Ciclotour Uruguay: Punta del Este até Colonia del Sacramento, Parte 2

Ciclotour Punta del Este até Colonia del Sacramento parte 2

Sexto e sétimo dias: Punta Del Este x Piriápolis

Desta vez, ao contrário da minha última viagem ao Uruguay, tínhamos o tempo ao nosso favor, e como a ideia era curtir, resolvemos ficar por dois dias em Punta Del Este. Aproveitar para dar uns roles ostentação de bike no meio de todo o glamour e sofisticação da praia mais charmosa das terras do Hermano Mujica. E foi exatamente isso que eu fiz no sexto dia. Enquanto o Ricardo ficou aproveitando o camping,  peguei a magrela e fui direto dar um giro até o Puerto de Punta Del Este.

Seguindo sempre pelas Ramblas das praias Brava, El Emir e Playa de Los Ingleses. É um passeio com um visual completamente diferente do que a viagem apresentava até então.  Para quem gosta de barcos, e tem fetiches malucos por veleiros, como é o meu caso, o Puerto é um espetáculo de deixar qualquer criança alucinada. Dá vontade de bater de porta em porta, pedindo emprego embarcado em uma daquelas maravilhas e sair pelo mundo navegando ao sabor dos ventos… (Mutley acorda! Você está sonhado de novo!)

Na volta do passeio, fui tratar de fazer um almoço, já tarde. Depois já de barriguinha cheia, fiquei de papo com o Ricardo e foi nesta hora que chegou mais uma dupla de ciclistas no camping, Gutembergue e Chile, paulistas que estavam na estrada desde Rio Grande e tinham como destino final a cidade de Montevidéu. Ficamos em altos papos e risadas até anoitecer, e depois de um jantar regado a algumas cervejas Patricias de litro, fomos dormir pois no dia seguinte tínhamos que pegar a estrada novamente.

Mais uma vez o plano era sair bem cedo, sendo que o Ricardo saiu na escuridão, tocando por Maldonado para pegar a Ruta Interbalnearea, enquanto eu saí cerca de duas horas mais tarde, com a intenção de seguir pela orla de Punta Del Este, passando pela Playa Brava e Playa Mansa, sempre o mais próximo do mar, ainda que fosse o caminho mais longo pois acreditava que o visual iria retribuir esse esforço extra. E assim foi.

Depois de sair de Punta, já na Ruta Interbalnearia, observando no GPS, encontrei uma rota bem próxima ao mar e ao chegar no entroncamento com essa estrada, perguntei para um senhor que estava ali parado se a estrada era boa e tranquila e a resposta positiva me fez ir para lá direto, saindo da rodovia e seu movimento intenso. Bingo! Logo estava numa estradinha de terra, quase deserta e bem na orla do mar, cheia de subidinhas e decidas gostosas de fazer e com um visual que surpreendia em cada curva. Várias praias com um visual roots típico uruguaio. Fui seguindo sem muita pressa, escutando um som e fazendo algumas fotos. Acho que já de tão distraído com o caminho e acostumando com o sol e o vento contrário, quando percebi, já estava em Piriápolis e fui logo procurar o camping Piriápolis , onde o Ricardo já estava com o seu circo armado. Bebi um pouco de água e tratei de armar a minha tenda, largar minhas tralhas para dentro e só então almoçar e descansar. Acho que duas horas depois, apareceram os nossos camaradas paulistas e novamente fechamos uma roda divertida de papo, causos e risadas… Onde quer que junte um grupo de malucos desta natureza, é risada certa e diversão garantida.

Resumo:

Distância percorrida: 54 kms

Custo da diária camping: 250 pesos

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Oitavo Dia: Piriápolis x Parque Del Plata

Sábado dia 10, céu azul e tempo bom. Acordei bem disposto e ao mesmo tempo sem muita pressa de sair. O destino do dia não estava muito longe, cerca de 50 quilômetros apenas. Como nos dias anteriores, Ricardo e eu, escolhemos estratégias diferentes de chegar ao próximo destino. Optei pelo caminho mais longo, caçando sempre que possível a orla do mar. Mais uma vez o pedal era cheio de surpresas e a cada curva uma paisagem para contemplar.  Segui desta maneira por aproximadamente 15 quilômetros, e logo em seguida, fui obrigado a voltar para a bastante movimentada Ruta Interbalnearea, mas que ainda assim, oferece um belo acostamento que dá muita tranqüilidade e segurança para quem está pedalando. Fui seguindo devagar e sem nenhuma pressa, dando uma paradinha aqui, outra ali, para beber água, beliscar alguma coisa e pensar na vida, nessa coisa da existência humana. Geralmente enquanto pedalo, ou fico cantando um mantra (repetindo uma música mentalmente), ou filosofando sobre as coisas da minha vida, ou ainda, conversando com Deus.

Passando do meio-dia, avistei a ponte que antecede a entrada do Parque Del Plata, faltava localizar o camping que para minha surpresa, estava praticamente no pé da ponte, e ao cruzar, já consegui ver o Ricardo com sua Mini Pack discreta já montada. Saí da ruta e fui direto para o local onde o circo estava armado, bem embaixo da sombra de uma bela árvore. Montei meu acampamento, almocei e como de praxe, dei aquela “jiboiada” forte.

Como estava muito quente, não fizemos outra coisa que não fosse ficar naquela sombra na beira do belo Arroyo Solís Chico até o cair da noite. Falando em noite, essa foi a pior noite para mim, pois o camping fica bem próximo da Ruta Interbalnearia, e devido ao barulho do movimento de carros, não tive um bom sono.

Resumo:

Distância Percorrida: 49 kms

Custo da diária do camping: 250 pesos

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Nono dia: Parque Playa Del Plata x Montevidéu

Como não tinha jeito de dormir bem com o barulho dos carros na Ruta Interbalnearia, acabei levantando bem cedo, antes do sol, e depois de rever o briefing da missão do dia, junto com o Ricardo, que saiu antes de mim, seguindo pela Interbalnearia. Desmontei meu acampamento e também coloquei a bike na estrada, só que seguindo pelo caminho da orla. Era 6:30 da manhã de domingo,  olhando no GPS logo achei uma avenida na orla e para lá segui. Nada de vento contra, temperatura agradável, uma benção para quem tinha tido a pior noite de todas.

Fui pedalando tranquilamente, apreciando o visual da praia até que num dado momento acaba o balneário, e todos os caminhos apontam para a Ruta Interbalnearia que é muito movimentada mas como se tratava de um domingo cedo da manhã, estava bem tranquila. Neste trecho da Interbalnearia, passei por duas placas que proibiam o tráfego de bicicletas, mas como o GPS não mostrava outra alternativa, segui por ali mesmo, cerca de 9 quilômetros sem problemas. Acredito que num dia de semana e num horário de rush, pode acontecer de sofrer alguma abordagem policial, pois já se trata de uma via expressa. Assim que cruzei a ponte sobre o Arroyo Pando, o GPS já me dava algumas alternativas e sem pensar muito, saí da Interbalearia e caí novamente na direção da orla.

Depois de alguns minutos de pedal, localizei o início da Rambla Costanera, uma avenida de 15 quilômetros, já nas cercanias de Montevidéu. Na medida em que avançava rumo ao centro, já começava aparecer pessoas correndo, passeando com seus cachorros e muitos ciclistas. Era o sinal de que já estava dentro da metrópole. Fui curtindo o visual dominical, sempre pela orla e vendo no horizonte na minha frente, os grandes prédios do centro, onde fica a localização do hostel que combinei encontrar com o Ricardo.  Literalmente entrei em Montevidéu pelo cartão postal. Uma praia terminava e começava outra, pessoas na areia tomando mate, jogando bola e sentadas em cadeiras, curtindo um típico domingo de praia e sol. Não poderia ter escolhido dia melhor para chegar!

Seguindo em frente, parei no monumento que tem o nome de Montevidéu em letras gigantes, fiz aquela foto momento turista e tratei de localizar a rota para o Planet Hostel, que fica próximo. Chegando lá, pouco depois das 10 horas da manhã, encontrei o Ricardo que me aguardava e já tinha reservado um quarto para nós.  Depois que quase dez dias dormindo no chão, não seria ruim dormir numa cama. Levamos as tralhas e as bikes para dentro do hostel e fomos descansar um pouco para depois dar um passeio e comer algo.

Já com as baterias recarregadas, pegamos algumas informações no hostel sobre onde comer e a localização da rodoviária, onde pretendíamos passar para ver como estava a questão das passagens de volta para o Brasil.

Depois de fazer um lanche, fomos ver as passagens e ao chegar no guichê da TTL, para ver valores e saber como estava o movimento, fomos alertados pelo atendente que em função das festas de final de ano, poderíamos ter problemas se resolvêssemos comprar a passagem na hora. Diante desta informação, fizemos uma rápida reunião de cúpula onde mudamos um pouco o nossos planos. Resolvemos seguir de ônibus até Colonia Del Sacramento, pois o tempo já estava se esgotando e o caminho até lá não era dos mais atrativos, indo de ônibus, ganharíamos mais dois dias para curtir lá naquela que é a cidade mais antiga do Uruguay.

Tudo acertado, passagens para Colonia Del Sacramente e Porto Alegre compradas, demos mais uma volta pelo belo centro de Montevidéu e retornamos para o hostel para descansar e se preparar para no dia seguinte pegar o ônibus para Colonia.

Resumo:

Distância percorrida: 57 kms

Custo do quarto por pessoa: 600 pesos

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“Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas próprias árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser. Que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”

 Mar Sem Fim – Amyr Klink

Três dias em Colonia

Segunda-feira, depois dez dias de estrada e mais de 400 quilômetros com muito calor e vento contrário, ainda que eu estivesse no meu íntimo com uma sensação de frustração por pegar o ônibus para Colonia, meu lado pragmático dizia que essa era a decisão correta. Ficar mais dois ou três dias apenas no asfalto com vento contra, chegar em Colonia e já ter que voltar não parecia nem de longe algo divertido e também não estava fazendo nenhum desafio.

Montamos as bikes e a carga, nos despedimos da simpática Andrea, a recepcionista colombiana e ciclista que fez com que nos sentíssemos em casa, fomos para o Terminal Três Cruces, onde embarcamos às 11 horas. Depois de pouco mais de 3 horas, chegamos a Colonia Del Sacramento! Coloquei a rota para o camping Los Nogales e seguimos direto para lá.

Depois de montar o circo, comer algo e descansar, peguei a bike sem carga e fui dar um giro até o centro histórico, fazer um reconhecimento. Fiquei de boca aberta com a beleza rústica e o astral da cidade. Foi amor à primeira vista! Mas quando estava no meio do role, veio um temporal de verão e tive que sair correndo, conseguindo chegar até o shopping, onde me abriguei da rápida tempestade. Aproveitei para pegar umas cervejas para o jantar e voltei para o camping.

No dia seguinte, saímos de manhã para dar outra volta. Rodamos pelo centro histórico e depois fomos a Rambla de Las Americas, que tem uma bela orla de praia, onde tem um lindo calçadão com  muita área verde, praia e tudo mais.

Retornamos ao centro, almoçamos e fomos de volta para o camping para dar um tempo e depois, como combinado, no fim de tarde, fazer nosso último passeio até o Puerto de Yates para curtir o pôr do sol, pois no dia seguinte deveríamos voltar para Montevidéu e tomar o ônibus de volta para as terras brasileiras.

Último dia. Um rápido café e logo na seqüência, começamos a guardar as coisas e seguir para a rodoviária, embarcando para Montevideu de onde viajaríamos durante a noite toda para Porto Alegre.

Ao chegar em Porto Alegre, acompanhei o Ricardo até o hotel onde ele aguardaria o seu voo para Curitiba. Depois de uma rápida despedida do amigo, voltei pedalando para em casa.

Foram dias incríveis que deixaram uma certeza: em breve voltaremos!

 

Resumo:

Custos de camping: 260 pesos por dia

Ônibus Colonia x Montevideu: 700 pesos (ida e volta)

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Observações, dicas e truques:

–  O gasto médio diário com alimentação, ficou na casa dos 300 pesos, sendo que em mais de 80% das vezes, fizemos nossas refeições nos acampamentos.

–  Poderíamos ter feio pelo menos dois acampamentos selvagens: em Playa Del Plata e na Laguna Negra.

– Trocar moeda não é problema, em quase todos os lugares é aceito dólar e Real, é preciso apenas estar atento ao câmbio para não sair perdendo. No nosso caso, compramos pesos no Chuy.

– O transporte das bicicletas nos ônibus no Uruguay é bastante tranqüilo, só aqui no Brasil que para evitar dor de cabeça, fizemos uso dos malabikes.

– Para chegar em Montevidéu de boa, é recomendável escolher um domingo para não passar perrengue na via expressa.

– Os motoristas uruguaios são extremamente cuidadosos e cordiais, e quanto as estradas, tanto de asfalto como de terra, estão sempre em ótimas condições. Rodamos 420 quilômetros sem estres. O Uruguay é um paraíso para ciclo turismo.

Duvidas?

Entre em contato que terei o maior prazer em esclarecer.

Realização:

Trupe Adventure Suricatos Hiperativos

“Nossa zona de conforto é selvagem”

Este relato é dividido em 2 partes, para ver  mais acesse:

Ciclotour Punta del Este até Colonia del Sacramento parte 1

Expedição Sentido Litoral 2016

A Expedição de bicicleta Sentido Litoral 2016, aconteceu nos dias 27, 28 e 29 de dezembro, iniciando na localidade de Lajeado Grande/RS com destino final em Torres/RS. Os ciclistas percorreram trechos de estradas de chão, asfalto e algumas áreas de campo no interior de fazendas particulares. Durante toda a expedição previa percorrer cerca de 180 quilômetros de bicicleta.

No evento participaram 36 ciclistas, acompanhados de uma equipe de dez membros, divididos em dois pequenos grupos, organização e apoio. Dentre os ciclistas, dois possuíam Deficiência Visual Degenerativa, Samuel e Carol.

A Empresa Guenoa, juntamente com a Equipe Akatu, uniram forças para realizar a Expedição Sentido Litoral 2016, incluindo também a fabricação de uma bicicleta dupla, adaptada para os participantes Samuel e Carol. A bicicleta conta com suspensão dianteira e traseira, ideal para os trechos e estradas da expedição.

Eu participei da expedição ao lado da equipe organizadora e integrei a equipe de apoio, com o intuito de auxiliar no que era necessário, capturando as imagens e  vídeos para possibilitar aos ciclistas pedalar com cautela e segurança, ao mesmo tempo que podiam curtir e desfrutar das lindas paisagens, sem se preocupar com a cobertura de imagens.

Primeiro dia, Expedição Sentido Litoral:

Partimos de carro em comboio da cidade de Caxias do Sul até a cidade de Lajeado Grande, onde todos os participantes começaram ajeitar suas bicicletas e apetrechos para a aventura. Os equipamentos destinados para pernoitar foram colocados dentro de um caminhão, disponibilizado pela equipe organizadora. O caminhão seguia até os locais de hospedagem e permanecia aguardando a chegada dos participantes. Estes locais foram previamente definidos conforme escolha feita na inscrição pelo participante, com a opção de hotel, pousada ou camping.

Neste primeiro dia, a programação previa o percurso de aproximadamente 60 km de estrada de chão, passando pelo interior de propriedades particulares localizadas entre as cidades de Lajeado Grande e Jaquirana/RS – Brasil.

A dupla de ciclistas Samuel e Carol  possuíam uma desvantagem significativa em relação aos demais participantes em função da deficiência visual degenerativa, entretanto  encararam o desafio com garra e persistência demonstrando muito espirito de equipe, companheirismo, autoconfiança. Desta forma a dupla  se destacou do restante do grupo, e acima de tudo, provou que não se pode pensar que  sonhos são inatingíveis ou impossíveis. Que é preciso  enfrentar as dificuldades e seguir em frente, com pensamento positivo e fé na sua realização, pois o universo se encarregará do exito.

Em alguns trechos do primeiro dia dessa expedição, Samuel e Carol brigaram interruptamente com a bicicleta, em alguns momentos caia a correia da bicicleta, em outros os aros entortavam, faltando aproximadamente 20 quilômetros para terminar o percurso, a bicicleta por eles utilizada teve a suspensão rachada, o que forçou os dois jovens ciclistas a abandonar o primeiro dia da expedição. A equipe de apoio ajudou, levando a bike e os participantes até o hotel.

Na parte da noite, inúmeros participantes uniram suas forças, pensamentos e ferramentas para ajudar no conserto da bicicleta dupla. A ideia foi usar uma nova suspensão e  o aro de uma bicicleta da marca Kona, que foi levada até o local por familiares de Samuel. Após algumas horas, a bicicleta dupla novamente estava montada e ajustada, ou seja pronta para o segundo dia de expedição.

Segundo dia, Expedição Sentido Litoral:

A atividade do segundo dia iniciou cedo pela manhã, por volta das 8 horas os participantes estavam  à postos, com seus equipamentos organizados, bicicletas prontas, café da manhã tomado. Momento propício para capturar a foto oficial do segundo dia e em seguida partir para o percurso mais longo da expedição,  72 quilômetros de muitas subidas e descidas pelos campos e estradas da cidade de Jaquirana/RS até o destino de Praia Grande/SC.

Em todas as expedições, sejam competitivas ou não, sempre se formam pequenos grupos de participantes durante os trajetos, nessa não foi diferente. Havia claramente três  grupos de ciclistas com desempenho distintos. O primeiro grupo, sempre à frente, era formado, ao meu ver, por participantes profissionais de alta performasse. Estes, em alguns trechos mantinham cerca de 6 a 7 quilômetros de vantagem em relação ao último grupo de ciclistas. O segundo grupo, matinha uma velocidade mediana e rítmica, mantendo-se todo percurso entre o primeiro e último grupo. Já o último grupo conhecido como “Pedal Sincero” formado por cerca 10 participantes.

Equipe Pedal Sincero:

Essa equipe é voltada para dar o apoio e a assistência necessária para que  os ciclistas com alguma deficiência possam participar do evento, incentivando desta forma  a prática dessa atividade e visando a integração entre os demais participantes, bem como  ajudando-os a superar suas limitações e dificuldades.

No caso específico da dupla Samuel e Carol, levando em consideração que embora os mesmos possuam deficiência visual degenerativa, a falta de visão não é total,  pois enxergam algumas coisas apenas de forma superficial,  alguns vultos e cores específicas,  a equipe organizou-se da seguinte forma: um ciclista ia à frente tocando um pequeno sino de metal e vestindo uma mochila com capa na cor amarela fosforescente, outros dois ciclistas dispostos um ao lado direito e o outro no lado esquerdo da dupla, e  um ciclista mais atrás mantendo a formação.  Os demais  membros da equipe percorriam o trajeto mais atrás e  se revesavam com o quarteto que acompanhava Samuel e Carol conforme iam avançando na expedição.

Durante boa parte do segundo dia visualizamos as lindas paisagens dos campos de cima da serra, uma visão linda e majestosa, muito verde com o contraste azul do céu mesclado com nuvens brancas que proporcionavam profundidade nas imagens capturadas.

Na tarde do segundo dia a expedição prosseguia coroada de exito, a cada quilômetro percorrido a paisagem ia se transformando, deixando para trás as lindas áreas de campos verdejantes e se aproximando das áreas dos cânions, demonstrando que nos aproximávamos do estado de Santa Catarina/Brasil, Conforme íamos nos aproximando da Serra do Faxinal/RS, a temperatura começou a baixar e o fenômeno viração tomou conta da paisagem, impedindo a contemplação do Cânion Índios Coroados.

O trajeto da Serra do Faxinal é muito sinuoso, com inúmeras curvas acentuadas e muitas pedras soltas.  Em razão da neblina fechada, era quase impossível enxergar  10 metros à frente, por isso todo cuidado era necessário. Após alguns minutos de percurso em declive começou a chover, tornando o percurso ainda mais perigoso, pois além da estrada tornar-se escorregadia o trafego de veículos era intenso.

Após enfrentar todas as dificuldades do percurso, vencer o cansaço suportando todas as viradas repentinas no clima, como heróis os participantes chegaram ao destino final foram recebidos no Hostel Nativo dos Cânions, local de beleza rara, no pé dos Cânions Molha-coco e Índios Coroados.

Terceiro dia, Expedição Sentido Litoral:

O terceiro dia começou nublado e cinzento, caia uma chuva fina, mas isso não impediu os participantes de continuar a pedalada até o litoral. Neste dia seriam realizados aproximadamente 49 quilômetros, aparentemente era o dia mais fácil, pois os trechos seriam por estradas de chão batido e alguns trechos de asfalto, quase todo o percurso não existiam subidas e nem descidas.

Entretanto, como nem tudo são flores em uma expedição, a parte mais difícil desse dia foi passar em meio a grandes plantações de arroz,  havia muito barro, lama e poças de água. Assim,todo cuidado era necessário para não deslizar, sofrer quedas até  alcançar o objetivo de chegar a cidade de Torres/RS, marco final da expedição.

Após completar todos os desafios nos aproximávamos da cidade de Torres, bastava apenas passar pela Lagoa do Jacaré, cruzar a BR 101 e chegar ao destino. Os participantes demonstravam cansaço, porém com a sensação de alívio, a cada pedalada a ansiedade para avistar o mar tomava conta de todos.

A chegada triunfal à Praia da Cal em Torres/RS, emocionou  a todos, pois foram 3 dias de muitas pedaladas, de desafios superados e de luta constante com o clima temperado do Rio Grande do Sul. Ali ficamos por alguns minutos em êxtase, comemorando e tirando fotos, alguns até arriscaram um banho de mar, outros preferiram os chuveiros públicos da praça.

Todas as ocorrências, dificuldades e a própria convivência com o grupo deram um sentido de dever cumprido ao final desta grande aventura a todos os ciclistas, organizadores e apoiadores da Expedição Sentido Litoral 2016.

Certamente essa aventura permanecerá guardada na memória de cada participante e, com certeza deixa um gostinho de “quero mais”.

2017 já está ai,  e mais uma edição desta grande aventura, já está sendo projetada. Sabemos que a Loja Guenoa e a Equipe Akatu estão preparando novas aventuras para este ano. Entre em contato e programe-se para desbravar esse mundo enorme que nos cerca.

Acesse nosso álbum no Flickr para ver todas as fotos dessa aventura, clicando aqui.

Lutz Eichholz o aventureiro monociclista

Você já deve ter ouvido falar de Lutz Eichholz, nascido na cidade de Kaiserslautern na Alemanha, este aventureiro é conhecido por ser campeão mundial por quatro vezes, usando um monociclo.

Lutz gosta de praticar o seu esporte em terreno alpino, sempre à procura de novos obstáculos e desafios. Já percorreu inúmeros lugares ao redor do mundo, dentre todos estes lugares, destaca-se principalmente as montanhas da Malásia, Suíça, Itália, Marrocos, Alemanha, Nova Zelândia, Islândia e Irã onde aqui, realizou um feito inédito. Bateu o recorde mundial descendo a montanha Monte Damavand de 5.671 metros.

Apesar dos enormes problemas com a atitude, lesões e a instabilidade da equipe e do tempo entre 40° e -7° célsius, Lutz Eichholz foi incrível, batendo o recorde de descida da montanha. Nunca antes alguém com um monociclo tentou descer uma montanha tão alta.

“Em alguns pontos eu me senti tão ruim que eu pensei que teria que desistir. No entanto, este projeto é tão importante para mim que eu consegui superar meus limites ainda mais do que o esperado “. Lutz Eichholz

Lutz Eichholz

Sua última aventura aconteceu no deserto mais seco do mundo, o Atacama, no Chile. Juntamente com o montanhista Tobias Kleckl e sua namorada Giulia Tessari o objetivo era escalar uma montanha de 6000 metros em Passo San Fransisco e depois descer usando seu monociclo.

Eles tentaram 4 vezes, mas cada vez falhava algum de seus equipamentos, devido à natureza áspera da região. Depois de tantas tentativas Lutz e seus amigos entenderam que não era o momento certo.

Enquanto estava ali a mais de 4000 metros, Lutz encontrou a inspiração para um novo objetivo: encontrar a linha perfeita no deserto de Atacama. subiu então no seu monociclo e começou a decida, enquanto ele descia, Giulia capturava as belas imagens e vídeos com sua câmera e o resultado é um filme impressionante chamado de”La Linea Perfecta”(A linha Perfeita).

Para saber mais sobre as aventuras de Lutz Eichholz, acesse sua pagina na internet, através deste link.