Trip Montanha – Sul do Brasil

O Trip Montanha nasceu em 2011, quando o fundador, Cristian Stassun, iniciou uma rede de contatos no Facebook com o objetivo de desbravar Santa Catarina. Segundo ele, o grupo cresceu e muitos interessados em trilhar Santa Catarina eram de fora do estado. Criou-se uma rede muito forte, maior do que as associações e federações do estado, agregando pessoas e destinos do Rio Grande do Sul e do Paraná.

Trip Montanha - Sul do Brasil
Foto: Cristian Stassun
Trip Montanha - Sul do Brasil
Foto: Cristian Stassun

Esse grande grupo chamado Trip Montanha reúne os melhores homens e mulheres das atividades de trekking, hiking, bike, corrida, escalada, canoagem, espeleologia, canionismo e guias de turismo de aventura,  juntos descobrem técnicas, segredos de lugares, promoções de produtos, convites de eventos, novidades em tecnologia de fotografia e montanhismo e, principalmente, fortalecem a amizade entre essa galera toda.

Tenho a honra e o privilégio de fazer parte desse grupo de mais de 700 membros, com grandes feras, alguns engajados inclusive na diretoria das principais entidades de montanhismo do Sul do Brasil: FEMESC, ACEM, AJM, ASGEM e CPM.

Trip Montanha - Sul do Brasil
2° Encontrão Trip Montanha – Alfredo Wagner/SC – Foto: Luís H. Fritsch

O Encontrão Trip Montanha acontece todos os anos e reúne os membros do maior grupo de montanhistas do Sul do Brasil para trocar experiências, compartilhar o amor pela montanha, pelos trekkings e pelos esportes de aventura. São dois dias com atividades, palestras, cursos, acampamento, música ao vivo, boa comida e muita amizade.

 

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Realizado esse ano no Cânion Espraiado – Urubici/SC, contou com atividades de rapel com Carlos Eduardo Madona, o Kadu, grande fera do canionismo, da empresa EcoXperiences na incrível Cachoeira do Adão com 90 metros de altura, trilhas pelos cânions, cavalgada, pêndulo com a Natural Extremo  e quadriciclos do Rancho Montanha Urubici. Esse ano o Trekking RS esteve presente no evento, comigo, com o Luis H. Fritsch e o Marcio Masso. Foi simplesmente sensacional!

Os quadriciclos garantiram ainda mais diversão no Encontrão 2018

Trip Montanha - Sul do Brasil

O salto no pêndulo de maior altitude do Brasil, foi realizado pela primeira vez pela empresa Natural Extremo durante o Terceiro Encontrão Trip Montanha realizado nos dias 7 e 8 de julho desse ano.

Veja o vídeo do rapel na Cachoeira do Adão 

O Encontrão Trip Montanha já tem inclusive local e data para a sua 4.ª edição. Será nos dias 6 e 7 de julho de 2019, nos cânions Boa Vista e Amola Faca em São José dos Ausentes, no Rio Grande do Sul.

Trip Montanha - Sul do Brasil
Cânion Boa Vista/RS – Foto: Luís H. Fritsch

Maior pêndulo do Brasil

O maior pêndulo do Brasil em altitude está localizado junto a um dos mais belos cartões postais do estado de Santa Catarina, mais precisamente no Cânion Espraiado, localizado a cerca de 30 quilômetros do centro do município de Urubici em meio a Serra Catarinense.

Sou apaixonada pelo Cânion Espraiado, foi amor a primeira subida… Hehe… e já se vão 11 anos desde então. Lugar de extrema paz e extrema adrenalina ao mesmo tempo! Não me canso de contemplar esse desenho vivo de Deus, no qual ele parece ter esculpido cada borda, cada contorno de montanha e cada leito de rio.

Imagem do Cânion Espraiado durante o Encontrão TRIP MONTANHA 2018

Maior pêndulo do Brasil

Maior pêndulo do Brasil

Entenda como é montado o maior pêndulo do Brasil

Montado de maneira inovadora, o  maior pêndulo do Brasil em altitude é montado com fitas dinâmicas de slackline. O sistema principal e de backup ficam presos em sólidas ancoragens instaladas nas rochas.

O participante salta com duas cordas dinâmicas presas a ele. Estas, por sua vez, ficam presas em uma placa entre os slacklines. As duas cordas ancoradas na cadeirinha do participante são dinâmicas também, isto é, são as mesmas usadas em escaladas. Isso garante maior elasticidade, sendo imperceptível o tranco gerado ao esticar a corda, fazendo com que os corajosos que se desafiam a saltar tenham uma experiência extremamente radical e “suave” ao mesmo tempo! Adrenalina da queda livre sem o tranco das fitas.

Usando equipamentos específicos e com total segurança, a @naturalextremobrasil conseguiu montar esse pêndulo inédito no Brasil, com 80 metros de queda a uma altura de 350 metros do fundo do cânion.

Durante a preparação, vestindo os equipamentos de segurança, até a hora de saltar não senti medo em nenhum momento! Os meninos da @naturalextremobrasil são muito feras! Foi extraordinário ver o Cânion Espraiado de outros ângulos, estar dentro dele, vendo os paredões imponentes de frente.

Veja o vídeo do meu salto

 

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De outros ângulos… 🙃❤🏞⛰🤘😜 . E esse foi o maior pêndulo já realizado no Brasil … dentro do Canion Espraiado, esse desenho de Deus que eu amo de paixão!!! . A @naturalextremobrasil montou toda estrutura com highline com toda segurança. Não senti medo em nenhum momento! Vocês são muito feras!!! SENSACIONAL!!! 🙌 . Valeu @rafa.bridi @angelomaragno . @jake_gules @canionespraiado @tripmontanha @naturalextremobrasil @ecoxperiences . #energiavital #amorsempre #tudonoplaneta #canion #vivaintensamente #adrenalinadas #semlimitesaventura #penduradanoplaneta #highline #pendulo #canionespraiado #urubici #santacatarina #brasil #trekkingrs #trilhando #gratidao #naturalextremobrasil

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GRATIDÃO por poder participar!

GRATIDÃO à equipe do NATURAL EXTREMO: Rafael Bridi, Angelo Maragno, Fylipe Weickert, Chico Amorin e André Nabuco.

Caso você tenha interesse em viver essa experiência única, então acesse o site Natural Extremo. Lá você encontra todas as informações sobre a prática dessa atividade radical extrema e extraordinária!

VIVA com a intensidade que a vida merece… PLENA!

Ultramaratona Brasil 2018

Ultramaratona Brasil 2018

Nos últimos dias 17 e 18 de março foi realizada a Ultramaratona Brasil, na cidade de Caieiras – SP, com as modalidades 3, 6, 12 e 24 horas.

Ultramaratonistas de todo Brasil participaram dessa competição que teve como padrinhos os atletas Luciano Prado, recordista sul – americano da corrida 48 horas em pista, e Angélica Almeida, atleta olímpica e duas vezes vice-campeã da São Silvestre.

Foi uma prova organizada por ultramaratonistas para ultramaratonistas, ou seja, organização impecável e preocupada com os atletas, feita por Analu Shiota (atleta da seleção brasileira que participou do mundial das 24 horas no ano passado), Marcos Paulo Espírito Santo (ultramaratonista que também representou o Brasil em Mundiais) e Mariano Moraes (ultramaratonista e técnico da seleção).

A ultramaratona foi realizada na pista de atletismo do Ginásio de Esportes da cidade de Caieiras – SP – Estádio Carlos Ferracini.

O objetivo de uma ultramaratona desse estilo é percorrer a maior distância possível, no caso, o maior número de voltas na pista de 400 m, no tempo estipulado (3, 6, 12 ou 24 horas), dependendo da modalidade escolhida pelo atleta.

Ultramaratona

Tive o privilégio de participar dessa ultramaratona na modalidade 24 horas junto com grandes ultramaratonistas. Foi sensacional correr ao lado de atletas que eu só via e admirava pelas redes sociais e conhecer tantos outros que passei a admirar também.

O início dos treinos

A ideia já existia. Mas, para mim, tudo começou pra valer com um treino desafiador: correr de Blumenau a Itapema numa sexta-feira à noite depois do trabalho. O desafio foi proposto pelo treinador e ultratriatleta Daniel de Oliveira Rodrigues e por seu aluno e nosso parceiro de corridas Adilson Hertel. Aceitei!

Mochilas de hidratação preparadas, alimentação, vaselina sólida e pomada para evitar assaduras e bolhas nos pés… lá fomos nós. Saímos por volta de 22h00 da academia do Daniel, a Clínica Wellness, no centro de Blumenau. Planejamos duas ou três paradas em postos para tomar algo gelado e eventualmente comer alguma coisa extra ou ir ao banheiro.

Nossa primeira parada para alimentação foi por volta da meia noite em frente a um posto, que estava fechado. Comemos um pouco do que levamos e seguimos correndo. O Daniel ainda estava com fome e então paramos em um “cachorrão”, já em Gaspar. O Adilson e eu não quisemos comer, mas nós três bebemos uma cerveja. Hidratar com alegria também é importante! rsrs…

Seguimos correndo… saindo de Gaspar, passamos por Ilhota, até chegar na BR-101 em Itajaí um pouco antes das 3h00 da manhã. Paramos em um posto para banheiro e hidratação.

Seguindo pela BR-101, passamos por Balneário Camboriú quando começava a amanhecer. Paramos em mais um posto para ir ao banheiro. Os meninos comeram alguma coisa e eu tomei um café.

Por volta das 6h00, 6h30 estávamos subindo o Morro do Boi e logo pudemos contemplar aquela vista maravilhosa do mar de Itapema. Seguimos correndo até pouco depois do Posto da Polícia Rodoviária Federal, já em Itapema, onde completamos 72 quilômetros um pouco antes das 7h00 da manhã! Comemoramos felizes nosso feito brindando com um merecido caldo de cana bem gelado!

Mas, queríamos chegar até a praia. Nossos relógios já estavam sem bateria. Seguimos andando pelo acostamento da BR-101, quando uma amiga nossa, a Taíse, seu marido Marco e a filha deles, a Rafaela, passaram por nós buzinando e pararam logo a frente. Foi muito massa nos encontrarmos! Eles nos deram uma carona até à praia e seguiram sua viagem para Zimbros.

Foi um dos melhores banhos de mar da vida! Depois de passar uma noite inteira correndo, entrar naquele mar tinha sinônimo de recompensa, de alegria e de missão cumprida!

Misturamos, num único momento, as três melhores fontes de água e sal: suor, mar e lágrimas!

Ultramaratona

Completado esse desafio, tive a certeza de que poderia participar da prova na modalidade 24 horas.

Treinos intensos

Dali em diante, treinos longos praticamente todos os dias. Naquela semana seguinte ao desafio ainda não tão longos em razão do longão de 72km do final de semana.

Mas, nas duas semanas posteriores, as mais intensas, corri o acumulado de 380km. Foram treinos de 20km a 30km por dia, sendo que nas sextas-feiras, depois do trabalho, fiz uma maratona em cada uma delas. Começamos os treinos das sextas-feiras com o grupo de corrida da Wellness às 20h00 e depois continuamos correndo até completar os 42 quilômetros. Por incrível que pareça para a maioria, foi divertido demais!

Tiveram dias que tive que madrugar pra dar conta de cumprir os treinos. Contratempos de horários que me fizeram correr 25km das 4h20 às 6h45 da manhã. Outros que me fizeram dividir um treino de 30km em 15km matutinos e 15km noturnos. Treinos que corri quase a cidade toda e treinos que rodamos em circuito. Treinos no sol de rachar e treinos debaixo de chuva. Cada um deles fez parte dessa prova. Aproveitei cada um dos treinos com toda minha energia! Corpo e mente presentes o tempo todo!

Ultramaratona

Ultramaratona

Até que chegou a tão esperada semana da prova, com treinos mais curtos só até na quarta-feira.

Preparativos finais

Começava o frio na barriga… ansiedade e nervosismo por uma prova de tamanha importância.

Preparativos a mil: tênis, meias, roupa, viseira, alimentação, hidratação, caixas térmicas, kit primeiros socorros para unhas, eventuais bolhas e assaduras; lençol, travesseiro e toalha para ficar no alojamento da prova e barraca para termos um local para colocar tudo que precisávamos na beira pista.

Ultramaratona

Sexta-feira, 16-03, chegou o dia da viagem! Fomos em três no meu carro, revezando a direção, de Blumenau – SC até Caieiras – SP. A viagem foi bem tranquila e fomos os primeiros atletas a chegar. Um pouco depois chegou nosso amigo de Florianópolis, Cleverson Pohlod, que foi de avião até São Paulo. Arrumamos nossas coisas, deixamos a barraca montada e pegamos os kits da ultramaratona.

Ultramaratona

Logo depois saímos para jantar ali por perto e voltamos para o alojamento. Era uma sala grande com vários colchões onde ficamos com vários outros atletas.

Ultramaratona

Chegou o dia Ultramaranona Brasil 24 horas

Sábado, 17-03, chegou o tão esperado dia.

Fui tomar um banho e fazer meu café da manhã na cozinha do alojamento.

Os meninos foram tomar café numa padaria e comprar gelo para nossas caixas térmicas.

Logo que chegamos na pista, encontramos um dos maiores ultramaratonistas do Brasil, Urbano Cracco, que estava com sua esposa Mine Mizuno, com uma tenda ao lado da nossa barraca. Super simpáticos e queridos. Foram sensacionais conosco! Prazer imenso em conhecê-los!

Preparei os pés com vaselina nos dedos para evitar bolhas, passei pomada para assaduras por baixo das costuras do top e da bermuda, protetor solar, uma última ida ao banheiro e chegou a hora de ir pra largada.

Toda ansiedade e nervosismo ficaram para trás. Estava feliz demais e com um sentimento de serenidade, amor a gratidão! Amor pela corrida, pelo movimento do corpo e paz da mente, pelo dia lindo que estava… por tudo a minha volta! Gratidão por poder correr, por estar ali!

Ultramaratona

Largamos! A corrida fluía tão espontânea… tão natural… não fazia força… Pensei: “devo estar muito devagar”. Conferi meu relógio e estava mais rápido que o programado: pace de 5:30. Fiquei ainda mais feliz! E assim segui entre 5:30 e 6:00 nos primeiros 30km.

Perto das 13h00 a organização serviu massa para os atletas. Peguei meu potinho e garfo na beira da pista e segui andando e comendo. Parei para ir ao banheiro e logo voltei a correr.

O calor era intenso! Sol sem trégua!

O melhor “refresco” foi quando a Mine me ofereceu uma garrafa de água da torneira do campo de futebol para jogar na cabeça… que maravilha!

Ultramaratona

No meio da tarde apareceram umas nuvens de trovoada. Parecia que teríamos um alívio no calor e uma chuva pra refrescar. Mas, as nuvens se foram sem derramar uma gota sequer. E o sol voltou com tudo! Naquele momento já com um ritmo um pouco mais lento, mas seguia correndo bem e feliz!

No início da noite serviram um purê de batata delicioso. Ah, e nessa hora tinha energético também. Bom demais! Mas nada de parar!

Além da alimentação da prova, procurei me alimentar a cada hora e me hidratar de meia em meia hora mais ou menos. Teve até Heineken geladinha que deixamos nas nossas caixas térmicas! Hidratação da alegria… hehe… Mas só um golinho. E mais água!

Ultramaratona

Chegadas as primeiras 12 horas de prova: 22h00 e a primeira meta estava cumprida! Fazer 100 km até metade da prova. 101 km! Estava transbordando de felicidade e gratidão! Fiz uma parada para ir ao banheiro, trocar as meias e passar mais vaselina nos pés e pomada pra assaduras nas costuras do top e bermuda. Bebi suco de jabuticaba com água de coco e voltei pra pista.

O calor deu lugar a um ar fresco maravilhoso. A música na tenda da organização estava animada! Durante quase toda a noite os incansáveis staffs da prova dançavam ao lado da pista nos transmitindo toda energia possível. Foram sensacionais!

Por volta de 1h30 da manhã teve sopa de legumes. Mesmo esquema: potinho da mão e comendo na pista. Nada de parar!

Depois, durante a madrugada, não conseguia nem pensar em comer… mas sabia que precisava de alguma caloria… Nessas horas foi perfeito o “toddynho” que levei… hehe… uma bebida de cacau com whey sem lactose, parecido com um achocolatado mesmo. Foi ótimo!

Mais tarde o corpo pedia algo salgado. Foi a hora de parar pra fazer um pão com salame e queijo defumado! E um gole de Heineken pra acompanhar! Energias renovadas, mais água, mais suco e segue a prova.

Quando estava começando a amanhecer, troquei a camisa por uma seca e fiz uma liberação na musculatura da coxa que começava a dar os primeiros sinais de que precisava de atenção. Mais vaselina e “bora” pra pista (Obrigada, Jucian, pelo empréstimo do rolinho de massagem!)

O amanhecer foi extraordinário! Depois das cores do degrade, surgiu um céu azul, limpíssimo! Alguma voltas depois, já estavam servindo um café na tenda da organização.

O calor voltou com tudo! A lateral da coxa gritava! Mas em nenhum momento pensei em parar. Fiz algumas voltas caminhando… voltei a correr… colocava gelo por dentro da lateral da bermuda e bora lá!

Por fim, já estávamos quase todos caminhando e trocando experiências a cada volta. Alguns já tinham parado. Eram quase 10h00 quando combinamos todos de seguir caminhando juntos para a chegada da última volta das 24 horas. Quanta emoção!!! Completar a ultramaratona com tanta energia e alegria… não tenho palavras…

UltramaratonaUltramaratona

Que privilégio! Aprendi muito e me diverti muito também! Corri feliz e energizada! A energia de todos que torceram, de perto, e de longe, foi demais! Agradeço muito.

Minha meta pessoal, além do índice para o intercontinental (155km), era completar 166km (dobro do que fiz na Alemanha ano passado quando estava lesionada). Feliz demais por ter alcançado!!! Foram 172,6km no total na Ultramaratona Brasil 24 horas!

Ultramaratona

E tive ainda a honra de ir para o pódio como vice-campeã, com o 2.º lugar geral feminino!

Ultramaratona

Gratidão imensa é o sentimento que resume tudo que vivi nessas 24 horas!

Mas não acabava ali… hora de voltar pra Blumenau. Dirigir, mesmo revezando, depois da ultramaratona, não foi nada fácil. Juro que foi mais difícil que correr… hehe… mas fez parte da nossa prova! Foi tudo maravilhoso!

E a organização já está preparando a edição 2019, que será no mesmo local, e promete ser ainda melhor que a desse ano!

Monte Roraima

O Monte Roraima atrai aventureiros, antropólogos, cientistas, biólogos, místicos e viajantes do mundo inteiro.

É um dos tepuis que formam o grande escudo das Guianas, ou Planalto das Guianas, localizado na tríplice fronteira entre Venezuela, Guiana e Brasil, com idade estimada em mais de 2 bilhões de anos.

Tepui é o nome dado às formações de topo plano e escarpas verticais e profundas que abundam nessa região.

Acredita-se que os tepuis tenham sido unidos a bilhões de anos atrás e a cisão deles tenha dado origem à bacia amazônica.

A expedição

Posso dizer que estive em outra dimensão nessa virada de ano… foram 10 dias de muita vivência, aprendizado, gratidão, reflexão, contemplação, conexão, emoção, energia, transformação… compartilhando e vivendo cada experiência!

Monte Roraima

1.º dia Monte Roraima – Brasil-Venezuela

A subida do Monte Roraima se dá pela Venezuela. Assim, antes de começar a caminhada, nos deslocamos de carro de Boa Vista até à Comunidade Pataitepuy.

Nosso grupo era formado por seis aventureiros: Kalhi, de Manaus, Juliana e Graci, de Boa Vista, Alex e Henry, de Curitiba, e eu, de Blumenau. Foi ótimo nosso entrosamento, tanto entre nós, quanto com nosso guia, Leo Tarolla, da Tarolla Tours e Brasil Norte Expedições e a equipe dele. Sensacional dividir esses dias com pessoas com as quais multiplicamos energia e conhecimento!

Depois de atravessar a fronteira, em Pacaraima, a primeira parada é em Santa Elena de Uairén, onde compramos moeda local – bolívar – e demos uma voltinha rápida pela cidade.

Monte Roraima

De lá, seguimos para nosso destino. A estrada até lá não deixa escolha para “sem emoção”… de terra, com muitos buracos e perais… a aventura é garantida! Como estava chovendo muito, a terra virou lama e nosso carro não conseguiu vencer a última subida antes de chegarmos. Tivemos que descer e seguir a pé até o local do nosso último pouso antes dos acampamentos.

Monte Roraima

A pousada estava sem energia e, assim, as lanternas e o banho gelado já entraram em cena um dia antes do previsto.

2.º dia Monte Roraima – Início da caminhada

Monte Roraima

Depois de um café da manhã com essa vista sensacional para os tepuis, fizemos o registro na entrada do Parque Nacional Canaima e começamos nossa caminhada. Seguimos por 15 quilômetros até o Rio Tek, onde fizemos a primeira travessia e seguimos por mais uns 2 quilômetros até o Rio Kukenan.

Quando avistei o Rio Kukenan com o Monte Roraima ao fundo fiquei de boca aberta, literalmente! Lindo demais!!!

Monte Roraima

Monte Roraima

Atravessamos e deixamos nossas coisas no acampamento pra tomar um banho no rio. Foi maravilhoso!!! O Leo (nosso guia) e eu descemos o rio um pouco nadando e um pouco como se fosse um bóia cross, mas sem bóia, claro… kkķkkk… piscinas fantásticas com vista para o Matawi e para o Roraima! Alguns ralados e machucados depois (hehe), voltamos para o acampamento para almoçar. Já eram umas 16h mais ou menos.

Mais tarde, o Alex, a Kalhi e eu saímos para um ataque na trilha em direção ao Monte Roraima. Ainda estava claro, mas a lua já estava linda! Curtimos o entardecer e voltamos para o acampamento. Acabei não resistindo a um banho noturno no rio Kukenan… maravilhoso! Depois nos reunimos todos, ficamos conversando e jantamos uma sopa de abóbora com orégano silvestre que colhemos na trilha.

3.º dia Monte Roraima – Rio Kukenan ao Acampamento Base

Arrumamos nossas coisas e saímos em direção ao pé do Monte Roraima. Foram 9 km com algumas subidas, mas ainda de trilha bem aberta.

11h da manhã já estávamos no acampamento base. Ficamos conversando um pouco e aí fui tomar banho de rio… água geladíssima da montanha: delícia!!! Depois almoçamos e estiquei um pouco as pernas na rede (obrigada pelo empréstimo @leotarolla hehe).

Monte Roraima

O tempo estava bem limpo anunciando que veríamos um pôr-do-sol arrasador… saímos caminhando procurando um bom lugar para contemplá-lo. Subimos um pequeno monte com pedras mais altas e decidimos que seria o melhor lugar. Mas, eis que no horizonte se formaram nuvens enormes e só vimos a chuva caindo mais ao longe, o que foi tão lindo quanto o pôr-do-sol que imaginamos… senão mais! De volta ao acampamento nosso guia nos esperava com um chocolate quente! Foi um dia bem tranquilo para nos prepararmos para o dia seguinte: dia de finalmente subir ao topo.

Monte Roraima

4.° dia Monte Roraima –  A subida

5h da manhã e o acampamento já estava movimentado… grupos fazendo café, desmontando acampamento, arrumando equipamentos. Chegou o tão esperado dia da subida ao topo!!! Logo de cara a subida é quase vertical, mas os degraus formados naturalmente tornam a subida menos árdua.

Monte Roraima

A trilha é lindíssima e cheia de energia! Quando chegamos no ponto tão próximo do paredão que é possível toca-lo, a emoção é inevitável!

Seguindo por mais algumas subidas chegamos ao mirante de onde se avista o “passo de lágrimas”, uma trilha estreita colada nos paredões do tepui, onde a água que cai do topo nos molha suavemente conforme o vento a faz dançar… A conexão nessa passagem foi absurda! O sentimento foi: “só de ter vindo até aqui já valeu tudo!”

Monte Roraima

Mas, ainda tínhamos mais subida pela frente. Mais um pouco de escalaminhada e chegamos ao topo! Nos abraçamos emocionados pela conquista… a impressão é de que entramos em outra dimensão… é diferente de tudo!!! Não tenho palavras pra descrever…

Monte Roraima

Paramos um pouco, mas logo a chuva e o frio nos fez voltar a caminhar até nosso refúgio, chamado “Filhos do Sol”, lugar deslumbrante e mágico!!! A chuva não parou mais. Ficamos no refúgio cuidando das bolhas, unhas, dores e machucados uns dos outros…hehe… No meu caso foi de um tombo na subida quando tentei subir numa pedra mais alta e acabei escorregando. Machuquei um pouco os braços, a perna direita e o rosto, mas só a mão direita que doía demais (ainda dói, aliás, hehe). Passei uma pomada anti-inflamatória, outra pra dor e por fim uma pomada pra cavalo… mas continuava doendo… Não me importei muito com a dor, mas com o fato de não ter força na mão… até pra abrir o zíper da barraca estava difícil. Só pensei: que seja só dor e que eu acorde bem amanhã!!!

5.° dia Monte Roraima – Começando a desbravar o Monte

Já saímos com as cargueiras porque depois seguiríamos para outro refúgio. Passamos por lugares lindíssimos… paisagens de tirar o fôlego!!!

Depois de mais algum tempo caminhando, chegamos ao nosso refúgio para a noite da virada. Incrustado num dos paredões do Roraima e próximo ao Vale dos Cristais e a um poço de água cristalina e gelada… simplesmente magnífico! Deixamos as cargueiras e saímos para conhecer o Vale dos Cristais e o Ponto da Tríplice Fronteira entre Venezuela, Guiana e Brasil.

Monte Roraima
Vale dos Cristais

Monte Roraima

Na volta, já tomei aquele banho no poço próximo ao acampamento e colocamos as espumantes lá pra gelar (sim, eu levei uma espumante na mochila desde Blumenau ;P).

Mais tarde saímos para ver um mirante com vista para o Roraiminha e para a floresta da parte baixa. Sensacional!!!

Monte Roraima

Voltando para o refúgio, quase na chegada, começou a chover. Já cheguei ensopada e corri pra colocar uma roupa seca. Pra minha alegria, o Leo nos serviu chá quente!!! Infelizmente a chuva não parou. Meu plano de ver estrelas cadentes na noite de réveillon foi adiado. Mas nada tirou a alegria da nossa noite … jantamos, brindamos e celebramos a virada com muita energia compartilhada!!! GRATIDÃO!!!

Monte Roraima

Monte Roraima

6.° dia Monte Roraima – A tão sonhada Proa?

Estava ansiosa por hoje… dia de ir para o Lago Gladys e para a Proa!!! Enfrentamos muita chuva e frio até chegar ao Lago Gladys, mas as paisagens, rios, plantas, pântanos, pedras e tudo mais que vimos no caminho valeu cada passo.

Monte Roraima

Monte Roraima

Chegamos ao lago, que estava totalmente encoberto. Mas, em menos de um minuto, o nevoeiro se dissipou e pudemos contemplar sua beleza. Mas ele é tímido… logo se cobriu novamente… foi o tempo de contemplar e tirar algumas fotos!

Monte Roraima
Lago Gladys

O frio era intenso naquela manhã. Seguimos em direção à Proa com muito vento e tempo bem fechado. Chegamos na descida do Vale. Montadas as cordas, o @leotarolla e o @alexandro.kenordasilva desceram. Ficamos na expectativa (tremendo de frio… Hehe). Voltaram com a triste notícia de que não conseguiríamos ir até à Proa… além de estar faltando uma chapeleta do outro lado do Vale, as condições climáticas eram péssimas. Infelizmente só nos restava pegar o caminho de volta para o refúgio. Paramos pra ver os destroços de um helicóptero da globo que caiu no Monte faz alguns anos. Na volta um bom banho bem gelado e uma surpresa deliciosa no acampamento: pipoca!

Monte Roraima

7.° dia Monte Roraima – Explorando o desconhecido

Mais um amanhecer com chuva no Monte Roraima… Nosso café da manhã teve a famosa arepa, uma espécie de pão de farinha de milho feito no fogareiro. Adorei!

Arrumamos nossas coisas e partimos de volta em direção ao refúgio “Filhos do Sol”. No caminho passamos novamente pelo Vale dos Cristais e pelo ponto tríplice. Depois avançamos para conhecer “el fosso”, um poço lindíssimo com uma cachoeira magnífica!

Monte Roraima
El Fosso

Pegamos chuva por todo o caminho. Chegamos ensopados e eu tremendo de frio… hehe. De repente, eis que apareceu o sol. Ainda molhada, arrumei minhas coisas e fui pro rio mais próximo tomar banho e lavar minha calça, meias e bota. Voltei para o refúgio e coloquei tudo no sol, inclusive eu, hehe…

Com o céu finalmente aberto, eu estava querendo muito ir pra alguma borda. Falei com o Enzo e ele disse que estávamos muito longe. Então, ele me levou para subir na formação que era o “teto” do nosso refúgio… a vista lá de cima é sensacional! Até passou a tristeza de não ir para as bordas.

Monte Roraima

Depois descemos para ir até um lago próximo e no caminho tivemos o privilégio de ver algumas flores raras e o sapinho negro endêmico do Monte Roraima (Oreophrynella quelchii).

Monte Roraima

De lá subimos em outra formação bem mais alta ainda não explorada, com direito à uma escalada sensacional !!! Como fomos os primeiros a conquistar aquele lugar incrível, fizemos um totem no topo e o batizamos. Dava até pra ver o Maverick (ponto mais alto do Monte Roraima) de lá, e também o nosso acampamento.

Monte Roraima

Descemos para ver o pôr-do-sol lá do refúgio, mas as nuvens voltaram a fechar o céu. Desci até o rio para buscar água pra mim e para as meninas. já estava bem frio nessa hora. Entrei na barraca pra escrever um pouco. Depois nos reunimos para jantar e conversar. E a chuva voltou!

8.° dia Monte Roraima – Energia Vital

Mais um amanhecer com chuva…

Saímos um pouco mais tarde na esperança de que a chuva parasse, mas, chovia e parava, chovia e parava o tempo todo… e o frio estava mais intenso! Passamos por outra área do Roraima com cristais espalhados por toda parte… conhecemos um grupo que estava acampado num refúgio próximo, conversamos um pouco e seguimos para um local de especial energia… quando estávamos bem próximos, as lágrimas brotaram… a energia transbordava… de dentro pra fora e de fora pra dentro. Que maravilhamento compartilhar dessa energia! Segundo nosso guia, estávamos num dos pontos de intersecção de energia do Universo.

Monte Roraima

Não queria mais sair dali, mas tínhamos que seguir…

Nosso objetivo: as jacuzzis e as ventanas! Fomos primeiro até às Ventanas. Queria muito ver as bordas, mas estava tudo encoberto… podíamos ver o vento trazendo a umidade pra cima. Estava muito frio!

Monte Roraima

Saímos em direção às jacuzzis e tivemos a graça do sol por alguns instantes. Eram as piscinas mais lindas que já vi… o banho foi irresistível! Por mais frio que esteja, não perca esse banho por nada!

Monte Roraima

Monte Roraima

Monte Roraima

De lá seguimos para o Maverick, o ponto mais alto do Monte Roraima (2.875m). A parte baixa estava encoberta, mas o topo estava aberto e pudemos ver quase todo o Roraima lá de cima… belíssimo!

Monte Roraima

Descemos em direção a uma das cavernas do Monte Roraima… é uma gruta incrível com muitos líquens de várias cores! Avançamos até uma galeria imensa onde apagamos as lanternas e ficamos alguns minutos na escuridão e no silêncio do lugar!

Monte Roraima

Monte Roraima

Quando saímos da gruta já estava bem mais frio. Seguimos até o acampamento contemplando o entardecer…

Monte Roraima

Coloquei uma roupa seca e sai pra ver as estrelas. Finalmente uma noite de céu limpo! Mas, como sempre, no Roraima o tempo muda o tempo todo e logo o céu se fechou novamente. Energizada pelo dia magnífico, nem senti fome e acabei não jantando aquela noite… antes de dormir dei mais uma espiadinha no céu, mas ele continuava escondido.

9.° dia Monte Roraima – Início da descida

Acordei umas 5h e pude sentir uma claridade vindo de fora da barraca. Abri rapidamente para espiar e lá estava ela… a lua… plena! Tirei algumas fotos da barraca mesmo, mas logo me troquei para sair e contemplar a lua e o nascer do sol. Foi espetacular!

Monte Roraima

Monte Roraima

Pena que era o dia de começar a descida. Tomamos café e saímos do nosso refúgio. Paramos em um mirante lindo onde pudemos contemplar um pouco das bordas antes das nuvens cobrirem tudo novamente. Começamos a descida. Fomos até o acampamento base onde paramos pra almoçar. O calor estava absurdo! Hora de seguir… Quando chegamos na travessia do Rio Kukenan, escorreguei numa das pedras e caí no rio, o que naquele calor foi ótimo, mas seguir toda molhada nem tanto… hehe… Depois de mais alguns quilômetros, chegamos no acampamento do Rio Tek para nossa última noite antes da caminhada final. Já estava anoitecendo, mas ainda fui pro rio tomar aquele banho! Até nadei um pouco. Voltei para o acampamento no escuro já. A noite estava linda demais! Nada de nuvens… só estrelas!

Pude finalmente ver uma estrela cadente! Ficamos admirando o céu por um tempo sem fim… até que começaram a diminuir seu brilho para dar lugar à luz da lua que se pré-anunciava por detrás do Monte Roraima. E ali ficamos esperando por ela. Nasceu linda, cheia, enorme e brilhante! Foi espetacular!

Jantamos e até tomamos cerveja que vendiam ali no acampamento. Cerveja quente, claro, mas lá isso não importa muito. A noite estava tão linda que não dava vontade de dormir, mas, no dia seguinte ainda teríamos um bom trecho pela frente.

10.º dia Monte Roraima – Hora de voltar

Estava muito difícil pra mim escrever sobre o 10.º dia. E agora sei o porquê. É como se escrever sobre o último dia fizesse encerrar o que eu não queria que acabasse… que foi a mesma sensação que tive durante todo o último dia da caminhada.

Amanheceu um dia lindo e bem quente desde cedo. Arrumamos nossas coisas, tomamos o café da manhã e partimos.

O Monte Roraima estava totalmente limpo… nada de nuvens, nem nevoeiro… juro que deu vontade de subi-lo novamente.

Monte Roraima

Com o calor intenso, pude ver vários calangos pelo caminho.

A cada passo o Monte Roraima ficava um pouco mais distante.

Chegamos na Comunidade Paraitepuy e logo nos reunimos com outros grupos… alguns chegando, outros indo embora como nós. Tanto a compartilhar!

Bebemos algumas merecidas cervejas venezuelanas (dessa vez geladas :D) enquanto esperávamos a Graci e a Kalhi chegarem.

Monte Roraima

Muita conversa depois, hora da despedida. De lá fomos para outra comunidade para almoçar e comprar artesanato local antes de regressarmos à Boa Vista.

180.000 bolívars = salada, arroz, frango e banana frita.

+ 3.000 bolívars = 1 cerveja venezuelana.

Monte Roraima

Monte Roraima

Mas, se você não tiver bolívars, não se preocupe. Todos os lugares aceitavam reais também.

De lá fomos até Santa Helena, onde nos despedimos do Henry e do Alex, que ficaram na Venezuela para uma trip até Salto Ángel.

Nós, as meninas, fomos com o Leo até Pacaraima, atravessamos a fronteira para o Brasil e ali pegamos um táxi até Boa Vista.

O pôr-do-sol estava espetacular!

Monte Roraima

Chegamos em Boa Vista por volta de 19h30. Tomei um banho quente tão feliz (depois de 10 dias de banho gelado) na casa da Graci (MUITO OBRIGADA, Graci!). Arrumei o mochilão para a viagem e logo a Ju e a Kalhi chegaram para darmos uma última volta na cidade e comer alguma coisa num barzinho de karaokê famoso da cidade, o Pit Stop. Lugar muito gostoso com mesas ao ar livre e comida muito boa! Obrigada por tudo, meninas! 

De lá, as meninas me deixaram no aeroporto, onde esperei meu vôo com saída 1h da manhã para Brasília. No caso, já estava no 11.º dia (rsrs…) Depois Brasília – São Paulo. E, por fim, São Paulo – Joinville, onde minha mãe e meu irmão me buscaram para retornar a Blumenau.

Foi uma experiência única! Como já disse, desejo que cada um possa realizar algum dia!

Check-list Monte Roraima

Vou deixar aqui algumas sugestões de itens que considerei indispensáveis nessa trip.

Na hora de preparar seu mochilão, lembre de levar:

  • alguns pares de meia extra porque elas vão molhar! E pé molhado por muito tempo dá bolha e pode fazer cair suas unhas se for um dia de caminhada intensa em descidas, por exemplo;
  • uma corda para fazer varal e alguns grampos de roupa;
  • protetor solar;
  • repelente;
  • desodorante;
  • embalagem pequena de shampoo e condicionador e sabonete (você consegue comprar todos sem nenhum aditivo químico em farmácias – lembre que você está indo para um lugar de preservação);
  • declive;
  • lenços umedecidos;
  • papel higiênico (a equipe do guia fornecia, mas é bom ter alguma reserva);
  • boné ou viseira;
  • gorro para frio;
  • óculos de sol;
  • anorak (ou anoraque) – jaqueta com capuz impermeável para os momentos de chuva e frio;
  • roupa quente para dormir;
  • um par de luvas;
  • toalha de secagem rápida;
  • isolante térmico e colchonete (ou, melhor ainda, se você tiver o isolante térmico de ar fininho inflável, que já serve de isolante e colchonete e ocupa pouco espaço);
  • saco de dormir;
  • roupas leves para as caminhadas;
  • roupas íntimas;
  • roupas de banho;
  • um casaco tipo fleece (é bem quentinho e não pesa);
  • bandana (é um ótimo coringa que você pode usar no pescoço se estiver muito frio ou na cabeça pra proteger do sol. Ou ainda para prender o cabelo);
  • amarradores de cabelo, se você tiver cabelo comprido, claro;
  • sobre calçados, é algo pessoal, mas o ideal é ir só com a sua bota ou tênis de caminhada já no pé e levar só um chinelo para usar no acampamento. E isso é fundamental, não esqueça: sempre que puder, deixe os pés ao ar livre;
  • garrafa de água (2L é o ideal);
  • clorin (purificador de água);
  • kit com algodão, esparadrapo, curativos, agulha, cortador de unha;
  • eventuais remédios se você está acostumado a tomar (para dor, vômito, febre, algum anti-alérgico) – eu sempre levo própolis em spray pra eventual dor de garganta e a pomada de própolis para eventual corte ou ferimento (é um cicatrizante natural);
  • vaselina sólida ou creme para assaduras para passar nos pés ou em alguma outra região do corpo se você tiver problema com assaduras;
  • lanterna de cabeça e lanterna de mão pequena (leve pilhas extras);
  • carregador portátil para as baterias do celular, máquina fotográfica e outros eletrônicos se você levar;
  • lanches de trilha (as refeições principais são fornecidas pela equipe contratada);
  • se você gosta como eu, indico levar vitamina C efervescente. Além de fazer bem pra saúde, é uma delícia. Pode tomar uma por dia;
  • sacolas para roupa suja;
  • se você estiver vindo de longe como eu, lembre de deixar uma muda de roupa limpa para a volta.

Lembre de levar suas roupas e o saco de dormir dentro de sacos impermeáveis. Isso além da capa que protege a mochila. É mais seguro se cair alguma chuva mais intensa.

Lembre também que o comprovante da vacina da febre amarela deve ser internacionalizado em qualquer posto da ANVISA antes de entrar na Venezuela.

Acho que é isso! Lembrando que qualquer dúvida ou sugestão estou sempre a disposição. Podem me chamar no Instagram ou no Facebook.

Aproveite cada passo dessa viagem!

Monte Roraima

Decidi escrever como tudo começou, antes de dar início ao diário do trekking em si, para contar um pouco das aventuras e desventuras que antecederam esses 10 mágicos dias no Monte Roraima e para agradecer algumas pessoas muito especiais.

Antes de decidir onde estaria nessa virada de ano, muitas dúvidas surgiram.

A ideia inicial, fazer o trekking no Monte Roraima, parecia que não daria certo… O grupo formado aqui na cidade onde moro com a coordenação de um profissional que admiro e tive a oportunidade de conhecer em 2017, Juliano Santana, da Target Aventura, iria numa data que eu não conseguiria férias.

Tentei outro grupo, por uma empresa do Rio de Janeiro, mas, para os dias que eu tinha disponibilidade, não tinham mais vagas.

Comecei a pensar em mudar de rota. Surgiu a possibilidade maravilhosa de fazer o curso de canionismo na serra da Canastra com meu amigo e profissional extraordinário do rapel Kadu, da Eco Xperience. Queria ir, mas meu coração ainda balançava pelo Monte Roraima (mas ainda vou fazer).

Outra viagem que comecei a planejar seria para o Caparaó, na divisa de Minas Gerais com o Espírito Santo, onde poderia unir a paixão pelas cachoeiras com o amor pelas montanhas, pois queria muito subir o Pico da Bandeira. Conversei com meus amigos Breno e João, de Minas Gerais e estaria tudo certo pra ir, mas seriam poucos dias (Obrigada, meninos, pelas dicas e ajuda com o contato do parque. Esse ano ainda estarei por aí!).

E foi num final de semana de acampamento no Vale da Utopia, na Guarda do Embaú, com amigos incríveis que o trekking me deu de presente, que, comentando sobre a minha vontade de fazer o Monte Roraima, uma das minhas amigas, a Tere me falou do guia com quem ela e outros amigos fizeram: Leo Tarolla. (Tere, obrigada pelas dicas e pelo empréstimo do saco estanque pro meu saco de dormir ficar sequinho!).

Ela não tinha mais o contato dele e comecei a busca. Deixei mensagem no face e nada. Até que achei a página da empresa, chamada Brasil Norte Expedições e o e-mail. Logo recebi resposta de que havia um grupo montado para as datas que eu queria, com o tempo que eu queria ficar, com o melhor preço de todos que pesquisei e que eu ainda poderia entrar no grupo. Perfeito! Decisão tomada, passo para a etapa das passagens. Quem já foi pra Boa Vista – Roraima, sabe que não é lá muito barato… Ainda mais em cima da hora. Tinha que ver se conseguiria um valor possível.

Comecei as pesquisas! A melhor opção de logística de voos e menos tempo de espera seria pela AZUL. Mas, eu buscava melhor preço e não comodidade. Encontrei pela LATAM um preço um pouco melhor, mas ainda muito caro pra mim. A GOL estava quase o mesmo preço da AZUL. Consultava as saídas por Navegantes ou Florianópolis, já que moro em Blumenau. Foi quando lembrei de Joinville e consegui uma ótima diferença de preço, mas teria várias horas de aeroporto entre um voo e outro. Isso não era problema, tudo certo! Comprei! Joinville – São Paulo – Brasília – Boa Vista para 25-12-2017; e Boa Vista – Brasília – São Paulo – Joinville para 06-01-2018.

Procurei também um hostel em Boa Vista. O Leo, nosso guia, me passou indicação, mas estava lotado para as duas noites que estaria por lá. Achei então um hotel mais simples, com preço bom e relativamente próximo do aeroporto e do centro de Boa Vista, Hotel Mecejana. Foi ótimo custo-benefício! Mas, se você não gosta de água fria, recomendo que procure outro (rsrs…). Não existe água aquecida ou chuveiro elétrico. Mas a cama é boa e tem ar-condicionado.

Outra coisa importante pra quem vai fazer essa viagem ao Monte Roraima é o comprovante de vacinação pra febre amarela. E tem que ser internacionalizado. É muito fácil de fazer e não tem custo. É só levar sua carteirinha de vacinação ou comprovante da vacina da febre amarela no posto da ANVISA do seu município. Não chegaram a nos pedir, mas para entrar na Venezuela podem exigir!

Depois de alguns dias separando e organizando tudo, vi que não caberia na minha mochila. Minha amiga Iara que viajaria, excepcionalmente, de mala de rodinhas nesse fim de ano, me emprestou a mochila (Muito obrigada, amiga!).

Chegado o dia da véspera da viagem, 24-12-2017. Feliz porque pude passar o dia com meu pai e a família e a noite de Natal com a minha mãe e meu irmão.

Enfim tudo arrumado para pegar o voo no dia seguinte!

Nossa viagem começaria dia 27-12 e eu chegaria em Boa Vista na madrugada do dia 26-12. Então, teria um dia para conhecer Boa Vista.

25-12-2017 – Dia de embarcar! Minha mãe e meu irmão me levaram até o aeroporto de Joinville (obrigada, meus amores).

E começava a aventura ao Monte Roraima

Chegando em São Paulo, essa era a única conexão que eu não esperaria. Foi só correr para pegar o próximo voo pra Brasília, onde então esperei por algumas horas para pegar o voo para Boa Vista. Enquanto esperava, recebi algumas mensagens carinhosas de “boa aventura”, “boa sorte” e uma de um grande amigo que fiz nos trekkings do Rio Grande do Sul, o Alfredo, grande parceiro de trekking da melhor qualidade, que já morou em Boa Vista e me passou o contato de um amigo dele, também gaúcho, que já mora em Boa Vista com a família a muitos anos, o George. Entrei em contato e combinamos de nos falarmos no dia seguinte para fazermos alguma coisa.

26-12-2017 – Chegada em Boa Vista 1 h 00 da manhã. Esperando a bagagem, já conheci um casal que também faria o Monte Roraima, a Dani e o Paolo de São Paulo. Já dividimos o UBER para chegar cada um no seu hotel com mais um morador de Boa Vista que estava voltando pra casa. Cheguei no hotel passava um pouco da 1 h e 30 minutos e eis que não localizaram a minha reserva. Frio na barriga. Entrei no meu e-mail pelo celular e mostrei a confirmação da reserva. Ainda bem que tinha vaga. Pude ficar! Não sei o que houve no sistema deles, mas no dia seguinte estava tudo solucionado. Ufa!

O Leo, nosso guia, entrou em contato comigo logo cedo que passaria lá no hotel pra me dar um oi, mas que teria compromisso o dia todo. Eu já querendo sair por aí pra aproveitar o dia, mas esperei. Logo que chegou, pude sentir o ser humano iluminado que ele é, daqueles que podemos conversar por horas… Combinamos a saída do dia seguinte e ele me deu uma carona até à orla, onde eu queria ir pra andar de caiaque.

Cheguei no Porto do Babazinho, um lugar que oferece passeios de barco, aluguel de pranchas de stand up e caiaques. Nesse meio tempo, troquei mensagens com o George e combinamos que eles me buscariam ali lá pelas 10 horas. Aluguei um caiaque e atravessei o Rio Branco até chegar na Praia Grande, na outra margem. Natureza linda! E só tinha eu naquela faixa de areia enorme.

Foi delicioso ficar por ali um pouco. Voltando pra devolver o caiaque, um senhor, o Ralph, veio me ajudar a tirá-lo da água. Perguntei alguma coisa e ele respondeu em inglês que não entendia. Conversamos um pouco até descobrir que ele era alemão, apaixonado por remar e velejar nos rios do Brasil e que vem todo ano até Boa Vista e dali sai para suas expedições de barco pelos rios afluentes do Amazonas.

Monte Roraima
Remando no Rio Branco – Boa Vista – Roraima

Logo em seguida o George e a esposa dele, a Janaína, chegaram. Nem nos conhecíamos e eles foram uns amores comigo. Me levaram para conhecer outras praias lindas nas proximidades e depois em deixaram bem perto de vários pontos turísticos da cidade, onde pude conhecer tudo a pé. Combinamos de nos reencontrarmos mais tarde. Conheci o centro antigo, as feiras de artesanato, a Igreja Matriz e o Monumento aos pioneiros. Dali segui a pé até o centro cívico, conheci o Monumento aos garimpeiros, o Monumento do Milênio, a Praça das Águas e de lá segui até o hotel.

Monte Roraima
Igreja Matriz Nossa Senhora do Carmo – Boa Vista – Roraima

Tomei um banho e logo depois o George e a Janaína chegaram para me buscar. Fomos comer um açaí e dar mais umas voltas pela cidade. Depois fomos buscar a filha deles, a Bianca, e a mãe da Janaína, dona Denize, duas queridas, para vermos a decoração de natal. Voltei à Praça das Águas, agora com eles, e à noite. Toda iluminada e decorada, estava linda demais! A praça tem várias fontes de águas dançantes com música tocando o tempo todo. Muito legal!

Monte Roraima
Praça das Águas – Boa Vista – Roraima

Acabaram ainda me levando pra jantar porque me falaram que eu não poderia sair de Boa Vista sem provar o “peixe-delícia”. E digo o mesmo pra vocês! O nome já diz tudo! Além dessa iguaria de Boa Vista, pedimos ainda um tucunaré grelhado e iscas de dourado. Sensacional! Preço bom e pratos bem servidos. O nome do restaurante é Recanto da Peixada. Conversamos mais um pouco e depois me deixaram no hotel. Que família amorosa e abençoada. Obrigada por tudo!

Tomei mais um banho (gelado, rsrs…), organizei a mochila e deixei tudo preparado. Celular para despertar 4h30. Horário combinado para me buscarem 5h da manhã. Ansiosa pelo início da grande aventura no Monte Roraima.

Dianne Schaldach Trail Runner

Apaixonada pela vida, trilheira, Ultramaratonista de rua e Trail. Curiosa. Em busca de novos desafios.

Nascida e criada no interior de Blumenau/SC, na Vila Itoupava, onde desde criança já gostava de aventuras…

Sempre moleca, corria pra cima e pra baixo, gostava de entrar no rio perto da casa da minha mãe, de subir em árvores, muros e em tudo mais que conseguisse… hehe…

Esportes que já pratiquei:

Já pratiquei basquete, handebol e atletismo na época do colégio e depois até futsal feminino com as meninas do trabalho. Mas o que sempre gostei mesmo foi de trilha no mato, na praia, não importava qual tipo fosse.

Em 2006 conheci um cânion pela primeira vez, um não, já foram logo três! Foi amor à primeira vista! Itaimbezinho, Fortaleza e Malacara.

No ano seguinte conheci Urubici/SC e nem sei mais quantas vezes já voltei de tanto que me apaixonei por essa cidade. Tenho muitas histórias de lá pra contar!

A corrida entrou bem mais tarde na minha vida, mas acabou virando uma grande paixão.

Comecei em 2008 com uma corrida de 5km sem treino algum, cheguei no inesquecível penúltimo lugar… rsrs… E dali em diante comecei a treinar!

Mas, nunca deixando as trilhas e outras aventuras de lado, além disso pratiquei parapente, balão, rafting, tirolesa, pêndulo, rapel, arvorismo e outros.

E quando me perguntam “mas você não pára?”, eu digo “parar? por que, se estamos vivos?!?!!” Parar é morrer! Ainda tenho um mundo inteiro para desbravar, tudo pra aprender e compartilhar.

Em 2013 fiz minha primeira corrida Trail e me apaixonei mais uma vez! kkk

Continuo fazendo algumas corridas de asfalto também, mas gosto mesmo das trilhas.

Em 2017 fiz meu primeiro trekking longo. Foram 3 dias percorrendo os Cânions Boa Vista, Realengo e Amola Faca. Foi simplesmente extraordinário. Conheci pessoas espetaculares, vários se tornaram grandes amigos com os quais já tive o privilégio de fazer outros trekkings.

Depois fizemos a travessia dos Cânions Funil – Laranjeiras, e também o trekking na Serra da Rocinha e Serra Velha.

Trail

Foi em 2017 que também fiz minha primeira Maratona e minha primeira UltraMaratona de pista e de trilha (UltraTrail).

Trail

Sabe o ditado…”A primeira maratona agente nunca esquece…”. Decidi escolher o lugar que mais queria conhecer (Noruega) e com a magia de algo que tinha ouvido falar um dia, e que me instigava o fenômeno (sol da meia noite). E foi assim que me inscrevi na Maratona do Sol da Meia Noite – 42 quilômetros inesquecíveis, em Tromso, na Noruega.

Trail

E quem corre sabe que nós, corredores, sempre queremos mais! Na volta, já planejava a próxima corrida. Queria me tornar UltraMaratonista. E foi assim que me inscrevi na corrida 24 horas de Lensahn, na Alemanha. Muito treino, lesão, mas não desisti! Corri com dor, mas feliz demais!

Em setembro deste mesmo ano, tive o privilégio de conhecer a Serra da Gurita e da Canastra, em Minas Gerais – Brasil. Foi outra travessia espetacular!

Em novembro, participei do Desafio Ultra Trail Celebration em Blumenau – SC – prova de 75km, divididos em 25km noturnos e 50km diurnos. Essa corrida extraordinária merece um capítulo só dela! Em breve!

E nesse reveillon pude realizar o sonho de fazer o Monte Roraima, experiência sem igual que vou compartilhar com vocês nos próximos dias.

Muito obrigada!