será necessário perder elevação, este é o ponto em que se desce o vale entre o pico das antenas e o pico norte. Este vale apresenta uma vegetação muito diferente por ser um lugar de pouco sol e que preserva uma boa umidade em um clima que normalmente é semidesértico no norte do México

Caminho de subida após o vale entre o Pico da Antena e Pico Norte

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Desde esse ponto será apenas subida já pela montanha do pico norte. Esse trecho consiste em um caminho que normalmente é feito em 1 hora e meia em média desde o bosque úmido do vale e a medida que se ganha altitude a vegetação se torna menor, até o ponto próximo ao pico que conta apenas com vegetação rasteira.

Próximo a alcançar o cume do Pico Norte, ao fundo tico da Antena.

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Pico da Antena visto do Pico Norte.

O pico norte proporciona uma visão incrível em 360 graus de toda a região metropolitana, tudo isso ao lado de um grande abismo de rochas calcárias de tirar o fôlego. Tudo isso ainda com a possibilidade de ver toda outra cadeia de montanhas que no México é chamada de Sierra Madre, ela compeende grande parte do território mexicano, no entanto esta cadeia montanhosa  se estende desde a América Central até o Canadá cruzando por todo o país.

Chegada ao cume do Pico Norte

Cerro de la Silla - México
Foto: Lucas Schmitz

Vista da região metropolitana de Monterrey desde o cume

Cerro de la Silla - México
Cerro de la Silla – Foto: Lucas Schmitz

Cerro de la Silla - México
Cerro de la Silla – Foto: Lucas Schmitz

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Parque Estadual do Marumbi/PR

O Parque Estadual do Marumbi é um complexo de montanhas localizadas na Serra do Mar no estado do Paraná, região sul do Brasil.

A minha aventura começou no dia 31 de Agosto/2018, na cidade de Caxias do Sul/RS, fui convidado pela empresa de Turismo de Aventuras Sol de Indiada a fazer o que é hoje a trilha mais difícil do Brasil, realizada em um dia.

Saímos da cidade de Caxias do Sul por volta de 2:30 horas da manhã de sexta feira com 3 carros, a primeira parada foi para o café da manhã em Lages/SC, nada melhor que tomar aquele café da manhã especial vendo o sol nascer.

Embarcamos nos carros e seguimos viagem, rumo ao Paraná, descemos a Serra da Graciosa e paramos para almoçar no restaurante Casa da Graciosa na cidade de Quatro Barras/PR. Recomendo muito esse local, simples, aconchegante e muito bom.

Dali em diante seguimos para a Estação Ferroviária Engenheiro Lange, a estrada que leva para a estação é um tanto íngreme, não recomendada para veículos sem tração 4×4, essa estrada também faz parte do final do Caminho de Itupava.

Na estação Lange era hora de tirar as mochilas dos veículos 4×4 e colocar nas costas, seguir por uma trilha demarcada em meio a mata até a Estação Marumbi, a trilha tem aproximadamente 1000 metros de distância, um caminho fácil, mas muito bonito.

Já na estação do Marumbi, deixamos as mochilas cargueiras na administração da estação e seguimos com as mochilas de ataque para explorar o primeiro caminho, a trilha do Rochedinho. Essa trilha é nível fácil, sem grandes obstáculos, mas é necessário atenção de quem a percorre, pois em alguns pontos você passa por algumas cristas de montanha um pouco íngremes e vertiginosas.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Do alto do Morro Rochedinho é possível avistar as estações de trem e boa parte do complexo do Marumbi, a paisagem compensa o esforço da caminhada.

Lembre-se sempre de avisar os funcionários da administração do parque o lugar que você vai e quantas pessoas vão com você, isso é primordial para manter a segurança de todos dentro do Parque Nacional do Marumbi.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Depois de tirar algumas fotos no alto do Morro do Rochedinho, descemos por uma outra trilha que dá acesso ao famoso Viaduto do Carvalho (Viaduto que liga os túneis 4 e 5 da ferrovia Paranaguá-Curitiba. Assentado sobre 5 pilares de alvenaria e em curva, sua posição faz parecer que o trem flutua no vazio. É um dos cartões postais mais famosos do estado).

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Dali em diante seguimos pela estrada de ferro até a estação Marumbi, montamos as barracas, jantamos e por volta das 9:00 já estávamos todos acomodados para dormir.

Trilha do Pico Marumbi, considerada a trilha mais difícil do Brasil realizada em um dia!

Acordamos por volta de 5:00 horas da manhã, tomamos aquele café especial sem pressa, arrumamos as mochilas de ataque. Dentro da minha, continha cerca de 5 litros de água, 2 batatas doces, 200 gramas de amendoim, barras de cereais, de vestuário continha uma blusa x-power Solo Polartec e um corta vento Fearless Conquista Montanhismo, também levei 2 maquinas fotográficas para registar a aventura e lanterna de cabeça.

Às 7:00 da manhã demos início a caminhada, lembro de o guia Evandro Clunc falar assim “caminhe como um velho, chegue como um novo” tínhamos que caminhar devagar, mas progressivamente.

A trilha que escolhemos fazer foi a Noroeste (vermelha) para subir e alcançar os seguintes pontos: Abrolhos (1200 metros), Ponta do Tigre (1400 metros), Gigante (1497 metros) e Olimpo (1539 metros de altitude). A descida seria realizada pela trilha Frontal (Branca), veja o mapa abaixo para entender as trilhas:

Parque Estadual do Marumbi/PR

A trilha possui inúmeros trechos de escalaminhada, vias ferrata, cordas e correntes de fixação, além de tudo isso a muita vegetação aos arredores das trilhas, em alguns pontos é necessário agarrar-se nas raízes e arvores para subir ou descer algum obstáculo.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Karine Grison

Chegamos no Abrolhos em cerca de 2:30 horas de duração, uma subida um tanto inclinada, passando por cristas de morros e paredões gigantescos, a visão que se tem lá do alto (1200 metros de altitude) é incrivelmente linda, pode se falar que é recompensadora depois de tantos degraus e esforço físico para se chegar até lá.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Após alguns minutos retornamos a trilha vermelha com sentido a Ponta do Tigre, nessa parte da subida você passa pelo vale das lágrimas e chega na Catedral (tem este nome em função de um conjunto de pedras gigantescas encaixadas uma nas outras, formando uma especie de gruta enorme e imponente, neste local fizemos uma parada estratégica para repor energias.

Depois de muita subida, combatendo o medo de altura, enfrentando todo o terreno acidentado desse trajeto, chegamos a Ponta do Tigre, local onde escolhemos para almoçar.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Evandro Clunc

Sentado em um gigante bloco de pedra, avistamos o Abrolhos, podíamos ver pessoas no alto daquele morro como se fossem “cabeças de percevejo”, isto nos faz pensar, o quanto somos pequenos diante dessa grandiosidade da natureza chamado Marumbi. Devemos preservar ao máximo lugares como este, para que um dia nossos filhos possam se aventurar por lugares de tirar o fôlego como são estas montanhas paranaenses.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Cerca de 30 minutos depois seguíamos para o Gigante e Olimpo, notei que o caminho entre a Ponta do Tigre e o Olimpo era um pouco menos íngreme, mas o corpo já apresentava sintomas de cansaço. Ao chegar no cume de 1539 metros, fiquei aliviado, estava no alto do Marumbi, metade do percurso estava feito, ficamos ali por cerca de 20 minutos, a neblina era intensa, não avistamos nada além de nós mesmos.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Luís H. Fritsch

Era hora de continuar, agora seria o trajeto todo de descida, aí você se pergunta! “Agora ficou fácil, na descida todo o santo ajuda”. Digo a vocês, descer trilhas é muito mais difícil que subir, pois na descida todo o seu peso + mochila com carga está apoiada em suas pernas, joelhos e pés, é preciso tomar muito cuidado ao transpassar obstáculos, sejam eles de via ferrata, degraus ou pedras lisas, pois é muito fácil ocorrer lesões, descemos tranquilamente pela trilha Frontal (Branca).

O caminho de volta é bem mais curto do que o da ida, mas é mais íngreme, é necessário muito cuidado nas vias ferrata, desci devagar, olhando em cada lugar onde afirmar os pés, mãos e combatendo constantemente o meu medo de altura.

Parque Estadual do Marumbi/PR
Crédito: Evandro Clunc

Essa aventura não deve ser realizada por pessoas sem preparo físico, não é indicada para pessoas com problemas de articulações ou sobrepeso. Para aqueles que querem se desafiar e combater seus medos essa é a trilha perfeita para você testar seus limites físicos e psicológicos.

Chegamos no acampamento por volta de 18:30 minutos, foram cerca de 6:30 minutos subindo e 5:00 descendo, isso em 11, 42 quilômetros, posso dizer com todas as convicções que essa trilha pode ser considerada a mais difícil do Brasil realizada em um dia.

Desbravando o Complexo Marumbi/PR


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Galerias férreas abandonadas

Na Serra Gaúcha, mais precisamente nos municípios de Barão, São Pedro da Serra e Salvador do Sul no vale do Caí, estado do Rio Grande do Sul, existem lugares pouco conhecidos, perdidos em meio a mata e galerias que contam a história de parte das ferrovias que existiam no Sul do Brasil. E que a partir da década de setenta viu a sua maior decadência com o abandono da malha ferroviária e extinção de ramais.

Este foi o caso da linha que antigamente conectava Porto Alegre a Caxias do Sul, quando aberta em 1909, passava de Montenegro a parte alta da Serra pelos municípios de Maratá, Salvador do Sul, São Pedro da Serra e Barão chegando a Carlos Barbosa, onde hoje é a estação da Maria Fumaça. Porém nesta parte os trilhos seguem existentes até Caxias do Sul, no entanto se encontram totalmente abandonados e deteriorados em meio a vegetação.

Com a extinção do ramal Montenegro a Carlos Barbosa, muito se perdeu. Porém aterros e cortes em pedras da antiga ferrovia seguem abandonados em meio a vegetação. Com a criação de grandes aterros para passagem da ferrovia nesta região de serra era necessário uma infraestrutura de drenagem de água e muros para a contenção da base. Diferente de hoje, com o largo uso de concreto, pontes e túneis mais elaborados, se utilizava como matéria-prima principalmente rochas, por sua abundância e custo baixo.

Galerias férreas abandonadas
Acervo Renan C. Mancuso. (Família Mancuso)

Construção de galeria fluvial da ferrovia por volta de 1904 a 1908

O interessante sobre as galerias é que cada uma que se encontra abaixo do caminho da antiga ferrovia apresenta características únicas, todas foram projetadas conforme a necessidade para a ferrovia em diferentes terrenos.

Nós do Trekking RS, mapeamos os principais pontos para se aventurar por trilhas que te levam até estes lugares.

Galerias férreas abandonadas
Principais pontos (Google Earth PRO)

Em vermelho o antigo trajeto da Ferrovia, pin’s verdes (principais pontos para se visitar).

Desta forma pode-se dividir em três principais trajetos que se pode percorrer para seu Hike (Caminhada):

Galerias de São Pedro da Serra e Barão/RS – Brasil

Caminho por estrada de chão a partir da rótula de acesso ao município de São Pedro da Serra na BR-470, esta estrada segue o antigo trajeto da ferrovia onde se encontram várias galerias, pode-se destacar duas de tamanho médio e três de grande porte entre outras de menor relevância.

Primeira galeria considerada de médio porte neste trajeto possui um lado que se encontra fechado por pedras que desceram da parte superior da montanha. Portanto nesta galeria se deve descer um vale íngreme até a parte inferior.

Galerias férreas abandonadas

Esta é a galeria de maior porte neste trajeto, para acessar você deve entrar na parte superior e sairá em um gigante muro de contenção que te deixará realmente impressionado.

Galerias férreas abandonadas

Logo após a grande galeria  existe outra que também é de grande porte, batizada como “galeria da Catedral” possui um sequencia de três arcos internos em diferentes níveis, que dão a impressão de um grande vão devido ao desnível acentuado de um lado a outro desta galeria.

Galerias férreas abandonadas

Mais informação deste caminho no vídeo:

Galerias próximas ao centro de Salvador do Sul/RS – Brasil

Neste trajeto curto você encontrará galerias próximas ao bairro liberdade todas muito próximas uma da outra, uma de grande porte e duas de porte médio.

Galerias férreas abandonadas

Galerias férreas abandonadas

Galerias férreas abandonadas
Aterro

Logo saindo da BR-470 a caminho da fenda, existe um aterro onde abaixo se encontra uma galeria muito seca e limpa.

Galerias férreas abandonadas

Galeria de médio porte com data de construção 1904 na pedra central. Se encontra a esquerda logo após a fenda talhada em rocha onde passava a ferrovia.

Caminho mapeado deste trajeto:

Desenvolvido por Wikiloc

Para mais informação desta trilha você encontrará no vídeo abaixo:

Galerias de Linha Bonita, próximas ao Túnel Ferroviário.

O Túnel de Linha Bonita em Salvador do Sul/RS – Brasil foi inaugurado no ano de 1909, possui 93 metros de comprimento, 5,70 metros de altura e 4,10 de largura, além do formato curvilíneo, expressão de uma arquitetura especial, única do gênero na América Latina.

Em cada lado das saídas deste túnel existem dois grandes aterros onde em um deles até é possível a prática de Rappel.

Já seguindo o caminho da ferrovia sentido sul, pela Rota Stein existe uma trilha em boas condições de 5 km pelo antigo traçado da ferrovia onde pode-se encontrar outras duas galerias de porte médio. Esta trilha está bem marcada pois ali também é utilizada para veículos off-road, assim que não apresenta desníveis elevados sendo uma caminhada de nível fácil.

Cascata do Bordin

A Cascata do Bordin está localizada dentro da propriedade da família Bordin, no município de Flores da Cunha/RS – Brasil.

O acesso a parte de cima da Cascata do Bordin encontra-se fechada no momento, mas é possível contemplar a sua beleza pelos caminhos que levam a parte de baixo da queda de água.

Com aproximadamente 80 metros de altura, as águas dessa cascata despencam entre os paredões da serra gaúcha, formando inúmeras outras cachoeiras pelo caminho até chegar no Rio das Antas.

Há duas maneiras de conhecer esse atrativo turístico no interior da cidade de Flores da Cunha, à primeira delas é pelo Mirante Gelain, onde você pode visualizar boa parte dos vales e montanhas que compõem a serra gaucha, em uma vista panorâmica.

Cascata do Bordin
Crédito: Luís H. Fritsch

Cascata do Bordin
Crédito: Luís H. Fritsch

Cascata do Bordin
Crédito: Luís H. Fritsch

Para os mais aventureiros é possível descer até a base da cachoeira, e contemplar essa beleza natural por um outro ângulo.

A trilha que dá acesso a Cascata do Bordin está dentro do Mirante Gelain, falando com o administrador Marcos é possível percorrer o caminho sem auxílio de um guia especializado.

Recomendamos que para facilitar o trajeto até a queda de água você vá com alguma pessoa experiente em trilhas e que conheça a região, nunca vá sozinho fazer trilhas na natureza.

O caminho para a Cascata do Bordin possuí um grande desnível, já nos primeiros metros da trilha vem o primeiro desafio, passar por meio de uma fenda rochosa, seguindo pelo trajeto marcado você descerá margeando o paredão que fica do lado direito.

Logo em seguida vem o segundo desafio, descer uma trilha inclinada segurando uma corda (a corda está fixada ali sempre), logo após você terá que descer por uma escada fixada no paredão.

Se você sofre de problemas nas articulações, medo de altura ou problemas cardíacos não recomendamos fazer essa trilha.

Depois de descer a escada você verá uma bifurcação de trilhas, siga pelo lado esquerdo, neste trecho deve-se prestar muita a atenção, pois há pedras de todos os tamanhos, muito cuidado para não torcer o pé entre uma pedra e outra.

A trilha segue assim até chegar em um ponto onde é necessário prender uma corda para descer com mais segurança, dali em diante a trilha leva até a base de uma pequena cachoeira de aproximadamente 6 metros de altura.

Para acessar a Cascata do Bordin, você terá que cruzar o rio, muito cuidado nesta hora, pois a passagem se dá entre essa cachoeira de 6 metros e um tobogã natural gigante de águas cristalinas que descem em velocidade formando uma outra cascata de mais de 30 metros de altura aproximadamente. Para sua maior segurança, recomendamos esticar uma corda de um lado a outro do arroio.

Cascata do Bordin
Crédito: Luís H. Fritsch

A Trilha segue na margem direita do arroio, subindo um caminho através de pedras gigantescas e lisas, muito cuidado para não escorregar e vir a sofrer alguma torção.

Ao chegar na Cascata do Bordin, o visual é de tirar o fôlego, águas cristalinas despencam pelo paredão cerca de 80 metros, estar ali presenciando o poder das águas nôs faz pensar o quanto somos pequenos em relação a natureza que nos cerca.

Cascata do Bordin
Crédito: Luís H. Fritsch

A trilha toda é de nível moderado, pois a inúmeras pedras lisas e soltas, em alguns pontos é necessário segurar-se em árvores e usar cordas para apoio.

Lembre-se de sempre estar com calçados adequados para trilhas e pré amaciados, aqui em nosso site você pode conhecer os melhores calçados para trilhas e aventuras, acesse.

Cascata do Bordin
Tênis Salomon Speedcross 4 – Crédito: Luís H. Fritsch

Salto do Segredo

Procurando um lugar tranquilo e ainda pouco conhecido pela maioria das pessoas, então você precisa conhecer o Salto do Segredo e a Cascata do Moinho.

Localizadas na cidade de São Pedro da Serra/RS – Brasil, divisa com a cidade de Salvador do Sul é possível fazer um Hiking (caminhada) até essas duas quedas de água.

A trilha tem aproximadamente 2,8 quilômetros de extensão, o seu começo se dá pela estrada branca como é conhecida, para acessar a cascata do Moinho você terá que deixar o seu veículo nas margens da estrada e percorrer até próximo a ponte do Arroio Boa Vista, onde existe uma pequena rua fechada por um arame. Não esqueça de pedir autorização para os moradores locais para acessar as cascatas.

A Trilha que leva a Cascata do Moinho e Salto do Segredo é de nível fácil, mas é preciso bastante atenção durante o percurso, a primeira construção que é avistada é um moinho antigo abandonado no meio na mata, abaixo dele se encontra a Cascata do Moinho, para descer até a sua base você terá que seguir em frente e dobrar em uma trilha à esquerda, haverá uma descida um tanto íngreme e com pedras lisas, em um dos pontos é necessário usar corda para se firmar.

Salto do Segredo
Crédito: Luís H. Fritsch

Salto do Segredo
Crédito: Luís H. Fritsch

Salto do Segredo
Crédito: Luís H. Fritsch

Salto do Segredo
Crédito: Luís H. Fritsch

A queda de água possui aproximadamente 25 metros de altura, em dias de muito calor é possível banhar-se na cachoeira e no arroio, também há uma pequena trilha que leva para trás da Cascata do Moinho.

Salto do Segredo
Crédito: Luís H. Fritsch

Para acessar o Salto do Segredo é preciso retornar pela trilha principal e seguir a trilha para o lado direito, sega o caminho por onde antigamente era uma estrada para carroças.

Acompanhando o arroio Boa vista você verá a crista do Salto do Segredo, a trilha que segue para a base dessa queda de água é íngreme e possui inúmeras pedras soltas, deve tomar muito cuidado para não escorregar.

Já na base do Salto do Segredo a visão é de tirar o fôlego, um lugar tranquilo, com águas límpidas em meio a natureza ainda intocada, é de fato um lugar incrível para visitar com os amigos e família.

Salto do Segredo
Crédito: Luís H. Fritsch

O Salto do segredo é um local muito preservado, por isso quando fores visitar lembre-se de não deixar lixos, ajude a preservar lugares como este, assim as futuras gerações também poderão aproveitar dessa natureza incrível.

Abaixo o mapa de toda a trilha que percorremos:

Powered by Wikiloc

Ferrovia do Vinho abandonada

Depois de um bom tempo de planejamento e busca por informação na rede, decidimos fazer uma trilha que nos permitisse conhecer o máximo dos principais túneis e viadutos abandonados da Ferrovia do Vinho em Bento Gonçalves.

Por imagens do Google Maps e OpenRailwayMap marcamos os principais pontos e decidimos nosso trajeto sem ter a certeza de que seria viável ou não em questão das condições de abandono da ferrovia.

Iniciamos nosso trajeto as 6:00 horas da manhã a partir da ponte Ernesto Dornelles, famosa por seus arcos sobre o Rio das Antas, e que conecta os municípios de Bento Gonçalves e Veranópolis no Rio Grande do Sul. Deixamos o carro em frente ao restaurante que se encontra próximo a ponte e seguimos nosso caminho.

Tomando uma estrada de paralelepípedo logo se pode entrar a direita em uma fenda talhada em rocha, aí está um túnel da Ferrovia Tronco Principal Sul (TPS). Tomando a esquerda seguimos pelos trilhos aproximadamente 5 km até chegar ao Túnel Y, neste ponto duas ferrovias se juntam a TPS e a Ferrovia do Vinho, que desde 1992 está desativada desde que o trem turístico Maria Fumaça passou a operar entre as cidades de Carlos Barbosa e Bento Gonçalves.

Ferrovia do Vinho abandonada

Ferrovia do Vinho abandonada

Aproveitamos para seguir até a ponte ferroviária que cruza o Rio das Antas ainda pela TPS, já tinha amanhecido e a visão era espetacular, dos vales e da casa de máquinas da central hidrelétrica.

Ferrovia do Vinho abandonada

Ferrovia do Vinho abandonada

Após tomarmos umas fotos e vídeos, decidimos regressar ao túnel Y, mas agora tomando a saída para a Ferrovia do Vinho. A primeira impressão que tivemos ao sair do túnel era que não seria possível seguir, pois o começo da trilha apresenta muitas quedas de barreira e consequentemente alagamentos em certas partes, porém o lugar demonstrava rastro de que trilheiros com suas motos passavam por aí, então seguimos. O caminho apresentou melhoras e nos deu motivação para seguir adiante.

Ferrovia do Vinho abandonada

Ferrovia do Vinho abandonada

Andamos por vários quilômetros até chegarmos próximo ao primeiro túnel da ferrovia do vinho após o túnel em Y, este possui um comprimento de 514 m, e passa por debaixo do povoado de São Luiz das Antas que no passado era uma vila militar.

Passando o túnel seguimos pelos trilhos perdidos entre a vegetação, barro e pedras até encontrar com a estrada que dá acesso a São Luiz das Antas. Neste ponto decidimos subir pela estrada até o povoado, para seguir pelos trilhos da segunda volta que a ferrovia dá no morro para poder ganhar altitude, até porque seguir pelos trilhos naquele ponto não foi uma opção pelo tempo que teríamos e sua condição, porém é um possível caminho para uma trilha futura, ou um trekking de 2 dias pois existem, pelo menos, outros 2 túneis neste trajeto.

Chegando a São Luiz das Antas avistamos os trilhos da segunda volta da ferrovia e  perguntamos aos locais que vivem na antiga estação de trem como poderíamos seguir até o próximo túnel e os dois viadutos. Nos informaram que deveríamos apenas seguir pelos trilhos e que era possível pois há uma trilha neste trajeto.

Ferrovia do Vinho abandonada

Ainda próximo a vila, caminhamos um trajeto com muito lixo e água que apresentava coloração estranha devido ao povoado que está na parte superior da ferrovia, caminhamos um bom trajeto  até então depararmos com o túnel, o de número 3, que possui 599 m de distância. Logo na saída já está um viaduto, o maior em comprimento de todo o trajeto de Bento Gonçalves a Jabuticaba. Este lugar é incrível para descansar e apreciar os vales e as montanhas talhadas pelos rios daquela região. O local também faz questionar o porque de tanto dinheiro público investido na década de 40 com a ferrovia e o porque de ela estar assim atualmente, sendo que ainda consta na página do governo como uma ferrovia ativa.

Ferrovia do Vinho abandonada

Logo após um descanso e almoço sobre os trilhos do viaduto, decidimos seguir até o próximo viaduto que apresenta menores dimensões, mas que, no entanto, possui uma cascata muito próxima que se encontra escondida entre a vegetação, a visão e o sentimento de estar em contato com a natureza são incríveis.

A seguir visitarmos este último viaduto, decidimos que era hora de voltar para o carro que havíamos deixado perto da ponte, regressamos até o primeiro viaduto que havíamos visitado e tomamos a descida para a cachaçaria Casa Bucco, no entanto é uma propriedade privada, assim que é muito importante ligar com antecedência para a cachaçaria para avisar que vão descer e passar pela propriedade, fazendo isso não há problema, são muito receptivos.

Ferrovia do Vinho abandonada

Ferrovia do Vinho abandonada

Assim, terminando um caminho de 19 km chegamos novamente ao nosso ponto de partida com um enorme sentimento de satisfação em passar por todos estes lugares de tirar o fôlego e que nos fazem perceber que não se precisa de muito para ser feliz, basta sair da zona de conforto e desbravar estes lugares desconhecidos pela maioria das pessoas.

 

Para acompanhar este caminho, veja o vídeo com os principais momentos deste percurso: