Expedición Guaraní

Expedición Guaraní 2019

A Expedición Guaraní é uma corrida criada por e para corredores de aventura. Portanto, o objetivo principal da organização do evento foi realizar uma prova técnica e exigente para as equipes líderes, mas também dinâmica e acessível para os mais lentos.

As rotas foram cheias de contrastes, pois percorreram terrenos muito variados, como montanhas, matas, rios sinuosos…na região de Itapúa no Paraguai.

“A Expedición Guaraní nasceu em 2014, da ideia de Gustavo Borgognon de fazer uma prova de nível mundial em seu país. Me “associei” a ele e em 2015 foi realizada a primeira edição.” comenta Urtzi Iglesias Mota, diretor técnico da prova.

A prova é uma corrida de aventura em que diferentes modalidades esportivas são combinadas. Mountain biketrekking, natação, caiaque e orientação foram as principais na EG 2019.

Os participantes percorreram cerca de 500 quilômetros em alguns dos locais mais bonitos do Paraguai durante os dias 30 de março e 06 de abril. Navegaram por rios sinuosos; embora o país não tenha montanhas altas, eles chegaram a alguns dos picos mais altos do Paraguai. Pedalaram e correram centenas de quilômetros por trilhas e estradas de areia e lama; e escalaram locais de uma beleza surreal.

Ano passado contei aqui um pouco do que a equipe Columbia Montrail, composta pelo casal brasileiro Camila Nicolau e Guilherme Pahl, pelo inglês Nick Gracie e pelo espanhol Jon Ander Arambalza; enfrentou durante 81 horas para se sagrar a grande campeã naquele ano.

Neste ano conto a história dos grandes amigos Silvana Menegon, Charles Pierre Silva, Douglas Kroetz e Jonas Junckes, que compuseram a equipe Lagartixa Adventure.

Créditos: Ralphie Zotti

Os quatro atletas já haviam participado da Expedición Guaraní, Jonas participou de todas as edições anteriores. Silvana, Charles e Douglas fizeram a sua segunda participação e embora todos sejam da mesma equipe, está foi a primeira competição que correram nesta formação.

O caminho até a Expedición Guaraní…

Após um ano repleto de muitas provas, a equipe Lagartixa Adventure se sagrou campeã no Circuito Brasileiro Spot de Corrida de Aventura 2018 e garantiu vaga para a etapa do mundial no Paraguai, a Expedición Guaraní.

Silvana relata que a prova começa bem antes da corrida em si. “Poucos dias de descanso após a última etapa do Circuito Brasileiro iniciamos os treinos focando o Guaraní. A formação da equipe seria: Jonas, Japa, Alexandre e eu.

Porém, na primeira etapa do Circuito Brasileiro (Kraft Race) o Japa rompeu os ligamentos do tornozelo e o Douglas foi escalado para substituí-lo. Na segunda etapa (Gralha Azul) o Alexandre contraiu leptospirose e o Charles foi escalado para substituí-lo duas semanas antes da prova.”

As duas semanas que antecederam a prova foram de muitos preparativos, estudo de logística e testes. Como a prova teria cerca de 5 quilômetros de natação, o plano da equipe era levar o Packraft jogar tudo dentro, saltar os quatro atletas para dentro e remar com palmares.

“Estávamos muito animados, porém no último informativo descobrimos que nosso plano foi em vão, pois o Packraft foi proibido. Outras logísticas, outros planos…e vamos lá!” relembra Silvana.

Viagem até o Paraguai…

Quarta-feira (27/03/19), Silvana, Jonas e Charles se direcionaram até a casa do Douglas para na madrugada de quinta partirem em direção a Assuncão no Paraguai.

Já nos primeiros quilômetros um pneu cortado. Logo adiante, já na Argentina a equipe seguiu por um caminho errado e perderam algum tempo retornando para o trajeto certo. Mas…após alguns percalços e 18 horas de viagem, às 23h50min finalmente chegaram ao Resort Yacht.

A prova…

A prova teria cerca de 500 quilômetros. Com dois pontos bastante desgastantes segundo a equipe, um trekking de 94 quilômetros e uma canoagem de 120 quilômetros.

Expedición Guaraní
Expedición Guaraní 2019 – Dia 1

Foram incansáveis 110 horas de prova, passando por trilhas, planícies, cerros, cruzando lago a nado, remando…Tivemos uma navegação precisa, conseguimos andar junto por três dias com uma das melhores equipes do mundo (Columbia Vidaraid), lembrando que essa prova era uma etapa do mundial. Jamais, desde a largada abandonamos o posto de segundo colocado e a cada transição a vibração do povo e dos Staffs nos contagiava. […] publicou em suas redes sociais o atleta Charles, da equipe Lagartixa Adventure.

[…]Enfretamos um trekking durríssimo de 94 quilômetros em 52 horas, quase que a metade da prova só nele. Nos machucamos, um espinho atravessou meu dedo de um lado a outro, Silvana teve 6 picadas de vespa na face, Douglas teve uma forte queda (fugindo das vespas); fora outros ferimentos conquistados a cada quilômetro. continua Charles.

A conoagem…

Por volta das 00h30min da sexta-feira a equipe Lagartixa Adventure iniciou o trecho de 120 quilômetros de canoagem. Segundo eles foram intermináveis horas remando e remando…

“Quando veio o final da tarde, algo estranho estava acontecendo…Parecia que já havia terminado a corrida! Eu estava num sonho, somente vendo a cabeça da Sil com o capuz do anorack…

Eu chamei pelo Charles para tentar tocar nele e no Douglas para ver se era real o que estava acontecendo. E logo que toquei neles, começei um choro intenso. Já não sabia mais onde eu estava! Passei a responsabilidade de navegar ao Douglas e ele rumou por mais uns 10 quilômetros, e eu ali quase sem reação, remando por uma hora ou mais.

Em seguida veio um aviso de que iríamos parar na margem do rio, para nos aquecer. Fui retirado da água pelo Charles e pela Sil, Douglas fazia o fogo. O vento batia e eu tremia e me batia também…” relembra emocionado Jonas. Neste ponto da prova o resgate foi acionado e a Expedición Guaraní 2019 acabou para a equipe Lagartixa Adventure.

“Falar de vitórias é muito fácil, ter que abandonar a prova faltando 10km de canoagem dos 110km já percorridos, foi uma decisão mais fácil ainda, pois estava em jogo a vida de um parceiro nosso, um cara que se doou demais nessa prova e talvez tenha pagado o preço. Três míseras horas de sono nesse período inteiro fez nosso colega alucinar, confundir-se mentalmente até uma crise de hipotermia. Procuramos uma margem segura e ali iniciamos os procedimentos de cuidado e resgate. A organização foi impecável a partir do momento que foi acionada e no final deu tudo certo.
Tristes com o resultado? Nada, ter ajudado nosso atleta a sair desse quadro foi a maior conquista, aliado ao reconhecimento de todo público local, corredores, organização, familiares, pessoal que acompanhava on line e uma conversa pós prova com Camila Nicolau e Guilherme Pahl, ídolos das corridas de aventura, nos motivaram ainda mais.” resume o corredor Charles.

Expedición Guaraní no Paraguai foi a segunda etapa do Campeonato Mundial de Corrida de Aventura 2019, e segundo o relato de diversas equipes presentes foi também a mais difícil na história de 5 anos desta corrida.

Os lugares do pódio foram tomados por atletas do Brasil, Uruguai e Paraguai. Outras nacionalidades que tomaram parte foram Espanha, EUA, México, Reino Unido, Equador, Colômbia e Argentina.

Vale Europeu

Circuito de Cicloturismo do Vale Europeu/SC

Conhecendo o Vale Europeu de Cicloturismo

Vale Europeu é o primeiro circuito brasileiro, pensado e organizado para o cicloturismo, hoje uma realidade consolidada cuja fama atrai pessoas de todas as partes do país e até do exterior. Dependendo no roteiro escolhido, percorre-se seus mais de 300 km’s em aproximadamente uma semana, através de uma das regiões mais belas do estado de Santa Catarina – Brasil

Situado no Vale do rio Itajaí, o circuito inicia em Timbó e segue para Pomerode, e em sequência o roteiro clássico orienta na direção de Indaial, Ascurra, Apiúna, Rodeio, Benedito Novo, Dr. Pedrinho, Rio dos Cedros(Alto Cedros e Palmeiras).

O circuito Vale Europeu sempre priorizando o percurso por estradas secundárias, de baixa movimentação de veículos, e cuja beleza cênicas  naturais presenteiam o tempo todo com belas imagens quem se propõem a realizar esta jornada.

São pequenos rios, cachoeiras, a fauna e flora típicas da mata atlântica e dos campos de araucárias. Em cada povoado ou cidade é fácil apreciar a arquitetura típica com algumas construções centenárias muito bem conservadas, além disso, conhecer aspectos culturais e ser muito bem recebido pela hospitalidade da nossa gente tranquila do interior, e é claro, como não poderia deixar de ser,  provar da sensacional gastronomia local.

O circuito Vale Europeu inicia no centro de Timbó, exatamente junto ao restaurante Thapyoka, onde é feita também a inscrição no circuito por um pequeno valor que dá direito a receber um mapa da região, um guia do roteiro, com planilhas de orientação e altimetria, e ao final do circuito, um belo certificado de conclusão do circuito para ter como recordação.

A viagem

Por meados de maio do ano passado comecei a procurar um roteiro de viagem de bicicleta para fazer no inverno pois queria muito testar alguns equipamentos novos e também ter a experiência de pedalar com a bicicleta carregada no frio. Já tinha ouvido falar do Vale Europeu, através do meu amigo Ricardo Tavares, que havia realizado o circuito na primeira edição, isto a mais de dez anos atrás. Por conta desta conversa com meu amigo e também pela facilidade da logística, abracei a ideia de realizar a viagem.

Entrei em contato com meus parceiros de aventuras e apenas o Bruno Guimarães, que mora em Floripa, se interessou em fazer o Vale Europeu. Após uma rápida conversa por telefone, organizamos o pequeno desafio no mês de junho. Ajustamos a logística de transporte, as bicicletas, a lista de equipamentos e definimos o dia 8 de junho para pegar a estrada.

No nosso plano a ideia era, além de conhecer a região fazendo o circuito do Vale Europeu da maneira mais “roots” possível, acampando selvagem/camping’s estruturados e também fazendo todas as refeições com nossos equipamentos de cozinha.

Primeiro dia – Vale Europeu

Acordamos bem cedo, ainda escuro e às 6 horas da manhã, iniciamos a viagem de carro, saindo de minha casa em Imbituba, com destino ao ponto zero do circuito, na cidade de Timbó.

Vale Europeu

Por ser um dia de semana, perdemos muito tempo na região da grande Florianópolis/SC onde o trânsito é sempre muito complicado. Isto nos atrasou em mais de duas horas, fazendo com que chegássemos em Timbó quase ao meio-dia.

Sabendo que teríamos poucas horas de luz solar, tratamos de acelerar as coisas. Localizamos um lugar seguro para deixar o carro, corremos para o Thapyoka para formalizar nossas inscrições e feito isso, subimos nas bicicletas e seguimos a rota que estava carregada no GPS com destino a cidade de Pomerode.

Por conta da preocupação com o horário, não paramos para almoçar, tocamos direto e não demorou muito para darmos de cara com a primeira subida forte do circuito. Um bom teste para saber como estava meu preparo físico e também para ver em ação os equipamentos novos da bicicleta.

Foi neste momento em que o Bruno me alertou que o cambio traseiro da minha bicicleta estava muito próximo dos raios da roda. Ao parar para verificar, constatei que a gancheira (peça que fixa o câmbio traseiro) estava empenada para o lado de dentro, problema complicado que certamente aconteceu durante o transporte no carro. Não tendo como remediar ali, decidi seguir em frente tendo todo o cuidado de não usar as marchas mais leves, para não correr o risco de ver o câmbio traseiro se enroscar com os raios da roda e aí sim, ter uma grande dor de cabeça. Com esta situação, a solução foi rodar com 15 marchas apenas. Dureza!

Seguimos em frente sem mais surpresas e sempre por um belo caminho em meio ao Vale Europeu, e ao passo que nos aproximávamos de Pomerode, começamos a procurar algum lugar para acampar selvagem, mas sendo a região bastante povoada, não encontramos nenhum lugar legal e seguro.

Chegamos na cidade com o cair da tarde, e sem enrolar, fomos num posto de combustível para perguntar onde poderíamos encontrar uma pousada boa, bonita e barata para pernoitarmos, pois sabendo que o Circuito é para todos os bolsos, não era o nosso plano gastar muito numa diária de pousada. Recebemos a recomendação da Pousada Luiza, que ficava do outro lado da cidade e para lá tocamos sem parar, já no início da noite.

Ao chegar, fizemos nosso check in, descobrimos que não tinha café da manhã, mas até aí tudo bem, pois estávamos equipados e com alimento para as refeições. Após um banho demorado, fomos para a pequena cozinha da pousada e preparamos nosso jantar, conversamos um pouco e com o cansaço batendo, sem demorar fomos dormir.

Dados do dia:

  • Distância: 48.8 km
  • Ganho de Elevação: 570 m
  • Perda de Elevação: 565 m
  • Custos de hospedagem: R$ 50,00, sem café da manhã;

Segundo dia – Vale Europeu

Acordamos por volta das 7 horas, o dia estava bom e a temperatura agradável, preparamos o nosso café, montamos as tralhas nas bikes e seguimos para o pórtico de informações turísticas na estrada da cidade, para carimbar nossos passaportes do circuito do Vale Europeu pois no dia anterior, quando chegamos, o pórtico já estava fechado. Aproveitamos também para pegar algumas dicas e fazer uma foto para recordação e “bola pra frente”! Próxima parada: Indaial.

Efetivamente começamos nosso pedal deste dia quase às 11 horas, porém tranquilos pois nosso próximo destino estava próximo, algo em torno de 40 km’s.

Logo que sai da cidade, o caminho fica muito tranquilo. São pequenos sítios, casas, alguns pequenos povoados com igrejas, tudo no estilo alemão. Muito verde e ar puro.

Depois de mais de 23 km’s rodando nessas condições, chegamos novamente no asfalto. É a movimentadíssima SC 421, onde é preciso pedalar no acostamento cerca de 1 km para cruzar para o outro lado e aí então voltar para a tranquilidade.

Como já era praticamente meio-dia, decidimos parar no posto de combustível que fica localizado neste trecho da SC 421. Pedimos para os frentistas se poderíamos usar um cantinho numa sombra que tinha um murinho que servia perfeitamente como banco e fomos autorizados.

Vale Europeu

Agilizamos rapidamente uma super polenta com linguiça calabresa e dois litros de tang para hidratar.

Ficamos parados quase duas horas. Afinal, depois do almoço sempre cai bem uma “siesta” na sombra,

Por volta das 13:45 retomamos nossa jornada rumo a Indaial, que pelos nossos cálculos, chegaríamos em mais duas horas, rodando bem devagar para apreciar o visual e não se cansar.

Ao chegar na movimentada Indaial, fomos procurar uma bicicletaria pois o Bruno estava sem câmara de ar de reserva.

Resolvida essa questão técnica da bike do Bruno, demos uma voltinha pela cidade, seguindo adiante procurando um lugar para parar para um lanche da tarde e seguir em frente pois a nossa ideia era sair um pouco da cidade e localizar um lugarzinho tranquilo para acampar.

Rodamos, rodamos e nada. A região é muito habitada e não conseguimos encontrar um lugar bom. Neste momento, por volta das 17 horas, decidimos tocar para Rodeio, percorrendo uma distância de vinte e poucos quilômetros. Era tentar a sorte de encontrar um lugar bom para acampar por lá, um pouco antes da entrada da cidade.

Vale Europeu

O fim da tarde chegava rápido e como era quase inverno, escurece cedo e, por volta das seis e meia da tarde, bem na hora do rush, alcançamos movimentadíssima BR 470, onde teríamos que pedalar por quase 2 kms para chegar na cidade de Ascurra.

Neste trecho procuramos andar o mais rápido possível para sair daquele agito de trânsito pesado e entrar logo na cidade.

Como já estava escuro, passamos batido por Ascurra, seguindo nosso plano de tentar encontrar um local de acampamento neste trecho entre Ascurra e Rodeio. Sem sucesso.

Não demoramos para chegar em Rodeio que fica por volta de 5 kms de Ascurra e vendo nosso plano infalível falhar, fomos novamente num posto de combustível perguntar sobre pousadas na cidade. Os frentistas nos indicaram ao menos duas, sendo que na primeira que tentamos, como era dia de semana, estava fechada. Voltamos todo o caminho que tínhamos percorrido e após confirmar a localização da outra alternativa, tocamos para lá correndo pois a temperatura estava bem baixa e o cansaço começara a bater. Na segunda tentativa deu certo, estávamos salvos! Kkk

Chegamos na excelente Hospedaria Cama Café Stolf, onde pegamos um ótimo quarto e após um merecido banho quente, numa rápida conversa com a dona da pousada pedimos para usar a cozinha, e tendo o sinal verde, tratamos de fazer o nosso jantar e conversar um pouco antes de capotar na cama.

Dados do dia:

  • Distância: 75.5 km
  • Ganho de Elevação: 759 m
  • Perda de Elevação: 737 m
  • Custos de hospedagem: R$ 70,00, com ótimo café da manhã

Terceiro dia – Vale Europeu

Acordamos no horário de sempre, por volta das 7 horas, estava frio, no termômetro marcava 6 graus.

Arrumamos nossas coisas e só depois de deixar as bicicletas prontas, fomos tomar café.

Ao sairmos do nosso quarto, demos de cara com outras bicicletas, que eram de um pequeno grupo que estava fazendo o circuito porém com apoio. Na hora que o grupo apareceu, ficaram espantados, nem tanto pela carga nas nossas bicicletas, mas pelo fato de naquela friaca, tanto eu quanto o Bruno, estarmos de bermuda de ciclismo. Sim, estava frio, mas nós aqui do sul, estamos um pouco acostumados com isso e também sabíamos que com o decorrer das horas, a temperatura iria subir. Ainda assim, foi muito engraçado ver a cara da turma, principalmente as caras de espanto de um casal que era do Recife…kkk

Depois de tomar um generoso café e comer ao estilo “como se não houvesse amanhã”, resolvemos encarar a friaca que vinha junto com uma neblina densa e úmida.

Após sair da cidade, começa uma longa e quase constante subida em estrada de terra, que naquele momento e com aquela temperatura, vinha bem a calhar para aquecer o corpo.

Não demorou muito e alcançamos o famoso Caminho dos Anjos. Um conjunto de esculturas que como o nome sugere, representa anjos celestiais, e que naquele instante com a bruma densa da neblina, dava um ar de misterioso e mágico para aquele lugar singular e muito bonito.

Vale Europeu

Paramos alguns instantes na praça central do Caminho dos Anjos para tomar água, recuperar o fôlego e conversar com alguns jipeiros que estavam por ali e que ficaram curiosos ao nos verem com as bicicletas carregadas.

Por conta do frio, e a neblina seguir escondendo o sol, não demoramos muito tempo parados, pois não seria uma boa esfriar o corpo naquele momento. Tocamos em frente, morro acima. Para o alto e avante!!! Kkk

Como já dizia um antigo ditado da nação aborígene mountain biker:  “tudo que sobe, desce”, por volta das 11 horas, as coisas mudaram. Aquilo que antes era subida e neblina, se tornou uma longa descida e com um sol bastante agradável.

Passamos batidos pelo caminho que leva para a Tirolesa K2mil (a maior das Américas), pois não era nosso objetivo visitar este tipo de atrativo nesta nossa primeira incursão por aquelas bandas. Nós queríamos mesmo era rodar no estradão de terra, parar só para comer, descansar e se a sorte nos abençoasse, encontrar um lugar bacana para acampar selvagem.

Por volta das 13 horas, chegamos numa pequena localidade no município de Benedito Novo, onde aproveitamos para nos reabastecer de água apenas, decididos não parar naquele momento para almoçar.

Após um descidão bacana para testar suspensão, freios e a fixação da bagagem… kkk, chegamos na bifurcação que leva para a Pousada Campo do Zinco. Aproveitamos aquele momento para uma rápida parada e mastigar alguma coisa e seguir na outra direção, rumando para o centro de Benedito Novo.

Não demoramos muito para encontrar com o belíssimo Ribeirão Liberdade  que segue paralelo com a estradinha de terra. Esse foi um dos pontos altos para mim. A cada instante a estradinha nos presenteava com vistas muito bonitas do rio e do verde em seu redor.

Embora fosse cedo para parar, ativei meu radar para tentar localizar um lugar bacana para acampar antes da cidade, pois meus instintos diziam que era alí ou nunca..kkkk

Seguíamos bem devagar, curtindo o visual quando percebi uma pequena prainha no meio do ribeiro, com um enorme bambuzal. Imediatamente parei e fui investigar. Era como uma pequena ilha de pedras, bambus e com algumas clareiras.

Bingo! Após rodar apenas 31 kms e às 15 horas finalmente um lugar perfeito para acampar. Sem cerca, longe de casas e escondido de quem passa na estrada. Bastava apenas descer um barranco, atravessar as bicicletas empurrando com cuidado pois, embora raso, o fundo do ribeiro era muito irregular por ter muitas pedras soltas.

Escolhemos o lugar para montar as barracas e logo em seguida, fomos tratar de coletar e tratar a água para nos reabastecer e cozinhar nosso almoço/jantar.

Ao cair da noite, fizemos uma segunda refeição ao redor do fogão à lenha do Bruno e ficamos curtindo o momento com uma conversa divertida iluminada apenas pelo fogo e ao som dos grilos, sapos e outros moradores do lugar.

Vale Europeu

Esse era o grande momento que procurávamos. Ficar numa pousada com todo o conforto que se tem em casa é muito bom depois de um dia de pedal, mas abrir mão destas comodidades e em troca ganhar uma noite tranquila, com um fogo iluminar e aquecer no friozinho, céu estrelado, tendo a trilha sonora dos sons das águas e da bicharada ao redor, é uma coisa que pouca gente compreende,  mas para nós, sempre faz todo o sentido. Não e verdade?

Dados do dia:

  • Distância: 31.3 km
  • Ganho de Elevação: 934 m
  • Perda de Elevação: 600 m
  • Custos de hospedagem: R$ 0,00, Hotel um milhão de estrelas.

Quarto dia – Vale Europeu

O dia amanheceu nublado, sendo que durante a noite até caiu uma chuva fraca que não nos afetou pois montamos o acampamento em meio ao bambuzal.

Preparamos nosso café da manhã reforçado e sem muita pressa desmontamos o acampamento, deixando para montar as bagagens nas bicicletas só depois de atravessar o ribeiro e subir o barranco para voltar à estrada.

Retomamos nosso pedal pouco antes das nove horas da manhã e não demorou muito para perceber que a decisão do lugar de acampamento da noite anterior estava correta. Começaram a aparecer cercas, casas, sítios, cachorros e o belo ribeiro desapareceu.

Com uma hora de pedal, e após percorrer aproximadamente 12 kms, chegamos ao centro do município de Doutor Pedrinho e fomos logo procurar um mercado para reabastecer nossas provisões e cair com tudo no meio das gordices e porcarias açucaradas, pois sabíamos que dali para frente, na parte alta do circuito, praticamente não existe comércio nenhum.

Como era domingo, estava tendo uma prova de MTB, tipo cross country e foi engraçado, pois num dado momento aparecemos no meio do pelotão, ou melhor, o pelotão nos alcançou e foi muito divertido a galera cumprimentando e fazendo brincadeiras com a gente.

Aproveitamos também, já que havia um posto de controle da prova na cidade, para nos informar do caminho para o nosso próximo destino: Alto Cedros. Existem duas alternativas, a primeira que é via Gruta de Santo Antônio, que está ok e sinalizada e a segunda, via Cachoeira Véu de Noiva, um pouco mais longa e que por conta de uma obra na estrada não está sinalizada e momentaneamente fora do roteiro oficial. Após sabermos das condições da estrada em obras, e também por estarmos com o circuito carregado no nosso GPS, decidimos explorar o percurso da estrada em obras por ser mais roots e desafiador. Kkkk

Por volta das 11 horas, depois de carimbar nossos passaportes na Pousada e Hotel Dona Hilda, onde fomos muito bem recebidos com um delicioso café quente totalmente grátis, tomamos o nosso rumo num ritmo moderado pois sabíamos que esse seria um dia com muitas subidas.

A estrada não estava tão ruim, pois a obra já estava na fase de compactação do rípio com algumas poucas partes necessitando de mais atenção com a brita solta.

Logo que começa a subida, avistamos a placa que indica o mirante da cachoeira que dá nome a este trecho do circuito. Tentamos acessar a mesma, mas como havia uma porteira fechada, desistimos pois não tinha como chegar até a queda d’água com as bicicletas e deixar as mesmas na porteira não pareceu naquele momento uma boa ideia. Tocamos em frente.

A subida forte exigia bastante, e no meu caso, um esforço um pouco maior por conta do problema da gancheira empenada, que fazia ter de usar apenas cinco das oito marchas do cassete.

Este é o trecho menos povoado do circuito, e o que se tem pelo caminho são fazendas de gado e muitas plantações de pinus e eucaliptos. Não é um visual dos mais bacanas inicialmente, mas na medida em que se anda, a coisa melhora com as primeiras descidas que dão um pouco de adrenalina na brincadeira.

Ainda neste trecho, podemos dizer que é aqui a região mais fácil de acampar selvagem em meio aos pinos e eucaliptos ou até mesmo dormir numa casa abandonada com ar de filme de terror. Alguém curte essa última opção? Kkk

Depois de rodar mais um bom bocado no meio deste trecho, lá pelas tantas percebo que o Bruno ficou para trás… parei e como ele não apareceu, voltei um pouco e logo encontrei ele, com o pneu furado. Era a segunda vez que aconteceu, a primeira vez foi comigo no primeiro ou segundo dia da trip, não recordo bem.

Para tudo, desmonta a bicicleta, troca a câmara de ar e bola para frente!

Vale Europeu

Depois de umas duas horas de muito sobe e desce, finalmente avistamos a placa que informa que estamos chegando em Rio dos Cedros e logo em seguida, num descidão, reencontramos com o grupo de ciclistas que conhecemos em Rodeio, que estavam chegando também quase juntos, porém via Gruta de Santo Antônio.

Cumprimentamos o pessoal e como ali estava complicado acampar selvagem pois para todo lado que se olha só se vê propriedades particulares. Então fomos em frente com eles até a beira do lago, onde eles ficaram de encontrar o Sr. Raulino, proprietário da Pousada da Família Duwe.

Não demorou muito e avistamos um barquinho cruzando o lago, e no remo, o Sr. Raulino. Como o pessoal já tinha reserva, eles foram primeiro, enquanto eu e o Bruno, pensávamos em alguma opção de camping.

Quando o Sr Raulino retornou para falar conosco, perguntamos para ele se havia algum camping pago aí nas proximidades e junto com uma negativa, ele já foi oferecendo o jardim da pousada para acampar e dizendo que podíamos usar um banheiro para tomar banho. No mesmo instante concordamos e de pronto Sr. Raulino já foi organizando nossas coisas no barco e enquanto fazia a travessia, ele comentou que iria chover na noite e se a gente quisesse, podíamos montar as barracas na garagem de um dos chalés. Nossa! Perfeito. Mas não parou aí, de imediato ele nos autorizou a usar a cozinha do chalé para fazer nossa janta. Nossa! Parte dois – Me belisca que eu estou sonhando! Em outras palavras, acampamos na garagem de um chalé só para nós.

Mas vocês pensam que a as surpresas acabaram aí? Nada! Já na noite, quando estávamos à mesa, jantando, conversando e olhando o mapa, aparece na porta o Sr. Raulino com duas tigelas com uma sobremesa de encher os olhos e como o Bruno estava impedido de comer doce, fiquei com as duas tigelas para mim. Pense numa criança que foi dormir feliz.

Vale Europeu

Dados do dia:

  • Distância: 50,9 km
  • Ganho de Elevação: 973 m
  • Perda de Elevação: 715 m
  • Custos de hospedagem: R$ 25,00, camping indoor na garagem e com sobremesa.

Quinto dia – Vale Europeu

Acordamos no mesmo horário de sempre e a chuva que estava sendo aguardada para a noite, não aconteceu. Tomamos nosso café reforçado, e aceleramos em desmontar as coisas e guardar tudo nos alforges para sermos os primeiros na travessia de barco.

Com um sol tímido e temperatura agradável, após tirar algumas fotos do Sr. Raulino fazendo a travessia com a galera, começamos nosso quinto dia de pedal, num ritmo moderado pois seria mais um dia com bastante subidas, sendo que neste dia existe duas opções de caminho: Via Mergulhão ou via Pedra Preta.

Perguntei para Sr. Raulino qual caminho ele achava mais bonito e seguindo a sua dica, tomamos o rumo mais longo, via Pedra Preta.

O dia bonito e a paisagem local eram uma combinação que animava bastante apesar do cansaço acumudalo de quatro dias de muitas subidas, mas a receita para não “quebrar” nesta hora é tocar num ritmo despacito, curtindo o momento e apreciando a paisagem repleta de araucárias.

Por volta do meio-dia, ao avistarmos um banco debaixo de uma árvore junto de um lago, decidimos parar para preparar nosso almoço e descansar um pouco. Ficamos parados uma hora.

Retomando nosso plano de voo seguimos em frente e após rodar 9 kms, avistamos a placa da Cachoeira Formosa e no mesmo instante lembrei das dicas que a Franciele Tais, ciclo viajante do Projeto Válvula, tinha me dado alguns dias antes da viagem. Ele recomendou muito conhecer a cachoeira e assim o fizemos.

Entramos na estradinha da fazenda que leva direto para o camping da Cachoeira Formosa.

Vale Europeu

O local estava completamente vazio, mas ao chegar na área de estacionamento, avistamos as bicicletas do grupo de ciclistas que seguiam no mesmo trecho que nós.

Fomos conhecer os dois mirantes, apreciar a beleza do lugar e fizemos algumas fotos e antes de seguir, tomamos um refrigerante para dar uma refrescada. Sem muita demora retomamos o pedal.

Após uma última subida, a coisa finalmente melhorou e começamos a descer direto quase o tempo todo até chegarmos ao belíssimo e muito bem cuidado Camping Península Palmeiras, nosso destino final para aquele dia.

Enquanto ninguém do camping aparecia, aproveitamos para tomar mais um refrigerante na lanchonete que tem ao lado da portaria do camping e não tardou muito para o dono nos receber, abrindo a porteira e dizendo que podíamos acampar em qualquer lugar, e como o camping estava vazio, excepcionalmente nos autorizou a organizar nossas barracas numa área coberta com churrasqueiras, mesa, pia e luz elétrica. Tudo nosso! Que beleza!!!!

Com o acampamento devidamente montado e de banho tomado, fomos apreciar o cair da tarde na beira do lago da barragem do Rio Bonito.

Vale Europeu

Foi um belo final de tarde de temperatura agradável, sem vento e nenhum barulho.

Um sentimento de paz e gratidão é a maior recordação que tenho agora ao descrever aquele momento que sem exagero, foi maravilhoso.

Ao escurecer, voltamos para nosso acampamento, fizemos o jantar e após uma rápida revisão nas bicicletas, fomos dormir.

Dados do dia:

  • Distância: 45.8 km
  • Ganho de Elevação: 811 m
  • Perda de Elevação: 840 m
  • Custos de hospedagem: R$ 20,00 – Camping.

Último dia no Vale Europeu

Mesma rotina dos dias anteriores porém neste manhã, demoramos mais que o normal para sair. Creio que um pouco pelo cansaço acumulado e também por ser o último dia da nossa viagem.

O céu nublado e a previsão de chuva nos deixavam em estado de alerta, mas como até aqui todas as previsões de chuva deram erradas, não estávamos colocando fé que iriamos nos molhar justo no último dia. Ledo engano.

Enquanto seguíamos nosso caminho praticamente plano por cerca de 20 kms, a chuva começou a se manifestar na forma de chuvisqueiros rápidos que iam e vinham, porém aumentando de intensidade a cada momento que passava.

Depois de uma pancadinha mais forte, numa descida, avistamos uma ponte coberta e corremos para lá pois o céu escuro mostrava que não tardaria para chegar uma pancada de chuva forte. Foi apenas o tempo de chegar na cobertura e desabou uma chuvarada bonita.

Como eram mais de 11 horas, e já tendo rodado quase a metade da distância para o dia, decidimos aproveitar a proteção da cobertura da ponte, que está interditada para carros, para fazer um almoço e esperar o tempo melhorar.

Vale Europeu

Uma hora e meia depois o tempo melhorou e voltou o sol, e estando nós alimentados, retomamos nosso pedal pelos últimos trinta e poucos quilómetros finais.

Ainda tinha a última subida, que na minha opinão, ainda que não fosse a maior, foi sem dúvidas a mais difícil e íngreme, em um intervalo de 5 kms, aproximadamente.

Vencida a última montanha, parecia que agora as coisas seriam tranquilas, no entanto, ao olharmos do alto na direção do vale onde fica a cidade de Timbó, a coisa não estava nada animadora. Céu escuro, totalmente fechado e com nuvens despejando água.

Preparamos o psicológico e começamos a descida de mais de 20 kms na certeza de que cedo ou tarde seríamos agraciados com aquela ducha grátis. Não deu outra.

No meio da descida a chuva nos pegou com tudo, e isso fez com que, por cautela, reduzíssemos nossa velocidade no meio daquela estrada que agora era barro e lama, com alguns trecho de descidas bastante fortes… era o tempo todo com as mãos “nos alicates” para não deixar o trem sair dos trilhos.kkk

Chegamos na área urbana de Timbó debaixo de muita chuva e lama, mas graças aos últimos quilômetros com calçamento, a água removeu toda a lama das bicicletas e das roupas. Estávamos totalmente ensopados, da cabeça aos pés e só não estávamos com frio por conta de estarmos em movimento.

Quando chegamos no ponto final, no restaurante Thapyoka, por volta das 15 horas, chovia muito mesmo e achamos melhor não entrar lá dentro para pegar nossos certificados de conclusão do circuito dado o nosso estado lastimável que lembrava cachorros de rua encharcados.

Vale Europeu

Chamamos a moça da recepção que gentilmente levou nossos passaportes para dentro e em alguns minutos voltou com nossos certificados personalizados. Uma bela recordação para guardar do Circuito do Vale Europeu.

P.s.: agora que mapeei os pontos mais “roots”, qualquer dia voltarei para fazer no esquema 100% acampando. Bora?

Considerações finais

O circuito do Vale  Europeu é em sua essência, pensado para o turismo. A estrutura muito bem organizada e toda voltada para o conforto e a comodidade onde, o cicloturista ao seguir o roteiro, pode sem grandes preocupações apreciar belos passeios e ainda, ao final de cada dia, desfrutar de toda a mordomia que achar conveniente.

Por outro lado, ainda que não seja uma aventura desafiadora, não se engane, o circuito exige sim um preparo físico mínimo para ser concluído. Além disto, as estradas de terra e a altimetria combinadas com uma condição climática ruim, podem tornar aquilo que deveria ser um tranquilo passeio de bicicleta, num perrenguezinho para levar de recordação e contar para os netos.

O mais legal do Circuito é que ele tem todos os atributos que eu considero interessantes para quem quer ter a sua primeira experiência com o cicloturismo: um roteiro organizado com mapa, pontos de apoio e rotas bem sinalizadas. Fatores que facilitam muito para quem quer começar e não tem a prática ou não quer se envolver em organizar questões complexas de logística.

Aos mais experientes, também é uma ótima e divertida opção, principalmente se estiver autossuficiente, ainda que seja um pouco complicado encontrar áreas para acampar, as rotas e a altimetria de cada dia, se apresentam como pequenos desafios. E é claro, com um pouco de atenção, desprendimento e o faro para encontrar lugares, é possível sim fazer praticamente todo o roteiro acampando.

Para ter mais informações sobre o Circuito do Vale Europeu, clique aqui.

Barraca Naturehike Star River 2

Barraca Naturehike Star River 2

Hoje vamos apresentar as primeiras impressões sobre a barraca Star River 2 da marca chinesa Naturehike, a barraca é desenvolvida para atender diversos públicos do mundo outdoor como praticantes de montanhismo, escalada, trekking e cicloturismo.

Obtivemos a barraca Star River 2 através da loja parceira Patos do Sul, vale ressaltar que todos os produtos da Naturehike são importados oficialmente pela loja Alta Montanha diretamente da China.

Primeiras impressões

A barraca possuí um design diferente das conhecidas aqui no Brasil, por outro lado, são muito parecidas com as barracas das marcas MSR e Big Agnes fabricadas nos Estados Unidos.

A Star River 2 acomoda tranquilamente 2 pessoas mais duas mochilas cargueiras de tamanho médio em seu quarto, possui duas portas com formato em “U” e um avanço de aproximadamente 65 cm para cada lado. Em situações de emergência é possível dormir em até 3 pessoas dentro da barraca.

Barraca Naturehike Star River 2

A vareta é construída de maneira inteligente e interligadas em três partes, confeccionada em alumínio 7001, dessa maneira garante maior agilidade na hora de montar ou desmontar a barraca.

Barraca Naturehike Star River 2

Um detalhe interessante sobre esse modelo de barraca é que acompanha o Foot Print, este nada mais é que um segundo piso para a barraca, pode ser usado para proteger o chão da barraca em solo pedregoso.

Características conforme fabricante

  • Dimensões:
    • Externa: 2,15 x 2,61 metros
    • Interna (quarto): 1,31 x 1,10 x 2,15 metros
    • Pacote: 45 x 15 cm
    • Avanço: 65 cm
  • Varetas: Alumínio 7001
  • Sobreteto e quarto: Nylon 210T
  • Piso: Polyester oxford 150D
  • Capacidade Coluna D’água: 3000mm
  • Peso: 
    • Foot Print – 0.120 kg
    • Cordeletes e Varetas – 0.200 kg
    • Máximo (Barraca, Sobreteto, Varetas, Espeques, Cordeletes e FootPrint) – aprox. 2.373 kg
  • Capacidade: 2 pessoas
  • Valor aproximado: R$ 1.349,90

Acima você notou que a barraca Star River 2 não é uma das barracas mais leves do mercado nacional, pesando mais de 2kg não pode ser considerada ultralight, no entanto ela tem esse peso para poder aguentar mais em situações adversas como rajadas de vento ou grandes volumes de chuva.

Barraca Naturehike Star River 2

Como montar a barraca

A grande maioria das barracas vendidas nacionalmente são montadas por completas, sendo armadas com dormitório e sobre teto, no entanto a Star River 2 tem um diferencial importante, à duas maneiras para se montar a barraca, conforme for a necessidade do usuário.

O modelo conta com clipes e fivelas nos quatro lados da barraca, isso garante maior agilidade na hora de montar e desmontar.

Montagem 1

Caso a sua necessidade seja ter apenas um abrigo para chuvas ou uma tenda de verão, essa primeira maneira irá lhe encantar.

Barraca Naturehike Star River 2

Montagem 2

Nessa tipo de montagem você irá monta-lá por completa, isto é, usando o Footprint (piso extra) + Dormitório e Sobre-teto.

Barraca Naturehike Star River 2

Para facilitar ainda mais a montagem da barraca, a marca Naturehike preocupou-se de identificar a vareta com duas cores específicas, sendo azul para o lado onde fica a cabeça do usuário e cinza onde fica os pés.

Barraca Naturehike Star River 2
Barraca Naturehike Star River 2

Um dos pontos negativos que observamos durante a montagem, é o fato de o sobre teto não possuir local especifico para acomodar as pontas da vareta central isto é, as pontas da vareta ficam totalmente encostadas no sobre teto (quando montado somente com footprint e sobre teto). Notamos também que a Naturehike reforçou o local onde as pontas da vareta ficam apoiadas, sugerimos para que nos próximos modelos a marca repense melhor a construção dessa barraca.

Detalhes

Para facilitar a montagem do quarto, a Star River conta com presilhas de acrílico que prendem na vareta da barraca, tornando mais rápida e fácil a montagem/desmontagem, possui 3 porta objetos sendo um em cada lado e outro na parte superior. O quarto também conta com gancho para prender a lanterna, localizado no centro da barraca.

Possui zíperes duplos nas duas portas, isso facilita a abertura tanto internamente como externamente, Vale mencionar também que os zíperes possuem lapelas isto é, facilitam o manuseio com luvas.

A barraca conta com uma ampla janela, que possibilita a circulação do ar no interior do dormitório. Ainda estamos realizando testes para comprovar a circulação do ar dentro do quarto, aconselhamos a marca desenvolver para a próxima geração do modelo Star River 2 uma segunda janela de ar, pois acreditamos que em situações adversas de clima o modelo atual pode vir há condensar.

Em breve faremos a avaliação completa da barraca, explicando e mostrando todos os detalhes desse modelo, siga-nos no Youtube para acompanhar todas as novidades sobre equipamentos outdoor.

Se você gostou das nossas primeiras impressões da barraca Star River 2, deixe um comentário logo abaixo. Veja também outras avaliações da marca Naturehike clicando aqui.

Caso você tenha interesse em adquirir esse modelo de barraca, podemos lhe ajudar! A loja Patos do Sul é nossa parceira e sempre nos atendem muito bem, para você que é nosso leitor, tem descontos especiais na compra dessa barraca, entre em contato diretamente com a proprietária da loja, pelo conato (54) 99976-2073, falar com Helen.

Bermuda ou Bretelle

Bermuda ou Bretelle?


Bermuda ou Bretelle? Em algum momento da sua vida de ciclista você fará esta pergunta! Independentemente do seu nível, amador, competitivo ou recreativo, esta questão será levantada. Ao discutir com seus amigos, várias opiniões surgirão.

Bermuda ou Bretelle
Bermuda 3D Compress TD Fem. 2018 – Créditos: CURTLO BR
Bermuda ou Bretelle
Bretelle 3D Compress Fem. 2018 – Créditos: CURTLO BR

Para produzir esta matéria contei com a ajuda da empresa CURTLO BR que me cedeu dois modelos dos melhores vestuários nacionais: Bermuda 3D Compress Fem. e Bretelle 3D Compress Fem. O objetivo desta ação foi ter disponível os dois tipos de vestimentas em questão, ambas com excelente qualidade, e testá-las nas mais exigentes condições para verificar os prós e contras de cada uma.

Atualmente, a CURTLO é detentora de um portfólio de,aproximadamente, 230 itens, sem contar as variações de cores e tamanhos. São produtos que variam de bolsa de selim, até mochila cargueira, passando pelo desenvolvimento de peças técnicas de vestuário que privilegiam amantes das atividades ao ar livre, montanhistas e bikers. Além de ser uma das principais marcas do mercado outdoor no Brasil.

Inicialmente é muito importante saber escolher o produto certo. Infelizmente é impossível ter bermudas ou bretelles de qualidade com preços baixos. Mas, pode confiar…estes itens são muito duráveis e o investimento em marcas de qualidade vale à pena.

As duas características principais que devem ser levadas em consideração na hora que escolher seu modelo são as tecnologias empregadas no tecido e no forro, e a modelagem da peça…sim, a modelagem! Ou você acha que um atleta do Brasil Rideou do Tour de France, usam qualquer lycra com forro?

O Bretelle 3D Compress da Curtlo BR, por exemplo, é produzido com tecido Compress®, construção que permite elasticidade de 360º para acompanhar os movimentos dos músculos. E possui costuras planas (flat) que evitam o incômodo no contato com a pele.

Bermuda ou Bretelle
Créditos: CURTLO BR

Eu testei este modelo justamente por esta característica e o que chamou a atenção foi em que momento algum fica tecido “sobrando”. O que acontece é que de acordo com os movimentos, as áreas onde há maior exigência da elasticidade (por exemplo, a região das costas numa posição race) compensam e esticam a parte frontal, que numa bermuda comum apresentaria dobras.

A textura e sistema de entrelaçamento das fibras que compõem o tecido garantem esta característica, além de uma perfeita compressão e passagem de ar. Tudo isso é proporcionado pela modelagem, que acompanha exatamente o formato do corpo do ciclista. Diferente de bermudas comuns que são retilíneas desconsiderando as curvas.

MULHERES! Este fator merece atenção especial…assim como não é possível utilizar um jeans masculino, também não é aconselhável vestir equipamentos que não sejam produzidos exclusivamente para nós. A Curtlo produz modelos específicos para o “body” feminino.

Além disso, os bretelles femininos possuem forro especial para nós e um sistema de “feiche” na parte traseira, o que facilita sua retirada mesmo com a camisa.

Bermuda Ou Bretelle
Créditos: CURTLO BR

A tecnologia mais importante na hora de escolher bermuda ou o bretelle é a empregada no forro. Afinal é ele que suportará toda a pressão que o corpo fará sobre o selim.

Um modelo adequado de forro deve, além de cobrir com folga todas as áreas de contato, possuir variações de densidades de acordo com as partes de maior atrito. Numa pedalada de 1 ou 1 hora e meia este fator pode passar despercebido. Mas experimente passar 3, 4 horas em cima da bike com uma bermuda “baratinha”! Você vai se arrepender.

Forros muito duros ou grossos sem variações de densidades podem interferir na vascularização, ou seja, na circulação sanguínea. Além de, em casos extremos, provocar dormência nos membros inferiores e região do quadril, a má circulação irá dificultar o transporte de oxigênio para as pernas afetando drasticamente no seu desempenho.

Fiz diversos treinos entre estradas e trilhas da região de Veranópolis na Serra Gaúcha e dei muita atenção para a forração do meu bretelle.

Este forro foi projetado para pedaladas de longa duração, tanto para ciclismo quanto MTB. Revestido em tecido poliamida que proporciona conforto, durabilidade e liberdade de movimento; além de ótima respirabilidade e gerenciamento da umidade. Sua construção ergonômica em tridensidade permite amortecimento nas áreas de maior pressão e conforto anatômico nas demais partes.

Bermuda ou Bretelle
Créditos: CURTLO BR

Por exemplo, na região das nádegas a espessura do forro é maior (região onde ficamos mais tempo em contato) e entre as pernas é menor (região onde há mais atrito devido ao movimento das pedaladas). Isto reduz a fadiga e dores na parte traseira e impede assaduras entre as pernas, fundamental para o desempenho em condições extremas.

Independente de usar bermuda ou bretelle, duas coisas irão maximizar ainda mais seus benefícios:não utilizar roupas de baixo para evitar atritos, e utilizar algum produto contra assaduras. Uso e recomendo os produtos da empresa Solifes!

Agora que detalhei as duas características mais importantes na escolha da bermuda e/ou bretelle, vou falar sobre as diferenças entre um e outro.

BERMUDAS:

As bermudas são sim mais baratas e é muito bom ter alguma disponível. Afinal nem todo pedal é treinamento ou competição! Você não precisa usar bretelle quando for dar um giro recreativo com amigos por exemplo. Por serem mais baratas, possuir algumas garante economias já que você não precisará utilizar bretelles (bem mais caros) em todos os treinos. Você poderá deixar para usar eles somente em treinos mais duros ou competições.

BRETELLES:

Quem usa um bretelle não quer usar outra coisa! Apesar de um pouco mais caros que as bermudas, as boas marcações tão duráveis que o investimento acaba compensando. O ajuste deles ao corpo e a sensação de conforto justificam.

As alças garantem que o equipamento ficará ajustado ao corpo e não se movimentará, ou seja, o forro ficará sempre no lugar certo.

Bermuda ou Bretelle
Crédito: Device Filmes

Além disso, vale lembrar que…

A construção helicoidal (formato de uma mola) do tecido envolve a perna do ciclista e garante uma compressão confortável,flexível e preventiva; pois o sangue flui mais rápido aumentando sua circulação. Atenuando assim, as dores musculares provenientes dos microtrauma se reduzindo a fadiga muscular durante e após o uso.

Realmente a resistência às fadigas melhora bastante. Testei esta tecnologia em diversos treinos, onde também percebi que a compressão e estabilização muscular proporcionada por ela mantem a energia por mais tempo.

Em provas e treinos longos, não é possível repor o protetor solar de 2 em 2 horas conforme orientação. Portanto escolher equipamentos com proteção UV é fundamental. Tecidos anti-bactericidas e repelentes de umidade inibem a formação de fungos e consequentes lesões.

Pensando nisso a Curtlo produz bermudas e bretelles que propiciam a troca térmica; e a textura interna do tecido favorece o microclima interno estável e a redução do efeito úmido colante em contato com a pele.

Portanto, qual usar?

Não há uma opinião formada sobre só este ou aquele. Eu mesma possuo diversas bermudas e bretelles. Quando busco máxima performance utilizo bretelles sem dúvida. Quando vou fazer uma pedalada mais recreativa, realizar um treinamento curto…utilizo as bermudas que são mais práticas.

Mantenho uma linha premium de bretelles da Curtlo que só utilizo em treinos longos e técnicos (e futuramente em competições). Bermudas possuo algumas do modelo 3D Compress mais avançadas e várias outras mais simples para “bater no dia a dia”.

A principal dica, portanto não é sobre usar bretelles ou bermudas, e sim saber escolher a marca e modelo que lhe proporcionará maior conforto e principalmente desempenho.

Lembrando que a bermuda ou o bretelle não são o único fator que deve ser avaliado para evitar as dores, que também podem estar relacionadas com altura, formato e posição do selim. Mas mesmo com o selim mais apropriado para seu corpo, uma bermuda ou bretelle ruim pode colocar tudo a perder.

Pedalar é contar histórias

Durante a minha “vida de ciclista” conheci pessoas que me ensinaram algo e têm o mesmo espírito que eu, adoram pedalar e conheci outras que me alegro de ter esquecido.

Fiz dezenas de amigos de diversas cidades do Rio Grande do Sul, dentre esses está o casal Patrícia Campregher (Paty), Marcos Alexandre Bassegio (Kiko) e a Ana Clara (Kaká) de Guaporé.

Pedalar é contar histórias

Eles são proprietários da Loja Caveira Bike, a história deles e da loja é fantástica! Confira…

A loja existe a mais de 10 anos, iniciou como locadora de vídeos e em 2015 se tornou Caveira Bike, loja e oficina especializada para atender os ciclistas da região de Guaporé.

Kiko sempre pedalou, desde criança já partia para os interiores e cidades vizinhas com os amigos. Porém, depois de adulto entrou no motociclismo por um tempo e à cerca de 10 anos voltou a se dedicar as bicicletas. Já a Paty, me confessou que só aprendeu a pedalar depois dos 30 anos, “Cansei de esperar a volta do Kiko e resolvi aprender para poder ir também!” – revela ela aos risos.

Pedalar é contar histórias

Mesmo aprendendo a  pedalar depois de adulta, Paty aprendeu rápido todas as técnicas que o Mountain Bike exige e em 2016 foi Campeã Gaúcha de MTB e XCO. Além dela outros 12 atletas da equipe Caveira Bike passaram o ano todo competindo em 14 etapas, que ocorreram em diversas cidades do Estado.

Pedalar é contar histórias

Com um extenso currículo de provas, Kiko participou de muitas competições dentro e fora do Estado, tanto na modalidade MTB como na modalidade ESTRADA. Dentre todas ele destaca a Threerace como uma das mais especiais até então.

Pedalar é contar histórias

Já a Kaká, anda de bicicleta desde os 9 meses de idade! Ficava na cadeirinha e adorava, foi acostumando naturalmente e agora que já consegue pedalar sozinha começou a pedir para ir junto! “Ela ama, conversa e canta o tempo todo…é uma alegria” – comenta o casal.

Pedalar é contar histórias

Pedalar é contar histórias

Além da escola e dos pedais a pequena ciclista faz inglês, catequese e alguns trabalhos de modelo.

A maioria das crianças de hoje em dia, não aproveitam o espaço, não brincam como antigamente. Querem saber somente de celulares, computadores…Kaká é uma exceção! A pequena já sabe que pedalar é sinônimo de saúde, superação e muitas amizades.

“Nós incentivamos ela à pedalar e sempre que possível levamos ela junto. Nunca forçamos nada! Ela pedala quando quer…” comenta o casal orgulhoso da (quem sabe) futura Campeã Gaúcha de MTB e XCO como a mãe.

Pedalar é contar histórias

Expedição Guaraní 2018

A Expedição Guaraní é uma corrida criada por e para corredores de aventura. Portanto, o objetivo principal da organização do evento foi realizar uma prova técnica e exigente para as equipes líderes, mas também dinâmica e acessível para os mais lentos.

As rotas foram cheias de contrastes, pois percorreram terrenos muito variados, como montanhas, matas, rios sinuosos…na região de Itapúa no Paraguai.

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Wladimir Togumi / Adventuremag

“A Expedição Guaraní nasceu em 2014, da ideia de Gustavo Borgognon de fazer uma prova de nível mundial em seu país. Me “associei” a ele e em 2015 foi realizada a primeira edição.” comenta Urtzi Iglesias Mota, diretor técnico da prova.

A Expedição Guaraní é uma corrida de aventura em que diferentes modalidades esportivas são combinadas. Mountain bike, trekking, caiaque e orientação foram as principais na EG 2018.

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Wladimir Togumi / Adventuremag

Os participantes percorreram cerca de 450 quilômetros em alguns dos locais mais bonitos do Paraguai durante os dias 9 e 15 de abril. Navegaram por rios sinuosos; embora o país não tenha montanhas altas, eles chegaram a alguns dos picos mais altos do Paraguai. Pedalaram e correram centenas de quilômetros por trilhas e estradas de areia e lama; e escalaram locais de uma beleza surreal.

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Agatha Bodeva Aguirre

A competição se iniciou na segunda-feira pela manhã e as equipes tiveram até a sexta à noite para cruzar a linha de chegada. Não houve parada obrigatória durante o percurso, as próprias equipes que gerenciaram os momentos de descanso.

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Agatha Bodeva Aguirre

Após cerca de 81 horas a equipe Columbia Montrail cruzou a linha de chegada se sagrando campeões na categoria Expedição. A mesma foi composta pelo casal brasileiro Camila Nicolau (32) e Guilherme Pahl (37), pelo inglês Nick Gracie e pelo espanhol Jon Ander Arambalza (40).

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Wladimir Togumi / Adeventuremag

Há 15 anos participando de corridas de aventura a diretora da Oficina Multisport Assesoria Esportiva, Camila Nicolau comenta “Sempre pratiquei esportes ao ar livre e a corrida de aventura me cativou, pois é um esporte que vai muito além do preparo físico, exige trabalho em equipe e estratégias muito complexas.”

O dia a dia do casal Camila e Guilherme é bastante corrido, mas como não possuem horários e rotinas fixas, trabalham online na maior parte do tempo e treinam de acordo com a rotina do bebê Kilian.

Mamãe recentemente do pequeno Kilian de apenas 8 meses, Camila define a maternidade como uma verdadeira corrida de aventura. “Tem privação de sono, convívio intenso, alimentação, hidratação…são novos aprendizados a cada dia. É uma relação que com o passar do tempo fica mais gostosa e cheia de amor. Por um tempo me questionei quando conseguiria emocionalmente voltar às corridas de aventura e para essa prova achei que não estaria preparada.”

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Wladimir Togumi / Adeventuremag

Antes da largada Camila estava bem triste e pensando em como seriam os próximos dias longe do Kilian, mas após a largada a atleta focou em ser o mais veloz possível para chegar logos nos pontos em que iria revê-lo. “Aqueles 10 minutos com ele nas áreas de transição eram como um pratão de comida, me enchia de energia novamente para continuar!” relembra emocionada a mamãe.

Camila e Guilerme são parceiros em tudo: no amor, nos sonhos, no trabalho, no lazer. “Me sinto afortunado por não precisar tentar traduzir em palavras minhas experiências para a Cami; apenas vivemos juntos e compartilhamos a mesma visão do mundo. Ainda assim me emocionei ao vê-la de volta ao jogo depois da maternidade. Kilian chegou para cuidar da mamãe e do papai, colocou a competitividade sob nova perspectiva e nos motivou a chegar mais rápido na linha de chegada para encontra-lo!” comenta Guilherme emocionado.

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Agatha Bodeva Aguirre

Correndo pela primeira vez com essa formação de atletas, a sintonia da equipe Columbia Montreal foi incrível, o trabalho de equipe foi impecável e essencial para que Camila pudesse ficar um pouco mais com o Kilian. “A prova fluiu muito bem com o Gui e o Nick dividindo a navegação, eles foram impecáveis transmitindo segurança o tempo todo e muita precisão. Os trechos também foram bem equilibrados e dinâmicos então curtimos a prova do início ao fim.” relembra Camila.

Expedição Guaraní 2018
Créditos: Agatha Bodeva Aguirre

“A Expedição Guaraní 2018 se destacou por sua rota técnica, belas paisagens e seu povo amigável/feliz – os corredores também destacaram a qualidade dos mapas. Como nos anos anteriores, os melhores serviços foram oferecidos em uma das corridas mais econômicas do calendário do Circuito Mundial de Corridas de Aventura.” Finaliza Urtzi Iglesias Mota, diretor técnico da prova.

Desafio dos Rochas 2018

Pomerode conhecida como a cidade mais alemã do Brasil foi palco (mais uma vez) do Desafio dos Rochas que ocorreu nos dias 21 e 22 de abril e reuniu 1.150 ciclistas de 10 estados brasileiros e de 3 países Uruguai, Portugal e Canadá.

Desafio dos Rochas 2018
Foto: Monique Renne

A prova foi dividida em 3 circuitos:

  • Pró – 98,6 Km com 3.000 m de altimetria (aproximadamente) e 6 trilhas;
  • Sport – 64 Km com 1.400 m de altimetria (aproximadamente) e 5 trilhas; e
  • Amador – 31,8 Km com 560 m de altimetria (aproximadamente) e 1 trilha.

No Desafio dos Rochas, são testados todos os teus limites físicos e psicológicos. Os atletas enfrentaram trilhas técnicas, descidas e subidas íngremes, sol escaldante, empurra bike – variando conforme o preparo físico do ciclista…entre outros obstáculos. O evento é considerado uma das provas de Mountain Bike mais difíceis do Brasil.

Desafio dos Rochas 2018
Foto: Cesar Delong I Pedal

A prova é planejada com muita atenção e carinho por toda família Rocha e comunidade de Pomerode. “Muitos amigos adotaram o evento como seu, algo incrível. Todos se uniram em prol de fazer um grande evento que já não é mais só da família Rocha, mas sim feito por uma comunidade apaixonada em receber a todos em sua grande casa chamada Pomerode.” destaca José Carlos, membro da família Rocha.

Desafio dos Rochas 2018
Foto: Cesar Delong I Pedal

Ao final de cada edição do Desafio dos Rochas a organização se atem a ouvir as sugestões/dicas dos ciclistas para as próximas edições. Ano passado, infelizmente o clima (chuva) deixou algumas trilhas muito técnicas e diversos trechos viraram empurra bike. Independentemente do clima algumas trilhas estavam difíceis até para os atletas da elite.

Nesse ano os circuitos foram remodelados e novas trilhas surgiram. Diferente da edição anterior as trilhas estavam muito mais limpas e fluídas, deixando a prova mais rápida segundo o feedback  de diversos atletas.

Desafio dos Rochas 2018
Foto: Cesar Delong I Pedal

Outra grande modificação foi trazer à prova de volta para o Teatro Municipal de Pomerode no centro da cidade. Isso agradou muito os atletas e seus familiares que puderam curtir muito mais a cidade mais alemã do Brasil.

Além de todos os atrativos da cidade e do evento, ao longo do final de semana o público pode participar de diversos bate-papos e whorkshops com grandes atletas como Lucio Otávio (Audax Team), Francisco Rotta Muller, Luana Machado, entre outros.

Desafio dos Rochas 2018
Foto: Cesar Delong I Pedal

“É recompensador ver a quantidade de novos amigos que criamos nesta jornada, ver como a cidade e comunidade tem aceitado o evento e os ciclistas, ver as famílias unidas no evento. Levar um pouco da nossa tradição alemã para os vários cantos do Brasil e poder mostrar as belezas escondidas da nossa cidade para o Brasil e o mundo.” Porém, José Carlos Rocha ressalta que tudo isso só é possível graças a ajuda de parceiros que acreditam no evento, a família e amigos que se unirão para fazer deste um grande evento.

No link abaixo um pouco do que rolou no 6º Desafio dos Rochas, produção de Root Rider TV.

Cape Epic 2018

Fundada em 2004, a Cape Epic que atualmente tem o patrocínio Absa, é uma corrida anual de cross-country stage race (XCS), e é considerada o maior evento do mundo nesta modalidade, sob a chancela da União Internacional de Ciclismo (UCI).

A Absa Cape Epic 2018 ocorreu durante os dias 18 a 25 de março na região de Western Cape, na África do Sul. O evento contou com a participação de 1.300 atletas de mais de 50 nacionalidades.

Cape Epic 2018

Em oito dias de prova, os atletas percorreram 653 quilômetros com 13.530 metros de altimetria acumulada, em condições extremas de terreno e temperatura.

Os competidores largaram em duplas e tiveram que pedalar juntos durante todo o percurso da prova – em etapas diárias. Dentre as 17 duplas com integrantes brasileiros que participaram desta edição da competição, 15 completaram a ultramaratona, e um atleta brasileiro terminou sozinho (individual finisher).

Uma das duplas brasileiras foi composta pelo Administrador de Infraestrura de TI Francisco Rotta Muller(38), natural de Novo Hamburgo/RS e pelo Empresário Mateus Merlo Zandoná(39), natural de Casca/RS.

Cape Epic 2018

“A vontade de um dia na vida poder competir uma Cape Epic é algo que vai surgindo na medida em que se vai conhecendo provas com características semelhantes e tendo a oportunidade de competir em algumas.” comenta Francisco.

A ideia inicial de competir a Cape Epic, surgiu há anos atrás, quando a dupla (Francisco Rotta Muller e Henrique Schoenardie) estavam participando do Desafio dos Rochas, que serviu como preparação para o Brasil Ride 2015. A partir dali, Chico começou a investigar as provas de mesmo porte pelo Brasil e mundo e começou a sonhar.

“No final do ano passado, eu e o Mateus competimos a Three Race Bike Ultramarathon, em São Chico/RS, e na sequência correríamos a Brasil Ride, porém devido a uma lesão durante a primeira competição, meu parceiro não pode recuperar-se em tempo e então nossa participação será em outubro deste ano (2018).” relembra o atleta.

A partir dali, foi surgindo à ideia de irem para a África do Sul, para competirem na Cape Epic. “E pra gente, tendo a vontade de ir, corre-se atrás do que é necessário para viabilizar os objetivos.”

Há alguns anos Chico e Mateus, vivem uma rotina muito bem planejada para dar conta dos treinos, família e trabalho. Sempre haverá alguns sacrifícios em algumas áreas e o equilíbrio demora um pouco para ser encontrado, mas para tudo se dá um jeito.

Hoje o trabalho do Chico possibilita certa flexibilidade nos horários, o que lhe permite trabalhar nos turnos da tarde e noite em alguns dias e em outros iniciar a jornada de trabalho mais tarde na manhã. “Assim consigo treinar cedo, antes do trabalho e voltar alguns dias mais cedo pra casa, podendo ficar um tempo com a família.”

Extremamente disciplinados nos treinos e com vasta experiência no mountain bike, Francisco estreou na Cape Epic e Mateus esteve pela segunda vez na prova. A prova é composta por 8 etapas, a primeira é o prologo e na sequência vem os estágios 1 ao 7, somando 653 quilômetros no total com 13.530 metros de altimetria.

“Os terrenos enfrentados foram principalmente formados por pedregulhos, em certas partes lembrava pedra lascada. Muita poeira, devido ao clima super seco, quase desértico. A partir do estágio 5 foi onde as trilhas mais legais e fluídas apareceram, o que tornou o desafio um pouco menos maçante” relembra a dupla, que viveu uma grande experiência na Cape Epic.

A prova foi dividida da seguinte forma:

Prologo – 20 km, transcorreu tudo muito bem. A dupla colou um bom ritmo e rodaram com segurança para não arriscarem demais.

Estágio 1 – 110 Km, precisaram parar três vezes para reparar um pneu, devido a furos e rasgos sofridos em função do terreno pedregoso. Estavam muito bem fisicamente, mas perderam cerca de 30 minutos na função.

Estágio 2 – 106 Km, neste estágio apenas 1 furo, mas em poucos minutos foi resolvido.

Estágio 3 – 122 Km, o dia mais longo e aniversário do Chico também. Conseguiram colocar um ritmo muito forte e constante durante todo o tempo.

Estágio 4 – 111 Km (etapa rainha), segundo a dupla foi o estágio mais duro, terreno pesado, com muita areia e bem pedregoso. Exigiu bastante preparo, foi fundamental prestar atenção ao ritmo para não passar do ponto e quebrar.

Estágio 5 – 39 Km (contra relógio), ocorreu uma queda. Em uma descida veloz, Chico acabou caindo, apesar de velocidade apenas algumas escoriações pelo corpo.

Estágio 6 – 76 Km, um track repleto de trilhas. “Lá pelo quilômetro 34 as mulheres líderes da categoria ‘mulheresUCI’ do time Specialized nos passaram. Impressionante o ritmo delas. Conseguimos acompanha-las por cerca de um minuto” brinca a dupla.

Estágio 7 – 70 Km, o último dia foi extremamente duro. “Pedalamos na ponta das sapatilhas, evitando riscos desnecessários. Foi o dia de concluir o maior desafio da vida no mountain bike. Sensação indescritível!”

Cape Epic 2018

Cape Epic 2018

Cape Epic 2018

Cape Epic 2018

Cape Epic 2018

“Poder competir em um evento deste porte, vivenciar a rotina das equipes e atletas profissionais – melhores do mundo, conhecer pessoas de diversas nacionalidades e ainda a cultura local, é algo que só nos enriquece como seres humanos. É algo que não se perde jamais.

A prova é duríssima e são inúmeros cuidados e planejamento necessário para ser feito, buscando chegar em uma condição física excelente, bem de saúde, com equipamento 100% em condições, para minimizar problemas.

Cape Epic 2018

Cape Epic 2018

Recomendamos demais, para quem tem um sonho no esporte, buscar este, com muita dedicação e disciplina. Vale muito a pena!”

A história fantásticas de Lili Barros

Uma história fantástica sobre garra e determinação de uma ciclista, Lili Barros completou a primeira etapa do Campeonato Gaúcho de Mountain Bike 2018 realizada na cidade de Nova Petrópolis/RS com a bicicleta nas costas!

No domingo dia 18 de Fevereiro, ocorreu a primeira etapa do Campeonato Gaúcho de Mountain, na cidade de Nova Petrópolis. Com um percurso de aproximadamente 42 km e 1.300 metros de altimetria acumulada.

O trajeto desafiador com declives e aclives acentuados, diversas trilhas, aliados ao forte calor exigiram muita técnica, força e resistência dos atletas presentes.

Em meio a ciclistas que tiveram problemas mecânicos, quedas… optaram por desistir da prova, houve um grande exemplo de garra e determinação da atleta Lili Barros da equipe Acinp da cidade de Nova Prata/RS.

Conheça a atleta:

À cerca de dois anos Lili inclui o ciclismo na sua rotina para ter uma vida mais saudável e por gostar da sensação de liberdade que a bicicleta proporciona. Encantou-se tanto pelo esporte que em 2017 resolveu começar a competir.

Quando questiona sobre a prova mais importante até o momento, ela é humilde e comenta, “Não tenho uma prova que considere mais importante, tenho objetivos para o futuro, mas acho que a prova que eu mais me preparei foi o Desafio da Serra do Rio do Rastro”. A atleta se consagrou Campeã Geral Feminina da prova.

Foto: Arquivo pessoal de Lili Barros

Lili sempre teve dois trabalhos um durante o dia e outro a noite, quando resolveu se dedicar aos treinos, largou o de dia e trabalha só a noite, tendo o dia todo livre para treinar.

Além da grande disponibilidade de horário, ela tem um super apoio em casa, ”Meu marido é meu maior incentivador, muitas vezes deixamos de fazer coisas que “casais normais” fazem pra ele me acompanhar em provas e/ou treinos (ele vai de moto – risos)…costumo dizer que ele acredita mais em mim do que eu mesma.”

Nova Petrópolis:

Lili não conhecia o trajeto, mas sabia que a prova seria difícil. Nervosismo à flor da pele e adrenalina a milhão, mais uma vez ela foi tranquilizada pelo seu companheiro, que dizia “Vai lá e faz o que tu sabe, só isso!”

No 6º quilômetro de prova ela teve a primeira queda, não conseguiu fazer uma curva fechada e as britas soltas fizeram a bicicleta derrapar. Prontamente levantou, olhou os braços esfolados e a bermuda rasgada e seguiu em frente, sem perder muito tempo.

Porém com a queda a gancheira da bicicleta entortou e a correia caia constantemente, Lili perdeu muito tempo até perceber que não dava para baixar marcha e ela teria que enfrentar todas as subidas pedalando pesado mesmo.

“Consegui fazer uma prova de recuperação e ficar na 3ª colocação, faltando 10 quilômetros para o fim da prova, em uma trilha tive a segunda queda. A roda pegou numa pedra e literalmente fez um oito, me jogou longe, bati forte o ombro e a cabeça (santo capacete), fiquei tonta, mas de imediato o primeiro pensamento era levantar rápido e continuar, foi quando eu olhei pra roda e nem empurrar dava.”, relembra emocionada.

Com o ombro esquerdo doendo bastante, Lili só conseguia carregar a bike no braço direito e faltavam quase dez quilômetros para concluir a prova. Chorou de raiva e dor, pensou em desistir…

Lili Barros
Foto: FGC – Federação Gaúcha de Ciclismo

“Confesso que fiquei até com raiva de Deus, (sempre que saio para pedalar faço uma oração pedindo proteção, nunca peço para ganhar, somente proteção), mas lá no meio do mato mesmo pedi perdão, afinal apesar de estar esfolada dos pés a cabeça eu não quebrei nada. Foram duas quedas feias e eu estava ali inteira, então eu vi que Deus me protegeu mesmo.” relembra a atleta.

Ao longo desses dez quilômetros Lili, recebeu muito incentivo, fez novos amigos que lhe deram forças…isso foi essencial para ela concluir a prova. Mesmo perdendo posições, acabou a prova em 5º Lugar Feminino Elite.

Lili Barros
Foto: FGC – Federação Gaúcha de Ciclismo

Lili Barros
Foto: FGC – Federação Gaúcha de Ciclismo

A atleta agradece…

“A minha família, ao meu marido Antonio e aos meu patrocinadores Cassio 12, Dika Vidros, Mix Lanches, Conffiare, Academia Clínica Fitness, Tonho Bikes, a minha equipe Acinp, ao meu treinador Gabriel Salgado (Cycle Team) e a todos que torcem por mim.

Desafio dos Rochas

O Desafio dos Rochas é um evento de mountain bike que alia o prazer de competir, de vivenciar a cultura e as tradições alemãs, unir a família ao esporte e apreciar a gastronomia típica local.

O Desafio surgiu em 2013, quando a família Rocha teve a ideia de realizar um passeio ciclístico um pouco mais “aventureiro” na data de aniversário da loja Twins Bike Shop. “Ao colocarmos no facebook umas fotos e uma enquete do que o pessoal achava em realizar esse pedal, começamos a nos surpreender com as diversas perguntas de onde seria esta prova, quando seria e assim por diante.” relembra José Carlos, gerente da Twins Bike Shop.

A partir daquele momento tiveram a certeza que poderiam criar algo maior, se reuniram para ter a opinião dos 6 membros da família Rocha e dali decidiram realizar uma tentativa que acabou dando certo. Em 2018 partem para sexta edição do Desafio dos Rochas.

Desafio dos Rochas

O evento é planejado com muita atenção e carinho por toda família Rocha e comunidade de Pomerode. “Muitos amigos adotaram o evento como seu, algo incrível. Todos se uniram em prol de fazer um grande evento que já não é mais só da família Rocha, mas sim feito por uma comunidade apaixonada em receber a todos em sua grande casa chamada Pomerode.” destaca José Carlos.

Ao longo desses 5 anos de desafio a família Rocha, encarou alguns problemas. Entre eles a busca de parceiros para idealizar o evento, autorizações de passagem em propriedades particulares, entre outros.

O processo de organizar e planejar um evento esportivo requer cuidado e atenção em vários aspectos, desde a ideia inicial, o projeto real, evento e pós- evento. E é natural ao longo desse processo surgirem alguns problemas.

Mas, em contrapartida ao longo desses anos de desafio muitas foram as alegrias para a família Rocha. “É recompensador ver a quantidade de novos amigos que criamos nesta jornada, ver como a cidade e comunidade tem aceitado o evento e os ciclistas, ver as famílias unidas no evento. Levar um pouco da nossa tradição alemã para os vários cantos do Brasil e poder mostrar as belezas escondidas da nossa cidade para o Brasil e o mundo.” Porém, José ressalta que tudo isso só é possível graças a ajuda de parceiros que acreditam no evento, a família e amigos que se unirão para fazer deste um grande evento.

Desafio dos Rochas

Para 2018 a família Rocha está preparando um evento ainda mais festivo, novos circuitos, novas trilhas, novos visuais da cidade, um final de semana repleto de atrações para ciclistas, familiares e amigos e uma estrutura mais aprimorada para atender a todos com o máximo de conforto e segurança.

Desafio dos Rochas